Como devem calcular
não passo de um mero crítico amador, como tantos de vocês,
portanto não levem a peito algumas das minhas opções. Normalmente gosto de fazer esta lista porque é fácil identificar quais os discos que consigo ouvir do início ao fim sem me cansar e aqueles que passado umas três faixas já estou farto. Dito isto,
quero frisar que isso não significa que, por exemplo, um álbum que se encontre em #40 seja necessariamente pior ou menos tolerável que outro em #20.
Tenho plena consciência que colocar uma Ellie Goulding ou Fifth Harmony a cima da Florence + The Machine é uma afronta, mas
tudo se resumo a qual disco eu gostei mais de ouvir. Cada pessoa tem os seus gostos pessoais, portanto é normal que discordem de algumas classificações ou omissões.
Se o vosso favorito não se encontrar na lista, é possível que não o tenha ouvido. Para ouvirem as minhas
músicas favoritas de cada álbum, basta
clicarem nos títulos em
"MUST LISTEN".
Sem mais demoras,
let the games begin!
50. Fleur East - "Love, Sax and Flashbacks"
49. Momford & Sons - "Wilder Mind"
48. Jess Glyne - "I Cry When I Laugh"
47. Adam Lambert - "The Original High"
46. Coldplay - "A Head Full of Dreams"
45. MS MR - "How Does It Feel"
44. Katherine Mcphee - "Hysteria"
43. Halsey - "Badlands"
42. Demi Lovato - "Confident"
41. Ciara - "Jackie"
40. Miley Cyrus - "Miley Cyrus and Her Dead Pets"
39. Kate Boy - "One"
38. Alessia Cara - "Know-It-All"
37. Ivy Levan - "No Good"
36. Drake - "If You're Reading This You're Too Late"
35. Hurts - "Surrender"
34. Benjamin Clementine - "At Least For Now"
33. Kelly Clarkson - "Piece By Piece"
32. Hilary Duff - "Breathe In. Breathe Out."
31. Soak - "Before We Forgot How To Dream"
30. Chvrches - "Every Open Door"
29. Little Mix - "Get Weird"
28. Josef Salvat - "Night Swim"
27. Kacey Musgraves - "Pageant Material"
26. Justin Bieber - "Purpose"
25. Disclosure - "Caracal"
24. The Weeknd - "Beauty Behind The Madness"
23. Florence + The Machine - "How Big, How Beautiful, How Blue"
22. Fifth Harmony - "Reflection"
21. Ellie Goulding - "Delirium"
20. Neon Indian - "Vega Intl. Night School"
19. FKA Twigs - "M3LL155X"
18. Melanie Marinez - "Cry Baby"
17. Madonna - "Rebel Heart"
16. Say Lou Lou - "Lucid Dreaming"
15. Marina & the Diamonds - "Froot"
14. Tame Impala - "Currents"
13. Years & Years - "Communion"
12. Selena Gomez - "Revival"
11. Brandon Flowers - "The Desired Effect"
.10.. Miguel — “Wildheart”
Seguindo o mesmo tipo de composições marcadas por um intenso desejo sexual, loucura e agressividade, presente nos anteriores
All I Want Is You (2010) e
Kaleidescope Dream (2012),
Wildheart é musicalmente mais refinado. Um disco coeso, marcado por um R&B
hipersexual mas com uma alma e substância igualmente presentes. Ainda que seja o trabalho mais extenso lançado por Miguel
— com quase 50 minutos de duração
—, o cantor está mais confiante do que nunca e o facto de, apesar da constante evolução, se manter fiel ao seu estilo, faz com que seja uma presença importante na indústria musical.
..9.. Lana Del Rey — “Honeymoon”
Não é segredo para ninguém que a Lana Del Rey ocupa uma posição confortável no meu infinito top de cantoras favoritas. Depois de um segundo disco decepcionante, a cantora norte-americana resolveu presentear-nos com aquele que
poderia ser o filho de Born To Die e Ultraviolence. Elogiado pela crítica, em
Honeymoon a cantora sustenta uma espécie de
narrativa dramática que se estende da primeira à última faixa. Trata-se de uma selecção de vivências musicais,
poemas de amor (que na voz da Lana mais parecem de luto), que
retratam o sofrimento vivido pelos apaixonados.
Para minha felicidade, a grandiosa e sombria
sonoridade orquestral mantém-se um dos pontos fortes da produção, envolvendo-nos, novamente, num sentimentalismo ao típico cinema
Noir dos anos 1940/50, reforçando a veia cinematográfica do álbum. A anos luz do universo
POP actual, a Lana continua fiel ao que estilo musical que a tornou famosa. Bravo.
..8.. Troye Sivan — “Blue Neighbourhood”
Seguindo o sucesso do EP
Wild, do qual falei
(AQUI), o jovem youtuber lançou o
primeiro álbum de estúdio, Blue Neighbourhood. Acompanhado de
sintetizadores suaves e baterias electrónicas dignas de uma produção
à la Lorde ou Taylor Swift
— os "Hey!" ecoantes nas faixas "Wild" e "Fools" remetem-nos de imediato para uma "Bad Blood"
— já recebeu elogios de nomes como Sam Smith e até Adele.
Nascido na África do Sul e criado na Austrália, o jovem de 19 anos afirma que as letras são autobiográficas, inspiradas nos subúrbios de Perth, cidade onde cresceu, e que considera o seu Blue Neighbourhood. Com uma sonoridade ao estilo de Broods, James Blake e Jessie Ware, a única crítica possível de se fazer é o facto de sofrer da mesma doença da Adele: todas as músicas são sobre desgostos de amor, mas tal como no caso da britânica, resulta de maneira sublime.
..7.. Sufjan Stevens — “Carrie & Lowell”
Sufjan Stevens é o derradeiro contador de histórias. No activo desde 1999, poucas foram as vezes que o cantor de Michigan partilhou o seu universo íntimo com tamanha clareza e sensibilidade, como em
Carrie & Lowell. O sétimo trabalho de inéditas é mais que um regresso aos planos acústicos que o lançaram, é um verdadeiro
confessionário sobre a sua conturbada estrutura familiar.
Desde a imagem desgastada da capa do álbum
— o casal real Carrie e Lowell, a mãe e o padrasto
— passando pelos versos e passagens comoventes, tudo peças do mesmo puzzle que contam a história da
mãe esquizofrénica, depressiva e alcoólatra que deixou o filho e ex-marido em meados dos anos 70, voltando a revê-los anos mais tarde quando casou com Lowell, e que
morreu em 2012 vítima de cancro. Uma viagem emocionante apoiada do habitual violão e um controlo fora do comum de sentimentos,
capaz de converter detalhes tão particulares em peças relacionáveis a qualquer ouvinte.
..6.. Dumblonde — “Dumblonde”
Assim que ouvi o EP homónimo com cinco faixas, no Verão passado, tive a certeza que esta dupla estava no caminho certo. Duas das ex-integrantes de um dos meus grupos de eleição de todos os tempos, as Danity Kane – a primeira girlband na história da Billboard a estrear os dois primeiros álbuns em nº1 – uniram forças e deram origem às Dumblonde. Contrariamente ao que possam pensar, o nome da colaboração pretende acabar com estereótipos que as cantoras experenciaram desde que entraram na indústria musical.
O resultado é um álbum coeso que nos transporta para um período futurista dos anos 80. Criando, produzindo e editando todos os visuais dos vídeos, o duo não está para brincadeiras. Tenho noção que nem todos vão apreciar a sonoridade POP dance e que é quase um ultraje estarem posicionadas a cima de certos artistas, mas digo-vos que não há uma única canção que desgoste neste trabalho.
..5.. Adele — “25”
Com uma lista interminável de recordes desde que foi lançado em Novembro do ano passado, 25 é descrito pela cantora como um "álbum de reconciliação consigo mesma". Embora Adele continue a lamentar dissabores românticos, desta vez não se encontra no papel da vítima que implora uma segunda oportunidade — tema central em 19 e 21 — está mais segura de si e pronta para seguir em frente. Seguindo a fórmula de sucesso do trabalho anterior, poderosas baladas a piano — como o fantástico "Hello" que se mantém há 10 semanas no 1º lugar da Billboard Hot 100 — o segundo single "When We Were Young" ou a ode à maternidade, "Remedy".
Além da sonoridade a que já estamos habituados, é refrescante ouvir alguma experimentação com outros géneros musicais. Há uma guitarra aqui e ali como na animada "Send My Love" e na triste "Million Years Ago"; uma pitada de country/folk com "Sweetest Devotion", e um pé no território POP com uma "I Miss You" que nos remete para algo digno dos Florence and the Machine.
..4.. Jamie XX — “In Colour”
Brilhante, fantástico e sensacional. Começando pelo ritmo crescente que abre
In Colour na faixa "Gosh", seguindo pelo jogo de ritmos que vão do
dubstep ("Hold Tight") ao
hip-hop ("I Know There's Gonna Be Good Times"), passando pela familiar sonoridade à la XX em "Loud Places", e terminando com a simplicidade de "Girl", Jamie XX fortaleceu a sua posição de génio musical.
Ainda que perto do material criado com The XX, é nítida a intenção do artista em
produzir um som singular, original até. Deixando os tons cinzentos do grupo britânico, Jamie
deixou a cor entrar na sua vida e eu não podia estar mais satisfeito.
..3.. Grimes — “Art Angels”
Três anos depois do aclamado Visions, a canadiana Claire Boucher, mais conhecida como Grimes, voltou com o quarto álbum de estúdio, o aguardado Art Angels. Após o mau desempenho do single "Go" em 2014— canção originalmente escrita para a Rihanna e que pessoalmente adoro — e acusações de que a cantora se tinha "vendido", ela deitou todo o material fora e começou a reescrever um novo projecto do zero. Às vezes há males que vêm por bem. O génio musical canadiano experimentou com diferentes sonoridades e o resultado foram 14 faixas estranhas e mágicas.
Se fiquei obcecado com a "Oblivion", o que dizer sobre a "Flesh Without Blood", uma das faixas mais interessantes que alguma vez lançou. Posso dizer-vos que só numa noite ouvi-a mais de 40 vezes e não, não estou a exagerar. Art Angels prova que o mundo POP e o alternativo podem conviver na perfeição, quando bem construídos através de uma produção coerente.
..2.. Carly Rae Jepsen — “E•MO•TION”
Apesar de ter ganho o
jackpot com a "Call Me Maybe", não se pode dizer o mesmo sobre o,
injustamente ignorado, álbum
Kiss. Três anos depois, a Carly foi atingida pela febre dos 80's, e o resultado é
o melhor disco POP do ano. Aclamado pela crítica como um registo coeso, melodias e composições brilhantemente trabalhadas, e experimentação com outros géneros musicais,
é uma vergonha que E•MO•TION não tenha sido um sucesso comercial e ignorado pelos Grammy's. Desde a
dreamy "All That" (a minha favorita) produzida pelo Dev Hynes, à viciante "Run Away With Me" e a estranhamente fantástica "Warm Blood", não restam dúvidas que
E•MO•TION é O álbum da Carly.
..1.. Susanne Sundfør — “Ten Love Songs”
Quando Susanne Sundfør começou a trabalhar no sexto álbum, pretendia montar uma colecção focada em violência. Inevitavelmente, o tema dominante acabou por ser o amor, e assim nasceu
Ten Love Songs.
Destruindo a concepção de POP como conhecemos, a cantora norueguesa brinca com a
electrónica, synthpop, new age, e a melhor parte,
elementos de música clássica. Uma complexa colecção de dez canções, simultaneamente alegre e desesperada, tanto directa como extremamente detalhada.
Os arranjos musicais são fora de série, especialmente quando além da nítida e celestial voz da Susanne, são apoiados de c
oros vibrantes e órgãos de igreja que me paralisam em êxtase. Para os poucos que fizeram o sacrifício de ver o vídeo, referi no
"TOP 10 UNDERRATED SINGLES" que queria morrer ao som da "Accelerate", canção que ocupou a terceira posição, e mantenho a mesma opinião.
Se ainda não ouviram Ten Love Songs não percam mais tempo, é uma viagem sonora da qual não quero voltar.
Conheciam os álbuns todos? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2015?