Pages

Mostrar mensagens com a etiqueta movies. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta movies. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de outubro de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #29




SINOPSE: Com destino a um planeta remoto do outro lado da galáxia, a tripulação da nave Covenant descobre o que acredita ser um paraíso desconhecido. Não contavam é que na realidade fosse um estranho e perigoso mundo. Quando encontram um ameaça além daquilo que imaginavam ser possível, tentam uma angustiante fuga.

OPINIÃO: Por esta altura do campeonato é escusado dizer que sou um fã assumido da Alien franchise. É a minha favorita de todos os tempos e, como tal, fui ver este capítulo ao cinema quando estreou, em Maio. Meh é a palavra que melhor descreve o que senti. Contrariamente ao antecessor, o brilhante Prometheus, esta segunda prequela promove mais elementos de terror e acção, mas no que toca ao conteúdo, perde descaradamente.

À medida do que aconteceu no anterior, as origens das criaturas extraterrestres, conhecidas como Xenomorfos, estão no centro da trama, mas pouco ou nada ficamos a saber em relação à primeira prequela. Por outro lado, ficamos a conhecer o desfecho de Elizabeth Shaw e David, que em Covenant solidifica o seu papel de vilão com um enorme complexo divino.

Em suma, este sexto filme da saga icónica de Ridley Scott acaba por desiludir por não acrescentar nada de relevante ao contexto geral do universo em que está inserido.















SINOPSE: Numa sociedade futurista, os humanos conseguiram uma forma de unir a consciência humana com os computadores e tecnologia (o "fantasma" que habita no invólucro do corpo artificial). Motoko Kusanagi, conhecida como Major, é um cyborg com experiência militar que comanda um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos.

OPINIÃO: Não é preciso ser-se um expert de anime para já ter ouvido falar de Ghost In The Shell. Aliás, a protagonista tornou-se numa personagem de culto da cultura pop nipónica e asiática. Como tal, a escolha de Scarlett Johansson, em vez de uma actriz asiática para a personificar, deixou uma multidão enfurecida. Dito isto, o próprio director, Mamoru Oshii, defendeu a decisão, argumentando que um cyborg é uma entidade sintética e sem raça, lançando farpas aos preconceitos políticos que estão cada vez a afectar cada vez mais o mundo das artes e o cinema em especial.

De facto, a falta de imaginação de Hollywood é algo que me incomoda há muitos anos. A necessidade de recorrerem a continuações constantes, remakes de filmes cada vez mais recentes, blockbusters de super-heróis e agora, até o mercado manga querem explorar, não sei qual será o futuro da indústria cinematográfica.

Controvérsias de lado, Ghost In The Shell vale pela componente visual apelativa e uma protagonista à altura do papel que lhe foi proposto. A Scarlett carregou o filme às costas e a dinâmica expressiva e emocional de um ser que apesar de ter consciência devido ao cérebro humano, foi criado em laboratório, é bastante interessante. Infelizmente os elogios ficam-se por aí. Não é um mau filme, mas encontra-se longe de um expoente máximo de acção/fantasia.



SINOPSE: Life conta-nos a história de seis membros da tripulação da Estação Espacial Internacional, no momento em que a mesma se depara com uma das mais importantes descobertas na história da humanidade: a primeira prova de existência de vida extraterrestre em Marte. À medida que a tripulação inicia a pesquisa, os seus métodos acabam por ter consequências indesejadas e a forma de vida mostra ser mais inteligente do que alguma vez esperaram.

OPINIÃO: O conceito não é novo mas o realizador Daniel Espinosa conseguiu homenagear o Alien com um thriller espacial repleto de tensão desde o primeiro minuto. Aproveitando as características do clássico, como o ambiente claustrofóbico, corredores infinitos e mortes violentas, consegue diferenciar-se com o pouco uso de sangue e um twist audaz que me deixou à beira de cair do sofá.

Com um elenco repleto de estrelas como Gyllenhaal e Reynolds, é mesmo Rebecca Fergunson que sobressai, numa espécie de versão alternativa da Sigourney Weaver.

Life não introduz nada de novo ao género e o argumento sofre algumas limitações que se reflectem na perda de gás ao longo da história, mas é uma obra feita para os fãs do Alien de '79.






 
SINOPSE: Enquanto uma ameaça do outro mundo paira sobre Angel Groove, cinco adolescentes com super-poderes, escolhidos pelo destino, têm de ultrapassar os obstáculos mundanos e as suas divergências, e aprender a trabalhar em equipa para salvar a humanidade da vilã Rita Repulsa.

OPINIÃO: O filme que ninguém pediu: Power Rangers. Como muitos de vocês, pertenço à geração que acordava mais cedo ao fim-de-semana para ver as cinco personagens coloridas na SIC. Gostava de tal modo da série que até as figuras oficiais tinha, agora imaginem. Tendo em conta o resultado miserável que a adaptação cinematográfica do Dragon Ball teve, não percebo como é que arriscaram sequer voltar a entrar neste território que simplesmente não resulta em modo blockbuster.

O elenco é questionável a ponto de me perguntar se estão sequer familiarizados com o termo "representação". Como um crítico referiu brilhantemente, "as personagens têm tanta profundidade e carácter como os robôs que andam e falam automaticamente". Não podia ter dito melhor.

Se são apreciadores da série juvenil americana (que por sua vez era inspirada na japonesa "Super Sentai"), que se tornou mundialmente famosa durante os anos 1990, poupem o vosso tempo e não se dêem ao trabalho de ver isto. Só mesmo a Elizabeth Banks é que se salva no meio desta calamidade cinematográfica.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

terça-feira, 22 de agosto de 2017

CINEMA ⤫ Blast From the Past


O meu amor pela sétima arte é do mais puro possível. Em criança ouvi o chamamento das sereias e fiquei deslumbrado com o mundo do faz-de-conta. Desde os cenários, ao guarda-roupa, até os filtros que utilizam para filmar, tudo no cinema me enche as medidas.

Contrariamente à maioria dos jovens, sou um grande apreciador dos chamados "filmes antigos". Noto pelo meu irmão mais novo que mal ouve "preto e branco" torce o nariz e recusa-se a assistir ao que quer que seja. Ugh. Alguns dos filmes que considero como os melhores de sempre, são precisamente os chamados "clássicos". Confesso que ainda existem muitos que preciso ver, mas pelo menos não me oponho a tal.

Foi a pensar neste amor pela cinematografia vintage que criei esta rubrica. "Blast from the Past" vai focar-se em duas produções distintas, longe dos holofotes do cinema actual. Para começar, nada melhor que uma dupla de filmes que adoro e já mencionei anteriormente, What Ever Happened to Baby Jane? e Blade Runner.


What Ever Happened to Baby Jane? (1962)

Após anos a fio a ouvir contínuas referências ao icónico WTHTBJ, na pop culture, no ano passado cumpri um desejo antigo e resolvi vê-lo de uma vez por todas. O timming não podia ter sido perfeito, visto que depois foi anunciada a adaptação televisiva pelas mãos do Ryan Murphy.

A história foca-se em Jane Hudson, uma criança famosa conhecida por "Baby Jane". Com o passar dos anos, caiu no esquecimento do público e acabou a viver com a irmã, Blanche - uma antiga actriz que ficou paraplégica -, na sua mansão. Face a decadência evidente, Jane mantém vivo o sonho de voltar a pisar os palcos. Para que isso aconteça, está disposta a cometer as maiores atrocidades contra a própria irmã.

Foram duas horas da minha vida que não trocava por nada. Colocando de parte os atritos, altamente publicitados, vividos pela dupla de protagonistas durante a gravação do filme, o produto final superou as minhas expectativas. A Bette Davis desempenhou a infantil e degenerada "Jane" com tamanha entrega que ainda não consegui digerir o facto de não ter vencido o Óscar de Melhor Actriz a que estava indicada  já sabemos que foi culpa da arqui-inimiga, mas still. A caracterização também está de parabéns e seria um crime terminar este sucinto comentário sem referir a Joan Crawford que, embora mais contida, foi a co-protagonista ideal para a trama.

Classificado como "terror", o género está mais para crime e thriller, portanto se forem medricas, não têm desculpa para embarcarem nesta viagem pelo old Hollywood.




 Blade Runner (1982)

Por esta altura não deverá ser segredo que adoro os trabalhos do Ridley Scott. Além da franchise Alien que é a minha favorita de sempre, existem pérolas como Blade Runner que são absolutamente intemporais. Quem diria que as sessões de cinema nas aulas de Psicologia me iam apresentar a produções de alta qualidade.

Inspirado no livro Do Androids Dream of Electric Sheep (1968) de Philip K. Dick, Blade Runner é considerado pela crítica como o melhor filme de ficção científica de sempre, e um dos pioneiros no estilo neo-noir.

A narrativa passa-se em Los Angeles, num futuro próximo, 2019. Com a deterioração do planeta e a consequente extinção de animais, o uso de "replicantes" (andróides) tornou-se num modo de vida. Produzidos pela corporação Tyrell, estes seres geneticamente modificados, assemelham-se em praticamente todos os aspectos aos seres humanos, excepto na falta de empatia. Os replicantes são exclusivamente utilizados como escravos para o trabalho pesado em colónias fora do planeta, estando proibidos de viajar para a Terra. Aqueles que desafiem a proibição e voltem, são caçados e "aposentados" (mortos), por agentes especiais da polícia conhecidos como "Blade Runners". O enredo centra-se no polícia Rick Deckhard (Harrison Ford), cuja missão é capturar quatro replicantes desesperados por saberem o segredos para prolongar a sua longevidade.

Com a sequela agendada para Outubro deste ano, são vários os receios que me assombram. Por muito que gostemos de saber o que aconteceu a determinadas personagens, quando um produto é bom às vezes é melhor deixá-lo assim, intocável. Felizmente, pelos trailers, o estilo sombrio, as paisagens urbanas nocturnas repletas de luz e a estética futurista continuam presentes. Agora resta saber se as narrativas filosóficas que perpetuamente questionam a ideia do que significa estar vivo e consciente, não foram esquecidas. Toda esta questão existencial típica dos humanos intriga-me tanto que espero ver a ideia desenvolvida no Blade Runner 2049.


Conhecem os filmes? Já viram algum? Qual o vosso favorito?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #27


SINOPSE: Chris Washington, um afro-americano, vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para o jovem que rapidamente se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.

OPINIÃO: Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo extremamente raro no género em questão.

Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Embora considere que o trailer dá a entender metade daquilo que vai acontecer, o que quebra um pouco o efeito surpresa. Dito isto, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso.



SINOPSE: Jamie Fields é um adolescente que vive com a sua mãe, Dorothea, em Santa Bárbara, Califórnia. Abbie é uma estudante de arte e feminista que aos poucos vai utilizando as suas experiências para passar conhecimentos ao rapaz. Já Julie tem uma forte ligação com Jamie mas, apesar de dormirem juntos todos os dias, são apenas bons amigos.

OPINIÃO: 20th Century Women foi uma das razões pelas quais tentei adiar ao máximo a minha lista dos "Melhores Filmes de 2016". Tinha a certeza que quando o visse entraria para o top 20 mas infelizmente não foi disponibilizado a tempo. As expectativas confirmam-se, esta dramedy é fantástica.

Um dos vários factores positivos desta obra é a contextualização da década de '70, numa altura em que a violência não era uma das principais preocupações das pessoas. São pequenos detalhes como, por exemplo, o discurso da "Crise de Confiança" de Jimmy Carter, que elevam a caracterização não só da família como do quotidiano norte-americano.

Sensível e incrível, a narrativa é uma homenagem a todas as mulheres e mães. Aborda a força impressionante do sexo feminino e, ainda que o título remeta ao século 20, a mensagem é intemporal. Destaque ainda para a interpretação de Annette Bening, esse monstro da representação que mereceu sem dúvida alguma a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz com a sua Dorothea.








SINOPSE: O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

OPINIÃO: Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito.

A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.




SINOPSE: Ashley e Verónica encontram-se por acaso numa festa e percebem que as suas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Uma é pintora e não tem onde cair morta, a outra é rica e despreza a arte. Rapidamente as antigas hostilidades ressurgem e acabam ao murro, literalmente.  

OPINIÃO: Numa era em que muito se debate a crise de originalidade em Hollywood, é tão bom saber que ainda há quem tente contrariar a norma e construir novos tipos de narrativa. Ignorado por muitos, Catfight é um dos filmes mais originais e interessantes saídos do território norte-americano no último ano.

A dupla brilhante de protagonistas, Anne Heche e Sandra Oh interpretam duas arqui-inimigas e o reflexo uma da outra. Não é por acaso que a história se divida em dois actos reversos um do outro. Uma é artista, a outra não compreende o valor da arte; uma usa o conflito no Médio Oriente como inspiração artística, a outra deixa-se levar pelo interesse financeiro do marido no conflito; mas ambas acabam por ser mulheres solitárias, mesmo quando estão acompanhadas.

Existe um forte elemento de wtf ao longo da trama, mas é precisamente isso que me fez adorar este filme. O duo anda à luta três vezes e o desfecho aponta para um empate técnico, se bem que a vitória é das actrizes que estão soberbas tanto na vertente emocional como na comédia negra.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #26











SINOPSE: Uma história de amor improvável entre uma bela jovem camponesa e um príncipe amaldiçoado a uma eternidade na pele de um monstro. 

OPINIÃO: Os mais atentos sabem que "A Bela e o Monstro" é o meu clássico da Disney favorito. Escusado será dizer que não reagi nada bem quando soube que iriam adicioná-lo à nova moda de versões live action. Esta estratégia tem obtido bons resultados comerciais mas o certo é que não tem produzido filmes tão cativantes como os originais. As únicas excepções são, possivelmente, "The Jungle Book" e até "Cinderella", sendo o primeiro o melhor até ao momento (entrou no meu TOP 20 de 2016 e ganhou um Óscar de 'Melhores Efeitos Especiais').

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito deste. Pois é, preparem-se para uma unpopular opinion. Foi com enorme receio que o vi no cinema, aquando da estreia, e tanto eu como a minha namorada pensámos o mesmo, "meh". Não é mau mas também não é óptimo.

Os cenários são incríveis e tenho que admitir que a Emma Watson não esteve tão mal quanto esperava (era totalmente contra ela no papel de Bella), mas para quem viu o clássico de animação, é impossível não sentir uma certa banalidade com esta versão. Especialmente no que toca às músicas, que no original são a galinha dos ovos de ouro, aqui não passam de uma mera reciclagem. Chegou a um ponto que só me apetecia tapar os ouvidos para eles pararem de gritar. Não posso dizer que esteja decepcionado porque não tinha expectativa altas, mas tenho imensa pena que este The Beauty & The Beast esteja visto como uma obra-prima quando não é. Não fosse a componente visual, a minha cotação seria bem inferior.







SINOPSE: Uma rapariga sonsa continua a investir numa relação doentia com um milionário depravado, possessivo, ciumento e controlados. Amor verdadeiro, portanto.

OPINIÃO: Quando a adaptação cinematográfica do conto erótico Fifty Shades of Grey estreou em 2015, não compreendi como algo tão mau tinha originado milhões. Este ano chegou-nos o segundo capítulo e nem sei o que dizer. Se o primeiro era terrível este é um lixo. As supostas cenas de sexo e sadomasoquismo continuam inexistentes, e até quando a "história", se é que aquilo assim possa ser chamado, tenta tratar temas delicados e polémicos, acaba por causar gargalhadas. Juntamos a isso a paupérrima interpretação da dupla de protagonistas, especialmente da Dakota Johnson que além de precisar desesperadamente de umas aulas de representação, por comparação, faz da Kristen Stewart uma Meryl Streep. Também o director, James Foley, parece ter esquecido o significado da palavra "dirigir", já para não falar do guião que vende uma história de amor com um prazo de validade expirado. A falta de química entre o casal é gritante e consequentemente cria cenas altamente constrangedoras e hilariantes daquilo que NÃO se deve fazer na representação.

Por muito que me custe, costume tentar ao máximo aceitar opiniões contrárias às minhas, mas em relação a este "filme", é impossível. É um verdadeiro atentado à arte cinematográfica e uma vergonha permitirem que uma porcaria destas seja sequer produzida, quanto mais transformada numa franchise.



SINOPSE: Um bebé empresarial infiltra-se numa família suburbana para impedir que o planeta comece a gostar mais de cachorrinhos do que de criancinhas.

OPINIÃO: Não fosse o trailer bastante revelador, teria ficado bastante decepcionado com esta nova produção da Dreamworks. Além da animação, os factores positivos prendem-se à componente satírica repleta de piadas que só podem ser compreendidas por quem já sofreu na pele a crueldade e cinismo do mundo empresarial. O tratamento das pessoas como se fossem meros objectos numa máquina de fazer lucro, é estranhamente familiar. Por outro lado, existem momentos no filme que apelam aos nossos sentimentos, como aquele medo e raiva iniciais que sentimos quando um irmão nasce e todas as atenções estão voltadas para eles.

A minha namorada diz que esta obra foi feita para rapazes, e talvez seja, mas o certo é que não tem a capacidade de nos envolver completamente durante toda a acção. O enredo não é propriamente interessante e nem sequer conseguem surpreender o espectador. Em relação ao elenco vocal, a única coisa boa foi o Alec Baldwin e a Lisa Kudrow.

















SINOPSE: Após perder todos os companheiros em Washington, Alice é contactada pela inteligência artificial, Red Queen, sobre a existência de uma cura capaz de exterminar o virus zombie.

OPINIÃO: Como referi na publicação "FAVORITE MOVIE FRANCHISES: PART I", «critiquem-me, apedrejem-me, mas adoro o Resident Evil». Até parece mentira mas o primeiro capítulo foi lançado em 2002, há 15 anos atrás, e permanece até hoje como o melhor da franquia. Adaptado na saga homónima de videojogos, este império multi-milionário começou em grande mas foi perdendo força, criatividade e conteúdo a cada sequela.

Não é de estranhar que este sexto filme seja mais do mesmo e continue na linha medíocre dos anteriores. Como vêem, consigo ser objectivo até com os meus guilty pleasures. Quem aprecia e cresceu com este universo teve uma dose enorme de nostalgia graças à inclusão de inúmeros elementos dos dois primeiros filmes. A ligação entre o passado e presente garante a coesão necessária a uma narrativa sem qualquer tipo de nexo.

O grande problema desta obra é a introdução de uma suposta "cura" vinda do nada e que mais parece uma ideia apressada para finalizar a história. É impossível o espectador não questionar porque raio foram necessárias as quatro longas-metragens do meio para chegarmos a este ponto, uma vez que tudo podia ter sido facilmente resolvido se tivessem acrescentado essa informação logo no início. Seguem sequências de luta consecutivas, algumas sem qualquer appeal, e plot twists desnecessários. No meio disto tudo, é de louvar a performance da Milla Jovovich que ao longo de quase duas décadas foi a cara da franchise e a pessoa que mais acreditou no projecto. Só tenho pena que não nos tenhamos divertido tanto a ver o resultado final quanto ela a protagonizar a Alice. De qualquer forma, it's the end of an era and I'll miss it.


Além d'A Bela e o Monstro, já viram algum dos filmes? Qual é o vosso favorito?

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

TGW Awards: Top 20 Movies of 2O16


Pensavam que me tinha esquecido? Prometido é devido e, três semanas depois, habemus "TOP 20 MOVIES OF 2016"! Recapitulando, contrariamente ao que aconteceu em 2015, desta vez a internet não foi minha amiga e não disponibilizou algumas produções cinematográficas-chave que precisava MESMO de ver. Por esse motivo, preferi adiar a lista com os melhores filmes do ano em prol de uma análise fidedigna. Posso-vos dizer que este ano as escolhas não se restringem ao território norte-americano. Estão representados a França, Espanha, Alemanha e Coreia do Sul. We're going global, baby

Comparativamente ao ano anterior, 2016 foi no mínimo... complexo, no que toca às longas-metragens. Passei quase 10 meses a referir que a oferta estava fraquíssima e heis que BAM! Mal se sente o aroma da award season no ar começam a aparecer filmes, altamente impressionantes, como se fossem cogumelos. Enfim. Por esse motivo, seleccionar os integrantes do top foi uma verdadeira tarefa morosa. Sim, porque se na edição anterior os eleitos eram óbvios, nesta eram muitos os candidatos que poderia referir. Por esse mesmo motivo, resolvi destacar outros 10 que estiveram quase lá.

Estamos a menos de um mês para os Óscares e sinto-me mais preparado do que nunca para defender os meus favoritos com unhas e dentes, especialmente no departamento das interpretações. Não se preocupem, deixarei as minhas previsões/opiniões para uma publicação exclusivamente dedicada ao tema, mas posso adiantar que a luta pelo troféu de "Melhor Actriz Feminina" me está a dar cabo do juízo.

Relembro que o TOP 20 que se segue baseia-se na lista de 102 filmes a que assisti lançados oficialmente em 2016. Ou seja, casos como "Lobster" que estreou nos Estados Unidos em 2015 e em Portugal só no ano seguinte, não contam para a estatística. Além dos 30 escolhidos, seleccionei outros seis nas "MENÇÕES HONROSAS" que são igualmente fantásticos mas por questões de ordem técnica (embora não seja um crítico profissional, gosto de pensar que sei ver o que vai para além do enredo), ficaram de fora. Quer isto dizer que por muito que eu tenha adorado o "Nerve", tenho que ser imparcial.


MENÇÕES HONROSAS: DOCTOR STRANGE | MIDNIGHT SPECIAL | SULLY | THE INVITATION | THE NEON DEMON | NERVE

#30. Always Shine
#29. Hell or High Water 
#28. Love & Friendship
#27. Florence Foster Jerkins
#26. 10 Cloverfield Lane
#25. Nocturnal Animals
#24. The Light Between the Oceans
#23. Christine
#22. Deadpool
#21. American Honey

.20.. The Edge of Seventeen
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Por entre tantos dramas depressivos, comédias vazias e filme de super-heróis, The Edge of Seventeen é uma lufada de ar fresco. Protagonizado pela actriz e agora cantora, Hailee Steinfield, a trama segue Nadine, uma jovem de 17 anos altamente irónica. Tão azeda como um limão, a vida da rapariga é abalada quando a melhor e única amiga começa a namorar com o irmão mais velho. Traída e abandonada, acaba por travar amizade com um professor (Woody Harrelson), que lhe dá mais atenção que a sua própria mãe. 

Na mesma linha dos icónicos Sixteen Candles e Breakfast Club, estamos perante uma comédia teen mas nada infantil. A narrativa é honesta, inteligente e com momentos absolutamente deliciosos. Acaba por ser uma visita à mente de uma adolescente que está a lidar com mil e uma emoções ao mesmo tempo. Crescer não é fácil e a Hailee captou essa essência na perfeição. Não sendo o maior fã dela, tenho que aplaudir a forma como conseguiu interpretar uma Nadine em modo asshole mas sem nunca perder a simpatia do espectador. 


.19.. The Jungle Book
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Na sua maioria, os remakes são considerados as ovelhas negras do cinema. Existem demasiados e são poucos os decentes. Quando se esperava o pior, a Disney voltou a surpreender e ofereceu uma visão acualizada do eterno clássico "O Livro da Selva". A narrativa é a mesma do original de 1967, inspirado nos contos de Kipling, mas existem algumas mudanças. A musicalidade passa para segundo plano e a única coisa não digital do filme é mesmo o Mogli, tudo o resto é CGI. Sim, o lógico seria que o resultado fosse um desastre mas não. O realizador John Favreau conseguiu a proeza de criar um mundo virtual altamente credível. Custa a crer que tenham filmado tudo em estúdio, porque até a floresta é falsa. Incrível! A partir do momento em que o espectador se esquece que está perante um produto fabricado, diria que o resultado foi um sucesso. É de salientar a prestação estrondosa do jovem Neel Sethi que, com apenas 12 anos, carregou a trama toda sobre os ombros, sem nunca perder a nossa atenção. 

.18.. Captain Fantastic
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

As imagens promocionais à la hipster podem espantar algumas pessoas, mas não deviam. Captain Fantastic gira em torno de Ben e os seus seis filhos. Vivem na floresta e é lá que aprendem a sobreviver por conta própria ao comer alimentos naturais e enaltecer obras literárias que lutam contra o "sistema". Perante uma tragédia inesperada, a família vê-se forçada a voltar ao mundo real e o que se segue é uma roadtrip repleta de altos e baixos. 

A história não se restringe ao pensamento natureza vs. sociedade capitalista, é mais complexa do que isso. Assim como outras produções já o fizeram, esta aborda como o ensinamento e amor dos pais pode ou não influenciar o crescimento dos seus filhos. Com algumas questões filosóficas pelo meio, foi incrível como uma criança de seis anos, que nunca foi à escola, sabia mais que os primos com o dobro da idade e uma educação dita "normal". A nível técnico a fotografia está lindíssima e o Viggo Mortensen está de parabéns por mais uma interpretação sincera e carismática. Foi com alguma surpresa e felicidade que recebi a notícia da sua nomeação ao Óscar de Melhor Actor. Ainda que sem chances de vitória, foi merecido.


.17.. Jackie
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Uma semana após o assassinato do Presidente John F. Kennedy, Jackie recebeu o historiador e analista político Theodor H. White para discutir o legado do seu marido. O culminar desse encontro resultou na entrevista publicada da edição especial da revista LIFE, que cobriu os terríveis dias do final do mês de Novembro de 1963. 

Um dos filmes que mais ansiava ver e ficou muito aquém das minhas expectativas. Atenção, não existe qualquer sombra de dúvida que estamos perante a melhor actuação da carreira de Natalie Portman. Aliás, se venceu o Óscar com Black Swan, então agora estaria no papo — não fosse a concorrência extremamente forte. É evidente que a actriz passou horas a estudar o sotaque, postura e até o piscar de olhos característico de Jackie. É incrível a forma como a Natalie se entregou de corpo e alma ao papel da primeira dama mais popular do mundo. Dito isto, a narrativa peca por uma lentidão capaz de fazer qualquer um adormecer. O guarda-roupa e produção estão de parabéns mas a banda sonora por vezes surge sem qualquer necessidade e a níveis demasiado altos, desviando as atenções do que realmente interessa.

.16. Julieta
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Baseado em três contos do livro "Fugitiva", da vencedora do Prémio Nobel, Alice Munro, Julieta marca o retorno de Pedro Almodóvar volta ao estilo que o consagrou, o drama puro centrado numa figura feminina forte. Neste vigésimo filme da carreira do cineasta, acompanhamos a vida de Julieta, uma alma atormentada pelo afastamento da única filha, Antía. Ao longo de três décadas acompanhamos o crescimento — desde a sua fase punk na década de 80 à elegância da actualidade — e sofrimento da protagonista, que não têm notícias da filha há 12 anos. Com pinceladas de mistério, o espectador vê-se tão ou mais envolvido que a personagem-título na procura de respostas.

O argumento é inteligente e a forma como intercala flashbacks com a acção a tempo-real, criam um suspense enorme, capaz de nos deixar à beira de um colapso de ansiedade. Afinal, o que raio aconteceu para as coisas chegarem àquele ponto? É também através deste exercício temporal que percebemos como a própria mulher muda de personalidade com as diversas fatalidades que ocorrem à sua volta. O "desaparecimento" de Antía resulta, então, como uma ponte para a redescoberta dos seus próprios objectivos pessoais. A fotografia e banda sonora são invejáveis mas o ponto alto desta obra é a interpretação fenomenal da dupla Adriana Ugarte e Emma Suárez que dão vida à versão "jovem" e "velha" de Julieta.


.15.. Fences
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Baseado na peça homónima de enorme sucesso, escrita por August Wilson (que assina o guião), e igualmente protagonizada por Denzel Washington nos teatros — papel que lhe valeu um Tony Award em 2010 — Fences fala sobre a vida de um lixeiro de Pittsburgh, os seus conflitos, princípios, convicções e relações turbulentas com os filhos e a esposa, Rose.

A acção é bastante simples e durante metade do filme somos convidados a sentar no quintal traseiro e assistir ao dia-a-dia de um casal afro-americano na década de 50. Sempre de bebida em punho e uma colecção de histórias do passado, com um certo toque de ficção, o protagonista tem uma espécie de luta constante com a mulher devido ao futuro do filho de ambos. Por entre muito amor, parece ter sido plantada uma semente podre que vai crescendo com o avançar do tempo. Os monólogos, por vezes demasiado longos, são uma das highlights do projecto, mas é Viola Davis quem rouba todas as atenções. Sem querer revelar nada, quando ocorre o clímax narrativo, ela dá uma aula de actuação assombrosa. Será um crime se não ganhar o Óscar de Melhor Actriz.

.14.. Hidden Figures
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Inspirado no livro homónimo de Margot Lee Shetterly, Hidden Figures, foca-se em três mulheres afro-americanas que, no departamento de cálculo e matemática, ajudaram o seu país na importante disputa com a Rússia no domínio das navegações espaciais. Simultaneamente, a matemática, a engenheira e a primeira supervisora/programadora da história da NASA, são constantemente alvo de comportamentos racistas e machistas. 

Existem histórias que merecem ser contadas e esta é uma delas. Ainda que um pouco superficial, o espectador é exposto a cenas de racismo capazes de nos virar o estômago. Aliás, a narrativa não poupa diálogos alusivos à mentalidade da década de 60, chegando a ouvir-se que as mulheres negras deviam "agradecer por terem um emprego". No entanto, o guião tem falhas como no momento em que a protagonista, Katherine, ao querer fazer frente ao machismo e sexismo, justifica a presença das mulheres na empresa com algo absurdo como "Estamos aqui. Não porque usamos saias mas sim óculos". Really? Caricato visto que as duas amigas vêem perfeitamente bem. De qualquer forma, a trama é enjoyable, possui momentos cómicos mas sem nunca comprometer a mensagem, e só é pena que a banda sonora baixe um pouco o valor geral da obra. Ah, e continuo sem compreender como é que a Octavia Spencer (que adoro) foi nomeada pelo seu papel tão... básico. 


.13.. L'avenir (Things To Come)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Escrito e dirigido por Mia Hensen-Love, L'avenir é uma produção francesa sobre Nathalie, uma professora de filosofia que certo dia é informada pelo marido que ele conheceu outra e ia sair de casa. Estupefacta, a protagonista tenta re-encontrar-se entre as aulas, cuidar da mãe, gerir o trabalho numa editora de livros, e ainda encontrar alguém para ficar com um gato. Sim, é isso mesmo. Estamos perante um passeio pelo quotidiano de uma mulher comum que se vê forçada a refazer a vida. Sem qualquer sentimento de vítima ou cenas dramáticas, o guião prefere uma abordagem assente na liberdade depois dos 40 anos.

Isabelle Huppert está magnífica, e divide graciosamente o tempo de antena com Roman Kolinka, o antigo aluno "Fabien", que vê nela uma mentora. Não é uma história com grandes floreados ou acção, diga-se de passagem, mas é na sua simplicidade que se encontra a beleza do projecto. O filme ganhou o Urso de Prata de Melhor Director nos Festivais de Berlim e de Bucharest, e Issabelle foi distinguida com o prémio de Melhor Actriz no círculo da crítica em Nova York, Los Angeles e Boston.

.12.. Loving
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Loving conta a história real do casal Mildred e Richard, ele branco e ela negra. Em 1958, auge dos conflitos raciais nos Estados Unidos, os futuros pais decidem casar-se em segredo das autoridades do estado de Virgínia, onde moravam e a união era proibida por lei. A dupla acaba por se casar em Washington, mas quando volta a casa, é presa. Está então traçado o pano de fundo para uma longa luta do casal pelos seus direitos humanos, marcada pelo preconceito, intolerância e o amor enorme que sentem um pelo outro.

A mensagem deste filme é lindíssima e extremamente relevante. Também aqui o espectador é confrontado com um tipo de violência altamente degradante e que trata seres humanos como se fossem lixo devido ao seu tom de pele. O director, Jeff Nichols, fez um trabalho estrondoso ao conseguir capturar na perfeição o clima para que o público sentisse a dor dos protagonistas, sem nunca recorrer ao choro fácil. Embora verídica, a narrativa não peca em nenhum momento por isso. Há que parabenizar a incrível prestação de Ruth Negga — indicada ao Óscar de Melhor Actriz — e Joel Edgerton que, pela primeira vez, me conseguiu cativar, desaparecendo por completo na personagem.


.11.. Silence
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Descrito por Martin Scorsese como o seu passion project, no qual trabalhou durante mais de uma década, Silence baseia-se no livro do escritor japonês Shûsaku Endô, e é um mergulho pelas correntes fortes da fé, os seus desígnios e consequências. Em destaque estão dois missionários portugueses, o Padre Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Padre Francisco Garupe (Adam Driver) que viajam até ao Japão, no século XVII, à procura do seu mentor, o Padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson), que desapareceu nas terras nipónicas enquanto tentava pregar o cristianismo no país. Numa época em que tal vertente religiosa era proibida e punível com a morte, o que sucede é uma verdadeira caça ao homem.

Silence é uma obra monstruosa, não no sentido nefasto para por ser um trabalho monumental. O filme coloca o espectador numa viagem até ao inferno, sem qualquer vislumbre de libertação. Mantendo sempre uma certa distância da acção, a narrativa leva-nos para fora da nossa zona de conforto, chegando mesmo a incomodar. É um espectáculo visual incrível, maioritariamente devido à fotografia que oferece cenários de cortar a respiração, apesar da sua aparência estéril. A meu ver, a nomeação do Garfield ao Óscar de Melhor Actor faria mais sentido com esta interpretação. A sua entrega emocional foi tamanha que até custava acreditar que estávamos perante o mesmo jovem que em tempos vestiu um fato de látex vermelho e deitou teias de aranha pelos pulsos. O único ponto negativo é a linguagem. Além dos sotaques absurdos dos Padres, não houve nenhum cuidado em tentar recriar um diálogo próximo do século em questão, comprometendo o resultado final.

.10.. Elle
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Elle conseguiu o improvável e surpreendeu-me. Não é um filme comum, não se rege pelos parâmetros do politicamente correcto como a maioria dos seus colegas. O resultado é uma experiência digna de uma trinca no fruto proibido. É uma produção que nos faz questionar a cada segundo, enquanto tentamos entender uma série de decisões aparentemente inexplicáveis e condenáveis. 

Com uma trama central fortíssima, as vertentes técnica e interpretativa estão algo de poderoso. O simbolismo do gato preto, com um olhar atento, contrasta com o terror sentido por Michéle, assim que percebe que um homem mascarado entrou na sua casa para a violar. A cena dura apenas um minuto — sendo revivida outras três vezes, na qual a mulher tenta compreender o que lhe aconteceu. Invés de denunciar o crime à polícia, ela decide investigar por conta própria, tentado juntar as peças do puzzle que lhe são transmitidas pelo próprio homem que a atacou. A segunda longa-metragem desta lista com Isabelle Huppert como protagonista (L'avenir), é muito mais que um jogo de gato e rato. Envolve desejos íntimos, violência e traição. Depois de surpreender tudo e todos e vencer o Globo de Ouro de Melhor Actriz, adorava que ela vencesse o Óscar!


.09.. Toni Erdmann
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Ines Conradi é uma respeitada consultora empresarial que, actualmente, trabalha para uma grande empresa em Budapeste, Roménia. O pai, Winfried, é um homem no mínimo peculiar: anda com um medidor de pressão ao peito, usa uma dentadura falsa e mascara-se para chamar à atenção. Com um dom de fazer piadas em momentos inoportunos, ele decide visitar a filha. Lá, ele adopta duas personalidades: enquanto Winfried, tenta evitar ao máximo envergonhar Ines em reuniões de negócios; mais tarde, quando é descartado pela filha, assume o alter-ego, Toni Erdmann, um life choach disposto a aproveitar ao máximo o que a capital romena tem para oferecer.

À primeira vista, e com base na sinopse, é possível considerarem este filme alemão uma valente fantochada, mas não cometam esse erro. Toni Erdmann é uma crítica à sociedade actual, em especial às relações familiares, cada vez mais distantes, sob uma comédia melodramática deliciosa. É uma história de reaproximação que tem como objectivo secundário explorar o mundo corporativo de uma perspectiva feminina — vítima de pressões constantes, inclusive assédios. Pelo meio Winfried surge como comic relief, num ambiente executivo e sério. A evolução da relação entre as duas personagens principais resulta num momento emocionante mas nada piegas.

.08.. The Eyes of My Mother
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

The Eyes of My Mother mostra-nos uma família rural onde a filha, Francisca, é ensinada pela mãe a ser forte e não se incomodar face a acontecimentos chocantes e mórbidos. Anos depois de uma infância repleta de isolamento e solidão, a jovem deixa o seu lado sombrio tomar as rédeas da sua vida.

A premissa que poderia servir como história de superação, revelou-se um verdadeiro espectáculo de horrores. Aliás, foi classificada como tal, "terror", se bem que não concorde inteiramente com isso. Filmado a preto e branco e falado parcialmente em português — a família protagonista é de origem lusitana — este é o primeiro projecto do estreante Nicolas Pesce. Kika Magalhães, que interpreta a versão adulta de Francisca, conquistou a crítica cinematográfica norte-americana, tendo sido considerada por muitos uma revelação do Festival de Cinema de Sundance. Num registo digno de uma Norma Bates, a actriz consegue assustar e cativar empatia, em doses equilibradas, sem nunca perder noção do que é realidade, ou seja, os mortos continuam mortos e algumas pessoas já nascem más.  Com momentos poéticos, representados pelos lamentos de Amália Rodrigues, que ecoa pela casa vazia, o fado serve como aviso para a mudança psicológica da jovem.


.07.. Manchester By The Sea
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Quando Joe Chandler morre, o irmão mais novo, Lee, tem de regressar a casa para tomar conta do sobrinho adolescente que divide o seu tempo entre o desporto, música e duas namoradas. É assim que podemos resumir o enredo de Manchester By the Sea

Não sendo apreciador do trabalho dos irmãos Affleck, admito que este talvez seja a melhor actuação de Casey. Ainda que no mesmo registo taciturno do costume, consegue aproveitar o enorme tempo de tela para mostrar o visível sentimento traumático que acompanha a personagem. A mudança de pai feliz e dedicado para zombie sem vontade de viver, é surpreendente. O que aconteceu vai sendo revelado em pequenas fatias, através de flashbacks, e é mais dramático do que qualquer coisa que poderíamos ter imaginado até meio do filme. Simultaneamente, é tão real que é impossível não nos colocarmos nos sapatos do protagonista. Os diálogos não são poéticos, inclusive chegam a parecer fruto de improviso, mas conseguem ser muito humanos e inteligentes. Lucas Hedges, o sobrinho, é uma revelação e a Michelle Williams arrasa tudo e todos nas poucas cenas que tem. 

.06.. Hacksaw Ridge
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Após uma década de controvérsias, Mel Gibson voltou para trás da câmara e apresentou-nos Hacksaw Ridge, baseada na incrível história de Desmond Doss, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia que decide alistar-se após o ataque de Pearl Harbor. Recusando-se a usar ou sequer tocar em armas devido à sua religião, o jovem socorrista, que apelidaram de "cobarde", recebeu a Medalha de Honra por salvar a vida a 75 companheiros durante a Batalha de Okinawa.

Detesto o género cinematográfico de guerra, mas foi com enorme surpresa que me vi completamente envolvido na história de Doss. Assistir à sua trajectória desde que se alistou e foi agredido pelos próprios colegas por se recusar completar o treino até vê-lo em acção, no campo de batalha, chegou a ser comovente. Para dar credibilidade, Gibson colocou o CGI de parte e preferiu utilizar o duplos, trabalhados em conjunto com o director de fotografia, editor e coordenador de efeitos especiais. O resultado é um cenário altamente perturbador. Não existem paninhos quentes, a Segunda Guerra Mundial é exposta como o que realmente foi, um palco onde a violência e mutilação são constantes. Um pormenor interessante são os depoimentos de algumas figuras reais, entre elas, Desmond, no final do filme.


.05.. Arrival
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Sendo eu um fã incondicional do género sci-fi, especialmente de temáticas alienígenas, não vos consigo explicar o quão ansioso estive para ver receber este Arrival. A trama pode parecer simples, no entanto, a sua genialidade está nos detalhes. O enredo acompanha Louise Banks, uma tradutora e linguista cujos serviços são procurados pelo exército norte-americano, aquando o aparecimento de 12 objectos não identificados em diversas regiões à volta do globo. Para que consigam obter resposta sobre o porquê da sua presença na Terra, ela desenvolve tácticas para decifrar uma linguagem desconhecida e estabelecer contacto.

A estrutura narrativa é sólida e as duas horas de filme são repletas de cenas inesquecíveis que passam a voar. Se o objectivo era levar o público ao reino das possibilidade de análise, então o director Denis Villeneuve foi bem sucedido. Em parte o poder desta produção deve-se ao material base, Story of Your Life, de Ted Chiang, um livro sobre teorias de viagem no tempo, que se mistura com breves reflexões sobre o passado, presente e futuro. Asseguro-vos que é extremamente complicado não perceber aquela twist óbvia que as longas-metragens tanto gostam de incluir. Confesso que, desta vez, estava às escuras. Só mesmo na recta final é que se fez um clique e percebi o que estava a acontecer. A fuga aos clichés do género ao estabelecer uma temporalidade cíclica é de tal modo soberba que esgotei o meu rol de elogios. Arrival é uma obra-prima e é uma vergonha que a interpretação multifacetada de Amy Adams tenha sido ignorada pela Academia.

.04.. Ah-ga-ssi (The Handmaiden)
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Na década de 1930, durante a ocupação japonesa na Coreia, a jovem Sookee é contratada para trabalhar na mansão de uma herdeira rica e frágil, que vive com o austero e implacável tio. Mas nesta história nem tudo é o que parece e a criada é, na verdade, comparsa de um vigarista que pretende conquistar o coração da solitária Hideko. No entanto, as coisas começam a ganhar contornos inesperados quando a jovem empregada cai de amores pela patroa e descobre o que realmente se passa naquela casa.

Durante mais de metade do ano tive The Handmaiden como o "Melhor Filme de 2016". A produção extravagante, a fotografia — que utiliza tons pastel para as cenas de interior, representando a evidente morbidez de algumas personagens, e os tons coloridos no exterior em alusão à liberdade — assim como os cenários, são uma verdadeira epopeia gastronómica digna de um Rei. Existem dois sub-plots em Ah-ga-ssi, uma que percorre metade do filme e outro no final. Pelo meio temos cenas de estratagemas, romance e muito erotismo.


.03.. Lion
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Existem histórias da vida real tão dramáticas e extraordinárias que parecem ter sido criadas propositadamente para servir de enredo a um filme. A vida de Saroo Brierley que, quando tinha apenas cinco anos e vivia com a mãe e irmãos na localidade precária de Khandwa, na Índia, adormeceu num comboio e acordou perdido, a caminho de Calcutá. Nessa cidade, tornou-se sem-abrigo e nem sequer conseguia comunicar com as pessoas, visto que não falava bengali, só hindi. Eventualmente o menino é enviado para um orfanato estatal e acaba por ser adoptado por um casal australiano. Quase 25 anos depois, já completamente integrado na sociedade aussie, Saroo inicia uma exaustiva busca pela família biológica.

Lion é uma adaptação da autobiografia de Bierley, cuja narrativa cinematográfica foi estruturada em duas metades de uma hora, sensivelmente. Desta forma, evitam-se os flashbacks emocionais em prol da acção "actual". A abordagem é interessante mas peca por um único motivo, a divisão torna clara o quão melhor a primeira parte é em relação à segunda. A fase inicial é arrebatadora, uma construção audiovisual impressionante, carregada nos ombros do pequeno actor Sunny Pawar que se revelou um fenómeno da interpretação ao conseguir expressar-se de forma tão natural e crua. A inevitável ausência deste pequeno gigante na segunda metade, representa uma enorme perda para o filme, independentemente da prestação do Dev Patel enquanto Saroo adulto, seja bastante tocante. Não é segredo nenhum que sou pessoa de lágrima fácil mas deixem-me que vos diga, perdi a conta às vezes que chorei. O final então... até solucei! Se ainda não viram, preparem-se e tenham um pacote de lenços à mão. Vão precisar, acreditem.

.02.. Moonlight
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

A narrativa de Moonlight está dividida em três partes que contam a vida de Chiron. Em criança, conhecido por "Little" é negligenciado pela mãe, uma viciada em crack e forja uma bonita amizade com Juan, um traficante de drogas, e a sua esposa, Teresa, que se torna numa segunda mãe. O capítulo seguinte salta para a adolescência. Vítima de bullying na escola pela maneira de ser e se vestir, só tem um único amigo, Kevin, com quem desenvolve um interesse sexual que é interrompido devido a um evento ocorrido no final deste acto. A parte final, avança até à idade adulta com um Chiron, agora conhecido por "Black", mudou-se de Miami para Atlanta e tornou-se num traficante. Quando Kevin tenta estabelecer contacto, o coração bate mais forte e o resto é história.

Lamento a sinopse longa, mas só revela a complexidade desta obra cinematográfica de alto calibre. Tecnicamente, o filme é genial. A forma como a fotografia é trabalhada por James Laxton, através do aumento do contraste das cores, evidencia o sofrimento presente nas expressões faciais do protagonista durante o tempo inteiro. O guião de Moonlight impressiona pela forma como as três metades da acção se completam. Aliás, também o trio de actores que dá vida ao protagonista, revela um trabalho fabuloso para não serem imitações uns dos outros, mas sim uma evolução, crescimento. Podemos ver os olhos tristes do pequeno Chiron reflectidos no actor da fase adulta. Existe uma consistência tão grande nas mudanças de elenco a cada salto temporal que chega a ser assustador. Destaque para Mahershala Ali que, apesar de pouquíssimo tempo em cena, roubo todas as atenções e tenho a certeza fará o mesmo com o Óscar de "Melhor Actor Secundário".

Por entre diálogos memoráveis, são os silêncios e o que não é dito que tem mais impacto. O olhar moralmente complicado da figura paterna quando a criança lhe questiona sobre o porquê dos outros meninos lhe chamarem faggot, ou no momento em que dois jovens se apercebem que o que se passa entre ele vai além do socialmente aceite. Como Sean Baker fez com Tangerine no ano anterior — ocupou a #15 posição nos Melhores Filmes de 2015 — o director Barry Jerkins dá voz aos oprimidos ao partilhar a história de uma criança destinada a ficar no background. Sem criticar qualquer entidade governamental, expõe a dura realidade da população afro-americana, marginalizada e sem qualquer chance de atingir o suposto american dream. É graças a esta pressão que no segundo acto vemos o início de uma mudança comportamental do protagonista. Sem dúvida uma das melhores longas metragens do ano.


.01.. La La Land
NOTA: 10/10 | TRAILER: AQUI

Parou tudo. Ricardo, o rapaz que detesta cantorias cinematográficos não só colocou um musical em primeiro lugar como ainda lhe deu uma cotação de 10/10?! That's right! 

A história centra-se em Sebastian, um pianista sem estabilidade financeira e Mia, uma empregada de balcão num café dos estúdios Warner. Ambos são sonhadores: ele não quer deixar o jazz morrer e ela colecciona audições mas sem nenhum papel como actriz. Nunca pensei vir a dizer isto mas o Ryan Gosling e a Emma Stone foram soberbos. Especialmente ela, presenteou-nos com a melhor performance da sua carreira e é por esse motivo que também estou a torcer por ela na corrida pela estatueta dourada. O seu solo na recta final, gravado num único take, é razão mais que suficiente para anunciar o nome dela no próximo dia 26 de Fevereiro.

La La Land é uma ode aos clássicos de Hollywood (vejam ESTE vídeo), como o icónico Singing in the Rain, e a actores como Grace Kelly e Debbie Reynolds, presentes numa série de detalhes incorporados numa Los Angeles moderna — brilhantemente capturada pela fotografia de Linus Sandgren. Com sequências fluídas inspiradas em cenas míticas, antigos cinemas já encerrados, como o Rialto (podem ver AQUI um mapa com todos os locais das filmagens), um guarda-roupa elegante, diálogos com pinceladas de humor, explosões de cor, pianos, saxofones, tudo! Não há palavras para descrever esta obra-prima do cinema moderno. Não é por acaso que ganhou 7 Globos de Ouro (número record conquistado por um único projecto), tem 14 nomeações aos Óscares (apenas Titanic e Eva tinham conseguido o mesmo valor) e podem ganhar 11 BAFTA's.

A química do par de actores é inegável e transpira para fora da tela. É certo que não têm vozes fenomenais e os entendidos vão ladrar que não estavam coordenados ao milímetro nos passos de dança, mas a entrega de ambos está sempre presente e torna-os ainda mais humanos. Por favor, eles aprenderam a dançar e a tocar piano num espaço de meses, estão à espera do quê? Take several seats. Sim, estou extremamente investido neste filme e não consigo prever quando é que o feitiço vai ser quebrado. Provavelmente quando conseguir ouvir a melodia da canção de abertura, "Another Day of Sun", ou a "City of Stars" sem chorar desalmadamente.

Damien Chazelle criou uma verdadeira carta de amor nostálgica e só os "tolos que não sonham" é que não se vão deixar levar. Durante duas horas, o público é convidado a esquecer os problemas pessoais e a mergulhar de cabeça neste universo sonhador. Por entre risos e cantigas, somos confrontados com o poder e consequências que algumas decisões podem ter para o futuro. Felizmente combati a vontade exacerbada de ver La La Land na internet e esperei pela estreia para experienciá-lo no cinema. Não há palavras para explicar o turbilhão de sentimentos que me assaltaram. Se não fosse tão tio patinhas, já tinha ido vê-lo novamente. Não estava nada à espera de ficar tão movido por esta história, mas identifiquei-me tanto que sinto uma necessidade tremenda de saltar lá para dentro e ficar para sempre naquele mundo. A sequência final é absolutamente cruel e deixou-me devastado, de lágrimas nos olhos e raiva por estar assim em público. No entanto, compreendo o porquê.

La La Land não só é o melhor musical dos últimos 50 anos como é um filme completo e inesquecível o suficiente para ocupar um lugar na lista das melhores produções desta geração. Yeah, I said it. Agora vou continuar a ouvir a banda sonora e atacar o segundo pacote de lenços enquanto lamentao a dura realidade de uma vida sem magia.


Já viram alguns destes filmes? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2016?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...