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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

5 coisas que aprendi desde que comecei a trabalhar


1. É importante dizer que não

Cliché ou não, é a mais pura verdade. Muito se fala da importância de saber dizer "não", mas confesso que só agora lhe dei o devido valor. Passei a maior parte do meu percurso escolar/universitário a trabalhar para os outros e cometi o erro de manter esta atitude semi-passiva quando entrei no mundo laboral. Quando começamos, queremos deixar uma boa impressão e solidificar a ideia de que fizeram a escolha acertada quando nos colocaram ali. O problema é quando percebem que somos profissionais e se aproveitam disso. Não levou uma semana até ser forçado a colocar um travão nas tarefas que queriam impor e que nem sequer correspondiam ao meu cargo/remuneração. O que aconteceu? Nada. Não tive represálias e perceberam que não ia deixar que gozassem com a minha cara. Se foi fácil? Não, fico sempre a arder/tremer quando tenho conversas do género, mas é extremamente importante batermos o pé quando se justifica.

2. Adapto-me melhor do que pensava

Até uma social butterfly se ia sentir um pouco deslocada numa empresa onde os funcionários têm todos de 37 anos para cima, portanto o que dizer de mim. Escusado será dizer que os primeiros dias foram um pouco constrangedores. Sentia-me como um elefante numa loja de louça, observado e com medo de dar um passo em falso. Como costume, aquilo que era um bicho de sete cabeças desapareceu rapidamente. Todas as inseguranças tornaram-se meras memórias distantes. Claro que existem pessoas com as quais não consigo manter diálogo, mas deve-se a não termos absolutamente nada em comum (interesses e feitios), não por má vontade.

3. A mentalidade highschool mantém-se

É mais que sabido que existe sempre um ovo podre em qualquer equipa. O problema é quando começamos a ver um padrão extremamente familiar. Pensava que os meus dias a lidar com raparigas parvas tinha ficado para trás. Faz-me alguma espécie como é que adultos com idade para ter juízo se comportam como autênticas hienas histéricas. Andam pelas sombras a ouvir conversas, fingem-se de simpáticas à nossa frente e cortam na casaca pelas costas. Depois há o teatcher's pet que só falta dar uvas à boca do chefe. Lamento, mas não tenho o mínimo de paciência para isto. Tristeza.

4. Bom ambiente não é o suficiente

Ainda hoje "levo na cabeça" por causa deste assunto. Tanto a minha namorada (que trabalhou no mesmo local antes de mim) como uma colega, avisam-me para não me acomodar. Por muito bom que seja o ambiente entre a maioria dos trabalhadores, não posso deixar que isso me prenda àquele sítio. Num piscar de olhos acabo como alguns deles, parte da mobília, a receber uma miséria e com depressões em cima. Não quero isso para a minha vida. Tenho que aproveitar que sou jovem, e não tenho uma família para sustentar, para arriscar. De que me adianta ser tão ambicioso se a preguiça está ao mesmo nível?

5. Patrões decentes são um pokémon raro

Fazendo uma análise rápida ao leque de indivíduos com que já me relacionei, a esmagadora maioria não tem coisas agradáveis a dizer sobre os seus patrões. É evidente que existem excepções, mas pude comprovar que todas as histórias negativas que ouvi são de facto reais. A não ser que vivam debaixo de uma rocha ou ainda não o tenham experienciado, sabem que a situação laboral em Portugal é uma autêntica vergonha. Existe demasiada procura e pouca oferta. Resultado, as chefias aproveitam-se da necessidade das pessoas para lhes dar uma quantidade desumana de tarefas a troca de umas migalhas. A nossa sanidade não interessa, importante é o lucro deles e mais nada. A mentalidade "eu pago e tu fazes tudo o que eu mandar" existe e é chocante quando somos confrontados com ela. Digamos que tinha material para um tell-all book.


Já trabalham? Passaram por situações semelhantes?

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Emotional Songs


Por muito que seja um verdadeiro aficionado por cinema e televisão, nada se compara à minha relação com a música. Antes de saber falar ou ler, já cantarolava naquele idioma estranho que todas as crianças partilham. Os anos passam e os gostos vão-se solidificando ou alargando, mas uma coisa mantém-se: o amor incondicional por aquela que é considerada a 1ª Arte.

Géneros musicais à parte, tenho um soft spot por baladas. Quanto mais tristes, melhor. Pois é, por detrás do crítico implacável de filmes, blogosfera e afins, está uma pessoa extremamente sensível. Um sentimentalão, como costumo dizer. Herdei esta característica dos meus pais  ainda que cada um à sua maneira  e sinceramente não me incomoda.

A ideia d'O homem não chora está mais que ultrapassada e nunca é demais referi-lo. É impossível medir-se o grau de masculinidade ou carácter de um indivíduo do sexo masculino por ele derramar uma lágrima ao som da "In the Arms of the Angel" da Sarah Mclachlan ou com o final do "Marley & Me".

Embora seja de lágrima fácil  acreditem que basta algo terrível relacionado com crianças ou cães para me destruir  com a música é mais complicado. Por incrível que pareça, a única que nunca falha é a "Young and Beautiful" da Lana Del Rey (a "Born to Die" também anda lá perto). Não vos consigo apontar uma razão lógica para isto, mas o certo é que chego mesmo a chorar quando a ouço.

Foi a pensar nestes casos raros que seleccionei algumas das canções que me deixam absolutamente devastado. Tentei fugir um pouco às mais evidentes, razão pela qual a "Someone Like You", da Adele, não se encontra na lista.

1. LANA DEL REY | YOUNG AND BEAUTIFUL

2. CINDY LAUPER | TIME AFTER TIME

3. ELLA HENDERSON | YOURS


4. MUMFORD & SONS | AFTER THE STORM

5. COLBIE CAILLAT | REALIZE


6. JESSIE WARE | SAY YOU LOVE ME


7. STEVIE NICKS | HAS ANYONE EVER WRITTEN ANYTHING FOR YOU


Emocionam-se facilmente com música? Quais são as canções que vos fazem chorar?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Séries ⤫ Welcome to the Family #4


A televisão voltou, oficialmente, aos seus dias de glória. A lista de actores norte-americanos que trocou os sets cinematográficos pelos televisivos aumenta a olhos vistos. Os motivos prendem-se, essencialmente, ao facto de existirem papéis mais ricos e variados, especialmente para mulheres a cima dos 40 anos, e narrativas inteligentes e criativas.

Longe estão os dias em que as pessoas preferiam ver um filme a uma série. Há distância de um comando ou de um clique no computador, a pessoa nem precisa levantar o rabo do sofá para desfrutar de um catálogo enorme e variado de séries. Não é por acaso que os tv shows com 1h de duração começam a tornar-se cada vez mais comuns.

Anunciados os finais de oito das séries que acompanho (por enquanto) - Penny Dreadful, Orphan Black, GIRLS, Bates Motel, The Strain, Pretty Little Liars, Teen Wolf e The Vampire Diaries -, felizmente o mercado não pára e tenho 10 substitutos. Se ainda não fizeram as contas... sim, vejo um total de 69 séries - isto sem contar com reality shows como "Project Runaway", "The X Factor (UK)" ou "The Biggest Loser (US)", se não já íamos a caminho dos 80.

Apesar de já ter terminado Stranger Things, no último capítulo desta rubrica (AQUI), surge agora com a respectiva crítica. Das restantes aquisições, só uma conta com mais do que uma season. Todas as classificações atribuídas a produções com apenas alguns episódios emitidos estão sujeitas a alterações até ao final oficial da temporada. Ou seja, Westworld, por exemplo, tem 8/10 mas poderá subir ou descer consoante o "apanhado geral".

Como entretanto já tenho outra para acrescentar à colecção, e que ficará para o próximo volume, o melhor é passarmos à apresentação, aleatória, dos novos membros da família.


#1. Stranger Things
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Numa noite aparentemente normal, depois de passar o dia a jogar com os amigos, Will Beyers desaparece a caminho de casa. Na manhã seguinte, os seus companheiros vão procurá-lo na floresta perto de casa deles e encontram Eleven, uma rapariga com habilidades no mínimo peculiares. Enquanto a família e polícia tentam encontrar respostas, todos os intervenientes acabam por mergulhar num extraordinário mistério que envolve experiências secretas do governo e forças sobrenaturais.

OPINIÃO: Não me queria precipitar mas o entusiasmo é mais forte. Stranger Things é a melhor série do ano. Situada no início dos anos 80, os mais nostálgicos vão entrar em coma visual. Como é hábito em produções originais da Netflix, tecnicamente, a série é perfeita. Além de uma boa ambientação e inúmeras referências à pop culture da década em questão (destaque evidente para E.T. e Alien), é impossível não ser transportado de volta ao passado, mesmo que nunca o tenham vivido, como é o meu caso. O espectador é levado numa aventura sci-fi com homenagens aos Stephens, King e Spielberg. Além da componente estética, a banda sonora também funciona bem, ainda que um pouco cliché, mas bem executada ao surgir discretamente em momentos apropriados. O núcleo de actores parece ter sido escolhido a dedo. Tanto os mais novos como os veteranos como a brilhante Winona Ryder, deram a uma narrativa já de si interessante, a densidade necessária às suas personagens tão complexas. Com apenas 8 episódios, não percam mais tempo e devorem a primeira temporada.


#2. Exorcist
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: À primeira vista, a família Rance é igual a tantas outras mas nem tudo é o que parece. A matriarca, Angela, começa a suspeitar que existe algo na casa. Com o passar do tempo, fica convencida que a uma das suas filhas está possuída por um demónio. Desesperada, implora por ajuda ao Padre da paróquia, Thomas.

OPINIÃO: 40 anos após o seu lançamento em 1973, The Exorcist, segue como um clássico do cinema norte-americano e um dos poucos filmes de terror premiados com pela academia (com 10 nomeações, incluindo "Melhor Filme" e "Melhor Director", venceu o Óscar nas categorias de "Argumento Adaptado" e "Som"). Investidos em capitalizar até à exaustão a história de sucesso de William Peter Blatty, a adaptação televisiva não traz propriamente nada de novo ao género, mas mantém-se fiel à atmosfera tensa e assustadora do original. Apesar da série recorrer a alguns jump scares aka sustos fáceis, é inegável o terror puro de algumas cenas. O território que Outcast tentou replicar mas fracassou, aqui foi uma aposta vencedora. As interpretações dos actores são um dos pontos positivos, especialmente da icónica Geena Davis e da jovem Hannah Kasulka.


#3. UnREAL
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: UnREAL retrata os bastidores do programa "Everlasting", onde um solteirão pretende encontrar a sua futura esposa. É aqui que conhecemos Rachel, uma das produtoras que, após sofrer um ataque psicótico volta ao trabalho. Subordinada de Quinn, a directora e braço direito de Chet, o criador do formato, o seu trabalho consiste em manipular os participantes para conseguir as melhores filmagens possíveis custe o que custar.

OPINIÃO: Nunca me vou perdoar por não ter acompanhado a primeira temporada de UnREAL quando começou. É tão, mas tão boa que garanto-vos que ocuparia um lugar no meu top 10 do ano passado. Falem mal dos reality shows mas a verdade é que muitas pessoas os vêem, nem que sejam aqueles que referi no início da publicação. É precisamente esse mundo venenoso e de ilusões que esta série retrata. Não só acabamos investidos nos produtores para que exponham as concorrentes ao máximo, como damos por nós a torcer para que algumas delas se mantenham na competição, exactamente como se estivéssemos a acompanhar uma temporada real de "Everlasting". Esta capacidade de transportar o espectador para dentro da acção, sem sequer se aperceber, é simplesmente genial. Dominado pelo elenco feminino, UnREAL tem várias personagens cativantes. A dinâmica amor-ódio entre a anti-heroína Rachel (Shiri Appleby) e terrivelmente fantástica Quinn (Constance Zimmer) é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da trama.


#4. Westworld
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Westworld conta a história de um parque temático futurista que simula o ambiente do Velho Oeste norte-americano. A diferença é que os habitantes são robôs com inteligência artificial. O desejo de humanizar cada vez mais as suas criações, leva a que uma actualização por parte do Dr. Robert Ford, origine um glitch no sistema de alguns modelos, tornando-os uma ameaça para os visitantes.

OPINIÃO: Baseada no filme homónimo de 1973, Westworld é descrita pela HBO como "uma odisseia obscura sobre a aurora da consciência artificial e evolução do pecado", explorando um mundo onde todos os desejos humanos, até os mais macabros, são tolerados. Apontada como a grande sucessora de Game of Thrones  basta verem o genérico e percebem logo as semelhanças , o episódio-piloto já entrou para a história como um dos mais caros de sempre, superando a terra dos dragões. Com o elenco mais rico da tv americana (Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Ed Harris, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, entre outros), esta espécie de Disneyland para adultos milionários deixa-nos com os ânimos à flor da pele. Com apenas três episódios no ar, o meu veredicto é bastante positivo. A narrativa é provocadora e bastante ambiciosa, não se resume a superficialidades. As interacções pessoais entre humanos e máquinas são tão profundas e complexas que só comprova a ideia de que o futurismo e classicismo podem coexistir de forma natural.


#5. Divorce
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Casada há 17 anos, Frances resolve colocar um ponto final na relação depois de ver uma das suas melhores amigas apontar uma arma ao marido que detesta. Decidida a ficar com o amante, Frances acaba por ser rejeitada, decidindo repensar a separação. O problema é que o marido descobre a traição e toma a decisão por ela.

OPINIÃO: Divorce segue as pisadas de produções como Transparent e Orange is the New Black, ao combinar comédia + drama enquanto acompanhamos os altos e baixos do processo de separação dos protagonistas. Dito isto, temo que o público a considere demasiado "real". Posso estar enganado, mas as pessoas procuram na televisão um escape às suas angústias, portanto é bom que comecem a introduzir momentos de puro riso. Como ainda não vi o segundo capítulo (emitido ontem nos EUA), a minha opinião baseia única e exclusivamente no episódio piloto, sendo por isso, bastante superficial. Confesso que não consigo olhar para a Sarah Jessica Parker sem pensar imediatamente na Carrie Bradshaw, e talvez por isso, ainda não a consigo levar a sério no papel de Frances mas acredito que isso vá mudar.


#6. Better Things
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Better Things retrata a rotina de uma actriz de Hollywood, Sam, enquanto lida com os obstáculos de criar três filhas como mãe solteira e manter-se relevante na profissão. 

OPINIÃO: Não é fácil transcrever ou representar a realidade de forma a que pareça, efectivamente, real. Contudo, quando é feito da maneira correcta, é um autêntico espectáculo merecedor da nossa atenção. Better Things é isso mesmo, uma comédia semi-autobiográfica produzida e assinada por Pamela Adlon e Louis C.K. Adlon afimou em entrevistas que a série é sobre a sua experiência pessoal na criação das suas filhas. Segundo a protagonista, a intenção é revelar o lado mais honesto do meio artístico. Sinceramente não me recordo o que me fez começar a ver este tv show mas ainda bem que o fiz! Os conflitos geracionais recordam-me tantas situações vividas por mim ou amigos que é impossível não nos rirmos da nossa própria estupidez. Os episódios de 20 minutos passam a correr e a abertura é simultaneamente viciante e comovente.


#7. Luke Cage
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Luke Cage foi preso por um crime que não cometeu. Na prisão, é sujeito a uma experiência sabotada que lhe dá super-força e resistência. Após escapar, os seus planos de viver uma vida comum são interrompidos devido à criminalidade e corrupção nas ruas de Harlem.

OPINIÃO: Se há coisa em que a Marvel acertou foi em colaborar com a Netflix. Daredevil e Jessica Jones conseguiram o selo de aprovação da crítica e do público, solidificando-se como duas das melhores séries de super-heróis da actualidade. Agora chegou a vez de Luke Cage. Apesar de não superar as outras duas, é igualmente aterradora. Contrariamente ao Mathew Murdock que foi movido pelo desejo de varrer o mal das ruas e à Jessica que se envolve numa missão pessoal, a única ambição de Luke é ser um homem normal. Não gosta daquilo em que foi transformado e do que já sofreu por isso. O bairro de Harlem é por si só uma espécie de personagem principal. Diferente do que estamos habituados, o clima das ruas parece pertencer a um universo alheio ao cliché do filtro escuro das outras produções do género. Faltando alguns episódios para terminar a temporada, posso dizer que Luke Cage é uma ode à cultura negra. Esta afirmação não se prende ao facto de praticamente a totalidade do elenco ser afro-americano, mas sim pelo uso de inúmeras referências, expressões dialéticas e até mesmo banda sonora (magnífica), que nos envolve. A história central envolve tráfico, corrupção e guerra de gangues com uma vertente policial bastante activa, cujo objectivo não é chocar mas criticar e reflectir.

#8. This Is Us
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: This Is Us segue um grupo de pessoas cujos caminhos se cruzam, fazendo com que as suas histórias se entrelacem de maneiras deveras curiosas. Vários deles partilham a mesma data de nascimento e muito mais do que possamos imaginar...

OPINIÃO: Peço desculpa pela sinopse deplorável mas é impossível descrever o enredo sem desvendar uma grande peça desta puzzle - se já viram sabem do que estou a falar. This Is Us foi provavelmente a produção televisiva mais badalada dos últimos meses. Tanto é que o trailer oficial superou 70 milhões de visualizações só numa semana. Aqui entre nós, não compreendo tanto alarido. Existe uma clara construção da história com o objectivo de comover o público através de situações tanto sérias como triviais. Nesse campo, superaram largamente o plano. Embora não seja uma obra-prima, é daquelas séries que nos faz soltar um "aww" de tão melosa que é. Um dos factores positivos é optarem por uma narrativa simples, sensível e sem exageros à la Grey's Anatomy (que adoro, diga-se de passagem). Aproveitando a polémica do racismo/sexismo em Hollywood, os produtores caíram nas graças do mundo por criarem um elenco bastante diversificado. Tirando dois ou três casos pontuais, não é comum ver uma actriz plus size protagonizar uma série. Aplaudo de pé o facto da "Kate" não ser uma personagem bastante complexa e nada unidimensional.


#9. Casual
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Uma família disfuncional volta a viver debaixo do mesmo tecto. Alex, solteiro, e a sua irmã recém-divorciada, Valerie, mergulham no mundo dos relacionamentos ao mesmo tempo que tentam criar Laura, a filha adolescente e de Valerie.

OPINIÃO: Casual é daquelas séries que precisa ser consumida de seguida. Assisti às duas temporadas, separadamente, de uma assentada e sem dúvida que a história vai melhorando ao longo dos episódios. O início não é fácil, não nos prende necessariamente à acção ou personagens, mas com o avançar da trama, vamos ficando vidrados naquele trio familiar extremamente complexo. Classificada como dramedy, é mais sarcástica que cómica, mas tem observações absolutamente certeiras sobre as expectativas geradas sobre o amor e as suas idealizações. A grande estrela do show é a Michaela Watkins que desempenha uma Valerie inteligente mas extremamente humana, onde acessos de loucura não faltam.


#10. The Good Place
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Ao chegar ao céu, Eleanor apercebe-se de algo terrível, está no local errado. Graças a um erro no sistema que a trocou com outra pessoa do mesmo nome, a jovem vai ter que fazer tudo por tudo para não ser descoberta e ir parar ao inferno. Para isso, vai contar com o apoio de Michael, a suposta alma-gémea, que a vai ajudar a tornar-se numa pessoa melhor.

OPINIÃO: Pela premissa perceberam que a história é tudo menos séria, mas ao menos prima pela criatividade. Ainda que o tema e algumas das personagens sejam um pouco... ridículas, a decisão de colocar a Kristen Bell como protagonista foi certeira. É impossível não gostarmos da sua Eleanor, mesmo sabendo que ela era uma terrível pessoa. The Good Place é um daqueles casos raros de humor inteligente com momentos mais emotivos que nos fazem derreter o coração. As actuações são dignas mas ainda não consegui levar a narrativa a sério. A boa notícia é que ainda tenho o resto da season para mudar de opinião.


Acompanham alguma das 10 séries? Ficaram curiosos com alguma?

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Calm before the storm


Ai Outono, como te detesto. Se há uns anos atrás até não desgostava, nem que fosse pela conversa da treta da queda das folhas, perdi a paciência. Calculo que se deva ao facto deste Verão ter sido um dos mais intensos da última década, mas senti uma mudança drástica entre uma estação e outra.

Sofro um bocado com as temperaturas demasiado elevadas, mas já sinto falta de vestir calçonetes e usar o meu escudo facial aka óculos-de-sol. Não me interpretem mal, não é propriamente o frio que me incomoda, é o mau-tempo. Estar em casa refastelado, a ver um filme, enquanto cai um dilúvio lá fora parece-me fantástico. Se for durante a semana, atirem-me de um penhasco.

Como a maioria dos portugueses, o meu humor é o primeiro a sentir as alterações atmosféricas. Sim, continuo a rir-me tanto ao ponto de temer as rugas de expressão, mas os momentos de "ugh, deixem-me em paz" ou "cala-te sua pindérica", tornaram-se ainda mais habituais. Ao menos sempre posso aproveitar a chuva para olhar pela janela do comboio ao som da "Someone Like You", da Adele, e imaginar que estou num vídeo. Sooo dramatic.

Tarefas normais do dia-a-dia como tomar banho de manhã, são agora um martírio. Além de parecer um animal frágil cheio de tremeliques, o maldito cabelo leva o dobro do tempo a secar (sim, já sei que as raparigas sofrem mais, mas deixem-me ter este momento). Acordar às 7 horas da manhã e saber que ainda me esperam outras 8 de trabalho é por si só desencorajador, mas meter o pezinho na rua e ser colhido por uma ventania infernal ou ser engolido por uma tempestade, esmaga a esperança de qualquer um.

A pior parte é pensar que... winter's coming. Sim, não nos vamos esquecer que o Natal está apenas a dois meses de distância. Escrever esta frase foi o equivalente a levar uma paulada na cabeça. Como é que é possível? Estive em coma e não dei pela passagem do tempo? Ainda no outro dia estava a fazer uma corrida em direcção ao mar, digna de um David Hasselhoff no Baywatch, e agora fujo dos pingos da chuva como se a minha vida dependesse disso.

Realmente, o tempo é implacável.


Gostam do Outono? O mau-tempo incomoda-vos ou nem por isso?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Instajekyll and Mr. Hyde


No início do ano declarei oficialmente o meu amor pelo instagram. Para alguém que pouco ou nada liga à maioria das redes sociais, foi quase inédito o interesse instantâneo que esta plataforma despertou em mim. Embora não esteja propriamente no mesmo patamar obsessivo de algumas pessoas, o certo é que partilho uma fotografia por dia.

Estava a fazer um scroll geral pelo meu perfil quando me apercebi de um factor curioso, o contraste entre tons frios e quentes. Correndo o risco de estar a soar filosófico ou simplesmente idiota, esta dualidade colorida representa perfeitamente a minha personalidade. Ora yay, ora nay.

Ninguém gosta de admiti-lo, mas tenho consciência que não tenho um feitio propriamente fácil. Da mesma maneira que sou a vida da festa, consigo ser a depressão em pessoa.


Apesar da qualidade miserável e inexplicável dos print screens expostos, acho que dá para perceber a diferença a que me refiro.

Durante muitos anos fui um amante da cor, quanto mais melhor. Não é que abominasse o preto e branco, mas não conseguia compreender quem preferia o good ol' black and white a toda uma palete de cores surtidas. Com o tempo, comecei a apreciar a beleza dos tons mais sóbrios. Sim, continuo a dar prioridade às tonalidades mais fortes (tenho uma queda para pores-do-sol florescentes), mas o conjunto de imagens a cima é provavelmente o meu favorito de sempre.

No que toca a roupas, é o total oposto. Sempre vesti peças mais escuras e só nos últimos anos é que permiti a entrada de tons mais alegres no meu armário um tanto ao quanto fúnebre. Bem disse que era complexo.

@ricardo.francisco

Nunca pensei que um mero feed fotográfico tivesse a capacidade de me fazer embarcar numa viagem auto-reflexiva. Parece que afinal as redes sociais têm mais camadas que a superficial.

Se ainda não me acompanham pelo instagram (rudes), basta clicarem AQUI.


São adeptos de cores fortes ou frias? O instagram reflecte a vossa personalidade?

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