Pages

Mostrar mensagens com a etiqueta orgulho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta orgulho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Portugal, this one's for you


Nunca gostei de futebol, não gosto e provavelmente nunca vou gostar. O fascínio ao ver um grupo de homens a correr atrás de uma bola é algo que ainda não desmistifiquei mas, ontem à noite, tive um vislumbre. Numa versão moderna da fábula "A Lebre e a Tartaruga", de La Fontaine, Portugal venceu a França por 1-0 e sagrou-se campeão da Europa. 

Durante toda a semana o povo e media franceses ridicularizaram-nos. Ofenderam os jogadores, agrediram portugueses nas ruas e até a nossa bandeira queimaram. Em campo a mentalidade não mudou. Num jogo do mais sujo possível, repleto de agressões que, curiosamente, não foram assinaladas ou receberam cartões amarelos, a equipa francesa parecia estar a praticar wrestling. 

Portugal é um país sofrido. Desde a Era dos Descobrimentos que não conseguimos reconquistar a glória que em tempos tivemos. "Somos o país do fado e temos um povo que alimenta a tristeza", dizia uma psicóloga clínica ao JN, no mês passado. Não é por acaso que foi eleita a população mais triste da OCDE.

Além de infelizes, somos ingratos. Com a mesma rapidez com que um jogador é o maior por marcar um golo, não vale nada por falhar outro. Que o diga o Cristiano Ronaldo, que esteve num autêntico torneio de ping pong com a opinião pública internacional. Por entre ofensas e elogios, acabou como herói. Até para as traças.

Comentei várias vezes que algo me dizia que este Europeu seria dos pequeninos. Só nunca pensei que fossemos nós. O karma existe e ontem ficou provado. Com a humildade e trabalho árduo que nos estão tão enraizados como o azeite ou o bacalhau, calámos um país arrogante e enchemos uma nação de orgulho. Alcançar a vitória contra tantas adversidades, e ainda para mais, sem o CR7, teve um gosto melhor. Justiça poética. A emoção foi contagiante e nem eu consegui ficar indiferente.

Mas não é só de futebol que Portugal é feito. Erradamente, confesso que muitas vezes me esqueço das vitórias, igualmente importantes, em outras modalidades. Há que aplaudir Patrícia Mamona (ouro no triplo salto), Sara Moreira (ouro na meia-maratona), Jessica Augusto (bronze também na meia-maratona), Dulce Félix (prata nos 10.000 metros) e Tsanko Arnaudov (bronze no lançamento do peso), nos Europeus de Atletismo em Amesterdão. Podemos não ser muitos, mas somos bons.

A área de desporto já está, resta saber se algum dia conseguiremos o mesmo feito na Eurovisão, ah!


Não podia deixar de partilhar este vídeo que anda a correr o mundo. Embora apreciados, não são títulos mas gestos destes que me deixam o coração cheio de orgulho. Viva Portugal.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...