Nada como uma playlist para encerrar oficialmente o capítulo "Novembro". Com imensos lançamentos no panorama musical, havia muito por onde escolher mas fiquei-me por aquelas que mais vezes passaram pelo meu radar.
Se havia dúvidas que as irmãs Aly & Aj tinham voltado para recuperar a coroa do pop, foram completamente esmagadas com o lançamento do sensacional novo single, "I Know". A P!nk conquistou-me com a fantástica "Beautiful Trauma" e, por muito que me custe admitir, a "Call It What You Want" da Ssswift é pretty good. A Lauren Jauregui continua a aventurar-se no mundo das parcerias, desta vez com o Steve Aoki, em "All Night", e a Miss American Idol, Kelly Clarkson, ofereceu-me um dos meus guilty pleasures com a "Would You Call That Love".
Demi, Demi, Demi. Deves ter sido terrível em outra vida para estar a pagar tudo nesta. Após criar o melhor álbum da sua carreira, nem uma única nomeação conseguiu receber para os Grammys? Poupem-me. Não faz sentido nenhum e sinceramente só descredibiliza ainda mais a cerimónia que há muito se converteu num concurso de popularidade. Ao menos ficamos com canções efémeras como "Tell Me You Love Me" ou a inesperada "Échame La Culpa" com o Sr. Despacito.
O Ed Sheeran voltou a presentear-nos com a sua especialidade, cheesy songs, e não é que resulta? "Perfect" é daquelas coisas irritantemente fofinhas que ficam presas aos nossos ouvidos e não arredam pé. A Tove Lo continua na sua viagem pelo mundo dos ácidos em "Disco Tits", os N.E.R.D. regressaram com a ajuda da Rihanna em "Lemon", enquanto o Eminem se juntou à Beyoncé numa parceria que tinha tudo para ser explosiva e se revelou uma valente trampa, "Walk On Water".
Enquanto me recomponho da ampulheta da Ana Malhoa, convido-vos a seguirem a página do Ghostly Walker no Spotify!
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
Poucas são as vezes que um grupo musical se consegue infiltrar de tal maneira na minha pele. Os London Grammar são peritos em deixar-me numa espécie de êxtase. Após o aclamado disco de estreia, e um dos meus favoritos de sempre, If You Wait (2013), chega-nos o antecipado, Truth Is A Beautiful Thing.
A Hannah Reid e companhia voltaram a entrar em território melancólico, numa clara continuação do material produzido pela banda no primeiro álbum, mas algo mudou. Com mais garra e comoção, não deixa de existir uma fragilidade e cuidado presentes em cada segmento lírico. Por muito que incomode os fãs e, por mim falo, a pausa de quatro anos fez-lhes bem. As letras abordam uma necessidade de amadurecimento, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais que tantos de nós enfrentamos diariamente. Truth Is A Beautiful Thinginova mas sem perder a essência. Embora continue a preferir If You Wait, é impossível não ficar de coração cheio a ouvir algo da magnitude de faixas como "Hell To The Liars" ou "Big Picture".
MUST LISTEN:
⤫ SIT NEXT TO ME
⤫ STATIC SPACE LOVER
⤫ DOING IT FOR THE MONEY
2. Foster The People ⤫Sacred Hearts Club
O terceiro álbum de inéditas dos Foster The People parece sofrer do mesmo problema de tantos outros colegas de profissão. Sacred Hearts Clubcoloca num pedestal os principais clichés da música actual, demonstrando uma certa perda de identidade. Posto isto, nem tudo está perdido. A leveza do material oferece-nos canções altamente viciantes.
Batidas electrónicas com traços de funk e POP da década de '80 — embora eles defendam a influência do rock psicadélico dos anos 1960 na produção deste disco —, o certo é que não podia ser mais popularucho. Apesar do estilo não ser propriamente inovador, não existem momentos maus. Os refrões são infecciosos e eficazes, e as músicas têm sempre pequenos detalhes que lhes dão vida própria, nem que seja uma gargalhada aqui ou uma percussão ali. Sem dúvida que este trabalho se distingue dos anteriores (Torches [2011] e Supermodel [2014]), pela negativa, mas ao menos sempre vão deixando boas faixas pelo caminho como "Sit Next To Me" e o dueto fenomenal com a actriz Jena Malone em "Static Space Lover".
MUST LISTEN:
⤫ 3WW
⤫ IN COLD BLOOD
⤫ DEADCRUSH
3. alt-J ⤫Relaxer
Relaxer é o regresso triunfante dos alt-J ao universo musical de An Awesome Wave. O principal destaque da banda britânica é, sem dúvida, a voz peculiar de Joe Newman, mas não termina aí. A maneira como as batidas electrónicas pulsantes se interligam com a composição, recorrendo à fragmentação de samples e vozes a que o grupo nos habituou, é impossível não nos recordarmos da épica "Breezeblocks" e outras quantas faixas do seu repertório.
O único problema a apontar nesta colectânea é a previsibilidade. Relaxer é uma aposta forte e perfeitamente executada mas, do início ao fim, fica claro que o trio tentou resgatar a sonoridade que os trouxe à ribalta. A composição é praticamente idêntica na forma como os versos são abordados, o timbre nasalado do vocalista, e batidas cíclicas que se não forem paradas a tempo se tornam um pouco irritantes. Contudo, tudo aqui parece ter sido tratado por mãos de ouro e o resultado é fantástico.
MUST LISTEN:
⤫ NADA
⤫ ME ENAMORÉ
⤫ CHANTAJE
4. Shakira ⤫El Dorado
É incrível mas já se passaram 26 anos desde que a Shakira lançou o seu primeiro disco, Magia, em 1991. Após algum tempo afastada, e dois bebés pelo meio, a cantora voltou com El Dorado. Este 11º disco marca o retorno às suas origens.
El Dorado é uma verdadeira carta de amor à América Latina. Não é por acaso que o título faz referência à cidade de ouro perdida da Colômbia. Maioritariamente cantado em espanhol, com apenas quatro faixas em inglês e uma em francês, este trabalho ficou muito aquém das expectativas. Talvez o facto de contar com tantas colaborações já saturadas quebre um pouco o efeito "novidade".
Não há dúvida que a Shakira está atenta às tendências musicais do mercado latino. Lançou-se de cabeça aos ritmos dançantes e repletos de sensualidade. Por se tratar de um colecção tão distinta entre estilos — combina o regaeton, POP, electrónica, bachata e baladas — não parece ser muito coeso. No entanto, esta mixórdia musical mantém o ouvinte expectante por descobrir o que se segue. "Nada" é a melhor canção do álbum.
Nos últimos dois dias ocorreu uma verdadeira chuva de videoclips. Não sei se foi combinado ou pura coincidência mas não me vou queixar! Qualquer amante de música sabe a importância que a componente visual pode ter para o projecto em geral. Em alguns casos eleva-o a um climax sensorial surpreendente, enquanto outros resultam em desastres de proporções astronómicas. Felizmente esta última fornada de vídeos foi bastante satisfatória, nem que seja por representarem na perfeição o significado das letras.
Neste quinto volume da rubrica "FRESH OUT THE OVEN", reuni alguns dos mais recentes. Vamos a eles!
..1.. Miley Cyrus —“Malibu”
Nunca fui fã da Hannah Montana e tão pouco considerava a Miley Cyrus como uma das melhores artistas da minha geração. Dito isto, há que dar a mão à palmatória e admitir que ela tem uma voz poderosa. Ao longo da sua carreira gostei de um single ou outro ("Can't Be Tamed", "Who Owns My Heart"), mas confesso que foi com o álbum Bangerz que a comecei a ouvir com mais frequência. Em 2013 era impossível fugir à febre "We Can't Stop" ou "Wrecking Ball". Anos mais tarde, a jovem norte-americana reinventou a sua imagem, voltou para o noivo Liam Hemsworth (não sou daqueles obcecados que vive intensamente as relações de celebridades, mas gostava mesmo de os ver juntos e detestei quando terminaram), e voltou a meter a língua no local certo, isto é, dentro da boca.
"Malibu" não é apenas uma declaração de amor ao Gale dos Hunger Games, é uma mensagem sobre liberdade e paz interior. O vídeo captura esta essência easy breazy da canção e não alterava nada. Até cabelo ela tem! A composição aproxima-se mais das raízes country de Nashville que do pop electrizante dos projectos anteriores mas estou satisfeito com a mudança.
..2.. Margaret —“What You Do”
Um dos meus polish guilty pleasures, a Margaret, lançou o vídeo para o mais recente single, "What You Do". Provavelmente não fazem ideia quem ela é, mas isso agora não interessa nada. O importante é a música. Seguindo a mesma fórmula pop que qualquer outro hino do Verão, não dá para não abanar pelo menos um pézinho enquanto ouvem este refrão. A batida não é necessariamente original, mas surte bem o seu propósito, animar! O vídeo segue a linha conceptual de um jogo de acção e apesar de não ser o meu favorito, ao menos é algo diferente do habitual. Se isto não ser tornar num hit será um verdadeiro desperdício.
..3.. DNCE ft. Nicky Minaj —“Kissing Strangers”
O Joe Jonas lá tentou e finalmente encontrou uma forma de ter sucesso fora do complexo Jonas Brothers, criar uma banda nova. Donos de um dos melhores EP's de 2015, Swaay, o quarteto prepara-se para lançar o segundo disco de inéditas e já tivemos o primeiro taste com a divertida "Kissing Strangers". Desde o final do mês passado que tenho andado com a maldita melodia do "Na na na na na na na na" na cabeça e parece que vai continuar agora que tenho os visuais. Gostei imenso do vídeo! Com uma vibe à la 80's futuristas, tudo bate certo, os cenários, as roupas, as luzes, tudo! Até dos créditos em homenagem às produções cinematográficas da época eu achei piada. Esperemos que o sucessor de DNCE seja melhor que o desapontante álbum de estreia.
..4.. Shakira —“Me Enamoré”
Numa evidente declaração de amor ao marido, o jogador de futebol Gerard Piqué, a colombiana mais famosa do mundo finalmente lançou o videoclip para a deliciosa "Me Enamoré". Embora esta ciente do quão básica é a canção e até a melodia, tenho que admitir que fica no ouvido e de que maneira. Tenho saudades de uma boa english jam da Shakira, mas vá, antes isto que nada. O vídeo é uma decepção. Não fossem uma cenas dela no meio da floresta e depois rodeada por aqueles fumos coloridos que agora toda a gente usa, não se salvava nada. We get it, you're in love, mas não precisa ser aborrecido. Enfim, o novo disco "El Dorado" chega às lojas a 26 deste mês.
..5.. Zara Larsson —“Don't Let Me Be Yours”
Se leram a minha review do álbum "So Good" (AQUI), já sabem como me sinto em relação ao debut album da Zara Larsson: meh. Esta era está a ser uma verdadeira mess e a escolha dos singles comprova isso. Não fosse incluírem hits anteriormente lançados como "Lush Life", "Never Forget You" ou a colaboração com os Clean Bandit, "Symphony", só resta uma verdadeira pérola, a "One Mississipi", que se for preciso nem direito a single treatment vai ter. Não sei que são os managers desta rapariga mas precisam ser despedidos asap. Voltando ao que interessa, o vídeo desta "Don't Let Me Be Yours", está OK. Não é memorável mas aprecio a temática e o facto de existir história. Gosto genuinamente da Zara e espero que ela consiga superar estas bad career choices.
..6.. Katy Perry —“Bon Appétit”
Saving the best for last. Desde que o áudio para a "Bon Appétit" foi lançado tem estado a causar controvérsia por incluir uma parceria com os publicamente homofóbicos Migos. Sendo a Katy Perry uma das principais vozes a favor da comunidade LGBT, isso é no mínimo... caricato. Questões pertinentes de lado e, musicalmente falando, devo ser das únicas pessoas que gosta desta canção. Atenção, está longe de ser uma das suas melhores, mas a vibe é contagiante. Estava ansioso pelos visuais e a Katy não desapontou. Seguindo a história das letras à risca, o conceito é no mínimo genial. Além da cantora aparecer melhor que nunca, a ideia bastante original. Desde os cenários, a momentos de comédia a que a jovem norte-americana já nos habituou, não alterava nada (sem ser a participação do trio de rappers, claro). Digo já que é um forte concorrente ao título de "Melhor Vídeo do Ano", vocês sabem, aquele TOP que fiz no ano passado (AQUI) e ninguém viu.
Conheciam os vídeos? Qual é o vosso videoclip/música favoritos?
Como quem não quer a coisa, este segmento musical acabou por se tornar mais numa espécie de resumo-relâmpago dos meus meses do que uma simples partilha de canções. Pela primeira vez em muitos anos, Abril não foi sinónimo de "águas mil" mas sim de pré-Verão. Com a mudança drástica de temperaturas entre o início e meio dos dias, não me escapei à gripe e desta vez até uma amigdalite me calhou na rifa. Estou todo podre, isso sim.
Felizmente pude contar com a companhia de inúmeros lançamentos por parte de artistas que adoro ou estou a começar a desenvolver uma ligação mais séria. A Lady Gaga encontrou a curapara a Joanne se tornar mais comercial; a Lana Del Rey perdeu-se no espaço e revelou uma "Lust For Life"; a Minzy iniciou oficialmente a carreira a solo após o fim das 2NE1 com a incrível "Ninano"; os Bleachers solidificaram o meu amor pela década dos anos '80 com a infecciosa "Don't Take The Money", enquanto o duo HURTS atropelou-me com os visuais e sonoridade da "Beautiful Ones".
Focando-me mais especificamente no universo pop que, como sabe, é o meu guilty pleasure, a Pixie Lott finalmente conseguiu um retorno digno de um hit com "Baby"; a Shakira está a vender felicidade na faixa "Me Enamoré"; a Tinashe tem sede de vingança com a "Flame"; a Kat Graham despediu-se dos Vampire Diaries ao colocar os patins na viciante disco-flavour "Sometimes", e os DNCE juntaram-se à Nicki Minaj numa excursão para "Kissing Strangers".
Também as soundtracks provaram que as séries televisivas estão cada vez melhores.Big Little Lies e 13 Reasons Why— ambas serão apresentadas oficialmente no próximo volume da rubrica "Welcome to the Family" — deram-me, respectivamente, a deliciosamente chill "Cold Little Heart" do Michael Kiwanuka e uma cover modesta da icónica "Only You" dos Yazoo, por parte da Selena Gomez (a original continua 100% melhor, mas dado o contexto da trama... comoveu-me).
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
É impressão minha ou as ofertas do mundo do entretenimento melhoram drasticamente nos últimos meses do ano? A sétima arte é perita nisso, tendo o costume de deixar os melhores filmes para último, de modo a ficarem "fresquinhos" para os Óscares em Fevereiro. É cada vez mais evidente que a indústria musical aplica o mesmo modelo.
Neste campo, Novembro foi um mês fantástico. The XX, o meu grupo favorito, voltou com a viciante "On Hold", muito à la Jamie XX, assim como as BLΛƆKPIИK e os singles "Playing With Fire" e "Stay". Após conquistarem o meu coração em Agosto, a vontade de ter um álbum completo do quarteto coreano aumentou ainda mais.
Ainda na secção comeback, versão veteranas, tivemos Shakira ("Chantaje"), Fergie ("Life Goes On"), Charli XCX ("After the After Party") e Britney Spears ("Slumber Party"). Graças à voz da Anne Marie e sonoridade tropical, rendi-me, por fim, aos Clean Bandit e a hipnotizante "Rockabye", fiquei perplexo com a qualidade vocal/musical da irmã mais nova da Miley, a Noah Cyrus, que junto do Labrinth proporcionou-nos uma das melhores e mais originais canções do ano, "Make Me (Cry)".
Destaco ainda, "So Good", o primeiro single oficial da Louisa Johnson, vencedora da última edição do X Factor UK, "I Got You" da Bebe Rexhaaka olhos de carneiro mal-morto, e a "Rude", resultado da parceria certeira entre o Dillstone e a Lili N. Se forem fãs de batidas mais dançantes, dêem uma vista de olhos pela "Be Real" da finlandesa Krista Siegfrids.
Como sempre, por muito que tente, não consigo fugir ao pop. Sem preconceitos, desde que nos soe bem, as labels são meros detalhes sem importância. Quem sabe se não descobrem nesta playlist uma música que vos deixe completamente viciados?
Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem, sigam a página do Ghostly Walker no Spotify!
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?