Para muitos o mês de Janeiro representa mudança. Para mim não só é sinónimo de regresso das séries televisivas e award season, como de música nova ou, neste caso, visuais. Nas últimas semanas foram vários os cantores do universo POP/ALTERNATIVO que nos brindaram com videoclips emocionantes e um tanto ao quanto criativos. Resultado, sem me aperceber, acabou por nascer uma nova rubrica que já conta com três volumes, "FRESH OUT THE OVEN". Tal como fiz nas edições anteriores, em vez de falar de cada um deles individualmente, juntei alguns dos meus favoritos do momento nesta publicação.
..1.. BANKS —“Trainwreck” As oferendas ao The Altar da Banks continuam a chegar. Após as produções visualmente apelativas dos singles, "Fuck With Myself" e "Gemini Feed", segue-se um dos meus favoritos, "Trainwreck".
No vídeo, a cantora é uma espécie de estrela de um grupo de... personagens peculiares. Pelo meio temos coreografias interessantes e quase absurdas mas que no contexto, resultam. A imagem de marca semi-mórbida e creepy da jovem norte-americana continua bastante presente e ainda bem! Posso estar enganado, mas noto uma certa influência cinematográfica de Alfred Hitchcock e David Lynch, ambos apostas certeiras.
..2.. Snakehips & MØ—“Don't Leave”
Ainda que em escalas mais modestas, 2016 foi um grande ano tanto para os Snakehips como para a MØ. Os produtores britânicos acertaram no jackpot com a colaboração sensacional com o Zayn na viciante "Cruel", e a cantora dinamarquesa conseguiu algum reconhecimento mundial com os singles "Final Song", "Drum" e "Cold Water" — parceria com Major Lazor e Justin Bieber.
Este ano as duas frentes uniram forças em "Don't Leave", uma canção que combina a atmosfera típica dos Snakehips — sintetizadores pulsantes e batidas R&B— com a voz rouca da MØ. A produção e letras desta balada pop-electrónica são perfeitas, e o vídeo só vem a solidificar essa ideia. Na popular trama do rapaz que andava com duas raparigas ao mesmo tempo, a vocalista é a protagonista e principal lesada. O desempenho da cantora foi genial, transmitindo um rol de emoções necessários para a história.
..3.. Troye Sivan ft. Betty Who—“HEAVEN” Quase dois anos depois, Troye Sivan continua a promover o disco de estreiaBlue Neighbourhood - ocupou a #8ª posição no "TOP 50 ALBUMS OF 2015". Depois de "Wild", "Youth", "Fools" e "Talk Me Down", chegou a vez de dar vida à faixa "Heaven", em parceria com a australiana Betty Who.
Considerada pelo jovem como a sua música mais importante, "Heaven" fala sobre a luta interior de aceitação da sexualidade e género. "Without losing a piece of me / How do I get to Heaven? / Without changing a part of me / How do I get to Heaven?", canta.
Filmado a preto e branco, o videoclip intercala cenas do cantor sul-africano abraçado a um rapaz com imagens de pessoas que lutaram pelos direitos LGBTQ ao longo dos anos, desde Harvey Milk a manifestações populares. O resultado é simples e eficaz, especialmente devido ao timming. Lançado na véspera da posse do conservador Trampa & Companhia, "este vídeo é dedicado a todos os que lutaram pela nossa causa antes de mim, e a todos os que continuam a lutar. Em momentos sombrios ou iluminados, vamos sempre amar-nos", explicou o youtuber.
..4.. Little Mix — “Touch” Se este não é o vídeo do momento, digam-me qual é! Na passada sexta-feira, dia 20, as Little Mix divulgaram o tratamento visual para "Touch", o mais recente e certeiro single do álbum Glory Days. Quando escrevi a review(AQUI) deste quarto projecto de estúdio, frisei que a qualidade sonora me tinha surpreendido. Não contava era que a sofisticação se estendesse para os vídeos.
Dirigido pelo icónico Director X e a coreógrafa Parri$ Goebel, o quarteto britânico está numa espécie de labirinto colorido onde a única forma de escapar é através da dança. Enquanto girlband elas já nos tinham mostrado uns passinhos aqui e ali, mas nada a esta escala. Elas não param do início ao fim! Fiquei de queixo caído. Divertido, jovem e vibrante, entrou oficialmente para a lista de melhores deste ano.
..5..Ed Sheeran —“Castle On The Hill”
Devo ser o único, mas nunca achei muita piada ao Ed Sheeran. Pronto, está dito. Digam o que quiserem mas cada vez que ouvia uma música dele na rádio ou televisão, tinha que mudar rapidamente se não ficava logo saturado. Este ano, tudo mudou. Assim que ouvi a "Shape of You" -aquela canção que é uma rip-off da "Cheap Thrills" da Sia - gostei instantaneamente. O mesmo aconteceu com o single "Castle on the Hill".
Dirigido por George Belfield e filmado na sua terra natal, Framlingham, no condado inglês de Suffolk, o vídeo conta com a presença de vários estudantes do liceu que o músico frequentou, na adolescência. A produção é simples - lembra um pouco o que Zayn fez com "BeFoUr" - e é uma forma de mostrar aos fãs como foram os teen years do britânico.
"÷", lê-se Divide, chega às lojas no próximo dia 3 de Março e vai ser o primeiro álbum do Ed Sheeran que vou ouvir do início ao fim.
Conheciam os vídeos? Qual é o vosso videoclip/música favoritos?
O site Cut.com lançou recentemente mais um vídeo em formato time-lapse da colecção "100 Years of Beauty" — falei sobre os 100 anos de moda masculina AQUI—, desta vez com a evolução dos cortes de cabelo do Homem americano. A realização do clip resultou da colaboração com a campanha de consciencialização Movember ("Mo" de moustache - bigode - e "vember" de "November" - Novembro) que decorre durante este mês.
Tendo os homens como alvo, o objectivo é simples, alertar a população masculina para a importância das consultas médicas de rotina e prevenção de diagnósticos que podem ser fatais, como o cancro da próstata. Digamos que o Novembro Azul (como também é conhecido), está para os homens como o Outubro Rosa para as mulheres.
O movimento surgiu na Austrália, em 2003, aproveitando as comemorações do Dia Mundial de Combate ao Cancro da Próstata, realizado hoje, 17 de Novembro. Nos últimos anos a campanha ganhou uma dimensão astronómica devido à forte adesão e divulgação nas redes sociais. Já se tornou numa tradição mundial: durante estes trinta dias os homens colocam as máquinas de barbear de lado e deixam os bigodes e/ou barbas crescerem.
A iniciativa que pretende "mudar a cara da saúde dos homens", requer que se registem na página oficial, com a cara barbeada e, durante o mês de Novembro,deixem crescer o bigode de modo a angariar fundos para a causa. Já vou um bocadinho tarde, mas como costumo andar com barba, ainda que curta, estou perdoado.
Quanto ao vídeo dos 100 anos de penteados masculinos, só queria aprender a fazer o dos anos 40, de longe o melhor.
Conheciam a campanha Movember? Qual é o vosso penteado favorito?
A Lana Del Rey lançou o vídeo para o novo single 'High By The Beach', e parece que a lua-de-mel não correu bem. Depois do fiasco que foi a música "Honeymoon", posso dizer que a rainha do POP alternativo está oficialmente de volta.
Não há muito que se diga sobre o vídeo, é simples e mortífero. Literalmente. Do ponto de vista visual está perfeito. Planos longos, com repetições esporádicas, e a constante batalha com os media e paparazzi, abrilhantam a já vencedora "High By The Beach". Se gostava de algo mais elaborado como "Born To Die" ou "Ride"? Gostava, mas a mensagem da música e a melodia convidam-nos a um ambiente descontraído de praia.
O refrão repetitivo é uma obra-prima lírica que rapidamente se instala de armas e bagagens na nossa cabeça, enquanto a batida nos deixa a balançar. Acompanhada da voz rouca característica da Lana, a faixa chega a ter uma aura etérea,
Seguindo a mesma linha de trabalhos anteriores, este single tem letras absolutamente petulantes como "the truth is I never bought into your bullsh*t" / "you can be a bad motherf*cker, but that don’t make you a man", o que só comprova o quão honesta ela é.
Embora a letra retrate uma relação tumultuosa da cantora com um homem, é interessante a abordagem diferente que o vídeo teve. Quer dizer, pensando melhor no assunto, o namorado dela é um fotógrafo italiano... O aviso está feito.
Ao contrário de outros trabalhos um pouco lentos e mais sérios, este é uma aposta divertida que nos vai deixar a cantarolar a melodia o dia inteiro. Finalmente faz sentido o que a cantora disse (AQUI) sobre "Honeymoon" trazer uma sonoridade mais pop e diferente de "Ultraviolence". Se é este tipo de músicas que podemos esperar do próximo álbum (com chegada prevista para Setembro), estou bastante entusiasmado.
O vídeo para a 'Cool for the Summer' da Demi Lovato finalmente chegou e é tudo menos cool (frio). Já teci todos os elogios possíveis quando vos falei da música (AQUI) no início deste mês. Desta vez posso afirmar que este é sem dúvida o trabalho mais diversificado da cantora.
Embora a considere uma óptima cantora, não posso dizer que era um fã, confesso. Depois de a ver como jurada na edição americana do X Factor, passei a gostar ainda menos dela. Tudo isto foi apagado, queimado e jogado fora com o novo single. Se já andava viciado na batida electrónica contagiante e a sonoridade com influências nos anos 80, o vídeo só veio fortalecer a minha opinião.
O videoclip está simples mas eficaz. Imaginem uma mistura do Red Light District com o 'Last Friday Night' da Katy Perry. Estou a contar os minutos para começarem a surgir aqueles comentários típicos do "quero a Demi antiga de volta", "ela agora é uma porca". Se há alguém que já provou que sabe cantar e escrever músicas com significado, é a Lovato. Qual é o problema de querer lançar algo mais animado a celebrar o facto de se sentir sexy? Que eu saiba isso não faz dela uma ordinária.
Volto a dizer, 'Cool for the Summer' é a música deste Verão!
Tinha outro post planeado para hoje mas depois de ver o novo vídeo da Marina and the Diamonds, tive mesmo que o partilhar. Ainda não expressei o meu amor pela cantora galesa o suficiente neste blog. Para os mais curiosos, podem saber mais sobre a carreira musical dela na rúbrica #WhoThat?(AQUI).
Formalidades de lado, vamos ao que interessa, o lançamento do brilhante e multicolorido vídeo para o single "Blue". Dirigido por Charlotte Rutherford e filmado no parque de diversões Dreamland, no Reino Unido, o clip é a combinação perfeita entre tristeza e felicidade. O contraste das cenas com a letra da música oferecem uma visão bastante agridoce do fim de um relacionamento.
Sendo uma artista muito visual, a Marina demonstrou mais uma vez que consegue ser uma verdadeira heartbreaker. É certo que se manteve mais recatada na era 'FROOT', em 'Blue' podemos rever a vivacidade e bitchiness dos tempos de 'Electra Heart'. Os visuais estão impecáveis e recordaram-me a era 'The Family Jewels', especialmente o vídeo "Shampain". Arrisco-me a dizer que é o melhor vídeo da carreira dela.
Confesso que quando ouvi o álbum esta música passou-me um pouco ao lado. Apontei-a desde o início como uma das melhores faixas do disco, mas faltava alguma coisa. Era o vídeo. A sério! Quantas vezes passamos a gostar mais (ou menos) de uma música por causa do videoclip? Pelo menos comigo acontece imensas vezes.
Além do factor visual, a letra é sem dúvida a melhor parte. Em vez de fazer uma balada para falar de um desgosto de amor, a primadonna optou por algo não convencional. Se por um lado demonstra o seu lado mais romântico, referindo que sente falta de um antigo amor, rapidamente se apercebe que está a ser bastante egoísta, visto que tudo o que ela quer é reatar com o ex para aumentar a auto-estima. "Gimme love, gimme dreams, gimme a good self esteem / No, I don’t love you / No, I don’t care / I just want to be held when I’m scared / Just cause I’m selfish".
Se há coisa que a Marina é nas suas canções, é honesta. A mensagem é absolutamente terrível, mas é esse realismo e capacidade de ser simultaneamente auto-consciente e auto-depreciativa que me faz adorá-la. Pode não ser a minha era musical favorita, mas estou rendido a "Blue".
Conheciam a Marina and the Diamonds? Gostaram da música e/ou do vídeo?
É impossível não falar sobre o novo vídeo da Rihanna. O tão aguardado teledisco para o single 'Bitch Better Have My Money' mal estreou e já está a causar polémica. A cantora dos Barbados avisou logo que era impróprio para menores e pessoas mais impressionáveis. Muito resumidamente, a Rihanna rapta, tortura e assassina uma mulher rica, terminando num autêntico banho de sangue e dinheiro. Detesto que não me paguem o que devem, mas isto está a um nível completamente diferente.
Não tardou muito para surgirem as primeiras críticas. Se de um lado os fãs consideraram o vídeo épico e "o melhor do ano", do outro, há quem acuse a cantora de estar a promover a violência contra mulheres. Entendo o porquê de dizerem isso, mas não concordo. Sim, não estava nada à espera de ver a mulher despida, amarrada e suspensa do tecto a baloiçar de um lado para o outro, mas se chegarem ao final do vídeo vêm que a outra vítima é um homem...
Se pensarmos que muitas destas críticas vêm por parte de espectadores de "Game of Thrones" e "American Horror Story", as queixas fazem ainda menos sentido. Por alguma razão, as pessoas ficam desconfortáveis e irritadas quando o génio com uma mente depravada é uma mulher. Se o Quentin Tarantino pode fazer filmes com esta temática, então porque é que a Rihanna não pode? Do ponto de vista criativo, é uma evolução tremenda em relação aos vídeos anteriores. Tal como ela refere na música: "Rihanna calls the shots".
Surpreendeu-me não ver um único comentário sobre a questão racial. Ela tortura/mata duas pessoas caucasianas no vídeo. Se fosse um artista "branco" a fazer o mesmo mas com pessoas de raça africana, o caos estava instalado. Não suporto estes double-standards.
Tendo em conta as músicas que já conhecemos, cheira-me que este será um dos piores trabalhos da cantora. Tenho sempre esperança de estar enganado, mas este material novo não me convenceu nada. Atenção, gosto da BBHMM, mas tenho a perfeita noção que não é uma obra-prima musical.
A realização ficou a cargo da própria artista em colaboração com o colectivo francês Megaforce. O actor Eric Roberts, irmão de Julia Roberts, e o protagonista da série "Hannibal", Mads Mikkelsen, também participam no vídeo. O álbum continua sem data de edição.
Quais são as vossas opiniões sobre o vídeo? A Rihanna foi longe de mais ou é apenas artístico?