Ao fim de quase três anos de blog é seguro dizer que já me conhecem minimamente bem. Ainda assim, como em qualquer relação, existe sempre algo extra por descobrir. Embora já o tenha referido no passado, nunca me debrucei muito sobre uma das particularidades mais fincadas do meu ser, a hipocondria, isto é, o medo excessivo e irrealista de ter uma doença.
Por falta de melhor palavra, ser hipocondríaco é uma valente shit. A pressão psicológica que exercemos sobre nós mesmos é de tal forma pesada que morremos centenas de vezes ao longo da vida. Uma simples dor de cabeça nunca é apenas isso. Aliás, desde criança sofro de enxaquecas (há temporadas em que são diárias) e, como tal, os red flags apontavam todos para um tumor ou aneurisma. Numa dessas alturas de maior incidência de dores, descobri um alto "duro" na nuca e o nível de terror só aumentou. A paranóia foi tanta que acabei por fazer exames. Ainda me lembro do ar do médico quando me diz que aquilo saliente na nuca era um osso, bastante comum nas pessoas da sua etnia, africana.
O mesmo tipo de pensamento acontece com qualquer outro problema físico que possa encontrar. Uma mancha na pele só pode significar cancro, e por aí fora. É esgotante e só quem sofre deste problema consegue perceber que é mais forte do que nós. Não digo que vivo em constante medo de apanhar qualquer coisa, mas lá no fundo, existe uma voz que vai sussurrando, "cuidado, é melhor ires ver isso". A verdade é que me sinto revitalizado quando faço análises. Ter a confirmação de que está tudo bem é algo que não consigo explicar.
É importante perceber que existem três tipos de hipocondríacos. O primeiro é aquele que sofre em silêncio, a imaginar as piores doenças, mas que prefere não ir ao médico com medo de se confirmar que estava certo; depois vem o tipo que sofre em partilha, aborrecendo as pessoas à sua volta com as suas supostas maleitas e que só vai ao médico se o problema não passar num período de tempo que considere adequado; por fim temos aquele que também partilha com o mundo e que está sempre caído no hospital para fazer todos e quaisquer tipo de exames.
Confesso que sou um misto entre o segundo e terceiro. Se bem que geralmente evito a visita ao médico porque tenho rasgos de lucidez, apoiada da repreensão dos meus pais e namorada, que me ajudam a perceber que provavelmente não há de ser nada, e que passa sozinho. É precisamente este ponto que irrita um hipocondríaco, o facto de ninguém nos levar a sério. É compreensível, até porque também reviro os olhos quando ouço outra pessoa com esta condição a falar. Devia ser solidário por saber perfeitamente o que estão a sentir, mas não consigo evitar. Ao fim de tanto tempo a ouvir alguém dizer que vai morrer, mas esse dia parece nunca mais chegar, é inevitável desvalorizar-se os murmúrios de uma alma penada.
Compreendo o teor cómico que esta conversa possa ter, mas garanto-vos que para nós, é tudo menos isso. Tenho noção que muitas vezes exagero, sou ridículo e de tal forma negativo que penso sempre no pior cenário possível, mas prefiro estar preparado para o pior e ser surpreendido com boas notícias. Até agora tem resultado, mas estou sempre à espera do dia em que isso mude.
Por falta de melhor palavra, ser hipocondríaco é uma valente shit. A pressão psicológica que exercemos sobre nós mesmos é de tal forma pesada que morremos centenas de vezes ao longo da vida. Uma simples dor de cabeça nunca é apenas isso. Aliás, desde criança sofro de enxaquecas (há temporadas em que são diárias) e, como tal, os red flags apontavam todos para um tumor ou aneurisma. Numa dessas alturas de maior incidência de dores, descobri um alto "duro" na nuca e o nível de terror só aumentou. A paranóia foi tanta que acabei por fazer exames. Ainda me lembro do ar do médico quando me diz que aquilo saliente na nuca era um osso, bastante comum nas pessoas da sua etnia, africana.
O mesmo tipo de pensamento acontece com qualquer outro problema físico que possa encontrar. Uma mancha na pele só pode significar cancro, e por aí fora. É esgotante e só quem sofre deste problema consegue perceber que é mais forte do que nós. Não digo que vivo em constante medo de apanhar qualquer coisa, mas lá no fundo, existe uma voz que vai sussurrando, "cuidado, é melhor ires ver isso". A verdade é que me sinto revitalizado quando faço análises. Ter a confirmação de que está tudo bem é algo que não consigo explicar.
É importante perceber que existem três tipos de hipocondríacos. O primeiro é aquele que sofre em silêncio, a imaginar as piores doenças, mas que prefere não ir ao médico com medo de se confirmar que estava certo; depois vem o tipo que sofre em partilha, aborrecendo as pessoas à sua volta com as suas supostas maleitas e que só vai ao médico se o problema não passar num período de tempo que considere adequado; por fim temos aquele que também partilha com o mundo e que está sempre caído no hospital para fazer todos e quaisquer tipo de exames.
Confesso que sou um misto entre o segundo e terceiro. Se bem que geralmente evito a visita ao médico porque tenho rasgos de lucidez, apoiada da repreensão dos meus pais e namorada, que me ajudam a perceber que provavelmente não há de ser nada, e que passa sozinho. É precisamente este ponto que irrita um hipocondríaco, o facto de ninguém nos levar a sério. É compreensível, até porque também reviro os olhos quando ouço outra pessoa com esta condição a falar. Devia ser solidário por saber perfeitamente o que estão a sentir, mas não consigo evitar. Ao fim de tanto tempo a ouvir alguém dizer que vai morrer, mas esse dia parece nunca mais chegar, é inevitável desvalorizar-se os murmúrios de uma alma penada.
Compreendo o teor cómico que esta conversa possa ter, mas garanto-vos que para nós, é tudo menos isso. Tenho noção que muitas vezes exagero, sou ridículo e de tal forma negativo que penso sempre no pior cenário possível, mas prefiro estar preparado para o pior e ser surpreendido com boas notícias. Até agora tem resultado, mas estou sempre à espera do dia em que isso mude.
São hipocondríacos ou conhecem alguém assim?


















