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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Sr. Ricardo


Estou a entrar naquela altura crítica em que os vintes começam a escassear e os trinta a aproximar-se de mim como a boca de uma velhota cheia de manteiga, pronta para me beijar (sim, já me aconteceu mas isso é uma história para outra altura). É a lei natural da vida e já me mentalizei disso. Mas, por favor,  não me tratem por Senhor.

A conotação educada que o termo carrega é agradável, especialmente quando queremos respeito de algum badameco, mas o peso que nos coloca em cima dos ombros é que nem tanto. Poupem-me os discursos motivadores da malta de 19 anos ou de quem não tem qualquer tipo de problema com o avançar da idade. Bom para vocês, mas não sou assim.

Uma criança de 5 anos perguntar-me se tenho 44 é um golpe agridoce porque apesar de hilariante, não deixa de ferir ligeiramente. Agora, quando jovens na minha faixa etária interagem comigo como se fosse um centenário de cartola e relógio de bolso, é preferível deixarem-me logo no jazido. 

Ainda há coisa de dias, em pleno ginásio, um rapaz virou-se para mim e perguntou "desculpE, posso intercalar conSIGO?"  porque é que isto agora me está a soar dirty? Continuando, fiquei a olhar para ele do género,  estás a falar a sério? Se for preciso és mais velho que eu. Epá sei que no contexto em que estava inserido não estou propriamente no meu melhor, mas bolas, tenho um ar assim tão acabado?!

Não sei que vos diga mas fico satisfeito por saber que não sou o único que fica com um tique nervoso nos olhos quando passa por isto. Já uma ou duas pessoas partilharam comigo este sentimento de "revolta" mesmo sabendo que, na maioria das vezes, as pessoas apenas querem ser educadas e não existe nada de errado nisso. Dito isto, a vida já se encarrega de nos envelhecer com o stress, preocupações e obrigações, não é preciso ajudarem à festa.


Incomoda-vos que vos tratem por Sr's / você?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Estou a ficar velho

Lembro-me de ser criança e de sentir que fazer anos era a melhor coisa de sempre. Cada aniversário, até chegar à adolescência, era um etapa ultrapassada para alcançar a tão desejada emancipação e realização dos meus sonhos. O pior é quando passamos essa fase e chegamos à idade adulta. É verdade, sinto que estou a envelhecer.

Tenho a plena consciência que estamos num processo de envelhecimento constante desde que nascemos, mas há uma altura na nossa vida em que nos apercebemos que a situação já não está a ter piada, estou mesmo é a ficar velho. Mais triste ainda é ter a minha idade e já me sentir desta maneira.

Não sei precisar com exactidão o dia em que acordei e me apercebi que os bons anos da minha vida estão a passar-me entre os dedos, mas foi algures nos últimos dois. Possivelmente está relacionado com o facto de não conseguir arranjar emprego e passar a maior parte dos meus dias fechado em casa, com a companhia dos meus filmes e séries. Só me falta ter um sobrinho e gatos, e sou o cliché do tio solteirão. Vá, tecnicamente não posso ser porque tenho namorada, mas vocês perceberam. Parecendo que não, uma pessoa começa a fritar a pipoca por não interagir em carne e osso com outros indivíduos fora do núcleo familiar.

Os tempos de sair à noite e ir para os copos com amigos parecem miragens de água no deserto. Nunca fui daqueles miúdos que se embebedava quatro vezes por semana ou que sequer gostava desses ambientes, mas digamos que quando calhava acontecer, aguentava bem. Agora, não tenho o mínimo interesse em pensar em álcool, e muito menos de me meter num sítio cheio de vadiagem e cretinos embriagados. Prefiro mil vezes um jantar em casa com amigos e muita conversa ou então uma tarde passada junto à lareira a ver um bom filme.

"Mas tu só tens 23 anos, não és velho", pensam vocês. Tudo bem, mas cada um tem visões diferentes da realidade. Das duas uma, ou são mais velhos que eu e ficaram ultrajados, ou então são mais novos e felizmente ainda não passaram por isto. Podem ser devaneios de um desocupado, mas sei que estou a ficar mais velho, independentemente da minha situação actual. 

Outros sinais da velhice precoce relacionam-se com o nosso físico. Se o meu corpo é um templo, então está prestes a ruir. Se ganhasse 1€ por casa vez que me mexo e ouço um "craaaaqqqrrr", a minha mãe estava tão rica como a Dolores Aveiro. O certo é que as minhas costas estão em pior estado que uma cena de crime do CSI e a não ser que ganhe o euromilhões para andar em massagistas e endireitas todas as semanas, já não vai ao sítio. O meu medo é que um dia caia e me parta em pedaços, depois em vez de mexer o braço levanto uma perna.

A juntar-se à festa está o aparecimento do meu primeiro cabelo branco neste último Verão (LER AQUI), e o facto de miúdos pouco mais novos que eu me tratarem por Sr. Ser chamado de SENHOR pela primeira vez é equivalente a ser atropelado por um camião, ir parar à faixa contrária, e levar com um grupo de ciclistas em cima. Não fico com o peito inchado por achar que me respeitam, na minha cabeça estou a esbofeteá-los de mil e uma maneiras diferentes. Mais uma resolução para o próximo ano, começar a investir em cremes anti-rugas antes que seja tarde de mais.


Já se sentiram assim ou pertencem ao grupo "sou muito novo lolzz"?

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