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quarta-feira, 10 de maio de 2017

25 Anos e continuo sem nunca...


No ano passado partilhei convosco alguns dissabores (AQUI), digamos assim, de actividades ou experiências que nunca tinha vivido com os meus 24 anos. Na altura, estava longe de esperar que isso fosse desencadear um rol de publicações com a mesma temática mas fico feliz.

Há uns meses atrás, com o meu aniversário em vista, revisitei a dita lista e confesso que fiquei frustrado por verificar que tudo se mantinha na mesma. Em jeito de update, se bem que não seria necessário um, revisitei o post original e (re)apresento-vos cinco tópicos que considero como os mais chocantes, salvo seja, pelo menos aos olhos da sociedade.


'1. Ter aprendido a andar de bicicleta

Um dos meus maiores desgostos na vida é não saber andar de bicicleta. Em criança adorava andar com as rodinhas mas assim que as tiraram o meu cérebro fritou. Farto de tentar e acabar sempre no chão com os joelhos esfolados, desisti. Digamos que por muito paciente que eu seja, há certas áreas e situações que me tiram do sério. Ainda assim, muitas vezes imagino a sensação que deve ser andar livremente por aí, sem precisar depender de combustível ou boleias. Bem, ao menos sei nadar. 

'2. Ter ido a um concerto

Continua presente na minha cabeça o horror que provoquei quando admiti publicamente que nunca tinha ido a um concerto. Meus caros, tenho oficialmente 25 anos e a coisa mantém-se. Criminoso, eu sei. Chega a ser caricato um ávido consumidor de música como eu, nunca ter experienciado uma das formas mais naturais de apreciar esta arte, isto é, ao vivo. Ser um tio patinhas e achar um balúrdio o preço da maioria dos bilhetes já nem é o principal impedimento, mas sim o facto de ou nunca ter companhia. Sim, porque dizer "vamos" é muito giro mas depois chega a altura e chapéu. Os festivais então é para esquecer. Fazem os cartazes propositadamente mal distribuídos para deixar o público dividido e realmente, comigo resulta, mas pela negativa. Enfim, resta-me torcer para que um dos artistas/grupos que sigo vigorosamente resolva parar por Portugal e convencer alguém a ir comigo.

'3. Ter a carta de condução

Quando era mais novo imaginei mil e um cenários para a minha vida. Garanto-vos que chegar a esta idade sem ter a carta de condução não era um deles. Muitas vezes perguntam-me "porquê é que não tiras?" e a resposta é sempre a mesma: "porque é que vou tirar a carta se depois não tenho um carro para conduzir?". Mais simples que isto não podia ser. "Ah usas o dos teus pais". Ui, nem entrem por aí. Conheço pessoas que tiraram a carta mal completaram os 18 anos e nunca mais pegaram num carro. Resultado, já não sabem conduzir. Vale a pena gastar dinheiro para me acontecer o mesmo? Não. Se as pessoas compreendem isto? Não.

'4. Ter ido a uma discoteca

Embora seja um animal noctívago, não é a componente "festiva" que mais me atrai. Não se preocupem, não pertenço a nenhum culto ou ceita religiosa. Claro que já saí à noite, mas sempre me fiquei pelos bares. Para quê pagar para entrar numa discoteca se posso encontrar tudo o que tem para me oferecer de borla em pubs e afins? Os elementos são os mesmos, leia-se, álcool, música aos altos berros e tolos a "dançar", muda o quê, o tamanho do recinto? Se um dia tiver que acontecer, que remédio tenho eu, mas até lá, não me incomodo de continuar na ignorância.

'5. Ter ido a um casamento

Às vezes sinto que amaldiçoei a minha família. A sério, foi preciso nascer para nunca mais ninguém se casar. Tanto no seio familiar como no círculo de amigos, se bem que este último ainda vai a tempo de acontecer, o certo é que nunca soube o que é ter que ir para aquela que é considerada uma das cerimónias mais aborrecidas do mundo. Vendo bem as coisas, realmente dispenso o sermão religioso, e a prenda choruda, mas o que realmente me interessava era a componente gastronómica da questão. Isso e ter um pretexto para finalmente usar um fato - aqui está mais uma coisa que nunca fiz. Durante muito tempo brinquei dizendo que o primeiro casamento a que eu iria ainda seria o meu, mas quando penso no balúrdio que é, a ideia afasta-se cada vez mais.


Pessoas vividas desse lado, são bixos do mato como eu? Temos peculiaridades em comum?

quarta-feira, 3 de maio de 2017

25, baby


Hey shawty, it's my birthday!


Entrei oficialmente no clube dos #25 e, por incrível que pareça, este ano não detestei o meu aniversário. Chamem-me self-centered, mas hoje é o único dia do ano em que tenho direito a que seja tudo sobre mim e não me desapontaram. Apesar de ter trabalhado, os meus colegas foram tão simpáticos que até se juntaram para me dar uma prenda (algo inédito lá pelo estúdio). São gestos destes que me aquecem o coração. Depois de um almoço na minha adorada Pizza Hut, um bolo e ainda mousse de oreo feita especialmente para mim por uma colega, é impossível não me sentir amado.

Terminado o horário laboral, ainda fui passar pela baixa lisboeta com a Marta que arranjou aqueles balões inéditos para fotografarmos. Sim, porque amanhã faz ela anos. Morri de vergonha por estar rodeado de gente mas you know what? Who cares! (obrigado por ajudares a testar os meus limites, ah!). Da Praça do Comércio seguimos para um roof top, o Topo Chiado, e provei a melhor bebida da minha vida: o mocktail "Sweet Dreams". Para alguém que NUNCA experimentou uma catrefada de coisas, aquilo foi uma espécie de santo graal.  

A todos os que contribuíram para este dia um enorme obrigado. Especialmente à minha namorada por me levar a conhecer coisas novas e me aturar há 7 anos. Aproveito também para agradecer todas as mensagens que tenho recebido ao longo do dia pelo instagram. Se não me seguem por lá, tratem já disso! (@ricardo.francisco). Despeço-me com algumas fotos de hoje. Obrigado!

sexta-feira, 28 de abril de 2017

The Scarlet Shorts | Assédio Sexual Masculino


Assédio nunca é bom, independentemente do género sexual. Sim, a percentagem de mulheres que sofrem deste problema é drasticamente superior à de homens, mas isso não significa que o contrário não deva ser levado a sério. Atenção, sou o maior activista no que toca ao respeito em geral, e em especial pelo sexo feminino. Sem vocês, mulheres, não éramos nada, portanto há que vos dar o merecido mérito. No entanto, é importante expor algo que começa a ser cada vez mais comum e pouco ou nada se fala.

As mini-saias ainda são vistas por algumas pessoas como o cartão de convite para o abuso masculino. A mentalidade "sai assim à rua e depois admira-se" ou "está mesmo a pedi-las", como se a forma como nos vestimos fosse desculpa para actos violentos e nojentos por parte de alguns indivíduos, continua presente e em vez de se erradicar, parece propagar-se com a mesma facilidade de um fogo no Verão. O que poucos se apercebem é que esta situação deixou de ser exclusiva do sexo feminino. Pois é, o número de rapazes que sofrem de "piropos", olhares invasivos ou até de fotografias indesejadas parece estar a aumentar.

Não sou nenhum exemplo de beleza e tão pouco tenho um corpo trabalhado, mas isso nunca impediu de passar por experiências que nunca pedi. Desde ter os meus 14 anos e ao passar junto a uma obra ouvir "não é uma princesa, mas também marchava" ou vestir uns meros calções num dia de calor e alguém dizer "nice ass!" em plena Baixa Lisboeta, o sentimento é um misto de receio e choque. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de ser elogiado, quem não gosta? Mas há maneiras de o fazer que não envolvam estranhos, palavreado grosseiro ou invadirem o meu espaço pessoal.

Como eu há mais. Há uns anos atrás estava a atravessar uma passadeira com um colega da universidade quando o carro que pára para passarmos apita, começa a assobiar e a dizer mais coisas que sinceramente já não me recordo. Na altura fiquei bastante confuso por não compreender o que raio tínhamos na testa para fazer de nós um "alvo". Quando lhe perguntei o que tinha sido aquilo, ele disse com um ar de quem já estava habituado "é dos calções". Se basta isso para sermos abordados, imagino o horror que as raparigas passam todos os dias.

Ainda nem estamos no Verão e já me sinto mal a andar de calções na rua. Modéstia à parte tenho some junk in my trunk como cantava a Fergie na "My Humps" dos Black Eyed Peas. Resultado, se não tiver um casaco que cubra metade, tenho sempre os olhos da NASA na minha lua cheia. Acaba por ser constrangedor, especialmente quando são apanhados em flagrante. O assédio vem por parte tanto de homens como mulheres, sendo as últimas as piores. Já vos contei num acto do "Auto dos Transportes do Inferno", que um dia adormeci no comboio e acordei com a mão de senhora na minha perna. Ao ver que acordei, tentou disfarçar como se estivesse a coçar-se e "roçou" em mim sem querer. Sem comentários.

É preciso compreender que qualquer forma de assédio além de indesejado, é crime. Uma coisa é olharem disfarçadamente para alguém que considerem bonito ou em português corriqueiro, "podre de bom". Todos nós já o fizemos. Outra coisa é um olhar de lince como se estivessem a despir a pessoa com os olhos. Isso é horrível e assustador. Muito menos é aceitável tocarem, falarem ou fotografarem outra pessoa à socapa. Sim, porque este terceiro exemplo também acontece e com muita frequência. As pessoas esquecem-se que os vidros do metro, comboio e autocarros são espelhados e que, como tal, é possível ver o reflexo dos telemóveis. Quer seja contra homens ou mulheres, isto tem que parar. Respeitem o próximo como gostariam que respeitassem os vossos pais, filhos e irmãos. Se estão desesperados por acção, têm bom remédio, paguem a especialistas da área ou contentem-se com o que a internet tem para vos oferecer.

Na minha lua só pisa quem eu quero.


Pergunta escusada mas, já foram vítimas de assédio? É frequente? Qual foi a vossa pior experiência?

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Birthday Wishlist '17


Nem acredito que daqui a precisamente uma semana vou completar um quarto de século. Não preciso de voltar a dizer que não me sinto nada à vontade com o avançar da idade, certo? Enfim, ao menos é o pretexto ideal para fazer uma wishlist. Para ser sincero, podia voltar a publicar a mesma lista que fiz no Natal passado, visto que não recebi nenhum dos artigos e continuo mortinho por tê-los, mas vá.

Enquanto me preparo psicologicamente para ser bombardeado com notícias do "desaparecimento" da Maddie, no meu aniversário, passemos às prendas que gostaria de receber:

#1-2. Livros

Tenho andado extremamente cansado devido ao meu trabalho e, tal vez por isso, a vontade para ler tem sido praticamente nula. No ano passado li uns 6 livros e agora nem um consigo terminar. Dito isto, tenho a certeza que se tivesse o "The Nightmare", do Lars Kepler, ou o "The Slap" do Christos Tsiolkas, isso mudaria num instante. Devorei o "The Hypnotist", também do primeiro autor (na verdade é um pseudónimo de um casal de escritores suecos), em tempo recorde e acabou por se tornar numa das minhas obras literárias favoritas dentro do género mistério/crime, portanto tenho a certeza que ia adorar. Em relação ao "estalo" do Christos, vi a adaptação televisiva há alguns anos atrás e fiquei obcecado com a história. 

#3-5. DVD's

Devagar, devagarinho, tenho estado a aumentar a minha colecção de DVD's. Após uma breve vista de olhos pelo meu "Top 20 Best Movies of 2016", seleccionei três dos meus favoritos: La La Land, The Handmaiden e Julieta. Embora não seja muito esquisito, confesso que dou uma certa importância às capas, just so you know. Por esse motivo é que ainda não trouxe uma cópia do Handmaiden que está na FNAC. Escusado será dizer que faria uma festa se recebesse o La La Land, mas infelizmente só estará à venda dia 13. Haja dia Santo.

#6. Massagem

Há anos que fantasio o momento em que vá receber uma massagem profissional. Queria o serviço completo, óleos, mãos pesadas e no mínimo 1h. Como referi no primeiro ponto, tenho andado sobre imenso stress e preciso urgentemente de descomprimir. Como sou extremamente tímido e a ideia de ter um estranho a "tocar-me", deixa-me um pouco desconfortável, já tenho andado a tentar convencer a minha namorada a recebermos uma daquelas massagens de casais. Soa ridículo, mas I don't care!

#7. Letra Luminosa?

Um dos motivos pelo qual sou apaixonado pelo Natal é devido às luzes. Por isso mesmo sempre quis ter uma daquelas letras iluminadas. Como cliché que sou, gostava de ter um "R" por razões óbvias, não é? Não é que vá fazer grande diferença na minha vida mas quando as crianças metem uma coisa na cabeça é difícil sair. E sim, livrem-se de contestar a minha utilização da palavra "criança".

#8. Box Set

Tecnicamente são mais DVD's mas isso agora não interessa nada. Numa das minhas últimas visitas à FNAC, dei de caras com este box set de 5 filmes do Xavier Dolan (um dos meus artistas favoritos) e ponderei seriamente trazê-lo comigo. Terminado um longo exercício de luta interna acabei por deixá-lo lá, mas prometi voltar. Visto que faço anos e tal, bem que podiam fazer essa visita por mim...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

5 Colecções


Um dos meus grandes problemas é ser demasiado apegado às coisas. Por mais trivial que um objecto seja, se tiver algum tipo de significado para mim, é o suficiente para o armazenar no meu bunker a que chamo de quarto. Contrariamente à maioria dos casos que vão perdendo força com o avançar da idade, comigo não é bem assim. Aliás, já vos tinha falado AQUI da minha luta contra comportamentos de "acumulação excessiva". Talvez por isso é que sempre fui um grande coleccionador de tudo e mais alguma coisa. Foi precisamente a pensar nisso que elaborei uma lista com as minhas maiores colecções excluindo os carros de brincar, livros, álbuns de música e dvd's de filmes.

1. Canetas

Apesar de já não fazerem propriamente parte do meu dia-a-dia, as canetas coloridas (esferográficas, não de filtro, atenção) serão sempre o equivalente ao my precious do Senhor dos Anéis. Segundo consta herdei este interesse do meu bisavô materno, portanto vou utilizar esse facto como desculpa para a minha obsessão. Sempre fui um amante de cores e, como tal, adorava poder escolher que tons utilizar quando escrevia apontamentos nas aulas. Não vos consigo explicar o enorme gozo que me dava ter o estojo a rebentar de canetas. Não me atrevo a contá-las, até porque muitas já foram inevitavelmente fora, mas cheguei a ter mais de uma centena, sem exageros. 

2. Cromos

A colecção mais original da História, eu sei. Como muitos de vós, em tempos pertenci àquele grupo irritante de crianças que devoravam batatas fritas e bollycaos (quando ainda eram bons), em busca do tazzo ou cromo de oferta. Que nostalgia enorme só de me lembrar dessa época. Como não podia deixar de ser, acumulei tantos mas tantos "brindes", fossem meus ou de amiguinhos que arranjava maneira de me darem os deles, que cheguei a ter uma caixa enorme só para poder guardar tudo. Se não me engano, penso que ainda os tenha algures num baú, e não, ainda não estou preparado para me livrar deles embora.

3. Posters

A adolescência não é apenas sinónimo de acne, também é de posters no quarto. Am I right? O certo é que a dada altura, além das quatro paredes completamente tapadas por imagens de artistas, filmes, etc. cheguei ao cúmulo de expandir o território para o tecto. Sim, leram bem. A minha mãe ficava doente cada vez que entrava no meu quarto, mas eu vivia para aquilo. Organizava os posters e fotografias ao milímetro e seguia uma lógica estética que, na altura, me parecia bastante óbvia. Anos mais tarde é que percebo os graus de estupidez que emanavam daquele jovem, mas sabem que mais? Voltava a fazer o mesmo. Não me livrei deles, continuam meticulosamente arquivados em micas/dossiers, plural.

4. Revistas

Há quem coleccione edições da Vogue nas suas mesas de chá, o Ricardo não era tão elitista. Da Mariana à GQ, se viessem parar às minhas mãos, já não viam a luz do dia. Em minha defesa, nunca gastei dinheiro a comprar esse tipo de artigos, mas acabei por ficar com um conjunto astronómico de revistas que não interessavam para nada. Há uns anos atrás, numa das minhas limpezas-gerais, deitei tudo fora e questionei seriamente a minha sanidade mental ao ter deixado as coisas chegarem àquele ponto. É que se fosse por uma entrevista ou sessão fotográfica interessante, mas não. 

5. Sacos

Sinto-me sempre ridículo quando falo sobre isto mas sim, coleccionei sacos. Aquilo que começou inocentemente ao guardar um ou outro no armário, originou um exército deles. Na publicação do "Hoarder in the making" falei sobre isto mas, basicamente, um dia acabei por desenterrar dezenas e dezenas de sacos que fui guardando ao longo dos anos. "Grandes, pequenos, minúsculos, de papel, de plástico, até de Natal". O pensamento de "ah, pode dar jeito" ou "são giros" não é mais que uma desculpa esfarrapada para acumular lixo. Confesso que ainda tenho alguma dificuldade em não cair nos mesmos hábitos, mas estou definitivamente melhor.


Quais foram/são as vossas maiores ou mais estranhas colecções? Temos alguma em comum?

segunda-feira, 3 de abril de 2017

True Love: Tommy Hilfiger Est. 1985


Nos primórdios deste pequeno espaço intitulado The Ghostly Walker, escrevi-vos sobre aquele que considero como o melhor perfume de sempre: o Tommy Hilfiger Est. 1985. Não fiquem já assanhados que isto não é uma competição, trata-se de uma observação com base no meu gosto pessoal. Das várias fragrâncias que já inalei ao longo dos anos (que frase tão bonita), nenhuma conseguiu chegar aos calcanhares desta. 

Como não podia deixar de ser, até porque sou uma pessoa cheia de sorte, o perfume foi descontinuado. Uma vez que encontrá-lo numa loja é o equivalente à velha história da agulha no palheiro, não fui de modos e, no ano passado, quando a minha namorada descobriu um site que ainda os vendia, abasteci-me com três unidades de 100ml. Não vamos falar de valores porque fico roxo, mas acreditem que para um tio patinhas como eu ter cometido tal loucura é porque é amor verdadeiro.

Desde o design do frasco, em especial da tampa cuja utilização das iniciais parece um brasão de família, ao aroma clássico e sofisticado, não mudava nada. Não sou fã daqueles aromas frutados e adocicados típicos do Verão, mas a utilização da tangerina, toranja e papaia combinados com outros odores como o alecrim, sândalo e madeira, criam uma explosão olfactiva fenomenal. Sou o único que fica perplexo quando lê a lista de ingredientes dos perfumes? No papel parece tudo tão terrível e grotesco, mas o resultado final é incrível.

Durante os próximos dois ou três anos estou descansado, mas quando a minha reserva de Tommys terminar nem sei o que fazer. Mas sobre isso falamos no futuro.


Conhecem o Hilfiger Est. 1985? Qual é o vosso perfume favorito?

sexta-feira, 24 de março de 2017

(+) 5 Factos Sobre Mim


#1. Detector de gravidezes

Parece que o meu faro de cão polícia vai muito além das propriedades olfactivas. A minha veia vidente é bastante activa, especialmente no que toca a desgraças ou o contrário, gravidezes (depende de que lado desta questão vocês se encontram). Até ao momento já adivinhei três, um feito que me deixou orgulhoso e igualmente assustado. Amigas, ou pessoas mais próximas, já temem o dia em que chegue ao pé delas e profira a frase "estás grávida, não estás?". Não vos consigo explicar como nem porquê, mas quando olho para as "sortudas" (ou não), é como se tivessem um sinal luminoso em cima da cabeça.

#2. Sou um sempre-em-pé

Foi só a mim que este sub-título soou um nadinha ordinário? Problemas de mentes perversas. Não, efectivamente o termo "sempre-em-pé" não se deve a conteúdo erótico nem pela forma robusta dos bonecos, mas pelo facto de estarem quase sempre na eminência de cair e se safarem. Em criança, era daqueles miúdos que tinha sempre nódoas negras nas pernas por estar constantemente a cair. Avançamos uns anos e apesar do índice de quedas ter diminuído (se bem que faz hoje duas semanas que me espatifei numas escadas rolantes), estou constantemente a desequilibrar-me. Sim, já sei que isso pode significar problemas de audição, mas já fiz exames e tenho ouvidos de tísico. Certo é que agora já nem estranham quando estou em pé, parado, e do nada tropeço em algo invisível. É isso e as probabilidades de me levantar e ir contra alguma coisa. Enfim, I'm clumsy.

#3. Combino a roupa exterior com a interior

Se há coisa que a moda deixou de ser é matchy-matchy, mas o Ricardinho foi ensinado pela mamã a combinar tudo e agora é complicado sair desse mind set. A mês e meio de completar 25 anos (dói-me imenso escrever isto), ainda mantenho o mesmo raciocínio lógico (discutível) de vestir meias e boxers nos mesmo tons que uma camisola, por exemplo. Acredito piamente que não sou o único a fazer isto, mas não deixa de ser um bocado absurdo. Ia dizer que se um dia me vissem com roupa interior a destoar da exterior é porque algo de errado se passava, mas tudo nessa frase é errado. 

#4. Ando sempre com uma moeda de 1 ou 5 cêntimos comigo

Não me recordo do momento preciso em que esta superstição começou, mas foi algures durante o período universitário. Seja na mochila ou no bolso do casaco, tenho o hábito de andar com uma moeda de 1 ou 5 cêntimos. Tornou-se numa espécie de talismã, não me perguntem porquê. Se trocar de mala e não tiver lá a maldita moeda, penso logo que me vai acontecer alguma coisa. Claro que é uma estupidez, mas fazer o quê.

#5. Em criança falava perfeitamente PT-BR

Não é segredo nenhum que sou apreciador das telenovelas, especialmente brasileiras. Os nossos irmãos do outro lado do oceano são os melhores nesta arte e por isso mesmo, habituei-me a vê-los desde criança. O certo é que este interesse que, na altura, me levava a acompanhar de três a quatro produções televisivas, me tornou fluente em português do Brasil falado. Digamos que se não me conhecessem e falasse com vocês pela primeira vez naquele registo, ficavam convencidos que não era português de gema. Infelizmente com o passar dos anos perdi esta habilidade, mas ainda utilizo algumas expressões como "cafajeste" por as considerar hilariantes.


Temos particularidades em comum? 

sexta-feira, 17 de março de 2017

Ricardo, o cão de família


Ao longo destes quase dois anos de existência blogosférica, com certeza já me viram utilizar a expressão "cão de família" para me descrever  além de "cão polícia". Abstendo-me de trocadilhos rafeiros, o certo é que acredito piamente que partilho desta particularidade tão habitual nos nossos amigos de quatro patas. Sou um ávido apreciador de tempo só para mim e para me dedicar única e exclusivamente a trivialidades que me façam feliz, sem necessitar de interferências externas. Dito isto, existem actividades que prefiro fazer ou viver com uma ocupação superior a 1.

Não é segredo para ninguém que o Natal é a minha época favorita do ano. Além da comida, que adoro de morte, o principal ingrediente para este "fascínio" é a reunião familiar. Vá, não revirem os olhos que prometo não ser lamechas. Não sou uma pessoa muito melosa por natureza (OK, depende), mas aquece-me o coração ver a casa cheia de gente. Sofro do síndrome de família rica da telenovela. Nunca repararam que nas produções televisivas o núcleo familiar das personagens com dinheiro vive todo debaixo do mesmo tecto? (eu que veja alguém a escrever "teto", apago-vos da minha existência). Então, é mais ou menos isso, mas sem a parte em que tenho uma conta recheada.

Não digo que fosse adorar viver com o meu avô, tios e primos, especialmente no que toca aos decibéis que alguns membros utilizam para se comunicar, mas contentava-me com programas familiares mais regulares do que as festividades anuais. Posso nem sempre demonstrá-lo, mas gosto genuinamente "dos meus", e se pudesse passava mais tempo com eles. Não sei, mas penso que temos que aproveitar enquanto estamos todos cá, e não chorar arrependimentos um dia mais tarde.

Apesar de muitas vezes me fechar no meu mundo, leia-se quarto, a verdade é que gosto e preciso de companhia. O ser humano não foi feito para estar sozinho, por muito que se tentem convencer do contrário. Independentemente de apreciar um belo monólogo interno, socializar, conversar e viver é muito melhor a dois, três ou quatro do que solo. Já cantavam o Ricky Martin e a Christina Aguilera no seu hit do ano 2000, "Nobody Wants to Be lonely". Sim, era obcecado com esta piroseira.


São cães de família ou vira-latas solitários?

segunda-feira, 6 de março de 2017

1 Acidente, 1 Noite em claro


Na passada quarta-feira à noite o meu pai teve um acidente de carro. Passava pouco mais das 21 horas quando, a caminho de casa, um homem ultrapassa bruscamente o meu pai, que ao não conseguir travar a tempo, lhe bate de lado, rodopia umas quantas vezes, vai parar à faixa contrária e choca de frente com um terceiro veículo. Felizmente saíram todos ilesos, excepto o senhor do sentido oposto que partiu o pé. O mesmo não pode ser dito dos carros. Isto é, excepto do sacana que causou tudo. Não só ficou sem qualquer ferimento como se manteve dentro do carro depois do caos, sem pedir socorro sequer. Sim, leram bem. Agora já sabem o porquê de me ter ausentado temporariamente da blogosfera. Embora o pior não tenha acontecido, não deixa de ter sido uma experiência traumática. O perigo não são as estradas mas quem as atravessa.

O meu pai foi levado para o Hospital do Barreiro (era o mais perto do local do acidente) e deixem-me que vos diga, a fama que o estabelecimento tem é merecida. Cheguei com a minha mãe às urgências por volta das 22:15 e só saímos de lá às 5:35. Durante aquele tempo todo não veio ninguém ter connosco para nos dizer o que quer que fosse. Alguém para nos informar do seu estado físico tá quieto, mas um cão de guarda a impedir a passagem já eles tinham. Resumindo, a minha mãe lá conseguiu entrar e foi à procura dele. Apesar de estar todo negro na zona do peito, pescoço e braço, parecia estar OK, dentro do possível. Estava a aguardar uns exames para saber o veredicto final e ainda não tinha jantado. O certo é que o tempo foi passando, e eu cada vez mais convencido que ele iria ficar a pernoitar em observação e nós feitos parvos a olhar para o boneco. Dito e feito. 

Após umas longas e desconfortáveis 7h, num espaço pequeno, extremamente frio e nada higiénico (nem vos vou descrever as casas-de-banho se não vomito), saltou-me a tampa e forcei a minha mãe a ir procurar respostas. A anta que estava na recepção lá fez o esforço de abrir o "excel" no computador e diz-lhe que à 1 da manhã o médico decidiu que era melhor ele passar ali a noite. Nem podia acreditar. Fiquei possesso. Tinha que acordar às 7 da manhã para ir para o trabalho e aqueles seres não nos dizem nada até às 5?! Todos os dias deparo-me com cenários semelhantes ou piores nas notícias mas vivê-los é outra coisa. O grau de incompetência é impressionante. Se fossemos pessoas barraqueiras e tivéssemos armado um escândalo, de certeza que o resultado tinha sido outro. 

Cansados e furiosos lá fomos para casa. Para tentar aproveitar o tempo que me restava ao máximo, troquei de roupa e dormi vestido. Deprimente. Uma hora depois acordo e confusão é pouco para descrever o que sentia. Mais valia nem ter posto a cabeça na almofada. Já no trabalho, estava a ser meio-dia e meio quando a minha mãe me avisa que tinham finalmente chegado a casa. Aparentemente ele podia ter tido alta logo às 9h mas o sistema estava em baixo. Omg. No meio disto tudo sabem a melhor? Não lhe deram nada para comer. Na noite anterior ele vinha a caminho de casa, antes de jantar, e só foi alimentado na própria casa, 17 horas depois. É que nem há palavras. Durante a noite depositam os doentes das urgências todos juntos, independentemente de terem algo contagioso ou não, em macas no corredor, não os alimentam e nada dizem às famílias. Mas que porcaria de sistema é este? A sério, isto ultrapassa-me.

Ao menos esta experiência serviu para perceber o quão privilegiado sou por poder frequentar estabelecimentos hospitalares privados como a CUF. Nunca tinha estado numa situação destas e a diferença de ambiente, atendimento e condições é gritante. Claro que existem hospitais públicos decentes, mas com toda a certeza o do Barreiro não é um deles. Compreendo que, possivelmente, os funcionários trabalham demasiadas horas para o salário que recebem (posso estar enganado), mas depois quem sofre são os doentes. Não querendo soar como a classe mais velhota mas, é o país que temos.

quarta-feira, 1 de março de 2017

5 Super-poderes que adorava ter


Esta publicação estava em gestação à tanto tempo que resolvi trazê-la ao mundo de uma vez por todas. Embora não seja o meu género cinematográfico ou televisivo de eleição, a verdade é que sempre me fascinou imenso a diversidade ficcional de "super-poderes" existentes. Confesso que ao longo dos anos foram muitos os minutos que perdi a imaginar-me com esta ou aquela habilidade sobre-humana. Elaborei uma pequena lista com cinco dos que considero essenciais. Também gostava, mas exclui a possibilidade de conseguir voar por ser o mais popular/óbvio de todos.

#1. Controlar o Tempo

Sem dúvida alguma que o poder que mais gostaria de ter é o controlo do tempo. Não, não me refiro a decidir se faz sol ou chuva, mas sim de parar, andar para a frente e para trás tudo e todos. Como sou uma pessoa responsável, juro que não ia utilizar as minhas habilidades para roubar. Por outro lado, imaginem estar no meio de uma discussão com um ser desprezível e fazer uma pequena pausa para lhe dar um estalo e depois voltar ao tempo real? Amazing. Sempre ouvi dizer que alterar o passado pode trazer consequências gravíssimas para o futuro, mas visto que era eu a controlá-lo, tinha muitas oportunidades de remediar qualquer incidente de percurso. Já pensaram que além de podermos antever situações, podíamos precaver ou reviver outras e claro, voltar a ver pessoas que já nos deixaram. Podem ter a certeza que uma das primeiras visitas era ao meu adorado Scooby. Miss you buddy.

#2. Telekinesis

Lá no topo das minhas escolhas está a telekinesis, isto é, a capacidade de manipular e controlar objectos com a mente, podendo levitar, mover, atirar ou até parti-los. Preparem-se para uma confissão vergonhosa. Devido a filmes e séries do género, quando era mais novo fazia sessões intensas de concentração para ver se conseguia mexer alguma coisa com a mente. Ás vezes ainda tento. Pronto, já disse. Riam-se à vontade, mas um dia hei de conseguir ha! NOT. Para uma pessoa preguiçosa como eu, este poder ia revelar-se uma valente ajuda. Estou na cama e queria a minha garrafa de água que está em cima da mesa. Não há problema. Numa questão de instantes, podia "chamá-la" até mim sem ter que sair do vale dos lençóis. Num contexto mais sério, poderia salvar imensas pessoas no caso de uma catástrofe e defender-me em caso de ataque. Já não ia precisar de utilizar o meu guarda-chuva como protecção.

#3. Invisibilidade

A lista de coisas que podia fazer com este super-poder é tão extensa que nem vale a pena perder muito tempo a explorá-la. Desde apanhar pessoas em flagrante (seja a falar mal de mim ou a cometer um crime), espiar ou simplesmente observar porque sim, ser invisível no sentido literal, é fantástico. O meu único medo era não conseguir voltar ao normal. Bem, se calhar um manto de invisibilidade como o do Harry Potter também servia, se bem que no Verão seria muito abafado e nada prático. Mas enfim, melhor que nada.

#4. Teletransporte

É preciso explicar? Penso que qualquer leitor das minhas odisseias pelo mundo dos transportes públicos (AQUI e AQUI) percebe o quão bom seria se nos pudéssemos materializar de um local para o outro. Além de poupar IMENSO dinheiro, acabavam-se os metros em modo sardinha em lata, com pessoas repugnantes a roçarem-se em nós, a tossirem sem a mão à frente e outras javardices que lhes são características. Terminavam os atrasos, além de poupar muito mas muito tempo  saio todos os dias do trabalho por volta das 18h15 e segue-se uma longa viagem até à margem sul  e conseguir ter uma vida pós-horário laboral, podia visitar o mundo inteiro. Neste prisma tinham que existir regras. Ao fim ao cabo, também não queria que alguém aparecesse no meio do meu quarto do nada, hell no. Desde que existisse uma espécie de permissão para a "visita", tudo controlado. Tinha dado imenso jeito neste ano que passei longe da minha namorada. Apetecia-me vê-la em Madrid, dava lá um saltinho, literalmente, e ainda voltava a tempo de jantar em casa. Ah, quem me dera!

#5. Telepatia

Devem ter percebido que tenho uma certa obsessão com os poderes da mente. Não tenho culpa que sejam os mais interessantes e eficazes. A telepatia é provavelmente das habilidades mais completas de sempre. Para quem não está familiarizado, primeiramente, é a capacidade de ler pensamentos de outros ou comunicar-se mentalmente com eles. Também permite alterar a percepção dos outros em relação a nós, nomeadamente, o aspecto físico; curar traumas, ao apagar memórias terríveis, e claro, controlo/possessão mental. Antes que questionem o meu sentido de moralidade, vão dizer que não era óptimo poder travar alguém como o Trump? Bem me parecia.


Se pudessem, que super-poderes gostavam de ter? Temos algum em comum?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O Belo Adormecido


Por esta altura não é segredo nenhum que a minha relação com o sono é tudo menos harmoniosa. O que talvez desconheçam é que os atritos existem desde o meu nascimento. Pois é, a lenda do bebé capaz de passar dias sem dormir correu os sete reinos lisboetas. Na altura, a única solução que encontraram para acalmar esta pobre alma atormentada era manter-me constantemente no colo de alguém. Independentemente do local, assim que me pousavam, as sirenes ligavam de tal maneira que se geravam multidões à porta de casa, de tochas e forquilhas em punho. Contrariamente aos outros seres adoráveis, eu não parava com o tempo. Nunca. Parava. De. Gritar. #sorrymom

Vinte e quatro anos depois, não preciso deitar-me ao colo de ninguém para adormecer e tão pouco tenho pessoas a rezarem para que caia de cabeça no chão (espero eu), mas sono descansado tá quieto. Mesmo que consiga adormecer a horas decentes, contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que acordei a sentir-me descansado e em paz. Em 90% das ocasiões acontece precisamente o contrário. Desperto com uma sensação de cansaço enorme e sem vontade de meter os pés no chão. Resultado, passo o resto do dia a tombar de sono. 

Como referi anteriormente, seja em pé à espera do metro ou sentado à secretária, no trabalho, dou por mim a cair em queda-livre. Se quiserem desfrutar de um espectáculo acrobático electrizante que consiste no vai-não vai da minha cabeça em relação ao colo do passageiro da frente, passem por um comboio da Fertagus ao final da tarde. Não se vão arrepender. A sério, se soubessem a quantidade de situações em que colegas passam por mim e me apanham a fechar os olhos, é alarmante. Até já tenho a alcunha de "Belo Adormecido", fantástico. Not.

A verdade é que sempre considerei o acto de "dormir" um valente desperdício de tempo. A quantidade de horas perdidas que podiam ser utilizadas para fazer qualquer coisa produtiva é algo que me incomoda desde a adolescência. Dito isto, é óbvio que compreendo a necessidade que o nosso corpo tem de recarregar energias e quando já estou a dormir, claro que me sabe muito bem. Por isso mesmo é que me irrita viver neste ciclo vicioso de noites em claro e dias aos cochilos. É terrível e até em termos de aproveitamento, consegue ser um verdadeiro desafio. Cada vez mais compreendo o porquê de alguns espanhóis ainda fazerem a sesta a seguir ao almoço. 

Por vezes chego ao ponto de me deitar tarde de propósito para que no dia seguinte esteja de tal modo cansado que apago por completo, sem ter que lutar com as insónias. Super saudável, eu sei. Já me sugeriram comprimidos para dormir mas recuso-me a utilizá-los. Sinceramente penso que seria pior a emenda que o soneto. Ainda ficava viciado naquilo, no thanks. Preciso é de aprender técnicas e métodos, além do meu adorado ASMR, para me acalmarem a ponto de navegar pelo vale dos lençóis sem complicações.

Ler, andar, ouvir música, ver um filme, comer, nada resulta. Claro que se começar a ver qualquer coisa na televisão, eventualmente adormeço, mas não me serve de nada se isso acontecer às 2 ou 3 da manhã habituais. Como a probabilidades de meditar/fazer yoga são praticamente nulas, e confesso que isso me deixa ainda mais irritado, o mais certo é este ser o pretexto que preciso para finalmente começar a ir ao ginásio. Quem sabe se o desgaste físico não é o necessário para me fazer dormir que nem um bebé (comum)?


Adormecem com facilidade? Alguma vez sofreram de insónias? Passam o dia cheios de sono?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

5 Defeitos a Mudar


#1. Queixo-me demasiado

Acreditem que neste momento estão umas quantas pessoas, em especial a minha namorada, a aplaudir a minha honestidade sobre este assunto. É verdade, queixo-me e não é pouco. De dia, de tarde, à noite, por causa dos transportes, por causa disto e daquilo. TUDO é motivo para um comentário resmungão deste Velho do Restelo que vos escreve. Confesso que me custa um pouco a admitir, mas um breve exercício de introspecção é o suficiente para dar razão às massas. Juro que não o faço com malícia mas é mais forte que eu. Se não estou satisfeito com alguma coisa, tenho que me expressar se não fico como o Roger do American Dad quando tentou deixar de ser mau  spoiler: morreu. Felizmente os seres humanos com que lido diariamente já se habituaram e até acham piada. 

#2. Suspiro mais que um cu apaixonado

Na época da Universidade, numa viagem de comboio para casa, um colega meu teve uma epifania resolveu dizer-me que eu suspirava muito. O discurso seguiu uma linha do género, "Estás sempre a suspirar. Sempre. Nunca reparaste?". Não. Nunca tinha reparado até dizeres. Obrigado. Bye. O que se seguiu foi um misto de emoções entre o choque e o ultraje. Certo é que fiquei verdadeiramente self-conscious e apercebi-me que ele tinha razão. Anos passaram, os carros já voam, e uma colega de trabalho da secretária à minha frente sai-se com um "estás sempre a suspirar". Caiu-me tudo. Relembrei-me desta minha... característica e agora não penso noutra coisa. Não sei explicar, mas se estou constantemente cansado, aborrecido, ou simplesmente done, podem ter a certeza que vão ouvir um ugh a sair da minha boca.

#3. Fervo em pouca água

Se por um lado consigo ser tão paciente como um monge budista, por outro expludo com alguma facilidade. Claro que tudo depende do assunto, ambiente e intervenientes, mas ultimamente este lado mais fiery tem estado em evidência. Costumo a dizer que tenho um limite e que se o passam estão lixados comigo. O certo é que quando ganho aversão a alguém, parece que qualquer coisa que venha dessa direcção é captado como se fosse veneno. Temo não estar a fazer qualquer sentido, mas na minha cabeça a sequência visual é bastante elucidativa. Digamos que o meio laboral é perito em fazer o génio mau sair da lâmpada.

#4. Mau perder

Por falar em coisas más, há uma coisa que precisam saber antes de jogarem comigo ao que quer que seja. Não gosto de perder nem a feijões. Sim, é péssimo blá blá blá, mas querem o quê, desafiar-me para um duelo? Força, atrevam-se a ganhar-me! Fora de brincadeiras, sou assim desde que me lembro, portanto não sei até que ponto este traço da minha personalidade não é semi-inato. Um mero jogo de cartas é capaz de arruinar a minha disposição, estragar o meu dia e exterminar amizades  vá, esta última é um exagero mas vocês percebem. É como se a minha mente entrasse em modo hunger games contínuo e preciso lutar pela minha sobrevivência com unha e dentes, nem que seja para gritar "uno" no final da batalha. A ansiedade pelo desfecho é tanta que, se já tiver o mínimo de à vontade com os participantes, não consigo conter alguns comentários do tipo "cabra" aquando de uma jogada de mestre. Tudo com amor... ou não.

#5. Não sei manter conversas virtuais

Este tópico vai ter direito a uma publicação específica, mas é de longe um dos meus maiores "defeitos", se assim o quiserem chamar. Ainda que não seja um socialão de primeira, não é preciso muito tempo até me "soltar" e interagir com os plebeus  termo que utilizo carinhosamente para descrever a maioria da população. Passemos para um cenário virtual e as coisas mudam de figura. A não ser com aqueles amigos de infância ou a namorada, parece que há um bloqueio no meu cérebro que me impede de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas, mesmo que as conheça. SMS's, Facebook e até Instagram são cenário de autênticos momentos de sofrimento interno por nunca saber o que dizer. Nesta última rede social então, se soubessem a quantidade de mensagens privadas que recebo e praticamente nunca desenvolvem além do "tudo bem?". Lamento mas fico envergonhado, com medo das intenções das pessoas e de ser mal interpretado ou fazer figura de parvo. Dito isto, deixa-me imensamente frustrado porque gostava, genuinamente, de fazer mais amizades mas I just can't.


Quais são os vossos principais defeitos que gostavam de mudar? Temos algum em comum?

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Aceitar opiniões contrárias é um suplício


Desde muito cedo foi-me incutida a máxima de que podemos não concordar com certas opiniões mas temos que respeitá-las. Fair enough, cada um é livre de ter pensamentos opostos aos nossos. Só peço é que o façam de forma consciente e equilibrada.

Pessoalmente, e dependendo dos assuntos, tenho alguma dificuldade em lidar com opiniões que considero absurdas. Uma coisa é dizerem-me que não gostam de pizza porque detestam queijo  OK, faz sentido , outra é ouvir que uma mulher que ande de saia na rua está a "pedi-las". Poupem-me. Esse tipo de pensamento não só coloca a culpa na vítima como não faz qualquer sentido.

O mesmo se aplica a temas triviais como a industria do entretenimento. Cada um tem os seus gostos e, como sabem, sou o primeiro a defender que não devemos ser julgados por isso. No entanto, há que ter o mínimo de noção do que estão a dizer. Por muito que me custe e até possa ficar revoltado com algumas reviews negativas de um "produto" que considere fenomenal, se forem sustentadas em factos razoáveis, aceito. À partida, não estarão a dizer nenhuma mentira e se colocar as emoções de lado, consigo ver isso. O problema é quando certos indivíduos ridicularizam um filme, por exemplo, só porque a história é "banal"; se é um musical tem que ter actores que saibam cantar, etc. Lamento, mas além de um revirar de olhos instantâneo, coloco uma cruz vermelha nessas pessoas.

É preciso perceber que quando estamos a apresentar uma opinião ao mundo, não basta dizer "gosto ou não porque sim". Isso é zero, nada. Aliás, este processo básico de pensamento é trabalhado na escola ou pelo menos era no meu tempo. Continuando com o exemplo das longas-metragens, uma narrativa não precisa ser original, repleta de altos, baixos e reviravoltas, para ser considerada "boa". A simplicidade existe e por vezes é mais bonita que o excesso. Se estão a contar uma história real e que possa ser relacionável com qualquer pessoa, estão à espera de quê? Da mesma forma que se utilizam determinadas luzes e cores em cenas específicas, tem um sentido, uma razão de ser, não é porque lhes pareceu bonito. Muitos arrasaram a prestação da Natalie Portman em "Jackie", especialmente o sotaque, acusando-a de ser uma caricatura. Se tivessem pesquisado, iam encontrar este vídeo, que mostra o quão fiel foi o retrato da actriz. Estas coisas irritam-me profundamente, a sério.

Um dos meus maiores medos é transparecer uma imagem de convencido ou elitista  algo que não sou, de todo , mas antes isso que de ignorante. Não sendo da área musical, televisiva ou cinematográfica, não possuo as bases necessárias para uma abordagem mais técnica de muitas das minhas "críticas", mas é aí que o trabalho de casa entra. A ideia de começar a escrever sobre um tema do qual não domino e nem sei o suficiente, é assustador. Não sei como é que existem pessoas capazes de o fazerem sem qualquer problema e ainda se vangloriam por isso. Não só revela um amadorismo extremo como uma falta de noção gigante.

Enfim, esta é uma discussão (saudável) que já tive com alguns colegas de trabalho. Felizmente, todos nós concordamos com a necessidade de estar bem informado antes de abrir a boca. Pena que o mesmo não se aplique na internet.


Têm problemas em aceitar opiniões contrárias às vossas? 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A minha primeira vez


Lembro-me como se fosse ontem. Num final de tarde extremamente frio de Dezembro, coloquei os meus medos de lado e cedi à tentação. A curiosidade já tinha anos de vida, mas sempre considerava a hipótese de a colocar em prática, o medo falava mais alto. Cheguei mesmo a acreditar que nunca seria capaz de fazer algo que é tão comum e que deveria fazer parte do quotidiano de todas as pessoas. Extremamente nervoso, entrei naquela espécie de quarto escuro gigante, sentei-me e o resto foi história. Pois é, a minha primeira vez a ir ao cinema sozinho foi fantástica.

Depois desta introdução sensualona, não sei porque é que as televisões portuguesas ainda não me contrataram para escrever a próxima novela do horário nobre. São escolhas. Lamento desiludir as mentes mais sórdidas mas esta publicação não é dedicada às paixões da carne mas sim do entretenimento. Sorry!

Não é novidade nenhuma que me considero uma espécie de "cão de família". Não no sentido cabeludo da questão mas da necessidade de companhia. Gosto de conviver com pessoas, de conversar, e para estar sozinho mais vale ficar em casa. Pelo menos era este o meu pensamento até há bem pouco tempo. Embora tenha desenvolvido o hábito de ir a lojas sem qualquer problema  antigamente era fulcral um segundo par de olhos para me ajudar a decidir o que levar  ainda há certas actividades que me deixam angustiado só de me imaginar a fazê-las all by myself. Entre elas está jantar fora e, claro, ir ao cinema. Imperdoável para um cinéfilo como eu.

Com a namorada fora e amigos ocupados, não tive outra opção se não engolir em seco e tentar, de uma vez por todas, perder este "medo social". No final do ano passado, saí do trabalho, e fui ver o Fantastic Beasts and Where to Find Them. Como as coisas comigo têm sempre um certo je ne sais quoi de imprevisibilidade, quando lá cheguei deparei-me com uma fila de polícias, detectores de metal e tudo, a revistarem o público que queria entrar. Parecia que estava dentro de um filme. Uma pessoa já é nervosa e ainda me metem em cenários destes. 

Dito isto, quando terminou a sessão, senti-me o maior idiota do mundo. Já dizia o Diácono Remédios, "não havia necessidade". Aquilo que era um verdadeiro bicho de sete cabeças revelou-se a coisa mais normal de sempre. Pensar que até fiquei ofendido quando a Marta me disse que preferia ir ao cinema sozinha e agora entendo-a perfeitamente. Tornou-se num dos meus hobbies favoritos. Desde então, já vi outros dois (Passengers La La Land) e estou a preparar-me para uma quarta visita, algures nos próximos dias. Agora olha, não quero outra coisa.

Sem a tentação de comentar alguma coisa para o lado, assistir a uma longa-metragem sozinho permite uma imersão total na acção. Durante aquele período de tempo, somos só nós e as personagens em cena, mais nada. Claro que existem as distracções do costume, como o puto irritante que dá pontapés na cadeira, o mercenário das pipocas que mastiga como uma locomotiva ou a velhota que acha que está numa sala de convívio, mas é diferente. É sempre bom vencer um obstáculo, por muito trivial e idiota que pareça. 


Costumam ir ao cinema sozinhos? Preferem companhia ou não?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Pequeno update da minha vida

Quem me segue no instagram já percebeu duas coisas, não tenho publicado histórias e quando o faço é a resmungar com algo relacionado com trabalho. Assim se resume a minha vida, basicamente. 

Agora a sério, a minha vida profissional sofreu algumas mudanças. Sem entrar em grandes detalhes, até porque eventualmente falarei melhor sobre o tema em questão, digamos que o meu contracto não ia ser renovado e nem imaginam o porquê (depois conto). Entretanto uma colega precisou meter baixa devido a uma gravidez de risco e voilá, de repente eu já fazia falta. Resumindo e concluindo, agora além das minhas funções antigas, também sou "Director de Produção"  é bem mais trabalhoso do que as séries fazem crer. Melhor parte, continuo a ganhar o mesmo. E sim, o valor é uma anedota.

Escusado será dizer que tenho andado esgotado, tanto física como psicologicamente. Se as cabeçadas de sono nas viagens de comboio, ao final do dia, aconteciam com regularidade, agora é em qualquer lado. Até em pé, à espera de metro, dou por mim a fechar os olhos e a adormecer. Isto porque, obviamente, à noite levo uma eternidade a apagar os meus pensamentos. A única coisa que me ajuda a relaxar são os vídeos de ASMR.

Este é o principal motivo pelo qual tenho andado mais ausente das vossas páginas. Sorry! Chegar a casa às 20h, depois de andar a saltitar, literalmente, entre dois postos, é extremamente cansativo. Percebem agora o porquê de raramente sair e preferir ficar em casa? Não nego que gosto do(s) trabalho(s), mas a motivação é zero. Por muito que queira, ir ler publicações e comentá-las torna-se num processo penoso quando não deveria ser. A solução que encontrei é começar a fazê-lo na hora de almoço. Como agora fico sozinho, sempre é um tempinho que tenho para respirar.

Pensar que quando éramos mais novos queríamos ser adultos. Idiotas.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Happy New Year!


Antes de mais, Feliz Ano Novo!

Pois é, ausentei-me por uma semana mas infelizmente não foi para relaxar. A verdade é que a minha vida profissional sofreu algumas mudanças e, após mil e uma situações de pára-arranca, fiquei inevitavelmente desgastado. Mas não se preocupem, estou bem. Fisicamente exausto, mas bem.

Não podia deixar de desejar a todos vocês, que me acompanham aqui ou por outras redes sociais, um óptimo 2017 e que seja melhor que o anterior. Pode ser cliché, mas espero que consigam realizar os vossos sonhos, por muito difíceis que aparentem ser. O importante é não desistir.

Ainda hoje arrancam os Ghostly Walker Awards, onde celebro os meus favoritos na indústria Musical, Cinematográfica e Televisiva. Não percam!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Easily Depressed


A palavra depressão é muitas vezes utilizada de forma leviana. Devido ao seu uso excessivo, tornou-se numa espécie de bengala para descrever o mínimo problema emocional que sofremos. Confesso que cometi este erro no passado mas, agora sou muito mais cuidadoso quando a utilizo. Apesar de estar bem, nunca é de mais falar sobre este tema.

Há vários anos que passo pelo mesmo ciclo. Estou perfeitamente normal e, de um momento para o outro, sou consumido por uma nuvem negra que me deixa incapaz de sentir o que quer que seja. É como se um botão se desligasse e fecho-me por completo. Fico sem vontade para fazer nada, de estar ou falar com as pessoas, só quero ficar sozinho no meu canto.

Eventualmente passa como chegou, de forma inesperada. Infelizmente não é tão rápido quanto gostaria. Chego a ficar semanas neste estado emocionalmente vegetativo, o que se revela um grande desafio para aqueles que nos são mais próximos.

Quando andava na escola era capaz de passar um ou dois meses das férias de Verão trancado no meu quarto, sem falar com ninguém fora do núcleo familiar. Limitava-me a responder a alguma mensagem para saberem que estava vivo e that's it. Hoje em dia, com trabalho e outras responsabilidades, não dá para fazer o mesmo.

Quem está de fora não compreende e pensa que nos estamos a vitimizar, mas não é de todo o caso. Calculo que existam indivíduos carentes, desesperados a ponto de simular esta doença mas isso é algo que considero do mais baixo possível. Sabendo que não é fácil para quem tem que lidar connosco no dia-a-dia, com certeza que se o pudéssemos evitar, assim o faríamos.

Nunca procurei ajuda profissional para este problema, em parte por achar que consigo resolver tudo por mim mesmo e por ter noção que há pessoas em piores condições. No entanto, muitas vezes pergunto-me se é a atitude mais correcta. Por muito que tenhamos dias menos positivos, nada justifica ficarmos completamente apagados do mundo, isso não é normal. Não adianta de nada armarem-se em super-heróis e pensarem que não precisam de ajuda. Só estão a alimentar esta condição e a dar-lhe força para criar raízes cada vez mais profundas.


Já tiveram depressão, a sério? Procuraram ajuda médica?

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A solidão é uma merda.


Já cantava a Britney Spears, my loneliness is killing me.

Como qualquer pessoa, também tenho os meus dias. Não sou sempre o tipo que se ri das próprias piadas e acha que a ironia é desculpa para ser um valente sacana. Como uma corrente de ar que nos surpreende e despenteia, há alturas em sou atingido por uma solidão implacável que me deixa complemente desolado.

Com um grupo de amigos que nem chega para encher uma mão e a namorada fora do país, conseguir momentos de interacção física fora do ambiente laboral é extremamente raro. As pessoas têm os seus problemas, ocupações, e nem sempre é fácil incluir amizades na equação. Eu próprio sou culpado deste crime. Não é por acaso que aquele anúncio da Super Bock tocou tanta gente.

Ainda que não aconteça com frequência, há alturas em que dou por mim a pensar no quão sozinho estou. Abrindo qualquer rede social, sou bombardeado com fotografias de grupos de amigos a divertirem-se, seja num café, bar ou num simples passeio por Lisboa. Frequentam com regularidade as casas uns dos outros e fazem planos várias vezes por semana. Nunca tive isso. Não por escolha mas porque simplesmente não aconteceu.

Conforme vamos ficando mais velhos, torna-se cada vez mais complicado estabelecer ligações genuínas. Certamente que existem excepções, mas se fizerem um exercício de introspecção, vão aperceber-se que a maioria das vossas amizades foram criadas durante os tempos de escola, não depois. Independentemente deste factor, é extremamente importante termos com quem falar e partilhar situações além da nossa mãe, por exemplo. Sorry mom!

Há seis anos que a pessoa com quem mais falo é a minha namorada. Como já éramos amigos e somos basicamente a fotocópia um do outro, já temos um doutoramento em como lidar um com o outro. Devido a esta ligação tão forte, desde que ela foi viver para fora que penso no que seria de mim se um dia a relação chegar ao fim. Literalmente ficava all by myself. Não sei onde raio é que iria fazer novas amizades, muito menos na mesma dimensão. Para alguém como eu que, quando está à vontade, adora falar pelos cotovelos, é desconcertante.

Ninguém nos prepara para o verdadeiro sentido da palavra "solidão". Estar no meio de uma multidão e mesmo assim sentirem-se sozinhos é provavelmente das piores coisas por que já passei. É extremamente bizarro e parece que ficamos congelados, vazios. A única vontade que temos é de nos enfiar de baixo dos lençóis e esquecer o mundo lá fora. Deprimente? Certamente, mas é a mais pura verdade. Pelo menos para mim.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Don't touch me


A minha mãe conta que em criança era muito afectuoso mas sinceramente não é isso que vejo quando recordo a minha infância. Desde as velhotas do café do meu avô que me beijavam com as beiças cobertas de manteiga das torradas, a amigos em geral, detestava que me tocassem.

Agora que reli o final do primeiro parágrafo, parece que estou a falar daquele tipo de toques em que precisamos apontar para uma boneca. Dear lord! Não é nada disso! Que fique claro, refiro-me a mexerem-me no braço, abraços, beijos, etc. Nada de inapropriado, por favor.

Esclarecimentos de parte, acredito piamente na noção de espaço pessoal. A bolha actimel existe e deve ser respeitada. Infelizmente, são poucas as pessoas que compreendem completamente esta questão. "Ah, és assim com a tua namorada?", perguntam-me sempre que debato este tema. Minhas antas, não tem nada a ver. Como dizia um certo actor brasileiro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Como devem calcular, não me incomoda minimamente que a minha namorada me toque a não ser que seja para me agredir, claro. Ainda assim, nem ela está imune a certos gestos capazes de despoletar a minha fúria. O simples acto de esticar o dedo e tocarem-me no braço é extremamente irritante. Não estou a brincar quando vos digo que a minha vontade é de o arrancar para nunca mais repetirem a brincadeira. 

Não sabem falar sem terem que meter a mão em cima de uma pessoa? Uma coisa é gesticular enquanto discursam outra é mexerem no vosso público enquanto as palavras vos saltam da boca. A minha progenitora é perita nisto. Como estamos sentados lado-a-lado nas refeições, perdi a conta à quantidade de vezes que sou atacado por aquele maldito indicador. A reacção é sempre a mesma "não me toques". Se antes ficava irritada, acho que se conformou e agora faz de propósito para me irritar.

É complicado explicar isto às pessoas sem que se sintam rejeitadas ou como se tivéssemos alguma coisa contra elas. Não acredito que vou recorrer a este cliché mas, "não és tu, sou eu". É mesmo! Não sou nenhum lunático, sei perfeitamente que é um gesto normal mas comigo não funciona. Agora imaginem o suplício que é manter uma conversa com aquelas pessoas overly touchy. Os cenários que crio na minha mente são demasiado obscuros para os descrever.

Aqui entre nós, gostava de ter a capacidade de abraçar/beijar os meus amigos e pais sem que fosse um sacrifício ou simplesmente awkward. É terrível, eu sei. Por muito que tente, nunca parece natural e acaba por ser pior do que me manter no meu canto. Este é um dos motivos porque detesto aniversários ou festividades em que sou forçado a beijar os familiares, mesmo que me sejam extremamente próximos.

Agora que penso nisso, o meu grupo de amigos a sério nunca foi muito touchy portanto isso também não ajudou. Não sei em que momento da minha vida ocorreu esta mudança comportamental mas, ao contrário dos toques no braço, gostava genuinamente de estar à vontade para praticar e apreciar este tipo de afectos sem me sentir constrangido.


Incomoda-vos que vos toquem? Já passaram por situações caricatas?

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Instajekyll and Mr. Hyde


No início do ano declarei oficialmente o meu amor pelo instagram. Para alguém que pouco ou nada liga à maioria das redes sociais, foi quase inédito o interesse instantâneo que esta plataforma despertou em mim. Embora não esteja propriamente no mesmo patamar obsessivo de algumas pessoas, o certo é que partilho uma fotografia por dia.

Estava a fazer um scroll geral pelo meu perfil quando me apercebi de um factor curioso, o contraste entre tons frios e quentes. Correndo o risco de estar a soar filosófico ou simplesmente idiota, esta dualidade colorida representa perfeitamente a minha personalidade. Ora yay, ora nay.

Ninguém gosta de admiti-lo, mas tenho consciência que não tenho um feitio propriamente fácil. Da mesma maneira que sou a vida da festa, consigo ser a depressão em pessoa.


Apesar da qualidade miserável e inexplicável dos print screens expostos, acho que dá para perceber a diferença a que me refiro.

Durante muitos anos fui um amante da cor, quanto mais melhor. Não é que abominasse o preto e branco, mas não conseguia compreender quem preferia o good ol' black and white a toda uma palete de cores surtidas. Com o tempo, comecei a apreciar a beleza dos tons mais sóbrios. Sim, continuo a dar prioridade às tonalidades mais fortes (tenho uma queda para pores-do-sol florescentes), mas o conjunto de imagens a cima é provavelmente o meu favorito de sempre.

No que toca a roupas, é o total oposto. Sempre vesti peças mais escuras e só nos últimos anos é que permiti a entrada de tons mais alegres no meu armário um tanto ao quanto fúnebre. Bem disse que era complexo.

@ricardo.francisco

Nunca pensei que um mero feed fotográfico tivesse a capacidade de me fazer embarcar numa viagem auto-reflexiva. Parece que afinal as redes sociais têm mais camadas que a superficial.

Se ainda não me acompanham pelo instagram (rudes), basta clicarem AQUI.


São adeptos de cores fortes ou frias? O instagram reflecte a vossa personalidade?

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