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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #37


MUST LISTEN:
⤫ END GAME
⤫ CALL IT WHAT YOU WANT

⤫ GETAWAY CAR

1. Taylor Swift Reputation

Prezo muito a imparcialidade no que toca a reviews, portanto vou tentar ao máximo separar a minha opinião, digamos menos positiva, sobre a cantora em questão e o respectivo disco. Três anos desde que lançou 1989, o álbum que marcou o abandono das raízes country e entrada oficial no mercado pop, a Taylor Swift está de volta com Reputation. O "polémico" retorno é marcado por uma suposta mudança de atitude, de menina inocente para bad girl. O resultado é... triste.

Repleto de elogios da crítica, possivelmente por medo de represálias pela nova representante do lápis azul, versão musical, o certo é que este novo rumo da jovem norte-americana não é nada mais que uma caricatura já explorada uma série de vezes dentro do género. A sua interpretação de "bad" parece ficar-se pelo uso de batidas típicas de hip-hop para criar um ritmo pesado, upbeat, e causar impacto. O problema é que não existe qualquer originalidade no processo, tudo soa a algo já existente, antigo, ultrapassado. Aliás, cada uma das 15 faixas parece igual à anterior, criando uma espécie de confusão por nem nos apercebermos se já passámos para a próxima ou ainda estamos a ouvir a mesma.

Além de não convencer ninguém nesta sua personagem altamente artificial, a Ssswift conseguiu a proeza de criar música preguiçosa, apoiada de refrões fáceis e uma produção tão exagerada que nos faz querer perguntar "are you okay, sweety?". Tendo em conta os números astronómicos de vendas, diria que se confirma algo que há anos se apregoa, o público é mesmo estúpido. Ainda assim, o que realmente me incomoda é ver críticas elogiarem a evolução da Taylor como compositora. Não só continua com uma escrita bem medíocre e extremamente infantil, como quando comparamos com obras-primas como Melodrama, da Lorde, chega a ser hilariante a drástica diferença de qualidade lírica.

Nem tudo está perdido, por entre este vale de fachadas existem pequenas pérolas como "End Game", "Call It What You Want" e até a mega-cliché "Gateway Car".


MUST LISTEN:
⤫ BEAUTIFUL TRAUMA
⤫ WHATEVER YOU WANT
⤫ BUT WE LOST IT
⤫ WHAT ABOUT US

Se há cantora consistente no que toca à entrega sucessiva de música e vocais com qualidade, é a P!nk. Uma pena que ela não receba nem metade do crédito que merece. Confesso que não tinha propriamente grandes expectativas em relação a este Beautiful Trauma, mas ela conseguiu calar-me enquanto me esbofeteava com os receipts.

No sétimo disco da sua carreira, a eterna rebelde, presenteou-nos com histórias bem pessoais, como a sua indignação face a actual situação política nos EUA, ou a dependência a relacionamentos amorosos destrutivos. No que toca a este departamento, ao contrário de outras colegas de profissão, a P!nk é extremamente sincera e consegue conectar-se com qualquer pessoa. O facto de abordar relações na sua fase mais negra, como a carência e o medo de ficar sozinha que podem prender uma pessoa a um parceiro abusivo, é algo que raramente ouvimos passar nas rádios.

Embora se mantenha na sua zona de conforto e não haja propriamente grande inovação, o certo é que isto é P!nk no seu melhor. No que toca à componente sonora, é um verdadeiro melting pot. Tanto temos canções com instrumentais mais pesados como outros mais leves, com influências que vão do pop-rock ao R&B e até folk.


MUST LISTEN:
⤫ WOULD YOU CALL THAT LOVE
⤫ MEANING OF LIFE
⤫ MEDICINE
⤫ LOVE SO SOFT

Desde a sua vitória na primeira edição do American Idol, em 2002, a Kelly Clarkson tornou-se numa das cantoras mais talentosas da sua geração. Quinze anos depois, a norte-americana lançou o seu oitavo álbum de estúdio, Meaning of Life, o primeiro pela Atlantic Records, o que lhe concede mais liberdade e autonomia para tomar decisões. Good for you!

Distinto dos seus outros trabalhos, mais direccionados para o pop comercial, aqui ela apresenta uma sonoridade mais soul/R&B, concretizando um desejo de longa data. Basicamente é o álbum que ela sempre quis fazer, mas não podia devido a restrições contratuais. 

Aqui entre nós, como a abécula que sou, quando soube da mudança de géneros, fiquei apreensivo. Digamos que "Behind These Hazel Eyes", "Because of You" e "My Life Would Suck Without You", são as minhas jams! Felizmente não havia qualquer razão para isso. Meaning of Life possui poucos momentos fracos, revelando-se como a produção mais coesa que alguma vez lançou. Cheia de sass, é com bastante alegria que vejo uma Kelly na melhor fase da sua vida, em pleno.

MUST LISTEN:
⤫ HIM
⤫ PRAY
⤫ BURNING
⤫ NOTHING LEFT FOR YOU

O Sam Smith voltou com tudo no segundo disco da sua carreira, The Thrill Of It All, e eu não podia estar mais satisfeito. Repleto de mais histórias de desilusão e amor não correspondido, algo está diferente. Ao contrário da sensacional estreia In The Lonely Hour (2014), o jovem de 25 anos agora canta um discurso mais forte e confiante, algo que se reflecte positivamente na música.

No leque de 13 canções, destacam-se duas pela sua genialidade e ousadia musical: "Pray" e "HIM". A primeira é o exemplo mais nítido da sua potência vocal, especialmente quando ele consegue superar o coro, que por si só já é fantástico o suficiente, e estender as notas de tal maneira que outros só conseguiriam através de plugins, se é que me entendem.

Em "HIM", o Smith declara o seu amor por outro homem e aceitas as consequências que isso acarreta. É, de resto, a sua afirmação lírica mais arrojada, "Don't you try and tell me that God doesn't care for us. It is him I love, it is him I love." A mensagem é poderosa e capaz de emocionar até um céptico.

Nem um álbum tão bom como The Thrill Of It All está imune a um ou outro ponto maçador, mas são coisas tão triviais que, a voz distinta do Sam consegue apagar por completo.


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #36


MUST LISTEN:
DON'T SAY YOU LOVE ME

SAUCED UP
LONELY LIGHT
HE LIKE THAT

1. Fifth Harmony  Fifth Harmony

Após a saída abrupta, mas nada surpreendente, da Camila Cabello, as restantes integrantes das Fifth Harmony tinham muito a provar. Com a vaga deixada pela come-refrões do grupo, finalmente chegou a oportunidade das outras poderem brilhar. O resultado foi um mini-álbum com sabor a EP pouco inventivo mas eficiente.

Auto-intitulado Fifth Harmony, o conjunto de 10 faixas não é mais que uma reciclagem da sonoridade do projecto procedente, 7/27. Aliás, o primeiro single "Down" é uma tentativa desesperada de recriar o sucesso astronómico de "Work From Home" mas sem o mesmo impacto. Por entre tantas canções super-produzidas, existem boas passagens como a balada "Don't Say You Love Me", a animada "Sauced Up", ou a trap-tastic "Angel". O grande problema, além da falta de originalidade, são as letras. Digamos que não percebo como enchem o peito para dizer que ajudaram a escrevê-las se depois há passagens poéticas como "Pumps and a bump, pumps and a bump / He like the girls with the pumps and a bump". Tenho dito.

MUST LISTEN:
YOUNGER NOW

MALIBU
BAD MOOD
SHE'S NOT HIM

2. Miley Cyrus  Younger Now

Younger Now tinha tudo para ser o canalizador das opiniões políticas que a Miley tanto tem expressado mas não. Em vez disso, o álbum é o mais seguro possível, consistindo numa colecção de canções pop country  que mais parecem ter sido retiradas do arco da velha.

Rapidamente ficamos com a ideia geral do que aí vem, com a combinação das duas faixas iniciais, "Younger Now" e "Malibu". Ambas são óptimas e expressam a mesma ideia de que os tempos da língua de fora foram substituídos por viagens de carro ao longo da costa com o irmão do Thor. Não há nada de errado com mudança e crescimento, mas fiquei não posso deixar de expressar uma valente decepção. De tantos adjectivos que foram utilizados para descrever a Miley nos últimos anos, nunca pensei que enfadonho fosse ser um deles. Dito isto, é impossível negar o poder vocal dela, especialmente em baladas como "I Would Die For You". De salientar também a comovente "She's Not Him" que, se não entenderam pelo título, aborda o tema da bissexualidade.

MUST LISTEN:
BEAUTIFUL ONES
SOMETHING I NEED TO KNOW

PEOPLE LIKE US
CHAPERONE

3. HURTS  Desire

Uoh-oh, os HURTS beberam o kool-aid mainstream. Após oito anos juntos e três álbuns fortes, Desire fica um pouco à quem das expectativas. Nesta quarta produção de inéditas, é evidente que o ambiente está drasticamente mais leve. Batidas dançantes e melodias bem pop não significam necessariamente uma descida de qualidade, mas algo de muito errado se passa aqui.

A faixa de abertura e primeiro single, a soberba "Beautiful Ones", é provavelmente uma das minhas favoritas do ano e o vídeo é absolutamente comovente. Aproveitando tópico da importância da expressão de género, aconselho-vos vivamente a verem o vídeo se ainda não o conhecem. O que se segue é uma falta de direcção bastante óbvia. Não existe um fio condutor que ligue as ideias presentes em Desire e isso é um grande problema. O facto de existir algo como a "Boyfriend", um semi-clone do "Kiss" do Prince", é algo que me supera. Ainda assim, seria um crime catalogar este trabalho como mau. Apenas tem umas arestas por limar. Faixas como "Something I Need To Know" e "Chaperone", são razão mais que suficiente para darem uma oportunidade a este Desire.

MUST LISTEN:
WATCH

COPYCAT
OCEAN EYES

MY BOY

4. Billie Eilish  Don't Smile At Me

Decorem este nome: Billie Eilish. Numa altura em que o mercado está saturado de ritmos tropicais e cantores de playback, é tão refrescante quando surgem pérolas como esta jovem de 15 anos. Sim, fiquei perplexo quando descobri a idade desta legend-in-the-making.

Don't Smile At Me é o primeiro EP da Billie e é um dos melhores do ano. As comparações à Lorde e Melanie Martinez são inevitáveis, mas a diversidade artística da Eilish e excelente composição de letras é extraordinária, especialmente para alguém da sua idade. Cheia de atitude e ironicamente hilariante, estou rendido. Com uma voz etérea capaz de nos hipnotizar, as fundações para uma carreira de sucesso já estão criadas e agora só nos resta acompanhá-la na viagem. Bravo!


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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #35


MUST LISTEN:
⤫ YOU DON'T DO IT FOR ME
⤫ TELL ME YOU LOVE ME
⤫ CRY BABY
⤫ RUIN THE FRIENDSHIP

1. Demi Lovato ⤫ Tell Me You Love Me

Após anos a batalhar para conseguir o mínimo de reconhecimento pelo seu talento, parece que chegou finalmente a altura da Demi Lovato brilhar. Tell Me You Love Me é o sexto álbum da jovem norte-americana e o melhor da sua carreira.

Aquando do lançamento do primeiro single oficial, a medíocre "Sorry Not Sorry", não pude evitar um revirar de olhos interno face a aparente direcção que estava a ser tomada. Como por milagre, a canção acabou mesmo por se tornar no maior hit da Lovato, ao alcançar a 8ª posição no top da Billboard Hot 100, mas o melhor ainda estava por vir.

A faixa-título e a soberba "You Don't Do It For Me Anymore", colocam a ex-estrela da Disney no mesmo patamar de nomes como Adele ou Kelly Clarkson. Sim, leram bem. Não é segredo nenhum que a rapariga tem uma voz capaz de destruir uma aldeia mas, aqui entre nós, nunca teve propriamente uma boa selecção musical, excepto umas pérolas aqui e ali como a "Skyscrapper ou "Stone Cold".

Neste novo projecto, ela quebra o molde estereotipado no qual estava inserida há anos, mostrando um crescimento incrível. Não só fez as pazes consigo mesma como aceitou a sua sexualidade de braços abertos. O resultado é um conjunto impecável de novas sonoridades, arranjos vocais e baladas capazes de nos deixar seriamente pensativos sobre certas escolhas nas nossas vidas.

Embora seja uma oferta mais adulta, especialmente no departamento das letras que receberam um update do caraças, os elementos sassy divertidos continuam presentes em faixas como "Sexy Dirty Love" ou numa das minhas favoritas, "Cry Baby". Seria um crime a Demetria continuar a ser ignorada pelos Grammys, mas aqui pelo Ghostly arrisca-se a uma posição no top 10 os Melhores Álbuns do Ano.

MUST LISTEN:
⤫ MOUNTAINEERS
⤫ UNDERCOVER
⤫ BEDTIME STORY

2. Susanne Sundfør Music For People In Trouble

Dois anos após o magnífico Ten Love Songs, que não só considerei como o Melhor Álbum de 2015, como a catapultou para o mainstream, Susanne Sundfør está de volta com um dos seus trabalhos mais poéticos. Music For People In Trouble marca uma espécie de desvio da sonoridade electrónica do trabalho anterior.

Ainda em território POP alternativo, existem aproximações com o canto lírico e baladas acústicas. Mas engane-se quem pensar que "acústico" significa "simplista". Não, de todo. A cantora norueguesa continua a construir canções como um arquitecto faria com uma catedral, isto é, grandioso e atento ao detalhe.

Deveras intimista, Music For People In Trouble utiliza piano, guitarra clássica e silêncios mais gritantes que qualquer frase. Talvez por isso, este trabalho pede a nossa atenção muito mais do que a tenta agarrar. Não aposta em refrões fáceis ou temas simplórios, o que por si só é algo refrescante, até mesmo para um consumidor assumido desse tipo de músicas. Com a voz cristalina e poderosa da Sundfør como protagonista, a produção é sublime e incrivelmente coesa. O culminar do projecto na sensacional "Mountaineers" com o John Grant, é simplesmente do outro mundo. Uma sequência que começa de forma tímida e termina numa explosão de emoções. Adoro, é uma das minhas canções favoritas deste ano.


MUST LISTEN:
⤫ POOR ME
⤫ I'M ALRIGHT
⤫ MORE FUN

3. Shania Twain Now

Quinze anos desde o último disco de estúdio, a Shania Twain voltou com Now e não só arrecadou o primeiro lugar na Billboard Hot 200 como esmagou a competição (Demi Lovato e Miley Cyrus) no processo. A Rainha do Country, como é apelidada nos Estados Unidos, é a prova viva de que talento não tem idade.

Após um controverso divórcio do seu marido e braço-direito, a cantora ainda ficou com as cordas vocais afectadas devido à doença de Lyme. Aproveitando estas experiências menos positivas, a Shania colocou tudo na música e o resultado é positivo, mesmo que a crítica "entendida" não concorde. Quando canta sobre lhe terem partido o coração devido a uma traição na super sassy "Poor Me" e a superação em "I'm Alright", a cantora não faz rodeios e declara que já passou por aquela porcaria antes e só quer dar a volta por cima.

A sua base musical country rock mantém-se intacta, embora este trabalho seja claramente mais POP. Não sou conhecedor o suficiente da sua discografia para fazer um termo de comparação mais a fundo, mas quem é que se atreve a deitar a baixo o regresso de um ícone musical? Bem-vinda Miss Twain.

MUST LISTEN:
⤫ SAVE IT TIL MORNING
⤫ A LITTLE WORK
⤫ LOVE IS PAIN

4. Fergie Double Dutchess

Tinha perdido as esperanças de alguma vez vir a escrever isto mas a Fergie-Ferg finalmente saiu das catacumbas e lançou o segundo disco a solo: Double Dutchess. Quase 11 anos desde o bem-sucedido The Dutchess, que lhe rendeu nada mais que três singles em número 1, este regresso é decepcionante.

A primeira vez que ouvi este álbum, digamos que antecipadamente, não queria acreditar no que estava a ser transmitido para os meus ouvidos. Uma tremenda confusão musical sem qualquer direcção ou sentido de inovação. Para compensar a longa demora, a cantora divulgou este trabalho de forma inteiramente visual e foi a melhor coisa que podia ter feito. É incrível como por vezes um vídeo pode mudar completamente a nossa opinião sobre determinada canção, tanto para o bem como para o mal. Neste caso, ajudou e muito a digerir este prato com demasiados ingredientes.

Double Dutchess não vai ter o mesmo sucesso do procedente, mas tem alguns momentos bons, nomeadamente as únicas três faixas que merecem ser ouvidas "Save It Til Morning", "A Little Work" e "Love Is Pain". Tudo o resto é um imbróglio de estilos musicais e canções que sofrem de uma falta de inspiração ou composição datada estrondosa. Ainda assim, há gostos para tudo e com certeza a minha opinião não será das mais populares. Uma pena, visto que a Fergie tem uma óptima voz e sabemos que ela é capaz de muito melhor.


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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #34



MUST LISTEN:
⤫ HELL TO THE LIARS
⤫ ROOTING FOR YOU
⤫ EVERYONE ELSE

1. London Grammar  Truth Is A Beautiful Thing

Poucas são as vezes que um grupo musical se consegue infiltrar de tal maneira na minha pele. Os London Grammar são peritos em deixar-me numa espécie de êxtase. Após o aclamado disco de estreia, e um dos meus favoritos de sempre, If You Wait (2013), chega-nos o antecipado, Truth Is A Beautiful Thing.

A Hannah Reid e companhia voltaram a entrar em território melancólico, numa clara continuação do material produzido pela banda no primeiro álbum, mas algo mudou. Com mais garra e comoção, não deixa de existir uma fragilidade e cuidado presentes em cada segmento lírico. Por muito que incomode os fãs e, por mim falo, a pausa de quatro anos fez-lhes bem. As letras abordam uma necessidade de amadurecimento, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais que tantos de nós enfrentamos diariamente. Truth Is A Beautiful Thing inova mas sem perder a essência. Embora continue a preferir If You Wait, é impossível não ficar de coração cheio a ouvir algo da magnitude de faixas como "Hell To The Liars" ou "Big Picture".


MUST LISTEN:
⤫ SIT NEXT TO ME
⤫ STATIC SPACE LOVER
⤫ DOING IT FOR THE MONEY

2. Foster The People  Sacred Hearts Club

O terceiro álbum de inéditas dos Foster The People parece sofrer do mesmo problema de tantos outros colegas de profissão. Sacred Hearts Club coloca num pedestal os principais clichés da música actual, demonstrando uma certa perda de identidade. Posto isto, nem tudo está perdido. A leveza do material oferece-nos canções altamente viciantes.

Batidas electrónicas com traços de funk e POP da década de '80 — embora eles defendam a influência do rock psicadélico dos anos 1960 na produção deste disco —, o certo é que não podia ser mais popularucho. Apesar do estilo não ser propriamente inovador, não existem momentos maus. Os refrões são infecciosos e eficazes, e as músicas têm sempre pequenos detalhes que lhes dão vida própria, nem que seja uma gargalhada aqui ou uma percussão ali. Sem dúvida que este trabalho se distingue dos anteriores (Torches [2011] e Supermodel [2014]), pela negativa, mas ao menos sempre vão deixando boas faixas pelo caminho como "Sit Next To Me" e o dueto fenomenal com a actriz Jena Malone em "Static Space Lover".


MUST LISTEN:
⤫ 3WW
⤫ IN COLD BLOOD
⤫ DEADCRUSH

3. alt-J  Relaxer

Relaxer é o regresso triunfante dos alt-J ao universo musical de An Awesome Wave. O principal destaque da banda britânica é, sem dúvida, a voz peculiar de Joe Newman, mas não termina aí. A maneira como as batidas electrónicas pulsantes se interligam com a composição, recorrendo à fragmentação de samples e vozes a que o grupo nos habituou, é impossível não nos recordarmos da épica "Breezeblocks" e outras quantas faixas do seu repertório.

O único problema a apontar nesta colectânea é a previsibilidade. Relaxer é uma aposta forte e perfeitamente executada mas, do início ao fim, fica claro que o trio tentou resgatar a sonoridade que os trouxe à ribalta. A composição é praticamente idêntica na forma como os versos são abordados, o timbre nasalado do vocalista, e batidas cíclicas que se não forem paradas a tempo se tornam um pouco irritantes. Contudo, tudo aqui parece ter sido tratado por mãos de ouro e o resultado é fantástico.


MUST LISTEN:
⤫ NADA
⤫ ME ENAMORÉ
⤫ CHANTAJE
4. Shakira  El Dorado

É incrível mas já se passaram 26 anos desde que a Shakira lançou o seu primeiro disco, Magia, em 1991. Após algum tempo afastada, e dois bebés pelo meio, a cantora voltou com El Dorado. Este 11º disco marca o retorno às suas origens.

El Dorado é uma verdadeira carta de amor à América Latina. Não é por acaso que o título faz referência à cidade de ouro perdida da Colômbia. Maioritariamente cantado em espanhol, com apenas quatro faixas em inglês e uma em francês, este trabalho ficou muito aquém das expectativas. Talvez o facto de contar com tantas colaborações já saturadas quebre um pouco o efeito "novidade".

Não há dúvida que a Shakira está atenta às tendências musicais do mercado latino. Lançou-se de cabeça aos ritmos dançantes e repletos de sensualidade. Por se tratar de um colecção tão distinta entre estilos — combina o regaeton, POP, electrónica, bachata e baladas — não parece ser muito coeso. No entanto, esta mixórdia musical mantém o ouvinte expectante por descobrir o que se segue. "Nada" é a melhor canção do álbum.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #32


MUST LISTEN:
⤫ PRAYING
⤫ BOOTS
⤫ LET 'EM TALK
⤫ LEARN TO LET GO
⤫ BASTARDS
⤫ RAINBOW

1. Kesha  Rainbow

Raras são as vezes que um projecto musical consegue a proeza de nos arrancar o coração e trazer-nos de volta à vida. Rainbow foi um desses casos.

Cinco anos desde o lançamento do último álbum de inéditas, Warrior, a Kesha renasceu e abençoou-nos a todos com o melhor trabalho da sua carreira. A cantora convidou-nos a entrar no seu íntimo e a assistir de camarote a uma preview de todos os momentos bons e maus que passou na vida. "Bastards" é a escolha perfeita para abrir o disco e forma as bases do que se segue, um conjunto de faixas banhadas a ouro.

Inevitavelmente, são várias as referências à batalha judicial travada com o produtor Dr. Luke, e a respectiva editora, mas o discurso nunca é de vítima. Pelo contrário, ela aceita o passado e segue em frente, chegando até a sentir empatia por quem lhe fez mal. Neste contexto, nasceram autênticas pérolas como "Praying" - mantém-se intacto como o melhor single do ano -, a faixa-título e a de fecho, "Spaceships". Mas nem tudo é melancólico. Sem perder o sentido de humor que nos fez apaixonar por ela, é impossível não sorrir ao som de "Woman" e "Let 'Em Talk" ou derreter com a ternurenta "Godzilla".

Tal como alguns colegas o fizeram mas nem sempre de forma tão eficaz, Kesha apostou em combinações sonoras surpreendentes. Num registo mais indie/rock/country/pop, as colaborações com os Eagles of Death Metal e Dolly Parton são a cereja no topo do bolo multicolor que é este Rainbow. A Glitter Queen continua lá (ouçam a "Boots", uma das minhas favoritas e que me lembra imenso a "Americano" da Gaga), mas transcendeu para algo digno de adoração. Não é por acaso que os seus vocais estão mais fortes do que nunca. Sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano.


MUST LISTEN:
WHO DAT BOY
BOREDOM
WHERE THIS FLOWER BLOOMS

2. Tyler, The Creator  Flower Boy

Até custa a acreditar que o responsável pelo som claustrofóbico de Goblin (2011) alguma vez iria produzir algo tão acessível como Flower Boy.

À semelhança dos projectos anteriores, Tyler, The Creator, volta a apostar num rap biográfico, falando do seu estado de espírito. A Solidão e necessidade de companhia são abordadas ao longo do álbum com uma sinceridade e maturidade inesperadas pelo artista. A entrega caótica das mensagens deram lugar a uma calma de intensidade que permite que a transição entre canções seja natural e quase majestosa.

Claramente influenciado pelo trabalho do amigo Frank Ocean em Blonde / Endless (2016), o rapper transporta para este projecto um catálogo de ritmos e batidas efervescentes, por vezes poético. A evolução na mentalidade do artista é clara. Houve um crescimento, entendimento e aceitação dos erros do passado. O resultado é uma linha de pensamento coesa do início ao fim do álbum, com a mesma vivacidade e vigor que demonstra desde o início da carreira.


MUST LISTEN:
COMFORTABLE
(NOT) THE ONE

3. Bebe Rexha  All Your Fault Pt. 2

Porque lançar um álbum convencional já não está com nada, a Bebe Rexha decidiu inovar e dividir o disco de estreia em duas partes. Em Fevereiro conhecemos a primeira, intitulada All Your Fault Pt. 1, e se bem se recordam, deixou-me um sabor amargo na boca. Houve uma pequena evolução nesta Pt. 2 mas não o suficiente para fazer deste um projecto vencedor.

Se juntarmos os dois EP's num álbum completo, falta um ingrediente chave, identidade. Sem uma direcção clara, a Bebe parece navegar sem rumo pelo mundo do POP e R&B mainstream, numa tentativa gritante de conseguir um hit. A julgar pelo primeiro single desta segunda colectânea, a medíocre "The Way I Are", com o agoniante Lil' Wayne, estamos mal parados. Quando vejo uma lista de seis canções nas quais quatro são parcerias, algo de errado se passa.

All Your Fault Pt. 2 não vai mudar o cenário musical ou tão pouco influenciar a vossa vida, mas pelo menos ofereceu-nos a surpreendente jam "(Not) The One".


MUST LISTEN:
ISSUES
WORST IN ME
PINK
DON'T WANNA THINK

4. Julia Michaels  Nervous System

Todos os dias agradeço aos céus a decisão da Julia Michaels trocar os bastidores pelos holofotes. Compositora de mão cheia e responsável por vários hits de artistas como Selena Gomez, Britney Spears e Ed Sheeran, a jovem de 23 anos é uma lufada de ar fresco.

Nervous System é o primeiro EP da sua promissora carreira e se o single de estreia, "Issues", não foi indicativo suficiente, permitam-me que esclareça: salvou a música POP. O conteúdo lírico é honesto e serve como uma espécie de diário. As letras são bem elaboradas mas sem nunca perder o carácter "simples" que caracteriza a Julia. É nessa simplicidade que ela brilha e de que maneira. As baladas "Worst In Me" e "Don't Wanna Talk" são sublimes e a sua voz rivaliza com a de um anjo. 

Com temas que abordam relações amorosas e até sexuais, Nervous System é um dos grandes candidatos à minha lista de "Melhores EP's de 2017". A experimentação musical aqui presente é estranha e não podia estar mais satisfeito. Os instrumentais "despidos" de instrumentos e apoiados em sons produzidos por ela própria, são simplesmente geniais. A sério, estão à espera do quê para ouvir este trabalho?


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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #31


Não bastava estarmos em plena época de preparação para exames como ainda há celebrações dos Santos Populares. Realmente, não podia ter escolhido pior semana para "voltar", ah. Para não atrasar ainda mais a quantidade enorme de album reviews que tenho programadas, vamos lá então retomar e em grande, com o quarteto responsável por salvar a música pop em 2017 (vá, ainda falta a Lorde, mas ela que lance o Melodrama e depois falamos).

'1. Katy Perry Witness

A temível maldição do quarto disco voltou a atacar e desta vez a vítima é a Katy Perry. Parece que o mau olhado da cobra Swift resultou, irra. Acontece aos melhores, Beyoncé (4), Rihanna (Rated R) e Lady Gaga (Joanne) e nem a rainha da Candyfornia está imune ao nariz torcido da crítica. Curiosamente, Witness, é o seu trabalho mais ambicioso, coeso e interessante até à data. 

Aquando do lançamento do primeiro single, o politicamente recheado "Chained to the Rhtythm", a cantora descreveu o (na altura) futuro trabalho como "pop com um propósito". A antecipação era muita mas, infelizmente, isso não se verificou no produto final. Um exemplo disso é a escolha questionável de "Bon Appétit"  uma canção dance-pop sem qualquer aparente contexto político, em colaboração com um trio de homofóbicos para segundo single  algo que parecia deitar por terra tudo aquilo que "Chained" promovia. A Katy passou de um discurso socialmente consciente para querer ser "spread like a buffet". Entretanto ela descreveu a mensagem da música como uma "liberação sexual", mas mesmo assim, nada a ver com o inicialmente referido.

Colocando de lado descrições erradas, o que interessa é a componente musical e é nisso que temos que nos focar. Batidas electrónicas pulsantes e instrumentais de piano divinais fez desta Witness uma viagem deliciosa por entre melodias à la '80 mas em modo futurista. Digam o que quiserem, mas há autênticos hinos neste álbum. Ao longo de uma década a Perry tem-nos presenteado com verdadeiros hits  basta olhar para a era Teenage Dream inteira  e, a meu ver, a melhor canção deste projecto é, de longe, a "Roulette", seguida da faixa-título, "Witness", "Déjà Vu" e claro, a destruidora "Swish Swish".

Não seria um Katy Perry record sem uma balada capaz de nos despedaçar o coração e é isso mesmo que a "Miss You More" faz. Numa realização brutal em que a cantora se apercebe que as saudades de um antigo companheiro são superiores ao amor que ela sentiu por ele, é impossível ficarmos indiferentes. Tal como aconteceu em "The One That Got Away" ou "Unconditionally", esta é Katy no seu melhor e ai de quem disser o contrário. Também "Save as Draft" e "Into Me You See" apelam para o lado sentimental mas são poluídas pelo calcanhar de Aquiles da compositora, as letras. Não é segredo que a KP gosta do seu ocasional trocadilho azeitieiro, mas aqui esmerou-se. Digamos que proferir um "open sesame" a meio de um testemunho sentido ou fazer um suspiro dramático antes de dizer que vai... "salvar como rascunho" é absolutamente ridículo.

Fazendo um balanço geral, considero Witness um álbum superior ao Prism que, verdade seja dita, não apreciei muito (a não se por cinco faixas). Este mantém uma linha melódica coesa do início ao fim e, apesar de tudo, cumpre o seu objectivo: agradar os meus ouvidos. Pode não ser o bublegum pop que conhecemos e amamos ou até politicamente eficaz, mas não entendo a perseguição que as cantoras sofrem cada vez que tentam inovar e "mijar fora do penico". Evolução e experimentação são importantes e permitem-nos progredir. Da minha parte, Witness, recebe um Golden Ghostly.


'2. Halsey  Hopeless Fountain Kingdom

A Halsey não estava a brincar quando disse que estava heading straight for the castle. O secretamente soberbo disco de estreia, Badlands (2015), falava de "olhos educados entre as coxas dela" e "fazer sexo no lavatório da casa-de-banho". Em Hopeless Fountain Kingdom, o primeiro álbum de uma cantora a estrear em #1 no top da Billboard este ano, estamos perante uma recriação do romance de Romeu e Julieta, sob um olhar moderno e millenial, como é indicado em "The Prologue". Pois é, se pensaram que a referência ao 'Biggie e Nirvana' na "New Americana" foi atrevida, preparem-se.

Com uma produção digna de uma estrela com anos de carreira, o grande destaque é "Strangers", uma colaboração com a Lauren Jauregui das Fifth Harmony. Um hit instantâneo com sabor à anos 80 e que pode muito bem ser o primeiro dueto de peso (as t.A.T.u eram um grupo) sobre duas mulheres bissexuais a usarem o mesmo pronome de género ao longo da canção como, "she doesn’t kiss me on the mouth anymore".

Há que aplaudir a Halsey por ter criado uma visão romantizada desta narrativa quase poética de amores proibidos e más relações. O único senão é o facto de se notar que ela ainda não encontrou a sua voz enquanto artista. Os ingredientes estão todos lá, mas nota-se a milhas que ela se molda aos produtores e influências. Tanto pode saltar entre o The Weeknd e Avril Lavigne, como Florence & The Machine e até Rihanna  ainda não superei o facto da "Now or Never" ser uma cópia descarada da "Needed Me", mas tenho que admitir que estou viciado na maldita canção, algo que não aconteceu com a versão original.

Tive as minhas duvidas durante muito tempo mas consegui, finalmente, aceitar o timbre da Halsey e posso dizer que estou oficialmente rendido. 


'3. Dua Lipa  Dua Lipa

Até que em fim! Inicialmente previsto para ser lançado em Setembro de 2016, depois adiado para Fevereiro deste ano e mais uma vez adiado até 2 de Junho, habemus Dua Lipa, o álbum. Tenho sido um fiel seguidor da jovem inglesa de origem albanesa desde que lançou a impecável "Be The One" há dois anos atrás, e a cada aperitivo musical, as expectativas só aumentaram. Dito isto, não me pareceu nada bom presságio existirem seis singles oficiais antes do álbum de estreia ter chegado — isto para não falar das colaborações com o Sean Paul ("No Lie") e Martin Garrix ("Scared to be Lonely"). É praticamente metade do corpo de trabalho exposto antes do tempo, perdendo por completo o efeito surpresa. Não faz sentido nenhum. Aliás, isso explica o facto de só ter conseguido alcançar a #5 posição no top do UK. Sacrilégio.

Números e calendários à parte, não podia estar mais feliz por ter finalmente o projecto final em mãos, ou devo dizer, ouvidos? Tendo ouvido tudo do início ao fim umas 200x, confirma-se, a galinha dos ovos de ouro é, sem dúvida alguma, a voz da cantora. Dona de um timbre raspy extremamente edgy e cheio de garra, a Dua tem a capacidade de transformar uma faixa genérica e aborrecida numa aposta vencedora. É incrível!

Para um primeiro trabalho, o veredicto é positivo mas nada do outro mundo. Tem bons momentos mas não chega a fugir ao molde pop existente no mercado. As letras pós-adolescência repletas de questões sobre sexo, amor e empoderamento são actuais, asseguram o interesse do público e são todas da autoria da cantora, o que é um ponto positivo. Além de "Be The One" e "Hotter Than Hell", a mais recente, "Lost In Your Light", em parceria com o Miguel, é uma amostra perfeita de fluidez harmónica entre teclados, bateria e um refrão capaz de meter qualquer um a abanar o pé. Outro standout é a faixa de encerramento, "Homesick". Apoiada de piano, a composição resulta de uma colaboração com Chris Matin, dos Coldplay, que participa na gravação e cujos vocais se fazem ouvir ocasionalmente. Simplesmente mágica.


'4. Allie X  CollXtion II

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15" com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana está de volta com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. É tudo o que podia querer e mais um bocadinho. Se ainda não perceberam, deixo bem claro, estamos perante um forte candidato ao título de Álbum do Ano.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.



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terça-feira, 25 de abril de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #29


1. Charli XCX Number 1 Angel
MUST LISTEN: BABYGIRLLIPGLOSSROLL WITH ME3AM

Enquanto o aguardado terceiro disco de estúdio não chega, a Charli XCX continua em terreno experimental com a mixtape "Number 1 Angel". Menos pessoal que o primeiro disco "True Romance" e menos agressivo que o EP "Vroom Vroom", este trabalho tem batidas cativantes e esboços de trap comandados por um exército pop feminono.

Composto por 10 faixas, a mixtape conta com a colaboração de diversas artistas emergentes na cena musical como Uffie, ABRA, Starrah, Raye e até a divertida Cupcakke. Também nomes conhecidos dão uma mãozinha como a dinamarquesa mais famosa do momento, MØ, a voz por detrás de hits como "Lean On" e "Cold Water". Estamos perante um verdadeiro caso de "girl power" e o resultado não podia ser melhor.

"Number 1 Angel" pode não ser um êxito comercial e alcançar qualquer tipo de sucesso, mas é, sem dúvida alguma, uma lufada de ar fresco.

2. ANOHNI  Paradise
MUST LISTEN: IN MY DREAMS | RICOCHET | PARADISE

Menos de um ano após o lançamento do álbum Hopelessness, o mais político de sempre da sua carreira, e que ocupou a 6ª posição no meu "TOP 50 de Melhores Álbuns de 2016", Anohni mostrou que ainda tem mais para dizer. Sob o EP Paradise, a cantora mantém a mesma linha criativa do trabalho anterior, com letras que exercitam mensagens dolorosas que expressam diferentes fases de sofrimento, superação e melancolia, embrulhadas numa estética electrónica alucinante. 

Contrariamente ao disco do ano passado, este é um pouco duro de ouvir, mas é suposto. Com as suas distorções, repetições e dissonâncias, a narrativa passa por momentos de lamentação ("Paradise"), amargurados ("Jesus Will Kill You") e furiosos ("Ricochet"), mergulhadas em feminismo e contra o capitalismo que parece terem sido criadas precisamente para não serem êxitos comerciais, algo contrário ao que o POP sempre foi. Um paradigma musical de génio. Numa conferência sobre este EP, Anohni explicou que o objectivo é "apoiar conversas activistas e romper suposições sobre a música popular através da colisão do som electrónico e letras altamente politizadas". Segue-se uma longa mensagem sobre a opressão do sexo feminino por parte do masculino, inclusive dos nossos líderes políticos. Música com consciência é rara e não podia estar mais satisfeito com o resultado final destas seis faixas.

3. Muna  About U

Há algum tempo que vos queria falar de uma das minhas mais "recentes" obsessões, as Muna. Este trio de ex-colegas da University of Southern California, formado por Katie Gavin, Naomi McPherson e Josette Maskin, é uma das grandes promessas musicais deste ano. O amor pelo synthpop e pop dos anos '80 é bastante evidente ao escutarmos cada uma das 12 faixas de "About U", o. álbum de estreia.

Uma coisa é certa, as raparigas têm uma habilidade incrível para criar melodias viciantes, apoiadas de bons refrões e linhas melódicas convincentes. Têm uma veia dramática que aprecio e se revela em algumas letras, como no caso de uma das minhas favoritas, a "Crying on the Bathroom Floor"  o título diz tudo. O facto de serem uma voz activa na comunidade LGBT é importante, nem que seja pelas mensagens que as suas músicas carregam. Enquanto elas não explodem no mundo mainstream vou continuar desfrutar de "About U" e pensar que o trio é só meu. Mas vá, não me importo de o partilhar com vocês.

4. Fenech Soler  Zilla
MUST LISTEN: UNDERCOVER | KALEIDOSCOPE | NIGHT TIME TV

Seguindo a temática 80's que parece ser uma constante na minha biblioteca musical, chegou a altura de vos apresentar o duo Fenech Soler. Com a saída do fundador Daniel Fenech-Soler e Andrew Lindsay do até então grupo, restaram os irmãos Ross e Ben Duffy para continuar a deliciar os fãs com o terceiro álbum de estúdio, Zilla.

Com uma sonoridade semelhante aos Daft Punk, é impossível ficar quieto ao som das batidas com sabor a Verão que o duo nos oferece faixa após faixa. Energético, repleto de refrões infecciosos e diversidade, sem perder a coesão, Zilla só peca por se tornar um pouco repetitivo. Dito isto, é O disco a ouvir antes de qualquer saída à noite, ou se forem lobos solitários como eu, a qualquer altura do dia.


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quarta-feira, 22 de março de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #28


1. Zara Larsson  So Good
MUST LISTEN: ONE MISSISSIPISYMPHONY | LUSH LIFE | NEVER FORGET YOU

Dois anos e cinco singles depois, o primeiro álbum internacional da Zara Larsson foi finalmente lançado. Infelizmente, não faz jus ao nome. So Good é o exemplo perfeito de uma artista cheia de potencial com uma crise de identidade. A cantora sueca é perita em absorver o som de outros colegas, mas ainda não conseguiu encontrar o seu. Perdida entre batidas de discoteca, baladas/midtempos desnecessárias e faixas à la Rihanna ("Sundown"), estamos perante uma grande confusão.

Nem tudo é negativo. Além de uma voz absolutamente fenomenal, especialmente destacada na minha canção favorita, "One Mississipi", a jovem de 19 anos está no seu melhor na eterna summer jam, "Lush Life", uma das melhores faixas pop dos últimos anos. O mesmo se aplica à "Never Forget You", em parceria com o MNEK, e a mais recente colaboração com os Clean Bandit, "Symphony decisão sábia incluir esta, é de longe uma das melhores do álbum. 

Estou bastante decepcionado com o resultado final. Gosto bastante da Zara mas além de pouco coesa, a qualidade das letras é desastrosa. Se é ela a escrever ou alguém por ela, precisam praticar o quanto antes. Permitirem que a frase de abertura da "Only You" seja I don't wanna shower even if I stink, é simplesmente ridículo e só contribui para o desastre que é essa faixa. Espero que depois de ouvir o cd umas 20x o sentimento seja mais positivo.

2. Jessica Sutta  I Say Yes
MUST LISTEN: DISTORTION | FOREVER | REIGN | CAN'T TAKE NO MORE

Provavelmente não conhecem o nome Jessica Sutta, mas se vos disser que ela era uma das Pussycat Dolls, talvez se faça uma luz. Após uma eternidade de singles, incluindo o hit "Show Me" que lhe valeu um #1 no top de Dance Club Songs da Billboard, feito repetido com a genial "Distortion", chega-nos o álbum de estreia I Say Yes. Sob o nome artístico de JSutta, a cantora norte-americana tornou-se numa espécie de rainha da música POP electrónica underground, graças a uma colecção de faixas prontas para as pistas de dança.

Tendo em conta que a Jessica é uma artista independente, há que aplaudir a dedicação e força de vontade em partilhar o seu trabalho. Os vídeos podem não ter o orçamento que outras estrelas do meio possuem, mas o mais importante está lá, música boa. Se é o meu género favorito? Não, mas quando um produto é bom, só me resta admiti-lo. A meio deste projecto de 15 faixas, as coisas descambam um bocado, em parte por causa das colaborações questionáveis, mas de uma maneira geral, estou bastante impressionado. Não só provou que, de facto, canta, como nos brindou com autênticas jams como a "Distortion", "Forever" e "Reign".

3. Khalid  American Teen
MUST LISTEN: AMERICAN TEEN | LOCATION | YOUNG DUMB & BROKE | 8TEEN | LET'S GO

Uma das melhores coisas da indústria musical é o facto de estar constantemente a sair fornadas de novos artistas. Ainda melhor que isso é quando eles são geniais como o Khalid. Com apenas 19 anos de idade, lançou um brilhante álbum de estreia. American Teen é uma ode à juventude, liberdade e lida com temas como a tecnologia, amor e auto-descoberta. Ou seja, se há alguém que compreende e sabe vocalizar o que é ser jovem, é o jovem norte-americano.

O disco é coeso, a narrativa flui bem e os vocais do Khalid são divinais. Ele consegue ter uma voz gentil e simultaneamente poderosa, mantendo uma qualidade melódica a cima da média. Acredito piamente que se o guiarem bem, estamos perante uma estrela in the making. Apesar de sete das 15 canções do álbum terem sido anteriormente lançadas como singles, não perde em momento nenhum o brilho. Num misto de Frank Ocean e Gallant, garanto-vos que não se vão arrepender de ouvir este trabalho.

4. Ed Sheeran  ÷
MUST LISTEN: SHAPE OF YOU | CASTLE ON THE HILL | GALWAY GIRL | HAPPIER

Oh Ed, what have you done? No mês passado assumi publicamente que não apreciava o Ed Sheeran e que este Divide seria o primeiro álbum dele que iria ouvir por estar viciado na "Shape of You". Assim o fiz e... meh. Do pouco que conheço do Multiply, este disco não parece mais que uma tentativa gritante de superar o sucesso do anterior, em especial da canção "Thinking Out Loud".

O meu maior problema com este projecto é a (des)organização das faixas. Incomoda-me imenso que não exista qualquer tipo de cuidado em seguir um raciocínio lógico e melódico. Em vez disso levamos com um vai-vem de "balada vs. animação". Que o Ed Sheeran seja um óptimo escritor musical nós já sabemos, mas desta vez ele abusou nos clichés românticos banhados a azeite. Pior que isso foi a faixa "New Man", onde faz pouco do rapaz com quem a ex-namorada está, por "branquear" o rabo, acompanhar as Kardashians e usar uma mala de homem. Vindo de alguém que já referiu imensas vezes que não era o rapaz mais popular e provavelmente também deve ter sido gozado, conseguiu revelar-se um verdadeiro asshole

Feitas as contas, as duas melhores fatias desta colectânea mantêm-se os singles "Shape of You" (aka. a irmã mais nova da "Cheap Thrills" da Sia) e "Castle on the Hill". Muitos detestam a "Galway Girl", mas adoro a influência irlandesa na produção. 

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