Se há uns anos atrás me dissessem que ia chegar aos 25 e continuar em casa dos meus pais, provavelmente ia pensar que me tinha tornado num valente falhado. Pois, aqui estamos nós. E agora?
Embora a minha situação familiar seja minimamente normal, sendo que nunca falta a gritaria fofinha que muitos de vocês também devem conhecer, a verdade é que já me sinto a mais. É uma sensação extremamente estranha quando de repente já não nos sentimos 100% confortáveis no sitio a que chamamos casa. Considero-me um sortudo na medida em que os meus pais não exigem que contribua nas despesas mas ao mesmo tempo cresce um sentimento de culpa que é fortificado quando se lembram de mandar uma ou outra boca ao ar. É certo que pago tudo o que seja passes, roupas e comida específica só para mim, mas é diferente.
Com o avançar da idade também cresce a nossa falta de paciência. Ser um adulto trabalhador e ter que estar a ouvir raspanetes da mãe porque não arrumou bem a louça na máquina ou pendurou a roupa no armário é algo que me tira especialmente do sério. Como ela diz e bem, "independente da tua idade, serei sempre tua mãe." Certo, mas isso não implica que esteja sempre receptivo a aturá-la, especialmente depois de um longo dia cheio de preocupações laborais. Mas é caricato ver que a postura dela com o meu avô é exactamente a mesma que ela se queixa que eu às vezes tenho com ela.
De facto, não há nada como chegar a casa e ter o jantar à minha espera ou saber que a minha roupa é sempre lavada sem que eu tenha que mexer um dedo (além da árdua tarefa de a meter dentro na máquina), portanto sei que vou sofrer quando finalmente sair do ninho. Mas é um processo completamente normal e que a maioria das pessoas passa. Custa no inicio mas supera-se. Agora, há que ter oportunidade de viver isso.
Por muito que goste das regalias todas que viver em casa dos pais me dão, confesso que o principal motivo pelo qual ainda não saí se deve à minha actual situação salarial. É a triste realidade dos millennials. Com o ordenado miserável que recebo seria impensável conseguir sustentar-me sozinho. Pensando que logo metade seria para a renda, e o bolo restante entre água, luz, net, etc, sobravam-me migalhas para comer. Factores positivos: ficava elegante; factores negativos: estava condicionado a uma vida restrita e sem poder de cometer qualquer tipo de exploração fora do pequeno budget existente. Sim, podia juntar-me com a minha namorada mas nem assim íamos estar suficientemente estáveis, pelos menos como gostaríamos.
Enfim, não sei quando se dará a mudança que considero como a última etapa para estar de vez na vida adulta (por tudo o que isso acarreta), mas até lá resta-me rezar pelo euro milhões, um aumento chorudo ou um sugar daddy.
Embora a minha situação familiar seja minimamente normal, sendo que nunca falta a gritaria fofinha que muitos de vocês também devem conhecer, a verdade é que já me sinto a mais. É uma sensação extremamente estranha quando de repente já não nos sentimos 100% confortáveis no sitio a que chamamos casa. Considero-me um sortudo na medida em que os meus pais não exigem que contribua nas despesas mas ao mesmo tempo cresce um sentimento de culpa que é fortificado quando se lembram de mandar uma ou outra boca ao ar. É certo que pago tudo o que seja passes, roupas e comida específica só para mim, mas é diferente.
Com o avançar da idade também cresce a nossa falta de paciência. Ser um adulto trabalhador e ter que estar a ouvir raspanetes da mãe porque não arrumou bem a louça na máquina ou pendurou a roupa no armário é algo que me tira especialmente do sério. Como ela diz e bem, "independente da tua idade, serei sempre tua mãe." Certo, mas isso não implica que esteja sempre receptivo a aturá-la, especialmente depois de um longo dia cheio de preocupações laborais. Mas é caricato ver que a postura dela com o meu avô é exactamente a mesma que ela se queixa que eu às vezes tenho com ela.
De facto, não há nada como chegar a casa e ter o jantar à minha espera ou saber que a minha roupa é sempre lavada sem que eu tenha que mexer um dedo (além da árdua tarefa de a meter dentro na máquina), portanto sei que vou sofrer quando finalmente sair do ninho. Mas é um processo completamente normal e que a maioria das pessoas passa. Custa no inicio mas supera-se. Agora, há que ter oportunidade de viver isso.
Por muito que goste das regalias todas que viver em casa dos pais me dão, confesso que o principal motivo pelo qual ainda não saí se deve à minha actual situação salarial. É a triste realidade dos millennials. Com o ordenado miserável que recebo seria impensável conseguir sustentar-me sozinho. Pensando que logo metade seria para a renda, e o bolo restante entre água, luz, net, etc, sobravam-me migalhas para comer. Factores positivos: ficava elegante; factores negativos: estava condicionado a uma vida restrita e sem poder de cometer qualquer tipo de exploração fora do pequeno budget existente. Sim, podia juntar-me com a minha namorada mas nem assim íamos estar suficientemente estáveis, pelos menos como gostaríamos.
Enfim, não sei quando se dará a mudança que considero como a última etapa para estar de vez na vida adulta (por tudo o que isso acarreta), mas até lá resta-me rezar pelo euro milhões, um aumento chorudo ou um sugar daddy.
Ainda vivem com os vossos pais?
Se sim, sentem necessidade de sair? Se não, custou a mudança?


















