É impressão minha ou as ofertas do mundo do entretenimento melhoram drasticamente nos últimos meses do ano? A sétima arte é perita nisso, tendo o costume de deixar os melhores filmes para último, de modo a ficarem "fresquinhos" para os Óscares em Fevereiro. É cada vez mais evidente que a indústria musical aplica o mesmo modelo.
Neste campo, Novembro foi um mês fantástico. The XX, o meu grupo favorito, voltou com a viciante "On Hold", muito à la Jamie XX, assim como as BLΛƆKPIИK e os singles "Playing With Fire" e "Stay". Após conquistarem o meu coração em Agosto, a vontade de ter um álbum completo do quarteto coreano aumentou ainda mais.
Ainda na secção comeback, versão veteranas, tivemos Shakira ("Chantaje"), Fergie ("Life Goes On"), Charli XCX ("After the After Party") e Britney Spears ("Slumber Party"). Graças à voz da Anne Marie e sonoridade tropical, rendi-me, por fim, aos Clean Bandit e a hipnotizante "Rockabye", fiquei perplexo com a qualidade vocal/musical da irmã mais nova da Miley, a Noah Cyrus, que junto do Labrinth proporcionou-nos uma das melhores e mais originais canções do ano, "Make Me (Cry)".
Destaco ainda, "So Good", o primeiro single oficial da Louisa Johnson, vencedora da última edição do X Factor UK, "I Got You" da Bebe Rexhaaka olhos de carneiro mal-morto, e a "Rude", resultado da parceria certeira entre o Dillstone e a Lili N. Se forem fãs de batidas mais dançantes, dêem uma vista de olhos pela "Be Real" da finlandesa Krista Siegfrids.
Como sempre, por muito que tente, não consigo fugir ao pop. Sem preconceitos, desde que nos soe bem, as labels são meros detalhes sem importância. Quem sabe se não descobrem nesta playlist uma música que vos deixe completamente viciados?
Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem, sigam a página do Ghostly Walker no Spotify!
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
A palavra depressão é muitas vezes utilizada de forma leviana. Devido ao seu uso excessivo, tornou-se numa espécie de bengala para descrever o mínimo problema emocional que sofremos. Confesso que cometi este erro no passado mas, agora sou muito mais cuidadoso quando a utilizo. Apesar de estar bem, nunca é de mais falar sobre este tema.
Há vários anos que passo pelo mesmo ciclo. Estou perfeitamente normal e, de um momento para o outro, sou consumido por uma nuvem negra que me deixa incapaz de sentir o que quer que seja.É como se um botão se desligasse e fecho-me por completo. Fico sem vontade para fazer nada, de estar ou falar com as pessoas, só quero ficar sozinho no meu canto.
Eventualmente passa como chegou, de forma inesperada. Infelizmente não é tão rápido quanto gostaria. Chego a ficar semanas neste estado emocionalmente vegetativo, o que se revela um grande desafio para aqueles que nos são mais próximos.
Quando andava na escola era capaz de passar um ou dois meses das férias de Verão trancado no meu quarto, sem falar com ninguém fora do núcleo familiar. Limitava-me a responder a alguma mensagem para saberem que estava vivo e that's it. Hoje em dia, com trabalho e outras responsabilidades, não dá para fazer o mesmo.
Quem está de fora não compreende e pensa que nos estamos a vitimizar, mas não é de todo o caso. Calculo que existam indivíduos carentes, desesperados a ponto de simular esta doença mas isso é algo que considero do mais baixo possível. Sabendo que não é fácil para quem tem que lidar connosco no dia-a-dia, com certeza que se o pudéssemos evitar, assim o faríamos.
Nunca procurei ajuda profissional para este problema, em parte por achar que consigo resolver tudo por mim mesmo e por ter noção que há pessoas em piores condições. No entanto, muitas vezes pergunto-me se é a atitude mais correcta. Por muito que tenhamos dias menos positivos, nada justifica ficarmos completamente apagados do mundo, isso não é normal. Não adianta de nada armarem-se em super-heróis e pensarem que não precisam de ajuda. Só estão a alimentar esta condição e a dar-lhe força para criar raízes cada vez mais profundas.
Já tiveram depressão, a sério? Procuraram ajuda médica?
Não é preciso ser um prodígio para saber que, hoje em dia, ser blogger não se resume a redigir publicações. A interacção entre membros da comunidade vai muito além da troca de comentários. As ramificações para outras redes sociais são cada vez mais comuns. Exemplo disso é o Facebook que passou a ser praticamente obrigatório.
Dentro deste universo paralelo, há um território que deixei completamente ao abandono: o gmail. Após longos períodos sem lá entrar, até fiquei verde com a quantidade de pedidos de entrevista/colaborações que lá tinha no meio de tantas outras notificações. Pior ainda, são casos em que na altura até cheguei a responder mas depois esqueci-me por completo de dar seguimento à conversa. Dizer que estou mortificado é pouco.
Podia dar mil e uma desculpas mas não vale a pena. Tudo se resume puro esquecimento. É o que dá gostar demasiado de queijo. Por esse mesmo motivo, vou passar esta tarde a responder a muitos de vós. Ao fim ao cabo, se coloquei o e-mail do blog na página de contactos, não é só para enfeitar.
Tudo isto para pedir desculpa a quem me contactou e se sentiu ignorado. Por favor, não pensem que foi propositado. Sorry!
Recordando a trajectória das Little Mix desde a sua criação e vitória no X Factor UK até agora, é que vemos como o tempo passa depressa. Em apenas cinco anos, o grupo conseguiu conquistar um sucesso surpreendente e que se mantém com o lançamento do quarto disco de estúdio,Glory Days. O título não podia ser mais adequado para descrever este trabalho. Funcionando como uma espécie de terapia, o tema central é a perda de um amor e toda a dor que isso acarreta, passando depois para o processo de cura interior. Uma verdadeira colectânea de hinos inspiradores.
Embora seja um grande apreciador da sua 90's vibe característica e exaustivamente trabalhada em projectos anteriores, é absolutamente refrescante vê-las a meterem o pé em ritmos diferentes. Ainda assim, a mudança não é drástica. O Little Mix Sound continua vivo em faixas como "Private Show" ou "Freak" mas, de uma forma geral, está mais sofisticado. Repleto de batidas infecciosas como "Touch", "Down & Dirty" e "No More Sad Songs", que nos fazem, inevitavelmente, mexer a pandeireta (aka o nosso backside) e letras brutalmente sinceras— veja-se pelo primeiro single, "Shout Out to My Ex" —estou verdadeiramente surpreso com a qualidade deste Glory Days.
Em 2012 era impossível não ouvir uma balada da Emeli Sandé a ecoar numa série ou produção britânica. Quatro anos desde o álbum de estreia, Our Version Of Events, a cantora está de volta com o sucessor, Long Live the Angels. Confesso que, excepto os singles mais conhecidos, disco anterior passou-me um pouco ao lado. Assim que me cruzei com o primeiro e brilhante single "Hurts", há coisa de um mês, fiquei de tal modo viciado que me converti oficialmente aos encantos da Miss Sandé.
Descrita no passado como música para avós, é um crime diminuir desta forma a genialidade lírica e musical da Emeli. Sim, as baladas são mais que muitas, mas nota-se que existe um fogo renovado. Com vocais poderosos e utilização inteligente de instrumentos como o piano, a cantora provou novamente que consegue ir mais além do rótulo que lhe foi imposto por algumas pessoas. A mensagem na faixa "Lonely", onde aborda o fim do casamento com o seu teen sweetheart, é absolutamente comovente. Sem dúvida uma das melhores apostas R&B/Soul deste ano.
Honesty time:não sou o maior apreciador do Bruno Mars. Aliás, considero-o extremamente sobrevalorizado. Admito que canta bem mas sinceramente só gosto mesmo da "Locked Out of Heaven", tudo o resto transpira a cheesiness e desespero. Por falar em desespero, parece que ficou com o gosto do sucesso da irritante "Uptown Funk" e resolveu construir um álbum à volta disso. Heis que nos chega, 24K Magic. Apesar de o achar um douchebag, por muito que me custe admitir... o álbum está bastante bom.
24K Magicevoca uma nostalgia gritante da sonoridade das décadas de 80/90, o que como já devem saber, é o meu calcanhar de Aquiles. Damn you Bruno! Digamos que se o objectivo era ressuscitar o soul/funk/R&B dessa época, a missão foi mais que cumprida. Quer esteja apoiado de coros fortes ou batidas familiares, a voz do jovem norte-americano mantém-se como foco principal. Contrariamente a outros artistas que acabam engolidos pela produção geral, o Mars tem a voz e está disposto a testar os seus limites da mesma, como de resto demonstra em canções como "That's What I Like" e a soberba "Too Good To Say Goodbye". Não acredito que vou dizer isto mas, estou viciado na "Versace on the Floor".
Decididos a provar que são muito mais que um one-hit wonder ou produto da vaidade do vocalista Joe Jonas, o grupo DNCE lançou o tão esperado e auto-intitulado disco de estreia. O LP está carregado de canções liricamente sensuais e idioticamente sassy que não couberam na primeira fatia de bolo. Composto por três das quatro músicas presentes no enérgico EP, Swaay, e outras 11 inéditas, o resultado é estranhamente satisfatório.
Embora consiga ser um pouco flat em partes, a galinha dos ovos de ouro dos DNCE é a capacidade de não se levarem demasiado a sério— uma qualidade rara na maioria dos artistas da actualidade. Chegamos ao final do álbum com a clara noção que o pop-funk e R&B banhados em sons pegajosos, metaforicamente falando, é o género musical que dominam e lhes assenta que nem uma luva.
Numa gala onde, por milagre, nenhum cantor utilizou playback e não faltaram farpas ao Trump, a 43ª edição dos American Music Awards ocorreu ontem, dia 20, em Los Angeles. Conduzida pela modelo Gigi Hadid e o comediante Jay Pharoah – apesar das minhas dúvidas iniciais, surpreenderam-me pela positiva - a gala foi dominada por Drake e Justin Bieber.
O rapper norte-americano fez história ao conquisitar o maior número de nomeações de sempre, 13, e venceu os prémios de "Melhor Canção Soul/R&B" (Work) e "Melhor Artista", "Melhor Música" e "Melhor Álbum" (Views) na categoria de Rap/Hip Hop. Igualmente com quatro vitórias, o Justin Bieber foi votado pelos fãs como "Melhor Artista Masculino", "Melhor Álbum" e "Melhor Canção" (Love Yourself) Pop/Rock e ainda "Vídeo do Ano" com Sorry.
Bruno Mars | John Legend
Rihanna foi a mulher mais premiada da noite, vencendo três AMA's, "Melhor Artista Feminina", "Melhor Canção" (Work) e "Melhor Álbum" (Anti) no território Soul/R&B.
Ariana Grande foi eleita a "Artista do Ano" e actuou o single actual Side to Side com ajuda da Nicki Minaj. Contrariamente a prestações anteriores, esta deixou um pouco a desejar.
Ariana Grande | Fifth Harmony
A cantora Selena Gomez surpreendeu os fãs ao fazer a sua primeira aparição pública desde que cancelou a tour mundial, em Agosto, e ter ido para a rehab devido a crises de pânico e depressão. Contra qualquer expectativa, venceu o título de "Melhor Artista Feminina - Pop/Rock". Ainda que não concorde, de todo, com a vitória, o discurso emocionante que deu sobre a sua condição psicológica foram simplesmente comoventes.
A performance da noite ficou a cargo da Lady Gaga que, promovendo o actual single Million Reasons, do disco Joanne, provou que não precisa de grandes aparatos para dar espectáculo. Com o cenário mais bonito da noite, a sua voz transportou-nos para uma noite de verão em baixo de um céu estrelado.
Lady Gaga | Twenty One Pilots
Num registo completamente diferente, os Twenty One Pilots apresentaram uma mashup electrizante dos singles Stressed Out e Heathens. Não é por acaso que foram considerados o "Melhor Grupo/Duo - Pop/Rock" e "Melhor Artista - Rock Alternativo".
Com uma vitória cada ficaram a Beyoncé ("Melhor Tour"), Adele ("Melhor Artista - Adulto Contemporâneo"), Zayn ("Melhor Artista Novo"), Fifth Harmony ("Melhor Colaboração" - Work From Home com Ty Dolla Sign) e a dupla The Chainsmokers ("Melhor Artista Electrónico") que liderou durante 12 semanas o top da Billboard Hot 100 com a extremamente overrated Closer, com Halsey.
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