O ano mal começou e o número de pessoas que já faleceram relacionadas directa ou indirectamente comigo, dentro do contexto laboral, continua a aumentar. Parecendo que não, este tipo de acontecimentos afecta-nos. As reacções variam conforme o grau de proximidade ou estado emocional de cada um. A mim fez-me voltar à idade dos "porquês". Não é que este tipo de questões nunca me tenha passado pela cabeça, porque passou, mas ultimamente sinto que se mudou de malas e bagagens. Afinal, qual é o nosso propósito no mundo?
Asseguro-vos que não estou a ter uma breakdown, simplesmente senti necessidade de tentar colocar por escrito o turbilhão de ideias que me têm vindo a consumir. Se pensarmos bem no assunto, o maior propósito que nos foi incutido, independentemente de gostarmos ou não do que fazemos e da nossa vocação, é trabalhar. Consegue superar pilares considerados fundamentais como família ou encontrar "o amor". Por muito que tentem defender o contrário, contra factos não há argumentos. Assim que nascemos começa um longo processo educacional cujo propósito é dar-nos as ferramentas necessárias para singrar num possível emprego de topo. Sim, claro que nos ensinam a viver integrados em sociedade e outras skills importantes, mas o principal objectivo mantém-se intacto.
Numa primeira instância, somos conduzidos pelos progenitores, depois por professores e mais tarde por patrões, a querer/fazer sempre mais e melhor. Atenção, compreendo perfeitamente e não sou ingrato pelas oportunidades que tive. Tornei-me na pessoa que sou, ambiciosa e perfeccionista, precisamente por esse molde social. Mas será isso o mais importante? Ao fim ao cabo não somos mais que um número. Uma fracção da máquina capitalista de fazer dinheiro para os outros, sem raramente o conseguirmos gozar. O que é que ganhamos com isso além de cobrir as despesas mensais e tentar juntar uns trocos se sobrar algum?
Cada vez mais entendo e aprecio as pessoas care-free que fogem à norma e conseguem viver longe das pressões que nos envolvem diariamente. Um dos meus maiores desejos é exactamente este, aprender a let go e não me deixar consumir por coisas que não valem a pena. O dinheiro controla o mundo mas não é por acaso que dizem que as melhores coisas na vida são de graça. At the end of the day o que é que somos? Como diz um colega meu, "nada". Há que saber aproveitar os bons momentos e tentar abstrair dos problemas. De que nos vale seguir a norma e fazer tudo "como é suposto", se depois basta uma doença inesperada para varrer a nossa existência? Divirtam-se. Passeiem. Namorem. Cometam loucuras. Comprem aquele par de sapatos sem pesos na consciência. Sejam felizes. Não passamos de seres humanos a tentar sobreviver a este labirinto a que chamamos vida.
De uma maneira geral, estamos mais focados em ganhar dinheiro do que a aproveitar a vida?























