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segunda-feira, 19 de junho de 2017

5 Motivos pelos quais não adoro o Verão


Como tudo na minha vida, até no que diz respeito ao Verão sou uma contradição andante. Se por um lado sinto-me genuinamente mais "animado" com os "dias mais longos", aumento das temperaturas, bronzeados e afins, por outro detesto o calor infernal, suor e preguiça que vêm de arrasto. Foi a pensar neste pequeno complexo existencial que criei uma lista com cinco motivos pelos quais já não morro de amores pela estação mais cobiçada do ano (além dos incêndios, claro).

'1. Calor

Não me dou bem com o calor. Sim, apesar de detestar o frio e apreciar temperaturas mais elevadas, não significa que goste de sentir que estou a caminhar pelo reino de Lúcifer. Escusado será dizer que estes últimos dias têm sido um autêntico massacre. Dormir está quieto e até acordado só me apetece meter-me dentro do congelador. Pensar que ainda existem cretinos que se recusam a acreditar que o aquecimento global existe. Quanto a vocês não sei, mas não consigo funcionar assim. Não dá. Ao menos em casa posso andar em trajes diminutos como se estivesse numa vitrine do Red Light District, mas e quando tiver que sair, ir trabalhar? Só a ideia do que me espera amanhã (escrevi isto ontem à noite) está a deixar-me assustado. 

'2. Suor

A não ser que estejam numa sauna ou a terminar um treino intenso (e mesmo assim tenho as minhas dúvidas), transpirar não é nada agradável. Pior ainda e acabar de tomar banho e sentir que preciso voltar lá para dentro outra vez. Sofro de transpiração fácil desde muito novo, o que por vezes pode condicionar as minhas escolhas de vestuário. Qualquer cor fora do espectro black & white significa nódoas garantidas depois de uma breve corrida para apanhar o metro, comboio, ou simples locomoção pedestre. Se tiver um acontecimento importante para determinado dia, seja no trabalho ou a nível pessoal, tenho que avaliar sempre os riscos das minhas partes de cima. Levar aquela camisa azul que tanto gosto implica não poder correr o dia inteiro, caso contrário vou parecer que saí de uma luta de balões de água. 


'3. Preguiça

A linha entre entusiasmo e preguiça é muito ténue no Verão. Uma música animada é capaz de me dar uma força incrível para enfrentar o meu dia, mas basta as temperaturas passarem o limite do aceitável e baam, modo gelatina activado. Esta condição é tão séria que até quando andava na escola, o terceiro período era sempre aquele em que baixava as notas, precisamente porque não conseguia ficar com o rabo sentado na cadeira sem deslizar como uma folha de papel. Ainda hoje isto acontece-me inúmeras vezes. Fico como uma espécie de cão, às voltas até finalmente se deitar, só que com menos acção e mais suspiros de desespero. Não tenho vontade de fazer nada, nada! Ir à casa-de-banho é toda uma viagem que leva décadas entre um arrastar do chinelo e o outro. Criatividade, vontade de escrever e criar conteúdo, tudo é evaporado como a minha paciência. Ugh, I just can't

'4. Monstro temperamental

Por falar em falta de paciência, sou um perigo nestes meses mais quentes. A sério, devia andar com um letreiro ao pescoço a dizer "cuidado com o cão". Seria de esperar que alguém consumido por preguiça não teria energia para mais nada, mas não é bem assim. Como o Hulk que fica verde com a raiva, a mim acontece-me o mesmo mas em vez de mudar a tonalidade, destilo ofensas dignas de uma letra de rap. Tudo me irrita, a maneira das pessoas falarem, o tom de voz, a respiração, a forma como comem, como não percebem algo simples, tudo! A Marta diz que é a minha versão de TPM, mas mais irritante (questionável, mas como não quero problemas, não me vou alongar). Costumo fazer um esforço enorme para ser extremamente paciente, ainda que por dentro esteja a morrer com a vossa estupidez, mas nesta altura metade do filtro desaparece. Não sei explicar mas começo a arder, literalmente, e só vejo vermelho como um Touro (hey star sign). Não fosse o meu bom senso, já tinha uma lista de inimigos enorme ou ido parar ao hospital por me meter com a pessoa errada. Até ao dia!

'5. Transportes Públicos

Achavam mesmo que ia perder uma oportunidade de voltar a mencionar o meu (des)amor pelos transportes públicos? Se não estão familiarizados com os actos I, II e a edição especial de Verão do "Auto dos Transportes do Inferno", shame on you então esta é para vocês. Se, tal como eu, enfrentam o metro na hora de ponta, considerem-me um amigo. Só não vos abraço porque este calor não permite. Agora a sério, é impossível explicar o sentimento que nos consome quando a porta da carruagem se abre e nos deparamos com uma manada de pessoas no interior. É como se estivéssemos a caminhar para a morte. Em modo sardinha em lata, levamos com o suor, pisadelas e pior, odores indesejados de alguns sujeitos que parecem recusar-se a utilizar desodorizante. Isto para não falar da lentidão que se abate sobre toda a gente. Sim, também fico em modo vegetal mas... não no meio da rua! É como se estivéssemos num corredor interminável de qualquer centro comercial.


Gostam do Verão? Dão-se bem com as temperaturas elevadas?

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Auto dos Transportes do Inferno x Summer Edition


A barca está de volta. Com dois actos mais abrangentes sobre situações caricatas que vivo diariamente nos transportes públicos, esta edição é dedicada exclusivamente ao Verão. Estação favorita do ano para uns, é um autêntico terror para os que já não podem gozar dos três meses de férias ou não têm carro, claro.

Comparativamente ao Inverno, noto que custa mais entrar/aguentar na rotina com as temperaturas elevadas. As corridas outrora supersónicas para apanhar o metro a tempo, foram substituídas por uma espécie de marcha repleta de murmúrios. Curiosamente, a abundância de passageiros parece ter triplicado. Para uma altura marcada pelas férias dos portugueses, é interessante.


1. Fenómeno sardinha em lata
Aguentar uma viagem apertado é mau, mas no Verão é ainda pior. Derrubando por completo a questão da invasão de espaço, que nestes casos, pura e simplesmente não existe, a quantidade de suor e calor é algo que não desejo a ninguém. Contei-vos uma dessas situações (AQUI) e recentemente passei por outra, mas num dia de 38ºC. Nunca fiquei tão feliz por estar a usar roupa escura, caso contrário seria um forte candidato ao título de mister t-shirt molhada. 

2. Odores corporais amplificados
"Respira pela boca", dizem. Está bem. Suster a respiração durante a passagem momentânea de um camião do lixo é uma coisa, fazê-lo durante uma viagem de meia-hora é simplesmente impossível. Já tentei de tudo. Fingir que adormeci com um livro aberto na cara, apoiar estrategicamente a mão na cara e até respirar o mínimo possível. Não adianta. Contra o cheiro a suvaqueira, só mesmo um bom banho. Bolas, há pessoas que cheiram mesmo, mesmo mal.

3. Fluídos indesejados
Arrisco-me a dizer que ninguém gosta de levar com o suor de desconhecidos. Se não for o caso, good for you! Não existem palavras para descrever o quão nojento é sentir que a pessoa ao nosso lado está, literalmente, a escorrer. Pertenço ao clube de indivíduos que transpira imenso e com bastante facilidade, mas daí a esfregar-me nos outros passageiros, vai uma grande diferença. No Inverno o contacto acidental até pode ser acolhedor, na medida em que nos aquece, mas agora? Atrevam-se.

4. Sujidade sazonal
Areia, areia por todo o lado! Compreendo a necessidade de utilizar transportes públicos para se deslocarem a áreas balneares mas não custa nada passar as patinhas pela toalha. Além da escorregadela ocasional do gang do reumático, até os bancos ficam contaminados. É isso e papéis/manchas de gelado. Podem não ter um lenço de papel à mão, mas tratando-se de um espaço comum, não vos custava nada limparem a vossa sujeira.

5.  Pessoas ainda mais lentas
É mais que sabido que não tenho a mínima paciência para gente lenta. Se antes os associava aos zombies do Walking Dead, agora nem tenho comparação possível. Sou o primeiro a admitir este tempo é um óptimo aliado à preguiça mas, estando na rua, que remédio se não mexer as perninhas. Aqui entre nós, já cheguei a perder propositadamente alguns transportes por não conseguir mais. Como vêem, nem eu estou imune às labaredas do inferno. Ainda assim, a vontade de chegar a casa para poder arrancar a roupa do corpo é toda a motivação que preciso. Pessoas que insistem em manter-se paradas, feito mulas, no meio das escadas rolantes, encostem-se à direita. Fica o apelo.


Já presenciaram situações destas? Gostam dos transportes públicos no Verão?

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