Por esta altura sinto-me como o Padre António Vieira a pregar aos peixes quando falo sobre a minha paixão pela sétima arte. Um dos meus maiores desgostos é não ter qualquer tipo de formação na área mas nunca é tarde para aprender. Isto de conciliar o amor por outra pessoa com o amor cinematográfico tem muito que se lhe diga. Após sete anos ao lado da Marta (a rapariga bonita do Majestic), foram muitas as vezes que reparei na diferença drástica de interesse que cada um de nós tem sobre séries e, especialmente, filmes. Face esta situação, parece-me oportuno elaborar uma espécie de guia para os companheiros de qualquer cinéfilo.
CAPÍTULO I
1. Nada de funny business no cinema
Muitos de vós já devem ter comido uns linguados bem temperados no escurinho do cinema, faz parte não é? Apesar de já me ter acontecido, e mesmo que o prato seja uma autêntica iguaria, detesto que me desconcentrem quando estou a ver um filme. Ainda para mais pago. Chamem-me Tio Patinhas mas é a mais pura verdade. Cada vez mais ir ao cinema é considerado um luxo e, como tal, pondero imenso sobre em que cavalo apostar. Se o barulho dos desconhecidos já é mau, imaginem se for o vosso amigo, date, wtv, a interromper constantemente o filme com questões ou luzes, ou com algo mais spicy (not judging tho). É tudo muito giro mas perdem-se imensos pormenores.
2. Vais ouvir trivia que não te interessa
Ela que me corrija se estiver errado (não estou), mas esta é a maior queixa da minha namorada no que toca ao mundo do entretenimento. Desde muito novo sempre adorei ver os tops musicais e por mais absurdo que seja, consigo identificar o ano e posições a que certas faixas que ouvia chegaram. Com os filmes não é muito diferente. A notícia de um novo trailer é muitas vezes ofuscada por um rol de informação que ninguém me pediu mas que dou involuntariamente. Lamento imenso se acho interessante referir que X actriz ganhou um Óscar por aquele filme e no mesmo ano um Razzie por outro (hey Sandra Bullock). Lancem directores, gossip de bastidores e críticas à mistura, e está preparada a receita para a minha namorada adormecer ou dizer como aquela miudinha disse ao Toy e pedir-me "cala-te só um bocadinho".
3. Prepara-te para debates acessos a favor/contra certas produções
Um dos meus calcanhares de Aquiles. Já referi anteriormente que tenho uma grande dificuldade em aceitar opiniões contrárias às minhas. Não se trata de me considerar o santo graal cinematográfico mas o que é suposto fazer quando alguém tem o descaramento de me dizer que o "Fifty Shades Darker" é óptimo e que tem muito mistério? Já que não lhes posso bater deixem-me destruí-los com palavras, por favor. Todos temos direito à nossa opinião e também tenho a minha cota de shitty movies that I love, mas a diferença reside no facto de ter plena consciência da sua falta de qualidade. Outra é acreditar piamente que aquilo é um bom produto. A Marta diz que consigo ser obnoxious ou até condescendente mas é mais forte do que eu. Por muito que o seu desinteresse me incomode, é graças a isso que nunca batemos de frente por causa do que pensamos acerca de determinado filme.
4. Entrar na Fnac é o maior erro da tua vida
Não sei até que ponto gostaria de saber o total de horas que já gastei na Fnac ao longo dos anos. O que vale é que não tenho o hábito de ir lá todas as semanas e sou muito agarrado ao dinheiro, se não estava arruinado. Se forem amantes de DVD's, sob hipótese alguma ousem entrar num destes estabelecimentos com a vossa cara-metade. Caso contrário preparem-se para uma sessão repleta de sopros, revirar de olhos e até miar para vos chamar à atenção (sim, isto aconteceu-me). Esta actividade está para algumas raparigas como uma visita à Mac para alguns rapazes. Terrível.
5. Os Óscares são o equivalente ao Mundial
Há pessoas que fazem promessas, batem nas mulheres quando o clube de eleição perde e são capazes de passar fome para poderem comprar um bilhete de futebol. Aqui não há nada disso, muito menos violência, mas o fervor emocional é semelhante. Torcemos pelos filmes e actores de que mais gostamos, dizemos asneiras se alguém vencer injustamente, e até vertemos uma lágrima ao lembrar aqueles que já faleceram. Da mesma maneira que olho com algum cepticismo para o mundo da bola, imagino que há quem faça o mesmo com o meu cinema. Ao estarem numa relação com um cinéfilo, têm que se mentalizar que uma madrugada de Fevereiro por ano, ele vai ficar na sala até às 4 e tal da manhã a seguir religiosamente a emissão dos Óscares. Podem chamar, aliciar com comida (vá, aceitava mas mantinha os olhos na televisão), e até se queixarem de frio, não adianta. Sorry mas deixem-me em paz.
Já namoraram com um cinéfilo? Têm amigos assim?





















