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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um casting desastroso


Ao longo dos anos tive a minha cota de situações caricatas ou simplesmente ridículas. Talvez aquela que considero pior, e me traumatizou para o resto da vida, foi o meu primeiro e último casting para televisão. 

Para quem é novo leitor ou pouco atento, desde pequeno tenho um fascínio inexplicável com a área do entretenimento. Fazer o quê se as luzes da ribalta chamam por mim? Fora de brincadeiras, pessoa mais realista não existe e por isso mesmo, com o passar do tempo, comecei a mentalizar-me que há coisas que só têm lugar na nossa cabeça. Não é um discurso derrotista mas de alguém que sofre de timidez aguda.

Durante o longo período de estagnação que vivi após terminar o curso, soube de um casting para apresentador de TV e pensei, "Ricardo, o que é que tens a perder?". Horas de sono e sanidade mental, é essa a resposta que na altura ignorei com todas as minhas forças. Modéstia à parte, sou um tipo engraçado e falador pelos cotovelos (quando estou num ambiente favorável a tal), e o mundo daquela pequena caixa colorida que transmite programas foi precisamente o motivo pelo qual fui para Ciências da Comunicação e da Cultura - Jornalismo. Os meus amigos mais próximos que o confirmem, desde miúdo que digo "um dia vou destronar o Goucha e a Cristina". Que popularucho, tristeza.

Cheguei ao local e fiquei na dúvida se estava na fila para o Ídolos. Às 7 horas da manhã a corrente de pessoas já dobrava a esquina e percebi que tinha cometido um erro. Para não me mandarem à cara que "não luto pelos meus sonhos" e que "nunca faço nada por isso", meti as minhas intuições a um canto e finquei o pé. Passaram-se 10h, sim, leram bem, 10 HORAS, em pé, desconfortável e sem fazer xixi sequer, quando finalmente entro no edifício e sou confrontado com a realidade. Aquilo não passava de uma jogada de marketing para promover o canal à pala de uns idiotas (eu) que foram literalmente levados como vacas para um matadouro.

Nem a uma sala individual e intimista tive direito. Um auditório dividido em dois recebia castings em simultâneo. De um lado estavam duas figuras conhecidas do público e do outro um professor da área. Quem é que me calhou? O segundo, claro. O que se seguiu foi um verdadeiro atentado à minha pessoa. Uma coisa é correr mal, outra foi aquilo que me aconteceu.

Sempre ouvi falar de brancas sem nunca ter compreendido como isso era possível. A partir daquele dia fiquei crente. De todos os momentos em que me podia ter acontecido, foi precisamente ali, num dos possivelmente mais importantes da minha pobre carreira profissional. Não só tive que pensar no meu nome antes de o dizer, como até a idade errei. 

O senhor lança o desafio de improvisar (algo que sou óptimo a fazer) e foi digno de um segmento dos Gato Fedorento. Com a cabeça completamente vazia, fiquei numa espécie de transe a olhar para a câmara. O silêncio foi de tal forma prolongado que o senhor até me tentou ajudar mas sem qualquer sucesso. Inventei que estava a falar com a Júlia Francisco, uma combinação da Júlia Pinheiro com o meu apelido. O tema? Então, vivo no distrito de Sesimbra... vamos falar de pesca. O quê, outro tópico? Então e se for os coros de Igreja? SIM, EU FIZ ISTO. Se a vergonha matasse eu tinha caído ali na hora. Escusado será dizer que aquilo foi o deboche e saí de lá com uma vontade de chorar e me enfiar num buraco. À saída da sala, uma funcionária perguntou se estava bem porque me viu branco como um fantasma (com a minha tonalidade é obra) e a tremer por todos os lados. Damn you stage fright! 

Passado este tempo todo, as imagens daquele dia ainda me perseguem e deixam-me genuinamente transtornado. Nunca pensei que fosse ficar naquele estado. Passei a simpatizar muito mais com alguns cromos das competições televisivas. A minha namorada ri-se às gargalhadas sempre que descrevo tudo ao pormenor mas aquilo traumatizou-me a sério! Agora é rezar para que se um dia ficar conhecido, ninguém vá desenterrar aquele tesourinho deprimente.


Já fizeram algum casting? Como correu?

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Blogosfera estagnou?


Os últimos meses têm sido complicados no que toca a conseguir conciliar trabalho, desgaste e a minha presença online. Enquanto seres humanos e criativos, todos os anos passamos por períodos de crise imaginativa que, consequentemente, nos impedem de escrever o que quer que seja. Juntem a isso uma dose astronómica de preguicite aguda e está o caldo entornado. No passado, referi várias vezes que sofro bastante deste problema e a tendência tem sido piorar. Até ao momento, esta é a maior crise de procrastinação que alguma vez atravessei.

Não querendo apontar dedos a um problema que é meramente interno, existem factores exteriores que também não ajudam à festa. Um deles é a direcção que a blogosfera em geral está a tomar. Pode ser impressão minha mas... o factor novidade perdeu-se. Dou por mim a ler uma constante reciclagem de coisas já escritas, criadas, feitas. Não tenho sentido aquela curiosidade em abrir este e aquele post porque já sei perfeitamente o que vou encontrar, mais do mesmo. São rubricas-clone que nascem mas com um título e número diferente de "coisas" em observação, são os mesmos locais gastronómicos a visitar, as mesmas exposições, os mesmos filmes, os mesmos produtos de cosmética. Bah!

Sei que pode ser uma observação injusta, mas permitam-me que constante um facto que também se aplica a mim. Ao fim ao cabo, sou parte activa nesta problemática e tenho plena consciência disso. Por outro lado, é precisamente por isso que sempre tentei intercalar as ditas publicações em "cadeia" com outras mais aleatórias, por vezes com a sua pitada de wtf. É preciso inovar, sair da zona de conforto e explorar outros caminhos, temas, experiências. Sim, isto é tudo muito bonito mas na prática nem sempre é possível, especialmente se tiverem uma página direccionada a um só público-alvo. Contudo, é algo que estou a tentar com todas as forças aplicar de modo a não vos maçar com tretas.

Cada vez mais o tempo é precioso e ninguém merece desperdiçá-lo a ler um jornal com notícias do mês passado.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

MUSIC ⤫ JUL'17 Playlist


As minhas preces foram ouvidas e estes últimos 31 dias foram repletos de novidades musicais ricas em qualidade e variedade. Tal como aconteceu no mês passado, a oferta foi tanta que até já comecei a preparar a playlist sucessora. Isto porque continuo fiel à minha regra de 20 canções por compilação. Por este andar não sei é se conseguirei cumprir.

Julho foi o mês da Kesha e ninguém pode dizer o contrário. Saindo lentamente debaixo dos escombros deixados pela batalha judicial com o produtor que abusou dela, surpreendeu tudo e todos com o seu melhor single até à data, "Praying". Não se ficando por aí, já lançou as buzz tracks "Woman" e a viciante e igualmente emocionante "Learn To Let Go". A corrida pelo título de álbum do ano está cada vez mais renhida e nem quero pensar na dor de cabeça que vou ter daqui a uns meses...

Quem também voltou foi a Eva Simons - dona do underrated hit "Silly Boy" (2007) - e melhor que nunca! Não é que a gravidez lhe fez bem e ela finalmente conseguiu lançar uma canção impecável? "Guaya" não é apenas uma dance song, é A dance song. Os meus adorados Sofi Tukker continuam o seu reinado pop/alternativo e não podia estar mais deliciado com a "Fuck They" - já a apelidei de hino pessoal. Por falar em hinos, até que enfim lançaram o vídeo da lacradora "Sua Cara", dos Major Lazor com a Anitta e Pablo Vittar, e que tanto tenho cantarolado nos últimos tempos.

Levou quase dois anos, mas os Clean Bandit resolveram dar aos fãs o que eles tanto queriam, a maldita colaboração com a Marina & The Diamonds. Se valeu a pena a espera? Yas. "Disconnect" é liricamente brilhante e apoiada dos vocais da antiga Electra Heart, ainda melhor. A Dua Lipa mostrou que não pretende parar tão cedo e escolheu "New Rules" como o 7º single oficial do disco de estreia; os K.A.R.D. presentearam-nos com a "Hola Hola" para o seu debut; enquanto a Kirstin, membro do grupo Pantatonix, conquistou o meu coração com o seu material a solo, em especial a impecável "Break a Little".

Uma década desde o lançamento do soberbo Como Ama Una Mujer, o seu primeiro disco em espanhol, a Jennifer Lopez está a preparar o próximo. A julgar pelo aperitivo "Ni Tú Ni Yo", promete ser bem diferente mas nem um pouco inferior. Apelidada pela media de rainha dos suspiros, a Selena Gomez divulgou a "Fetish" e o vídeo chocou o mundo... quem diria que havia pessoas tão impressionáveis por aí. Espero que siga na mesma direcção porque estou a adorar.

Ainda na playlist marcam presença os Imagine Dragons, Foster the People, Allie X, Charlotte OC, Martin Solveig com a Alma, a Bea Miller, as Sistar, e a minha mais recente descoberta, a sassy Ängie.

Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem, sigam a página do Ghostly Walker no Spotify!

Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Ginásio ⤫ Culto do Corpo ou da Vaidade?


Não foi só a minha alimentação que mudou. Após anos a desejar fazê-lo, finalmente ganhei coragem e inscrevi-me num ginásio. Passaram-se quase três semanas e não podia estar mais satisfeito com a decisão. Dito isto, já tenho muita coisa a comentar.

Logo na primeira ida percebi que estava a entrar numa espécie de zoológico desportista. Há pessoas de todos os tipos e feitios a pavonearem-se pelo auditório que está dividido por diferentes habitats. Temos os búfalos que parecem seguranças de discotecas; as hienas que andam sempre em duplas e só vão lá para tirar fotos para partilhar nas redes sociais que são super activas; as preguiças que se arrastam para lá mas depois ficam a engonhar enquanto estão às mensagens; as avestruzes sénior que não perdem a oportunidade de se fazerem aos jovens instrutores e claro, os porquinhos da índia recém-chegados que, como eu, não percebem nada daquilo e só querem passar despercebidos.

No meio desta selvajaria, existe um elo de ligação entre todas as espécies: os espelhos. Numa espécie de ritual religioso, parece ser impossível levantar um peso sem apreciarem o seu reflexo no processo. Sim, compreendo perfeitamente o quão útil pode ser vermos se estamos a executar correctamente os exercícios, mas aquilo que eu vejo é algo de... surreal. 

Enquanto corria pela minha vida na passadeira comecei a pensar mais a fundo sobre esta questão. Muito se fala do "culto do corpo" mas até que ponto não passa isto de pura vaidade? A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres como os homens. Só que o exagero pode desenvolver um distúrbio psicológico conhecido como a vigorexia - insatisfação constante com o corpo, levando à prática exaustiva de exercício físico.

Como referi, isto não é mais que uma reflexão sobre algo que tenho observado diariamente. Não significa que seja o caso ou regra geral. Apenas considerei peculiar a aparente obsessão que certos indivíduos têm com o seu próprio reflexo. Quando já estão em modo armário e são incapazes de executar um único passo sem olharem para eles mesmos, roça o narcisismo. No balneário ainda compreendo porque estão a contemplar os frutos do seu trabalho, faz sentido e provavelmente se algum dia chegar à forma que pretendo, farei o mesmo. Mas tudo depende do contexto e maneira de como se faz.


 Frequentam um ginásio? Já se tinham apercebido deste fenómeno? É vaidade?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Adeus processados, olá alimentação saudável


Uma das minhas principais características é gostar genuinamente de comer. Sim, sou daquelas pessoas que fica extremamente irritada se tiver fome e ganha um brilho nos olhos se lhe colocam à frente um prato que adora. Segundo consta, sou assim desde bebé. Bastava mostrarem-me uma colher que lá abria a boca para encher a mula. Por incrível que pareça, nunca fui propriamente "gordo", mas passei por várias fases mais roliças, vá.

Apesar de não cometer grandes excessos no que toca a doces e afins, não posso dizer que tivesse uma alimentação saudável. A minha mãe fica muito ofendida quando digo isto porque não consegue entender que não é um ataque à sua excelente perícia culinária, mas um facto. Coca-cola, batatas fritas e toneladas de pastas de atum com maionese faziam parte da minha rotina semanal, para não dizer diária. De que adianta comer peixe cozido numa refeição, se pelo meio existem pecados gastronómicos que anulam o resto?

A expressão "somos o que comemos" explica bem o porquê de nunca me ter sentido bem na minha própria pele. Foram anos a passar por um duelo interno entre "aquilo que quero ser" vs. abdicar de um dos maiores prazeres da minha vida, comida não-saudável. 

Quando vivemos com os nossos pais e são eles quem ditam as regras na cozinha, torna-se extremamente complicado contrariar o "sistema". Se digo que vou deixar de comer fritos, riem-se enquanto mandam para o ar uns quantos "até parece que comes isto todos os dias" ou "não comas não que ainda cais para o lado". Após várias tentativas falhadas ao longo dos anos, foi preciso fazer análises e descobrir que, no espaço de um ano, fiquei com colesterol para finalmente me levarem a sério e ajudarem a mudar. 

Em vez de parar de beber coca-cola como resultado de uma promessa (hey, tem que ser aquilo que nos custa mais), abandonei-a por completo. As batatas fritas de pacote deram lugar a saladas e até os malditos bróculos que sempre me recusei a comer em criança agora são presença cativa no meu prato. A refeição mais importante do dia, o pequeno-almoço, outrora ignorado por completo, é recebido com papas de aveia, sementes de girassol, nozes e outras delícias que descobri que adoro.

Se sinto falta das comidas antigas? Sem dúvida. Lamento imenso mas aquela história que as pessoas healthy dizem sobre "sentires-te muito melhor" e "não quereres outra coisa", é bs. Estou neste processo há dois meses e sinceramente não noto grandes diferenças no que toca ao meu estado de espírito. Fisicamente sim, estou mais magro, mas é muito complicado combater a tentação. Sinto-me orgulhoso por estar a conseguir cumprir um regime limpo de processados, mas não invalida a vontade que se mantém de querer comê-los. Há alturas em que só me apetece devorar uma pizza, seguida de um belo bacalhau à Brás, com direito a uma bola de Berlim bem recheada como sobremesa. Sou um eterno foodie e não há nada capaz de alterar nisso.

Para evitar a queda num abismo de gulodice e um choque no meu corpo, a minha nutricionista de serviço aka a namorada, aconselhou-me a comer algo non-healthy nem que seja uma vez por semana. O chamado dia de liberdade, se quiserem, mas sem excessos, claro. Digamos que os Sábados agora são oficialmente o meu dia favorito. 

Ainda tenho um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito a compreender ao certo aquilo que devemos comer, em que quantidades e a que horas, mas ao menos consegui dar o primeiro passo que é quebrar as correntes processadas que começavam a sufocar o meu coração.


Seguem uma alimentação saudável? Custou-vos ou foi fácil a mudança (se é que houve)? 

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