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segunda-feira, 24 de abril de 2017

GIRLS, Uma série com tomates


Há uma semana que tento digerir o final de GIRLS mas sem sucesso. Seria de esperar que ao acompanhar tantas séries já me tivesse habituado às despedidas, mas não. Durante seis anos a Lena Dunham, por muito controversa que possa ser, foi mais do que uma porta-voz para os jovens da minha faixa etária. Despida de preconceitos, expôs cada curva do seu corpo com a mesma sinceridade com que quebrava o olhar estereotipado sobre o mundo feminino na televisão norte-americana. Hannah pode não ser a protagonista mais fácil de aturar, mas foi sem dúvida uma companheira.


Quando a Dunham quis criar, escrever, produzir e protagonizar a série da HBO que, segundo a própria, seria uma "espécie de Sexo e a Cidade mais próximo da realidade", fiquei com a pulga atrás da orelha. O desafio era simples, mostrar de igual forma as batalhas que todas as mulheres enfrentam no dia-a-dia, independentemente dos padrões de beleza popularizados pelos media. Se existiam dúvidas quanto ao produto final, foram esquecidas com a estreia que reuniu a opinião favorável da crítica e do público, elogiando o retrato arrojado e sincero das jovens mulheres, as suas imperfeições e vulnerabilidades.

A comparação óbvia com uma série tão icónica como o Sex & The City é inevitável, visto que também mostra quatro amigas a viver em Nova Iorque, mas as semelhanças ficam-se por aí. GIRLS dá voz a uma geração diferente, focando-se em relações pouco saudáveis, empregos e preocupações distintas daquelas vividas por Carrie Bradshaw e companhia. Tudo isto, através de um toque de dramedy em doses perfeitas, capazes de nos levar das lágrimas às gargalhadas. 


Tal como muitos de nós, a série mostra um rol de millennials privilegiados, recém-formados e criados pela tecnologia que, embora aparentem estar preparados para tudo, não fazem ideia do que implica entrar na vida adulta. Se não se identificaram com esta última parte, parabéns. Gostava de ser como vocês. Ao fim ao cabo, o objectivo de Hannah (Lena Dunham), Marnie (Alison Williams), Jessa (Jemima Kirke) e Shoshanna (Zosia Mamet), ao longo de seis temporadas, é precisamente tentar encontrar um rumo para as suas carreiras e relações enquanto se descobrem a si próprias.


Face à conjuntura social mundial que estamos a enfrentar neste momento, vão surgindo cada vez mais séries com cabeça, tronco e membros. Por muito que o mundo da fantasia seja um escape ideal para os problemas da vida real, são séries como esta que nos fazem pensar, e de que maneira. Nos últimos anos, nenhuma foi capaz de abrir caminho à discussão fervorosa, incómoda e controversa, quer seja pelo tratamento de questões como a imagem, a auto-estima, o body shaming, o feminismo e a sexualidade. Por falar em sexo, este foi retratado de uma forma muito... interessante. Longe de ser politicamente correcto ou visualmente apelativo, na maioria das vezes mostrou ser embaraçoso, desconfortável e até difícil de ver. De facto, esta é uma das minhas componentes favoritas da série. O contraste dos corpos magros e musculados que Hollywood nos impinge com as barrigas com pneus, pernas com celulite e os efeitos hormonais da menstruação, elevam esta produção a um nível de realismo ímpar. 


CUIDADO, POSSÍVEIS SPOILERS ABAIXO
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A atribulada viagem de auto-descoberta do quarteto de protagonistas culmina num dos melhores episódios da série, Goodbye Tour, o penúltimo. Naquele que foi apontado pela maioria do público como o verdadeiro final da season, vemos imagens da Hannah a deixar Nova Iorque e a tomar as rédeas da sua vida enquanto futura mãe solteira que se prepara para ser professora universitária, intercaladas com a festa de noivado-relâmpago de Shoshanna. Acompanhada da assombrosa canção "Crowded Places", da BANKS, escrita de propósito para o episódio em questão, e que me deixou lavado em lágrimas pela letra e cena em geral, Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna dançam os problemas e diferenças fora antes de tudo mudar para sempre.


Latching, o capítulo final ever de GIRLS, surpreendeu por avançar cinco meses na acção e se focar na vida de Hannah enquanto recém-mamã, apoiada de Marnie, que acabou por preencher o papel de pai. Só de pensar que estas duas personagens terminaram como começaram, juntas, dá-me um aperto no peito. O facto de incluírem a Loreen, mãe de Hannah, deixou-me muito feliz, nem que seja por proporcionar um dos melhores diálogos da série. Por fim, alguém dá o reality-check que a jovem precisava sobre a sua constante self-pitty party (eu pensava que era mau mas ela... damn). "You know who else is in emotional pain?", pergunta Loreen. "Fucking everyone.". Nem vos consigo descrever o arrepio que senti durante esta cena. 


Muitos criticaram o facto de se tratar de um episódio "externo", em "aberto" e sem vínculos com o restante elenco, mas isso só demonstra que não compreenderam a verdadeira essência dos acontecimentos. Tal como a série em si, o último episódio foi chocante, solitário, cru e esperançoso. A meu ver, foi dos finais mais poderosos a que alguma vez assisti de uma produção televisiva. Por muitos defeitos que aquelas quatro raparigas tenham, seja a falta de independência de Hannah, os problemas de OCD da Shoshanna, a falta de amor próprio mascarado de desapego emocional de Jessa ou a falta de noção de Marnie, sinto que perdi quatro melhores amigas. Sim, conseguiam ser demasiado irritantes, mas só demonstra o quão real era o retrato de cada uma delas. Digam o que disserem, GIRLS tornou-se numa série de culto sobre a incerteza da entrada na idade adulta e estarão para sempre comigo.


Conhecem/viam GIRLS? Qual é a vossa personagem ou momento favoritos? Gostaram do final?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Séries ⤫ Welcome to the Family #5


Cada vez mais estas publicações começam a ganhar um sabor agridoce. Se por um lado dá-me um gozo enorme partilhar convosco as novas adições à minha família televisiva, por outro apercebo-me de duas coisas: as séries não são eternas e eventualmente "morrem", e a quantidade de programas que vejo começa a atingir valores preocupantes. Fazendo as contas assim por alto, são 77 (83 se contar com os seis reality shows que também acompanho).

Aquando do último "Welcome to the Family", já tinham sido anunciados os finais de oito das séries que vejo e entretanto três já ficaram pelo caminho (uma das minhas favoritas, "Please Like Me", a fantástica "Penny Dreadful" e a absurda "Dead of Summer" bye Felicia!), outras sete já estão/vão começar a temporada final ("Orphan Black", "GIRLS", "Bates Motel", "The Strain", "Pretty Little Liars", "Teen Wolf" e "The Vampire Diaries". Após anos a acompanhar o crescimento de tantas personagens, não imaginam o quão mal fico com o final de cada projecto. É como se espetassem uma faca no coração.

Felizmente o mercado está em constante movimento e encontrei 10 novos rebentos. Apesar de já ter falado de dois deles, "The Crown" e "The OA", no "TOP 10 BEST TV SERIES OF 2016", não é de mais ressalvar a sua qualidade. Relembro que todas as classificações atribuídas a produções com apenas alguns episódios emitidos estão sujeitas a alterações até ao final oficial da temporada. Ou seja, Riverdale, por exemplo, tem 7/10 mas poderá subir ou descer consoante o "apanhado geral".

Como entretanto já tenho outra para acrescentar à colecção, e que ficará para o próximo volume, o melhor é passarmos à apresentação, aleatória, dos novos membros da família.

#1. The Crown
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

"The Crown", uma das mais recentes produções da Netflix, foi vendida como a série mais cara desenvolvida pelo serviço de streaming. Basta assistir a um episódio para perceber o porquê dos custos tão elevados. A beleza e grandiosidade dos cenários, o rigor do guarda-roupa e caracterização impecável, são os veículos principais para nos transportar até à época de tensões políticas e sociais de um Império que além de sobreviver a uma guerra, ainda tem que lidar com a ascensão de uma jovem mulher ao trono, Elizabeth.

O burburinho em volta desta série foi grande e felizmente não desapontou. Tratando-se de um retrato fiel sobre "pessoas reais", não existe propriamente um enredo com as reviravoltas habituais de uma produção televisiva. Dito isto, a concepção delicada e quase poética, do interlúdio da vida da monarca, mostrando como ela teve pouco tempo para assimilar a morte do pai e a ascensão ao trono, é no mínimo fascinante. Simultaneamente, a jovem Rainha tem que lidar com o Primeiro Ministro Winston Churchill, com o marido que se sente inferior e a inveja da irmã mais nova. O espectador é convidado a assistir ao desenvolvimento de Elizabeth, desde a inicial falta de traquejo e conhecimento que fazem dela um alvo fácil a ser manipulado, culminando no momento em que começa a ficar mais segura de si, na figura forte que conhecemos hoje em dia. É de realçar, ainda, a verdadeira alma da série, o elenco. 

#2. Taboo
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Considerada uma das produções televisivas mais aguardadas dos últimos anos, Taboo é um verdadeiro festim de época. Passada em 1814, a história acompanha James Delaney, um homem que volta a casa para recuperar a herança e império comercial do pai, depois de ter sido dado como morto em África. Em Londres, é perseguido por rivais e inimigos, começando um jogo selvagem de sobrevivência.

Embora considere que nem sempre aceita trabalhos felizes, desta vez o Tom Hardy redimiu-se e de que maneira. Além de ser o protagonista, também é o autor do argumento, em conjunto com o pai, Chips Hardy. A sua interpretação do atormentado Delaney é absolutamente avassaladora. O actor entregou-se de corpo e alma aquela que é muito provavelmente a personagem mais atormentada da sua carreira. Por entre conspirações, amor, traição e até encesto, a forma como ele consegue captar a atenção total do espectador é fascinante. Os cenários e guarda-roupa são tão credíveis que nos sentimos transportados para o século XIX. O mistério servido em doses moderadas, intercalando-o com uma aura um tanto ao quanto sobrenatural (bruxaria), são ingredientes perfeitos para nos fazer querer acompanhar a trama do início ao fim. Como recebemos a série no estúdio onde trabalho, tenho acesso aos episódios mais cedo que os restantes mortais, o que é óptimo, ah!

#3. The OA
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Sem qualquer aviso prévio e envolvido numa aura de mistério, "The OA" estreou a 16 de Dezembro e rapidamente se tornou numa das minhas obsessões do ano. Prarie Johnson, uma jovem cega, desaparece durante sete anos e quando volta, suja, cheia de marcas no corpo e a ver, muitos a consideram um milagre. No desenrolar dos episódios, a protagonista vai contando o que lhe aconteceu e cada revelação é mais chocante e estranha que a anterior. 

"The OA" não se limita a explorar o desconhecido. Ao fim ao cabo, trata-se de uma história de amor, amizade, lealdade, personificada pela união de um grupo de jovens deslocados e de uma professora solitária, que se tornam felizes e corajosos com a companhia uns dos outros. O poder da família, não a verdadeira, a que se escolhe, é tão poderoso que até pode abrir portas para outras dimensões. Just saying. Brit Marling, a actriz principal, criadora e argumentista da série é tão ou mais intrigante que o produto em si. Intensa, complicada e com alguns clichés que, sinceramente nem me incomodam, a cena final da temporada deixou-me em lágrimas. Sem querer revelar spoilers, não só o assunto em questão é bastante actual como funciona de catalisador para a união dos grupo de misfits. Mesmo com o meu emprego e falta de tempo, fiquei de tal modo investido na série que a devorei num ápice. Sem querer puxar  a brasa à minha sardinha, arrisco-me a dizer que fui o ou um dos primeiros a divulgar esta série na blogosfera. Volto a reforçar o seu visionamento!


#4. Mary Kills People
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

As chances de nunca terem ouvido falar desta série são estratosféricas, mas é para isso que aqui estou. À primeira vista, Mary Kills People pode parecer mais uma série a la Grey's Anatomy mas não é bem assim. Mary Harris é uma mãe solteira e médica que trabalha nas urgências de um hospital. Simultaneamente, actua como uma espécie de "anjo da morte", ao ajudar pacientes em fase terminal que desejam colocar um fim à sua vida. Tudo se complica quando a polícia começa a suspeitar que as mortes foram criminosas.

O dilema moral presente na base da premissa foi o que mais me atraiu nesta história. A eutanásia sempre foi um tema muito controverso e continua mais presente do que nunca. Pessoalmente, não compreendo o porquê de ser motivo para tanta discórdia, mas enfim. Ilegal na maioria dos países do mundo, incluindo no Canadá, onde decorre a acção de MKP, a médica "justiceira" vai ter que enfrentar imensos obstáculos para conseguir satisfazer o último desejo de uma série de pessoas. A interpretação da protagonista, Caroline Dhavernas, é fantástica e altamente cativante. 

#5. Insecure
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Como o título refere, Insecure, foca-se nas inseguranças de Issa e Molly, duas amigas que estão perto dos 30 anos e ainda não resolveram a sua vida amorosa. A primeira está presa a um relacionamento que já perdeu o interesse e, claramente sem futuro, enquanto a segunda é bem sucedida na vida profissional, mas não consegue estabelecer relações pessoais.

Confesso que só conheci a série devido à nomeação da Issa Rae na categoria de "Melhor Actriz de Comédia" nos Globos de Ouro, mas ainda bem! Agora que vou ficar sem GIRLS, esta vai ser a substituta perfeita. A narrativa é extremamente interessante, indo além do "amor", ao explorar os preconceitos vividos por qualquer mulher, e em especial as de cor. No episódio-piloto somos introduzidos precisamente a uma Issa que, apesar de ser decidida, acaba por ficar insegura devido às pessoas com quem convive, que se interessam mais em perpetuar estereótipos sobre a sua maneira de vestir e comportar, do que propriamente na personalidade e profissionalismo. A dada altura ficamos de tal modo envolvidos na acção que, não só nos identificamos com algumas situações, independentemente do sexo, cor ou idade dos intervenientes. Sem dúvida uma das séries mais cativantes dos últimos tempos.


#6. Atlanta
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Criada e protagonizada por Donald Glover, aka Childish Gambino, Atlanta conta a história de Earn, um jovem que abandonou os estudos e se oferece para gerir a carreira do primo, Alfred, que se tornou semi-conhecido depois do vídeo da música "Paperboy" se tornar viral. O que se segue é um constante duelo opinativo sobre arte e fama, mas que culmina num objectivo comum: entrar para o mercado rap.

Aquando da cerimónia, ainda não tinha visto um único episódio portanto reservei juízos de valor. Terminada a temporada completa, ainda em Janeiro, já posso expressar o meu desagrado com a vitória dos Globos de "Melhor Série Comédia" e "Melhor Actor Comédia". Atenção, não estou de forma alguma a dizer que Atlanta é uma má série, porque não é. Mas ganhar nas categorias cómicas é puxar demasiado a brasa à sardinha. Em 10 capítulos, apenas um me fez gargalhar do início ao fim, tudo o resto assenta no sarcasmo e sátira. Comparando com outros dos nomeados, verdadeiramente engraçados, não concordo. Talvez seja uma questão de gosto pessoal, I guess. Prémios de lado, esta dramedy tenta explorar os dois lados mas, a meu ver, não conseguiu encontrar o equilíbrio perfeito. Anda lá perto, mas not quite. No entanto, os alguns momentos humorísticos são certeiros e nada forçados, o que na maioria das vezes resulta bem com a componente dramática que é francamente superior, e lembra situações reais do quotidiano de um jovem afro-americano em busca de trabalho, confrontado com situações de racismo, homofobia e brutalidade policial. 

#7. Riverdale
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Definido pelos criadores como um cruzamento entre Archie e Twin Peaks  e acrescento umas pinceladas de Gossip Girl e Pretty Little Liars , Riverdade é a mais recente aposta da CW. Inspirada na banda desenhada "Archie", as personagens vão saltar dos quadradinhos para a actualidade, num clima mais pesado que o original. Sem qualquer previsão, a pequena cidade de Riverdale é abalada com a morte de Jason, um jovem local. O mistério à volta do acontecimento é tanto que vai chamar a atenção de Jughead, um rapaz anti-social que decide investigar e escrever um livro sobre o assunto.

É impossível resumir o plot sem dizer algo que não deva, portanto ficamo-nos por territórios neutros que é melhor. Sendo uma produção do canal que é, os clichés são mais que muitos. Temos a menina rica, a insegura, o bonzão, o nerd, etc. Mas nem tudo está perdido! No meio do mel jovial, aprenderam alguma coisa, e preferiram uma abordagem mais adulta, focando-se em assuntos pertinentes como "slut-shaming" e distúrbios psicológicos. Até ao momento, estou a gostar bastante da série. Não sendo uma maravilha, cumpre bem o seu propósito. Além do mais, se gostam de thrillers e mistérios que vos deixam a pensar sedentos por saber "quem foi o culpado???", então não vão ficar decepcionados. O elenco feminino é largamente superior ao masculino, especialmente por contarem com o Cole Sprouse  lamento imenso, mas bitch please.


#8. Santa Clarita Diet
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Provando que até o conceito básico de sitcom precisa de um revamp ocasional, Santa Clarita Diet, a nova série da Netflix, acompanha a típica família suburbana dos EUA. Só há uma diferença, uma das protagonistas, Sheila, é uma zombie. Não, não é como as belezas raras do Walking Dead. Esta é muito mais simpática e airosa, apesar de também gostar de carne humana. Sem revelar demasiado, digamos que tudo acontece depois de um incidente bizarro que envolve quantidades enormes de vómito. Apesar de não ser propriamente positivo ser um morto-vivo, a mãe de família ganha uma nova energia, torna-se mais confiante e a relação com o marido, Joel, também melhora. O único problema é que para satisfazer a sua nova dieta, o casal vai passar por situações caricatas enquanto tenta arranjar "pessoas más" como alvos gastronómicos.

Quando soube que a minha adorada Drew Barrymore ia entrar numa série familiar de temática zombie, questionei seriamente o estado das suas faculdades mentais. Não é que num único dia despachei os 10 episódios e ainda me consegui rir? Chocante. Sim, à partida a narrativa é estapafúrdia mas, para meu espanto, eles conseguem criar uma aura misteriosa em volta do porquê daquilo ter acontecido. Com momentos de puro sarcasmo, humor-negro e rios de sangue, Santa Clarita Diet é uma óptima opção para ocuparem os vossos tempos livres. Destaco ainda a interpretação perfeita do Timothy Olyphant enquanto marido desesperado em saciar os instintos animais da mulher.

#9. A Series of Unfortunate Events
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

A Series of Unfortunate Events é uma adaptação fiel da colecção literária do mesmo nome, e marca o regresso de Neil Patrick Harris  o eterno Barney Stinson de How I Met Your Mother  ao pequeno ecrã. A trama acompanha três irmãos órfãos (Violet, Klaus e Sunny Daudelaire) que ficam sob a custódia de um parente distante, o vilão Conde Olaf. O trio vai ter que lidar com diversas atribulações e infortúnios enquanto tentam solucionar o mistério que envolve a morte dos pais.

Em 2004 existiu uma versão cinematográfica da mesma história, com o Jim Carrey. Devido ao ritmo extremamente apressado para conseguirem espremer três livros num único filme, o resultado ficou muito aquém das expectativas. Ainda que a Netflix não tenha utilizado o mesmo sistema, a verdade é que levei uma eternidade para terminar a série. Dito isto, é impossível negar o quão fantástica é a realidade ligeiramente alternativa em que a acção é ambientada. Carros, electrodomésticos e até mesmo casas parecem simultaneamente novos e velhos, impossibilitando percebermos em que época vivem. Os cenários são tão exagerados como nos desenhos animados e as personagens retratadas de maneira caricata, mas com alguma profundidade com o avançar dos episódios. Até os efeitos especiais, propositadamente evidentes, ajudam a criar uma estética que lembra um pouco trabalhos de Wes Anderson ou a melancolia da Family Adams


#10. Star
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI

Numa tentativa descarada de recriar o sucesso de Empire, Lee Daniels concebeu Star. A premissa centra-se na personagem-título, uma jovem branca que foi separada da sua irmã após a morte da mãe de ambas. Após passar por inúmeras famílias de acolhimento, a jovem decide encontrar a irmã mais nova, Simone, e juntar-se a Alexandra, uma rapariga que conheceu no instagram e que partilha o seu sonho de ser cantora. Finalmente juntas, o trio muda-se para Atlanta onde vão lutar por se afirmarem enquanto grupo musical num meio que lhes pode custar até a vida.

Numa análise superficial, são muitas as semelhanças entre Empire e Star. Tal como a antecessora, esta série nova ocorre no mundo do hip-hop, com direito a canções originais extremamente viciantes e números musicais espectaculares. Até a formação do elenco seguiu o mesmo molde ao juntar actores conhecidos do público como a Queen Latifah — está soberba — e outros praticamente incógnitos. Embora ambas sejam dramas exagerados, a diferença é que Star ainda não encontrou a sua zona de conforto. Confesso que existem certos momentos tão constrangedores que não consigo deixar de sentir vergonha alheia  a começar pela intro ridiculamente desnecessária. O principal ponto positivo são as mensagem socialmente relevantes. Esta série aborda histórias muito mais pesadas e maduras (racismo, confrontos policiais, tráfico humano, transsexualidade, violação) tanto sobre o showbiz como da comunidade afro-americana. Se conseguirem dar um rumo coerente e tanto a direcção como a edição sofrerem drásticas alterações, têm tudo para conseguir um produto de qualidade.


Acompanham alguma das 10 séries? Ficaram curiosos com alguma?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Até já, “Please Like Me”


Hoje era suposto publicar uma review sobre o último álbum dos XX mas não tenho condições para o fazer. Não costumo ficar sem palavras mas aconteceu. Estou há algum tempo a tentar formar frases mas sem sucesso. Sinto-me emocionalmente drenado. Na segunda-feira assisti à quarta temporada completa de uma série que adoro e as lágrimas ainda não pararam. Sim, leram bem. Estou assim por causa de uma produção televisiva.

Riam-se, mas quando me apego a uma narrativa e às suas personagens, a sério, acolho-os no meu coração como se fossem de carne e osso e pertencessem à minha família. São raras as histórias que conseguem despoletar em nós um sentimento tão forte que, quando algo corre mal, a dor não é fictícia, é real. Tão real que nos deixa assim, desfeitos. Please Like Me é uma delas.

Sem que praticamente ninguém se apercebesse, esta série australiana tornou-se numa das melhores, mais honestas e surpreendentes produções televisivas da última década. No episódio piloto conhecemos Josh, um jovem de vinte e tal anos, inseguro, sarcástico e, até certo ponto, narcisista — felizmente bem diferente da Hannah de GIRLS — que é arrastado para fora do armário pela melhor amiga e, na altura, namorada, Claire. Simultaneamente, tem que lidar com a primeira tentativa de suicídio da sua mãe bipolar. Ainda assim, Josh vive um dia de cada vez, tentando que hoje seja menos shitty que ontem, tanto para ele como para os que o rodeiam.

Como resultado, a série — criada, produzida e protagonizada pelo comediante Josh Thomas — é um retrato bastante fiel da vida de um rapaz e o seu grupo de amigos, que se encontram naquela fase em que a linha entre adolescente dependente dos pais e adulto emancipado é bastante ténue. Pelo meio, tentam sobreviver. Cada dia, ou episódio, é uma batalha para manter o espírito positivo, ser feliz e encontrar um rumo.


Ao longo de quatro anos, Please Like Me, abordou uma variedade de tópicos que outras produções mais populares têm medo de tocar, e conseguiu fazê-lo com sensibilidade, franqueza, e claro, a componente cómica sempre presente. A série cobriu a homofobia e o racismo, depressão e assédio sexual no local de trabalho, doenças sexualmente transmissíveis e até cancro da mama. Sem querer revelar spoilers, houve um aborto que, de uma maneira absolutamente refrescante, não foi tratado com medo de ferir susceptibilidades, mas de forma autêntica, consciente e sem arrependimentos. Na segunda temporada, grande parte das cenas e três personagens principais — Hannah (Hannah Gadsby), Arnold (Keegan Joyce) e Rose, a mãe do Josh (a soberba Debra Lawrence) — foram passados numa instituição de saúde mental.

A quarta season é uma cruel chamada de atenção. De longe a mais sombria e difícil de digerir, mas também a melhor de todas. O Josh tenta fazer todas as pessoas felizes, incluindo ele, mas não consegue. Nada funciona e tudo acaba por se desmoronar. Se as três primeiras serviram de desenvolvimento para a depressão da mãe e as inseguranças dele nas suas relações (tanto de amizade como amorosas), então esta temporada é uma inevitável descida à terra. Terminadas relações, namorados desaparecem e amigos de uma vida acabam por se afastar. É brutalmente realista.

Com a continuação incerta, o último episódio desta temporada mais parecia o fim da série. Não vos posso explicar com todas as letras o que me afectou tanto nos últimos capítulos, sem revelar algo essencial. Mas, para bom entendedor, meia palavra basta. O desfecho não chocou por ter sido contado desde o início, mas a negação é uma ferramenta muito forte. Talvez me reveja em alguns aspectos da personagem principal e a sua relação com os outros, em especial com a mãe, mas mexeu mesmo comigo. Sim, dois dias depois, as lágrimas continuam a chegar. Senti uma necessidade enorme de partilhar convosco aquela que se tornou numa das minhas séries favoritas de sempre — tanto que vou acrescentar uma posição especial no top de 2016 visto que tinham dito que estreava este ano e na volta enganaram-me.

O elenco é fantástico e extremamente competente. A cumplicidade´entre eles é tanta que acreditamos piamente que se conhecem há séculos. Os timmings são perfeitos e a edição e produção musical simplesmente geniais. O enredo tanto nos aquece o coração como o desfaz numa questão de segundos. Espero, sinceramente, que não seja o fim. Não estou preparado para dizer adeus. Se for, despediu-se como se apresentou, e manteve-se fiel à sua essência crua e sincera.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

American Music Awards 2O16


Numa gala onde, por milagre, nenhum cantor utilizou playback e não faltaram farpas ao Trump, a 43ª edição dos American Music Awards ocorreu ontem, dia 20, em Los Angeles. Conduzida pela modelo Gigi Hadid e o comediante Jay Pharoah  apesar das minhas dúvidas iniciais, surpreenderam-me pela positiva - a gala foi dominada por Drake e Justin Bieber.

O rapper norte-americano fez história ao conquisitar o maior número de nomeações de sempre, 13, e venceu os prémios de "Melhor Canção Soul/R&B" (Work) e "Melhor Artista", "Melhor Música" e "Melhor Álbum" (Views) na categoria de Rap/Hip Hop. Igualmente com quatro vitórias, o Justin Bieber foi votado pelos fãs como "Melhor Artista Masculino", "Melhor Álbum" e "Melhor Canção" (Love Yourself) Pop/Rock e ainda "Vídeo do Ano" com Sorry.


Bruno Mars | John Legend

Rihanna foi a mulher mais premiada da noite, vencendo três AMA's, "Melhor Artista Feminina", "Melhor Canção" (Work) e "Melhor Álbum" (Anti) no território Soul/R&B.

Ariana Grande foi eleita a "Artista do Ano" e actuou o single actual Side to Side com ajuda da Nicki Minaj. Contrariamente a prestações anteriores, esta deixou um pouco a desejar.

Ariana Grande | Fifth Harmony

A cantora Selena Gomez surpreendeu os fãs ao fazer a sua primeira aparição pública desde que cancelou a tour mundial, em Agosto, e ter ido para a rehab devido a crises de pânico e depressão. Contra qualquer expectativa, venceu o título de "Melhor Artista Feminina - Pop/Rock". Ainda que não concorde, de todo, com a vitória, o discurso emocionante que deu sobre a sua condição psicológica foram simplesmente comoventes.

A performance da noite ficou a cargo da Lady Gaga que, promovendo o actual single Million Reasons, do disco Joanne, provou que não precisa de grandes aparatos para dar espectáculo. Com o cenário mais bonito da noite, a sua voz transportou-nos para uma noite de verão em baixo de um céu estrelado.


Lady Gaga | Twenty One Pilots

Num registo completamente diferente, os Twenty One Pilots apresentaram uma mashup electrizante dos singles Stressed Out e Heathens. Não é por acaso que foram considerados o "Melhor Grupo/Duo - Pop/Rock" e "Melhor Artista - Rock Alternativo".

Com uma vitória cada ficaram a Beyoncé ("Melhor Tour"), Adele ("Melhor Artista - Adulto Contemporâneo"), Zayn ("Melhor Artista Novo"), Fifth Harmony ("Melhor Colaboração" - Work From Home com Ty Dolla Sign) e a dupla The Chainsmokers ("Melhor Artista Electrónico") que liderou durante 12 semanas o top da Billboard Hot 100 com a extremamente overrated Closer, com Halsey.

Para a lista completa de vencedores cliquem (AQUI).


Gostaram dos vencedores? Qual foi a vossa performance favorita?

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Watchlists ⤫ Séries que acompanho

Depois de vos revelar as últimas aquisições na rubrica "WELCOME TO THE FAMILY #4", chegou a altura de adicionar as novas séries à página Watchlists. Sinto que se tornou quase obrigatório fazer este update sempre que acolho novos membros à minha família televisiva. 

É um pouco assustador verificar que a primeira vez que escrevi uma publicação do género, no ano passado, só constavam 33 nomes e agora... 69 (isto porque não incluo reality shows como Project Runway, The X Factor UK, etc). Pensar que tive medo de não conseguir conciliar o emprego com a visualização dos tv shows e na volta eles continuam a surgir. Está bem.

A lista está actualizada com todas as séries que comecei a ver sendo que, até ao final do ano, é possível receber novas aquisições. Em relação a cancelamentos, vou esperar pelo final das temporadas para oficializar as sentenças de morte.

Como referi anteriormente, o único critério classificativo é aquele que utilizo no IMDb, ou seja, de 0 a 10. Por outras palavras, significa que não faço qualquer distinção entre séries com a mesma nota  se bem que na prática, temos sempre favoritas independentemente de termos noção do seu grau de qualidade. Por exemplo, Bates Motel está no mesmo patamar que o Walking Dead apesar de uma aparecer primeiro que a outra na fila.

À excepção de casos muito pontuais, as notas são dadas com base na primeira season. Digamos que se fosse alterar a cotação de um tv show conforme as temporadas ou progressão (ou não) narrativa, Wayward Pines e True Detective estavam à beira de um precipício. 

Além da componente televisiva, o separador Watchlists, na barra de navegação, também contém as listas de filmes visualizados desde 2014 até agora. Sempre que precisarem de sugestões cinematográficas além das ocasionais "Pocket Reviews" ou "Movie Lounges" (tenho andado um pouco desleixado mas prometo voltar), podem visitar o meu mini banco de dados, organizado de acordo com a minha opinião/ordem de visualização.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Séries ⤫ Welcome to the Family #4


A televisão voltou, oficialmente, aos seus dias de glória. A lista de actores norte-americanos que trocou os sets cinematográficos pelos televisivos aumenta a olhos vistos. Os motivos prendem-se, essencialmente, ao facto de existirem papéis mais ricos e variados, especialmente para mulheres a cima dos 40 anos, e narrativas inteligentes e criativas.

Longe estão os dias em que as pessoas preferiam ver um filme a uma série. Há distância de um comando ou de um clique no computador, a pessoa nem precisa levantar o rabo do sofá para desfrutar de um catálogo enorme e variado de séries. Não é por acaso que os tv shows com 1h de duração começam a tornar-se cada vez mais comuns.

Anunciados os finais de oito das séries que acompanho (por enquanto) - Penny Dreadful, Orphan Black, GIRLS, Bates Motel, The Strain, Pretty Little Liars, Teen Wolf e The Vampire Diaries -, felizmente o mercado não pára e tenho 10 substitutos. Se ainda não fizeram as contas... sim, vejo um total de 69 séries - isto sem contar com reality shows como "Project Runaway", "The X Factor (UK)" ou "The Biggest Loser (US)", se não já íamos a caminho dos 80.

Apesar de já ter terminado Stranger Things, no último capítulo desta rubrica (AQUI), surge agora com a respectiva crítica. Das restantes aquisições, só uma conta com mais do que uma season. Todas as classificações atribuídas a produções com apenas alguns episódios emitidos estão sujeitas a alterações até ao final oficial da temporada. Ou seja, Westworld, por exemplo, tem 8/10 mas poderá subir ou descer consoante o "apanhado geral".

Como entretanto já tenho outra para acrescentar à colecção, e que ficará para o próximo volume, o melhor é passarmos à apresentação, aleatória, dos novos membros da família.


#1. Stranger Things
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Numa noite aparentemente normal, depois de passar o dia a jogar com os amigos, Will Beyers desaparece a caminho de casa. Na manhã seguinte, os seus companheiros vão procurá-lo na floresta perto de casa deles e encontram Eleven, uma rapariga com habilidades no mínimo peculiares. Enquanto a família e polícia tentam encontrar respostas, todos os intervenientes acabam por mergulhar num extraordinário mistério que envolve experiências secretas do governo e forças sobrenaturais.

OPINIÃO: Não me queria precipitar mas o entusiasmo é mais forte. Stranger Things é a melhor série do ano. Situada no início dos anos 80, os mais nostálgicos vão entrar em coma visual. Como é hábito em produções originais da Netflix, tecnicamente, a série é perfeita. Além de uma boa ambientação e inúmeras referências à pop culture da década em questão (destaque evidente para E.T. e Alien), é impossível não ser transportado de volta ao passado, mesmo que nunca o tenham vivido, como é o meu caso. O espectador é levado numa aventura sci-fi com homenagens aos Stephens, King e Spielberg. Além da componente estética, a banda sonora também funciona bem, ainda que um pouco cliché, mas bem executada ao surgir discretamente em momentos apropriados. O núcleo de actores parece ter sido escolhido a dedo. Tanto os mais novos como os veteranos como a brilhante Winona Ryder, deram a uma narrativa já de si interessante, a densidade necessária às suas personagens tão complexas. Com apenas 8 episódios, não percam mais tempo e devorem a primeira temporada.


#2. Exorcist
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: À primeira vista, a família Rance é igual a tantas outras mas nem tudo é o que parece. A matriarca, Angela, começa a suspeitar que existe algo na casa. Com o passar do tempo, fica convencida que a uma das suas filhas está possuída por um demónio. Desesperada, implora por ajuda ao Padre da paróquia, Thomas.

OPINIÃO: 40 anos após o seu lançamento em 1973, The Exorcist, segue como um clássico do cinema norte-americano e um dos poucos filmes de terror premiados com pela academia (com 10 nomeações, incluindo "Melhor Filme" e "Melhor Director", venceu o Óscar nas categorias de "Argumento Adaptado" e "Som"). Investidos em capitalizar até à exaustão a história de sucesso de William Peter Blatty, a adaptação televisiva não traz propriamente nada de novo ao género, mas mantém-se fiel à atmosfera tensa e assustadora do original. Apesar da série recorrer a alguns jump scares aka sustos fáceis, é inegável o terror puro de algumas cenas. O território que Outcast tentou replicar mas fracassou, aqui foi uma aposta vencedora. As interpretações dos actores são um dos pontos positivos, especialmente da icónica Geena Davis e da jovem Hannah Kasulka.


#3. UnREAL
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: UnREAL retrata os bastidores do programa "Everlasting", onde um solteirão pretende encontrar a sua futura esposa. É aqui que conhecemos Rachel, uma das produtoras que, após sofrer um ataque psicótico volta ao trabalho. Subordinada de Quinn, a directora e braço direito de Chet, o criador do formato, o seu trabalho consiste em manipular os participantes para conseguir as melhores filmagens possíveis custe o que custar.

OPINIÃO: Nunca me vou perdoar por não ter acompanhado a primeira temporada de UnREAL quando começou. É tão, mas tão boa que garanto-vos que ocuparia um lugar no meu top 10 do ano passado. Falem mal dos reality shows mas a verdade é que muitas pessoas os vêem, nem que sejam aqueles que referi no início da publicação. É precisamente esse mundo venenoso e de ilusões que esta série retrata. Não só acabamos investidos nos produtores para que exponham as concorrentes ao máximo, como damos por nós a torcer para que algumas delas se mantenham na competição, exactamente como se estivéssemos a acompanhar uma temporada real de "Everlasting". Esta capacidade de transportar o espectador para dentro da acção, sem sequer se aperceber, é simplesmente genial. Dominado pelo elenco feminino, UnREAL tem várias personagens cativantes. A dinâmica amor-ódio entre a anti-heroína Rachel (Shiri Appleby) e terrivelmente fantástica Quinn (Constance Zimmer) é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da trama.


#4. Westworld
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Westworld conta a história de um parque temático futurista que simula o ambiente do Velho Oeste norte-americano. A diferença é que os habitantes são robôs com inteligência artificial. O desejo de humanizar cada vez mais as suas criações, leva a que uma actualização por parte do Dr. Robert Ford, origine um glitch no sistema de alguns modelos, tornando-os uma ameaça para os visitantes.

OPINIÃO: Baseada no filme homónimo de 1973, Westworld é descrita pela HBO como "uma odisseia obscura sobre a aurora da consciência artificial e evolução do pecado", explorando um mundo onde todos os desejos humanos, até os mais macabros, são tolerados. Apontada como a grande sucessora de Game of Thrones  basta verem o genérico e percebem logo as semelhanças , o episódio-piloto já entrou para a história como um dos mais caros de sempre, superando a terra dos dragões. Com o elenco mais rico da tv americana (Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Ed Harris, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, entre outros), esta espécie de Disneyland para adultos milionários deixa-nos com os ânimos à flor da pele. Com apenas três episódios no ar, o meu veredicto é bastante positivo. A narrativa é provocadora e bastante ambiciosa, não se resume a superficialidades. As interacções pessoais entre humanos e máquinas são tão profundas e complexas que só comprova a ideia de que o futurismo e classicismo podem coexistir de forma natural.


#5. Divorce
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Casada há 17 anos, Frances resolve colocar um ponto final na relação depois de ver uma das suas melhores amigas apontar uma arma ao marido que detesta. Decidida a ficar com o amante, Frances acaba por ser rejeitada, decidindo repensar a separação. O problema é que o marido descobre a traição e toma a decisão por ela.

OPINIÃO: Divorce segue as pisadas de produções como Transparent e Orange is the New Black, ao combinar comédia + drama enquanto acompanhamos os altos e baixos do processo de separação dos protagonistas. Dito isto, temo que o público a considere demasiado "real". Posso estar enganado, mas as pessoas procuram na televisão um escape às suas angústias, portanto é bom que comecem a introduzir momentos de puro riso. Como ainda não vi o segundo capítulo (emitido ontem nos EUA), a minha opinião baseia única e exclusivamente no episódio piloto, sendo por isso, bastante superficial. Confesso que não consigo olhar para a Sarah Jessica Parker sem pensar imediatamente na Carrie Bradshaw, e talvez por isso, ainda não a consigo levar a sério no papel de Frances mas acredito que isso vá mudar.


#6. Better Things
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Better Things retrata a rotina de uma actriz de Hollywood, Sam, enquanto lida com os obstáculos de criar três filhas como mãe solteira e manter-se relevante na profissão. 

OPINIÃO: Não é fácil transcrever ou representar a realidade de forma a que pareça, efectivamente, real. Contudo, quando é feito da maneira correcta, é um autêntico espectáculo merecedor da nossa atenção. Better Things é isso mesmo, uma comédia semi-autobiográfica produzida e assinada por Pamela Adlon e Louis C.K. Adlon afimou em entrevistas que a série é sobre a sua experiência pessoal na criação das suas filhas. Segundo a protagonista, a intenção é revelar o lado mais honesto do meio artístico. Sinceramente não me recordo o que me fez começar a ver este tv show mas ainda bem que o fiz! Os conflitos geracionais recordam-me tantas situações vividas por mim ou amigos que é impossível não nos rirmos da nossa própria estupidez. Os episódios de 20 minutos passam a correr e a abertura é simultaneamente viciante e comovente.


#7. Luke Cage
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Luke Cage foi preso por um crime que não cometeu. Na prisão, é sujeito a uma experiência sabotada que lhe dá super-força e resistência. Após escapar, os seus planos de viver uma vida comum são interrompidos devido à criminalidade e corrupção nas ruas de Harlem.

OPINIÃO: Se há coisa em que a Marvel acertou foi em colaborar com a Netflix. Daredevil e Jessica Jones conseguiram o selo de aprovação da crítica e do público, solidificando-se como duas das melhores séries de super-heróis da actualidade. Agora chegou a vez de Luke Cage. Apesar de não superar as outras duas, é igualmente aterradora. Contrariamente ao Mathew Murdock que foi movido pelo desejo de varrer o mal das ruas e à Jessica que se envolve numa missão pessoal, a única ambição de Luke é ser um homem normal. Não gosta daquilo em que foi transformado e do que já sofreu por isso. O bairro de Harlem é por si só uma espécie de personagem principal. Diferente do que estamos habituados, o clima das ruas parece pertencer a um universo alheio ao cliché do filtro escuro das outras produções do género. Faltando alguns episódios para terminar a temporada, posso dizer que Luke Cage é uma ode à cultura negra. Esta afirmação não se prende ao facto de praticamente a totalidade do elenco ser afro-americano, mas sim pelo uso de inúmeras referências, expressões dialéticas e até mesmo banda sonora (magnífica), que nos envolve. A história central envolve tráfico, corrupção e guerra de gangues com uma vertente policial bastante activa, cujo objectivo não é chocar mas criticar e reflectir.

#8. This Is Us
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: This Is Us segue um grupo de pessoas cujos caminhos se cruzam, fazendo com que as suas histórias se entrelacem de maneiras deveras curiosas. Vários deles partilham a mesma data de nascimento e muito mais do que possamos imaginar...

OPINIÃO: Peço desculpa pela sinopse deplorável mas é impossível descrever o enredo sem desvendar uma grande peça desta puzzle - se já viram sabem do que estou a falar. This Is Us foi provavelmente a produção televisiva mais badalada dos últimos meses. Tanto é que o trailer oficial superou 70 milhões de visualizações só numa semana. Aqui entre nós, não compreendo tanto alarido. Existe uma clara construção da história com o objectivo de comover o público através de situações tanto sérias como triviais. Nesse campo, superaram largamente o plano. Embora não seja uma obra-prima, é daquelas séries que nos faz soltar um "aww" de tão melosa que é. Um dos factores positivos é optarem por uma narrativa simples, sensível e sem exageros à la Grey's Anatomy (que adoro, diga-se de passagem). Aproveitando a polémica do racismo/sexismo em Hollywood, os produtores caíram nas graças do mundo por criarem um elenco bastante diversificado. Tirando dois ou três casos pontuais, não é comum ver uma actriz plus size protagonizar uma série. Aplaudo de pé o facto da "Kate" não ser uma personagem bastante complexa e nada unidimensional.


#9. Casual
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Uma família disfuncional volta a viver debaixo do mesmo tecto. Alex, solteiro, e a sua irmã recém-divorciada, Valerie, mergulham no mundo dos relacionamentos ao mesmo tempo que tentam criar Laura, a filha adolescente e de Valerie.

OPINIÃO: Casual é daquelas séries que precisa ser consumida de seguida. Assisti às duas temporadas, separadamente, de uma assentada e sem dúvida que a história vai melhorando ao longo dos episódios. O início não é fácil, não nos prende necessariamente à acção ou personagens, mas com o avançar da trama, vamos ficando vidrados naquele trio familiar extremamente complexo. Classificada como dramedy, é mais sarcástica que cómica, mas tem observações absolutamente certeiras sobre as expectativas geradas sobre o amor e as suas idealizações. A grande estrela do show é a Michaela Watkins que desempenha uma Valerie inteligente mas extremamente humana, onde acessos de loucura não faltam.


#10. The Good Place
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Ao chegar ao céu, Eleanor apercebe-se de algo terrível, está no local errado. Graças a um erro no sistema que a trocou com outra pessoa do mesmo nome, a jovem vai ter que fazer tudo por tudo para não ser descoberta e ir parar ao inferno. Para isso, vai contar com o apoio de Michael, a suposta alma-gémea, que a vai ajudar a tornar-se numa pessoa melhor.

OPINIÃO: Pela premissa perceberam que a história é tudo menos séria, mas ao menos prima pela criatividade. Ainda que o tema e algumas das personagens sejam um pouco... ridículas, a decisão de colocar a Kristen Bell como protagonista foi certeira. É impossível não gostarmos da sua Eleanor, mesmo sabendo que ela era uma terrível pessoa. The Good Place é um daqueles casos raros de humor inteligente com momentos mais emotivos que nos fazem derreter o coração. As actuações são dignas mas ainda não consegui levar a narrativa a sério. A boa notícia é que ainda tenho o resto da season para mudar de opinião.


Acompanham alguma das 10 séries? Ficaram curiosos com alguma?

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

EMMYS 2O16


A série Game of Thrones voltou a repetir a proeza do ano passado e foi a grande premiada na 68ª edição dos Emmys. A adaptação televisiva dos livros de George R.R. Martin estava nomeada para 23 e levou para casa as estatuetas de Melhor Direcção, Melhor Roteiro e Melhor Série Dramática, estabelecendo um novo recorde. Com 38 estatuetas, Game of Thrones conseguiu, finalmente, superar as 37 da comédia "Frazier" (1993-2004), e tornou-se oficialmente na série mais premiada de sempre.

Conduzida pelo apresentador Jimmy Kimmel, a gala não foi só dedicada ao mundo dos dragões. Com 22 nomeações na categoria de "Mini-Série", The People v. O.J. Simpson: American Crime Story, venceu cinco, incluindo Melhor Mini Série, Melhor Actor Secundário (Sterling K. Brown), Melhor Actor (Courtney B Vance) e Melhor Actriz (Sarah Paulson  que levou a verdadeira Marcia Clark, à gala). Foram precisas 6 nomeações para que o trabalho sublime da veterana de American Horror Story, ainda que noutro registo, fosse justamente reconhecido.

Sarah Paulson e Sterling K. Brown - The People v. O.J. Simpson: American Crime Story
Na categoria de comédia venceram os suspeitos do costume. Veep conquistou o troféu de Melhor Série e Julia Louis-Dreyfus também fez história ao vencer pela quinta vez seguida o prémio de Melhor Actriz. Jeffrey Tambor também recebeu pelo ano consecutivo o prémio de Melhor Actor, pelo seu papel em Transparent, onde interpreta um transsexual

Louie Anderson recebeu o troféu de Melhor Actor Secundário (Baskets) e a hilariante Kate McKinnon o de Melhor Actriz Secundária (Saturday Night Live), ambos de comédia. É de realçar que, em 42 temporadas, a comediante foi a primeira a receber uma distinção pelo seu contributo no programa ao vivo.

Tatiana Maslany (Orphan Black) e Rami Malek (Mr. Robot).
Justiça foi servida e a Tatiana Maslany recebeu o seu primeiro Emmy de Melhor Actriz de Drama. Após ser absurdamente excluída da lista de nomeadas pelas duas primeiras temporadas de Orphan Black, a actriz canadiana foi indicada no ano passado mas perdeu para Viola Davis (How To Get Away With Murder). Nem imaginam a felicidade que senti ao ouvir o seu nome a ser chamado ao palco. Como é que uma actriz que desempenha 6 personagens diferentes só teve o seu trabalho reconhecido agora? Enfim, mais vale tarde que nunca. 

Após ter sido roubado no ano anterior, Rami Malek recebeu o seu primeiro Emmy (Melhor Actor de Drama), pelo seu papel em Mr. Robot. Ainda no tópico de representação dramática, Maggie Smith venceu a sexta estatueta na categoria de Melhor Actriz Secundária por Downton Abbey e voltou a não colocar lá os pés , e Ben Mendelsohn levou o prémio de Melhor Actor Secundário (Bloodline).

Para a lista completa de nomeados e vencedores cliquem AQUI.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Watchlists ⤫ Séries que acompanho

página de séries que acompanho recebeu um update. Parece que esta se tornou numa mini-tradição aqui, no Ghostly Walker. Pensar que a primeira vez que escrevi uma publicação deste género, no ano passado, só constavam 33 nomes. Feitas as contas, não sei se deva ficar impressionado ou assustado com a quantidade de produções televisivas que vejo.


A lista está actualizada com as últimas séries que comecei a ver, sendo que até ao final do ano deverá receber novas aquisições. Quanto a cancelamentos, e por muito que me custe, acrescentei os que já foram confirmados até ao momento.

Como referi anteriormente, o único critério classificativo é o que utilizo no IMDb, ou seja, de 0 a 10. Quer isto dizer que não faço qualquer distinção entre séries que tenham a mesma nota - se bem que na prática, temos sempre favoritas. Por exemplo, para mim, a série How To Get Away With Murder está ao mesmo nível que Empire, apesar de uma aparecer no início e outra no fim da fila.

Excepto em casos muito pontuais  como Mom que subiu um degrau na hierarquia  as notas são dadas com base nas primeiras temporadas. Se alterasse a cotação de um tv show conforme as seasons ou a progressão da história, escusado será dizer que, Wayward Pines tinha descido a pique para a sarjeta. Entre esta segunda parte e a primeira de The Catch, venha o diabo e escolha.

Além da componente televisiva, o separador Watchlists, na barra de navegação, também contém as listas de filmes visualizados desde 2014 até agora. Se precisarem de sugestões cinematográficas além das "Pocket Reviews" e "Movie Lounge's" (prometo que o próximo está para breve), podem visitar esta espécie de banco de dados, organizado de acordo com a minha opinião.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Séries ⤫ Welcome to the Family #3


O universo televisivo está a atravessar uma fase implacável. Ainda não me consegui conformar com o final abrupto de Penny Dreadful ou com a notícia de que a próxima temporada de Orphan Black será a última. Para não falar de Limitless injustamente cancelada e Nashville que, graças aos fãs, voltou à vida um mês depois de receber luz vermelha. O meu coração não aguenta!

Por entre mortos e feridos, 8 séries que acompanhava foram canceladas, incluindo as prematuras Second Chance (que previ), Telenovela, The WhispersThe Family e Heartbeat, todas elas com apenas uma temporada. Feitas as contas, e mesmo com tantas que ficaram pelo caminho, a lista aumentou para 59 tv shows.

Apesar de já estar a acompanhar American Crime e Fargo, no último capítulo desta rubrica, surgem agora com a respectiva crítica. Das restantes aquisições, apenas uma conta com mais do que duas seasonsTodas as classificações atribuídas a produções com apenas alguns episódios no ar estarão sujeitas a mudança até ao final oficial da temporada, ou seja, Outcast, por exemplo, tem um 7/10 mas poderá subir ou descer consoante o "apanhado geral".

Como entretanto já vou ter outras para acrescentar à colecção, e que ficarão para o próximo volume, o melhor é passarmos à apresentação, aleatória, dos novos membros da família.


#1. American Crime Story: The People vs. O.J. Simpson
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE: Baseada no livro The Run of His Life: The People vs. O.J. Simpson, de Jeffrey Toobin, a série acompanha os bastidores e julgamento de Simpson após ser acusado de assassinar a ex-mulher, Nicole Brown, e o amigo Ronald Goodman , em 1994.

OPINIÃO: Seguindo o mesmo conceito que American Horror Story, esta produção com carimbo do Ryan Murphy é uma antologia, ou seja, a narrativa muda a cada temporada. Nesta primeira, a estrela foi, sem dúvida alguma, Sarah Paulson. No papel da advogada de acusação, Marcia Clark, a actriz foi simplesmente brilhante. A maneira como consegue alternar entre uma postura segura, com os cojones no sítio e uma vulnerabilidade pura, é algo que poucos artistas conseguiriam desempenhar. Após anos a ser descartada em entregas de prémios, é bom que o seu trabalho seja finalmente reconhecido. Aliás, o elenco inteiro está de parabéns. Foi uma surpresa ver o John Travolta, mas ainda bem que participou. É possível que seja a melhor interpretação que teve na última década. Apesar do desfecho ser de conhecimento público, é muito interessante descobrir o que realmente aconteceu atrás das cortinas. Desde a escolha do juri, à falsificação de provas e a cruzada absurda contra a Marcia. Com apenas 10 episódios, se ainda não viram, estão à espera de quê?


#2. Fargo
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE: A trama começa com a chegada de Lorne Malvo, um assassino contratado, a uma pequena cidade do Minnesota, EUA. Por acidente conhece Lester Nygaard, um vendedor de seguros ridicularizado pela própria mulher, irmão e antigos colegas de escola. Esse encontro gera acontecimentos inesperados que resultam num quádruplo assassinato que a polícia Molly Solverson vai tentar desvendar. 

OPINIÃO: Repleto de personagens cativantes, complexas e ricas em conteúdo, esta é considerada por muitos como uma das melhores séries televisivas dos últimos anos. Não podia estar mais de acordo. Pertencendo também ao clube antológico, a sinopse e review focam-se mais na primeira temporada para evitar spoilers. Inspirada no filme, com o mesmo nome, de 1996, Fargo é uma comédia-negra, e sangrenta, com um timming cómico impecável. A valorização dos silêncios, tanto no humor como em momentos de tensão, é altamente refrescante. Contrariamente à maioria, a aposta incide na inteligência do espectador, deixando induções de riso/susto de lado. Além das interpretações competentes, a parte técnica, em especial a fotografia, é de cortar a respiração. 


#3. Preacher
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE: O Padre Jesse Custer foi possuído por uma entidade espiritual fugitiva do céu, chamada Génesis, e que lhe concede o poder de fazer com que qualquer um lhe obedeça. Acompanhado da ex-namorada e de um vampiro, Custer vai atrás de Deus em busca das respostas que tanto procura.

OPINIÃO: Nunca morri de amores pelo Dominic Cooper, mas tenho que admitir que o papel do padre texano e bad boy lhe assenta que nem uma luva. Diálogos cínicos, repletos de acção e humor negro, e carregada de críticas à religião e sociedade ocidental. Ainda que nada seja necessariamente original, a série inova dentro do universo dos super-heróis. Os poderes raramente são utilizados e todos conhecem a identidade secreta do protagonista. 


#4. Outcast
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE:  A vida de Kyle Barnes não foi fácil. A mãe maltratava-o quando era criança e em adulto, foi acusado de atacar a própria mulher. Convencido de que tanto a progenitora como a esposa foram possuídas por demónios, ele começa uma jornada em busca de respostas para mistérios sobrenaturais. No processo, tenta salvar vítimas de possessão, enquanto lida com os residentes da sua cidade, que o consideram um perigo.

OPINIÃO: Quando anunciaram que o criador do Walking Dead estava a trabalhar num novo projecto dedicado a exorcismos, fiquei com a pulga atrás da orelha. Fascinado com o género, foi com alguma expectativa que me lancei de corpo e alma, see what I did there?. Intrigado com a trama, ainda não me consegui decidir quanto ao veredicto final. Por muito que a vertente de mistério seja apreciada, sinto a acção demasiado lenta para um desenrolar natural da história. Pode ser que entretanto ganhe vida, mas estava à espera de mais. Não significa que seja má, pelo contrário. As actuações são positivas e o filtro de gravação utilizado transmite a aura ideal. 


#5. You're The Worst
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE:  Duas pessoas tóxicas, auto-destrutivas, apaixonam-se e tentam entrar numa relação.

OPINIÃO: Sim, a sinopse é propositadamente pequena. A história é essencialmente uma comédia romântica mascarada de anti-rom com. De facto, os dois protagonistas são pessoas terríveis. Não diria que são os piores, mas são egoístas, imorais, mesquinhos, tóxicos, passam grande parte do tempo alcoolizados/drogados, e parecem ser incapazes de dar e receber amor. Apesar da longa lista de defeitos (ou não), todos nós podemos rever-nos em pelo menos uma destas particularidades. A magia deste show está no facto de, cientes das suas falhas, nos apaixonarmos e torcermos pelo casal. O cinismo e humor são tão secos como o deserto, mas resulta. As duas personagens principais são impecavelmente complexas e os actores fizeram um trabalho de representação excepcional. Pensar que levei dois anos pra ver You're The Worst, porque calculei que, pelo poster, se tratasse de uma produção com pouca qualidade à la MTV. Idiota. Tornou-se numa das minhas séries favoritas.


#6. Animal Kingdom
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE:  Depois de perder a mãe por uma overdose de heroína, Joshua ou "J", muda-se para casa da avó. O jovem vai ter que aprender a conviver com uma parte perturbada da sua família, chefiada por Janine "Smurf", que juntamente com os seus quatro filhos, comandam uma organização criminosa.

OPINIÃO: Ellen Barkin, a única razão pela comecei a ver Animal Kingdom. Ainda bem que o fiz. A adaptação da história original do cineasta australiano David Michôd. agora num ambiente surfista da Califórnia, foi uma das surpresas deste Verão. A família tem tantos segredos e problemas que por vezes parece que estamos a assistir a um reality show  criminal edition. Fora de brincadeiras, a narrativa é simples mas bem executada. Os cenários de praia, festas e loucura enchem os olhos do espectador, mas é na relação, por vezes estranha, entre os membros da alcateia que está a mina de ouro. A Barkin é soberba enquanto a matriarca "Smurf", a única personagem feminina com verdadeiro poder, no meio de tantos homens. Apesar da temática de crime/roubos, etc estar um pouco saturada, este reino animal surpreendeu-me pela positiva.


#7. Dead of Summer
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSE:  Nas férias de verão de 1989, um grupo de adolescentes candidata-se ao cargo de monitores no Camp Stillwater. Aparentemente calmo e inofensivo, o isolado campo de férias esconde um terrível segredo. Assombrados por fantasmas do passado e cultos satânicos, nem todos os jovens vão chegar ao fim com vida.

OPINIÃO: Se existiam dúvidas sobre a falta de imaginação em Hollywood, ficaram esclarecidas com esta nova produção da ex-ABC. Basicamente pegaram no hit de culto Wet Hot American Summer e no filme Final Girl, e criaram a altamente original, Dead of Summer. Ugh. Da mesma cadeia televisiva que nos oferece Pretty Little Liars, escusado será dizer que a componente de terror é inexistente. Não seria um problema, não fosse esse o tema central da série. Com apenas dois episódios no ar, talvez esteja a falar cedo de mais, mas o que vi não me impressionou. Excepto a Elizabeth Mitchell (Lost), o restante elenco parece, francamente, amador. Nem mesmo a Elizabeth Lail que desempenhou o papel (bem conseguido) de Anna do Frozen no Once Upon a Time, me convenceu. Esperemos que entretanto a narrativa tenha alguma reviravolta para manter o interesse dos espectadores.


#8. The Family
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSEA trama centra-se no retorno do filho mais novo de uma Presidente de Câmara que foi dado como morto depois de desaparecer há 12 anos. Enquanto o jovem misterioso é recebido de braços abertos pela família, surgem suspeitas sobre a sua identidade. Será mesmo quem diz ser?

OPINIÃO: Passou um ano desde que apresentei esta série, pela primeira vez, AQUI. Apontada como uma das principais apostas televisivas deste ano, foi com enorme desagrado que recebi as notícias do seu cancelamento após uma temporada. Com um elenco de luxo, incluindo a magnífica Joan Allen, nomeada a três Óscares (The Contender, The Crucible e Nixon), e Alison Pill (The Newsroom), pergunto-me o que correu mal? Cheia de mistério e reviravoltas interessantes, os episódios deixavam-nos incomodados com a possibilidade de envolvimento de qualquer personagem, no desaparecimento da criança. O único aspecto menos positivo que consigo apontar é o desenrolar da acção um pouco lento de mais. Embora um pouco previsível, o último episódio tinha deixado as portas abertas para uma continuação bombástica. Uma pena que não veja a luz do dia.


#9. Heartbeat
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSEHeartbeat acompanha a vida de uma cirurgiã cardíaca determinada, descarada, conhecida pelas suas habilidades fora de série, assim como no trato sexual com os seus colegas de profissão.

OPINIÃO: Tal como em Animal Kingdom, dei uma chance a esta série devido à protagonista que adoro, a australiana Melissa George. Depois de desempenhar uma médica na 5ª temporada de Grey's Anatomy, foi com enorme decepção que me deparei com uma versão altamente inferior. Sinceramente, o cancelamento não me surpreendeu. Por muito que os actores tentassem, e acreditem que era óptimos, o material que tinham para trabalhar simplesmente não era bom o suficiente. Claro que existem aqueles momentos emocionantes, típicos de produções do género, mas não chega para balançar o resto. Até mesmo o Hospital parecia uma caricatura. Não sei, não funcionou. Curiosamente, Heartbeat deveria ter estreado no ano passado mas foi adiada devido à gravidez inesperada da Melissa. Coitada, mais valia ter ficado sossegada.


#10. The Catch
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI 

SINOPSEAlice Vaughan é investigadora particular na sua firma, em Los Angeles. Conseguindo conciliar o sucesso na carreira e amor, tudo muda quando descobre que o seu noivo era um golpista, levando-a à beira da falência.

OPINIÃO: Ainda só vamos em Julho e The Catch já é a vencedora da pior série do ano. A mais recente adição ao império Shondaland (Grey's Anatomy, Scandal, HTGAWM), é uma autêntica perda de tempo. A Shonda Rhimes gosta tanto de inventar irmãs para a Meredith Grey que não sei como é que nunca pensou na Mireille Enos  são quase idênticas! Voltando à crítica, a premissa tinha potencial mas cai por terra graças a uma narrativa aborrecida e pouco inspirada. Por algum motivo, que desconheço, regravaram os primeiros episódios com um elenco completamente diferente, excepto a Enos, e foi a pior decisão de sempre. O resultado é um jogo forçado de gato/rato sem qualquer interesse. Para terem noção, até as cenas de sexo são entediantes, provocando um bocejo imediato. Fiquei em choque e frustrado por ser renovada.


Acompanham alguma das 10 séries? Ficaram curiosos com alguma?

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