Nada como uma playlist para encerrar oficialmente o capítulo "Novembro". Com imensos lançamentos no panorama musical, havia muito por onde escolher mas fiquei-me por aquelas que mais vezes passaram pelo meu radar.
Se havia dúvidas que as irmãs Aly & Aj tinham voltado para recuperar a coroa do pop, foram completamente esmagadas com o lançamento do sensacional novo single, "I Know". A P!nk conquistou-me com a fantástica "Beautiful Trauma" e, por muito que me custe admitir, a "Call It What You Want" da Ssswift é pretty good. A Lauren Jauregui continua a aventurar-se no mundo das parcerias, desta vez com o Steve Aoki, em "All Night", e a Miss American Idol, Kelly Clarkson, ofereceu-me um dos meus guilty pleasures com a "Would You Call That Love".
Demi, Demi, Demi. Deves ter sido terrível em outra vida para estar a pagar tudo nesta. Após criar o melhor álbum da sua carreira, nem uma única nomeação conseguiu receber para os Grammys? Poupem-me. Não faz sentido nenhum e sinceramente só descredibiliza ainda mais a cerimónia que há muito se converteu num concurso de popularidade. Ao menos ficamos com canções efémeras como "Tell Me You Love Me" ou a inesperada "Échame La Culpa" com o Sr. Despacito.
O Ed Sheeran voltou a presentear-nos com a sua especialidade, cheesy songs, e não é que resulta? "Perfect" é daquelas coisas irritantemente fofinhas que ficam presas aos nossos ouvidos e não arredam pé. A Tove Lo continua na sua viagem pelo mundo dos ácidos em "Disco Tits", os N.E.R.D. regressaram com a ajuda da Rihanna em "Lemon", enquanto o Eminem se juntou à Beyoncé numa parceria que tinha tudo para ser explosiva e se revelou uma valente trampa, "Walk On Water".
Enquanto me recomponho da ampulheta da Ana Malhoa, convido-vos a seguirem a página do Ghostly Walker no Spotify!
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
MUST LISTEN: ⤫ END GAME ⤫ CALL IT WHAT YOU WANT ⤫ GETAWAY CAR
1. Taylor Swift ⤫Reputation
Prezo muito a imparcialidade no que toca a reviews, portanto vou tentar ao máximo separar a minha opinião, digamos menos positiva, sobre a cantora em questão e o respectivo disco. Três anos desde que lançou 1989, o álbum que marcou o abandono das raízes country e entrada oficial no mercado pop, a Taylor Swift está de volta com Reputation. O "polémico" retorno é marcado por uma suposta mudança de atitude, de menina inocente para bad girl. O resultado é... triste.
Repleto de elogios da crítica, possivelmente por medo de represálias pela nova representante do lápis azul, versão musical, o certo é que este novo rumo da jovem norte-americana não é nada mais que uma caricatura já explorada uma série de vezes dentro do género. A sua interpretação de "bad" parece ficar-se pelo uso de batidas típicas de hip-hop para criar um ritmo pesado, upbeat, e causar impacto. O problema é que não existe qualquer originalidade no processo, tudo soa a algo já existente, antigo, ultrapassado. Aliás, cada uma das 15 faixas parece igual à anterior, criando uma espécie de confusão por nem nos apercebermos se já passámos para a próxima ou ainda estamos a ouvir a mesma.
Além de não convencer ninguém nesta sua personagem altamente artificial, a Ssswift conseguiu a proeza de criar música preguiçosa, apoiada de refrões fáceis e uma produção tão exagerada que nos faz querer perguntar "are you okay, sweety?". Tendo em conta os números astronómicos de vendas, diria que se confirma algo que há anos se apregoa, o público é mesmo estúpido. Ainda assim, o que realmente me incomoda é ver críticas elogiarem a evolução da Taylor como compositora. Não só continua com uma escrita bem medíocre e extremamente infantil, como quando comparamos com obras-primas como Melodrama, da Lorde, chega a ser hilariante a drástica diferença de qualidade lírica.
Nem tudo está perdido, por entre este vale de fachadas existem pequenas pérolas como "End Game", "Call It What You Want" e até a mega-cliché "Gateway Car".
MUST LISTEN: ⤫ BEAUTIFUL TRAUMA ⤫ WHATEVER YOU WANT ⤫ BUT WE LOST IT ⤫ WHAT ABOUT US
Se há cantora consistente no que toca à entrega sucessiva de música e vocais com qualidade, é a P!nk. Uma pena que ela não receba nem metade do crédito que merece. Confesso que não tinha propriamente grandes expectativas em relação a este Beautiful Trauma, mas ela conseguiu calar-me enquanto me esbofeteava com os receipts.
No sétimo disco da sua carreira, a eterna rebelde, presenteou-nos com histórias bem pessoais, como a sua indignação face a actual situação política nos EUA, ou a dependência a relacionamentos amorosos destrutivos. No que toca a este departamento, ao contrário de outras colegas de profissão, a P!nk é extremamente sincera e consegue conectar-se com qualquer pessoa. O facto de abordar relações na sua fase mais negra, como a carência e o medo de ficar sozinha que podem prender uma pessoa a um parceiro abusivo, é algo que raramente ouvimos passar nas rádios.
Embora se mantenha na sua zona de conforto e não haja propriamente grande inovação, o certo é que isto é P!nk no seu melhor. No que toca à componente sonora, é um verdadeiro melting pot. Tanto temos canções com instrumentais mais pesados como outros mais leves, com influências que vão do pop-rock ao R&B e até folk.
MUST LISTEN: ⤫ WOULD YOU CALL THAT LOVE ⤫ MEANING OF LIFE ⤫ MEDICINE ⤫ LOVE SO SOFT
Desde a sua vitória na primeira edição do American Idol, em 2002, a Kelly Clarkson tornou-se numa das cantoras mais talentosas da sua geração. Quinze anos depois, a norte-americana lançou o seu oitavo álbum de estúdio, Meaning of Life, o primeiro pela Atlantic Records, o que lhe concede mais liberdade e autonomia para tomar decisões. Good for you!
Distinto dos seus outros trabalhos, mais direccionados para o pop comercial, aqui ela apresenta uma sonoridade mais soul/R&B, concretizando um desejo de longa data. Basicamente é o álbum que ela sempre quis fazer, mas não podia devido a restrições contratuais.
Aqui entre nós, como a abécula que sou, quando soube da mudança de géneros, fiquei apreensivo. Digamos que "Behind These Hazel Eyes", "Because of You" e "My Life Would Suck Without You", são as minhas jams! Felizmente não havia qualquer razão para isso. Meaning of Life possui poucos momentos fracos, revelando-se como a produção mais coesa que alguma vez lançou. Cheia de sass, é com bastante alegria que vejo uma Kelly na melhor fase da sua vida, em pleno.
MUST LISTEN: ⤫ HIM ⤫ PRAY ⤫ BURNING ⤫ NOTHING LEFT FOR YOU
O Sam Smith voltou com tudo no segundo disco da sua carreira, The Thrill Of It All, e eu não podia estar mais satisfeito. Repleto de mais histórias de desilusão e amor não correspondido, algo está diferente. Ao contrário da sensacional estreia In The Lonely Hour (2014), o jovem de 25 anos agora canta um discurso mais forte e confiante, algo que se reflecte positivamente na música.
No leque de 13 canções, destacam-se duas pela sua genialidade e ousadia musical: "Pray" e "HIM". A primeira é o exemplo mais nítido da sua potência vocal, especialmente quando ele consegue superar o coro, que por si só já é fantástico o suficiente, e estender as notas de tal maneira que outros só conseguiriam através de plugins, se é que me entendem.
Em "HIM", o Smith declara o seu amor por outro homem e aceitas as consequências que isso acarreta. É, de resto, a sua afirmação lírica mais arrojada, "Don't you try and tell me that God doesn't care for us. It is him I love, it is him I love." A mensagem é poderosa e capaz de emocionar até um céptico.
Nem um álbum tão bom como The Thrill Of It All está imune a um ou outro ponto maçador, mas são coisas tão triviais que, a voz distinta do Sam consegue apagar por completo.
MUST LISTEN: DON'T SAY YOU LOVE ME SAUCED UP LONELY LIGHT HE LIKE THAT
1. Fifth Harmony ⤫ Fifth Harmony
Após a saída abrupta, mas nada surpreendente, da Camila Cabello, as restantes integrantes das Fifth Harmony tinham muito a provar. Com a vaga deixada pela come-refrões do grupo, finalmente chegou a oportunidade das outras poderem brilhar. O resultado foi um mini-álbum com sabor a EP pouco inventivo mas eficiente.
Auto-intitulado Fifth Harmony, o conjunto de 10 faixas não é mais que uma reciclagem da sonoridade do projecto procedente, 7/27. Aliás, o primeiro single "Down" é uma tentativa desesperada de recriar o sucesso astronómico de "Work From Home" mas sem o mesmo impacto. Por entre tantas canções super-produzidas, existem boas passagens como a balada "Don't Say You Love Me", a animada "Sauced Up", ou a trap-tastic "Angel". O grande problema, além da falta de originalidade, são as letras. Digamos que não percebo como enchem o peito para dizer que ajudaram a escrevê-las se depois há passagens poéticas como "Pumps and a bump, pumps and a bump / He like the girls with the pumps and a bump". Tenho dito.
MUST LISTEN: YOUNGER NOW MALIBU BAD MOOD SHE'S NOT HIM
2. Miley Cyrus ⤫Younger Now
Younger Now tinha tudo para ser o canalizador das opiniões políticas que a Miley tanto tem expressado mas não. Em vez disso, o álbum é o mais seguro possível, consistindo numa colecção de canções pop country que mais parecem ter sido retiradas do arco da velha.
Rapidamente ficamos com a ideia geral do que aí vem, com a combinação das duas faixas iniciais, "Younger Now" e "Malibu". Ambas são óptimas e expressam a mesma ideia de que os tempos da língua de fora foram substituídos por viagens de carro ao longo da costa com o irmão do Thor. Não há nada de errado com mudança e crescimento, mas fiquei não posso deixar de expressar uma valente decepção. De tantos adjectivos que foram utilizados para descrever a Miley nos últimos anos, nunca pensei que enfadonho fosse ser um deles. Dito isto, é impossível negar o poder vocal dela, especialmente em baladas como "I Would Die For You". De salientar também a comovente "She's Not Him" que, se não entenderam pelo título, aborda o tema da bissexualidade.
MUST LISTEN: BEAUTIFUL ONES SOMETHING I NEED TO KNOW PEOPLE LIKE US CHAPERONE
3. HURTS ⤫Desire
Uoh-oh, os HURTS beberam o kool-aid mainstream. Após oito anos juntos e três álbuns fortes, Desire fica um pouco à quem das expectativas. Nesta quarta produção de inéditas, é evidente que o ambiente está drasticamente mais leve. Batidas dançantes e melodias bem pop não significam necessariamente uma descida de qualidade, mas algo de muito errado se passa aqui.
A faixa de abertura e primeiro single, a soberba "Beautiful Ones", é provavelmente uma das minhas favoritas do ano e o vídeo é absolutamente comovente. Aproveitando tópico da importância da expressão de género, aconselho-vos vivamente a verem o vídeo se ainda não o conhecem. O que se segue é uma falta de direcção bastante óbvia. Não existe um fio condutor que ligue as ideias presentes em Desire e isso é um grande problema. O facto de existir algo como a "Boyfriend", um semi-clone do "Kiss" do Prince", é algo que me supera. Ainda assim, seria um crime catalogar este trabalho como mau. Apenas tem umas arestas por limar. Faixas como "Something I Need To Know" e "Chaperone", são razão mais que suficiente para darem uma oportunidade a este Desire.
MUST LISTEN: WATCH COPYCAT OCEAN EYES MY BOY
4. Billie Eilish ⤫Don't Smile At Me
Decorem este nome: Billie Eilish. Numa altura em que o mercado está saturado de ritmos tropicais e cantores de playback, é tão refrescante quando surgem pérolas como esta jovem de 15 anos. Sim, fiquei perplexo quando descobri a idade desta legend-in-the-making.
Don't Smile At Me é o primeiro EP da Billie e é um dos melhores do ano. As comparações à Lorde e Melanie Martinez são inevitáveis, mas a diversidade artística da Eilish e excelente composição de letras é extraordinária, especialmente para alguém da sua idade. Cheia de atitude e ironicamente hilariante, estou rendido. Com uma voz etérea capaz de nos hipnotizar, as fundações para uma carreira de sucesso já estão criadas e agora só nos resta acompanhá-la na viagem. Bravo!
Com o dilúvio que está a acontecer neste momento, pelo menos aqui por Lisboa, nada como uma playlist para acalmar os ânimos. Quem diria que tão perto do final do ano ainda continuavam a sair canções com sabor a Verão. Realmente a indústria musical está actualiza com a actual situação meteorológica, isto é, all over the place.
Após reconquistar o público com o single "Your Song", a Rita Ora, lançou a fenomenal "Anywhere" que já se converteu no meu hino do momento. Por falar em anthems, estou rendido ao talento da jovem Sabrina Claudio que, apesar do nome chunga, tem um dos melhores álbuns do ano. A faixa "Belong To You" é sem dúvida a melhor do seu repertório. A minha adorada Susanne Sundfør deu-me o maior presente possível com a etéra "Mountaineers", enquanto os Clean Bandit voltaram a acertar no jackpot com uma colaboração com a Julia Michaels em "Miss You".
A Anitta ainda não parou de sambar na cara das inimigas e agora até já o faz em inglês. "Is That For Me" é a parceria dela com o Alesso que não sabia que precisava. A Miss Cabello finalmente conseguiu cair nas graças do povo e alcançou o seu primeiro hit com "Havana". Embora a música já nos acompanhe desde Agosto, só agora recebeu o videoclip que precisava e não desapontou. A Selena Gomez juntou-se ao Marshmello para um verdadeiro doce de Halloween, a dançante "Wolves"; já a Taylor Ssswift viu a versão americana do Ghost In The Shell e resolveu gravar um vídeo sobre isso para a "...Ready For It?".
Num apanhado geral, o resto da lista conta com um leque de artistas mais underrated mas extremamente competentes. Entre eles, Jessie Ware ("Alone), Superfruit ("Deny U"), KWAYE("Sweet Life"), Walk the Moon ("One Foot"), Pixie Lott ("Won't Forget You"), e Rachel Platten ("Perfect For You").
Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem! Sigam a página do Ghostly Walker no Spotify.
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
MUST LISTEN: ⤫ YOU DON'T DO IT FOR ME ⤫ TELL ME YOU LOVE ME ⤫ CRY BABY ⤫ RUIN THE FRIENDSHIP
1. Demi Lovato ⤫ Tell Me You Love Me
Após anos a batalhar para conseguir o mínimo de reconhecimento pelo seu talento, parece que chegou finalmente a altura da Demi Lovato brilhar. Tell Me You Love Me é o sexto álbum da jovem norte-americana e o melhor da sua carreira.
Aquando do lançamento do primeiro single oficial, a medíocre "Sorry Not Sorry", não pude evitar um revirar de olhos interno face a aparente direcção que estava a ser tomada. Como por milagre, a canção acabou mesmo por se tornar no maior hit da Lovato, ao alcançar a 8ª posição no top da Billboard Hot 100, mas o melhor ainda estava por vir.
A faixa-título e a soberba "You Don't Do It For Me Anymore", colocam a ex-estrela da Disney no mesmo patamar de nomes como Adele ou Kelly Clarkson. Sim, leram bem. Não é segredo nenhum que a rapariga tem uma voz capaz de destruir uma aldeia mas, aqui entre nós, nunca teve propriamente uma boa selecção musical, excepto umas pérolas aqui e ali como a "Skyscrapper ou "Stone Cold".
Neste novo projecto, ela quebra o molde estereotipado no qual estava inserida há anos, mostrando um crescimento incrível. Não só fez as pazes consigo mesma como aceitou a sua sexualidade de braços abertos. O resultado é um conjunto impecável de novas sonoridades, arranjos vocais e baladas capazes de nos deixar seriamente pensativos sobre certas escolhas nas nossas vidas.
Embora seja uma oferta mais adulta, especialmente no departamento das letras que receberam um update do caraças, os elementos sassy e divertidos continuam presentes em faixas como "Sexy Dirty Love" ou numa das minhas favoritas, "Cry Baby". Seria um crime a Demetria continuar a ser ignorada pelos Grammys, mas aqui pelo Ghostly arrisca-se a uma posição no top 10 os Melhores Álbuns do Ano.
MUST LISTEN: ⤫ MOUNTAINEERS ⤫ UNDERCOVER ⤫ BEDTIME STORY
2. Susanne Sundfør ⤫Music For People In Trouble
Dois anos após o magnífico Ten Love Songs, que não só considerei como o Melhor Álbum de 2015, como a catapultou para o mainstream, Susanne Sundfør está de volta com um dos seus trabalhos mais poéticos. Music For People In Trouble marca uma espécie de desvio da sonoridade electrónica do trabalho anterior.
Ainda em território POP alternativo, existem aproximações com o canto lírico e baladas acústicas. Mas engane-se quem pensar que "acústico" significa "simplista". Não, de todo. A cantora norueguesa continua a construir canções como um arquitecto faria com uma catedral, isto é, grandioso e atento ao detalhe.
Deveras intimista, Music For People In Troubleutiliza piano, guitarra clássica e silêncios mais gritantes que qualquer frase. Talvez por isso, este trabalho pede a nossa atenção muito mais do que a tenta agarrar. Não aposta em refrões fáceis ou temas simplórios, o que por si só é algo refrescante, até mesmo para um consumidor assumido desse tipo de músicas. Com a voz cristalina e poderosa da Sundfør como protagonista, a produção é sublime e incrivelmente coesa. O culminar do projecto na sensacional "Mountaineers" com o John Grant, é simplesmente do outro mundo. Uma sequência que começa de forma tímida e termina numa explosão de emoções. Adoro, é uma das minhas canções favoritas deste ano.
MUST LISTEN: ⤫ POOR ME ⤫ I'M ALRIGHT ⤫ MORE FUN
3. Shania Twain ⤫Now
Quinze anos desde o último disco de estúdio, a Shania Twain voltou com Now e não só arrecadou o primeiro lugar na Billboard Hot 200 como esmagou a competição (Demi Lovato e Miley Cyrus) no processo. A Rainha do Country, como é apelidada nos Estados Unidos, é a prova viva de que talento não tem idade.
Após um controverso divórcio do seu marido e braço-direito, a cantora ainda ficou com as cordas vocais afectadas devido à doença de Lyme. Aproveitando estas experiências menos positivas, a Shania colocou tudo na música e o resultado é positivo, mesmo que a crítica "entendida" não concorde. Quando canta sobre lhe terem partido o coração devido a uma traição na super sassy "Poor Me" e a superação em "I'm Alright", a cantora não faz rodeios e declara que já passou por aquela porcaria antes e só quer dar a volta por cima.
A sua base musical country rock mantém-se intacta, embora este trabalho seja claramente mais POP. Não sou conhecedor o suficiente da sua discografia para fazer um termo de comparação mais a fundo, mas quem é que se atreve a deitar a baixo o regresso de um ícone musical? Bem-vinda Miss Twain.
MUST LISTEN: ⤫ SAVE IT TIL MORNING ⤫ A LITTLE WORK ⤫ LOVE IS PAIN
4. Fergie ⤫Double Dutchess
Tinha perdido as esperanças de alguma vez vir a escrever isto mas a Fergie-Ferg finalmente saiu das catacumbas e lançou o segundo disco a solo: Double Dutchess. Quase 11 anos desde o bem-sucedido The Dutchess, que lhe rendeu nada mais que três singles em número 1, este regresso é decepcionante.
A primeira vez que ouvi este álbum, digamos que antecipadamente, não queria acreditar no que estava a ser transmitido para os meus ouvidos. Uma tremenda confusão musical sem qualquer direcção ou sentido de inovação. Para compensar a longa demora, a cantora divulgou este trabalho de forma inteiramente visual e foi a melhor coisa que podia ter feito. É incrível como por vezes um vídeo pode mudar completamente a nossa opinião sobre determinada canção, tanto para o bem como para o mal. Neste caso, ajudou e muito a digerir este prato com demasiados ingredientes.
Double Dutchess não vai ter o mesmo sucesso do procedente, mas tem alguns momentos bons, nomeadamente as únicas três faixas que merecem ser ouvidas "Save It Til Morning", "A Little Work" e "Love Is Pain". Tudo o resto é um imbróglio de estilos musicais e canções que sofrem de uma falta de inspiração ou composição datada estrondosa. Ainda assim, há gostos para tudo e com certeza a minha opinião não será das mais populares. Uma pena, visto que a Fergie tem uma óptima voz e sabemos que ela é capaz de muito melhor.
Poucas são as vezes que um grupo musical se consegue infiltrar de tal maneira na minha pele. Os London Grammar são peritos em deixar-me numa espécie de êxtase. Após o aclamado disco de estreia, e um dos meus favoritos de sempre, If You Wait (2013), chega-nos o antecipado, Truth Is A Beautiful Thing.
A Hannah Reid e companhia voltaram a entrar em território melancólico, numa clara continuação do material produzido pela banda no primeiro álbum, mas algo mudou. Com mais garra e comoção, não deixa de existir uma fragilidade e cuidado presentes em cada segmento lírico. Por muito que incomode os fãs e, por mim falo, a pausa de quatro anos fez-lhes bem. As letras abordam uma necessidade de amadurecimento, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais que tantos de nós enfrentamos diariamente. Truth Is A Beautiful Thinginova mas sem perder a essência. Embora continue a preferir If You Wait, é impossível não ficar de coração cheio a ouvir algo da magnitude de faixas como "Hell To The Liars" ou "Big Picture".
MUST LISTEN:
⤫ SIT NEXT TO ME
⤫ STATIC SPACE LOVER
⤫ DOING IT FOR THE MONEY
2. Foster The People ⤫Sacred Hearts Club
O terceiro álbum de inéditas dos Foster The People parece sofrer do mesmo problema de tantos outros colegas de profissão. Sacred Hearts Clubcoloca num pedestal os principais clichés da música actual, demonstrando uma certa perda de identidade. Posto isto, nem tudo está perdido. A leveza do material oferece-nos canções altamente viciantes.
Batidas electrónicas com traços de funk e POP da década de '80 — embora eles defendam a influência do rock psicadélico dos anos 1960 na produção deste disco —, o certo é que não podia ser mais popularucho. Apesar do estilo não ser propriamente inovador, não existem momentos maus. Os refrões são infecciosos e eficazes, e as músicas têm sempre pequenos detalhes que lhes dão vida própria, nem que seja uma gargalhada aqui ou uma percussão ali. Sem dúvida que este trabalho se distingue dos anteriores (Torches [2011] e Supermodel [2014]), pela negativa, mas ao menos sempre vão deixando boas faixas pelo caminho como "Sit Next To Me" e o dueto fenomenal com a actriz Jena Malone em "Static Space Lover".
MUST LISTEN:
⤫ 3WW
⤫ IN COLD BLOOD
⤫ DEADCRUSH
3. alt-J ⤫Relaxer
Relaxer é o regresso triunfante dos alt-J ao universo musical de An Awesome Wave. O principal destaque da banda britânica é, sem dúvida, a voz peculiar de Joe Newman, mas não termina aí. A maneira como as batidas electrónicas pulsantes se interligam com a composição, recorrendo à fragmentação de samples e vozes a que o grupo nos habituou, é impossível não nos recordarmos da épica "Breezeblocks" e outras quantas faixas do seu repertório.
O único problema a apontar nesta colectânea é a previsibilidade. Relaxer é uma aposta forte e perfeitamente executada mas, do início ao fim, fica claro que o trio tentou resgatar a sonoridade que os trouxe à ribalta. A composição é praticamente idêntica na forma como os versos são abordados, o timbre nasalado do vocalista, e batidas cíclicas que se não forem paradas a tempo se tornam um pouco irritantes. Contudo, tudo aqui parece ter sido tratado por mãos de ouro e o resultado é fantástico.
MUST LISTEN:
⤫ NADA
⤫ ME ENAMORÉ
⤫ CHANTAJE
4. Shakira ⤫El Dorado
É incrível mas já se passaram 26 anos desde que a Shakira lançou o seu primeiro disco, Magia, em 1991. Após algum tempo afastada, e dois bebés pelo meio, a cantora voltou com El Dorado. Este 11º disco marca o retorno às suas origens.
El Dorado é uma verdadeira carta de amor à América Latina. Não é por acaso que o título faz referência à cidade de ouro perdida da Colômbia. Maioritariamente cantado em espanhol, com apenas quatro faixas em inglês e uma em francês, este trabalho ficou muito aquém das expectativas. Talvez o facto de contar com tantas colaborações já saturadas quebre um pouco o efeito "novidade".
Não há dúvida que a Shakira está atenta às tendências musicais do mercado latino. Lançou-se de cabeça aos ritmos dançantes e repletos de sensualidade. Por se tratar de um colecção tão distinta entre estilos — combina o regaeton, POP, electrónica, bachata e baladas — não parece ser muito coeso. No entanto, esta mixórdia musical mantém o ouvinte expectante por descobrir o que se segue. "Nada" é a melhor canção do álbum.
Com o final de Setembro chegou mais uma playlist recheada de músicas novas. Desta feita, não poderia ser mais diversificada. Há um pouco de tudo para todos os gostos, do habitual POP e indie/alternativo, ao R&B e até Rap.
A Demi Lovato conquistou o público com Tell Me You Love Me, o melhor disco da sua carreira e que nos presenteou com a fantástica "You Don't Do It For Me Anymore". A Taylor Ssswift quebrou uma data de records com a underwhelming yet catchy "Look What You Made Me Do" e o Sam Smith voltou a partir os nossos corações com a balada "Too Goot At Goodbyes". Ainda na corrente de comebacks, uma das minhas cantoras britânicas favoritas, a Jessie Ware, estreou a genial "Selfish Love" e ainda não consegui parar de a ouvir.
Numa parceria inesperada mas certeira, o Zayn uniu forças com a Sia na viciante "Dusk Til Dawn"; a Kelly Clarkson provou ser a melhor vencedora do American Idol com a triunfante "Love So Soft", e a Lana resolveu escolher "White Mustang" como single sabe-se lá porquê. A Fergie Ferg também resolveu antecipar a prenda de Natal e divulgou um vídeo para cada canção do álbum Double Dutchess, do qual a "You Already Know", com a Nicki Minaj, foi escolhida como single.
Após décadas, finalmente cedi à Cardi B e a sua "Bodak Yellow" que não só tirou a Ssswift do #1 na Billboard Hot 100, como se tornou na primeira canção a solo de uma rapper a atingir o pódio desde 1998. Ainda na lista encontram-se autênticos underdogs como Sofi Tukker, Nadine Coyle, Mollie King, Leo Kalyan e TOTEM.
Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem! Sigam a página do Ghostly Walker no Spotify.
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
A quantidade de álbuns que tenho por analisar é tanta que até chega a meter medo! Sem mais demoras, vamos para o quarteto musical de hoje. A categoria do dia é: underrated.
MUST LISTEN: ⤫ 13 BEACHES ⤫ LOVE ⤫ BEAUTIFUL PEOPLE ⤫ CHERRY ⤫ SUMMER BUMMER ⤫ GROUPIE LOVE
1. Lana Del Rey ⤫Lust For Life
Passaram-se dois meses desde o lançamento do aguardado Lust For Life, da Lana Del Rey, e ainda não consegui assimilar o quão bom ele é. Neste quarto disco de estúdio vemos a cantora norte-americana a voltar às suas raízes, por assim dizer. Mais próximo da brilhante era Born To Die do que de Ultraviolence ou Honeymoon, é o seu trabalho mais longo até à data.
O conjunto de 16 faixas lida com temas bastante familiares para qualquer fã, a queda do glamour Hollywoodesco, a América, e amores terríveis. Mas, desta vez, a Lana consegue atingir uma magnitude ainda maior, ao recorrer a orquestras e melodias simplesmente impressionantes. Começando pela cinemática "Love" e passando pela etérea "13 Beaches", são muitas as concorrentes ao título de melhor canção.
Contrariamente à maioria dos colegas de profissão, a Del Rey acertou em cheio nas colaborações. A parceria com a incomparável Stevie Nicks na "Beautiful People, Beautiful Problems" (uma das minhas favoritas), é possivelmente uma das canções mais bonitas que alguma vez criou. As vozes das duas complementam-se tão bem que chega a ser chocante. O rapper A$AP Rocky aparece em "Summer Bummer" e "Groupie Love" e não desapontou.
Lust For Life não conseguiu superar o irmão mais velho, Born To Die, mas andou lá perto. De qualquer forma, é um dos melhores discos produzidos este ano.
MUST LISTEN: ⤫ I LOVE YOU ALWAYS FOREVER ⤫ YOU CAN TRY TOMORROW ⤫ HUMAN TOUCH
2. Betty Who ⤫The Valley
A extremamente underrated Betty Who, lançou um disco que não só eleva as expectativas dos ouvintes em relação às suas capacidades, como representa uma lufada de ar fresco na indústria musical.
O disco de estreia, Take Me When You Go, ofereceu-nos uma colecção de pop reflexivo, com faixas que não só incluíam a comunidade LGBT, como acabaram por se tornar em autênticos hinos de auto-aceitação. No sucessor, The Valley, vemos a jovem australiana a arriscar novos estilos e géneros sonoros. Podemos ouvir acapella, rap, spoken word, e vocais absolutamente deliciosos em faixas como "Some Kinda Wonderful" e "Human Touch". "You Can Try Tomorrow" é possivelmente uma das melhores canções que ouvi nos últimos meses e tem tudo para ser um hit.
Apesar deste disco ser francamente mais contemporâneo que o anterior, a Betty consegue sempre arranjar uma particularidade que o faça distinguir-se do resto da alcateia. De uma maneira geral, The Valley é uma aposta coesa, e um verdadeiro pop record. É sofisticado, polido e extremamente catchy.
MUST LISTEN: ⤫ DARKEST HOUR ⤫ SHELL ⤫ WHERE IT STAYS
3. Charlotte OC ⤫Careless People
Apaixonei-me pela musicalidade da Charlotte OC no ano passado, graças à genial "Darkest Hour" — que integrou o TOP 10 UNDERRATED SINGLES OF 2016—, e desde então tenho acompanhado o seu trabalho.
Intitulado Careless People, devido a uma passagem do Great Gatsby — «They were careless people, Tom and Daisy (...)» —, o álbum de estreia não me encheu as medidas. Digamos que após o já referido single, "Darkest Hour", e o fantástico "Shell", esperava mais canções na mesma linha sónica. Felizmente a voz da O'Connor é suficiente para apagar a desilusão.
Verdade seja dita, Careless People não foi ao encontro da explicação dada pela cantora britânica numa entrevista, "There’s all this folklore about the North that’s got a lot to do with witches. Making this album, I wanted to mix the real and surreal in that way, to be as honest as possible but also bring out the mystical side of where I’m from". Pois, não vi onde. Dito isto, não é um álbum mau, nem de perto! Mas espero que o próximo tenha uma força pujante do início ao fim.
MUST LISTEN: ⤫ SLIP AWAY ⤫ WREATH ⤫ OTHERSIDE
4. Perfume Genius ⤫No Shape
Desde as gravações caseiras no disco de estreia, Learning, ao pop cheio de swagger em Too Bright, a música que Mike Hadreas como Perfume Genius é isso mesmo, genial. Cada vez melhor, maior e mais desafiadora. Para este quarto trabalho de inéditas, No Shape, o cantor continua a sua incrível streak com mais um álbum avassalador.
O Perfume Genius sempre explorou o mundo queer, especialmente os traumas que se encontram no caminho da auto-descoberta. Não é por acaso que até no seu expoente máximo de exuberância, a música permanece numa constante batalha interna. Em No Shape, essa espécie de tensão continua presente mas passou para o lugar do pendura, cedendo o volante à incrível força que o amor pode ter. Por muito lamechas que esta explicação soe, é a mais pura verdade.
Talvez por isso, este projecto tenha uma sonoridade mais festiva (não confundir com dance music) do que qualquer um dos seus antecessores. A faixa de abertura, "Otherside", é uma viagem que começa como uma balada a piano e explode de forma eufórica a meio do caminho. É brilhante! E serve de ponte para o triunfante lead single, "Slip Away", a minha canção favorita e possivelmente a melhor da sua carreira.
Muitas das letras são inspiradas em parte pelo seu namorado, Alan Wyffels, que além de colaborar com ele durante os últimos 8 anos, teve direito a uma homenagem intitulada "Alan" que encerra o disco. O amor ocupa assim uma espécie de papel central nesta epopeia lírica que se converteu numa das melhores produções de 2017.
Não vos disse que estávamos a entrar na época de caça do entretenimento? Nas últimas semanas têm chovido tantos videoclips que uma pessoa até estranha. Não é segredo nenhum que a componente visual de um projecto é extremamente importante para mim. Em alguns casos é o suficiente para me fazer gostar de uma música que considerava insignificante ou ficar a ferver por ver desperdiçado um single com aquele acompanhamento estético. Não me posso queixar, o conjunto de hoje é bastante positivo.
Neste sexto volume da rubrica "FRESH OUT THE OVEN", reuni cinco que considerei mais interessantes. Venham eles!
..1.. JESSIE WARE —“SELFISH LOVE”
Um dos meus guilty pleasures britânicos é a Jessie Ware. Acompanho-a há alguns anos e até ao momento, nunca me decepcionou. Dona de um timbre absolutamente angelical e aveludado, tudo aquilo que lança vale ouro. Como tal, fiquei rendido ao seu "Selfish Love". Arrisco-me a dizer que entrou automaticamente para o pódio dos seus melhores trabalhos, tanto a nível sonoro como visual. Só os cenários são capazes de me transportar para uma realidade alternativa que adorava estar a viver.
Lançado há quatro dias, o videoclip faz-me lembrar um pouco a atmosfera vivida no filme Stoker (2013). Com um ritmo a gritar Sade na sua época de glória, estamos perante um verdadeiro festim criativo. Além do mais, conhecemos a prequela dos acontecimentos do primeiro single, "Midnight". Estou sedento pelo álbum, que chegue rápido!
..2.. HURTS —“READY TO GO”
Por falar em tesouros britânicos, a dupla HURTS continua a preparar terreno para a chegada do quarto disco, Desire, a 29 de Setembro. Em Abril presentearam-nos com o emocionante "Beautiful Ones" e agora chegou a vez de "Ready To Go" receber o tratamento visual. Estrelado pelo vocalista Theo Hutchcraft, acompanhamos a ida ao velório da sua namorada with a twist. Apesar do contexto, o cantor já afirmou que a letra da música tem uma mensagem positiva que pretende celebrar a vida ao máximo. Não foge a projectos anteriores e talvez por isso não surpreenda. De qualquer forma, é mais uma estrela dourada para a caderneta de vídeos dos artistas.
..3.. MOLLIE KING —“HAIR DOWN”
Após o surpreendente single de estreia, "Back To You", no ano passado, a integrante de um dos meus grupos favoritos do Reino Unido (The Saturdays), está de volta com novo material a solo. Desta vez, deixou as baladas de lado e apresentou um verdadeiro banger. Produzido por Xenomania, é pop no sentido mais trash possível. O pior é que... adoro. A batida é absolutamente infecciosa e, embora ela esteja longe de ser uma vocalista de mão cheia, dá para o gasto.
Com coreografia do início ao fim e extremamente colorido, o vídeo é a prova viva de que bastam uns ângulos bem jogados, trocas de guarda-roupa e muitas luzes para tornar uma produção escandalosamente limitada em algo minimamente cativante.
..4.. ST. VINCENT —“NEW YORK”
Confesso que não acompanho ou sou o maior apreciador do trabalho da St. Vincent mas graças a este vídeo talvez isso mude. Sem previsão de novo álbum no horizonte, a cantora norte-americana estreou o videoclip para a faixa "New York" e é fantástico! Com a direcção de Alex Da Corte e a própria Annie Clark (nome verdadeiro da artista), parece ter sido feito à medida para a criação de gifs. Cada frame é visualmente brilhante e estou boquiaberto. A canção em si é uma balada sobre o fim de uma relação mas sob um tom irónico. Get into it!
..5.. ROSE GRAY —“WE GET BY”
Estou constantemente em busca de novos artistas e o sentimento que tenho quando encontro algo bom é impagável. Apresento-vos uma das minhas mais recentes descobertas, a Rose Gray. Narrada por uma voz poderosa e igualmente etérea, a canção "We Get By" é de longe uma das minhas favoritas do ano. Aquilo que poderia ter sido a típica balada de piano, é muito mais que isso. A cantora explicou numa entrevista que todos nós sofremos várias pressões e por vezes as expectativas são tantas que se torna tudo too much. "Sometimes it’s ok to just put your hands up and say right now I’m not great, but we will get through this", explicou à Hiskind.
Dirigido por Graham Bryan, a simplicidade dos visuais conseguiu capturar a honestidade necessária à mensagem da letra. Embora possam estar a passar por um momento terrível, eventualmente tudo vai melhorar. O facto da canção ter sido gravada em apenas um take é a cereja no topo do bolo.
Conheciam os vídeos? Qual é o vosso videoclip/música favoritos?
Num abrir e fechar de olhos, chegámos a Setembro. A três meses do final do ano, o mundo do entretenimento entrou oficialmente na época de caça. Não é por acaso a quantidade absurda de lançamentos de artistas que se consideravam adormecidos. Parecendo que não, o limite para a corrida ao Grammy está mesmo ao virar da esquina e a luta vai ser renhida. Entre os suspeitos do costume, leia-se, Lorde, Taylor Swift e Sam Smith, preparem as pipocas que vai ser interessante.
Enquanto o confronto não chega, resta-nos saborear as novidades musicais que tem brotado que nem flores num campo primaveril. A Miley deixou as ervas daninhas de lado e está a voltar ao que era. Por aqui, não tenho qualquer crítica, pelo contrário. "Younger Now" é uma das minhas faixas/vídeos favoritos do momento. Dito isto, não chega aos calcanhares da genialidade que a Kelela criou com a fervorosa "LMK"— a canção do século —, do comeback do ano = "Take Me" das irmãs Aly & AJ, ou da psicadélica "Without Love" da Alice Glass.
Agosto foi especial por reunir várias cantoras underrated que adoro e me apresentar a outras que nunca pensei vir a apreciar. No primeiro grupo encontramos a Allie X ("Paper Love"), Bonnie Mckee ("Thorns"), Jessie Ware ("Midnight"), AlunaGeorge ("Last Kiss"), e claro, a Kesha ("Learn To Let Go"). No segundo aglomerado aparecem não uma mas duas canções da banda sonora do filme "Descendants 2" da Disney. Nem acredito que a "Chillin' Like a Villain" e a "What's My Name" se tornaram em autênticos hinos na minha vida. O mesmo aplica-se à "R U" da dupla de youtubers Niki & Gabi. Pop trash no seu expoente máximo. Julguem-me, também o estou a fazer.
Lentamente tenho redescoberto o meu amor pela música brasileira e parece que voltou com tudo. Da "Baldin de Gelo" da Cláudia Leitte", ao "Decote" da Preta Gil + Pablo Vittar ou a "K.O" do último nome referido, é só opções para abanar a pandeireta e rebolar seja sozinhos no vosso quarto ou numa party. A Marta detesta este género musical e faz sempre pouco de mim por eu achar piada mas não tenho culpa, é genético.
Não estranhem a omissão dos trabalhos mais recentes da Taylor, Demi, e companhia, da playlist. Apesar de as ouvir todos os dias, só vão aparecer na próxima compilação. Para não perderem nenhuma actualização e, possivelmente, conhecerem músicas novas, já sabem, sigam a página do Ghostly Walker no Spotify!
Conheciam todas as canções? Que músicas têm ouvido ultimamente?
Se não resistiram à tentação e preferiram assistir à final do Game of Thrones em vez dos VMA's, parabéns! Foram inteligentes o suficiente para evitar mais um espectáculo atroz produzido pela MTV. Cumprindo a tradição dos últimos anos, a gala foi um desfile de mediocridade do início ao fim.
O Kendrick Lamar iniciou as apresentações com uma performance bastante a cima daquilo que a ocasião merecia, das canções "DNA" e "Humble". Apesar de não apreciar o género musical e, particularmente, os trabalhos musicais dele, é impossível negar a criatividade visual que coloca em todas as produções, sejam elas em vídeo ou ao vivo. Começou a noite como o artista com o maior número de nomeações (8) e terminou com 6 vitórias. O vídeo "Humble" foi distinguido com os prémios de Melhor do Ano, Melhor Vídeo Hip-Hop, Melhor Fotografia, Melhor Direcção, Melhor Direcção de Arte e Melhores Efeitos Visuais.
Apesar de ser a cantora mais nomeada da noite, a Katy Perry não só foi um flop como apresentadora do evento, como não levou uma única estatueta para casa. Digam o que disserem, o título de Melhor Vìdeo Pop deveria ter ido para o fantástico "Chained To The Rhythm" em vez do aborrecidíssimo "Down" das Fifth Harmony. Por falar no grupo, o quarteto actuou uma mashup das músicas "Angel" e "Down" e ainda aproveitou para mandar uma mensagem bastante explícita para a antiga integrante, Camila Cabello. Aqui entre nós, foi uma das highlights da cerimónia.
O Ed Sheeran foi considerado o Artista do Ano, enquanto o Khalid conseguiu derrotar a Julia Michaels e levar o troféu de Melhor Artista Revelação. Nas categorias de dance music, o Melhor Vìdeo do género foi para a colaboração "Stay", do Zedd com a Alessia Cara, e a Melhor Coreografia, merecidamente, para o "Fade" do Kanye West. Quanto ao Rock, o vídeo "Heavydirtysoul", dos Twenty One Pilots" foi distinguido como o Melhor do género.
Mesmo sem estar presente, a Taylor Swift conseguiu roubar todas as atenções para ela. Além de vencer no grupo de Melhor Colaboração, juntamente com o Zayn, pelo vídeo "I Don't Wanna Live Forever", ainda aproveitou para lançar o tão aguardado vídeo do venenovo single, "Look What You Made Me Do". Continuo sem saber ao certo se gostei ou se achei a maior piroseira de todos os tempos. Talvez um pouco de ambos.
A P!nk foi a grande homenageada desta edição dos VMA's com o prémio Michael Jackson Video Vanguard Award, e fez uma apresentação de 7min com alguns dos seus maiores hits, incluindo o mais recente "What About Us". No fim ainda fez um discurso incrível direccionado para a sua filha mas importante para todas as pessoas.
Em termos de actuações houve de tudo um pouco. Uma Katy Perry em cima de uma bola de basketball gigante, os 30 Seconds to Mars com sensores de temperatura, uma Demi Lovato em directo de Las Vegas e uma Lorde que não cantou, mas "dançou" ao som da música "Homemade Dynamite". Com gripe, esteve a soro e foi impedida de cantar pelo médico para não ferir as cordas vocais. Em vez de cancelar a actuação não, presenteou o público com algo bizarro mas que tendo em conta a moda do playback, tem a sua pitada de ironia.
Lista completa de vencedores(AQUI). O que acharam dos vencedores? Qual foi a vossa actuação favorita?
MUST LISTEN:
⤫ PRAYING
⤫ BOOTS
⤫ LET 'EM TALK
⤫ LEARN TO LET GO
⤫ BASTARDS
⤫ RAINBOW
1. Kesha ⤫Rainbow
Raras são as vezes que um projecto musical consegue a proeza de nos arrancar o coração e trazer-nos de volta à vida.Rainbow foi um desses casos.
Cinco anos desde o lançamento do último álbum de inéditas, Warrior, a Kesha renasceu e abençoou-nos a todos com o melhor trabalho da sua carreira. A cantora convidou-nos a entrar no seu íntimo e a assistir de camarote a uma preview de todos os momentos bons e maus que passou na vida. "Bastards" é a escolha perfeita para abrir o disco e forma as bases do que se segue, um conjunto de faixas banhadas a ouro.
Inevitavelmente, são várias as referências à batalha judicial travada com o produtor Dr. Luke, e a respectiva editora, mas o discurso nunca é de vítima. Pelo contrário, ela aceita o passado e segue em frente, chegando até a sentir empatia por quem lhe fez mal. Neste contexto, nasceram autênticas pérolas como "Praying" - mantém-se intacto como o melhor single do ano -, a faixa-título e a de fecho, "Spaceships". Mas nem tudo é melancólico. Sem perder o sentido de humor que nos fez apaixonar por ela, é impossível não sorrir ao som de "Woman" e "Let 'Em Talk" ou derreter com a ternurenta "Godzilla".
Tal como alguns colegas o fizeram mas nem sempre de forma tão eficaz, Kesha apostou em combinações sonoras surpreendentes. Num registo mais indie/rock/country/pop, as colaborações com os Eagles of Death Metal e Dolly Parton são a cereja no topo do bolo multicolor que é este Rainbow. A Glitter Queen continua lá (ouçam a "Boots", uma das minhas favoritas e que me lembra imenso a "Americano" da Gaga), mas transcendeu para algo digno de adoração. Não é por acaso que os seus vocais estão mais fortes do que nunca. Sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano.
MUST LISTEN:
⤫ WHO DAT BOY
⤫ BOREDOM
⤫ WHERE THIS FLOWER BLOOMS
2. Tyler, The Creator ⤫Flower Boy
Até custa a acreditar que o responsável pelo som claustrofóbico de Goblin (2011) alguma vez iria produzir algo tão acessível como Flower Boy.
À semelhança dos projectos anteriores, Tyler, The Creator, volta a apostar num rap biográfico, falando do seu estado de espírito. A Solidão e necessidade de companhia são abordadas ao longo do álbum com uma sinceridade e maturidade inesperadas pelo artista. A entrega caótica das mensagens deram lugar a uma calma de intensidade que permite que a transição entre canções seja natural e quase majestosa.
Claramente influenciado pelo trabalho do amigo Frank Ocean em Blonde / Endless (2016), o rapper transporta para este projecto um catálogo de ritmos e batidas efervescentes, por vezes poético. A evolução na mentalidade do artista é clara. Houve um crescimento, entendimento e aceitação dos erros do passado. O resultado é uma linha de pensamento coesa do início ao fim do álbum, com a mesma vivacidade e vigor que demonstra desde o início da carreira.
MUST LISTEN:
⤫ COMFORTABLE
⤫ (NOT) THE ONE
3. Bebe Rexha ⤫All Your Fault Pt. 2
Porque lançar um álbum convencional já não está com nada, a Bebe Rexha decidiu inovar e dividir o disco de estreia em duas partes.Em Fevereiro conhecemos a primeira, intitulada All Your Fault Pt. 1, e se bem se recordam, deixou-me um sabor amargo na boca. Houve uma pequena evolução nesta Pt. 2 mas não o suficiente para fazer deste um projecto vencedor.
Se juntarmos os dois EP's num álbum completo, falta um ingrediente chave, identidade. Sem uma direcção clara, a Bebe parece navegar sem rumo pelo mundo do POPe R&Bmainstream, numa tentativa gritante de conseguir um hit.A julgar pelo primeiro single desta segunda colectânea, a medíocre "The Way I Are", com o agoniante Lil' Wayne, estamos mal parados. Quando vejo uma lista de seis canções nas quais quatro são parcerias, algo de errado se passa.
All Your Fault Pt. 2não vai mudar o cenário musical ou tão pouco influenciar a vossa vida, mas pelo menos ofereceu-nos a surpreendente jam "(Not) The One".
MUST LISTEN:
⤫ ISSUES
⤫ WORST IN ME
⤫ PINK
⤫ DON'T WANNA THINK
4. Julia Michaels ⤫Nervous System
Todos os dias agradeço aos céus a decisão da Julia Michaels trocar os bastidores pelos holofotes. Compositora de mão cheia e responsável por vários hits de artistas como Selena Gomez, Britney Spears e Ed Sheeran, a jovem de 23 anos é uma lufada de ar fresco.
Nervous System é o primeiro EP da sua promissora carreira e se o single de estreia, "Issues", não foi indicativo suficiente, permitam-me que esclareça: salvou a música POP. O conteúdo lírico é honesto e serve como uma espécie de diário. As letras são bem elaboradas mas sem nunca perder o carácter "simples" que caracteriza a Julia. É nessa simplicidade que ela brilha e de que maneira. As baladas "Worst In Me" e "Don't Wanna Talk" são sublimes e a sua voz rivaliza com a de um anjo.
Com temas que abordam relações amorosas e até sexuais, Nervous System é um dos grandes candidatos à minha lista de "Melhores EP's de 2017". A experimentação musical aqui presente é estranha e não podia estar mais satisfeito. Os instrumentais "despidos" de instrumentos e apoiados em sons produzidos por ela própria, são simplesmente geniais. A sério, estão à espera do quê para ouvir este trabalho?