Se há algo que nunca vou compreender são os seres que seguem as massas. Sedentos por aceitação ou inclusão de um todo, estão dispostos a ir contra os seus próprios princípios só para se integrarem, seja em que contexto for. Não se trata de prepotência, mas não consigo mesmo aceitar que alguém seja tão insonso e sem personalidade que se presta ao ridículo de beber cada palavra, acção ou mensagem de outrem que consideram como um modelo a seguir.
Este tipo de coisas acontece muito com as ditas "celebridades". Nos anos 80, que rapariga é que não se vestia como a Madonna? Cada vez que olho para fotografias da minha mãe e as amigas na altura dá-me uma enorme vontade de rir, mas é normal, faz parte do processo de crescimento. O problema reside quando a pessoa não cresce e desenvolve uma espécie de dependência que lhe impede de pensar por si própria. O que começa por ser uma empatia e apreço por um artista, muitas vezes acaba a roçar a linha da obsessão, podendo chegar a situações extremas como a perseguição ou invasão domiciliária. Mas isso já é outra conversa.
Compreendo que as "modas" têm que surgir de algum lado, mas há que perceber se estamos a seguir algo porque gostamos genuinamente ou porque toda a gente faz. É precisamente a segunda opção que me tira do sério. Sou um grande defensor da diversidade e, como tal, detesto ver rebanhos de opinião. Talvez seja por isso que ganho uma pequena aversão a produções ditas mainstream, e olhem que não sou hipster nenhum. Lembram-se da velha máxima d'o que é de mais enjoa? Ora nem mais.
Felizmente li os livros do "Hunger Games" antes de os transformarem num império capitalista astronómico, se não o mais provável seria não ter comprado nenhum e só ter visto os filmes agora que a febre passou. Este é um dos motivos pelo qual muitas vezes prefiro que os meus grupos undergound favoritos se mantenham longe dos holofotes e no anonimato mediático. Sei que é egoísta, mas fico incomodado quando algo se torna popular e de repente todos se lembram que aquilo é bom, quando anteriormente, se fosse preciso, criticavam e nem queriam saber.
Um bom exemplo disso foi o que aconteceu agora com a Eurovisão. Após meses a tecerem comentários nefastos e a ridicularizarem o Sobral, foi preciso ganharmos para ele passar de drogado a Salvador da Pátria—see what I did there?. Como parece bem, agora a Eurovisão já não é tão ridícula e não só somos fantásticos como a canção é a "coisa mais linda de sempre". Bitch please. Uma coisa era ouvirem tantas vezes a música que começavam a gostar — algo que acontece frequentemente — outra é isto. Coerência é algo que falta a muita gente.
Claro que não o vão admitir mas fica a pergunta, costumam seguir as massas?
A 13 de Maio ocorreu um milagre, Portugal venceu o Festival da Eurovisão.
Num dia marcado pela visita do Papa a Fátima e a tetra-vitória do SLB, Salvador Sobral subiu ao palco em Kiev, na Ucrânia, e encerrou o serão com chave de ouro, ao arrebatar os corações (e votos) de milhares de europeus com a soberba canção "Amar Pelos Dois". Considerado por muitos como o país dos pequeninos, é impossível explicar o orgulho e alegria que senti quando vi a nossa bandeira manter-se intocável no primeiro lugar da tabela final desde o início da votação. E porque a ocasião assim o permite, ganhámos caralho!
Quem me conhece na vida real sabe a importância que a Eurovisão tem na minha vida. Sim, estou a falar a sério. A minha namorada que o diga, ela detesta isso em mim. Digamos que é o equivalente a qualquer competição futebolística mas menos irritante visto que só ocorre uma vez por ano. Fui criado numa família com a tradição de assistir a este espectáculo musical e não tenho vergonha de admitir que vibro, grito, canto e até danço se for preciso com alguns actos. Portanto, só comportamentos normais de um adepto de um clube qualquer.
Se há coisa que não sou é hipócrita, admito que durante anos critiquei o facto de sermos o único país que se recusava a levar canções que não fossem em português. Aliás, cheguei a expressar o meu desagrado aquando da nossa primeira semi-final, em Fevereiro, no Facebook:
"Tenho estado a ver o Festival da Canção e... por amor de Deus. São baladas atrás de baladas, "cantores" medíocres e claro, tudo cantado em português, porque somos o único país que se recusa a evoluir".
O certo é que este momento de fúria chegou ANTES de ouvir o Salvador. Felizmente as publicações têm horas para comprovar que não estou a mentir. Aliás, tenho sido um ávido defensor da nossa canção tanto ao vivo como nas redes sociais, especialmente no Instagram. Tal como aconteceu com a "Senhora do Mar" da Vânia Fernandes, em 2008 — mantém-se como uma das minhas entradas portuguesas favoritas —, assim que ouvi a melodia melancólica da "Amar Pelos Dois" e o #salvadorable cantou as primeiras notas, fiquei encantado e disse com todas as letras "esta vai ganhar". Claro que me referia à representação do país no concurso, mas as palavras ganham outra dimensão depois desta noite (estou a escrever este post de madrugada, daí a referência temporal).
Portugal foi o país que participou há mais tempo na Eurovisão sem nunca ter ganho. Estreámo-nos em 1964 com "Oração" de António Calvário e ao longo do anos, pisaram o palco nomes como Simone de Oliveira, José Cid ou Paulo de Carvalho. Lúcia Moniz deu a PT a melhor classificação, até à altura— foi em 1996 quando "O Meu Coração Não Tem Cor" conquistou o 6º lugar. Desde então, nunca mais nos classificámos nas dez primeiras posições e, desde 2010, nenhuma canção lusitana chegava à final. A música que Salvador e Luísa Sobral criaram em conjunto defrontou 25 concorrentes e saiu vitoriosa, tanto pelo júri como pelo televoto. Pensar que há alminhas que dizem que "foi tudo feito", como se alguma vez alguém quisesse ajudar o país pequenino, sem vizinhos e em crise.
"Amar Pelos Dois" é uma canção diferente de todas as outras. A simplicidade tanto do tema como do músico em palco contrastou com o aparato exuberante das restantes actuações — algo que, de resto, costumo criticar como podem ler na publicação do ano passado (AQUI). O jovem não precisou de cenários excêntricos, luzes psicadélicas, jactos de fogo ou roupa vistosa. Apenas de um palco, que nem sequer foi o principal. Afinal, é mesmo isso que está em análise, a canção.
Na conferência de imprensa após a primeira semi-final, Salvador disse que "A música é uma linguagem universal. Quando se canta com o coração, as pessoas compreendem. Quando é algo genuíno e não é plástico, as pessoas compreendem". Uma ideia que voltou a referir quando subiu ao palco para receber o troféu. Música com significado é uma arma poderosíssima que, infelizmente, tem vindo a dar lugar a produções populares manufacturadas. Não há nada de errado em apreciar esse estilo, até porque é aquele que mais consumo, mas é importante saber separar as águas e enaltecer o que é bom.
Ano após ano a torcer por Portugal, a verdade é que nunca acreditei que ganhássemos. O povo português está tão habituado a falhar ou chegar quase lá, que criou um pessimismo hereditário do qual também sofro. Claro que pensava "um dia, um dia vamos conseguir", mas nunca pensei que fosse mesmo acontecer, quanto mais agora. É incrível a onda de apoio e amor que esta canção, cantada na nossa língua, gerou por toda a Europa. Fico comovido e genuinamente feliz por ver que o nosso trabalho foi reconhecido em mais uma área na qual ainda não tínhamos conseguido brilhar, tal como aconteceu com a nossa primeira vitória no Campeonato Europeu de Futebol de 2016. Podemos ter muitos defeitos, mas muitas vezes não nos valorizamos tanto como devíamos.
Desta feita não me vou pronunciar afincadamente sobre os restantes países como é habitual. Posso adiantar que a Itália foi altamente roubada e em vez do merecido 2º acabou em 6º lugar; a Bulgária esteve fantástica, assim como o Reino Unido e a Bélgica. A Arménia, França, Hungria, Suécia e Azerbaijão também eram das minhas favoritas, assim como a Islândia e Estonia que nem à final chegaram. Fechando o leque de preferências, entram ainda a Austrália, Polónia e Israel.
Sem me alongar muito mais, despeço-me com o meu TOP 10 pessoal, assim como os oficiais:
Nos últimos dois dias ocorreu uma verdadeira chuva de videoclips. Não sei se foi combinado ou pura coincidência mas não me vou queixar! Qualquer amante de música sabe a importância que a componente visual pode ter para o projecto em geral. Em alguns casos eleva-o a um climax sensorial surpreendente, enquanto outros resultam em desastres de proporções astronómicas. Felizmente esta última fornada de vídeos foi bastante satisfatória, nem que seja por representarem na perfeição o significado das letras.
Neste quinto volume da rubrica "FRESH OUT THE OVEN", reuni alguns dos mais recentes. Vamos a eles!
..1.. Miley Cyrus —“Malibu”
Nunca fui fã da Hannah Montana e tão pouco considerava a Miley Cyrus como uma das melhores artistas da minha geração. Dito isto, há que dar a mão à palmatória e admitir que ela tem uma voz poderosa. Ao longo da sua carreira gostei de um single ou outro ("Can't Be Tamed", "Who Owns My Heart"), mas confesso que foi com o álbum Bangerz que a comecei a ouvir com mais frequência. Em 2013 era impossível fugir à febre "We Can't Stop" ou "Wrecking Ball". Anos mais tarde, a jovem norte-americana reinventou a sua imagem, voltou para o noivo Liam Hemsworth (não sou daqueles obcecados que vive intensamente as relações de celebridades, mas gostava mesmo de os ver juntos e detestei quando terminaram), e voltou a meter a língua no local certo, isto é, dentro da boca.
"Malibu" não é apenas uma declaração de amor ao Gale dos Hunger Games, é uma mensagem sobre liberdade e paz interior. O vídeo captura esta essência easy breazy da canção e não alterava nada. Até cabelo ela tem! A composição aproxima-se mais das raízes country de Nashville que do pop electrizante dos projectos anteriores mas estou satisfeito com a mudança.
..2.. Margaret —“What You Do”
Um dos meus polish guilty pleasures, a Margaret, lançou o vídeo para o mais recente single, "What You Do". Provavelmente não fazem ideia quem ela é, mas isso agora não interessa nada. O importante é a música. Seguindo a mesma fórmula pop que qualquer outro hino do Verão, não dá para não abanar pelo menos um pézinho enquanto ouvem este refrão. A batida não é necessariamente original, mas surte bem o seu propósito, animar! O vídeo segue a linha conceptual de um jogo de acção e apesar de não ser o meu favorito, ao menos é algo diferente do habitual. Se isto não ser tornar num hit será um verdadeiro desperdício.
..3.. DNCE ft. Nicky Minaj —“Kissing Strangers”
O Joe Jonas lá tentou e finalmente encontrou uma forma de ter sucesso fora do complexo Jonas Brothers, criar uma banda nova. Donos de um dos melhores EP's de 2015, Swaay, o quarteto prepara-se para lançar o segundo disco de inéditas e já tivemos o primeiro taste com a divertida "Kissing Strangers". Desde o final do mês passado que tenho andado com a maldita melodia do "Na na na na na na na na" na cabeça e parece que vai continuar agora que tenho os visuais. Gostei imenso do vídeo! Com uma vibe à la 80's futuristas, tudo bate certo, os cenários, as roupas, as luzes, tudo! Até dos créditos em homenagem às produções cinematográficas da época eu achei piada. Esperemos que o sucessor de DNCE seja melhor que o desapontante álbum de estreia.
..4.. Shakira —“Me Enamoré”
Numa evidente declaração de amor ao marido, o jogador de futebol Gerard Piqué, a colombiana mais famosa do mundo finalmente lançou o videoclip para a deliciosa "Me Enamoré". Embora esta ciente do quão básica é a canção e até a melodia, tenho que admitir que fica no ouvido e de que maneira. Tenho saudades de uma boa english jam da Shakira, mas vá, antes isto que nada. O vídeo é uma decepção. Não fossem uma cenas dela no meio da floresta e depois rodeada por aqueles fumos coloridos que agora toda a gente usa, não se salvava nada. We get it, you're in love, mas não precisa ser aborrecido. Enfim, o novo disco "El Dorado" chega às lojas a 26 deste mês.
..5.. Zara Larsson —“Don't Let Me Be Yours”
Se leram a minha review do álbum "So Good" (AQUI), já sabem como me sinto em relação ao debut album da Zara Larsson: meh. Esta era está a ser uma verdadeira mess e a escolha dos singles comprova isso. Não fosse incluírem hits anteriormente lançados como "Lush Life", "Never Forget You" ou a colaboração com os Clean Bandit, "Symphony", só resta uma verdadeira pérola, a "One Mississipi", que se for preciso nem direito a single treatment vai ter. Não sei que são os managers desta rapariga mas precisam ser despedidos asap. Voltando ao que interessa, o vídeo desta "Don't Let Me Be Yours", está OK. Não é memorável mas aprecio a temática e o facto de existir história. Gosto genuinamente da Zara e espero que ela consiga superar estas bad career choices.
..6.. Katy Perry —“Bon Appétit”
Saving the best for last. Desde que o áudio para a "Bon Appétit" foi lançado tem estado a causar controvérsia por incluir uma parceria com os publicamente homofóbicos Migos. Sendo a Katy Perry uma das principais vozes a favor da comunidade LGBT, isso é no mínimo... caricato. Questões pertinentes de lado e, musicalmente falando, devo ser das únicas pessoas que gosta desta canção. Atenção, está longe de ser uma das suas melhores, mas a vibe é contagiante. Estava ansioso pelos visuais e a Katy não desapontou. Seguindo a história das letras à risca, o conceito é no mínimo genial. Além da cantora aparecer melhor que nunca, a ideia bastante original. Desde os cenários, a momentos de comédia a que a jovem norte-americana já nos habituou, não alterava nada (sem ser a participação do trio de rappers, claro). Digo já que é um forte concorrente ao título de "Melhor Vídeo do Ano", vocês sabem, aquele TOP que fiz no ano passado (AQUI) e ninguém viu.
Conheciam os vídeos? Qual é o vosso videoclip/música favoritos?
Como devem ter percebido, não tenho andado com muito tempo para o blog. Se em tempos longínquos publicava praticamente todos os dias, agora nem os posts intercalados consigo cumprir. Não é que exista uma regra que me obrigue a partilhar conteúdo continuamente, mas sinto que ando a falhar. O ideal era mesmo ter um clone que ficasse encarregue da parte chata da minha vida e me deixasse aproveitar os bons momentos ao máximo.
Visto que este espaço não é a minha fonte de rendimento e não ganho absolutamente nada com ele, se continuo por cá é porque gosto mesmo disto. Verdade seja dita, desde Dezembro que a minha situação laboral está um caos por estar a exercer duas funções distintas (sem receber por isso). Resultado, após 8h sem parar, não tenho tido a mínima vontade/paciência para chegar a casa e escrever. O mesmo aplica-se à leitura. Enquanto no ano passado devorei seis livros, este nem metade de um consegui ler.
Normalmente tento escrever o máximo possível durante o fim-de-semana e agendar tudo porque, de 2ª a 6ª, é impossível. Ou acabo por me deitar às 3h da manhã e acordo ainda mais cansado, ou só tenho o tempo de criar a imagem na noite anterior e deixar a escrita para um furo no trabalho. Além de ser uma pressão terrível, acaba sempre por surgir alguma coisa que me impede de terminar o maldito texto. Pista: quando publico alguma coisa sem ser a esta hora é, na esmagadora maioria, um caso desses.
Com um Ricardo 2.0 a coisa resolvia-se num instante. Era ele que acordava todos os dias às 7h da manhã e chegava a casa às oito da noite; aturava o meu patrão por mim e a necessidade de me ligar de 10 em 10 minutos; levava com os tsunamis lisboetas que me deixam ensopado e semi-careca; ficava na fila interminável para comprar o passe e levava com os germes das pessoas nojentas que utilizam os transportes públicos como se fosse o curral deles. Já eu, podia dormir até ao meio-dia, ver as séries e filmes todos que tenho em atraso e claro, escrever conteúdo interessante para partilhar convosco. Sei que a isso se chama desemprego, mas já me bastou dois anos em casa e não obrigado.
Tenho mil e uma ideias (e rascunhos) para dar vida e prometo que vou tentar ser mais disciplinadodurante o fds. Igualmente em falta estou com as vossas páginas que não têm recebido o meu habitual contributo opinativo. Não vou ser hipócrita e dizer que leio tudo porque ultimamente não tem acontecido, mas quando o fizer, preparem-se para múltiplas aparições na vossa caixa de correio.
Até lá, vou continuar a torcer por Portugal na Eurovisão apesar de saber que, politicamente falando, é impossível vencermos. Mas que era merecido, era.
No ano passado partilhei convosco alguns dissabores (AQUI), digamos assim, de actividades ou experiências que nunca tinha vivido com os meus 24 anos. Na altura, estava longe de esperar que isso fosse desencadear um rol de publicações com a mesma temática mas fico feliz.
Há uns meses atrás, com o meu aniversário em vista, revisitei a dita lista e confesso que fiquei frustrado por verificar que tudo se mantinha na mesma. Em jeito de update, se bem que não seria necessário um, revisitei o post original e (re)apresento-vos cinco tópicos que considero como os mais chocantes, salvo seja, pelo menos aos olhos da sociedade.
'1. Ter aprendido a andar de bicicleta
Um dos meus maiores desgostos na vida é não saber andar de bicicleta. Em criança adorava andar com as rodinhas mas assim que as tiraram o meu cérebro fritou. Farto de tentar e acabar sempre no chão com os joelhos esfolados, desisti. Digamos que por muito paciente que eu seja, há certas áreas e situações que me tiram do sério. Ainda assim, muitas vezes imagino a sensação que deve ser andar livremente por aí, sem precisar depender de combustível ou boleias. Bem, ao menos sei nadar.
'2. Ter ido a um concerto
Continua presente na minha cabeça o horror que provoquei quando admiti publicamente que nunca tinha ido a um concerto. Meus caros, tenho oficialmente 25 anos e a coisa mantém-se. Criminoso, eu sei. Chega a ser caricato um ávido consumidor de música como eu, nunca ter experienciado uma das formas mais naturais de apreciar esta arte, isto é, ao vivo. Ser um tio patinhas e achar um balúrdio o preço da maioria dos bilhetes já nem é o principal impedimento, mas sim o facto de ou nunca ter companhia. Sim, porque dizer "vamos" é muito giro mas depois chega a altura e chapéu. Os festivais então é para esquecer. Fazem os cartazes propositadamente mal distribuídos para deixar o público dividido e realmente, comigo resulta, mas pela negativa. Enfim, resta-me torcer para que um dos artistas/grupos que sigo vigorosamente resolva parar por Portugal e convencer alguém a ir comigo.
'3. Ter a carta de condução
Quando era mais novo imaginei mil e um cenários para a minha vida. Garanto-vos que chegar a esta idade sem ter a carta de condução não era um deles. Muitas vezes perguntam-me "porquê é que não tiras?" e a resposta é sempre a mesma: "porque é que vou tirar a carta se depois não tenho um carro para conduzir?". Mais simples que isto não podia ser. "Ah usas o dos teus pais". Ui, nem entrem por aí. Conheço pessoas que tiraram a carta mal completaram os 18 anos e nunca mais pegaram num carro. Resultado, já não sabem conduzir. Vale a pena gastar dinheiro para me acontecer o mesmo? Não. Se as pessoas compreendem isto? Não.
'4. Ter ido a uma discoteca
Embora seja um animal noctívago, não é a componente "festiva" que mais me atrai. Não se preocupem, não pertenço a nenhum culto ou ceita religiosa. Claro que já saí à noite, mas sempre me fiquei pelos bares. Para quê pagar para entrar numa discoteca se posso encontrar tudo o que tem para me oferecer de borla em pubs e afins? Os elementos são os mesmos, leia-se, álcool, música aos altos berros e tolos a "dançar", muda o quê, o tamanho do recinto? Se um dia tiver que acontecer, que remédio tenho eu, mas até lá, não me incomodo de continuar na ignorância.
'5. Ter ido a um casamento
Às vezes sinto que amaldiçoei a minha família. A sério, foi preciso nascer para nunca mais ninguém se casar. Tanto no seio familiar como no círculo de amigos, se bem que este último ainda vai a tempo de acontecer, o certo é que nunca soube o que é ter que ir para aquela que é considerada uma das cerimónias mais aborrecidas do mundo. Vendo bem as coisas, realmente dispenso o sermão religioso, e a prenda choruda, mas o que realmente me interessava era a componente gastronómica da questão. Isso e ter um pretexto para finalmente usar um fato - aqui está mais uma coisa que nunca fiz. Durante muito tempo brinquei dizendo que o primeiro casamento a que eu iria ainda seria o meu, mas quando penso no balúrdio que é, a ideia afasta-se cada vez mais.
Pessoas vividas desse lado, são bixos do mato como eu? Temos peculiaridades em comum?