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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

5 Dicas para vencer a procrastinação


#1. Analisa o teu ambiente

Um dos meus principais problemas no que toca à concentração é o ambiente em que estou inserido. Desde os tempos de estudante que o quarto é o meu maior inimigo no que toca ao aproveitamento. As distracções são tantas que muitas vezes acabam por se passar horas e não fiz absolutamente nada do que queria. Curiosamente, o melhor local para inverter esta situação é... a casa-de-banho. Parece ridículo, mas já escrevi grandes obras literárias sentado naquele trono de porcelana. Sem nada que me distraia, foi a minha salvação em tempos de testes ou até mesmo de ideias para publicações.

#2. Define metas realistas

Uma das principais razões de adiarmos o que queremos fazer deve-se ao facto de, geralmente, serem metas grandes e vagas. Se forem adeptos de listas, força. Pode revelar-se uma grande ajuda ter uma noção das tarefas a cumprir e respectivo tempo para cada uma delas. Não se armem em super-heróis e queiram, por exemplo, escrever as publicações todas da semana numa assentada. Quase de certeza que o resultado vai ser o inverso e isso só vos vai deixar ainda mais frustrados. 

#3. Pensa no futuro

A preguiça é lixada e se não souberem lidar com ela, podem perder-se para sempre. Dramático? Sim, mas tem o seu quê de verdade. Pessoalmente, enfrento sempre uma luta interna quando me distancio um pouco do blog. Tenho objectivos que gostaria de alcançar mas se depois estiver menos activo, é normal que não se concretizem. Fico de tal forma irritado e stressado com isso que acaba por servir de bebida energética para me mexer. Isto é tudo muito bonito quando as nossas únicas preocupações são a escola e temos horários acessíveis, mas quando entramos no mundo adulto e a sua prisão temporal, é extremamente complicado.

#4. Não penses, age

A velha máxima do "hum, faço amanhã". Quem nunca teve este pensamento uma única vez na vida que atire a primeira pedra. Aliás, se tivesse que definir o meu estado de espírito estudantil, seria exactamente assim. Sempre fui uma daquelas pessoas que deixava tudo para a última da hora. Portfolios, trabalhos de pesquisa, estudar para testes, tudo! No entanto, tinha bons resultados. Hoje em dia, ainda tenho o mesmo duelo com a balança moral. Esse é um dos motivos pelos quais estou a escrever isto de madrugada, em vez de "fazer amanhã numa pausa do trabalho". Right. Quando sentirem uma energia vinda do além, não percam tempo e arregacem as mangas! Por norma são surtos de curta duração que precisam ser aproveitados ao máximo.


#5. Pratica técnicas de "mindfulness" e/ou relaxamento

Para quem não está familiarizado com o termo, mindfulness é um treino mental que ensina as pessoas a lidarem com os seus pensamentos e emoções. Ajuda a distinguir o pensamento útil do inútil que, em certas circunstâncias, chega a ser prejudicial. Se tivermos a consciência total de que precisamos fazer determinada tarefa, quando partirmos para a acção e a terminarmos, vamos sentir-nos extremamente satisfeitos. Extremamente lógico mas nem por isso menos importante. Pode parecer um pouco contraditório mas o relaxamento é essencial para vencerem a procrastinação. Não digo que tenham que ter os chakras alinhados, mas se não conseguirem concentrar-se, tentem meditar ou no meu caso, ver vídeos de ASMR, e garanto-vos que ficam com outro estado de espírito. Não podem é exagerar ou acabam a dormir em vez de trabalhar.


Sofrem de procrastinação? Que métodos utilizam para combatê-la?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Preciso de um clone


Como devem ter percebido, não tenho andado com muito tempo para o blog. Se em tempos longínquos publicava praticamente todos os dias, agora nem os posts intercalados consigo cumprir. Não é que exista uma regra que me obrigue a partilhar conteúdo continuamente, mas sinto que ando a falhar. O ideal era mesmo ter um clone que ficasse encarregue da parte chata da minha vida e me deixasse aproveitar os bons momentos ao máximo.

Visto que este espaço não é a minha fonte de rendimento e não ganho absolutamente nada com ele, se continuo por cá é porque gosto mesmo disto. Verdade seja dita, desde Dezembro que a minha situação laboral está um caos por estar a exercer duas funções distintas (sem receber por isso). Resultado, após 8h sem parar, não tenho tido a mínima vontade/paciência para chegar a casa e escrever. O mesmo aplica-se à leitura. Enquanto no ano passado devorei seis livros, este nem metade de um consegui ler.

Normalmente tento escrever o máximo possível durante o fim-de-semana e agendar tudo porque, de 2ª a 6ª, é impossível. Ou acabo por me deitar às 3h da manhã e acordo ainda mais cansado, ou só tenho o tempo de criar a imagem na noite anterior e deixar a escrita para um furo no trabalho. Além de ser uma pressão terrível, acaba sempre por surgir alguma coisa que me impede de terminar o maldito texto. Pista: quando publico alguma coisa sem ser a esta hora é, na esmagadora maioria, um caso desses.

Com um Ricardo 2.0 a coisa resolvia-se num instante. Era ele que acordava todos os dias às 7h da manhã e chegava a casa às oito da noite; aturava o meu patrão por mim e a necessidade de me ligar de 10 em 10 minutos; levava com os tsunamis lisboetas que me deixam ensopado e semi-careca; ficava na fila interminável para comprar o passe e levava com os germes das pessoas nojentas que utilizam os transportes públicos como se fosse o curral deles. Já eu, podia dormir até ao meio-dia, ver as séries e filmes todos que tenho em atraso e claro, escrever conteúdo interessante para partilhar convosco. Sei que a isso se chama desemprego, mas já me bastou dois anos em casa e não obrigado

Tenho mil e uma ideias (e rascunhos) para dar vida e prometo que vou tentar ser mais disciplinado durante o fds. Igualmente em falta estou com as vossas páginas que não têm recebido o meu habitual contributo opinativo. Não vou ser hipócrita e dizer que leio tudo porque ultimamente não tem acontecido, mas quando o fizer, preparem-se para múltiplas aparições na vossa caixa de correio.

Até lá, vou continuar a torcer por Portugal na Eurovisão apesar de saber que, politicamente falando, é impossível vencermos. Mas que era merecido, era.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O Mundo não é dos inteligentes, é dos espertos


Se há coisa que me dá comichão são cunhas. Portugal pode ser pequeno em território mas no que toca arranjinhos profissionais é gigante. Esta problemática é quase tão velha como a profissão mais antiga do mundo - if you know what I mean - mas só com a entrada na idade adulta é que me começou a irritar a sério.

Quando vocalizo este meu desagrado contra o sistema laboral viciado, chamam-me de "defensor dos fracos e oprimidos", mas não é nada disso. Sim, sou totalmente contra qualquer tipo de injustiças, especialmente quando beneficiam pessoas sem qualquer tipo de qualidades face a outras que realmente mereciam algum reconhecimento. Isto aplica-se tanto ao percurso académico como profissional de qualquer um. Uma coisa é um amigo ou conhecido dar o nosso currículo à sua empresa, e se formos de encontro ao que procuram, chamarem-nos, outra coisa é entrar numa troca de favores para nos aceitarem, sem sequer precisarem de saber a nossa experiência ou aptidões.

Enquanto aluno aplicado e com um sentido de responsabilidade bastante apurado, foram vários os colegas de escola que ao longo dos anos me utilizaram como bengala para obter bons resultados. Não sendo má pessoa, não me importo de ajudar ao outros, mas então que me dêem o devido crédito e que não me passem a perna. Não há nada mais frustrante que ver alguém sem o mínimo de noção sobre o que está a acontecer em seu redor a obter resultados superiores aos nossos, com um trabalho que fomos nós a elaborar de raiz. Arrisco-me a dizer que, a dada altura, muitos de vocês já se encontraram numa posição semelhante e não é nada agradável.

Em tempos tive um colega de curso que tinha o QI de uma porta. Boa pessoa, mas inteligência zero. Filho de pais ricos, completou a licenciatura graças a um irmão que lhe fazia as frequências e trabalhos de pesquisa todos. Sem nunca saber sequer redigir uma notícia, terminou com uma média bastante acima das suas competências e hoje em dia encontra-se no departamento de comunicação de um dos hospitais em que o pai trabalha. Eu que acabei no top 3 da turma e nunca tinha projectos abaixo dos 17, fiquei dois anos sem conseguir um estágio que fosse na minha área e hoje em dia estou em outra totalmente diferente, a ganhar uma vergonha face a quantidade de funções que desempenho. Sim, porque assino mails como Director de Produção, mas recebo menos que um estafeta. Portugal.

Garanto-vos que este não é um discurso ressabiado ou invejoso, longe disso. Mas bolas, não é nada justo! A maioria das pessoas que conheço queixa-se de casos destes, portanto a epidemia está longe de se erradicar. A quantidade de indivíduos esforçados e bons no que fazem que depois são ultrapassados por filhos, sobrinhos ou até genros com connects é uma vergonha. Seja no público ou no privado, acontece em todo o lado. Pudera que o meu pai sempre me tenha dito, "o mundo não é dos inteligentes, é dos espertos".

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Belo Adormecido


Por esta altura não é segredo nenhum que a minha relação com o sono é tudo menos harmoniosa. O que talvez desconheçam é que os atritos existem desde o meu nascimento. Pois é, a lenda do bebé capaz de passar dias sem dormir correu os sete reinos lisboetas. Na altura, a única solução que encontraram para acalmar esta pobre alma atormentada era manter-me constantemente no colo de alguém. Independentemente do local, assim que me pousavam, as sirenes ligavam de tal maneira que se geravam multidões à porta de casa, de tochas e forquilhas em punho. Contrariamente aos outros seres adoráveis, eu não parava com o tempo. Nunca. Parava. De. Gritar. #sorrymom

Vinte e quatro anos depois, não preciso deitar-me ao colo de ninguém para adormecer e tão pouco tenho pessoas a rezarem para que caia de cabeça no chão (espero eu), mas sono descansado tá quieto. Mesmo que consiga adormecer a horas decentes, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que acordei a sentir-me descansado e em paz. Em 90% das ocasiões acontece precisamente o contrário. Desperto com uma sensação de cansaço enorme e sem vontade de meter os pés no chão. Resultado, passo o resto do dia a tombar de sono. 

Como referi anteriormente, seja em pé à espera do metro ou sentado à secretária, no trabalho, dou por mim a cair em queda-livre. Se quiserem desfrutar de um espectáculo acrobático electrizante que consiste no vai-não vai da minha cabeça em relação ao colo do passageiro da frente, passem por um comboio da Fertagus ao final da tarde. Não se vão arrepender. A sério, se soubessem a quantidade de situações em que colegas passam por mim e me apanham a fechar os olhos, é alarmante. Até já tenho a alcunha de "Belo Adormecido", fantástico. Not.

A verdade é que sempre considerei o acto de "dormir" um valente desperdício de tempo. A quantidade de horas perdidas que podiam ser utilizadas para fazer qualquer coisa produtiva é algo que me incomoda desde a adolescência. Dito isto, é óbvio que compreendo a necessidade que o nosso corpo tem de recarregar energias e quando já estou a dormir, claro que me sabe muito bem. Por isso mesmo é que me irrita viver neste ciclo vicioso de noites em claro e dias aos cochilos. É terrível e até em termos de aproveitamento, consegue ser um verdadeiro desafio. Cada vez mais compreendo o porquê de alguns espanhóis ainda fazerem a sesta a seguir ao almoço. 

Por vezes chego ao ponto de me deitar tarde de propósito para que no dia seguinte esteja de tal modo cansado que apago por completo, sem ter que lutar com as insónias. Super saudável, eu sei. Já me sugeriram comprimidos para dormir mas recuso-me a utilizá-los. Sinceramente penso que seria pior a emenda que o soneto. Ainda ficava viciado naquilo, no thanks. Preciso é de aprender técnicas e métodos, além do meu adorado ASMR, para me acalmarem a ponto de navegar pelo vale dos lençóis sem complicações.

Ler, andar, ouvir música, ver um filme, comer, nada resulta. Claro que se começar a ver qualquer coisa na televisão, eventualmente adormeço, mas não me serve de nada se isso acontecer às 2 ou 3 da manhã habituais. Como a probabilidades de meditar/fazer yoga são praticamente nulas, e confesso que isso me deixa ainda mais irritado, o mais certo é este ser o pretexto que preciso para finalmente começar a ir ao ginásio. Quem sabe se o desgaste físico não é o necessário para me fazer dormir que nem um bebé (comum)?


Adormecem com facilidade? Alguma vez sofreram de insónias? Passam o dia cheios de sono?

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Nascemos para trabalhar?


O ano mal começou e o número de pessoas que já faleceram relacionadas directa ou indirectamente comigo, dentro do contexto laboral, continua a aumentar. Parecendo que não, este tipo de acontecimentos afecta-nos. As reacções variam conforme o grau de proximidade ou estado emocional de cada um. A mim fez-me voltar à idade dos "porquês". Não é que este tipo de questões nunca me tenha passado pela cabeça, porque passou, mas ultimamente sinto que se mudou de malas e bagagens. Afinal, qual é o nosso propósito no mundo?

Asseguro-vos que não estou a ter uma breakdown, simplesmente senti necessidade de tentar colocar por escrito o turbilhão de ideias que me têm vindo a consumir. Se pensarmos bem no assunto, o maior propósito que nos foi incutido, independentemente de gostarmos ou não do que fazemos e da nossa vocação, é trabalhar. Consegue superar pilares considerados fundamentais como família ou encontrar "o amor". Por muito que tentem defender o contrário, contra factos não há argumentos. Assim que nascemos começa um longo processo educacional cujo propósito é dar-nos as ferramentas necessárias para singrar num possível emprego de topo. Sim, claro que nos ensinam a viver integrados em sociedade e outras skills importantes, mas o principal objectivo mantém-se intacto.

Numa primeira instância, somos conduzidos pelos progenitores, depois por professores e mais tarde por patrões, a querer/fazer sempre mais e melhor. Atenção, compreendo perfeitamente e não sou ingrato pelas oportunidades que tive. Tornei-me na pessoa que sou, ambiciosa e perfeccionista, precisamente por esse molde social. Mas será isso o mais importante? Ao fim ao cabo não somos mais que um número. Uma fracção da máquina capitalista de fazer dinheiro para os outros, sem raramente o conseguirmos gozar. O que é que ganhamos com isso além de cobrir as despesas mensais e tentar juntar uns trocos se sobrar algum?

Cada vez mais entendo e aprecio as pessoas care-free que fogem à norma e conseguem viver longe das pressões que nos envolvem diariamente. Um dos meus maiores desejos é exactamente este, aprender a let go e não me deixar consumir por coisas que não valem a pena. O dinheiro controla o mundo mas não é por acaso que dizem que as melhores coisas na vida são de graça. At the end of the day o que é que somos? Como diz um colega meu, "nada". Há que saber aproveitar os bons momentos e tentar abstrair dos problemas. De que nos vale seguir a norma e fazer tudo "como é suposto", se depois basta uma doença inesperada para varrer a nossa existência? Divirtam-se. Passeiem. Namorem. Cometam loucuras. Comprem aquele par de sapatos sem pesos na consciência. Sejam felizes. Não passamos de seres humanos a tentar sobreviver a este labirinto a que chamamos vida.


De uma maneira geral, estamos mais focados em ganhar dinheiro do que a aproveitar a vida?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Pequeno update da minha vida

Quem me segue no instagram já percebeu duas coisas, não tenho publicado histórias e quando o faço é a resmungar com algo relacionado com trabalho. Assim se resume a minha vida, basicamente. 

Agora a sério, a minha vida profissional sofreu algumas mudanças. Sem entrar em grandes detalhes, até porque eventualmente falarei melhor sobre o tema em questão, digamos que o meu contracto não ia ser renovado e nem imaginam o porquê (depois conto). Entretanto uma colega precisou meter baixa devido a uma gravidez de risco e voilá, de repente eu já fazia falta. Resumindo e concluindo, agora além das minhas funções antigas, também sou "Director de Produção"  é bem mais trabalhoso do que as séries fazem crer. Melhor parte, continuo a ganhar o mesmo. E sim, o valor é uma anedota.

Escusado será dizer que tenho andado esgotado, tanto física como psicologicamente. Se as cabeçadas de sono nas viagens de comboio, ao final do dia, aconteciam com regularidade, agora é em qualquer lado. Até em pé, à espera de metro, dou por mim a fechar os olhos e a adormecer. Isto porque, obviamente, à noite levo uma eternidade a apagar os meus pensamentos. A única coisa que me ajuda a relaxar são os vídeos de ASMR.

Este é o principal motivo pelo qual tenho andado mais ausente das vossas páginas. Sorry! Chegar a casa às 20h, depois de andar a saltitar, literalmente, entre dois postos, é extremamente cansativo. Percebem agora o porquê de raramente sair e preferir ficar em casa? Não nego que gosto do(s) trabalho(s), mas a motivação é zero. Por muito que queira, ir ler publicações e comentá-las torna-se num processo penoso quando não deveria ser. A solução que encontrei é começar a fazê-lo na hora de almoço. Como agora fico sozinho, sempre é um tempinho que tenho para respirar.

Pensar que quando éramos mais novos queríamos ser adultos. Idiotas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

5 coisas que aprendi desde que comecei a trabalhar


1. É importante dizer que não

Cliché ou não, é a mais pura verdade. Muito se fala da importância de saber dizer "não", mas confesso que só agora lhe dei o devido valor. Passei a maior parte do meu percurso escolar/universitário a trabalhar para os outros e cometi o erro de manter esta atitude semi-passiva quando entrei no mundo laboral. Quando começamos, queremos deixar uma boa impressão e solidificar a ideia de que fizeram a escolha acertada quando nos colocaram ali. O problema é quando percebem que somos profissionais e se aproveitam disso. Não levou uma semana até ser forçado a colocar um travão nas tarefas que queriam impor e que nem sequer correspondiam ao meu cargo/remuneração. O que aconteceu? Nada. Não tive represálias e perceberam que não ia deixar que gozassem com a minha cara. Se foi fácil? Não, fico sempre a arder/tremer quando tenho conversas do género, mas é extremamente importante batermos o pé quando se justifica.

2. Adapto-me melhor do que pensava

Até uma social butterfly se ia sentir um pouco deslocada numa empresa onde os funcionários têm todos de 37 anos para cima, portanto o que dizer de mim. Escusado será dizer que os primeiros dias foram um pouco constrangedores. Sentia-me como um elefante numa loja de louça, observado e com medo de dar um passo em falso. Como costume, aquilo que era um bicho de sete cabeças desapareceu rapidamente. Todas as inseguranças tornaram-se meras memórias distantes. Claro que existem pessoas com as quais não consigo manter diálogo, mas deve-se a não termos absolutamente nada em comum (interesses e feitios), não por má vontade.

3. A mentalidade highschool mantém-se

É mais que sabido que existe sempre um ovo podre em qualquer equipa. O problema é quando começamos a ver um padrão extremamente familiar. Pensava que os meus dias a lidar com raparigas parvas tinha ficado para trás. Faz-me alguma espécie como é que adultos com idade para ter juízo se comportam como autênticas hienas histéricas. Andam pelas sombras a ouvir conversas, fingem-se de simpáticas à nossa frente e cortam na casaca pelas costas. Depois há o teatcher's pet que só falta dar uvas à boca do chefe. Lamento, mas não tenho o mínimo de paciência para isto. Tristeza.

4. Bom ambiente não é o suficiente

Ainda hoje "levo na cabeça" por causa deste assunto. Tanto a minha namorada (que trabalhou no mesmo local antes de mim) como uma colega, avisam-me para não me acomodar. Por muito bom que seja o ambiente entre a maioria dos trabalhadores, não posso deixar que isso me prenda àquele sítio. Num piscar de olhos acabo como alguns deles, parte da mobília, a receber uma miséria e com depressões em cima. Não quero isso para a minha vida. Tenho que aproveitar que sou jovem, e não tenho uma família para sustentar, para arriscar. De que me adianta ser tão ambicioso se a preguiça está ao mesmo nível?

5. Patrões decentes são um pokémon raro

Fazendo uma análise rápida ao leque de indivíduos com que já me relacionei, a esmagadora maioria não tem coisas agradáveis a dizer sobre os seus patrões. É evidente que existem excepções, mas pude comprovar que todas as histórias negativas que ouvi são de facto reais. A não ser que vivam debaixo de uma rocha ou ainda não o tenham experienciado, sabem que a situação laboral em Portugal é uma autêntica vergonha. Existe demasiada procura e pouca oferta. Resultado, as chefias aproveitam-se da necessidade das pessoas para lhes dar uma quantidade desumana de tarefas a troca de umas migalhas. A nossa sanidade não interessa, importante é o lucro deles e mais nada. A mentalidade "eu pago e tu fazes tudo o que eu mandar" existe e é chocante quando somos confrontados com ela. Digamos que tinha material para um tell-all book.


Já trabalham? Passaram por situações semelhantes?

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Já chega, não? ⤫ After-work phone calls


Comecei a trabalhar em regime de full-time no início do ano e já me deparei com situações que, até então, considerava inconcebíveis. Não é segredo para ninguém que vivemos numa sociedade laboral que se aproveita dos jovens. Candidatam-se para uma posição mas acabam por ser autênticos burros de carga, a fazer um pouco de tudo com a desculpa perfeita de "ganhar experiência". Quanto a vocês não sei, mas para mim chama-se exploração.

Em apenas seis meses, já perdi a conta à quantidade de vezes que o meu patrão me telefonou fora do horário de expediente. É incrível como algumas pessoas não têm qualquer noção do que é minimamente aceitável, considerando-se no direito de incomodar um funcionário às 20h ou 22h da noite. Nem os fins-de-semana escapam, claro.

Pensando que se tratava de algo grave, atendi a primeira vez. Pior decisão de sempre. Desde então, tenho sido alvo de uma maré de chamadas, sendo que 90% são completamente descabidas e nem se justificam. Abrir um documento do excel e olhar para uma tabela, simples e pormenorizada, é uma tarefa tão morosa que é mais fácil chatear o funcionário num domingo às nove da manhã. Isto porque, obviamente, sou obrigado a saber de cor todos os contactos e informações com que lido diariamente. Absurdo.

Uma coisa é uma situação excepcional ou um contratempo, fair enough. Como trabalho na área de tradução/legendagem de programas de televisão, conheço perfeitamente a pressão de uma deadline para exibição. Contudo, sou um ser humano, não uma máquina. Um computador pode ser desligado para descansar, a minha cabeça, infelizmente, não funciona assim. É ridículo ser forçado a colocar o meu telemóvel em modo de voo para não ser incomodado. Pareço um refém.

A meu ver, deveria ser criada uma lei em Portugal como aconteceu algures em França, para impedir situações do género. A disparidade entre a quantidade de tarefas vs. ordenado já é por si só uma anedota. O horário laboral, por norma, de oito horas, é desgastante o suficiente, logo, se a entidade patronal pretende prolongá-lo através de e-mails, mensagens e chamadas telefónicas, deveria pagar por esse serviço.

Com este tipo de acções, pudera que tantas pessoas sofram de depressão e ansiedade. É impossível desligarem-se por completo e relaxarem. Sim, existem pessoas que conseguem a proeza de deixar os problemas à porta, quando picam o ponto ao final do dia. Eu não. Consciente das minhas responsabilidades e das consequências de uma tarefa mal executada, fico stressado e a remoer assuntos que na verdade só me incomodam a mim por ser profissional.

Enquanto os chefes, patrões ou simplesmente tiranos, não perceberem que se continuarem a desgastar psicologicamente os seus funcionários, o aproveitamento vai, inevitavelmente, sofrer, é impossível viver em harmonia.


Conseguem deixar os problemas de trabalho à porta?
Recebem telefonemas dos vossos chefes fora de horas?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Changing Times

Após dois anos estagnado, estou a trabalhar. Os tempos de acordar ao meio-dia e passar a tarde toda a ver séries e filmes, terminaram. Acordo às 7:15 da manhã e chego a casa quase às 20:00 da noite. Pelo meio sou como todos os outros portugueses, miserável.

Os primeiros dois dias foram terríveis. Alterar a rotina drasticamente e ser lançado aos lobos, sem qualquer tipo de apoio, não é propriamente fácil. Por entre lágrimas de frustração, estava dividido. Queria desistir mas depois era consumido por um sentimento de culpa enorme. "Tanto tempo a querer um emprego e agora que o arranjaste, vais desperdiçá-lo?". 

O tempo cura tudo, e agora custa menos. A minha timidez inicial começa a desvanecer e já vou falando com os meus colegas, todos eles mais velhos que eu pelo menos uma década. Embora não seja o meu trabalho de sonho, ao menos não é um call-center. Afinal de contas, há sempre alguém pior que nós. Posso-vos dizer que de três candidatos, fui o único que aceitou lá ficar. Agora tirem as vossas próprias conclusões.

Para ajudar à festa, a minha namorada foi estagiar para a Disney, em Madrid, durante seis meses, podendo chegar a um ano (ou por vontade dela, mais). Embora não estivéssemos juntos todos os dias, foi um embate emocional brutal saber que, a partir de agora, não havia escolha. Fisicamente, estou sozinho. 

Questões de foro sentimental de parte, ainda não consegui habituar-me aos horários. Todos os dias penso no mesmo, "como é que alguém consegue ter uma vida chegando a esta hora a casa?" Admiro imenso quem tem a capacidade de ir sair com amigos ou jantar fora, mas comigo não dá. É jantar, ver as minhas duas novelas, uma série curta e cama. Ando esgotado. Apanhar três transportes diferentes todos os dias e passar o equivalente a duas horas de ida e outras duas de volta, é saturante. 

Só para terem uma noção, saiu às 18:15, tenho que ir a correr até ao metro que, por sua vez, passa às 18:20, para depois correr na estação e conseguir apanhar o comboio das 18:29. De segunda a sexta, é esta a minha vida. Treinar para uma maratona, depois de oito horas a lidar com mil e um problemas. Sim, ainda vivo com os meus pais, mas posso afirmá-lo com toda a certeza: ser adulto é uma merda!

Tudo isto para vos explicar o motivo pelo qual tenho estado um pouco mais ausente das vossas páginas e blogosfera em geral. Os fins-de-semana agora são sagrados e ocupados, a colocar os meus tv shows em dia, e escrever publicações para a semana seguinte. No mundo ideal tinha tempo para tudo, mas por muito que tente, durante a semana é praticamente impossível.

A todos vocês que continuam desse lado após quase um ano de Ghostly Walker, obrigado pela paciência e não se preocupem, não vou a lado nenhum.

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