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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Já chega, não? | Queridas Melosas


Apesar do meu aparente humor ácido, até sou uma pessoa bastante acessível. Admito que por vezes possa parecer um tipo frio e extremamente analítico no que toca à minha opinião sobre os meus colegas terráqueos. É inevitável. Mas se há algo que não me vão ver a fazer é dar graxa a alguém. Existe uma diferença entre admiração e bajulação, só é pena que cada vez menos pessoas compreendam isso.

Não há nada de errado em exprimir o nosso fascínio sobre determinados indivíduos ou coisas. Aliás, é algo bastante saudável e que deveria ser praticado mais vezes. Em vez disso, o que mais vemos por aí, especialmente nas redes sociais, é toda uma comunidade de queridas, cujo vocabulário não vai muito além de expressões como maravilhosa, gata ou ai, que linda coração. Tragam-me um balde que vou bolsar.

Serei o único que fica com uma reacção alérgica quando se depara com contas do instagram repletas de dezenas de comentários a bajularem a utilizadora como se fosse a última bolacha do pacote? Um tipo de comportamento que antes era direccionado para celebridades agora alastrou-se para pessoas comuns mas que, por algum motivo, leia-se grupos de auto-promoção, mais parecem rainhas da noite.  O que é que elas fizeram de tão importante para merecer esse tipo de atenção? Tirarem uma selfie a comer um croaissant?

Compreendo perfeitamente a mecânica de "uma mão lava a outra", mas até que ponto isso passa os limites do aceitável? Lamento mas não acredito que metade das parasitas que deixam os seus testemunhos fora de série estejam a ser totalmente honestas. O intuito é conseguir um comentário, likes ou quem sabe follow de volta, simples. Chamem-me cínico, mas recuso-me a aceitar que exista assim tanta gentinha melosa no mundo. Caso contrário, a humanidade não estava como está.

O mesmo acontece em plataformas como o blogspot. Existe um núcelo de bloggers que, por algum motivo, é colocado num pedestal como se fossem a reencarnação de Jesus Cristo. Podem até ficar anos sem aparecer mas quando acontece, é garantido receber um banquete de boas-vindas com um discurso que descreve o quão fantásticos e "únicos" (algo que claramente perdeu o seu significado) eles são. Não percebo, a sério.

Não é ressabiamento por não brincarem comigo no recreio, apenas irrita-me profundamente este tipo de mentalidade tão fútil e absurda. Não se conhecem de lado nenhum nem nunca tiveram uma conversa na vida, mas tratam-se por "querida" ou "amor", what? Mais hilariante ainda é quando soltam um "és a minha inspiração", não por terem partilhado uma história relevante mas devido a coisas triviais como cometer o acto heróico de cortar o cabelo. #sobrave

Correndo o risco de que alguns, ou devo dizer, algumas, de vocês que estão a ler esta publicação se insiram neste grupo tão genuíno de seres, resta-me realçar que este não é mais que um desabafo sobre algo cada vez mais comum. Partilhem as vossas opiniões mas de forma sincera e sem segundas intenções. Retirem a vossa subscrição às queridas melosas e sejam vocês próprias. That's all.


Bajulação nas redes sociais, existe? Irrita-vos ou desvalorizam?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Já chega, não? ⤫ "E tirares a carta?"


Se há jovens que já não aguentam ouvir "Quando é que te casas?" ou "E filhos?", eu ganhei um ódio à pergunta "Não está na altura de tirares a carta?". Não, não está. Que eu saiba, não possuo nenhuma versão mecânica do relógio biológico que buzina sempre que vejo um carro. Como é que fui capaz de chegar aos 25 anos sem ter a carta de ligeiros? Alguém me leve a um médico que não posso estar bem. Ugh.

Ao que parece é totalmente inconcebível que ainda utilize transportes públicos para me locomover. "Com a tua idade já conduzia há sete anos..." E? Desde quando é que ser proprietário de um veículo se tornou numa necessidade básica de sobrevivência quando atingimos a maioridade? Poupem-me.

As pessoas sentem necessidades distintas e a diferentes alturas da vida. Segundo a lei, a partir dos 18 temos a possibilidade de pegar num carro, mas isso não significa que seja regra. Cabe a cada um de nós tomar esse passo se assim achar necessário ou possível. Um pensamento lógico que mesmo assim é recebido com a ocasional "o teu irmão ainda vai tirar a carta primeiro que tu". Até parece que sou menos homem por isso, que absurdo.

Confesso que quando era mais novo pensei que já estaria ao volante a esta altura do campeonato, mas as coisas nem sempre são como idealizámos. De facto, já o podia ter feito, mas para quê? Para ficar anos sem conduzir porque não tenho dinheiro para comprar um carro? Em termos de acessos, chego muito mais depressa a qualquer lado com os transportes, e não tenho a preocupação de arranjar um sítio para estacionar. Não sou idiota, sei perfeitamente que dá sempre jeito ter a carta na eventualidade de alguma emergência ou problema, mas daí a carregar uma cruz vai uma distância.

Recuso-me a gastar dinheiro a aprender a conduzir para depois ficar anos sem voltar a tocar num volante. Não faz sentido nenhum. Já para não falar que sou um autêntico zero à esquerda no que toca à sinalização. Quando digo que não percebo nada de sinais, é nada mesmo. Vá, sei identificar o sinal de STOP e mais uns dois ou três, mas de resto, nicles. É que nem as marcas e modelos sei distinguir, além dos mais óbvios, claro. "Ah mas é para isso que tens aulas", no shit Sherlock. Esta é uma decisão que só a mim diz respeito e estou farto que me julguem por isso. Também não ando por aí a perguntar "Quando é que fazes esse buço" ou "E começares uma dieta?", portanto deixem-me em paz. Já chega, não?

Já tiraram a carta? Foi logo aos 18? Foram pressionados a tal?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Já chega, não? ⤫ Sê original, não copies

Imagem original (x)
Prometi a mim mesmo que ia tentar manter uma abordagem mais serena em relação a alguns crimes cometidos na blogosfera. "Não dês tanta importância, só te faz mal", pensava eu. Estava a portar-me bem até que há alguns dias aconteceu algo que para mim foi a última tacada.

Não querendo soar convencido, se há algo de que me orgulho é da minha escrita. Erros de ortografia ocasionais, fruto de distracção, todos damos (de certeza que vão encontrar um aqui algures), mas a maneira de escrever, sejam frases, utilização de expressões ou criação de conteúdo em geral, é o que nos distingue no meio de tantos outros. Ou pelo menos, assim deveria ser.

Começarem a utilizar em massa expressões geniais que uso frequentemente, desde que criei o blog, é uma coisa que só por si me irrita, mas adaptarem frases minhas para escrever "opiniões" nas suas páginas ainda para mais sobre algo que pouco ou nada sabem mas como soa bem e profissional vai na mesma , é algo completamente diferente. Será que a vaidade é tanta que não percebem que se nota descaradamente o que estão a fazer? Sei perfeitamente identificar o que escrevi, não ando aqui a dormir.

O que as pessoas se esquecem é que existe uma coisa chamada "Google Analytics" ou "Estatísticas", que nos mostram as fontes de tráfego, em detalhe. Não é a primeira vez que reparo no aumento considerável de visualizações num certo grupo de publicações, e depois descubro que "alguém" publicou algo sobre esse mesmo tema. Aw que coincidência! A partir do momento em o país e até a cidade de origem das views é o mesmo que o da(s) pessoa(s) em questão, poupem-me. Estranhamente, é reconfortante saber que não é paranóia, é mesmo verdade. I have the receipts.

As minhas reviews e textos em geral, não aparecem do ar. Excepto tópicos triviais ou pessoais, a maioria é fruto de muita pesquisa e muitas horas de sono perdidas para oferecer um testemunho genuíno e o mais completo possível. Imagino que seja aliciante chegar aqui e ver a papinha toda feita, mas pensem por vocês próprios. Be a leader, not a follower

O motivo desta publicação não é "lavar roupa suja" mas um aviso de que, apesar de me recusar a referir nomes, sei perfeitamente quem anda a fazer isto. Se tiverem um pingo de dignidade e vergonha na cara, parem ou pelo menos assumam de onde vão buscar o material. Lamento o desabafo mas não imaginam o quão frustrante é ver o nosso trabalho a ser replicado e elogiado em outras páginas, como se fosse delas. Já chega. Não tenho paciência para pessoas sem personalidade e que precisam de se moldar à identidade dos outros para parecerem cool e super irónicos. Sê original, não copies.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Já chega, não? ⤫ After-work phone calls


Comecei a trabalhar em regime de full-time no início do ano e já me deparei com situações que, até então, considerava inconcebíveis. Não é segredo para ninguém que vivemos numa sociedade laboral que se aproveita dos jovens. Candidatam-se para uma posição mas acabam por ser autênticos burros de carga, a fazer um pouco de tudo com a desculpa perfeita de "ganhar experiência". Quanto a vocês não sei, mas para mim chama-se exploração.

Em apenas seis meses, já perdi a conta à quantidade de vezes que o meu patrão me telefonou fora do horário de expediente. É incrível como algumas pessoas não têm qualquer noção do que é minimamente aceitável, considerando-se no direito de incomodar um funcionário às 20h ou 22h da noite. Nem os fins-de-semana escapam, claro.

Pensando que se tratava de algo grave, atendi a primeira vez. Pior decisão de sempre. Desde então, tenho sido alvo de uma maré de chamadas, sendo que 90% são completamente descabidas e nem se justificam. Abrir um documento do excel e olhar para uma tabela, simples e pormenorizada, é uma tarefa tão morosa que é mais fácil chatear o funcionário num domingo às nove da manhã. Isto porque, obviamente, sou obrigado a saber de cor todos os contactos e informações com que lido diariamente. Absurdo.

Uma coisa é uma situação excepcional ou um contratempo, fair enough. Como trabalho na área de tradução/legendagem de programas de televisão, conheço perfeitamente a pressão de uma deadline para exibição. Contudo, sou um ser humano, não uma máquina. Um computador pode ser desligado para descansar, a minha cabeça, infelizmente, não funciona assim. É ridículo ser forçado a colocar o meu telemóvel em modo de voo para não ser incomodado. Pareço um refém.

A meu ver, deveria ser criada uma lei em Portugal como aconteceu algures em França, para impedir situações do género. A disparidade entre a quantidade de tarefas vs. ordenado já é por si só uma anedota. O horário laboral, por norma, de oito horas, é desgastante o suficiente, logo, se a entidade patronal pretende prolongá-lo através de e-mails, mensagens e chamadas telefónicas, deveria pagar por esse serviço.

Com este tipo de acções, pudera que tantas pessoas sofram de depressão e ansiedade. É impossível desligarem-se por completo e relaxarem. Sim, existem pessoas que conseguem a proeza de deixar os problemas à porta, quando picam o ponto ao final do dia. Eu não. Consciente das minhas responsabilidades e das consequências de uma tarefa mal executada, fico stressado e a remoer assuntos que na verdade só me incomodam a mim por ser profissional.

Enquanto os chefes, patrões ou simplesmente tiranos, não perceberem que se continuarem a desgastar psicologicamente os seus funcionários, o aproveitamento vai, inevitavelmente, sofrer, é impossível viver em harmonia.


Conseguem deixar os problemas de trabalho à porta?
Recebem telefonemas dos vossos chefes fora de horas?

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Já chega, não? | Andar com o mamilo de fora

Agora que perdi as minhas peças de roupa favoritas fui forçado a fazer algo que detesto: ir às compras. Não estou imune ao feitiço dos sacos, mas o processo é esgotante. À falta de paciência habitual e discrepância de tamanhos entre diferentes lojas, juntou-se um novo factor bestial, a praga dos tecidos transparentes.

Não é de hoje que a indústria da moda está a tentar empurrar pelas gargantas do cidadão cosmopolita o conceito nude. Afinal de contas sex sells não é, Rihanna? Começou com a cor e depois umas peças menos opacas, resultando numa autêntica epidemia internacional. 

Na minha visita a Madrid, caminhava calmamente atrás da minha namorada quando de repente me apercebo que conseguia ver, detalhadamente, as cuecas dela. Não, não ia nua, mas usava uma saia de tule com um forro que afinal era transparente e ela não fazia ideia. O que se seguiu foi todo um diálogo que passou da comédia ao terror em cinco segundos. 

R: "Marta, as tuas cuecas dizem Minnie?"
M: "...Sim, porquê?"
R: "São cor-de-rosa, não são?"
M: "Como é que sabes?!"
R: "Pois... Dá para ver TUDO. Consigo ver o teu rabo nitidamente".

Estou longe de ser um entendido em moda, mas alguém me consegue explicar a lógica de existir um forro transparente? A sua função é de tapar ou "proteger" a pessoa, não "expô-la". Mais valia não colocarem nada! 

Em terras lusitanas, tenho andado investido em reencontrar algumas das minhas adoradas peças de roupa. Sou extremamente apegado às minhas coisinhas e isto anda a destruir-me o cérebro. Um dos artigos na minha quest é uma mera camisa de manga curta branca. Simples de encontrar, certo? Errado. 

Após uma série de visitas a lojas distintas, o resultado é sempre o mesmo. A não ser que queira andar exposto, a oferta é bastante reduzida. Nos cabides os tecidos parecem perfeitamente normais, leia-se opacos, mas quando os experimento, apercebo-me que estou a ver os meus mamilos a olharem para mim. Sendo moreno, escusado será dizer que se nota mais que numa pessoa com uma tonalidade mais clara. 

Apesar de ter engordado um pouco no últimos tempos, não posso dizer que seja cheinho, e mesmo assim, detestei o que ontem vi no espelho da H&M. Com uma das infames camisas brancas vestidas, não era só o peito que conseguia ver, mas toda a zona da barriga como se de um quadro em exposição se tratasse. Não bastava a disparidade de tamanhos das peças me deixarem a pensar que sou altamente desproporcional  numa loja sou uma lontra cujas calças não passam do joelho e noutra esse mesmo número fica-me a boiar, ou t-shirts que me chegam aos joelhos  como agora inventaram outra maneira de me sentir mal comigo mesmo. Fiquei tão impressionado, negativamente, que só me quis ir embora e inscrever-me num ginásio.

O meu problema não é com os adeptos desta moda mas sim com os fabricantes que parecem só saber produzir tecidos semi-transparentes. Com certeza que deve existir por aí uma maldita camisa branca opaca, mas nas marcas mais acessíveis, nada. Não me parece justo ou lógico que tenha que pagar mais por algo tão básico.


Já tinham reparado nesta "moda"? Sentem-se confortáveis com roupas semi-transparentes? 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Já chega, não? | Don't follow back? Bye


Como reza a tradição, chegou a hora de mais um "Já chega, não?". Sendo o primeiro do ano, parece-me oportuno relembrar que este é um segmento mensal dedicado a críticas à blogosfera ou sociedade em geral. Não é um espaço de maldade ou capítulos soltos de um "burn book" à la Mean Girls, mas sim de diálogo e possível evolução (se for caso para isso). O tema de hoje é algo com que todos nós estamos familiarizados, unfollowers.

Qualquer pessoa com presença online, sabe que uma das formas mais eficazes de saber se o nosso conteúdo chega a alguém, é através dos seguidores. Especialmente no blogspot, por muitas visitas ou comentários que possamos receber, se forem feitos ao acaso, não há garantias de que possam voltar à nossa página. Independentemente dos motivos que nos levam a seguir alguém, (os meus são estes AQUI), a partir do momento em que o faço, é como se estivesse a dar o meu carimbo de qualidade à página.

É importante perceber que da mesma maneira que temos o direito de seguir quem quisermos, o mesmo aplica-se na situação inversa. Confesso que só o fiz uma única vez e porque a pessoa em questão deu uma volta de 180º ao conteúdo, transformando-se numa espécie de confessionário sexual a tempo inteiro. Não sou nenhum pudico, mas digamos que não é esse tipo de leituras que procuro nesta plataforma.

Já perdi uns quantos seguidores aqui no Ghostly Walker  ainda esta semana foi um  e embora seja irritante, a vida continua. O problema é quando alguém o faz só porque não seguimos o blog de volta. Se têm like na página do facebook já sabem desta história, mas basicamente isto aconteceu-me no final de Dezembro. Juntem-se crianças, está na hora do conto.

Era uma vez um daqueles comentadores migratórios (bastante conhecido por muitos de vocês, embora permaneça no anonimato) que aqui vinha quando as estações se alteravam. Numa dessas visitas, deixou a sua opinião que, diga-se de passagem, raramente ultrapassava cinco palavras, e seguiu-me. Passou-se um dia e já tinha levantado voo. Estando numa altura parada, não foi propriamente difícil perceber quem tinha sido o(a) Judas. Para me assegurar que não eram macaquinhos da minha cabeça, resolvi fazer uma pequena experiência: segui-o(a). O relógio não andou mais que duas horas e já tinha voltado ao mesmo número de seguidores. A audácia daquele ser foi tal que teve o descaramento de comentar outro post como se nada fosse. Concluída a minha mini-investigação, dei um unfollow que foi imediatamente correspondido, e fiquei seriamente na dúvida se aquele teria sido o primeiro ataque da ave rara. Vitória, vitória, acabou a nossa história. Dado o teor infantil da sequência de eventos, pareceu-me apropriada a temática.

Esta situação é o pão nosso de cada dia no Instagram mas ao menos está à distância de um mero clique. Pensar que alguém se dá ao trabalho de ir à homepage, depois a lista de leituras onde vai ter que encontrar, no meio de centenas, o terrível blog que cometeu o crime de não os seguir de volta, é no mínimo patético. Uma coisa é já não se identificar/gostar do blogger e/ou respectivo conteúdo, outra é iniciar uma missão criançolas de vingança só porque não teve o que queria. Que pessoa tão, tão triste.

Por incrível que pareça, este tipo de coisas acontece imensas vezes e por baixo dos nossos narizes. Quantas vezes não perdem seguidores e perguntam-se "porquê?". Agora têm outra razão para juntar à vossa lista de possibilidades. Compreendo o entusiasmo e desejo de ver os números a aumentarem  acreditem que faço uma festa sempre que recebo um  mas daí a vender a alma ao diabo vai uma diferença. Posso demorar mais a ganhá-los mas ao menos sei que cada seguidor é genuíno e não veio cá parar por uma troca de favores.

A seguir ainda há um nível pior, as pessoas que instalam programas para ganhar "seguidores fantasma" ou os compram. Sim, se não sabiam desta prática, tenho-vos a dizer que além de não ser nenhuma novidade, é algo cada vez mais comum. A moda começou no tumblr e espalhou-se para o instagram, onde existem contas com 9999 seguidores e fotografias que se ficam pelos 100 likes. Não faz sentido. Não me admira que o blogspot seja o próximo.


Já passaram por uma situação destas? 
Deixam de seguir quem não vos segue de volta? E comprar seguidores, yay or nay?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Já chega, não? | Hipocrisia Natalícia


Considerada a quadra festiva mais familiar do ano, é em Dezembro que todas as pessoas se lembram de ajudar quem precisa, e que os sem-abrigo não são um mito urbano. Nas últimas décadas o "Natal" tornou-se num espectáculo de aparências e consumismo, onde nem as instituições de caridade estão imunes à doença do século: a Hipocrisia Natalícia.

Este fenómeno social é facilmente verificado através das publicidades nas televisões portuguesas. Intercalados como dois lados da mesma moeda, ora temos os vinte mil anúncios de brinquedos e aparelhos tecnológicos, ora somos bombardeados com as mesmas imagens deprimentes de sem-abrigo, a preto e branco, trabalhadas com uma música triste, e frases como "preciso de ajuda", "não tenho casa". Pormenor interessante, o horário escolhido é quase sempre o do jantar  altura em que mais portugueses vêem televisão. Do ponto de vista de marketing, está genial. Durante o intervalo do telejornal, a pessoa vê uma selecção de possíveis prendas a oferecer e assim que se prepara para dar mais uma garfada na sua deliciosa refeição a forno, vê um homem jogado numas escadas a pedir comida. Se isto não é um jogo psicológico, não sei o que será.

Vítimas de uma espécie de lavagem cerebral, as pessoas acabam por se perder ingenuamente no "espírito natalício", numa tentativa desesperada de acumular boas acções. Há que apoiar estas causas, sem dúvida que sim, mas com discernimento. Existem muitos seres, e até mesmo organizações, mal intencionadas que se aproveitam do facto do povo lusitano ser extremamente generoso e muitas vezes dar o que não tem, para extorquir algum dinheiro aos menos atentos. Em vez de ligarem/enviarem mensagens para aqueles números de telefone que os programas de televisão promovem ou de comprarem artigos em que apenas uns meros cêntimos serão doados, seria mais proveitoso efectuarem uma transferência bancária directamente para a instituição que pretendem apoiar. Pessoalmente não confio o suficiente nestas empresas para lhes dar dinheiro, mas sempre contribuí com roupas (em bom estado) e brinquedos.

Se no Natal os portugueses parecem esquecer a crise  seja para gastar balúrdios em prendas ou ajudar , durante o resto do ano, encontram nesta mesma realidade a desculpa perfeita para justificar a sua falta de interesse pelos mais necessitados. Sim, por onde andam estas campanhas de solidariedade durante os outros 11 meses do ano? Os sem-abrigo só precisam de ajuda em Dezembro? E as instituições, não necessitam de apoios sempre, ou é só na noite de Consoada? Não me venham dizer que estão a contar com o subsídio de Natal, por favor. De qualquer maneira, existem outras formas de apoio além do financeiro. Quer-me parecer que tempo e dedicação (na prática) não custam dinheiro, e muitas vezes têm um impacto mais importante na vida destas pessoas que um valor monetário.

A hipocrisia não se fica só pelas acções sociais, também se estende ao núcleo de relações pessoais e virtuais. As pessoas passam mais tempo desesperadas às compras de mil e quinhentos presentes, em vez de apreciarem a época pelo que ela é, uma celebração da família. São muitas as Madres Teresas que se unem para expressar o seu desdém pelas prendas, "As prendas não interessam, adoro o Natal por causa da família." ...Faz dez publicações detalhadas de tudo o que comprou/recebeu, mas atenção, o importante é o precioso tempo passado com os seus ente-queridos!

Em tempos tive uma colega de turma que no primeiro dia de regresso às aulas depois das férias de Natal, a primeira que me perguntou foi quantas prendas tinha recebido. Sabendo perfeitamente que não costumam ser muitas (diga-se umas 3 ou 4, estando chocolates e meias incluídos), ainda queria que lhe dissesse o que tinha sido. Não lhe interessou saber se passei bem as férias, não, o importante era ela sentir-se superior ao ler o pergaminho de presentes que lhe ofereceram. Por momentos pensei que estivesse na quinta pedagógica, o cheiro a cabra andava no ar.

Não me interpretem mal, o Natal continua a ser a minha época favorita do ano, mas é impossível ignorar o que se passa à minha, quer dizer, à nossa volta. Claro que gosto de receber prendas, quem disser o contrário provavelmente está a mentir. No entanto, tenho a plena consciência da crise económica que ainda estamos a enfrentar, e embora nunca me tenha faltado nada, sei perfeitamente que o tempo não está para gastos supérfluos. Que tipo de pessoa seria eu ao ver os meus pais matarem-se a trabalhar para pagar as contas todas e depois amuar por não me darem presentes de Natal? Infelizmente existem pessoas assim. Enquanto tiver comida, bolinhos festivos e a minha família, só me posso dar por satisfeito.


São solidários apenas no Natal? Conhecem pessoas que só se interessam pelas prendas?

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Já chega, não? | Amizades Unilaterais


Aos 23 anos já devia ter aprendido a lição. Tal como a vida, as amizades também são efémeras. Não vos vou contar uma epopeia digna de um segmento num programa da tarde, até porque a mensagem é muito simples: preocupo-me mais com os meus amigos do que eles comigo.

Embora seja extremamente tímido quando estou em ambientes "estranhos" ou conheço pessoas novas, se não tiver outro remédio, a vergonha passa relativamente depressa. Dependendo do indivíduo em questão, dou por mim a falar de tudo e mais alguma coisa, e às vezes até de mais  acabando por revelar coisas que não devia  com o à vontade de quem está à conversa com um companheiro de uma década. A trama intensifica-se quando os outrora desconhecidos se tornam amigos.

Como os meus anos de escola não foram propriamente um mar de rosas devido a alguns asnos que tive que aturar, desde cedo aprendi a valorizar a amizade e a sua importância. Sim, é um cliché enorme, mas pertenço ao grupo de bons samaritanos que são capazes de fazer o possível e o impossível pelo bem-estar dos outros. Talvez por possuir esta qualidade mascarada de defeito ou devido à minha experiência escolar/académica, apego-me demasiado às pessoas. Não estou a dizer que sou daquelas criaturas chatas que estão sempre atrás de vocês e a mandarem-vos mensagens e isto e aquilo, nada disso. Apenas crio expectativas na minha cabeça que nunca são correspondidas.

Não tenho amigos, tenho conhecidos. São tantos que podia escrever um conjunto de enciclopédias com os seus nomes. Mas amigos? Além da minha namorada, tenho três que se mantêm desde o quinto ano, depois disso nada. Ao contrário daquilo que sempre ouvi, não fiz "amigos para a vida" na Universidade. Tinha um grupo de quatro elementos de quem gostava e ainda gosto, mas dois anos se passaram desde a Licenciatura e só nos encontrámos todos uma vez. Estes "conhecidos" que antes se diziam meus amigos, divertem-se sem mim e com outras pessoas, o que só demonstra que nunca fui essencial à sua vida. Ora, se eu tenho a perfeita noção desta situação, porque raio é que fico especado em frente ao ecrã do computador a ver toda uma produção fotográfica de indivíduos que pertenciam ao meu círculo de amigos, a divertirem-se em jantaradas, nos copos e na praia, se nenhum deles me convida mesmo estando na minha localidade? Posso estar a soar infantil, mas este tipo de atitudes magoa-me profundamente. Tudo se resume a isto: importo-me demasiado com quem não se importa minimamente comigo. 

Lamento imenso mas para mim não faz sentido. Cada vez mais tenho a certeza que o termo "amigo" é utilizado com leviandade e que existem certos seres que só se lembram de nós quando lhes dá jeito. No entanto, se formos nós a precisar de ajuda, além de serem inúteis, parece que estamos a pedir um grande sacrifício. Um rapaz que em tempos considerei quase um melhor amigo, nem se digna a dar-me os parabéns, mas quando precisa de apontamentos para ver se termina o curso com três anos de atraso, já sou o bff dele. E sabem o que é mais irritante? O facto de mesmo assim eu o ajudar. Não sei se deva ser beatificado ou levar um estalo na cara. Se calhar esta história sempre podia passar no programa da tarde.

Um dos meus desejos para 2016 devia ser a capacidade de cortar pessoas da minha vida que não fazem falta nenhuma, mas não sou assim. Por muito que mande vir e fique irritado, no fundo, sou demasiado boa pessoa, o que neste mundo, é terrível. Posso não conseguir quebrar totalmente os laços com estes fantasmas do passado, mas daqui para a frente vou ter cuidado extra para me certificar que não me meto noutra amizade unilateral. Já chega, não?


Já tiveram/têm amizades deste género? Resolveram a situação ou nada feito?

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Já chega, não? | "Slutoween"



Embora o Halloween não seja uma data propriamente celebrada em Portugal, nos últimos anos houve uma adesão considerável, especialmente por jovens, a esta tradição de origem Celta. Com o Dia das Bruxas à porta, é altura de escolher um disfarce. Se forem raparigas, começam aqui os vossos problemas (ou não).

Ao passar por algumas lojas temáticas com fatiotas em exposição, não me admirava se muitos tivessem que olhar duas vezes só para se certificarem que não era uma Sex Shop. Entre uma vasta colecção de diferentes variações de gatas, enfermeiras, freiras e até bacon (não estou a gozar) sexys, não há muito por onde escolher para uma mulher que não queira expor o seu corpo. 

Vamos directos ao ponto, porque raio é que a sociedade pressiona as mulheres a vestirem-se de maneira provocadora no Halloween? Citando o filme Mean Girls de 2004, "In Girl World, Halloween is the one day a year when a girl can dress up like a total slut and no other girls can say anything else about it".


Em 2015 e com o feminismo em voga, fará sentido continuar a perpetuar este tipo de costume? Aproveito desde já para esclarecer que não estou de maneira nenhuma a iniciar uma propaganda de "slut-shaming". Sou da opinião que se uma mulher (ou homem), se quiser vestir de forma sexy, deveria poder fazê-lo em qualquer altura do ano e não quando é socialmente aceite.

"Trata-se de uma questão de auto-confiança", pensam alguns de vocês. Em parte sim, mas uma rapariga não vai ser menos que as outras por não se exibir. De certeza que querem uma aprovação cultural bizarra por terem as coxas, barriga e decote à mostra? Se for o caso, força. Além de não ser propriamente a altura mais quente do ano, não me parece que um fato de látex seja a opção mais confortável se forem comer e beber a noite toda.

Cady (Lindsay Lohan) e Karen (Amanda Seyfried), Mean Girls.
Engane-se quem pensar que esta epidemia é recente. A quantidade de mulheres na pop culture que aderiu a trajes sensuais nas últimas duas décadas é enorme. Houve a Monica Geller dos FRIENDS que deu uma festa de Halloween com um vestido de Catwoman coladinho ao corpo; as "plásticas" de Mean Girls que colocaram headbands com orelhas de animais, completando o outfit com roupas ousadas e pouco relevantes; e a Elle Woods (Legaly Blonde) e Bridget Jones (Diary of Bridget Jones) que optaram por se vestir de coelhinhas provocantes. 

Nas palavras da Miranda da série Sex and the City, as opções de disfarces femininos dividem-se entre "bruxa ou gatinha sexy". Evidentemente existe uma selecção de indumentárias assustadoras disponível como a aterradora noiva zombie da Cady Heron (Lindsay Lohan), assim como as já referidas "roupinhas picantes" que pouco ou nada têm a ver com a ocasião. 

Cavalheiro para uns ou retrógrada para outros, a verdade é que considero grande parte destas vestimentas bastante degradante para as mulheres e até para as próprias profissões. Não vou ser hipócrita e dizer que se a minha namorada aparecesse em casa vestida com uma ou outra, não iria achar piada  não é por acaso que muitas das peças são basicamente lingerie. No entanto, lá está, uma coisa é em casa, outra é andar por aí completamente exposta. Não, não se trata de machismo porque o mesmo aplica-se a mim.

No meio deste tumulto de sensualidade, onde ficam os homens? Uma pesquisa rápida pela internet foi suficiente para compreender que a regra de exposição corporal não se aplica ao sexo masculino. Os disfarces de polícias, médicos ou padres são réplicas dos originais, mas as versões femininas dos mesmos poderiam ser encontradas em acção em bares de strip. Igualdade dos sexos no seu melhor. Como é óbvio também existem fatiotas masculinas provocantes como gladiadores ou bombeiros (só de calças e suspensórios), mas diferença na quantidade de opções é abismal.

É triste constatar que num dia em que, segundo alguns crentes, a barreira entre o nosso mundo e o dos mortos está mais ténue, possibilitando a passagem de almas ou fantasmas, seja celebrado como um concurso para eleger a próxima coelhinha da Playboy, em vez de aproveitarem para comer doces, ver filmes de terror e divertirem-se com amigos. É a véspera do dia de todos os Santos, ou em bom português, dos finados, ora! This is Halloween, not Slutoween.

Para os mais interessados, encontrei dois vídeos um tanto ao quanto cómicos sobre este tema: "Homens experimentam disfarces sexys" e "Profissionais reagem aos respectivos trajes de Halloween".


São a favor ou contra os disfarces diminutos do Dia das Bruxas? Já foram mascarados a alguma festa?

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Já chega, não? | Bebés emoji


Por esta altura já devem ter percebido que sofro de baixa tolerância a estupidez. Desafio-vos a acederem ao facebook e conseguirem ficar cinco minutos sem que vos apareça a fotografia de uma criança com um emoticon a tapar-lhe a cara. Pois, é impossível. Nunca o filme Chucky foi tão credível como agora.

Muito se tem falado no último ano sobre os perigos das redes sociais e a exposição de crianças a possíveis predadores sexuais. Com casos de partilha de fotografias de menores por parte de pedófilos em grupos "especializados" no facebook, foi lançado o alerta pelas autoridades: "não coloquem fotos dos vossos filhos online ou poderão acabar em sites de pornografia infantil". Perante uma situação destas, parece-me claro o que precisa ser feito, não colocar mais nenhuma fotografia dos meus filhos nas minhas redes sociais. Oh, tolinho. Nada disso! Vamos antes colar um smile enorme em cima da cara de um bebé recém-nascido.

Para os que não se encontram presentes em redes sociais ou têm muita sorte com o núcleo de indivíduos adicionados, posso contar-vos que tenho uma amiga culpada deste crime. A rapariga foi mãe pela primeira vez no início do ano e não perdeu tempo a apanhar o comboio das makeovers digitais. Intrigado sobre o que significava o focinho animado de um cão a cobrir a cara da filha, questionei-a sobre o assunto. "O pai não quer que mostre a cara da menina por causa dos pedófilos, assim está tapada", respondeu-me. Se vos disser que fiquei sem vontade de viver, acreditam? Obrigado.

Embora não seja pai, compreendo a excitação e orgulho de querermos mostrar a nossa cria ao mundo, como o Rafiki apresentou o Simba, mas há que ter o mínimo noção do que se passa à sua volta. Se por um lado há progenitores que ainda têm a ilusão de que o facebook e outras redes sociais são feitas apenas por pessoas boas, há outros que estão conscientes do contrário mas deixam a vaidade falar mais alto. É a era do canal 13 da MEO (Secret Story 24h). As pessoas têm uma necessidade abismal de mostrar ao vizinho o que têm. Só falta mesmo um post a dizer: "Admirem-me e vejam como sou bom pai". Onde fica o bom senso no meio disto tudo? Perdido.

Juro que estou a tentar mas não consigo perceber. Se a cara da criança está tapada por um ícone gigante, porque é que partilham a fotografia sequer? Não se vê nada! Para ver emojis com braços e pernas vou ver desenhos animados.

Esta rubrica não se limita a uma crítica social, também dá conselhos. Dependendo da opinião sobre o nível de segurança a que pretendem sujeitar as fotografias da criançada na vossa família, elaborei uma lista com cinco precauções a ter. Apesar de considerar os tópicos bastante óbvios, nem todas as pessoas têm noção de alguns riscos que correm com certos uploads.

.........1. Fotografias de bebés só de fralda, nus ou a tomar banho;
.........2. Fotografias de crianças com a farda do colégio;
.........3. Fotografias à porta de casa ou que identifiquem a morada habitacional;
.........4. Fotografias com localização automática;
.........5. Fotografias de crianças partilhadas por "amigos" da família.

É importante referir que não devemos cair em medos exagerados. Se não têm qualquer tipo de receios em publicar uma foto dos vossos filhos a jogar à bola, força. Preferem mostrá-las apenas a familiares? Então criem um grupo exclusivamente para a família. Só querem partilhar com uma ou outra pessoa em especial? O chat privado do facebook está sempre à disposição. Dispenso que publiquem sessões fotográficas dos vossos filhos ou irmãos com as caras cobertas de bonecos. Já chega, não?


Conhecem casos destes? São a favor ou contra os "bebés emoticon"?

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Já chega, não? | Abecedário dos Anónimos


Prometido é devido e a rubrica 'Já chega, não?' está de volta. Façamos o ponto da situação: já falei sobre os "Macaquinhos de Imitação" e das pessoas que "Não lêem mas comentam", portanto o que se segue? Pois bem, os blogues anónimos.

Se bebesse um shot cada vez que encontro a conta de uma A, C, F ou J, estava em coma alcoólico. Não me interpretem mal, não tenho nada contra quem opta por manter o anonimato na blogosfera. A única coisa que me faz assim alguma espécie é quando essas pessoas são aquelas que mais detalhes partilham das suas vidas. Devem estar a pensar que faz sentido, visto que "ninguém" sabe quem elas são, mas será que é mesmo assim?

Vejamos este caso fictício: 
Vida Real:
A Joana vai passear com o Bernardo e com a Madalena ao Parque das Nações. Aproveitando o bom tempo, andaram de teleférico e depois foram ao Vasco da Gama almoçar. Ao final do dia aproveita para actualizar o facebook e instagram com várias fotografias.
Post da Joana
Olá queridas, hoje está mesmo calor não acham?  Fui passear com o B e com a M ao Parque das Nações e tirámos imensas fotografias (como é anónima não as vai mostrar, mas deixa a dica na mesma). Ainda estou cheia do almoço, comi metade de uma salada!
Então quer dizer, tem grandes problemas que saibam quem ela é, mas descreve detalhadamente como foi o seu dia, limitando-se a alterar o nome dos intervenientes para as suas iniciais, e ainda publica fotografias em outras redes sociais? Basta que alguém que a conheça ou ao Bernardo/Madalena se depare, por acaso, com o seu blog e é só juntar as peças. Percebem o que quero dizer? Não faz sentido nenhum.

Uma coisa é manter o anonimato porque a identidade não é relevante, outra são casos destes. Já tive um blog de novidades musicais no qual referia o meu nome mas não tinha nenhuma fotografia da minha cara ou outras redes sociais. Não é que tivesse medo que alguém conhecido me encontrasse, apenas não era o mais indicado para aquela temática semi-noticiosa. Se visitarem portais de música como a Blitz, por exemplo, também não vão encontrar uma foto do criador do site.

Depois há aqueles que até são capazes de partilhar fotografias deles, mas continuam a assinar com uma inicial, como se fosse crime saber que aquele ser tem o nome de João ou Maria. Aqui ainda é mais confuso, porque se era privacidade que queriam, não faz sentido a cara ser aceitável e o nome ser tabu.

Não fiquem a achar que estou numa cruzada descabida contra blogues anónimos. Cada pessoa é livre de fazer o que bem entender, mas há que ser consciente. Claro que se tiver um espaço onde descrevo as minhas aventuras sexuais, faz sentido que o faça anonimamente, mas escrever sobre uma tarde no Parque das Nações com amigos? Curiosamente, 95% das publicações de elementos do exército "Abecedário Anónimo" consistem numa imagem retirada do tumblr e duas linhas de texto.  É assim tão escandaloso saber que afinal aquele B é de Bernardo e conhecer a cara da rapariga que não conseguiu terminar a salada? As pessoas pensam demasiado e complicam coisas que são bastante simples (ah, a ironia).

Não vou ser hipócrita. Claro que se certas pessoas que conheço na vida real encontrassem o Ghostly Walker, não ficaria muito satisfeito, mas é uma estranheza inicial que passa. Bolas, fiz alguma coisa de errado? Não! A meu ver é muito simples. A razão pela qual a grande maioria criou as suas páginas foi com o intuito de poderem "partilhar opiniões com outros usuários". Se não se sentem confortáveis em revelar a vossa identidade nesta simples e inocente troca de informações, aspirações e afins, porque não privar o acesso à página? Claramente querem que os vossos textos sejam lidos, caso contrário optavam por diários.

Espero que não me odeiem e que, se for o caso, não se sintam julgados. Não se preocupem que não tive nenhuma inspiração directa para a redacção deste texto. A minha "crítica" baseia-se em variadas páginas que diariamente vou encontrando aqui e ali. Não interpretem este desabafo como algo negativo, e sim como um incentivo a deixarem as máscaras de lado e darem-se a conhecer aos vossos leitores. Além de se tornarem muito mais acessíveis, a vossa relação vai melhorar imenso. Até o "A" das Pretty Little Liars (uau, será que tem um blog?) já revelou a sua identidade, o que é que vocês estão à espera?

QUERO SABER AS VOSSAS OPINIÕES.
Sejam sinceros, preferem saber quem escreve os blogues que seguem ou não vos interessa? 
Acham os C's, J's e F's mesmo necessários ou pura infantilidade?

terça-feira, 14 de julho de 2015

Já chega, não? | Não lêem mas comentam

Crédito da imagem original: X

Há quase um mês atrás escrevi a minha primeira crítica (se assim o quiserem chamar) à blogosfera. Confesso que fiquei bastante surpreso com o sucesso dos "Macaquinhos de imitação". Até ao dia de hoje mantém-se na liderança das publicações com mais visualizações. Não vou negar que fiquei um pouco hesitante em partilhar a minha opinião sobre um tópico que é tão evidente em grande parte dos membros desta comunidade. Como gostaram da minha ligeira bitchiness, resolvi acrescentar um segundo capítulo à rúbrica "Já chega, não?". Falemos de comentários.

Qualquer proprietário de um blog sabe que a melhor fonte de feedback do "público" é através dos comentários. A risco de começar a soar um pouco como o velho do Restelo, estou um pouco intrigado. Independentemente do género, quando decido seguir uma página, estou a dar o meu carimbo de aprovação. Pensava eu que o propósito de termos os nossos cantinhos fosse, como a grande maioria grita a sete ventos nos seus "sobre mim" (incluindo eu), uma forma de partilhar as nossas opiniões, sejam elas com ou sem fundamento. 

Dá-me uma certa urticaria quando me apercebo que grande parte das pessoas nem lê os posts que comenta. O mais habitual é o "concordo com a tua opinião". É fácil, rápido e assim não se corre o risco de fazer figura de tanso. A trama complica-se quando os aventureiros que se limitam a ler o título da publicação e as primeiras duas linhas do texto decidem dar o ar de sua graça. Acaba por dar origem a situações embaraçosas:

Título: Adoro cachorrinhos
1º Parágrafo: Em criança costumava ir passar as férias de Verão na casa dos meus avós. Como têm uma quinta enorme no Alentejo, têm mais de 50 cães que resgatam das ruas. 
(Um gajo lê isto e já está, "Aw que queridos. Adoro animais e gostava de poder ajudar cães abandonados"). 
4º Parágrafo: Sei que está errado mas não consigo mudar. Desde que matei o primeiro aos 7 anos que ando louco. Como eram tantos, nunca deram por falta dele, mas agora que sou adulto é mais complicado. Simplesmente adoro matar cachorrinhos. 
(Oh diabo, então e agora? A não ser que apoiem o assassinato de cãezinhos, deviam ter lido tudo até ao fim).

Deduzo que não sejam necessárias explicações depois desta história, nada trágica, criada por mim a título de exemplo.

Outro tipo de comentários são aqueles que só se lembram de nós quando comentamos o deles. Tão simples como isto. Posso não gostar muito da tua página ou até nem te seguir, mas como comentaste o meu post sobre os 100 pares de sapatos que eu tenho, vou fazer o sacrifício de retribuir o favor. Só tenho uma questão: porquê? É que se recebem alguma coisa por isso avisem que também quero.

Não me podia esquecer daqueles que literalmente dizem uma palavra do género "Gostei" e depois atacam-nos com 10 links. Uma coisa é partilhar o endereço do nosso blog no final de um comentário com pés e cabeça, outra é serem a Maria Madalena das redes sociais. Perco logo o interesse em visitar a página, e mesmo que o fizesse, tenho a certeza de que iria lá encontrar os botões com as 10 hiperligações, LOGO, qual é a necessidade de colocá-las em todos os comentários que escrevem? Por favor, limitem-se ao link do vosso blog, nada de url's de posts ou as mil e quinhentas contas que têm. Fica o apelo.

A conclusão a que chego é que devo pertencer a uma espécie em vias de extinção que se dá ao trabalho de ler os textos das outras pessoas do início ao fim. Não vou ser hipócrita e dizer que às vezes não tenho vontade de o fazer, mas nesse caso limito-me a não comentar. Compreendo que queiram promover os vossos blogs, mas uma coisa não invalida a outra. 

Visto que quanto maior o post, maior é a probabilidade de não ser lido na íntegra, vou parar por aqui. Para que conste não tive ninguém específico em mente enquanto escrevia este desabafo. Limitei-me a seleccionar os três tipos de comentários mais frequentes tanto na minha como nas vossas páginas.


Vão negar, mas a probabilidade de alguns de vocês fazerem (ou terem feito) parte de um destes três tipos de comentadores é altíssima. Ainda assim, gostava de saber a vossa opinião!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Já chega, não? | Macaquinhos de imitação

Crédito da imagem original: X

Com certeza já ouviram a expressão imitation is the sincerest form of flattery (a imitação é a forma mais sincera de lisonja). Lamento mas, se gostam tanto do meu trabalho, elogiem-no, não o copiem. Se há coisa que me irrita são os macaquinhos de imitação.

Se tal como eu já foram muitas vezes alvo de copycats, compreendem a sensação de raiva e impotência com que somos deixados. Infelizmente já passei por situações do género por parte de amigos e até desconhecidos. Ultimamente parece que esta doença se alastrou para a blogosfera.

De há uns tempos para cá tenho-me apercebido de algumas coisas que me tiram do sério. Por exemplo, quando a minha namorada criou o blog dela, arranjou uma maneira específica de fazer comentários. Subitamente, dois ou três blogs que ela comentou, começaram a utilizar a mesma "despedida". Irritada com a situação, lá mudou o esquema e adivinhem? Copiaram-na outra vez. Ainda se dá o benefício da dúvida à primeira, agora quando voltam a fazer o mesmo?

Não é por ser minha namorada, podia ser com outra pessoa qualquer. O que me incomoda é a falta de personalidade destes indivíduos. Não há nada de errado com a inspiração. Vários artistas fazem-no constantemente com as suas músicas, sem que seja uma cópia exacta do original. Como é óbvio já me deparei com coisas giras e interessantes que me deixaram a pensar "fogo, porque é que não me lembrei disto antes", mas daí a copiá-las? Não.

Tenho a perfeita noção que vivemos num mundo altamente competitivo onde ideais são replicadas a torto e a direito para proveito próprio. A televisão portuguesa é o melhor exemplo disso. Se uma emissora começa a passar um programa absurdo de festas nas tardes de domingo, as outras duas vão copiar o modelo exactamente igual. A questão é, quando é que o blogger chegou a este ponto? Parece que anda tudo sedento de protagonismo. O que um faz, o outro tem que fazer a seguir. Se alguém cria uma rubrica sobre os filmes do Harold Lloyd e se revela um sucesso, no minuto seguinte vão todos ganhar um gosto especial pelo cinema mudo.

Quero que fique explícito que não estou a atacar ninguém, é apenas um desabafo de quem já anda um bocadinho cansado deste tipo de atitudes.

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