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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

MOVIE LOUNGE ⤫ BLADE RUNNER 2049 (2O17)


Considerado por muitos como o melhor filme de ficção científica de sempre, e um dos pioneiros no estilo neo-noir, Blade Runner (1982) voltou a materializar-se no grande ecrã. Trinta e cinco anos depois da obra-prima de Ridley Scott, a sequela realizada pelo canadiano Denis Villenueve surge como um alívio personificado ao prolongar e reinventar o universo original.

A acção toma lugar trinta anos após os acontecimentos em Blade Runner: Perigo Iminente, na versão portuguesa. Humanos e replicantes continuam a coexistir, embora a linha que os separa seja cada vez mais ténue. Os Blade Runners continuam a perseguir e "reformar" replicantes ilegais mas, até que ponto serão estes alvos realmente robôs? E afinal, quem é verdadeiramente humano? A premissa original de Hampton Fancher e David Peoples é, assim, preservada.



Não é segredo o meu amor pelo original e desagrado com as notícias de uma sequela (AQUI). Dito isto, tenho que dar a minha mão à palmatória e admitir que Blade Runner 2049 esforçou-se ao máximo para manter a visão de Ridley Scott. Através de paisagens futuristas, fruto de um genial trabalho de fotografia (Roger Deakins) e cenografia (Dennis Gassner), é assegurada a ambientação sombria e iluminação néon que tanto cativaram os fãs desde a década de '80.

O argumento não é revolucionário, mas oferece ideias que nos deixam a remoer a perpétua problemática do que significa estar vivo e consciente. O ritmo da narrativa é lento, algo arriscado num filme de quase três horas, mas os pontos altos justificam tal decisão. Confesso que nem dei pelo tempo passar. Estava de tal modo imerso na acção e maravilhado com a vertente visual que pouco me importou o facto de nem ter tido tempo para almoçar antes da sessão.


O principal problema desta produção prende-se ao casting. O elenco até é bastante a cima da média, mas existem duas escolhas que... não compreendo. Como temi desde o início, Ryan Gosling não se insere propriamente bem nesta temática. Tudo se resume a uma questão de gosto pessoal, mas é impossível não perceber que o actor assumiu uma espécie de "piloto automático" que parecia não ter percebido que o seu agente K, o protagonista, estava a viver um conflito interno sobre a questão da existência ou não da alma. Não posso revelar spoilers portanto permitam-me esta análise superficial. Digamos que para alguém que desenterra um segredo potencialmente perigoso para o equilíbrio da humanidade, falta ali qualquer coisa.


Ana de Armas foi uma autêntica revelação. Confesso que não estava familiarizado com o seu trabalho mas, tal como a maioria dos espectadores, fiquei rendido à sua performance fantasiosa de Joi. Aliás, praticamente cada vez que partilhava a cena com Gosling, afastava os holofotes dele e direccionava todas as atenções para ela. O mesmo acontece com o regresso de Harrison Ford, atirando o actor de La La Land (e o canastrão Jared Leto) para fora das luzes da ribalta. Não há qualquer dúvida de que Joi e Deckard são as personagens mais fascinantes desta longa metragem. De realçar ainda pela positiva a Robin Wright e Sylvia Hoeks.


Por muito que dispensasse uma sequela, não vos consigo descrever o que senti assim que a primeira frame aparece no ecrã e a música começa a ecoar pela sala de cinema. A banda sonora de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch é simplesmente mágica e transportou-me de imediato para a primeira vez em que vi Blade Runner, numa aula de Psicologia, há alguns anos atrás. Foi quase bizarro por sentir nostalgia de algo que nunca vivi, pelo menos na época certa. 


Blade Runner 2049 não chega aos calcanhares do irmão mais velho, mas é uma relíquia visual que merece ser vista de olhos bem abertos. Por ser um filme tão difícil como o primeiro, arrisca-se a ter uma recepção igualmente pouco interessada do grande público, mesmo com um elenco apelativo à la Hollywood e das várias reacções positivas.


Classificação IMDb: 8.6/10
Classificação Ghostly Walker: 8/10


Já viram o filme? Conhecem o original? Se sim, qual o vosso favorito?

quarta-feira, 28 de junho de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #28



SINOPSE:  Em 1971 uma equipa de cientistas lidera uma excursão à mítica Skull Island, no Pacífico. Acompanhados por um guia, uma fotógrafa e uma companhia de soldados, o grupo rapidamente descobre que os rumores que assombravam o local não era fruto da imaginação. 

OPINIÃO: A imagem do King Kong tornou-se numa daquelas figuras enraizadas no imaginário cinéfilo. Quem é que nunca viu as imagens do gorila a escalar o Empire State Building na produção homónima de 1933? 84 anos depois, o ser gigantesco já passou por diferentes versões e até por projectos cujo único objectivo era tentar capitalizar o sucesso que em tempos teve. Apesar de pegarem num tema mais que mastigado, Kong: Skull Island aprendeu com os erros do passado e tentou uma abordagem diferente.

Confesso que estava bastante receoso com o resultado final, mas fiquei agradavelmente surpreso, ainda que. O elenco é excelente, nomeadamente o Samuel L. Jackson e a Brie Larson, e só tenho pena que ela tenha sido mal aproveitada. Quanto à longa-metragem em si, é uma viagem repleta de acção e sem momentos mortos. Não perdem tempo a dar contexto ou background às personagens. Aquilo que aparece em cena, é o que interessa e tudo o resto é perder tempo. Quase parece uma espécie de parque temático à la Jurassic Park. É interessante ver que no meio destas criaturas, o verdadeiro monstro é o ser humano.


SINOPSE:  Desempregada, com uma relação falhada e graves problemas alcoólicos, Gloria muda-se de Nova Iorque para a pequena cidade que a viu nascer. Certo dia, ela descobre que os eventos catastróficos que estão a acontecer em Seoul, na Coreia do Sul estão directamente relacionados com ela.

OPINIÃO: Se não entenderam nada da sinopse, that's the point! A sério, a primeira vez que ouvi a Anne Hathaway falar sobre o enredo, isto é, que a personagem dela controla inconscientemente as acções de um monstro no outro lado do mundo, pensei que ela tivesse bebido. Parece não fazer sentido nenhum, mas acreditem que tudo é explicado. Perdoem-me não desenrolar mais, mas não quero revelar spoilers.

Escrito e dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo, Colossal é uma das grandes surpresas deste ano. A narrativa leva-nos por caminhos inimagináveis mas apoiados de personagens tão reais, que é impossível não nos relacionarmos com eles. A Hathaway está sublime no papel de Gloria, uma das heroínas mais complexas dos últimos tempos. Ela falha, vai-se abaixo, mas tem um bom coração e na hora de agir, não perde tempo a resolver tudo. Já o co-protagonista, Jason Sudeikis, é fantástico ao interpretar um verdadeiro asshole. Se ainda não viram, não percam mais tempo. É uma obra colossal, ha!



 
SINOPSE:  Grávida de sete meses, Ruth ficou viúva. Após uma experiência traumática, ela começa a ouvir a voz do seu bebé, literalmente. O problema é que as ordens do seu primogénito fazem com que ela inicie uma violenta e sangrenta série de homicídios.

OPINIÃO: Quando pensei que já tinha visto tudo, heis que encontro esta pérola britânica. Prevenge é uma delícia para os amantes de humor negro e sarcástico, típico dos habitantes da terra de sua Majestade.

Do ponto de vista psicológico, esta produção é muito interessante. Se arrancarmos as camadas superficiais da acção, encontramos uma protagonista seriamente marcada pela perda da pessoa que ela mais amava no mundo. Sozinha e com uma vida prestes a nascer, o chão dela colapsa e ela entra em depressão.

Digamos que por entre as fases de luto, ela ficou presa na raiva. A sede de vingança era tal que ela acaba por matar inúmeras pessoas que nada tinha a ver com o que lhe aconteceu, mas que lhe irritavam  algo que todos nós com certeza já imaginámos, mas daí a colocar em prática, vai uma grande diferença. Curiosamente, quando ela fica frente-a-frente com o "reponsável", não consegue agir. Se ela o fizesse, estaria a aceitar o que lhe aconteceu, e é aí que reside a beleza desta história. Se não vos incomodar o gore aka muito sangue, vejam!






 
SINOPSE:  Uma jovem começa a ficar preocupada com o namorado quando ele decide explorar uma espécie de "culto" que envolve uma misteriosa cassete de vídeo culpada de matar os espectadores passados 7 dias. Na tentativa de o salvar, ela descobre algo inédito, um mini-filme, dentro do original, algo que nunca ninguém viu. Uma moviception, portanto.

OPINIÃO: Porque é que a Paramount decidiu ressuscitar a Samara Morgan passados 11 anos, é algo que nunca vou compreender. Sou um fã assumido da versão norte-americana de 2002, e sequela de 2005, em grande parte por contar com a fantástica Naomi Watts como protagonista. Quando andava na escola básica este era O filme de terror. Ainda me lembro do que tremi quando vi o primeiro em casa, e depois o segundo na sala de cinema. Durante muito tempo desejei um terceiro volume para encerrar a história, mas nunca isto.

Ignorando por completo as versões anteriores, esta longa não é nada mais que um remake de um remake. Hollywood no seu melhor. A falta de noção é de tal forma chocante que eles oferecem uma nova origem para a Samara que, por sua vez, parece ter-se actualizado tecnologicamente. Pois é, ela conseguiu ultrapassar a barreira do VHS directamente para a pen drive, sem sequer passar pelo DVD ou Blu-Ray. Cheia de manhas, hã? A única razão porque dei um 5, deve-se ao facto de, no meio desta trapalhada, existirem momento de terror aceitáveis, ainda que não fuja ao cliché destinado ao consumo adolescente. O que explica o porquê de um elenco tão pobre.

Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Guia para namorar com um cinéfilo ⤫ Capítulo I


Por esta altura sinto-me como o Padre António Vieira a pregar aos peixes quando falo sobre a minha paixão pela sétima arte. Um dos meus maiores desgostos é não ter qualquer tipo de formação na área mas nunca é tarde para aprender. Isto de conciliar o amor por outra pessoa com o amor cinematográfico tem muito que se lhe diga. Após sete anos ao lado da Marta (a rapariga bonita do Majestic), foram muitas as vezes que reparei na diferença drástica de interesse que cada um de nós tem sobre séries e, especialmente,  filmes. Face esta situação, parece-me oportuno elaborar uma espécie de guia para os companheiros de qualquer cinéfilo. 

CAPÍTULO I

1. Nada de funny business no cinema

Muitos de vós já devem ter comido uns linguados bem temperados no escurinho do cinema, faz parte não é? Apesar de já me ter acontecido, e mesmo que o prato seja uma autêntica iguaria, detesto que me desconcentrem quando estou a ver um filme. Ainda para mais pago. Chamem-me Tio Patinhas mas é a mais pura verdade. Cada vez mais ir ao cinema é considerado um luxo e, como tal, pondero imenso sobre em que cavalo apostar. Se o barulho dos desconhecidos já é mau, imaginem se for o vosso amigo, date, wtv, a interromper constantemente o filme com questões ou luzes, ou com algo mais spicy (not judging tho). É tudo muito giro mas perdem-se imensos pormenores.

2. Vais ouvir trivia que não te interessa

Ela que me corrija se estiver errado (não estou), mas esta é a maior queixa da minha namorada no que toca ao mundo do entretenimento. Desde muito novo sempre adorei ver os tops musicais e por mais absurdo que seja, consigo identificar o ano e posições a que certas faixas que ouvia chegaram. Com os filmes não é muito diferente. A notícia de um novo trailer é muitas vezes ofuscada por um rol de informação que ninguém me pediu mas que dou involuntariamente. Lamento imenso se acho interessante referir que X actriz ganhou um Óscar por aquele filme e no mesmo ano um Razzie por outro (hey Sandra Bullock). Lancem directores, gossip de bastidores e críticas à mistura, e está preparada a receita para a minha namorada adormecer ou dizer como aquela miudinha disse ao Toy e pedir-me "cala-te só um bocadinho".

3. Prepara-te para debates acessos a favor/contra certas produções 

Um dos meus calcanhares de Aquiles. Já referi anteriormente que tenho uma grande dificuldade em aceitar opiniões contrárias às minhas. Não se trata de me considerar o santo graal cinematográfico mas o que é suposto fazer quando alguém tem o descaramento de me dizer que o "Fifty Shades Darker" é óptimo e que tem muito mistério? Já que não lhes posso bater deixem-me destruí-los com palavras, por favor. Todos temos direito à nossa opinião e também tenho a minha cota de shitty movies that I love, mas a diferença reside no facto de ter plena consciência da sua falta de qualidade. Outra é acreditar piamente que aquilo é um bom produto. A Marta diz que consigo ser obnoxious ou até condescendente mas é mais forte do que eu. Por muito que o seu desinteresse me incomode, é graças a isso que nunca batemos de frente por causa do que pensamos acerca de determinado filme.

4. Entrar na Fnac é o maior erro da tua vida

Não sei até que ponto gostaria de saber o total de horas que já gastei na Fnac ao longo dos anos. O que vale é que não tenho o hábito de ir lá todas as semanas e sou muito agarrado ao dinheiro, se não estava arruinado. Se forem amantes de DVD's, sob hipótese alguma ousem entrar num destes estabelecimentos com a vossa cara-metade. Caso contrário preparem-se para uma sessão repleta de sopros, revirar de olhos e até miar para vos chamar à atenção  (sim, isto aconteceu-me). Esta actividade está para algumas raparigas como uma visita à Mac para alguns rapazes. Terrível.

5. Os Óscares são o equivalente ao Mundial

Há pessoas que fazem promessas, batem nas mulheres quando o clube de eleição perde e são capazes de passar fome para poderem comprar um bilhete de futebol. Aqui não há nada disso, muito menos violência, mas o fervor emocional é semelhante. Torcemos pelos filmes e actores de que mais gostamos, dizemos asneiras se alguém vencer injustamente, e até vertemos uma lágrima ao lembrar aqueles que já faleceram. Da mesma maneira que olho com algum cepticismo para o mundo da bola, imagino que há quem faça o mesmo com o meu cinema. Ao estarem numa relação com um cinéfilo, têm que se mentalizar que uma madrugada de Fevereiro por ano, ele vai ficar na sala até às 4 e tal da manhã a seguir religiosamente a emissão dos Óscares. Podem chamar, aliciar com comida (vá, aceitava mas mantinha os olhos na televisão), e até se queixarem de frio, não adianta. Sorry mas deixem-me em paz.


Já namoraram com um cinéfilo? Têm amigos assim?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

I Paid For It | 4 Filmes

(Tentar fotografar num dia de nevoeiro e sem luz natural é obra. I Tried!)
No seguimento da última publicação sobre a minha aquisição de quatro DVD's da sétima arte, pensei "porque não falar deles?". Independentemente de já os conhecerem ou não, aqui fica a minha breve opinião sobre cada um deles.


1. Inception (2010)
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Há filmes que não saem da nossa memória e este é um deles. Estava no meu primeiro ano da Universidade quando estreou e mantém-se até hoje como um dos meus favoritos. O jogo entre ilusão vs. realidade nem sempre resulta, mas aqui, é mágico. Contrariamente a outras produções do género, a narrativa é inteligente e a atenção ao detalhe é algo fora de série. As sequências de acção combinadas com visuais de nos deixar de boca aberta, oferecem ao espectador uma viagem alucinante por este universo subconsciente/alternativo. Chegamos ao final com uma vontade enorme de andar para trás e começar tudo de novo. It is that good.


2. Boyhood (2014)
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Não existem palavras para descrever Boyhood. É tão estranho como alguns filmes nos conseguem tocar tanto. Não é uma história de outro mundo, mas é exactamente essa a sua beleza. É a vida. Só isso. A vida e todos os seus altos e baixos. Desde mudar de casa com a nossa família, discutir constantemente com o irmão que consegue melhores resultados, bullying, a pressão dos grupos, ver pornografia pela primeira vez, os anos awkward da adolescência, a terrível fase do acne, os 1001 cortes de cabelo, o primeiro amor, a primeira namorada, o primeiro desgosto, questionar tudo no mundo, ir para a Universidade, sentirmo-nos perdidos em relação ao futuro e por aí em diante. É assustador o quão rápido o tempo passa.

Uma das minhas partes favoritas, além do facto de ter sido filmado durante 12 anos e com os mesmos actores, é a importância da música. A primeira cena abre com a "Yellow" dos Coldplay e, com o passar do tempo, também a banda sonora evolve. Se pensarem nisso, a música é quase como o narrador tanto da história como das nossas vidas. É mesmo! Algumas canções conseguem transportar-nos no tempo, para um determinado período da nossa existência, e é a sensação mais incrível de sempre. Até quando a irmã da personagem principal canta ao irmão a "Oops... I Did It Again" da Britney, quando eram pequeninos, lembrou-me de quando vi o videoclip pela primeira vez. Não sei, acho que já estou a divagar. A interpretação da Patricia Arquette é sólida e comovente (venceu o Óscar de Melhor Actriz Secundária). O diálogo final matou-me. Enfim, é fantástico. Se ainda não viram, recomendo que o façam.


3. The Babadook (2014)
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Aclamado pela crítica, The Babadook foi considerado um dos favoritos de 2014, e um dos melhores filmes de terror de sempre. Passados dois anos, o filme australiano continua a dividir opiniões. Confesso que inicialmente tive as minhas dúvidas, mas quanto mais pensei sobre a história, apercebi-me do quão boa era. Se estiverem à espera de saltos constantes e mulheres com cabelo preto e vestidas de branco a vaguear por um corredor, não vale a pena verem. A forma inteligente como personificaram a dor física e sentimento de perda da protagonista, para a figura do dito "monstro", é extremamente inteligente. A cinematografia é excelente, não existem aqueles clichés ultrapassados do género e o desempenho da Essie Davis e do pequeno Noah Wiseman é simplesmente genial. 


4. The Theory of Everything (2014)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Provavelmente o mais popular dos quatro mas, neste caso, justifica-se. Tendo em conta que desconhecia o trabalho e vida daquele que é considerado um dos mais importantes astrofísicos de todos os tempos, fiquei fascinado com a história do Stephen Hawking. O Eddie Redmayne representou-o de forma sublime e mereceu com toda a certeza o Óscar de Melhor Actor. A maneira como se entregou à personagem é arrepiante. Apoiado da igualmente talentosa Felicity Jones, o par conseguiu estabelecer uma ligação intensa e rica em conteúdo. Momento da vergonha, chorei de tal forma com o final que até solucei. Não têm de quê por esta imagem tão bonita.


Já viram algum dos filmes? Qual é o vosso favorito?

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Favorite Movie Franchises ⤫ Part II


Se pensarmos que faltam apenas quatro meses até ao final do ano e a oferta de filmes, até ao momento, tem sido do mais pobre de sempre, o melhor mesmo é voltarmo-nos para o passado. Após revelar as minhas franquias cinematográficas favoritas (AQUI)apresento-vos a segunda parte.

Não é de mais relembrar que, por norma, as histórias que rendem sequelas acabam por perder qualidade a cada novo capítulo. Dito isto, há algumas que nos ficam na memória ou nos marcaram por motivos variados, nem que seja o fascínio infantil.

Aproveito para explicar, novamente, que optei por incluir produções com mais do que três filmes. Quer isto dizer que por muito que adore algumas duplas ou trilogias, não as considero propriamente franchises.

.#5. X-MEN
FILMS: 8 | TRAILER: AQUI

O universo dos super-heróis é extremamente confuso no que toca a fazer contas. Se nos focarmos única e exclusivamente no complexo "X-Men", foram feitos 6 filmes - três com o elenco original e outros três com novos actores. Contudo, tecnicamente, devemos incluir as duas produções realizadas do Wolverine  também o deveria fazer com o Deadpool, mas é ainda mais rebuscado. Colocando de parte questões logísticas, o meu fascínio com os mutantes nasceu na infância. Antes de se tornar numa das maiores franchises de Hollywood, não perdia um episódio da série animada, na SIC. Escusado será dizer que quando anunciaram que iam transportar a história para o grande ecrã, fritei a pipoca. Independentemente de adorar os novos actores, confesso que vi com algum desagrado a mudança no castNão duvido que ainda existam planos para fazerem mais filmes mas, por mim, bastava mais um a encerrar definitivamente a história e that's enough.

#4. AMERICAN PIE
FILMS: (8) | TRAILER: AQUI

Mais um exemplo de como o que é de mais enjoa. Aquela que começou por ser uma história ridiculamente divertida e sem qualquer sentido, tornou-se numa enorme fonte de vergonha alheia. Esquecendo os quatro spin-offs, absolutamente terríveis, as quatro fatias da American Pie principal marcaram uma geração. Certamente não foi pela divulgação de morais e bons costumes, mas por distribuírem valentes doses de riso. Entendo que tudo tem o seu tempo, mas se em vez de produções separadas, tivessem apostado numa continuação com o elenco original, calculo que muitas pessoas ficariam satisfeitas. Falo por mim, claro.

#3. THE HOBBIT
FILMS: 6 | TRAILER: AQUI

Lord of the Rings The Hobbit geraram duas trilogias de sucesso, mas como a segunda se trata de uma prequela à primeira, tive que as colocar no mesmo saco. Confesso que a magia d'O Senhor dos Anéis me passou um pouco ao lado. Tenho plena consciência da magnitude técnica destes filmes, mas não me moveram tanto como o The Hobbit  imagino que para os fãs isto seja uma verdadeira blasfêmia. Talvez se deva ao facto de ser bem mais velho quando a grande jornada do Bilbo Baggins saltou para os ecrãs, ou por não ser tão confuso, mas o certo é que adorei as três partes da narrativa. Os cenários, guarda-roupa e caracterização são tão bons que dava tudo para os voltar a ver em acção.

#2. SAW
FILMS: 7 | TRAILER: AQUI

Digam o que disserem, Saw é das franchises mais completas e melhor escritas das últimas décadas. That's right, I said it. Desde os tempos de A Nightmare on Elm Street (9), Friday the 13th (12), Halloween (10), e The Texas Chainsaw Massacre (7)  todos eles brilhantes mas que não constam da lista por apenas ter assistido a 2 ou 3 filmes de cada  que não existiam uma produção de terror tão elaborada. O facto de ter saído um filme por ano e todas as peças do puzzle se encaixarem na perfeição, revela que os criadores fizeram que hoje em dia é raro, dar importância aos pormenores e certificarem-se que tudo faz sentido. Lembro-me que quando saiu o primeiro fiquei absolutamente petrificado com a imagem do palhaço (aka a beldade na fotografia a cima) e da máscara do porco. Não nego, ainda hoje me dão arrepios.

#1. HANNIBAL
FILMS: 4 | TRAILER: AQUI

Nunca escondi o meu amor pelo género cinematográfico de terror, mas se pensarmos que este contou com grandes nomes do cinema como o Anthony Hopkins, Jodie Foster e Julianne Moore, está tudo dito. Pensar que o primeiro e icónico, The Silence of the Lambs, ganhou 5 Óscares, incluindo o de Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Director e Melhor Filme. Vocês têm noção o quão raro este feito é tendo em conta que estas cerimónias privilegiam sempre os dramas? O quarto filme foi completamente desnecessário mas os dois primeiros são fantásticos. Tenho pena que não apostem mais neste tipo de terror, psicológico/criminal, e não necessariamente de "entidades".


Gostam de alguma destas franchises? Tem outras favoritas?

domingo, 3 de julho de 2016

Pocket Reviews #23 ⤫ "Lackluster Action Films"


Classificação IMDb: 5.2/10
Classificação Ghostly Walker: 2/10

SINOPSE: Quatro ondas de ataques cada vez mais mortais deixaram a maior parte do planeta Terra em ruínas. Num ambiente de medo e desconfiança, Cassie embarca numa missão para salvar o seu irmão mais novo, enquanto tenta escapar à inevitável e letal, 5ª onda.

OPINIÃO: Não há palavras para descrever o quão mau este filme é. Conseguiram o impensável e piorar o, já por si terrível, mercado de produções cinematográficas young adult.

Como se o amadorismo dos efeitos especiais não fosse suficientemente terrível, tanto a história como elenco não valem nada. Sem querer contar spoilers, como é que, no meio de uma fuga/luta pela vida, duas personagens que perderam as respectivas famílias e nem sequer se conheciam, se lembram de "hum, vamos fazer sexo". WHAT?!

O guião é uma atrocidade e estupidamente previsível. Pergunto-me se os livros são igualmente lixo. Passaram-se meses desde que o vi e ainda me questiono como é que a Chloë Grace Moretz, que considero uma pessoa e actriz decentes, aceitaram participar de algo de tão baixo nível.


Classificação IMDb: 6.1/10
Classificação Ghostly Walker: 3/10

SINOPSE: Criados como membros do exército da Rainha do Gelo Freya, o caçador Eric e a companheira Sara, tentam esconder o seu amor proibido enquanto lutam para sobreviver à dupla de irmãs Freya e Ravenna.

OPINIÃO: Tendo em conta que dei ao original uma classificação de 7/10 e este levou 3/10, está tudo  dito. Mais uma para a lista de sequelas que nunca deveriam ter sido feitas. Quando soube que havia planos para continuar a história de 2012 fiquei entusiasmado, mas sem a Snow White, não faz qualquer sentido. Quero lá saber do raio do caçador!

Além da narrativa ser aborrecida, não há qualquer tipo de conteúdo ou propósito de acção. Sinto que perdi o meu tempo, sinceramente. Por muito que adore o trio feminino em cena, Charlize Theron, Emily Blunt e Jessica Chastain, não me convenceram. Tendo em conta o material que tinham para trabalhar, não as condeno.

Se pertencem ao grupo escasso de pessoas que preferiu a sequela ao original, por favor contem-me o que tomaram durante a sessão. O final do filme sugere uma continuação, esperemos que aprendam com os erros deste.


Classificação IMDb: 5.9/10
Classificação Ghostly Walker: 4/10
SINOPSE: Após as revelações arrebatadoras de Insurgent, Tris vai escapar com Four para o outro lado das paredes que guardam Chicago e finalmente descobrir a verdade chocante sobre o mundo em seu redor.

OPINIÃO: Boas notícias: falta mais um filme. Más notícias: ainda falta mais um filme. Tentando desesperadamente recriar o sucesso arrebatador de Hunger Games, a série Divergent simplesmente não consegue chegar ao mesmo patamar.

A história não é suficientemente interessante e, à excepção da protagonista, o elenco juvenil não convence nada nem ninguém. Nem com a adição de grandes nomes do cinema como Naomi Watts ou Kate Winslet conseguiram reverter a situação. No one cares!

Esta terceira parte foi a gota final. O pouco de "mistério" perdeu-se e a justificação deixou um sabor amargo na boca. O espectador é deixado com mais questões do que quando começou. Além do mais, a duração é extremamente longa e cansativa. Se ainda não viram, preparem-se para duas horas perdidas da vossa vida.


Classificação IMDb: 7.4/10
Classificação Ghostly Walker: 6/10

SINOPSE: Adorado como um Deus desde o início da civilização, Apocalypse foi o primeiro e mais poderoso mutantes do mundo. Ao acordar depois de milhares de anos, está desiludido com a desordem no mundo e recruta quatro cavaleiros para purificar a humanidade e criar uma nova ordem mundial. Cabe à equipa X-Men impedir o seu maior inimigo e salvar o planeta da destruição total.

OPINIÃO: Destruído pela crítica, não considero que seja assim tão mau. Tecnicamente falando, está fantástico. Os efeitos especiais complementam lindamente a acção, e os actores são altamente qualificados. O único senão é mesmo a narrativa que deixou um pouco a desejar. Perdeu-se o factor novidade graças ao modelo de "linha de montagem" que produz sequelas em massa.

Sou suspeito por gostar bastante deste universo desde criança. Apesar de não ler os comics, ainda me lembro de delirar quando os desenhos animados passavam na SIC de manhã. Inicialmente detestei o rejuvenescimento forçado das personagens, considerando uma espécie de desrespeito para com os actores. Quando finalmente me rendo ao novo núcleo, o resultado é uma história redundante.

Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

quarta-feira, 20 de abril de 2016

MOVIE LOUNGE | "Robinson Crusoe" (2016)


Durante uma violenta tempestade, Robinson Crusoe é atingido na cabeça e perde os sentidos. Ao acordar descobre que não só o seu navio ficou destruído como é o único sobrevivente da tripulação. Acabando por atracar numa pequena ilha do Pacífico com o seu cão, conhece um papagaio que sonha viajar pelo mundo. É através dele que o jovem inglês se torna amigo de todos os animais que lá habitam, criando-se um elo de entre-ajuda e cumplicidade. Esse laço vai-se revelar fundamental quando se virem obrigados a lutar contra um grupo de gatos maquiavélicos – também eles náufragos –, que desejam assumir o controlo da pequena ilha.


Pouco convencido com trailer, tive direito a bilhetes para assistir à antestreia deste filme, em 3D, no passado Sábado, dia 16. Os fãs de Daniel Defoe e o seu clássico de 1719 que me perdoem, mas não considerava a história interessante o suficiente para ser adaptada para o grande ecrã, muito menos como animação. Curiosamente, é esse o principal problema desta longa-metragem, a narrativa. Extremamente simples e sem momentos de pura comédia para contra-balançar, digamos que foi um prato servido morno.


Numa era em que as personagens animais comandam as principais produções cinematográficas do género, Robinson Crusoe peca por comparação. O elenco de criaturas excêntricas e todo o diálogo subjacente não são nada eficazes. Excepto uma porco-espinho amorosa e um tatu, enquanto espectador, não consegui criar uma relação de empatia com praticamente mais ninguém. Ainda assim, não posso deixar de referir que existem algumas cenas ternurentas, capazes de nos deixar escapar um "aww".

Tendo em conta que o estúdio belga nWave não tem o mesmo orçamento que os gigantes DreamWorks e Pixar, tecnicamente falando, fiquei bastante impressionado com a utilização do 3D. Os animadores fizeram um trabalho fantástico com os cenários, incluindo pores-do-sol tropicais lindíssimos e até mesmo a tempestade em mar alto que envia o Crusoe para a sua nova casa.

Embora não seja uma prática recorrente, animação é o único género cinematográfico que não me
 importo de ver dobrado. Pode-se dizer que me transporta à infância, quando me refastelava no sofá a ver as cassetes dos clássicos da Disney (muitos deles em brasileiro). De qualquer forma, e de uma maneira geral, o núcleo de actores nacionais escolhido para dar voz às personagens foi competente.

Apesar do público-alvo ser, claramente, as crianças na faixa etária dos 6 anos, é uma óptima opção para passar o tempo. Com realização de Vincent Kesteloot e Ben Stassen, Robinson Crusoe, estreia em Portugal amanhã, dia 21 de Abril.


Classificação IMDb: 5.6/10
Classificação Ghostly Walker: 5/10

Conheciam o filme? Ficaram curiosos?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

MOVIE LOUNGE | "O Principezinho" (2015)


Nunca li "O Principezinho". Não há maneira de fugir ao assunto, nunca li aquele que é para muitas pessoas considerado o livro da sua infância. Talvez por ter ouvido falar tanto dele, criei uma espécie de aversão inconsciente a este tipo de clichés literários, tal como o famoso "A Lua de Joana", com que era bombardeado todos os anos em apresentações de Língua Portuguesa. Posto isto, a adaptação cinematográfica quebrou quaisquer ideias pré-concebidas e fez de mim um crente.

O filme conta a história de uma menina que vive com a sua mãe, uma mulher obcecada com o futuro da filha, e que definiu antecipadamente uma rotina diária repleta de actividades para que a criança seja aprovada numa escola conceituada. Certo dia, um acidente provocado pelo seu vizinho faz com que a hélice de um avião abra um buraco enorme na casa sua casa. Curiosa em saber como é que aquilo aconteceu, a menina resolve investigar. É então que conhece o vizinho, um antigo aviador que lhe conta a história de como conheceu, em pleno deserto, um principezinho que lhe disse viver num asteróide com a sua rosa. Pela primeira vez, a menina faz um amigo e percebe o verdadeiro significado da amizade.


Tive o privilégio de poder assistir à ante-estreia do filme no Domingo, dia 29 de Novembro, graças à minha namorada que, novamente, conseguiu bilhetes. O primeiro factor que salta à vista nesta produção é o facto de possuir dois tipos de animação distintos. Alternando entre o digital e stop motion, é a combinação perfeita para distinguir os dois tempos da narrativa, as memórias e o presente.


É certo que não estou familiarizado com a obra literária mas, de acordo com a minha expert em contos infantis, a adaptação não segue a história original à risca. Contudo, as referências importantes do livro como a vida adulta  as normas/regras a seguir e ausência de imaginação/criatividade nesta fase — estão lá, por meio da menina que é controlada ao minuto pela mãe.

A relação entre a menina que vive como adulta e o vizinho idoso que vive como criança, é capaz de derreter o coração da pessoa mais fria do mundo. É com o antigo aviador que a menina vai perceber que o mais importante na vida não é trabalhar 24/7 ou cumprir religiosamente horários, mas sim o amor, a amizade e valorizar as memórias que são como que um portal capaz de nos transportar até aos momentos mais felizes da nossa estadia pela Terra. Por muito cliché que isto seja, não podia estar mais certo.


Um pormenor interessante é o facto de nenhuma das personagens ter nome. Posso estar completamente errado, mas a minha interpretação é que serve para mostrar que todos nós podemos ser tanto a menina como o velhote. Ao fim ao cabo são personalidades que nos representam a certa altura da nossa vida. Outra questão interessante é a diferença de cores entre os diferentes espaços. O "mundo" adulto é monótono, em tons de cinza, como se estivesse sempre de chuva, enquanto a casa do aviador é uma explosão de cores e o cenário perfeito para a imaginação de uma criança florescer.

Não podia deixar de referir a banda sonora que está fantástica. Tocante e sensível, está adequada a cada momento do enredo, sem nunca se sobrepor à acção. É incrível como mesmo em músicas mais melancólicas, são completamente diferentes ao que estamos acostumados a ouvir em produções infantis. Se em "Song of the Sea" as influências irlandesas eram óbvias, o mesmo se aplica às francesas neste.

Veredicto final? Fiquei desolado. Dei por mim com o queixinho a tremer e a derramar um rio de lágrimas em três ocasiões diferentes. Saí do cinema como se me tivessem arrancado o coração a sangue frio. Até podia estar a exagerar, mas quando nos apercebemos que está uma sala inteira de adultos a chorar com um filme "para crianças", algo não está certo. "Para crianças"? Isto é aquilo a que chamo de animação para adultos (sem conotações ordinárias, por favor), isso sim. Aconselho-vos vivamente a assistirem ao "O Principezinho", agora disponível nos cinemas nacionais. Simplesmente incrível.

Realizado por Mark Osborne, a longa-metragem baseia-se no clássico mais vendido em francês e o terceiro mais traduzido do mundo, do ilustrador e piloto francês Antoine de Saint-Exupéry, publicado em 1943. Na ante-estreia marcaram presença os actores que deram voz à versão dobrada em português, incluindo a dupla da novela "Poderosas" da SIC, Joana Ribeiro ("a menina") e Rui Mendes ("o aviador"), Francisco Monteiro e Pedro Leitão como "o Principezinho", Paulo ("a raposa"), e infelizmente não vi a Rita Blanco ("a mãe").

Classificação IMDb: 7.8/10
Classificação Ghostly Walker: 9/10


Já viram o filme? Ficaram curiosos?

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

MOVIE LOUNGE | 'Trainwreck' (2015)


Amy troca de parceiros com a mesma facilidade com que troca de roupa. O seu medo irracional ao compromisso tem origem no pai que a ensinou e à sua irmã que a monogamia não era realista. Jornalista numa revista masculina, ela não tem qualquer tipo de expectativas ou romantismos na maneira como se relaciona com o sexo oposto. Certo dia, ao escrever um artigo sobre medicina desportiva, é forçada a entrevistar o Dr. Aaron Conners, um profissional bem conceituado na área, que por sua vez também tem alguns problemas de relacionamento. Após uma noite inteira com Aaron, ela sente-se feliz. Entrando num território desconhecido, Amy vê-se dividia entre a vontade de desaparecer e a necessidade de, pela primeira vez na sua vida, acreditar que alguém a quer genuinamente ao seu lado.


Não sei por onde começar para vos explicar a necessidade que tinha de ver este filme. Mal soube que a Amy Schumer tinha escrito e seria a protagonista de uma longa metragem, fiquei entusiasmado. Quando revelaram que o Judd Apatow ("40 Year-old Virgin", "Knocked-Up", "This is 40") seria o Director, precisei de meter um comprimido de baixo da língua

Coloquei as expectativas muito altas e estatelei-me no chão. Talvez por estar à espera de algo ao estilo de "Bridesmaids" (curiosamente partilham o mesmo produtor), fiquei um pouco desiludido. Gostei do "Trainwreck", mas não o adorei. Embora seja fã do humor sarcástico da Amy Schumer, é notório que algumas piadas simplesmente não resultaram. Cheguei ao ponto de me sentir constrangido em certos momentos falhados.


A abordagem irreverente ao mundo maçador das comédias românticas foi um dos pontos altos do filme. O que se pretende aqui não é uma história "fofinha". A mensagem da Amy é bastante clara, destruir os clichés deste género cinematográfico e substituí-los por algo destemido, e pronto para ir à luta. Desse ponto de vista, foi uma aposta bem conseguida. 

A performance da Amy foi transcendente. Tendo plena consciência de que o sinónimo atribuído foi um pouco exagerado, o certo é que ela me surpreendeu imenso. Enquanto espectador dos seus programas de stand-up, já estava familiarizado com a veia cómica. Não contava é que fosse uma brilhante actriz dramática. Não querendo revelar demasiado para quem ainda não viu, posso adiantar que até me emocionei. Senti-me como se a Schumer tivesse arrancado o meu coração do peito, e o tivesse mastigado mesmo à minha frente. Macabro mas eficaz.


Fiquei em choque quando me apercebi que a Tilda Swinton entrava no filme. A "White Witch" das "Crónicas de Nárnia" aparece completamente irreconhecível no papel de chefe da Amy. Fixei de tal maneira o olhar na cara dela que até fiquei ligeiramente vesgo. A equipa de caracterização está de parabéns pelo excelente trabalho que tiveram em transformar a aparência tão distinta da Tilda. Quase que merecia uma nomeação ao Óscar de "Melhor Maquilhagem e Cabelo", ha!


O Bill Hader (Dr. Aaron) e a Brie Larson (irmã da Amy), mostraram mais uma vez as suas excelentes competências como actores, e tanto o LeBron James como o John Cena foram uma agradável surpresa. Nunca pensei ver o jogador de basquetebol a desempenhar na perfeição o papel do melhor amigo milionário/sovina, e o lutador profissional a compactuar com trocadilhos hilariantes de cariz homossexual. Refrescante, é a melhor maneira de o descrever.

Classificação IMDb: 6.7/10
Classificação Ghostly Walker: 7/10

Já viram o "Trainwreck"? Opiniões sobre o filme?

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