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segunda-feira, 19 de junho de 2017

5 Motivos pelos quais não adoro o Verão


Como tudo na minha vida, até no que diz respeito ao Verão sou uma contradição andante. Se por um lado sinto-me genuinamente mais "animado" com os "dias mais longos", aumento das temperaturas, bronzeados e afins, por outro detesto o calor infernal, suor e preguiça que vêm de arrasto. Foi a pensar neste pequeno complexo existencial que criei uma lista com cinco motivos pelos quais já não morro de amores pela estação mais cobiçada do ano (além dos incêndios, claro).

'1. Calor

Não me dou bem com o calor. Sim, apesar de detestar o frio e apreciar temperaturas mais elevadas, não significa que goste de sentir que estou a caminhar pelo reino de Lúcifer. Escusado será dizer que estes últimos dias têm sido um autêntico massacre. Dormir está quieto e até acordado só me apetece meter-me dentro do congelador. Pensar que ainda existem cretinos que se recusam a acreditar que o aquecimento global existe. Quanto a vocês não sei, mas não consigo funcionar assim. Não dá. Ao menos em casa posso andar em trajes diminutos como se estivesse numa vitrine do Red Light District, mas e quando tiver que sair, ir trabalhar? Só a ideia do que me espera amanhã (escrevi isto ontem à noite) está a deixar-me assustado. 

'2. Suor

A não ser que estejam numa sauna ou a terminar um treino intenso (e mesmo assim tenho as minhas dúvidas), transpirar não é nada agradável. Pior ainda e acabar de tomar banho e sentir que preciso voltar lá para dentro outra vez. Sofro de transpiração fácil desde muito novo, o que por vezes pode condicionar as minhas escolhas de vestuário. Qualquer cor fora do espectro black & white significa nódoas garantidas depois de uma breve corrida para apanhar o metro, comboio, ou simples locomoção pedestre. Se tiver um acontecimento importante para determinado dia, seja no trabalho ou a nível pessoal, tenho que avaliar sempre os riscos das minhas partes de cima. Levar aquela camisa azul que tanto gosto implica não poder correr o dia inteiro, caso contrário vou parecer que saí de uma luta de balões de água. 


'3. Preguiça

A linha entre entusiasmo e preguiça é muito ténue no Verão. Uma música animada é capaz de me dar uma força incrível para enfrentar o meu dia, mas basta as temperaturas passarem o limite do aceitável e baam, modo gelatina activado. Esta condição é tão séria que até quando andava na escola, o terceiro período era sempre aquele em que baixava as notas, precisamente porque não conseguia ficar com o rabo sentado na cadeira sem deslizar como uma folha de papel. Ainda hoje isto acontece-me inúmeras vezes. Fico como uma espécie de cão, às voltas até finalmente se deitar, só que com menos acção e mais suspiros de desespero. Não tenho vontade de fazer nada, nada! Ir à casa-de-banho é toda uma viagem que leva décadas entre um arrastar do chinelo e o outro. Criatividade, vontade de escrever e criar conteúdo, tudo é evaporado como a minha paciência. Ugh, I just can't

'4. Monstro temperamental

Por falar em falta de paciência, sou um perigo nestes meses mais quentes. A sério, devia andar com um letreiro ao pescoço a dizer "cuidado com o cão". Seria de esperar que alguém consumido por preguiça não teria energia para mais nada, mas não é bem assim. Como o Hulk que fica verde com a raiva, a mim acontece-me o mesmo mas em vez de mudar a tonalidade, destilo ofensas dignas de uma letra de rap. Tudo me irrita, a maneira das pessoas falarem, o tom de voz, a respiração, a forma como comem, como não percebem algo simples, tudo! A Marta diz que é a minha versão de TPM, mas mais irritante (questionável, mas como não quero problemas, não me vou alongar). Costumo fazer um esforço enorme para ser extremamente paciente, ainda que por dentro esteja a morrer com a vossa estupidez, mas nesta altura metade do filtro desaparece. Não sei explicar mas começo a arder, literalmente, e só vejo vermelho como um Touro (hey star sign). Não fosse o meu bom senso, já tinha uma lista de inimigos enorme ou ido parar ao hospital por me meter com a pessoa errada. Até ao dia!

'5. Transportes Públicos

Achavam mesmo que ia perder uma oportunidade de voltar a mencionar o meu (des)amor pelos transportes públicos? Se não estão familiarizados com os actos I, II e a edição especial de Verão do "Auto dos Transportes do Inferno", shame on you então esta é para vocês. Se, tal como eu, enfrentam o metro na hora de ponta, considerem-me um amigo. Só não vos abraço porque este calor não permite. Agora a sério, é impossível explicar o sentimento que nos consome quando a porta da carruagem se abre e nos deparamos com uma manada de pessoas no interior. É como se estivéssemos a caminhar para a morte. Em modo sardinha em lata, levamos com o suor, pisadelas e pior, odores indesejados de alguns sujeitos que parecem recusar-se a utilizar desodorizante. Isto para não falar da lentidão que se abate sobre toda a gente. Sim, também fico em modo vegetal mas... não no meio da rua! É como se estivéssemos num corredor interminável de qualquer centro comercial.


Gostam do Verão? Dão-se bem com as temperaturas elevadas?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Auto dos Transportes do Inferno x Summer Edition


A barca está de volta. Com dois actos mais abrangentes sobre situações caricatas que vivo diariamente nos transportes públicos, esta edição é dedicada exclusivamente ao Verão. Estação favorita do ano para uns, é um autêntico terror para os que já não podem gozar dos três meses de férias ou não têm carro, claro.

Comparativamente ao Inverno, noto que custa mais entrar/aguentar na rotina com as temperaturas elevadas. As corridas outrora supersónicas para apanhar o metro a tempo, foram substituídas por uma espécie de marcha repleta de murmúrios. Curiosamente, a abundância de passageiros parece ter triplicado. Para uma altura marcada pelas férias dos portugueses, é interessante.


1. Fenómeno sardinha em lata
Aguentar uma viagem apertado é mau, mas no Verão é ainda pior. Derrubando por completo a questão da invasão de espaço, que nestes casos, pura e simplesmente não existe, a quantidade de suor e calor é algo que não desejo a ninguém. Contei-vos uma dessas situações (AQUI) e recentemente passei por outra, mas num dia de 38ºC. Nunca fiquei tão feliz por estar a usar roupa escura, caso contrário seria um forte candidato ao título de mister t-shirt molhada. 

2. Odores corporais amplificados
"Respira pela boca", dizem. Está bem. Suster a respiração durante a passagem momentânea de um camião do lixo é uma coisa, fazê-lo durante uma viagem de meia-hora é simplesmente impossível. Já tentei de tudo. Fingir que adormeci com um livro aberto na cara, apoiar estrategicamente a mão na cara e até respirar o mínimo possível. Não adianta. Contra o cheiro a suvaqueira, só mesmo um bom banho. Bolas, há pessoas que cheiram mesmo, mesmo mal.

3. Fluídos indesejados
Arrisco-me a dizer que ninguém gosta de levar com o suor de desconhecidos. Se não for o caso, good for you! Não existem palavras para descrever o quão nojento é sentir que a pessoa ao nosso lado está, literalmente, a escorrer. Pertenço ao clube de indivíduos que transpira imenso e com bastante facilidade, mas daí a esfregar-me nos outros passageiros, vai uma grande diferença. No Inverno o contacto acidental até pode ser acolhedor, na medida em que nos aquece, mas agora? Atrevam-se.

4. Sujidade sazonal
Areia, areia por todo o lado! Compreendo a necessidade de utilizar transportes públicos para se deslocarem a áreas balneares mas não custa nada passar as patinhas pela toalha. Além da escorregadela ocasional do gang do reumático, até os bancos ficam contaminados. É isso e papéis/manchas de gelado. Podem não ter um lenço de papel à mão, mas tratando-se de um espaço comum, não vos custava nada limparem a vossa sujeira.

5.  Pessoas ainda mais lentas
É mais que sabido que não tenho a mínima paciência para gente lenta. Se antes os associava aos zombies do Walking Dead, agora nem tenho comparação possível. Sou o primeiro a admitir este tempo é um óptimo aliado à preguiça mas, estando na rua, que remédio se não mexer as perninhas. Aqui entre nós, já cheguei a perder propositadamente alguns transportes por não conseguir mais. Como vêem, nem eu estou imune às labaredas do inferno. Ainda assim, a vontade de chegar a casa para poder arrancar a roupa do corpo é toda a motivação que preciso. Pessoas que insistem em manter-se paradas, feito mulas, no meio das escadas rolantes, encostem-se à direita. Fica o apelo.


Já presenciaram situações destas? Gostam dos transportes públicos no Verão?

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Serial Lip Syncher























Se há altura em que questiono seriamente as minhas atitudes, é quando começo a interpretar músicas em público. Posso não estar a cantá-las fisicamente mas na minha cabeça dou espectáculos do mais alto nível e com tudo a que tenho direito. Pois é, sou um serial lip syncher.

O fenómeno popularizado pela Miss American Dream, como quem diz Britney Spears, ou se forem patriotas, qualquer cantorzeco português, é mais velho que as minhas dores de costas (pré-histórico). Com mais adeptos que muitos clubes de futebol, arrisco-me a dizer que a probabilidade de já terem feito o belo de um playback involuntário é bastante elevada.

Desde miúdo que as viagens de carro são o meu oasis. Aos 12 anos, equipado com o discman  geração millenial: são uns objectos semi-redondos onde se ouviam cd's (sim, os discos ainda existem)  bastava dar uma canção triste e lá estava eu, a olhar para a janela com toda uma carga emocional estampada na minha cara. Ah, o drama. Tristeza.

O avançar da idade podia ter resolvido a questão mas sinceramente acho que só piorou. Nunca mais me vou esquecer de estar a caminhar pelo metro da Baixa quando de repente a música "BLKKK SKKKN HEAD" do Kanye West começa a ecoar nos meus ouvidos. A batida deixou-me com uma adrenalina tão grande que me senti o dono do pedaço. O mundo era a minha ostra. Qual Naomi ou Beckford, aquela passerelle era minha.

Em Janeiro de 2011, quando a Adele lançou oficialmente a "Someone Like You", passei algumas vergonhas. Em pleno Inverno, mau tempo e com a chuva a cair, as viagens de comboio à janela eram o cenário ideal: deprimente e solitário. A quantidade de vezes que fiz caretas ou até fiquei com a lágrima no canto do olho ao sussurrar as letras da maldita canção, é simplesmente humilhante.

No meio disto tudo, o que me intriga é o facto de nem me aperceber do que estou a fazer até meio/terminar a acção ou quando recebo um olhar mais atento. Desconheço por completo a origem deste pequeno fenómeno mas é mais forte do que eu. Se estiver in the moment, esqueço-me por completo dos outros à minha volta e vivo as melodias, letras e afins como se tivessem sido criadas por mim. Até cenários, pirotecnia, guarda-roupa, tudo é pensado ao pormenor.

Ainda hoje tenho o hábito de andar ao som da batida. Não faço ideia de como é que a minha maneira de andar é afectada e, consequentemente, como é que os outros me vêem, mas sinceramente acho que prefiro nem pensar nisso. A verdade é que me dá um gozo enorme fazê-lo.


São tão melodramáticos como eu? Costumam fazer playback ou imaginar cenários musicais?

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Próxima estação: Prisão

A cada dia que passa, o medo de ir parar à prisão aumenta. Não, não cometi nenhum crime, mas um dia destes perco a cabeça. Se existia alguma dúvida, foi completamente aniquilada com a minha última viagem de comboio: odeio pessoas.

Na semana passada, depois da correria habitual para chegar a tempo, deparo-me com uma multidão digna de um festival de Verão, à espera de transporte. Intrigado com o excesso de indivíduos fora do habitual, heis que aquela voz feminina vinda do além me informa que os dois comboios anteriores ao meu estavam atrasados, criando um efeito dominó. Após um longo período de espera ao sol, o comboio chega e instala-se o caos. 

Do ponto de vista sociológico, foi altamente interessante verificar a aflição das pessoas para conseguirem passar as malditas portas. Parecia que a vida delas dependia daquilo. Não vou ser hipócrita e dizer que não seria capaz do mesmo, mas há limites. Digamos que ver uma mulher de braço partido ao peito, a dar-me cotoveladas para passar à frente, foi algo no mínimo insólito. Se fosse outro tinha-lhe dado um puxão no gesso que a asa ficava logo no sítio.

Fotografias de baixa qualidade dado o teor da situação. Os círculos representam duas das três mulheres sentadas.

Depois de uns minutos absolutamente aterrorizadores em que nem via o chão, lá consigo entrar e fico parado nos degraus cimeiros da escada (já não dava para subir). A seguir a mim as pessoas começaram a estacionar-se em fila indiana nos degraus disponíveis e depois na parte da entrada. Até aqui, tudo "normal". O problema é que enquanto a minha fila estava apertada e em pé, à nossa frente (ou seja, na outra extremidade dos degraus) estavam três "senhoras" sentadas. Começa a urticária. 

Entram mais pessoas na estação seguinte e uma delas diz às três criaturas que se calhar era melhor levantarem-se para haver espaço para os outros. Não fazia sentido estarem sete pessoas em pé de um lado e três sentadas do outro, a ocupar espaço. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro. A esta altura já estava a arder. Após um dia de trabalho, ir em pé, sob altas temperaturas e a transpirar, ainda tive que ir feito sardinha enlatada enquanto as outras iam sentadas? Estava de tal modo colado a uma velhota que mais parecíamos o Son Goku e o Vegeta prestes a fazer a fusão.

A viagem foi dolorosa. A senhora do meu outro lado chegou ao cúmulo de ter que se arquear e fazer uma espécie de "ponte" por cima de uma das múmias, para se conseguir segurar no corrimão do lado oposto. Vendo uma coisa destas, alguém quase tombado por cima de nós, parte-se do princípio que se calhar, algo está errado. Nah, nada, até faz sombra.

A minha arqui-inimiga, a camela da leitura.

Chegamos ao Pragal, primeira estação depois da ponte e onde saem imensos passageiros, e a barraqueira dentro de mim escapou. Estando nas escadas, não podia propriamente "fugir", portanto encostei-me o máximo que podia ao corrimão atrás de mim para libertar caminho. As pessoas passam até que chega a vez de um senhor assim para o gordinho. "Epá, isto assim é complicado", diz ele olhando para as outras três. Momento de vergonha alheia em três, dois, um: "Pois, as pessoas não se levantam. É que nem para os outros passarem são capazes de se levantar. Que palhaçada!".

Nunca, em toda a minha vida, tinha falado daquela forma e naqueles decibéis em público, mas foi mais forte do que eu. O senhor lá passa - quase que me arrastava no processo -, e depois subo as escadas. Quando olho para trás nem queria acreditar. Nenhuma daquelas coisas se levantou durante o meu acesso de fúria ou comentários de outros passageiros que concordavam comigo. Continuaram pávidas e serenas, esmerdando-se com a maior das descontrações em cima dos outros.

Sou contra qualquer tipo de violência, ainda para mais sobre mulheres, mas em situações destas questiono bastante os meus ideais. Na minha cabeça imaginei mil e um cenários em como lhe mandava (especialmente à que estava descansadinha a ler), acidentalmente claro, com a mochila à cabeça. "Oops, se te tivesses levantado não acontecia isto". Sem brincadeiras, como é que é possível existirem seres assim? Sem qualquer tipo de noção de vida em sociedade ou o mínimo de civismo? Só de estar a relatar a história quero aniquilá-las.

Das duas uma, qualquer dia dou cabo de alguém e vou parar à prisão ou então mando vir com a pessoa errada e vou directamente para o hospital.


Já passaram por situações do género? 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Auto dos Transportes do Inferno | Acto II

Um mês depois, a barca está de volta. Agora que estou, oficialmente, numa relação inestável com os transportes públicos, não existem dias mortos. Tanto posso estar a apreciar a paisagem pela janela do comboio e ser interrompido por um velho a mijar a parede da estação, como posso entrar num torneio invisível de cabeçadas de sono com o vizinho da frente. 

Neste quadrado amoroso com o belo do autocarro, comboio e metro, o pior continua a ser lidar com indivíduos porcos e sem qualquer vergonha na cara. Porque o primeiro não conseguiu cobrir nem metade das situações a que sou forçado a presenciar, apresento-vos o segundo acto do Auto dos Transportes do Inferno.

#1. Adeptos de futebol em dias de jogo
A linha de metro que tenho que apanhar diariamente fica na rota de um estádio de futebol. Bastou um mês para começar a odiar com todas as minhas forças os dias de jogo. Do ponto de vista sociológico, é fascinante. Por entre o mar de cachecóis, geralmente vermelhos, ouvem-se gritos animalescos dignos de uma cabra, e cânticos que mais parecem saídos de um culto satânico. Tudo isto enquanto erguem os punhos no ar, olhos esbugalhados e bocarra aberta até se ver o chumbo nos dentes. Oh gente saloia.

#2. Cada um por si
No último ano de licenciatura senti-me mal no metro. Lá consegui sair da carruagem e arrastar-me pelas escadas rolantes e passar as cancelas. Via tudo turvo, fui contra pessoas do nada, tudo preto. Tive um blackout em plena estação do Campo Grande e ninguém, nenhuma alma caridosa foi capaz de me ajudar ou ver se estava bem. Por sorte aterrei mesmo à porta da segurança que me foi buscar um copo de água com açúcar. Se dependesse das pessoas que por ali passavam, podia ter continuado ali estendido como uma animal morto à beira da estrada. É triste pensar que vivemos numa sociedade em que só olhamos para o nosso próprio umbigo. Se visse alguém colapsar à minha frente, por muito que esteja sempre com pressa, não iria ficar indiferente.

#3. Tossem/Espirram
Ninguém está imune ao ocasional espirro ou ataque de tosse de cão, mas há maneiras de o fazer em público. Não me lembro da última vez que vi alguém nos transportes públicos a tapar a boca enquanto tosse. Não estou a gozar, ninguém o faz! É chocante, eu sei. Ainda no outro dia vi uma pobre rapariga ser benzida pelos perdigotos de um rapaz que ia no banco à sua frente. A coitada bem tentava desviar-se sem dar nas vistas, mas ele continuava investido. Dois dias depois, em pleno comboio, uma senhora com idade para saber limpar bem o rabinho, no bloco de lugares ao lado do meu, inicia um longo processo de 7 espirros consecutivos para o corredor, NA MINHA DIRECÇÃO, sem sequer colocar a mão à frente. Por pouco peguei num foice e comecei a gritar "Javarda!".

#4. Não pedem licença
Uma das regras básicas da educação é saber dizer "por favor" e "obrigado" quando queremos algo. Infelizmente, com o avançar dos anos, a população portuguesa parece estar a desenvolver um forte caso de amnésia. Como de manhã o comboio parte do meu terminal, costumo ser sempre o primeiro a sentar-se. Quantas vezes, não levo coices de pessoas que entram depois de mim, e para se ocuparem o lugar à minha frente pisam-me, empurram-me ou quase derrubam a minha mochila, sem sequer soltar um com licença ou desculpe.

#5. Sinfonias rectais
Será preciso sequer desenvolver este ponto? Digamos que é uma ocorrência mais frequente do que gostaria. O meu olfacto de cão polícia também não ajuda, mas se as pessoas conseguissem manter as portas do inferno fechadas até estarem sozinhas, o mundo eram um sítio mais bonito. Não há nada mais desagradável que estar a desfrutar de música e um bom livro e sermos atingidos por uma nuvem de gás capaz de rivalizar com Chernobyl.

#6. Tarados
Nunca vou perceber em que momento da vida de um homem, ou mulher, se dá um clique e tornam-se tarados. Uma vacina para esta maleita? Fica a sugestão. Verdade seja dita, há indivíduos do sexo masculino que conseguem ser verdadeiros porcos. Engane-se quem pensar que só atacam em becos isolados e de noite. Em plena luz do dia e com pessoas em volta, já vi um homem incomodar uma rapariga a ponto de ponderar mudar-me para o lugar ao lado dela. "És tão bonita. Tens namorado? Não devias estar sozinha. Anda cá". E que tal tomares um banho, lavares esses dentes e calares a matraca antes que alguém o faça por ti? Queria ver se fosse com uma filha ou irmã dele.

#7. Esca**etas
Há quem não consiga ouvir outra pessoa vomitar que o faz logo de seguida, comigo são as esca**etas. Recuso-me sequer a escrever tal palavra. Praticamente todas as semanas sou alvo daquele que é dos sons mais grotescos da humanidade. Velhos, novos, homens e mulheres, era colhê-los a todos com um tractor e mergulhá-los numa piscina de muco. Que animais.

#8. Linha = Caixote de lixo
Chamem-me certinho, mas nunca deitei lixo para a rua. Desde miúdo que se como qualquer coisa e não tenho um caixote de lixo por perto, guardo o papel no bolso. Uma vista de olhos rápida para as linhas de metro/comboio e somos presenteados com uma orgia de beatas, papéis e embrulhos de comida. A falta de civismo é, realmente, incrível. Gostava de visitar a casa de cada uma dessas pessoas e encher-lhes a sala com uma quantidade de porcaria equivalente àquela que já deitaram para a via pública.

#9. Sessões fotográficas
Verifiquem os vossos telemóveis, de certeza que já me apanharam no fundo de alguma fotografia com uma expressão semelhante à do grumpy cat. A epidemia das selfies veio para ficar e não me incomodaria, se não fizessem questão de as tirarem ao pé de mim. Na rua posso afastar-me, enquanto vos julgo, mas num numa carruagem, não. Casais apaixonados, miúdas ridículas, o que não falta são fotógrafos amadores. Newsflash, na Fertagus é proibido tirar fotografias, há um sinal e tudo. Provoquem-me que faço queixinhas.

#10. Saem na primeira paragem
Quando saiu do comboio, vou a correr, literalmente, para conseguir um lugar no autocarro. Depois de um dia de trabalho e dores de costas terríveis, fazer a sexta e última viagem do dia em pé, não é opção. A dois minutos a pé da estação, está a primeira paragem de autocarro. Não é que há sempre uma ou outra alminha que se dá ao trabalho de ficar um quarto de hora na fila e depois sai logo na primeira paragem?! O tempo que ficou à espera tinha ido e voltado 7x. Juro que isto me ultrapassa. Fico genuinamente enraivecido e com pensamentos homicidas. 


Já presenciaram situações destas? Qual delas vos tira mais do sério? 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Changing Times

Após dois anos estagnado, estou a trabalhar. Os tempos de acordar ao meio-dia e passar a tarde toda a ver séries e filmes, terminaram. Acordo às 7:15 da manhã e chego a casa quase às 20:00 da noite. Pelo meio sou como todos os outros portugueses, miserável.

Os primeiros dois dias foram terríveis. Alterar a rotina drasticamente e ser lançado aos lobos, sem qualquer tipo de apoio, não é propriamente fácil. Por entre lágrimas de frustração, estava dividido. Queria desistir mas depois era consumido por um sentimento de culpa enorme. "Tanto tempo a querer um emprego e agora que o arranjaste, vais desperdiçá-lo?". 

O tempo cura tudo, e agora custa menos. A minha timidez inicial começa a desvanecer e já vou falando com os meus colegas, todos eles mais velhos que eu pelo menos uma década. Embora não seja o meu trabalho de sonho, ao menos não é um call-center. Afinal de contas, há sempre alguém pior que nós. Posso-vos dizer que de três candidatos, fui o único que aceitou lá ficar. Agora tirem as vossas próprias conclusões.

Para ajudar à festa, a minha namorada foi estagiar para a Disney, em Madrid, durante seis meses, podendo chegar a um ano (ou por vontade dela, mais). Embora não estivéssemos juntos todos os dias, foi um embate emocional brutal saber que, a partir de agora, não havia escolha. Fisicamente, estou sozinho. 

Questões de foro sentimental de parte, ainda não consegui habituar-me aos horários. Todos os dias penso no mesmo, "como é que alguém consegue ter uma vida chegando a esta hora a casa?" Admiro imenso quem tem a capacidade de ir sair com amigos ou jantar fora, mas comigo não dá. É jantar, ver as minhas duas novelas, uma série curta e cama. Ando esgotado. Apanhar três transportes diferentes todos os dias e passar o equivalente a duas horas de ida e outras duas de volta, é saturante. 

Só para terem uma noção, saiu às 18:15, tenho que ir a correr até ao metro que, por sua vez, passa às 18:20, para depois correr na estação e conseguir apanhar o comboio das 18:29. De segunda a sexta, é esta a minha vida. Treinar para uma maratona, depois de oito horas a lidar com mil e um problemas. Sim, ainda vivo com os meus pais, mas posso afirmá-lo com toda a certeza: ser adulto é uma merda!

Tudo isto para vos explicar o motivo pelo qual tenho estado um pouco mais ausente das vossas páginas e blogosfera em geral. Os fins-de-semana agora são sagrados e ocupados, a colocar os meus tv shows em dia, e escrever publicações para a semana seguinte. No mundo ideal tinha tempo para tudo, mas por muito que tente, durante a semana é praticamente impossível.

A todos vocês que continuam desse lado após quase um ano de Ghostly Walker, obrigado pela paciência e não se preocupem, não vou a lado nenhum.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Auto dos Transportes do Inferno

Desde que terminei a licenciatura, há quase três anos atrás, que deixei de utilizar transportes públicos com regularidade. Na semana passada tudo mudou e na minha rotina voltaram a entrar o belo do autocarro, comboio e metro. Que suplício. 

Posso vos dizer que já vi de tudo. Gritos, marmelanços, discussões que resultaram em estalos, pessoas a cair e até outras que ladravam  não estou a brincar e sim, no plural. Por muito que sejam, geralmente, uma alternativa melhor ao automóvel, a verdade é que ter que somos forçados a lidar com indivíduos sem qualquer educação ou senso comum. É nesse intuito que surge esta compilação de 10 situações com que lido todos os dias. Aproveito para agradecer à minha namorada pelo título genial.

#1. Falar alto ao telemóvel
Nunca me hei de esquecer de uma viagem para Lisboa passada ao som de "castanho mel". A senhora atrás de mim levou meia-hora a falar sobre a sua nova coloração de cabelo. Na altura fiquei a saber o nome da amiga, os planos para o fim-de-semana e das fotos que ela lhe ia enviar com o novo look. Com música ou não, era impossível escapar ao massacre castanho mel.

#2. Grupos de amigos que falam alto
Durante a Universidade costumava ir de comboio com amigos e nem por isso falávamos como se estivéssemos numa taberna. Infelizmente nem todas as pessoas parecem importar-se e quando de juntam, são piores que uma família de hienas. Além de irritante, dá vontade de mudar de carruagem.

#3. Ouvir música sem fones
Quem é que nunca levou com chungas e os seus telemóveis a bombar música de horrível? Até podia ser a melodia mais bonita do mundo, mas não quero saber quando me é enfiada goela a baixo e aos altos berros. Nem aumentando o meu som conseguia abstrair-me do bo tem mel e companhia. Passo a viagem inteira a imaginar cenários em que os apedrejava com o telemóvel.

#4.  Não respeitam o teu espaço
Nos comboios da Fertagus os lugares são todos de quatro, sendo o mais cobiçado o lado da janela que vai "de frente". De manhã costumo consegui-lo sem problemas, mas a minha paz e sossego nunca dura muito tempo. Numa carruagem repleta de lugares vazios, as pessoas parecem sentir-se atraídas pelo meu "quadrado" e sentam-se ao meu lado/à minha frente. Devo ter mel. Até aí, vá, que remédio. O problema é quando se amontoam em cima de mim. Se for alguém mais largo é uma coisa, mas em 99% das vezes não é esse o caso. Resultado, eu que já lá estava, ou fico a viagem inteira colado à pessoa ou acabo esmagado contra a parede. No Verão então, é terrível.

#5. Ficam hipnotizados a olhar para nós
Se já tiveram a má sorte de apanhar um comboio ou autocarro na hora de ponta, sabem que a quantidade de pessoas que têm que ir em pé, é desumana. Alguns desses indivíduos ficam o tempo inteiro a olhar para quem vai sentado, do género "Seu sacana, não me dás lugar?" Não. Além disso, se pertenceram à categoria "idosos, grávidas ou deficientes", têm lugares especificamente para eles, não me chateiem. Lamento imenso mas esforço-me bastante para conseguir um lugar. Quando não acontece, fico em pé e olho para as janelas, não para a cara as pessoas.

#6. Andam como zombies
Este é possivelmente o ponto que mais me irrita. Detesto. Gente. Lenta. Todos os dias acontece a mesma coisa, o comboio chega, as portas abrem-se e assim que a pessoa que vai à frente sobe as escadas e vê que tem o seu lugar assegurado, perde a vontade de viver. É tão frustrante ir atrás dela e ver que do outro lado da carruagem, estão a ser mais rápidos e os lugares, outrora disponíveis, começam a esgotar-se. Juro que parecem criaturas saídas do Walking Dead. Só me falta é uma espada para dar cabo deles. Que raiva!

#7. Peço licença para sair e não se levantam
Uma coisa é no comboio em que existe espaço o suficiente para conseguir sair, mas num autocarro em que os lugares são duplos, não. Já me aconteceu ir no lado da janela, pedir licença para sair e a pessoa moveu os joelhos para o lado. O esforço que tive que fazer para não me deitar em cima dela foi ridículo. Fiquei possesso e com pena de não ter coragem para a destruir como um furacão com a minha passagem. Custa muito levantar o rabinho?

#8. Mascar pastilha elástica de boca aberta e com barulho
Em qualquer situação, mascar pastilha elástica de boca aberta é um big no no, mas quando estamos presos num local e não podemos fugir, é ainda pior. Ainda no outro dia me aconteceu isto. Tenham em atenção que estava com fones a dar música alta, e mesmo assim conseguia ouvir cada viragem da maldita pastilha na língua do labrego.

#9. Cortar as unhas
Não sei se me sinto mais miserável por escrever isto ou por ter presenciado este espectáculo mais que uma vez. A primeira (de muitas) foi às 7h30 da manhã, no comboio. Uma mulher senta-se a uns quantos lugares atrás de mim, saca do corta-unhas e começa o serviço, saltando os restos para todo o lado. No meio do comboio! Como é que é possível alguém achar que isto é aceitável? Durante uma temporada, semana sim, semana não, aquela criatura grotesca fazia a mesma rotina. Quando me cansei da situação e decidi que se a voltasse a ver diria algo, deixou de apanhar o meu comboio. Pergunto-me se finalmente entendeu os meus olhares acusatórios. Porca.

#10. Tirar macacos do nariz
A sequência de eventos que se segue não é para os estômagos mais sensíveis. Numa bela manhã em que o sol raiava lá fora, um homem senta-se à minha frente e, acreditem ou não, em slow motion, coloca o dedo indicador esquerdo na narina do mesmo lado. Fiquei perplexo. Rodou um bocado para um lado, para o outro, retira-o revestido de algo que não merece descrição, enrrola-o nos dedos e sacode-o para fora. QUE NOJO! Vomitei três vezes na minha boca e jurei vingança à sua aldeia. Devo ter sido um grande traste em outra vida para merecer isto.


Já presenciaram situações destas? Gostam dos transportes públicos?

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