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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

TGW Awards: Top 10 Horror Movies of 2O17


Após um início mais soft com o TOP 10 ANIMATED MOVIES, chegou a altura de engolirem em seco, vamos falar sobre filmes de terror. Comparativamente com a edição anterior, considerei 2017 um ano mais fraco neste campo. Apesar de alguns sucessos inesperados de bilheteira, o certo é que o factor "medo" pouco ou nada foi explorado, pelo menos no sentido fantasioso da palavra. Ocorreu sim, uma exploração deste sub-género cinematográfico focando-se em questões sociais e humanas.

Consciente de que nem tudo podem ser Samaras Morgan ou espíritos malignos, tive que realizar um exercício interno e expandir os meus horizontes sobre o que é um filme de terror. Por esse mesmo motivo, resolvi incluir na lista obras que, embora catalogadas como tal, e em outros anos nunca as aceitaria como produções de "terror", merecem todo o crédito.

Um pequeno à parte, como nunca cheguei a terminar a saga SAW e não vi o primeiro Creep, não coloquei as mais recentes sequelas na lista por não as ter visto. No entanto, fica a nota de que se o tivesse feito, possivelmente teriam entrado no top 10.

MENÇÕES HONROSAS: MOTHER! | ALIEN: COVENANT | LIFE 

.10.. IT COMES AT NIGHT
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Num cenário pós-apocalíptico, uma família luta pela sobrevivência face a um vírus altamente contagioso. Quando elementos externos pedem refúgio, estranhos fenómenos começam a acontecer. Desprezado pelo grande público por considerarem que os posters e trailers prometiam algo que o realizador nunca esteve disposto a desenvolver, It Comes At Night foi marginalmente injustiçado. Não chegando ao mesmo patamar do primo The Road (2005), é um filme sobre a paranóia colectiva, o pânico que povoa os pesadelos que "aparecem à noite", as mentiras, a desconfiança, basicamente tudo o que de podre existe na sociedade. O que considero mais interessante é o facto de em momento algum recebermos qualquer tipo de explicação sobre o que está a acontecer. Simplesmente estamos a observar as acções de uma família que tenta sobreviver a todo o custo e that's it. Se preferem mais acção, esta não é de todo a melhor aposta para vocês. Se, por outro lado, preferem algo mais subjectivo, com cenas de fotografia lindíssimas e uma crescente sensação de claustrofobia, então sejam bem-vindos.


..9.. HOUNDS OF LOVE
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Vicky Maloney é sequestrada aleatoriamente, a duas ruas da sua casa, na Australia, por um casal perturbado. Enquanto refém e alvo de actos de violência física e sexual, ela observa a dinâmica entre os seus captores e rapidamente percebe que terá que criar uma divisão entre eles para conseguir sobreviver. Hounds of Love é a aposta mais pesada desta lista face a sua temática. Sem recorrer a efeitos especiais ou almas penadas, consegue mexer com o espectador de uma maneira que é impossível colocar por escrito. À primeira vista, podem cair no erro de pensar que estamos perante um exemplo de exploração, utilizando os tormentos da vítima como objectivo de chocar o público, mas não. Quando percebemos que a história não é sobre a jovem de 16 anos mas sim sobre Evelyn, uma mulher extremamente traumatizada que atende cegamente a todas as vontades do marido e serve como cúmplice nos seus crimes. Mais que a relação entre a vítima e os raptores, é o relacionamento entre o casal perturbado que move toda a trama. É um filme intimista, os diálogos são escassos, e há cenas de beleza que contrastam com outras extremamente revoltantes. A violência sexual na maioria das vezes é implícita, mas não diminui o nó que se cria no estômago. A actuação do trio de protagonistas é merecedora de todos os elogios, em especial a actriz Emma Booth, que mesmo com as suas acções deploráveis, é capaz de despertar em nós um sentimento de pena.

..8.. HAPPY DEATH DAY
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Conheci o trailer deste filme quando fui ver o It ao cinema e inicialmente pensei que fosse uma produção juvenil da treta. WRONG. É raro fazerem obras de terror com humor como deve ser, mas aqui encontraram o balanço perfeito. Em Happy Death Day, Tree é uma universitária que, por razões desconhecidas, está presa no seu dia de aniversário, revivendo-o num loop que termina sempre com a sua morte. Enquanto espectadores, passamos exactamente pela mesma frustração que a rapariga, ao vermos a mesma história repetidamente. A evolução da protagonista até conseguir o dia perfeito é soberba, passando de uma menina pretensiosa a alguém por quem qualquer um quereria ser amigo ou algo mais. Não sendo o conceito inteiramente original, é refrescante pela sua abordagem. É uma produção que cumpre o seu propósito, reconhecendo os clichés em vez de os ignorar.


..7.. ANABELLE: CREATION
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Se há uns anos me tivessem dito que o filme Annabelle teria uma prequela e que eu a colocaria na lista dos meus favoritos de terror, provavelmente ria-me na vossa cara. À medida do que aconteceu com outra longa-metragem do género, Ouija, o assassinato pela crítica fez com que a história fosse completamente repensada e o resultado foi positivamente chocante. Recuando às origens da maléfica boneca de porcelana, somos apresentados a uma família que perdeu a sua filha num acidente trágico. O pai, um criador de bonecas, e a sua esposa acolhem uma freira e várias meninas em sua casa, depois do orfanato ter sido destruído. A partir desse momento, todos se tornam num alvo de uma entidade. Possivelmente este é o filme com o tipo de terror que todos nós procuramos, isto é, fácil, repleto de jump scares, músicas sinistras e figuras obscuras. Resultou, saltei, gritei, engasguei-me, etc. Pode não ser necessariamente inovador, mas a maneira como se conectou com o primeiro Annabelle, deixou-me com uma sensação de satisfação pura. Nada como conseguir encontrar aquela peça que faltava para completarmos um puzzle.

..6.. A CURE FOR WELLNESS
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Neste filme um ambicioso jovem executivo é mandado a uma clínica de spa nos Alpes suíços, onde pessoas ricas tratam dos seus problemas de saúde, para ir buscar o CEO da sua empresa. Quando lá chega, percebe que os métodos para curar os pacientes são tudo menos comuns e, guess what, enquanto descobre os mistérios da instituição, é diagnosticado com o mesmo problema. Realizado por Gore Verbinski, A Cure For Wellness, foi um dos filmes que maior curiosidade despertou em mim no ano passado, maioritariamente pelos posters publicitários aquando do seu lançamento. Se ainda não viram, peço-vos que não cliquem no trailer. Conta praticamente tudo o que acontece. Além de um trio de protagonistas competente, o que me conquistou nesta produção foi a fotografia. É de cortar a respiração, um trocadilho que mais tarde vão perceber. Admito que o desfecho deixou muito a desejar, especialmente após quase 3h de filme, mas tudo o resto é satisfatório.


..5.. GERALD'S GAME
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Realizado por Mike Flanagan, Gerald's Game acompanha a aventura de uma mulher que fica algemada a uma cama durante uma tentativa de reacender a paixão sexual com o seu marido. O problema é que a "brincadeira" inesperadamente passa a um caso sério de sobrevivência, quando ele morre devido a um ataque cardíaco, deixando-a algemada à cama. Uma adaptação do livro homónimo de Stephen King pela Netflix que, apesar da aparente premissa tola, é tudo menos isso. Com Carla Gugino e Bruce Greenwood como protagonistas, somos atirados para uma situação onde até um local seguro como um quarto se tornar num território fatal. Está fantástico e sim, há sustos!

..4.. RAW
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Vencedor do prémio da crítica no Festival de Cannes, Raw causou polémica por causar desmaios numa das sessões de visionamento no Festival de Toronto, em 2016. Tal sensacionalismo retira o mérito a uma longa-metragem francamente superior a um mero shocker. Justine é uma jovem de 16 anos, virgem e vegetariana, que vai para a Universidade de Veterinária onde a irmã também estuda. Forçada a comer fígado de coelho cru, cortesia dos veteranos, algo de animalesco acorda dentro dela. A partir do momento em que comeu carne pela primeira vez, o apetite dela vai ganhar proporções drásticas, não se restringindo à palete alimentar animal (irracional). Se passarmos a barreira do canibalismo, esta longa-metragem oferece um contexto muito maior sobre os idealismos alimentares, e o facto da sociedade renegar tudo o que foge à norma. Justine acaba por ser uma representação da fraqueza que transforma as pessoas comuns em animais irracionais. Neste aspecto a protagonista, Garance Marillier, conseguiu transmitir todo o medo e ansiedade da sua personagem através do olhar. Olhar esse que descobre o mundo através do seu instinto, da atracção sexual, do seu próprio corpo, e do seu lado mais negro.


..3.. SPLIT
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

De uma certa forma, o início deste filme faz lembrar Saw ao vermos três raparigas num quarto fechado, sem qualquer aparente opção de fuga. Rapidamente percebemos o que aconteceu, elas foram raptadas e estão reféns de um indivíduo muito... especial. Este é interpretado de maneira sublime por James McAvoy, no seu melhor papel em memória recente. Aliás, é errado utilizar o termo no singular. Enquanto Kevin, um homem com um transtorno dissociativo de identidade, o actor vive nove identidades diferentes, sendo que a mais perigosa de todas, a décima, está prestes a vir ao de cima. Acabamos então por entrar num carousel de interpretações a cima da média, sem que haja qualquer ligação entre as diferentes personalidades. Estão a ver Orphan Black? É semelhante. Se existisse justiça, o McAvoy seria nomeado a um Óscar pelo seu trabalho neste filme. A rapariga co-protagonista, Anya Taylor-Joy (a leading lady do vencedor desta lista no ano passado, The Witch), também merece reconhecimento. A forma como contracena de forma mais intensa com o James, é simplesmente mágica.

..2.. IT
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Um dos maiores blockbusters deste ano, o improvável remake de um dos maiores clássicos de Stephen King, IT, causou um valente prejuízo aos circos. A história que conta uma série de desaparecimentos de crianças na cidade de Derry, nos Estados Unidos, e acompanha um grupo de sete adolescentes que pretendem obter respostas, foi uma das surpresas do ano. Ainda assim, não é a obra-de-arte que muitos pregaram. Embora aprecie o facto de manter os elementos assustadores da versão de 1990, sob uma lente moderna, caiu na tentação do excesso de efeitos especiais, o que sinceramente dispensava. Por vezes a subtileza causa mais impacto que algo extremamente exagerado. 

Dito isto, há que elogiar o facto de abordarem temas importantes como a pedofilia e racismo. Assuntos desenvolvidos de forma bem realista e pesada, fazendo um contraponto interessante com o antagonista. Também o elenco está de parabéns, em especial o Bill Skarsgård que viveu o vilão Pennywise de forma verdadeiramente assustadora e tão convincente quanto o original de Tim Curry. Embora seja um filme de terror, existe momentos hilariantes que nos fazem criar vínculos afectivos com os jovens actores que, diga-se de passagem, são fantásticos.


..1.. GET OUT
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo muitíssimo raro no género em questão.

Na trama acompanhamos Chris, um afro-americano, que vai visitar os pais da namorada ao misterioso subúrbio caucasiano em que residem. Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Mas atenção, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso, é o vencedor do Ghostly Award de Melhor Filme de Terror de 2017.


Já viram estes filmes todos? Qual foi o vosso filme de terror favorito do ano?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #27


SINOPSE: Chris Washington, um afro-americano, vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para o jovem que rapidamente se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.

OPINIÃO: Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo extremamente raro no género em questão.

Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Embora considere que o trailer dá a entender metade daquilo que vai acontecer, o que quebra um pouco o efeito surpresa. Dito isto, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso.



SINOPSE: Jamie Fields é um adolescente que vive com a sua mãe, Dorothea, em Santa Bárbara, Califórnia. Abbie é uma estudante de arte e feminista que aos poucos vai utilizando as suas experiências para passar conhecimentos ao rapaz. Já Julie tem uma forte ligação com Jamie mas, apesar de dormirem juntos todos os dias, são apenas bons amigos.

OPINIÃO: 20th Century Women foi uma das razões pelas quais tentei adiar ao máximo a minha lista dos "Melhores Filmes de 2016". Tinha a certeza que quando o visse entraria para o top 20 mas infelizmente não foi disponibilizado a tempo. As expectativas confirmam-se, esta dramedy é fantástica.

Um dos vários factores positivos desta obra é a contextualização da década de '70, numa altura em que a violência não era uma das principais preocupações das pessoas. São pequenos detalhes como, por exemplo, o discurso da "Crise de Confiança" de Jimmy Carter, que elevam a caracterização não só da família como do quotidiano norte-americano.

Sensível e incrível, a narrativa é uma homenagem a todas as mulheres e mães. Aborda a força impressionante do sexo feminino e, ainda que o título remeta ao século 20, a mensagem é intemporal. Destaque ainda para a interpretação de Annette Bening, esse monstro da representação que mereceu sem dúvida alguma a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz com a sua Dorothea.








SINOPSE: O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

OPINIÃO: Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito.

A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.




SINOPSE: Ashley e Verónica encontram-se por acaso numa festa e percebem que as suas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Uma é pintora e não tem onde cair morta, a outra é rica e despreza a arte. Rapidamente as antigas hostilidades ressurgem e acabam ao murro, literalmente.  

OPINIÃO: Numa era em que muito se debate a crise de originalidade em Hollywood, é tão bom saber que ainda há quem tente contrariar a norma e construir novos tipos de narrativa. Ignorado por muitos, Catfight é um dos filmes mais originais e interessantes saídos do território norte-americano no último ano.

A dupla brilhante de protagonistas, Anne Heche e Sandra Oh interpretam duas arqui-inimigas e o reflexo uma da outra. Não é por acaso que a história se divida em dois actos reversos um do outro. Uma é artista, a outra não compreende o valor da arte; uma usa o conflito no Médio Oriente como inspiração artística, a outra deixa-se levar pelo interesse financeiro do marido no conflito; mas ambas acabam por ser mulheres solitárias, mesmo quando estão acompanhadas.

Existe um forte elemento de wtf ao longo da trama, mas é precisamente isso que me fez adorar este filme. O duo anda à luta três vezes e o desfecho aponta para um empate técnico, se bem que a vitória é das actrizes que estão soberbas tanto na vertente emocional como na comédia negra.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

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