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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

SEND NUDES

Obrigado Marta pela ideia de meter o emoji na imagem!
O envio de nudes, ou seja, fotos íntimas para parceiros ou engates, tem ganho muitos adeptos nos últimos tempos. Tornou-se algo de tal forma comum entre jovens e adultos que, por vezes, esquecem-se dos riscos que podem estar a correr. A questão é, vale a pena?

Há uns tempos li um artigo bastante interessante de um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade Drexel, na Filadélfia (EUA), onde referiam que o sexting  para os leigos, é o envio de sms/imagens sensuais, sexo virtual, entre outras práticas , está directamente ligado à satisfação sexual. Segundo a pesquisa, 87,7% dos adultos inquiridos mandam nudes.

Verdade seja dita, quando eram mais novos (ou não), nunca passaram pela fase em que achavam piada tirar fotos mais provocantes a armarem-se em bons para ver se recebiam atenção? É triste, mas o fenómeno é bem real. Os rapazes com os troncos nus escanzelados que ninguém pediu para ver e as meninas com os trajes diminutos e rabiosque empinado. De certeza absoluta que conhecem alguém que, a dada altura da sua vida, se tenha inserido nestes exemplos.

Este tópico de enviar nudes é muito dispare no que toca às opiniões. Se uns acham uma falta de decência, outros conseguem ser inconvenientes e enviar imagens relâmpago que vos fazem deixar o telemóvel cair ao chão por não estarem a contar com aquilo que apareceu no vosso ecrã.

Namoro há sete anos com a mesma pessoa e confesso que já enviei fotografias mais ousadas. Esta frase fez-me gargalhar portanto vou precisar de um momento. Além de ser uma óptima forma de apimentar a relação, especialmente se não estão juntos com regularidade, é algo que considero bastante saudável se feito com alguém de confiança.

Existem alguns cuidados que devem ser tomados para evitar que algo inofensivo se torne num pesadelo e exponha a vossa intimidade ao público geral. A regra número se quiserem enviar nudes é nunca, sob hipótese alguma, mostrarem a cara. Os casos de revenge porn, isto é, quando ex-namorados divulgam fotografias íntimas dos ex-parceiros, dispararam a pique e por isso mesmo, por muito que confiem no destinatário, todo o cuidado é pouco. É importante evitar que a fotografia contenha qualquer elemento que possa ser facilmente identificável. Além da cara, também devem ter em atenção tatuagens (como estão a pensar com a cabeça errada, os homens esquecem-se sempre disto) e marcas de nascença.

O mais indicado seria eliminarem tudo quando a brincadeira terminasse. Se por acaso as quiserem guardar, é de extrema importância que não deixem nada na maldita cloud que tantas celebridades expôs, e guardem tudo a sete-chaves com passwords até aos dentes. Até no que toca a certas apps como o Whatsapp que estão encriptadas, há sempre forma da informação vazar. O mesmo se aplica ao Snapchat, por exemplo, que apesar de só mostrar a imagem durante alguns segundos e depois a apagar, correm o risco de fazerem print screen.

Respondendo à questão inicial, vale a pena enviar nudes? Depende de vocês e das pessoas com quem o fazem. Se forem estranhos o grau de excitação pode ser maior mas em compensação também é o risco. É preferível ser com alguém que conhecem do que serem surpreendidos. Aliás, se for algo mútuo, têm sempre forma de contra-atacar se for necessário. Just saying.


Sejam sinceros, já enviaram/receberam nudes? Gostam ou reprovam este comportamento?

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

5 Regras básicas de etiqueta no ginásio


Se praticam exercício físico numa área comum, as chances de se terem irritado com algo que outra pessoa fez são mais que muitas. Quer sejam vocês os culpados ou vítimas, o facto é que existem certas regras básicas de etiqueta a seguir no ginásio. Lá por estarmos a dar no duro para conseguir trabalhar alcançar objectivos pessoais, não significa que não possamos facilitar a convivência com os outros durante o processo.


1. Usa desodorizante

Se pensavam que esta era óbvia, estão enganados. Por algum motivo que me ultrapassa, a maioria dos homens só parece preocupar-se em colocar desodorizante depois do banho. O problema é que até lá chegarmos, tivemos que passar por todo um processo tortuoso que envolve um cheiro a suvaqueira digno de um trolha num dia de Verão. Todas as pessoas transpiram, ainda para mais neste contexto, mas há que ter o mínimo de noção. Não se justifica a nuvem aromática de cebola estragada e suor que algumas pessoas arrastam atrás de si. 

2. Limpa o equipamento que usaste

Novamente, algo evidente que escapa à maioria. Por norma, todos os utilizadores de ginásio devem andar sempre com uma toalha atrás. A sua função não é apenas de limpar as gotas de suor que escorrem pela cara, também se aplica ao equipamento que usaram. Não há nada pior que chegarmos a uma máquina e encontrarmos material genético de outra pessoa. Ew. Leva-me a jantar primeiro. No meu ginásio existem funcionários de limpeza que estão constantemente a tratar disso mas, ainda assim, quando vemos que o equipamento que tanto queríamos vagou, não há tempo para esperar por eles, e é o mínimo deixarem tudo composto e não obrigarem os outros a ver a forma das vossas nádegas estampada no assento.

3. Não ridicules ninguém

O que não falta na internet são memes de gym fails e, apesar de ser divertido quando alguém não percebe como uma máquina funciona, eles estão a tentar e não deviam ser ridicularizados por isso. Ninguém nasce ensinado e é normal não acertarem em tudo à primeira. Falo por experiência, sou novo nestas andanças e são mais as coisas que desconheço do que o contrário. Fazer pouco de alguém recém-chegado (ou não) a este mundo, tal como em tempo vocês foram, é simplesmente triste. Em vez disso, sorriam e ajudem a pessoa, não custa nada.

4. Não olhes fixamente para as pessoas

Esta serve tanto para rapazes como para raparigas. Não olhem fixamente! As pessoas estão a trabalhar os corpos e se vos apanham a olhar, vão sentir-se constrangidas e imaginar um de dois cenários: que vocês são creepy e estão à espera de chegarem ao balneário para lhes saltarem em cima ou que estão a fazer pouco deles. Mesmo que uma rapariga esteja com um soutien de desporto ou um rapaz com os boxers à mostra enquanto faz abdominais, não é um convite para olharem. Respeitem o espaço pessoal de cada um.

5. Se não estás a usar, sai

Não há nada mais frustrante que queremos usar uma máquina e estar um marmanjo com o traseiro sentado às sms como se fosse um adolescente com o cio. Se querem exercitar os dedos, existem outros locais mais indicados para o fazerem em vez de estarem a atrasar os treinos de toda a gente. Uma coisa é fazer uma pausa de 1 minuto entre sets outra é os meus netos já terem nascido e os indivíduos continuarem ali, presos ao maldito equipamento sem sequer lhe darem uso.


Frequentam algum ginásio? Partilham de algum destes mandamentos?

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um casting desastroso


Ao longo dos anos tive a minha cota de situações caricatas ou simplesmente ridículas. Talvez aquela que considero pior, e me traumatizou para o resto da vida, foi o meu primeiro e último casting para televisão. 

Para quem é novo leitor ou pouco atento, desde pequeno tenho um fascínio inexplicável com a área do entretenimento. Fazer o quê se as luzes da ribalta chamam por mim? Fora de brincadeiras, pessoa mais realista não existe e por isso mesmo, com o passar do tempo, comecei a mentalizar-me que há coisas que só têm lugar na nossa cabeça. Não é um discurso derrotista mas de alguém que sofre de timidez aguda.

Durante o longo período de estagnação que vivi após terminar o curso, soube de um casting para apresentador de TV e pensei, "Ricardo, o que é que tens a perder?". Horas de sono e sanidade mental, é essa a resposta que na altura ignorei com todas as minhas forças. Modéstia à parte, sou um tipo engraçado e falador pelos cotovelos (quando estou num ambiente favorável a tal), e o mundo daquela pequena caixa colorida que transmite programas foi precisamente o motivo pelo qual fui para Ciências da Comunicação e da Cultura - Jornalismo. Os meus amigos mais próximos que o confirmem, desde miúdo que digo "um dia vou destronar o Goucha e a Cristina". Que popularucho, tristeza.

Cheguei ao local e fiquei na dúvida se estava na fila para o Ídolos. Às 7 horas da manhã a corrente de pessoas já dobrava a esquina e percebi que tinha cometido um erro. Para não me mandarem à cara que "não luto pelos meus sonhos" e que "nunca faço nada por isso", meti as minhas intuições a um canto e finquei o pé. Passaram-se 10h, sim, leram bem, 10 HORAS, em pé, desconfortável e sem fazer xixi sequer, quando finalmente entro no edifício e sou confrontado com a realidade. Aquilo não passava de uma jogada de marketing para promover o canal à pala de uns idiotas (eu) que foram literalmente levados como vacas para um matadouro.

Nem a uma sala individual e intimista tive direito. Um auditório dividido em dois recebia castings em simultâneo. De um lado estavam duas figuras conhecidas do público e do outro um professor da área. Quem é que me calhou? O segundo, claro. O que se seguiu foi um verdadeiro atentado à minha pessoa. Uma coisa é correr mal, outra foi aquilo que me aconteceu.

Sempre ouvi falar de brancas sem nunca ter compreendido como isso era possível. A partir daquele dia fiquei crente. De todos os momentos em que me podia ter acontecido, foi precisamente ali, num dos possivelmente mais importantes da minha pobre carreira profissional. Não só tive que pensar no meu nome antes de o dizer, como até a idade errei. 

O senhor lança o desafio de improvisar (algo que sou óptimo a fazer) e foi digno de um segmento dos Gato Fedorento. Com a cabeça completamente vazia, fiquei numa espécie de transe a olhar para a câmara. O silêncio foi de tal forma prolongado que o senhor até me tentou ajudar mas sem qualquer sucesso. Inventei que estava a falar com a Júlia Francisco, uma combinação da Júlia Pinheiro com o meu apelido. O tema? Então, vivo no distrito de Sesimbra... vamos falar de pesca. O quê, outro tópico? Então e se for os coros de Igreja? SIM, EU FIZ ISTO. Se a vergonha matasse eu tinha caído ali na hora. Escusado será dizer que aquilo foi o deboche e saí de lá com uma vontade de chorar e me enfiar num buraco. À saída da sala, uma funcionária perguntou se estava bem porque me viu branco como um fantasma (com a minha tonalidade é obra) e a tremer por todos os lados. Damn you stage fright! 

Passado este tempo todo, as imagens daquele dia ainda me perseguem e deixam-me genuinamente transtornado. Nunca pensei que fosse ficar naquele estado. Passei a simpatizar muito mais com alguns cromos das competições televisivas. A minha namorada ri-se às gargalhadas sempre que descrevo tudo ao pormenor mas aquilo traumatizou-me a sério! Agora é rezar para que se um dia ficar conhecido, ninguém vá desenterrar aquele tesourinho deprimente.


Já fizeram algum casting? Como correu?

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A Blogosfera estagnou?


Os últimos meses têm sido complicados no que toca a conseguir conciliar trabalho, desgaste e a minha presença online. Enquanto seres humanos e criativos, todos os anos passamos por períodos de crise imaginativa que, consequentemente, nos impedem de escrever o que quer que seja. Juntem a isso uma dose astronómica de preguicite aguda e está o caldo entornado. No passado, referi várias vezes que sofro bastante deste problema e a tendência tem sido piorar. Até ao momento, esta é a maior crise de procrastinação que alguma vez atravessei.

Não querendo apontar dedos a um problema que é meramente interno, existem factores exteriores que também não ajudam à festa. Um deles é a direcção que a blogosfera em geral está a tomar. Pode ser impressão minha mas... o factor novidade perdeu-se. Dou por mim a ler uma constante reciclagem de coisas já escritas, criadas, feitas. Não tenho sentido aquela curiosidade em abrir este e aquele post porque já sei perfeitamente o que vou encontrar, mais do mesmo. São rubricas-clone que nascem mas com um título e número diferente de "coisas" em observação, são os mesmos locais gastronómicos a visitar, as mesmas exposições, os mesmos filmes, os mesmos produtos de cosmética. Bah!

Sei que pode ser uma observação injusta, mas permitam-me que constante um facto que também se aplica a mim. Ao fim ao cabo, sou parte activa nesta problemática e tenho plena consciência disso. Por outro lado, é precisamente por isso que sempre tentei intercalar as ditas publicações em "cadeia" com outras mais aleatórias, por vezes com a sua pitada de wtf. É preciso inovar, sair da zona de conforto e explorar outros caminhos, temas, experiências. Sim, isto é tudo muito bonito mas na prática nem sempre é possível, especialmente se tiverem uma página direccionada a um só público-alvo. Contudo, é algo que estou a tentar com todas as forças aplicar de modo a não vos maçar com tretas.

Cada vez mais o tempo é precioso e ninguém merece desperdiçá-lo a ler um jornal com notícias do mês passado.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Ginásio ⤫ Culto do Corpo ou da Vaidade?


Não foi só a minha alimentação que mudou. Após anos a desejar fazê-lo, finalmente ganhei coragem e inscrevi-me num ginásio. Passaram-se quase três semanas e não podia estar mais satisfeito com a decisão. Dito isto, já tenho muita coisa a comentar.

Logo na primeira ida percebi que estava a entrar numa espécie de zoológico desportista. Há pessoas de todos os tipos e feitios a pavonearem-se pelo auditório que está dividido por diferentes habitats. Temos os búfalos que parecem seguranças de discotecas; as hienas que andam sempre em duplas e só vão lá para tirar fotos para partilhar nas redes sociais que são super activas; as preguiças que se arrastam para lá mas depois ficam a engonhar enquanto estão às mensagens; as avestruzes sénior que não perdem a oportunidade de se fazerem aos jovens instrutores e claro, os porquinhos da índia recém-chegados que, como eu, não percebem nada daquilo e só querem passar despercebidos.

No meio desta selvajaria, existe um elo de ligação entre todas as espécies: os espelhos. Numa espécie de ritual religioso, parece ser impossível levantar um peso sem apreciarem o seu reflexo no processo. Sim, compreendo perfeitamente o quão útil pode ser vermos se estamos a executar correctamente os exercícios, mas aquilo que eu vejo é algo de... surreal. 

Enquanto corria pela minha vida na passadeira comecei a pensar mais a fundo sobre esta questão. Muito se fala do "culto do corpo" mas até que ponto não passa isto de pura vaidade? A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres como os homens. Só que o exagero pode desenvolver um distúrbio psicológico conhecido como a vigorexia - insatisfação constante com o corpo, levando à prática exaustiva de exercício físico.

Como referi, isto não é mais que uma reflexão sobre algo que tenho observado diariamente. Não significa que seja o caso ou regra geral. Apenas considerei peculiar a aparente obsessão que certos indivíduos têm com o seu próprio reflexo. Quando já estão em modo armário e são incapazes de executar um único passo sem olharem para eles mesmos, roça o narcisismo. No balneário ainda compreendo porque estão a contemplar os frutos do seu trabalho, faz sentido e provavelmente se algum dia chegar à forma que pretendo, farei o mesmo. Mas tudo depende do contexto e maneira de como se faz.


 Frequentam um ginásio? Já se tinham apercebido deste fenómeno? É vaidade?

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Adeus processados, olá alimentação saudável


Uma das minhas principais características é gostar genuinamente de comer. Sim, sou daquelas pessoas que fica extremamente irritada se tiver fome e ganha um brilho nos olhos se lhe colocam à frente um prato que adora. Segundo consta, sou assim desde bebé. Bastava mostrarem-me uma colher que lá abria a boca para encher a mula. Por incrível que pareça, nunca fui propriamente "gordo", mas passei por várias fases mais roliças, vá.

Apesar de não cometer grandes excessos no que toca a doces e afins, não posso dizer que tivesse uma alimentação saudável. A minha mãe fica muito ofendida quando digo isto porque não consegue entender que não é um ataque à sua excelente perícia culinária, mas um facto. Coca-cola, batatas fritas e toneladas de pastas de atum com maionese faziam parte da minha rotina semanal, para não dizer diária. De que adianta comer peixe cozido numa refeição, se pelo meio existem pecados gastronómicos que anulam o resto?

A expressão "somos o que comemos" explica bem o porquê de nunca me ter sentido bem na minha própria pele. Foram anos a passar por um duelo interno entre "aquilo que quero ser" vs. abdicar de um dos maiores prazeres da minha vida, comida não-saudável. 

Quando vivemos com os nossos pais e são eles quem ditam as regras na cozinha, torna-se extremamente complicado contrariar o "sistema". Se digo que vou deixar de comer fritos, riem-se enquanto mandam para o ar uns quantos "até parece que comes isto todos os dias" ou "não comas não que ainda cais para o lado". Após várias tentativas falhadas ao longo dos anos, foi preciso fazer análises e descobrir que, no espaço de um ano, fiquei com colesterol para finalmente me levarem a sério e ajudarem a mudar. 

Em vez de parar de beber coca-cola como resultado de uma promessa (hey, tem que ser aquilo que nos custa mais), abandonei-a por completo. As batatas fritas de pacote deram lugar a saladas e até os malditos bróculos que sempre me recusei a comer em criança agora são presença cativa no meu prato. A refeição mais importante do dia, o pequeno-almoço, outrora ignorado por completo, é recebido com papas de aveia, sementes de girassol, nozes e outras delícias que descobri que adoro.

Se sinto falta das comidas antigas? Sem dúvida. Lamento imenso mas aquela história que as pessoas healthy dizem sobre "sentires-te muito melhor" e "não quereres outra coisa", é bs. Estou neste processo há dois meses e sinceramente não noto grandes diferenças no que toca ao meu estado de espírito. Fisicamente sim, estou mais magro, mas é muito complicado combater a tentação. Sinto-me orgulhoso por estar a conseguir cumprir um regime limpo de processados, mas não invalida a vontade que se mantém de querer comê-los. Há alturas em que só me apetece devorar uma pizza, seguida de um belo bacalhau à Brás, com direito a uma bola de Berlim bem recheada como sobremesa. Sou um eterno foodie e não há nada capaz de alterar nisso.

Para evitar a queda num abismo de gulodice e um choque no meu corpo, a minha nutricionista de serviço aka a namorada, aconselhou-me a comer algo non-healthy nem que seja uma vez por semana. O chamado dia de liberdade, se quiserem, mas sem excessos, claro. Digamos que os Sábados agora são oficialmente o meu dia favorito. 

Ainda tenho um longo caminho a percorrer, especialmente no que diz respeito a compreender ao certo aquilo que devemos comer, em que quantidades e a que horas, mas ao menos consegui dar o primeiro passo que é quebrar as correntes processadas que começavam a sufocar o meu coração.


Seguem uma alimentação saudável? Custou-vos ou foi fácil a mudança (se é que houve)? 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Abandono Animal no Verão


Na longa lista de problemáticas que não consigo compreender, o abandono dos animais na época balnear ocupa um dos lugares cimeiros. Pois é, as férias de Verão continuam a ser sinónimo desta prática tão pouco humana que, apesar de diversas campanhas de sensibilização e alterações legislativas, parece não ter fim.

Uma das frases que mais profiro é que "odeio pessoas". A sério, a cada dia que passa perco mais a esperança na humanidade. A quantidade de atrocidades que acontecem diariamente é inacreditável, e nem os pobres animais estão livres de perigo. Sou um eterno animal lover, sem conotações de bestialidade, e incomoda-me imenso ver cães (também há gatos, mas todos sabemos que a esmagadora maioria é do primeiro tipo) a vaguear pelas ruas. Aliás, a minha cadela era uma destas vítimas de abandono e que acolhemos de braços abertos. 

Como é que existem monstros capazes de abrir a porta do carro, muitas vezes em andamento, e deitarem o seu animal de estimação porta fora, como se de um pedaço de lixo se tratasse? Muitos acabam por ser atropelados ou ficar gravemente feridos. Tudo isto porque querem ir de férias e os seus companheiros de quatro patas se tornam num estorvo? Não dá. Recuso-me a aceitar isto.

São muitos os indivíduos que ainda olham para o animal como um objecto. Na hora de o adquirirem, seja por compra ou adopção, pensam nele como uma espécie de acessório fofinho, desconsiderando por completo o facto de ele ir crescer, comer e eventualmente exigir alguns gastos extras com a sua saúde. A partir do momento em que acolhem um animal nas vossas casas, ele torna-se automaticamente um membro da família, como se de um filho vosso se tratasse. É inconcebível o tratamento que estas pobres almas recebem por parte daqueles que deveriam zelar por eles.

Está a custar-me imenso escrever este texto porque imagino o horror que os animais não devem sentir quando percebem que os donos os abandonaram e deixaram completamente sozinhos, sem lar, companhia, comida e água. Não se podem esquecer que, tal como nós, eles têm a capacidade de sentir prazer e dor, física e psicológica, de ter emoções e percepções de bem e mal-estar. São seres puros que nos oferecem o seu amor incondicional e é esta a paga que recebem? Não!

As leis podem existir mas enquanto as mentalidades não mudarem, vai ficar tudo na mesma. Sim, porque o abandono dos animais por aqueles que têm o dever de cuidar deles, é punido com pena de prisão até 6 meses ou multas que podem ir dos 500 aos 3.740 euros. 

Não sei o que os criminosos que cometem estes actos têm na cabeça, mas sei perfeitamente o que lhes fazia.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

5 Passos para não deixares o teu blog morrer


#1. Agenda publicações

Se tal como eu não fores um blogger a full time, as chances de não conseguires escrever publicações todos os dias são mais que muitas. Criar um blog nas férias de Verão é muito bonito, mantê-lo quando as obrigações voltam é que nem tanto. Ao acordar todos os dias às 7h da manhã e chegar a casa às 20h da noite, rapidamente percebi que precisava planear melhor a minha agenda. Na maioria das vezes o cansaço é tal que nem existe paciência para pensar em redes sociais. Como alternativa comecei a escrever os posts aos fins-de-semana e a agendá-los ao longo da semana seguinte. Se consigo sempre cumprir este método? Não. Ultimamente a ronha tem vencido, mas não é uma regra. Portanto não há desculpas para deixares a tua página ao abandono.

#2. Comenta Blogs

Já o referi inúmeras vezes: sem promoção, mais vale fechares as portas. A não ser que sejas um blogger estabelecido ou daqueles que quando chega a um número confortável de visitas começa a cagar (desculpem a expressão) nos comentários alheios, é fulcral divulgares a tua página. Não digo que seja necessário responder a todas as pessoas que te visitam, até porque muitas vezes não vai acrescentar nada, mas se não te deres a conhecer, como é que estás à espera que mais gente te encontre? Tenho pecado imenso neste ponto e peço desde já desculpa por isso. Graças à rotina e cansaço que referi a cima, a vontade de comentar seja o que for é praticamente nula, mas tenho que tentar quebrar este ciclo vicioso ou então não posso estar à espera de milagres.

#3. Não publiques por obrigação

Uma das piores coisas que se pode fazer é publicar só porque sim. Os chamados posts para encher chouriços são uma constante na blogosfera e precisam ser exterminados como uma infestação de baratas. Lamento imenso mas prefiro estar calado a dizer porcaria. Claro que este tópico é muito subjectivo, porque aquilo que me parece interessante pode ser uma baboseira para ti, mas existe um mínimo lógico do aceitável. Atenção, se fores daquele tipo de bloggers que se contenta em colocar uma fotografia à la VSCO com umas frases soltas sobre a ida ao café com o Kiko, força. Afinal de contas, existe público para tudo. Pessoalmente, evito esse tipo de publicações por não acrescentar nada à minha existência ou sequer me fazer rir.

#4. Aponta tudo o que te vier à cabeça

Sempre achei piada a ter um caderno com ideias para posts. Sei que tenho um, algures, mas se no início começo muito disciplinado, com o tempo acabo por deixar as coisas de lado porque ain't nobody got time for that. Um erro que contornei de forma muito simples: telemóvel. Pois é, há alguns meses, durante as minhas longas viagens de comboio, comecei a adoptar o sistema de escrever tudo o que me vier à cabeça nos lembretes. Aqui entre nós, é muito mais prático, fácil e menos pesado. Confesso que já cheguei a escrever publicações inteiras na dita aplicação do aparelho telefónico e nem consigo explicar o alívio que foi poder fazer copy-paste, editar e done! É uma óptima maneira de gerir o tempo morto em que estou fechado na carruagem. Além do mais, por muito idiota que uma ideia possa soar, é sempre bom apontá-la pois pode originar algo hilariante.

#5. Olha em redor, inspira-te

A inspiração é como o mau ambiente numa relação amorosa, vai e volta. Todos nós passamos por fases mais e menos produtivas do ponto de vista criativo, e é importante estarmos atentos ao nosso redor. Graças a isto já escrevi publicações como os populares volumes do "Auto dos Transportes do Inferno", e uns quantos "Já chega, não?". É a parte boa de ter um blog generalista, tenho liberdade total de explorar qualquer tema sem estar preso a um assunto específico. Aproveitem-se disso e explorem tudo à vossa volta. Seja uma ida à mercearia ou um jantar de família. Existe sempre um ângulo de onde podem criar uma história, mas isto já é o jornalista em mim a falar.


Já cometeste o erro de deixar o teu blog morrer? Aplicas algum destes pontos no teu dia-a-dia?

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Kesha ✞ "Praying"


Após uma longa batalha judicial travada com um produtor musical e a respectiva editora discográfica que a impediram de lançar conteúdo, a Kesha está oficialmente de volta e melhor que nunca. "Praying" é o primeiro single em quatro anos e a primeira balada a ser lançada na carreira da cantora. O resultado é simplesmente arrepiante. Se ainda não ouviram, por favor, parem de ler, cliquem no vídeo abaixo e voltem daqui a 5 minutos.

Mundialmente conhecida como uma party girl e dona de hits como "Tik Tok" e "We R Who We R", este comeback é agridoce. Não por ser num registo completamente diferente, trocando as pistas de dança por algo que se aproxima ao gospel, mas pelas razões que a levaram a estar ausente durante tanto tempo. A canção, inevitavelmente, fala das dificuldades que a jovem enfrentou nos últimos anos e como isso a transformou numa mulher mais forte e orgulhosa de si mesma. Se não estão familiarizados com a história, aconselho-vos vivamente a uma rápida pesquisa pela internet.

Para o lançamento da faixa a Kesha preparou um videoclip poderoso, repleto de simbolismos e metáforas bíblicas que explicam a sua jornada para a liberdade. Dirigido pelo talentoso Jonas Åkerlund, responsável por obras-primas como "Telephone" e "Paparazzi" da Lady Gaga ou praticamente o catálogo inteiro dos Roxette, somos convidados a assistir de camarote à tortura emocional que a Kesha passou. É simultaneamente poético, arrebatador e bonito. De longe o vídeo do ano e o melhor trabalho vocal dela.


Bastou ouvir a introdução para ficar desfeito em lágrimas. Riam-se, mas é verdade. A dor na voz dela é tão evidente que me custa imenso ouvir tudo sem uma reacção emocional. Sozinha, no meio do oceano, a cantora bateu oficialmente no fundo. Sem esperança, questiona Deus sobre o porquê de lhe ter acontecido aquilo. Se ele realmente existe, porque razão permitiu que passasse por algo tão horrível? Destroçada, pede para morrer, pois estar viva dói demasiado:
Am I dead? Or is this one of those dreams? Those horrible dreams that seem like they last forever? If I am alive, why? Why? If there is a God or whatever, something, somewhere, why have I been abandoned by everyone and everything I've ever known? I've ever loved? Stranded. What is the lesson? What is the point? God, give me a sign, or I have to give up. I can't do this anymore. Please just let me die. Being alive hurts too much.
Seja porque motivo for, é praticamente impossível não se conseguirem relacionar com estes pensamentos. Apesar de nunca ter falado abertamente disso aqui no blog, fui vítima de bullying durante 13 anos e foram muitas as vezes em que questionei se valia a pena continuar. Talvez por isso, tive uma conexão instantânea com esta canção. Tocou-me de uma maneira que nunca pensei ser possível. Uma coisa é associarmos uma letra a uma relação amorosa ou momento nostálgico, outra é reflectir um pedaço de nós, da nossa essência.  

Cada vírgula desta letra é para aquele cujo nome não deve ser pronunciado, mas até nisso ela provou ser superior. Não ataca quem lhe fez mal e a deixou ali, destruída. Não procura vingança ou incentiva violência. Em vez disso, reza por eles e espera que a sua alma encontre paz, face aos actos atrozes que cometeram. 

Conseguem compreender o quão importante é esta mensagem? No clima mundial em que vivemos, é extremamente relevante pois estamos rodeados de negatividade 24/7. Seja nos media ou nas trocas de palavras de uns com os outros, está em todo o lado. Ela tinha todos os motivos para odiar aquelas pessoas, mas isso só nos faz mal é a nós. Acabamos por nos deixar consumir por este sentimento tóxico e para quê? De que nos serve continuar a remoer isso se os outros continuam as suas vidas como se nada fosse? 

Na sua redacção para a Lenny Letter a Kesha explicou o significado de "Praying":
“It’s a song about learning to be proud of the person you are even during low moments when you feel alone. It’s also about hoping everyone, even someone who hurt you, can heal.”

Capa de Rainbow.
Todos nós devíamos aplicar esta máxima no nosso dia-a-dia. Podia dizer-vos para não retaliarem quando alguém vos tratar mal, mas na prática não é assim tão fácil. Resta-nos esperar que um dia se apercebam do que estão a fazer e nunca esquecer que a culpa não é vossa. O problema é deles, não vosso. Nunca se esqueçam disso. 

Rainbow é o primeiro álbum de inéditas da jovem norte-americana desde 2012, e vai estar à venda a 11 de Agosto. O projecto conta com Dolly Parton (num dueto da sua canção "Old Flames Can't Hold a Candle To You"), e os Eagles of Death Metal. Ate lá, resta-me continuar a contribuir para o número de visualizações de "Praying" que além de sensacional, tem tudo para se tornar num hino intemporal.


Gostam do comeback da Kesha? Conseguem relacionar-se com a mensagem?

segunda-feira, 3 de julho de 2017

The Selfie Effect


Não fui um dos primeiros passageiros a apanhar o comboio do instagram mas, assim que lá cheguei, não quis outra coisa. Se tivesse que descrever o meu feed em duas palavras seriam "natureza" e "arquitectura". Embora tente criar um ambiente pacífico entre tonalidades e temáticas, a verdade é que me limito a publicar fotografias que considere visualmente apelativas. Isto é, até cometer o sacrilégio de publicar uma selfie.

Reza a lenda que se em vez de uma paisagem aparecer a nossa cara, qualquer pessoa que a veja terá um de dois destinos: ou fica sedenta por mais ou apanha um susto de morte. Não acreditam, então experimentem e digam-me os resultados. Fora de brincadeiras, o fenómeno é real e se no início me incomodava por pensar "porra, sou assim tão feio?", agora até me diverte. Não é que me sinta bem por ver seguidores a pularem o navio como ratos depois de verem um monstro, mas sempre dá para descobrir quem é que nos seguia por gostar genuinamente do conteúdo.

Antes de mais, e porque este é um tema susceptível a más interpretações, é importante esclarecer que não estou de forma alguma à procura de qualquer tipo de atenção, de todo. Só estou a partilhar algo que é ocorrente e me despertou o interesse por solidificar a ideia de que vivemos num mundo onde uma imagem vale mais que mil palavras ou hashtags.

Como tudo na vida, não se pode agradar a gregos e a troianos. O que para mim é bonito, para vocês pode ser horrível e vice-versa. No entanto, é incrível a dualidade de reacções que existem quando decidimos partilhar a nossa aparência física. Por cada comentário com corações, são dois seguidores que se perdem. Se forem mais sensíveis, pode destruir-vos a auto-estima. Não digo que uma má recepção seja agradável, mas nem é isso que me incomoda. É estranho quando se tratam de pessoas que seguimos mutuamente há anos, e que além de conhecermos as suas caras, tínhamos um relação recíproca de likes and all, a desaparecerem precisamente naquele instante.

Confesso que já fugi de uns quantos perfis devido à quantidade de selfies que rivalizavam com o charme do Quasimodo, mas se o restante conteúdo fosse de meu agrado, isso não seria motivo para não seguir a conta. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de ver coisas... interessantes, mas isso não é tudo e há com certeza outros sites mais indicados para tal.

No verso da moeda está a atenção que na grande maioria das vezes nem procuramos mas acabamos por receber. Nem é preciso serem deuses gregos para vos choverem mensagens privadas que ignoram por completo o vosso interesse ou relationship status. Se faz bem ao ego? Claro que sim, mas também pode ser extremamente constrangedor dependendo do indivíduo e consequente insistência. Um simples "olá", que interpreto de forma inocente, geralmente acaba por dar uma volta de 180º e levar a conversas que sinceramente dispenso.

A internet é um mundo enorme em que existe tudo para todos os gostos. Literalmente. O importante é sentirem-se bem convosco próprios e serem capazes de se abstrair (ou não) das reacções das pessoas, sejam elas boas ou más.


Já foram vítimas do 'Selfie Effect' seja ele pela positiva ou negativa?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Já chega, não? ⤫ "E tirares a carta?"


Se há jovens que já não aguentam ouvir "Quando é que te casas?" ou "E filhos?", eu ganhei um ódio à pergunta "Não está na altura de tirares a carta?". Não, não está. Que eu saiba, não possuo nenhuma versão mecânica do relógio biológico que buzina sempre que vejo um carro. Como é que fui capaz de chegar aos 25 anos sem ter a carta de ligeiros? Alguém me leve a um médico que não posso estar bem. Ugh.

Ao que parece é totalmente inconcebível que ainda utilize transportes públicos para me locomover. "Com a tua idade já conduzia há sete anos..." E? Desde quando é que ser proprietário de um veículo se tornou numa necessidade básica de sobrevivência quando atingimos a maioridade? Poupem-me.

As pessoas sentem necessidades distintas e a diferentes alturas da vida. Segundo a lei, a partir dos 18 temos a possibilidade de pegar num carro, mas isso não significa que seja regra. Cabe a cada um de nós tomar esse passo se assim achar necessário ou possível. Um pensamento lógico que mesmo assim é recebido com a ocasional "o teu irmão ainda vai tirar a carta primeiro que tu". Até parece que sou menos homem por isso, que absurdo.

Confesso que quando era mais novo pensei que já estaria ao volante a esta altura do campeonato, mas as coisas nem sempre são como idealizámos. De facto, já o podia ter feito, mas para quê? Para ficar anos sem conduzir porque não tenho dinheiro para comprar um carro? Em termos de acessos, chego muito mais depressa a qualquer lado com os transportes, e não tenho a preocupação de arranjar um sítio para estacionar. Não sou idiota, sei perfeitamente que dá sempre jeito ter a carta na eventualidade de alguma emergência ou problema, mas daí a carregar uma cruz vai uma distância.

Recuso-me a gastar dinheiro a aprender a conduzir para depois ficar anos sem voltar a tocar num volante. Não faz sentido nenhum. Já para não falar que sou um autêntico zero à esquerda no que toca à sinalização. Quando digo que não percebo nada de sinais, é nada mesmo. Vá, sei identificar o sinal de STOP e mais uns dois ou três, mas de resto, nicles. É que nem as marcas e modelos sei distinguir, além dos mais óbvios, claro. "Ah mas é para isso que tens aulas", no shit Sherlock. Esta é uma decisão que só a mim diz respeito e estou farto que me julguem por isso. Também não ando por aí a perguntar "Quando é que fazes esse buço" ou "E começares uma dieta?", portanto deixem-me em paz. Já chega, não?

Já tiraram a carta? Foi logo aos 18? Foram pressionados a tal?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

5 Motivos pelos quais não adoro o Verão


Como tudo na minha vida, até no que diz respeito ao Verão sou uma contradição andante. Se por um lado sinto-me genuinamente mais "animado" com os "dias mais longos", aumento das temperaturas, bronzeados e afins, por outro detesto o calor infernal, suor e preguiça que vêm de arrasto. Foi a pensar neste pequeno complexo existencial que criei uma lista com cinco motivos pelos quais já não morro de amores pela estação mais cobiçada do ano (além dos incêndios, claro).

'1. Calor

Não me dou bem com o calor. Sim, apesar de detestar o frio e apreciar temperaturas mais elevadas, não significa que goste de sentir que estou a caminhar pelo reino de Lúcifer. Escusado será dizer que estes últimos dias têm sido um autêntico massacre. Dormir está quieto e até acordado só me apetece meter-me dentro do congelador. Pensar que ainda existem cretinos que se recusam a acreditar que o aquecimento global existe. Quanto a vocês não sei, mas não consigo funcionar assim. Não dá. Ao menos em casa posso andar em trajes diminutos como se estivesse numa vitrine do Red Light District, mas e quando tiver que sair, ir trabalhar? Só a ideia do que me espera amanhã (escrevi isto ontem à noite) está a deixar-me assustado. 

'2. Suor

A não ser que estejam numa sauna ou a terminar um treino intenso (e mesmo assim tenho as minhas dúvidas), transpirar não é nada agradável. Pior ainda e acabar de tomar banho e sentir que preciso voltar lá para dentro outra vez. Sofro de transpiração fácil desde muito novo, o que por vezes pode condicionar as minhas escolhas de vestuário. Qualquer cor fora do espectro black & white significa nódoas garantidas depois de uma breve corrida para apanhar o metro, comboio, ou simples locomoção pedestre. Se tiver um acontecimento importante para determinado dia, seja no trabalho ou a nível pessoal, tenho que avaliar sempre os riscos das minhas partes de cima. Levar aquela camisa azul que tanto gosto implica não poder correr o dia inteiro, caso contrário vou parecer que saí de uma luta de balões de água. 


'3. Preguiça

A linha entre entusiasmo e preguiça é muito ténue no Verão. Uma música animada é capaz de me dar uma força incrível para enfrentar o meu dia, mas basta as temperaturas passarem o limite do aceitável e baam, modo gelatina activado. Esta condição é tão séria que até quando andava na escola, o terceiro período era sempre aquele em que baixava as notas, precisamente porque não conseguia ficar com o rabo sentado na cadeira sem deslizar como uma folha de papel. Ainda hoje isto acontece-me inúmeras vezes. Fico como uma espécie de cão, às voltas até finalmente se deitar, só que com menos acção e mais suspiros de desespero. Não tenho vontade de fazer nada, nada! Ir à casa-de-banho é toda uma viagem que leva décadas entre um arrastar do chinelo e o outro. Criatividade, vontade de escrever e criar conteúdo, tudo é evaporado como a minha paciência. Ugh, I just can't

'4. Monstro temperamental

Por falar em falta de paciência, sou um perigo nestes meses mais quentes. A sério, devia andar com um letreiro ao pescoço a dizer "cuidado com o cão". Seria de esperar que alguém consumido por preguiça não teria energia para mais nada, mas não é bem assim. Como o Hulk que fica verde com a raiva, a mim acontece-me o mesmo mas em vez de mudar a tonalidade, destilo ofensas dignas de uma letra de rap. Tudo me irrita, a maneira das pessoas falarem, o tom de voz, a respiração, a forma como comem, como não percebem algo simples, tudo! A Marta diz que é a minha versão de TPM, mas mais irritante (questionável, mas como não quero problemas, não me vou alongar). Costumo fazer um esforço enorme para ser extremamente paciente, ainda que por dentro esteja a morrer com a vossa estupidez, mas nesta altura metade do filtro desaparece. Não sei explicar mas começo a arder, literalmente, e só vejo vermelho como um Touro (hey star sign). Não fosse o meu bom senso, já tinha uma lista de inimigos enorme ou ido parar ao hospital por me meter com a pessoa errada. Até ao dia!

'5. Transportes Públicos

Achavam mesmo que ia perder uma oportunidade de voltar a mencionar o meu (des)amor pelos transportes públicos? Se não estão familiarizados com os actos I, II e a edição especial de Verão do "Auto dos Transportes do Inferno", shame on you então esta é para vocês. Se, tal como eu, enfrentam o metro na hora de ponta, considerem-me um amigo. Só não vos abraço porque este calor não permite. Agora a sério, é impossível explicar o sentimento que nos consome quando a porta da carruagem se abre e nos deparamos com uma manada de pessoas no interior. É como se estivéssemos a caminhar para a morte. Em modo sardinha em lata, levamos com o suor, pisadelas e pior, odores indesejados de alguns sujeitos que parecem recusar-se a utilizar desodorizante. Isto para não falar da lentidão que se abate sobre toda a gente. Sim, também fico em modo vegetal mas... não no meio da rua! É como se estivéssemos num corredor interminável de qualquer centro comercial.


Gostam do Verão? Dão-se bem com as temperaturas elevadas?

domingo, 11 de junho de 2017

Ainda não foi desta. Estou de volta!


Até me custa a acreditar mas esta é a minha primeira publicação deste mês. Não, não morri e nem me passaram por cima com um camião, mas houve dias em que pensei seriamente se isso não seria uma excelente opção. Cue the lights! The drama king is back.

Antes de mais, queria pedir desculpa pela minha ausência. Sei que não preciso, mas sinto que aqueles que me acompanham há alguns anos merecem um esclarecimento para o meu desaparecimento. Se me seguem pelo facebook ou instagram já devem calcular o que aconteceu, se não, deviam. 

No curto espaço de dois meses tive duas crises de amigdalite. Não sei se algum de vocês já passou por isso mas não o desejo a ninguém. Contrariamente ao que podem pensar, pelo menos no meu caso, o pior nem são as dores de garganta que consistem no equivalente a engolir lâminas. O grande problema são mesmos as enxaquecas. Há algum tempo que tenho um post escrito especificamente para este problema e, face aos últimos acontecimentos, deverá sair em breve. 

O lado direito/esquerdo da testa e a nuca são autênticas zonas de guerra onde existem constantes bombas a explodir. A dor é de tal forma forte que só me apetecia chorar e bater com a cabeça na parede para ver se aquilo terminava de vez. E não, não estou a exagerar. Agora imaginem isto durante 7 dias consecutivos. Exacto. Como devem compreender não estava, de todo, com capacidade física e psicológica para chegar ao fim do dia, depois de 9h de trabalho em agonia extrema  sim, porque recebo tão bem que nem tive o privilégio de ficar em casa , e vir para aqui escrever o que quer que fosse. 

Terminada a segunda ronda de antibióticos que, diga-se de passagem, são extremamente fortes para o estômago, começo a pensar seriamente em retirar as amígdalas a ver se me livro desta sina terrível. Tenho lido bastante sobre o assunto, visto uns quantos vídeos de testemunhos pelo youtube, e estou bem ciente da dolorosa recuperação, mas se isso significa reduzir drasticamente o número de amigdalites por ano para 0 ou 1 que seja, bring it on. Prometi a mim mesmo que se tiver uma terceira crise vou falar com o médico sobre isto, mas só a ideia de voltar a passar pelo mesmo já me deixa a tremer de medo. É horrível! Agora pareço as velhotas. Ao mínimo sinal de vento, por muito calor que esteja, lá meto um casaquito para proteger minimamente a zona da garganta e depois toca de voltar a tirar. Não tenho vida para isto. 

Dadas as explicações necessárias para o meu desaparecimento blogosférico, posso-vos assegurar que já estou a 85% e espero recuperar totalmente durante esta semana. É bom que assim o seja que ainda não fui à praia este ano e já sinto falta com este calor infernal!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O dia em que quase fui assaltado


Por muito que nos custe admitir, está na natureza do ser humano julgar os outros. Não, não consigo acreditar em alguém que me diga que nunca o fez pelo menos uma vez na vida. Até pode não ser com maldade, mas quem é que nunca deu por si a fazer um scan mental a determinado indivíduo? Admito que sofro bastante deste problema. Em contrapartida, raramente me engano.

Consciente de que isto de fazer juízos de valor antecipadamente não é lá muito bonito, há alturas em que tento fazer um exercício interno para contrariar esta componente inata do meu cérebro. Tudo estava a correr bem até à semana passada, altura em que fui recordado que, às vezes, aquilo que parece é e não nos devemos crucificar por isso.

Na manhã de 17 estava a fazer o meu caminho habitual do metro até ao trabalho quando sou abordado por uma senhora que me pergunta se lhe podia tirar uma fotografia e ao marido que, segundo ela, estava "ali" no parque. Apesar de já o ter feito no passado a estrangeiros, por norma sou o tipo que utiliza a máxima "desculpe, estou com pressa". Numa fracção de segundos contrariei os meus instintos e pensei, "vá lá, Ricardo, não sejas um asshole".

Ao caminhar com a mulher os meus alertas psíquicos começaram todos a disparar. Não querendo ferir susceptibilidades de cépticos mas percebi logo o que estava acontecer quando me vem a frase à mente "estás a levar-me para a morte e eu a ver". Sim, dramático até mais não, mas podia ter acontecido!

Ao ver que o dito "parque" estava vazio, paro abruptamente e pergunto-lhe "então onde é que está o marido?" ao qual ela responde "ah... eh... ele já vem aí". Se antes era uma suspeita agora tinha a certeza, tinha que sair dali rapidamente. O meu "Bem, estou atrasado para o trabalho, tenho que me ir embora" foi recebido com um agarrar de braço por parte da mulher que ao ver o meu "puxão" de resposta diz "não tenha medo que não lhe faço mal". Cinco segundos depois parece que lhe deu qualquer coisa e era outra pessoa. A voz e olhar mudam para algo quase assustador e diz-me de dentes cerrados, "é só para saber que o meu marido está ali atrás do arbusto com uma pistola (...)". Nem a deixei acabar. Alto e bom som interrompia com "Pois, logo vi. Já sabia." Isto tudo enquanto viro costas (sempre com o canto do olho a ver se alguém vinha atrás de mim), e ela continuava, agora a gritar, "é melhor não sair daqui!!!" e eu, sem olhar para trás, aceno-lhe um adeus acompanhado de um "'tá beeeem!". Cheguei ao trabalho e a adrenalina foi substituída por tremores nas pernas, tal foi o susto, mas felizmente estava são e salvo.

Tenho noção que o relato, especialmente a minha "despedida" pareçam hilariantes, mas garanto-vos que rir era tudo aquilo que não me apetecia fazer naquele momento. Agora que penso nisso, nem me reconheci com aquele à vontade todo e firmeza com que lidei com a situação, mas fico feliz por saber que that guy's in here, somewhere.

Os red flags estavam todos lá desde o início e eu preferi ignorá-los para "não julgar ninguém". Quando alguém nos pede para os fotografar, é ali, naquele instante. Não precisamos ir ter com este ou aquele em outro sítio. A forma como ela olhava para todo o lado como se estivesse com medo, não era cuidado com os carros que passavam na estrada, mas sim paranóia. A forma como ela estava vestida não era de alguém que tinha "vindo da Alemanha de férias e que tinha casado". Estava tão distraído a ouvir música e surpreso pela interacção que tudo isso me escapou.

Nunca vou saber se o intuito era assaltarem-me, raptarem-me ou algo pior, mas prefiro morrer na ignorância. O certo é que se existiam algumas dúvidas sobre o meu sexto sentido apurado, foram aniquiladas com a certeza de que o devo seguir sem hesitar.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Monkey see, monkey do


Se há algo que nunca vou compreender são os seres que seguem as massas. Sedentos por aceitação ou inclusão de um todo, estão dispostos a ir contra os seus próprios princípios só para se integrarem, seja em que contexto for. Não se trata de prepotência, mas não consigo mesmo aceitar que alguém seja tão insonso e sem personalidade que se presta ao ridículo de beber cada palavra, acção ou mensagem de outrem que consideram como um modelo a seguir.

Este tipo de coisas acontece muito com as ditas "celebridades". Nos anos 80, que rapariga é que não se vestia como a Madonna? Cada vez que olho para fotografias da minha mãe e as amigas na altura dá-me uma enorme vontade de rir, mas é normal, faz parte do processo de crescimento. O problema reside quando a pessoa não cresce e desenvolve uma espécie de dependência que lhe impede de pensar por si própria. O que começa por ser uma empatia e apreço por um artista, muitas vezes acaba a roçar a linha da obsessão, podendo chegar a situações extremas como a perseguição ou invasão domiciliária. Mas isso já é outra conversa.

Compreendo que as "modas" têm que surgir de algum lado, mas há que perceber se estamos a seguir algo porque gostamos genuinamente ou porque toda a gente faz. É precisamente a segunda opção que me tira do sério. Sou um grande defensor da diversidade e, como tal, detesto ver rebanhos de opinião. Talvez seja por isso que ganho uma pequena aversão a produções ditas mainstream, e olhem que não sou hipster nenhum. Lembram-se da velha máxima d'o que é de mais enjoa? Ora nem mais.

Felizmente li os livros do "Hunger Games" antes de os transformarem num império capitalista astronómico, se não o mais provável seria não ter comprado nenhum e só ter visto os filmes agora que a febre passou. Este é um dos motivos pelo qual muitas vezes prefiro que os meus grupos undergound favoritos se mantenham longe dos holofotes e no anonimato mediático. Sei que é egoísta, mas fico incomodado quando algo se torna popular e de repente todos se lembram que aquilo é bom, quando anteriormente, se fosse preciso, criticavam e nem queriam saber. 

Um bom exemplo disso foi o que aconteceu agora com a Eurovisão. Após meses a tecerem comentários nefastos e a ridicularizarem o Sobral, foi preciso ganharmos para ele passar de drogado a Salvador da Pátria  see what I did there?. Como parece bem, agora a Eurovisão já não é tão ridícula e não só somos fantásticos como a canção é a "coisa mais linda de sempre". Bitch please. Uma coisa era ouvirem tantas vezes a música que começavam a gostar  algo que acontece frequentemente  outra  é isto. Coerência é algo que falta a muita gente.


Claro que não o vão admitir mas fica a pergunta, costumam seguir as massas?
Esta maneira de ser incomoda-vos?

domingo, 14 de maio de 2017

EUROVISION 2O17 ♥ PORTUGAL DID IT!


A 13 de Maio ocorreu um milagre, Portugal venceu o Festival da Eurovisão.

Num dia marcado pela visita do Papa a Fátima e a tetra-vitória do SLB, Salvador Sobral subiu ao palco em Kiev, na Ucrânia, e encerrou o serão com chave de ouro, ao arrebatar os corações (e votos) de milhares de europeus com a soberba canção "Amar Pelos Dois". Considerado por muitos como o país dos pequeninos, é impossível explicar o orgulho e alegria que senti quando vi a nossa bandeira manter-se intocável no primeiro lugar da tabela final desde o início da votação. E porque a ocasião assim o permite, ganhámos caralho!


Quem me conhece na vida real sabe a importância que a Eurovisão tem na minha vida. Sim, estou a falar a sério. A minha namorada que o diga, ela detesta isso em mim. Digamos que é o equivalente a qualquer competição futebolística mas menos irritante visto que só ocorre uma vez por ano. Fui criado numa família com a tradição de assistir a este espectáculo musical e não tenho vergonha de admitir que vibro, grito, canto e até danço se for preciso com alguns actos. Portanto, só comportamentos normais de um adepto de um clube qualquer. 


Se há coisa que não sou é hipócrita, admito que durante anos critiquei o facto de sermos o único país que se recusava a levar canções que não fossem em português. Aliás, cheguei a expressar o meu desagrado aquando da nossa primeira semi-final, em Fevereiro, no Facebook:
"Tenho estado a ver o Festival da Canção e... por amor de Deus. São baladas atrás de baladas, "cantores" medíocres e claro, tudo cantado em português, porque somos o único país que se recusa a evoluir".
O certo é que este momento de fúria chegou ANTES de ouvir o Salvador. Felizmente as publicações têm horas para comprovar que não estou a mentir. Aliás, tenho sido um ávido defensor da nossa canção tanto ao vivo como nas redes sociais, especialmente no Instagram. Tal como aconteceu com a "Senhora do Mar" da Vânia Fernandes, em 2008 — mantém-se como uma das minhas entradas portuguesas favoritas , assim que ouvi a melodia melancólica da "Amar Pelos Dois" e o #salvadorable cantou as primeiras notas, fiquei encantado e disse com todas as letras "esta vai ganhar". Claro que me referia à representação do país no concurso, mas as palavras ganham outra dimensão depois desta noite (estou a escrever este post de madrugada, daí a referência temporal).


Portugal foi o país que participou há mais tempo na Eurovisão sem nunca ter ganho. Estreámo-nos em 1964 com "Oração" de António Calvário e ao longo do anos, pisaram o palco nomes como Simone de Oliveira, José Cid ou Paulo de Carvalho. Lúcia Moniz deu a PT a melhor classificação, até à altura  foi em 1996 quando "O Meu Coração Não Tem Cor" conquistou o 6º lugar. Desde então, nunca mais nos classificámos nas dez primeiras posições e, desde 2010, nenhuma canção lusitana chegava à final. A música que Salvador e Luísa Sobral criaram em conjunto defrontou 25 concorrentes e saiu vitoriosa, tanto pelo júri como pelo televoto. Pensar que há alminhas que dizem que "foi tudo feito", como se alguma vez alguém quisesse ajudar o país pequenino, sem vizinhos e em crise.


"Amar Pelos Dois" é uma canção diferente de todas as outras. A simplicidade tanto do tema como do músico em palco contrastou com o aparato exuberante das restantes actuações  algo que, de resto, costumo criticar como podem ler na publicação do ano passado (AQUI). O jovem não precisou de cenários excêntricos, luzes psicadélicas, jactos de fogo ou roupa vistosa. Apenas de um palco, que nem sequer foi o principal. Afinal, é mesmo isso que está em análise, a canção.


Na conferência de imprensa após a primeira semi-final, Salvador disse que "A música é uma linguagem universal. Quando se canta com o coração, as pessoas compreendem. Quando é algo genuíno e não é plástico, as pessoas compreendem". Uma ideia que voltou a referir quando subiu ao palco para receber o troféu. Música com significado é uma arma poderosíssima que, infelizmente, tem vindo a dar lugar a produções populares manufacturadas. Não há nada de errado em apreciar esse estilo, até porque é aquele que mais consumo, mas é importante saber separar as águas e enaltecer o que é bom.


Ano após ano a torcer por Portugal, a verdade é que nunca acreditei que ganhássemos. O povo português está tão habituado a falhar ou chegar quase lá, que criou um pessimismo hereditário do qual também sofro. Claro que pensava "um dia, um dia vamos conseguir", mas nunca pensei que fosse mesmo acontecer, quanto mais agora. É incrível a onda de apoio e amor que esta canção, cantada na nossa língua, gerou por toda a Europa. Fico comovido e genuinamente feliz por ver que o nosso trabalho foi reconhecido em mais uma área na qual ainda não tínhamos conseguido brilhar, tal como aconteceu com a nossa primeira vitória no Campeonato Europeu de Futebol de 2016. Podemos ter muitos defeitos, mas muitas vezes não nos valorizamos tanto como devíamos.


Desta feita não me vou pronunciar afincadamente sobre os restantes países como é habitual. Posso adiantar que a Itália foi altamente roubada e em vez do merecido 2º acabou em 6º lugar; a Bulgária esteve fantástica, assim como o Reino Unido e a Bélgica. A Arménia, França, HungriaSuécia e Azerbaijão também eram das minhas favoritas, assim como a Islândia e Estonia que nem à final chegaram. Fechando o leque de preferências, entram ainda a Austrália, Polónia e Israel.

Sem me alongar muito mais, despeço-me com o meu TOP 10 pessoal, assim como os oficiais:
TOP 10 GHOSTLY:
1º. Portugal
2º. Itália
3º. Bulgária
4º. Bélgica
5º. Arménia
6º. Reino Unido
7º. Suécia
8º. Hungria
10º. França
TOP 10 JÚRI:
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Suécia
4º. Austrália
5º. Holanda
6º. Noruega
7º. Itália
8º. Moldávia
9º. Bélgica
10º. Reino Unido
TOP 10 PÚBLICO:
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Moldávia
4º. Bélgica
5º. Roménia
6º. Itália
7º. Hungria
8º. Suécia
9º. Croácia
10º. França
TOP 10 OFICIAL
1º. Portugal
2º. Bulgária
3º. Moldávia
4º. Bélgica
5º. Suécia
6º. Itália
7º. Roménia
8º. Hungria
9º. Austrália
10º. Noruega

Viram o Festival da Eurovisão? Quais foram as vossas músicas favoritas?

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Preciso de um clone


Como devem ter percebido, não tenho andado com muito tempo para o blog. Se em tempos longínquos publicava praticamente todos os dias, agora nem os posts intercalados consigo cumprir. Não é que exista uma regra que me obrigue a partilhar conteúdo continuamente, mas sinto que ando a falhar. O ideal era mesmo ter um clone que ficasse encarregue da parte chata da minha vida e me deixasse aproveitar os bons momentos ao máximo.

Visto que este espaço não é a minha fonte de rendimento e não ganho absolutamente nada com ele, se continuo por cá é porque gosto mesmo disto. Verdade seja dita, desde Dezembro que a minha situação laboral está um caos por estar a exercer duas funções distintas (sem receber por isso). Resultado, após 8h sem parar, não tenho tido a mínima vontade/paciência para chegar a casa e escrever. O mesmo aplica-se à leitura. Enquanto no ano passado devorei seis livros, este nem metade de um consegui ler.

Normalmente tento escrever o máximo possível durante o fim-de-semana e agendar tudo porque, de 2ª a 6ª, é impossível. Ou acabo por me deitar às 3h da manhã e acordo ainda mais cansado, ou só tenho o tempo de criar a imagem na noite anterior e deixar a escrita para um furo no trabalho. Além de ser uma pressão terrível, acaba sempre por surgir alguma coisa que me impede de terminar o maldito texto. Pista: quando publico alguma coisa sem ser a esta hora é, na esmagadora maioria, um caso desses.

Com um Ricardo 2.0 a coisa resolvia-se num instante. Era ele que acordava todos os dias às 7h da manhã e chegava a casa às oito da noite; aturava o meu patrão por mim e a necessidade de me ligar de 10 em 10 minutos; levava com os tsunamis lisboetas que me deixam ensopado e semi-careca; ficava na fila interminável para comprar o passe e levava com os germes das pessoas nojentas que utilizam os transportes públicos como se fosse o curral deles. Já eu, podia dormir até ao meio-dia, ver as séries e filmes todos que tenho em atraso e claro, escrever conteúdo interessante para partilhar convosco. Sei que a isso se chama desemprego, mas já me bastou dois anos em casa e não obrigado

Tenho mil e uma ideias (e rascunhos) para dar vida e prometo que vou tentar ser mais disciplinado durante o fds. Igualmente em falta estou com as vossas páginas que não têm recebido o meu habitual contributo opinativo. Não vou ser hipócrita e dizer que leio tudo porque ultimamente não tem acontecido, mas quando o fizer, preparem-se para múltiplas aparições na vossa caixa de correio.

Até lá, vou continuar a torcer por Portugal na Eurovisão apesar de saber que, politicamente falando, é impossível vencermos. Mas que era merecido, era.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

25 Anos e continuo sem nunca...


No ano passado partilhei convosco alguns dissabores (AQUI), digamos assim, de actividades ou experiências que nunca tinha vivido com os meus 24 anos. Na altura, estava longe de esperar que isso fosse desencadear um rol de publicações com a mesma temática mas fico feliz.

Há uns meses atrás, com o meu aniversário em vista, revisitei a dita lista e confesso que fiquei frustrado por verificar que tudo se mantinha na mesma. Em jeito de update, se bem que não seria necessário um, revisitei o post original e (re)apresento-vos cinco tópicos que considero como os mais chocantes, salvo seja, pelo menos aos olhos da sociedade.


'1. Ter aprendido a andar de bicicleta

Um dos meus maiores desgostos na vida é não saber andar de bicicleta. Em criança adorava andar com as rodinhas mas assim que as tiraram o meu cérebro fritou. Farto de tentar e acabar sempre no chão com os joelhos esfolados, desisti. Digamos que por muito paciente que eu seja, há certas áreas e situações que me tiram do sério. Ainda assim, muitas vezes imagino a sensação que deve ser andar livremente por aí, sem precisar depender de combustível ou boleias. Bem, ao menos sei nadar. 

'2. Ter ido a um concerto

Continua presente na minha cabeça o horror que provoquei quando admiti publicamente que nunca tinha ido a um concerto. Meus caros, tenho oficialmente 25 anos e a coisa mantém-se. Criminoso, eu sei. Chega a ser caricato um ávido consumidor de música como eu, nunca ter experienciado uma das formas mais naturais de apreciar esta arte, isto é, ao vivo. Ser um tio patinhas e achar um balúrdio o preço da maioria dos bilhetes já nem é o principal impedimento, mas sim o facto de ou nunca ter companhia. Sim, porque dizer "vamos" é muito giro mas depois chega a altura e chapéu. Os festivais então é para esquecer. Fazem os cartazes propositadamente mal distribuídos para deixar o público dividido e realmente, comigo resulta, mas pela negativa. Enfim, resta-me torcer para que um dos artistas/grupos que sigo vigorosamente resolva parar por Portugal e convencer alguém a ir comigo.

'3. Ter a carta de condução

Quando era mais novo imaginei mil e um cenários para a minha vida. Garanto-vos que chegar a esta idade sem ter a carta de condução não era um deles. Muitas vezes perguntam-me "porquê é que não tiras?" e a resposta é sempre a mesma: "porque é que vou tirar a carta se depois não tenho um carro para conduzir?". Mais simples que isto não podia ser. "Ah usas o dos teus pais". Ui, nem entrem por aí. Conheço pessoas que tiraram a carta mal completaram os 18 anos e nunca mais pegaram num carro. Resultado, já não sabem conduzir. Vale a pena gastar dinheiro para me acontecer o mesmo? Não. Se as pessoas compreendem isto? Não.

'4. Ter ido a uma discoteca

Embora seja um animal noctívago, não é a componente "festiva" que mais me atrai. Não se preocupem, não pertenço a nenhum culto ou ceita religiosa. Claro que já saí à noite, mas sempre me fiquei pelos bares. Para quê pagar para entrar numa discoteca se posso encontrar tudo o que tem para me oferecer de borla em pubs e afins? Os elementos são os mesmos, leia-se, álcool, música aos altos berros e tolos a "dançar", muda o quê, o tamanho do recinto? Se um dia tiver que acontecer, que remédio tenho eu, mas até lá, não me incomodo de continuar na ignorância.

'5. Ter ido a um casamento

Às vezes sinto que amaldiçoei a minha família. A sério, foi preciso nascer para nunca mais ninguém se casar. Tanto no seio familiar como no círculo de amigos, se bem que este último ainda vai a tempo de acontecer, o certo é que nunca soube o que é ter que ir para aquela que é considerada uma das cerimónias mais aborrecidas do mundo. Vendo bem as coisas, realmente dispenso o sermão religioso, e a prenda choruda, mas o que realmente me interessava era a componente gastronómica da questão. Isso e ter um pretexto para finalmente usar um fato - aqui está mais uma coisa que nunca fiz. Durante muito tempo brinquei dizendo que o primeiro casamento a que eu iria ainda seria o meu, mas quando penso no balúrdio que é, a ideia afasta-se cada vez mais.


Pessoas vividas desse lado, são bixos do mato como eu? Temos peculiaridades em comum?

sexta-feira, 28 de abril de 2017

The Scarlet Shorts | Assédio Sexual Masculino


Assédio nunca é bom, independentemente do género sexual. Sim, a percentagem de mulheres que sofrem deste problema é drasticamente superior à de homens, mas isso não significa que o contrário não deva ser levado a sério. Atenção, sou o maior activista no que toca ao respeito em geral, e em especial pelo sexo feminino. Sem vocês, mulheres, não éramos nada, portanto há que vos dar o merecido mérito. No entanto, é importante expor algo que começa a ser cada vez mais comum e pouco ou nada se fala.

As mini-saias ainda são vistas por algumas pessoas como o cartão de convite para o abuso masculino. A mentalidade "sai assim à rua e depois admira-se" ou "está mesmo a pedi-las", como se a forma como nos vestimos fosse desculpa para actos violentos e nojentos por parte de alguns indivíduos, continua presente e em vez de se erradicar, parece propagar-se com a mesma facilidade de um fogo no Verão. O que poucos se apercebem é que esta situação deixou de ser exclusiva do sexo feminino. Pois é, o número de rapazes que sofrem de "piropos", olhares invasivos ou até de fotografias indesejadas parece estar a aumentar.

Não sou nenhum exemplo de beleza e tão pouco tenho um corpo trabalhado, mas isso nunca impediu de passar por experiências que nunca pedi. Desde ter os meus 14 anos e ao passar junto a uma obra ouvir "não é uma princesa, mas também marchava" ou vestir uns meros calções num dia de calor e alguém dizer "nice ass!" em plena Baixa Lisboeta, o sentimento é um misto de receio e choque. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de ser elogiado, quem não gosta? Mas há maneiras de o fazer que não envolvam estranhos, palavreado grosseiro ou invadirem o meu espaço pessoal.

Como eu há mais. Há uns anos atrás estava a atravessar uma passadeira com um colega da universidade quando o carro que pára para passarmos apita, começa a assobiar e a dizer mais coisas que sinceramente já não me recordo. Na altura fiquei bastante confuso por não compreender o que raio tínhamos na testa para fazer de nós um "alvo". Quando lhe perguntei o que tinha sido aquilo, ele disse com um ar de quem já estava habituado "é dos calções". Se basta isso para sermos abordados, imagino o horror que as raparigas passam todos os dias.

Ainda nem estamos no Verão e já me sinto mal a andar de calções na rua. Modéstia à parte tenho some junk in my trunk como cantava a Fergie na "My Humps" dos Black Eyed Peas. Resultado, se não tiver um casaco que cubra metade, tenho sempre os olhos da NASA na minha lua cheia. Acaba por ser constrangedor, especialmente quando são apanhados em flagrante. O assédio vem por parte tanto de homens como mulheres, sendo as últimas as piores. Já vos contei num acto do "Auto dos Transportes do Inferno", que um dia adormeci no comboio e acordei com a mão de senhora na minha perna. Ao ver que acordei, tentou disfarçar como se estivesse a coçar-se e "roçou" em mim sem querer. Sem comentários.

É preciso compreender que qualquer forma de assédio além de indesejado, é crime. Uma coisa é olharem disfarçadamente para alguém que considerem bonito ou em português corriqueiro, "podre de bom". Todos nós já o fizemos. Outra coisa é um olhar de lince como se estivessem a despir a pessoa com os olhos. Isso é horrível e assustador. Muito menos é aceitável tocarem, falarem ou fotografarem outra pessoa à socapa. Sim, porque este terceiro exemplo também acontece e com muita frequência. As pessoas esquecem-se que os vidros do metro, comboio e autocarros são espelhados e que, como tal, é possível ver o reflexo dos telemóveis. Quer seja contra homens ou mulheres, isto tem que parar. Respeitem o próximo como gostariam que respeitassem os vossos pais, filhos e irmãos. Se estão desesperados por acção, têm bom remédio, paguem a especialistas da área ou contentem-se com o que a internet tem para vos oferecer.

Na minha lua só pisa quem eu quero.


Pergunta escusada mas, já foram vítimas de assédio? É frequente? Qual foi a vossa pior experiência?

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Guia para namorar com um cinéfilo ⤫ Capítulo I


Por esta altura sinto-me como o Padre António Vieira a pregar aos peixes quando falo sobre a minha paixão pela sétima arte. Um dos meus maiores desgostos é não ter qualquer tipo de formação na área mas nunca é tarde para aprender. Isto de conciliar o amor por outra pessoa com o amor cinematográfico tem muito que se lhe diga. Após sete anos ao lado da Marta (a rapariga bonita do Majestic), foram muitas as vezes que reparei na diferença drástica de interesse que cada um de nós tem sobre séries e, especialmente,  filmes. Face esta situação, parece-me oportuno elaborar uma espécie de guia para os companheiros de qualquer cinéfilo. 

CAPÍTULO I

1. Nada de funny business no cinema

Muitos de vós já devem ter comido uns linguados bem temperados no escurinho do cinema, faz parte não é? Apesar de já me ter acontecido, e mesmo que o prato seja uma autêntica iguaria, detesto que me desconcentrem quando estou a ver um filme. Ainda para mais pago. Chamem-me Tio Patinhas mas é a mais pura verdade. Cada vez mais ir ao cinema é considerado um luxo e, como tal, pondero imenso sobre em que cavalo apostar. Se o barulho dos desconhecidos já é mau, imaginem se for o vosso amigo, date, wtv, a interromper constantemente o filme com questões ou luzes, ou com algo mais spicy (not judging tho). É tudo muito giro mas perdem-se imensos pormenores.

2. Vais ouvir trivia que não te interessa

Ela que me corrija se estiver errado (não estou), mas esta é a maior queixa da minha namorada no que toca ao mundo do entretenimento. Desde muito novo sempre adorei ver os tops musicais e por mais absurdo que seja, consigo identificar o ano e posições a que certas faixas que ouvia chegaram. Com os filmes não é muito diferente. A notícia de um novo trailer é muitas vezes ofuscada por um rol de informação que ninguém me pediu mas que dou involuntariamente. Lamento imenso se acho interessante referir que X actriz ganhou um Óscar por aquele filme e no mesmo ano um Razzie por outro (hey Sandra Bullock). Lancem directores, gossip de bastidores e críticas à mistura, e está preparada a receita para a minha namorada adormecer ou dizer como aquela miudinha disse ao Toy e pedir-me "cala-te só um bocadinho".

3. Prepara-te para debates acessos a favor/contra certas produções 

Um dos meus calcanhares de Aquiles. Já referi anteriormente que tenho uma grande dificuldade em aceitar opiniões contrárias às minhas. Não se trata de me considerar o santo graal cinematográfico mas o que é suposto fazer quando alguém tem o descaramento de me dizer que o "Fifty Shades Darker" é óptimo e que tem muito mistério? Já que não lhes posso bater deixem-me destruí-los com palavras, por favor. Todos temos direito à nossa opinião e também tenho a minha cota de shitty movies that I love, mas a diferença reside no facto de ter plena consciência da sua falta de qualidade. Outra é acreditar piamente que aquilo é um bom produto. A Marta diz que consigo ser obnoxious ou até condescendente mas é mais forte do que eu. Por muito que o seu desinteresse me incomode, é graças a isso que nunca batemos de frente por causa do que pensamos acerca de determinado filme.

4. Entrar na Fnac é o maior erro da tua vida

Não sei até que ponto gostaria de saber o total de horas que já gastei na Fnac ao longo dos anos. O que vale é que não tenho o hábito de ir lá todas as semanas e sou muito agarrado ao dinheiro, se não estava arruinado. Se forem amantes de DVD's, sob hipótese alguma ousem entrar num destes estabelecimentos com a vossa cara-metade. Caso contrário preparem-se para uma sessão repleta de sopros, revirar de olhos e até miar para vos chamar à atenção  (sim, isto aconteceu-me). Esta actividade está para algumas raparigas como uma visita à Mac para alguns rapazes. Terrível.

5. Os Óscares são o equivalente ao Mundial

Há pessoas que fazem promessas, batem nas mulheres quando o clube de eleição perde e são capazes de passar fome para poderem comprar um bilhete de futebol. Aqui não há nada disso, muito menos violência, mas o fervor emocional é semelhante. Torcemos pelos filmes e actores de que mais gostamos, dizemos asneiras se alguém vencer injustamente, e até vertemos uma lágrima ao lembrar aqueles que já faleceram. Da mesma maneira que olho com algum cepticismo para o mundo da bola, imagino que há quem faça o mesmo com o meu cinema. Ao estarem numa relação com um cinéfilo, têm que se mentalizar que uma madrugada de Fevereiro por ano, ele vai ficar na sala até às 4 e tal da manhã a seguir religiosamente a emissão dos Óscares. Podem chamar, aliciar com comida (vá, aceitava mas mantinha os olhos na televisão), e até se queixarem de frio, não adianta. Sorry mas deixem-me em paz.


Já namoraram com um cinéfilo? Têm amigos assim?

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