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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Quando as bestas ladram


Hoje à tarde estava muito bem a ouvir música quando me apercebo de um aparato na rua. No momento em que o meu pai ia sair de casa, a minha cadela esgueirou-se e fugiu. Como não está habituada a andar na rua, estava excitada e a correr de um lado para o outro. No meio da correria, um carro bateu-lhe. Assim que se aleijou, voltou para casa e foi-se refugiar na casota. Apesar de não ter culpa absolutamente nenhuma, a condutora foi bastante simpática e até ofereceu auxílio. Quando fiquei a saber que a diva Gigi (não nos julguem, não fomos nós que lhe demos o nome) foi atropelada, caiu-me tudo

Já no carro e prontos para ir ao veterinário, eis que surge uma mulher à beira da estrada a fazer-nos sinais. O meu pai parou o carro, baixou a janela e o circo está armado:

Dad: "O que é que foi?"
Cretina: "Vi tudo o que aconteceu. Você tem noção do que fez?"
Dad: "O que eu fiz?"
Cretina: "Sim! Não sabe que o cão não pode andar assim na rua?"
Dad: "...não a meti na rua, quando abri o portão para sair de casa ela foi atrás de mim e fugiu"
Cretina: "Sabia que posso processá-lo?! Aposto que se for preciso ela nem está legal!"
Dad: "Mas quer vir comigo para ver se está legal?" - e nisto arranca com o carro, deixando-a a falar sozinha.

Bem, a sorte dela foi eu estar dentro do carro e a segurar na cadela. Não seria mal educado, mas com a raiva e stress do momento, metia-a no sítio. Então a mulher "vê tudo", ou seja, viu-nos a pegar na Gigi ao colo e a metê-la no carro, claramente com pressa para socorrê-la, e mesmo assim decide parar o carro para dizer m#rda? Vocês não têm noção, o ser estava vermelho que nem um tomate, parecia que tinha sido atacada por um gang. Por amor de Deus! 

O meu pai depois contou-me que antes da confusão toda, tinham tocado à nossa campainha. Adivinhem quem era? A cretina. Como não lhe abrimos a porta (lamento, mas já nos deixámos de abrir a porta a estranhos há muito tempo), deve ter ficado ofendida e resolveu armar-se em esperta. Durante a fuga, a cadela nem sequer chegou perto da mulher, e ela acha-se no direito de ameaçar processar-nos? Ainda por cima a cadela até chip de identificação tem! Sou contra violência, mas um par de estalos vinha mesmo a calhar.

Três horas e dois Raios X depois, aparentemente está tudo bem. O veterinário não tinha a certeza se havia uma lesão na pata, portanto mandou os scans para um ortopedista. Amanhã temos que voltar lá para saber o resultado. Fingers crossed.

MOVIE LOUNGE | "Cinderella" (2015)


A história de Cinderella centra-se na jovem Ella (Lily James, Downtown Abbey), cujo pai comerciante volta a casar após a morte de sua mãe. Decidida a apoiar a "segunda oportunidade" do seu amado pai, Ella recebe a nova madrasta (Cate Blanchett, Blue Jasmine), e as suas duas filhas Anastasia (Holliday Grainer, The Borgias) e Drisella (Sophie McShera, de Downtown Abbey), na casa da família. Quando o pai de Ella morre inesperadamente, ela encontra-se à mercê de uma nova e cruel família.

Tratada como uma mera empregada coberta de pó, o que levou a que fosse renomeada Cinderella (cinder = cinzas + Ella), a jovem começa lentamente a perder a esperança. Apesar de crueldade infligida sobre ela, Ella está determinada a cumprir as últimas palavras da sua mãe: "ter coragem e ser gentil". Consequentemente, decide não ceder ao desespero nem desprezar quem a maltrata.


Certo dia a jovem conhece Robb Stark, quer dizer, Kit (Richard Madden, Game of Thrones), um suposto aprendiz do Palácio, na floresta. Não fazendo ideia que o jovem é na verdade o príncipe do reino, Ella sente que encontrou a sua alma gémea. Depois do encontro entre os dois, parece que a sua sorte está prestes a mudar. O Palácio envia um convite aberto para todas as donzelas (nobreza e povo) comparecerem a um baile, o que aumenta a esperança de Ella poder ver o charmoso Kit novamente.

Os seus planos vão por água a baixo quando a madrasta não só a proíbe de participar no evento, como lhe rasga o vestido que era da sua mãe. Não seria um conto de fadas se não aparecesse uma ajuda quase divina à ultima hora. Pousando de mendiga para testar a bondade de Ella, a sua fada madrinha (Helena Bonham-Carter, musa do Tim Burton), armada de uma abóbora-coche e ratos-cavalos, prontifica-se a ajudar a mudar a vida de Cinderella para sempre.


Sem dúvida um dos clássicos mais conhecidos do Mr. Walt. Espero que os pais não deixem de mostrar o "Cinderella" original aos filhos. Ainda assim, se lhes mostrarem esta adaptação, não vão ficar nada mal servidos. A história é bastante fiel à versão de 1950. Por norma é muito difícil fazer justiça a filmes animados, mas a Disney provou que quando quer, consegue chegar lá perto.

Visualmente, tem uma beleza intemporal que, combinada na perfeição com os efeitos especiais, resulta numa cinematografia acima da média. A cena do baile em particular, é de tirar o fôlego. Coreografada ao pormenor, as câmaras captam na perfeição o encanto de um musical clássico de Hollywood. O trabalho orquestral de Patrick Doyle envolve-nos de tal maneira que nos sentimos transportados para um conto de fadas, vítimas de um romance arrebatador. Por mais lamechas que isto tenha soado, é a mais pura verdade.


Uma das principais componentes no filme é sem dúvida o guarda-roupa. Do mais simples ao mais complexo, as peças são lindíssimas. A atenção ao detalhe, em especial, no vestido de baile da Cinderella, é fantástico. Até as roupas da madrasta, apesar mais sombrias, são igualmente autênticas obras de arte. O único senão são as calças ridiculamente justas que as personagens masculinas tiveram que usar durante a película inteira.

Quando à representação, a Cate Blanchett roubou a cena. Com dois Óscares no seu currículo (The Aviator e Blue Jasmine), o seu papel de madrasta foi tudo o que se queria, cruel e charmosa. Fiquei satisfeito por termos uma espécie de contexto para a maldade da Lady Tremaine. Com a morte dos dois maridos a ameaçar a sua segurança financeira e das suas filhas inúteis, não era apenas ciúme que ocupava o coração partido de Blanchett. Simultaneamente, o desenvolvimento do relacionamento entre Ella e a sua madrasta ganhou mais nitidez nesta versão. Em vez de um antes e depois, podemos ver a pouco e pouco, como a menina deixou de ser a "filha" para se tornar na "empregada".


A Lily James foi uma revelação no papel de Cinderella. Conseguiu demonstrar bondade na medida certa, sem se tornar irritante, e coragem suficiente para torcermos por ela. É pena que histórias sobre a Lily passar por uma "dieta líquida" para caber nos vestidos apertados de Sandy Powell tenham provocado controvérsia em relação a imagens negativas sobre o corpo feminino. Como resultado, a sua performance foi, injustamente, ofuscada pela largura da sua cintura.

Dirigido por Kenneth Branagh (Thor) e com roteiro de Chris Weitz (The Golden Compass), Cinderella é basicamente a mesma história que já conhecemos e que, com mudanças aqui e ali, oferece aos personagens personalidades mais definidas.

Classificação IMDb: 7.3/10
Classificação Ghostly Walker: 7/10

Já viram o filme? Se sim, o que acharam?

terça-feira, 30 de junho de 2015

Ninguém esquece o primeiro... blog


Em 2006 duas amigas minhas criaram o meu primeiro blog como surpresa de aniversário. Na verdade era um fotolog, e foi onde comecei, de maneira amadora, a trabalhar com edição de imagens.

O conceito do Music Don't Stop (sei que não está gramaticalmente correcto, mas era a única maneira disponível), era simples: encontrar a música do momento. A ver se consigo explicar: por exemplo, tinha 20 músicas a concurso, o que resultava em 10 duelos musicais (música vs música), as vencedoras passavam para a fase seguinte, e por aí fora até chegar à vencedora. Resumindo, foi o primeiro blog do género e passados dois anos, tinha o limite máximo de amigos/favoritos permitido pelo fotolog. Para terem noção, a minha página ficou de tal modo "conhecida" que até apareceu num programa argentino (na altura seguidores mandaram-me o vídeo e nem quis acreditar).

Sempre fui apaixonado por música portanto adorava passar dias inteiros a tratar das imagens, organizar as músicas em competição, tudo. A beleza do projecto era mesmo a interacção directa com as pessoas. Ao fim ao cabo, sem os votos delas, era impossível o blog andar para a frente.

Após quase quatro anos e milhares de visitas de todos os cantos do mundo, foi terminado sem qualquer aviso prévio. É impossível explicar como me senti ao ver todo o trabalho que tive durante tanto tempo a ir por água a baixo. Ninguém me tira da cabeça que foi um dos vários copycats invejosos que arranjaram maneira de fechar a conta.

Podem ter passado quase 10 anos mas ainda tenho pena do que aconteceu. Quem sabe onde o MDS me poderia ter levado (ou não) se ainda estivesse activo. Julguem-me se quiserem, mas dava tudo para ter o blog de volta.

O vosso blog actual é o primeiro? Se não, como foi a vossa primeira experiência na blogosfera?

segunda-feira, 29 de junho de 2015

TGW Recomenda | Álbuns a ouvir #2


Nada me deixa mais feliz que músicas novas. Se no primeiro post vos disse que andava numa "onda de música com sabor a anos 80"... nada mudou. Felizmente parece que não sou o único. Nos últimos tempos a indústria musical tem andado bastante nostálgica. 

Os quatro álbuns que vos recomendo hoje são bastante diversificados. Até country introduzi na lista. Pois é, sou um grande apreciador deste género musical, especialmente quando é cantado por mulheres. Não me interessa nada ouvir homens sexistas com chapéus ridículos de cowboy cantarem sobre beber cerveja e conduzir carrinhas. Dêem-me um disco da Kacey Musgraves, Carrie Underwood ou Kelly Pickler e fico satisfeito. Agora que tirei isto do peito, passemos aos álbuns do dia.


1. Hilary Duff | Breathe In. Breathe Out.

Oito anos depois do seu último álbum, "Dignity" (vamos ignorar o Best Off de 2008), a ex Lizzie Mcguire junta-se à lista de cantoras que lançaram alguns dos seus melhores trabalhos depois de terem sido mães (Beyoncé, Kelis, Ciara, Madonna, M.I.A.). Começo a achar que a maternidade é o melhor remédio para música com qualidade. A Duff pode não ter uma voz muito potente, mas fiquei bastante surpreso com a quantidade de músicas viciantes que este quinto disco nos oferece. Qualquer uma das músicas abaixo mencionadas poderia entrar para o top 10 americano.

MUST LISTEN: "Sparks", "My Kind", "All About You", "Lies", "Confetti", "Rebel Hearts".


2. Carly Rae Jepsen | E•MO•TION

Apesar de ter atingido o jackpot com a Call Me Maybe, não se pode dizer o mesmo sobre o, injustamente ignorado, álbum "Kiss". Três anos depois, a Carly foi atingida pela febre dos 80's, e o resultado é um dos melhores discos do ano (até agora). Aclamado pela crítica, "Emotion" até pode nem vir a ser um sucesso comercial, mas tem os ingredientes certos para que isso aconteça: melodias e composições brilhantemente trabalhadas e experimentação com outros géneros musicais. Não podia estar mais surpreendido com a jovem canadiana.

MUST LISTEN"All That", "I Really Like You", "Making The Most of The Night", "Run Away With Me", "I Didn't Just Come Here To Dance".


3. Miguel | Wildheart

Bastou ouvir a música Adorn uma vez para ficar fã do Miguel. Este terceiro álbum de estúdio segue a mesma fórmula de sucesso do anterior, "Kaleidoscope Dream", e não podia estar mais satisfeito. Além de ter uma das melhores vozes do universo R&B, a sonoridade bastante sensual. É simplesmente genial.

MUST LISTEN: "Coffee", "NWA", "Waves", "Flesh", "Leaves", "Face The Sun".


4. Kacey Musgraves | Pageant Material

Estava tão ansioso por este álbum que vocês não têm noção. Depois de ganhar dois Grammys com o álbum "Same Trailer Different Park", a "princesa rebelde" (detesto esta expressão) está de volta com mais letras controversas. É impressionante que só porque as músicas falam de assuntos importantes como sexo e objectificação das mulheres, são consideradas polémicas para o mundo conservador do country. Queriam o quê? Outra cantora que se limita a escrever recadinhos infantis para ex-namorados? Please. Se além de boas melodias apreciarem letras de qualidade, recomendo-vos vivamente a ouvirem este álbum.

MUST LISTEN: "Biscuits", "Pageant Material", "This Town", "Somebody To Love", "Miserable".



Já ouviram algum dos quatro álbuns? Se sim, qual é o vosso favorito?

sábado, 27 de junho de 2015

Agora sim. USA, the land of the free


A semana pode ter sido marcada por ataques terroristas, consumo canino e tortura de gatos indefesos, mas é bom ver que nem tudo está perdido. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, na passada sexta-feira (dia 26), que casamento gay é legal em todos os estados norte-americanos. Finalmente a terra do tio Sam está a fazer jus ao slogan "land of the free" (pelo menos no que diz respeito a esta questão).

Numa deliberação histórica, os juízes consideraram que a Constituição garante o direito igualitário de matrimónio a todos os cidadãos e, como tal, a sua proibição a casais do mesmo sexo vai contra a lei. A moção saiu vencedora através de cinco votos favoráveis contra quatro e, consequentemente, os 14 estados que não permitem o casamento gay terão de levantar essa proibição.

A decisão do Supremo Tribunal é "um grande passo para a igualdade" e uma "vitória para a América", afirmou o Presidente Barack Obama, a partir da Casa Branca. A decisão reflecte o ideal norte-americano de que "todos os cidadãos estão igualmente protegidos pela lei, independentemente de quem amam", continuou. Não podia estar mais de acordo. A vitória não é dos homossexuais. Não é dos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. A vitória é do ser humano e dos que acreditam no amor na sua forma mais pura, sem género.

Claro que nem todos estão satisfeitos com esta medida. "Nenhum tribunal pode reverter a lei da natureza", criticou a organização conservadora cristã Family Reserach Council (Conselho de Pesquisa sobre a Família), considerando esta decisão "um abuso do poder", que vai causar "graves danos ao património cultural" dos Estados Unidos.

É por isto que a religião me assusta. Fico feliz por ter sido criado numa família católica não-praticante, em vez de fanáticos cegados pela sua fé. Segundo sei, a mensagem principal de Deus é espalhar amor, logo, não compreendo algumas das barbaridades que os chamados crentes dizem. Podem ver alguns exemplos de reacções negativas à notícia que encontrei online:


Nem sei o que é pior, a escrita vergonhosa do Adilson, o Frederico referir-se aos homossexuais como tendo um "distúrbio de personalidade", ou a Rita a usar a "fome no mundo" para desvalorizar outro tema de carácter humanitário . É caso para dizer, "Valha-me Deus".

Em pleno século XXI ainda temos que lutar pelos direitos humanos. É especialmente chocante se pensarmos que, dos cerca de 196 países existentes no mundo, os Estados Unidos foram o 22º a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o seu território. Tendo em conta que Portugal é um país extremamente retrógrada e conservador, ainda me surpreende termos sido o 8º a legalizar a união homossexual.


Ainda há muita mudança pela frente, mas não deixa de ser uma vitória a favor de uma sociedade inteligente e igualitária. Já chega de tanto preconceito e desrespeito, não só com a comunidade LGBT, mas com todas as pessoas em geral. Que acabem os estereótipos, sejam eles contra orientações sexuais,  raciais ou sexistas.

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