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quarta-feira, 28 de junho de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #28



SINOPSE:  Em 1971 uma equipa de cientistas lidera uma excursão à mítica Skull Island, no Pacífico. Acompanhados por um guia, uma fotógrafa e uma companhia de soldados, o grupo rapidamente descobre que os rumores que assombravam o local não era fruto da imaginação. 

OPINIÃO: A imagem do King Kong tornou-se numa daquelas figuras enraizadas no imaginário cinéfilo. Quem é que nunca viu as imagens do gorila a escalar o Empire State Building na produção homónima de 1933? 84 anos depois, o ser gigantesco já passou por diferentes versões e até por projectos cujo único objectivo era tentar capitalizar o sucesso que em tempos teve. Apesar de pegarem num tema mais que mastigado, Kong: Skull Island aprendeu com os erros do passado e tentou uma abordagem diferente.

Confesso que estava bastante receoso com o resultado final, mas fiquei agradavelmente surpreso, ainda que. O elenco é excelente, nomeadamente o Samuel L. Jackson e a Brie Larson, e só tenho pena que ela tenha sido mal aproveitada. Quanto à longa-metragem em si, é uma viagem repleta de acção e sem momentos mortos. Não perdem tempo a dar contexto ou background às personagens. Aquilo que aparece em cena, é o que interessa e tudo o resto é perder tempo. Quase parece uma espécie de parque temático à la Jurassic Park. É interessante ver que no meio destas criaturas, o verdadeiro monstro é o ser humano.


SINOPSE:  Desempregada, com uma relação falhada e graves problemas alcoólicos, Gloria muda-se de Nova Iorque para a pequena cidade que a viu nascer. Certo dia, ela descobre que os eventos catastróficos que estão a acontecer em Seoul, na Coreia do Sul estão directamente relacionados com ela.

OPINIÃO: Se não entenderam nada da sinopse, that's the point! A sério, a primeira vez que ouvi a Anne Hathaway falar sobre o enredo, isto é, que a personagem dela controla inconscientemente as acções de um monstro no outro lado do mundo, pensei que ela tivesse bebido. Parece não fazer sentido nenhum, mas acreditem que tudo é explicado. Perdoem-me não desenrolar mais, mas não quero revelar spoilers.

Escrito e dirigido pelo espanhol Nacho Vigalondo, Colossal é uma das grandes surpresas deste ano. A narrativa leva-nos por caminhos inimagináveis mas apoiados de personagens tão reais, que é impossível não nos relacionarmos com eles. A Hathaway está sublime no papel de Gloria, uma das heroínas mais complexas dos últimos tempos. Ela falha, vai-se abaixo, mas tem um bom coração e na hora de agir, não perde tempo a resolver tudo. Já o co-protagonista, Jason Sudeikis, é fantástico ao interpretar um verdadeiro asshole. Se ainda não viram, não percam mais tempo. É uma obra colossal, ha!



 
SINOPSE:  Grávida de sete meses, Ruth ficou viúva. Após uma experiência traumática, ela começa a ouvir a voz do seu bebé, literalmente. O problema é que as ordens do seu primogénito fazem com que ela inicie uma violenta e sangrenta série de homicídios.

OPINIÃO: Quando pensei que já tinha visto tudo, heis que encontro esta pérola britânica. Prevenge é uma delícia para os amantes de humor negro e sarcástico, típico dos habitantes da terra de sua Majestade.

Do ponto de vista psicológico, esta produção é muito interessante. Se arrancarmos as camadas superficiais da acção, encontramos uma protagonista seriamente marcada pela perda da pessoa que ela mais amava no mundo. Sozinha e com uma vida prestes a nascer, o chão dela colapsa e ela entra em depressão.

Digamos que por entre as fases de luto, ela ficou presa na raiva. A sede de vingança era tal que ela acaba por matar inúmeras pessoas que nada tinha a ver com o que lhe aconteceu, mas que lhe irritavam  algo que todos nós com certeza já imaginámos, mas daí a colocar em prática, vai uma grande diferença. Curiosamente, quando ela fica frente-a-frente com o "reponsável", não consegue agir. Se ela o fizesse, estaria a aceitar o que lhe aconteceu, e é aí que reside a beleza desta história. Se não vos incomodar o gore aka muito sangue, vejam!






 
SINOPSE:  Uma jovem começa a ficar preocupada com o namorado quando ele decide explorar uma espécie de "culto" que envolve uma misteriosa cassete de vídeo culpada de matar os espectadores passados 7 dias. Na tentativa de o salvar, ela descobre algo inédito, um mini-filme, dentro do original, algo que nunca ninguém viu. Uma moviception, portanto.

OPINIÃO: Porque é que a Paramount decidiu ressuscitar a Samara Morgan passados 11 anos, é algo que nunca vou compreender. Sou um fã assumido da versão norte-americana de 2002, e sequela de 2005, em grande parte por contar com a fantástica Naomi Watts como protagonista. Quando andava na escola básica este era O filme de terror. Ainda me lembro do que tremi quando vi o primeiro em casa, e depois o segundo na sala de cinema. Durante muito tempo desejei um terceiro volume para encerrar a história, mas nunca isto.

Ignorando por completo as versões anteriores, esta longa não é nada mais que um remake de um remake. Hollywood no seu melhor. A falta de noção é de tal forma chocante que eles oferecem uma nova origem para a Samara que, por sua vez, parece ter-se actualizado tecnologicamente. Pois é, ela conseguiu ultrapassar a barreira do VHS directamente para a pen drive, sem sequer passar pelo DVD ou Blu-Ray. Cheia de manhas, hã? A única razão porque dei um 5, deve-se ao facto de, no meio desta trapalhada, existirem momento de terror aceitáveis, ainda que não fuja ao cliché destinado ao consumo adolescente. O que explica o porquê de um elenco tão pobre.

Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

sexta-feira, 26 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #27


SINOPSE: Chris Washington, um afro-americano, vai visitar os pais da namorada que habitam num misterioso subúrbio caucasiano. A visita torna-se cada vez mais estranha e desconcertante para o jovem que rapidamente se apercebe que algo de errado se passa naquela comunidade.

OPINIÃO: Nos dias que correm são raras as produções que conseguem fazer jus à hype, leia-se, The Girl on the Train, mas esta conseguiu triunfar onde muitas erraram. Get Out é um filme de terror psicológico com a capacidade de se tornar num clássico dos tempos modernos. Sem se limitar a recorrer aos habituais truques de luz e som para provocar sustos no público, esta longa vai construindo uma narrativa sólida com personagens fortes e bem desenvolvidos. Algo extremamente raro no género em questão.

Jordan Peele, a mente criativa por trás do guião, escreveu uma premissa com tensões raciais mas extremamente interessante. Embora considere que o trailer dá a entender metade daquilo que vai acontecer, o que quebra um pouco o efeito surpresa. Dito isto, seria um verdadeiro crime caírem no erro de pensar que este é apenas "mais um filme contra racistas". Não é, é muito mais que isso.



SINOPSE: Jamie Fields é um adolescente que vive com a sua mãe, Dorothea, em Santa Bárbara, Califórnia. Abbie é uma estudante de arte e feminista que aos poucos vai utilizando as suas experiências para passar conhecimentos ao rapaz. Já Julie tem uma forte ligação com Jamie mas, apesar de dormirem juntos todos os dias, são apenas bons amigos.

OPINIÃO: 20th Century Women foi uma das razões pelas quais tentei adiar ao máximo a minha lista dos "Melhores Filmes de 2016". Tinha a certeza que quando o visse entraria para o top 20 mas infelizmente não foi disponibilizado a tempo. As expectativas confirmam-se, esta dramedy é fantástica.

Um dos vários factores positivos desta obra é a contextualização da década de '70, numa altura em que a violência não era uma das principais preocupações das pessoas. São pequenos detalhes como, por exemplo, o discurso da "Crise de Confiança" de Jimmy Carter, que elevam a caracterização não só da família como do quotidiano norte-americano.

Sensível e incrível, a narrativa é uma homenagem a todas as mulheres e mães. Aborda a força impressionante do sexo feminino e, ainda que o título remeta ao século 20, a mensagem é intemporal. Destaque ainda para a interpretação de Annette Bening, esse monstro da representação que mereceu sem dúvida alguma a nomeação ao Óscar de Melhor Actriz com a sua Dorothea.








SINOPSE: O ano é 2029. Já não nascem mais mutantes e Logan vive sob o seu nome verdadeiro: James Howlett, a poupar dinheiro para proteger o cérebro mais poderoso do mundo e que sofre de uma doença degenerativa. O Professor Xavier está demente e as consequências do descontrolo podem ser fatais para a Humanidade.

OPINIÃO: Apesar da X-Men franchise ser uma das minhas favoritas, nunca pensei que tivessem a capacidade de criar algo tão rico como este filme. A sério, ainda estou em choque com a qualidade. Satisfatoriamente violento, a certa altura Logan torna-se numa espécie de roadtrip movie, numa mistura entre os westerns clássicos de Clint Eastwood e a acção distópica de Mad Max. Não perde tempo a fazer um resumo do que aconteceu no passado. É uma história escrita, do início ao fim, para os verdadeiros fãs da saga e não podia estar mais satisfeito.

A relação quase de pai/filho entre o Hugh Jackman e o Patrick Stewart é igualmente dramática e absolutamente ternurenta. A química é tão natural que chega a ser comovente quando nos apercebemos que ambos vão deixar este universo. Sem revelar demasiado, a cena em que vemos Logan a subir com o  Prof. Xavier ao colo, para o deitar, é das mais queridas dos últimos tempos, especialmente num filme de super-heróis!

O final deixa-nos com um nó no peito. Hugh Jackman é e sempre será Logan. Deu corpo e alma a esta personagem e ao fim de 18 anos, despediu-se com chave-de-ouro, no melhor filme alguma vez produzido na franquia.




SINOPSE: Ashley e Verónica encontram-se por acaso numa festa e percebem que as suas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Uma é pintora e não tem onde cair morta, a outra é rica e despreza a arte. Rapidamente as antigas hostilidades ressurgem e acabam ao murro, literalmente.  

OPINIÃO: Numa era em que muito se debate a crise de originalidade em Hollywood, é tão bom saber que ainda há quem tente contrariar a norma e construir novos tipos de narrativa. Ignorado por muitos, Catfight é um dos filmes mais originais e interessantes saídos do território norte-americano no último ano.

A dupla brilhante de protagonistas, Anne Heche e Sandra Oh interpretam duas arqui-inimigas e o reflexo uma da outra. Não é por acaso que a história se divida em dois actos reversos um do outro. Uma é artista, a outra não compreende o valor da arte; uma usa o conflito no Médio Oriente como inspiração artística, a outra deixa-se levar pelo interesse financeiro do marido no conflito; mas ambas acabam por ser mulheres solitárias, mesmo quando estão acompanhadas.

Existe um forte elemento de wtf ao longo da trama, mas é precisamente isso que me fez adorar este filme. O duo anda à luta três vezes e o desfecho aponta para um empate técnico, se bem que a vitória é das actrizes que estão soberbas tanto na vertente emocional como na comédia negra.


Já viram algum dos quatro filmes? Qual é o vosso favorito e o que gostaram menos?

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CINEMA ⤫ Pocket Reviews #26











SINOPSE: Uma história de amor improvável entre uma bela jovem camponesa e um príncipe amaldiçoado a uma eternidade na pele de um monstro. 

OPINIÃO: Os mais atentos sabem que "A Bela e o Monstro" é o meu clássico da Disney favorito. Escusado será dizer que não reagi nada bem quando soube que iriam adicioná-lo à nova moda de versões live action. Esta estratégia tem obtido bons resultados comerciais mas o certo é que não tem produzido filmes tão cativantes como os originais. As únicas excepções são, possivelmente, "The Jungle Book" e até "Cinderella", sendo o primeiro o melhor até ao momento (entrou no meu TOP 20 de 2016 e ganhou um Óscar de 'Melhores Efeitos Especiais').

Infelizmente, o mesmo não pode ser dito deste. Pois é, preparem-se para uma unpopular opinion. Foi com enorme receio que o vi no cinema, aquando da estreia, e tanto eu como a minha namorada pensámos o mesmo, "meh". Não é mau mas também não é óptimo.

Os cenários são incríveis e tenho que admitir que a Emma Watson não esteve tão mal quanto esperava (era totalmente contra ela no papel de Bella), mas para quem viu o clássico de animação, é impossível não sentir uma certa banalidade com esta versão. Especialmente no que toca às músicas, que no original são a galinha dos ovos de ouro, aqui não passam de uma mera reciclagem. Chegou a um ponto que só me apetecia tapar os ouvidos para eles pararem de gritar. Não posso dizer que esteja decepcionado porque não tinha expectativa altas, mas tenho imensa pena que este The Beauty & The Beast esteja visto como uma obra-prima quando não é. Não fosse a componente visual, a minha cotação seria bem inferior.







SINOPSE: Uma rapariga sonsa continua a investir numa relação doentia com um milionário depravado, possessivo, ciumento e controlados. Amor verdadeiro, portanto.

OPINIÃO: Quando a adaptação cinematográfica do conto erótico Fifty Shades of Grey estreou em 2015, não compreendi como algo tão mau tinha originado milhões. Este ano chegou-nos o segundo capítulo e nem sei o que dizer. Se o primeiro era terrível este é um lixo. As supostas cenas de sexo e sadomasoquismo continuam inexistentes, e até quando a "história", se é que aquilo assim possa ser chamado, tenta tratar temas delicados e polémicos, acaba por causar gargalhadas. Juntamos a isso a paupérrima interpretação da dupla de protagonistas, especialmente da Dakota Johnson que além de precisar desesperadamente de umas aulas de representação, por comparação, faz da Kristen Stewart uma Meryl Streep. Também o director, James Foley, parece ter esquecido o significado da palavra "dirigir", já para não falar do guião que vende uma história de amor com um prazo de validade expirado. A falta de química entre o casal é gritante e consequentemente cria cenas altamente constrangedoras e hilariantes daquilo que NÃO se deve fazer na representação.

Por muito que me custe, costume tentar ao máximo aceitar opiniões contrárias às minhas, mas em relação a este "filme", é impossível. É um verdadeiro atentado à arte cinematográfica e uma vergonha permitirem que uma porcaria destas seja sequer produzida, quanto mais transformada numa franchise.



SINOPSE: Um bebé empresarial infiltra-se numa família suburbana para impedir que o planeta comece a gostar mais de cachorrinhos do que de criancinhas.

OPINIÃO: Não fosse o trailer bastante revelador, teria ficado bastante decepcionado com esta nova produção da Dreamworks. Além da animação, os factores positivos prendem-se à componente satírica repleta de piadas que só podem ser compreendidas por quem já sofreu na pele a crueldade e cinismo do mundo empresarial. O tratamento das pessoas como se fossem meros objectos numa máquina de fazer lucro, é estranhamente familiar. Por outro lado, existem momentos no filme que apelam aos nossos sentimentos, como aquele medo e raiva iniciais que sentimos quando um irmão nasce e todas as atenções estão voltadas para eles.

A minha namorada diz que esta obra foi feita para rapazes, e talvez seja, mas o certo é que não tem a capacidade de nos envolver completamente durante toda a acção. O enredo não é propriamente interessante e nem sequer conseguem surpreender o espectador. Em relação ao elenco vocal, a única coisa boa foi o Alec Baldwin e a Lisa Kudrow.

















SINOPSE: Após perder todos os companheiros em Washington, Alice é contactada pela inteligência artificial, Red Queen, sobre a existência de uma cura capaz de exterminar o virus zombie.

OPINIÃO: Como referi na publicação "FAVORITE MOVIE FRANCHISES: PART I", «critiquem-me, apedrejem-me, mas adoro o Resident Evil». Até parece mentira mas o primeiro capítulo foi lançado em 2002, há 15 anos atrás, e permanece até hoje como o melhor da franquia. Adaptado na saga homónima de videojogos, este império multi-milionário começou em grande mas foi perdendo força, criatividade e conteúdo a cada sequela.

Não é de estranhar que este sexto filme seja mais do mesmo e continue na linha medíocre dos anteriores. Como vêem, consigo ser objectivo até com os meus guilty pleasures. Quem aprecia e cresceu com este universo teve uma dose enorme de nostalgia graças à inclusão de inúmeros elementos dos dois primeiros filmes. A ligação entre o passado e presente garante a coesão necessária a uma narrativa sem qualquer tipo de nexo.

O grande problema desta obra é a introdução de uma suposta "cura" vinda do nada e que mais parece uma ideia apressada para finalizar a história. É impossível o espectador não questionar porque raio foram necessárias as quatro longas-metragens do meio para chegarmos a este ponto, uma vez que tudo podia ter sido facilmente resolvido se tivessem acrescentado essa informação logo no início. Seguem sequências de luta consecutivas, algumas sem qualquer appeal, e plot twists desnecessários. No meio disto tudo, é de louvar a performance da Milla Jovovich que ao longo de quase duas décadas foi a cara da franchise e a pessoa que mais acreditou no projecto. Só tenho pena que não nos tenhamos divertido tanto a ver o resultado final quanto ela a protagonizar a Alice. De qualquer forma, it's the end of an era and I'll miss it.


Além d'A Bela e o Monstro, já viram algum dos filmes? Qual é o vosso favorito?

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Guia para namorar com um cinéfilo ⤫ Capítulo I


Por esta altura sinto-me como o Padre António Vieira a pregar aos peixes quando falo sobre a minha paixão pela sétima arte. Um dos meus maiores desgostos é não ter qualquer tipo de formação na área mas nunca é tarde para aprender. Isto de conciliar o amor por outra pessoa com o amor cinematográfico tem muito que se lhe diga. Após sete anos ao lado da Marta (a rapariga bonita do Majestic), foram muitas as vezes que reparei na diferença drástica de interesse que cada um de nós tem sobre séries e, especialmente,  filmes. Face esta situação, parece-me oportuno elaborar uma espécie de guia para os companheiros de qualquer cinéfilo. 

CAPÍTULO I

1. Nada de funny business no cinema

Muitos de vós já devem ter comido uns linguados bem temperados no escurinho do cinema, faz parte não é? Apesar de já me ter acontecido, e mesmo que o prato seja uma autêntica iguaria, detesto que me desconcentrem quando estou a ver um filme. Ainda para mais pago. Chamem-me Tio Patinhas mas é a mais pura verdade. Cada vez mais ir ao cinema é considerado um luxo e, como tal, pondero imenso sobre em que cavalo apostar. Se o barulho dos desconhecidos já é mau, imaginem se for o vosso amigo, date, wtv, a interromper constantemente o filme com questões ou luzes, ou com algo mais spicy (not judging tho). É tudo muito giro mas perdem-se imensos pormenores.

2. Vais ouvir trivia que não te interessa

Ela que me corrija se estiver errado (não estou), mas esta é a maior queixa da minha namorada no que toca ao mundo do entretenimento. Desde muito novo sempre adorei ver os tops musicais e por mais absurdo que seja, consigo identificar o ano e posições a que certas faixas que ouvia chegaram. Com os filmes não é muito diferente. A notícia de um novo trailer é muitas vezes ofuscada por um rol de informação que ninguém me pediu mas que dou involuntariamente. Lamento imenso se acho interessante referir que X actriz ganhou um Óscar por aquele filme e no mesmo ano um Razzie por outro (hey Sandra Bullock). Lancem directores, gossip de bastidores e críticas à mistura, e está preparada a receita para a minha namorada adormecer ou dizer como aquela miudinha disse ao Toy e pedir-me "cala-te só um bocadinho".

3. Prepara-te para debates acessos a favor/contra certas produções 

Um dos meus calcanhares de Aquiles. Já referi anteriormente que tenho uma grande dificuldade em aceitar opiniões contrárias às minhas. Não se trata de me considerar o santo graal cinematográfico mas o que é suposto fazer quando alguém tem o descaramento de me dizer que o "Fifty Shades Darker" é óptimo e que tem muito mistério? Já que não lhes posso bater deixem-me destruí-los com palavras, por favor. Todos temos direito à nossa opinião e também tenho a minha cota de shitty movies that I love, mas a diferença reside no facto de ter plena consciência da sua falta de qualidade. Outra é acreditar piamente que aquilo é um bom produto. A Marta diz que consigo ser obnoxious ou até condescendente mas é mais forte do que eu. Por muito que o seu desinteresse me incomode, é graças a isso que nunca batemos de frente por causa do que pensamos acerca de determinado filme.

4. Entrar na Fnac é o maior erro da tua vida

Não sei até que ponto gostaria de saber o total de horas que já gastei na Fnac ao longo dos anos. O que vale é que não tenho o hábito de ir lá todas as semanas e sou muito agarrado ao dinheiro, se não estava arruinado. Se forem amantes de DVD's, sob hipótese alguma ousem entrar num destes estabelecimentos com a vossa cara-metade. Caso contrário preparem-se para uma sessão repleta de sopros, revirar de olhos e até miar para vos chamar à atenção  (sim, isto aconteceu-me). Esta actividade está para algumas raparigas como uma visita à Mac para alguns rapazes. Terrível.

5. Os Óscares são o equivalente ao Mundial

Há pessoas que fazem promessas, batem nas mulheres quando o clube de eleição perde e são capazes de passar fome para poderem comprar um bilhete de futebol. Aqui não há nada disso, muito menos violência, mas o fervor emocional é semelhante. Torcemos pelos filmes e actores de que mais gostamos, dizemos asneiras se alguém vencer injustamente, e até vertemos uma lágrima ao lembrar aqueles que já faleceram. Da mesma maneira que olho com algum cepticismo para o mundo da bola, imagino que há quem faça o mesmo com o meu cinema. Ao estarem numa relação com um cinéfilo, têm que se mentalizar que uma madrugada de Fevereiro por ano, ele vai ficar na sala até às 4 e tal da manhã a seguir religiosamente a emissão dos Óscares. Podem chamar, aliciar com comida (vá, aceitava mas mantinha os olhos na televisão), e até se queixarem de frio, não adianta. Sorry mas deixem-me em paz.


Já namoraram com um cinéfilo? Têm amigos assim?

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

OSCARS 2O17 — Um Desfecho Insólito


Com um desfecho digno de uma novela mexicana, a 89ª Edição dos Óscares teve um momento à la Miss Universe ao anunciar erradamente a vitória de La La Land como "Melhor Filme", em vez de Moonlight. Que amadorismo.

Confirmando as expectativas, o musical que entrou para a história como um dos filmes mais nomeados de sempre (14), ganhou 6 estatuetas, incluindo "Melhor Actriz" (Emma Stone), "Melhor Realizador" (Damien Chazelle), "Melhor Fotografia""Melhor Banda Sonora" e "Melhor Canção Original" (City of Stars). A partir do momento em que anunciaram a ausência da Portman tive a certeza que a vitória seria da Emma. Se merecia mais que a Natalie (Jackie) ou a Isabelle Hupert (Elle)? Não. Mas não deixa de ser uma prestação muito comovente e sincera. Além do mais, a humildade que teve no discurso de aceitação fizeram-me gostar ainda mais dela.

Moonlight ficou com três Óscares. Além do melhor filme, ganhou o previsível e merecido troféu de "Melhor Actor Secundário" (Mahershala Ali), e ainda "Melhor Argumento Adaptado". Se bem se recordam, La La Land e Moonlight ocuparam as duas primeiras posições, respectivamente, na minha lista de melhores longas-metragens de 2016. Portanto sim, estava a torcer com todas as forças pela produção dos "loucos sonhadores", fiz uma festa quando anunciaram a vitória e fiquei destroçado com a vergonha que passaram em palco a seguir. 

Por muito que adore a obra de Barry Jenkins, para mim a do Chazelle merecia mais. Pode não tratar um tema tão dramático ou sério como o principal rival, mas mexeu imenso comigo. Basta lerem a minha crítica ao filme para perceberem como fiquei "afectado" por esta obra. Não tenho qualquer dúvida que em outros anos, sem a sombra da política de Donald Trump a pairar sobre o mundo, La La Land teria varrido a competição ao estilo de Titanic, e levar 11 Óscares para casa. 


Nas restantes categorias de representação, o predador sexual Casey Affleck venceu o Óscar de "Melhor Actor" por Manchester By The Sea  para meu desagrado e da Brie Larson (vencedora do Óscar de "Melhor Actriz" por Room, no ano passado), que ao longo da award season não escondeu a cara de desprezo ao anunciar consecutivamente o nome dele , enquanto a fantástica Viola Davis foi considerada a "Melhor Actriz Secundária" pelo seu papel em Fences. Após três nomeações, até que enfim a actriz norte-americana foi distinguida pela Academia. Como referi na minha review, Fences pode não ser a longa-metragem mais memorável, mas deveria servir como um manual de representação por parte dos protagonistas. A meu ver, Denzel foi roubado.

No departamento de animação não houve surpresas com Zootopia a ganhar o prémio de "Melhor Filme"  é bom, mas Kubo and the Two Strings é uma obra-prima  e Piper o de "Melhor Curta-Metragem". Hacksaw Ridge venceu nas categorias de "Melhor Edição" e "Melhor Mistura de Som"; Arrival "Melhor Edição de Som".

Os "Melhores Efeitos Visuais" foram para o justo vencedor, The Jungle Book; Fantastic Beasts & Where To Find Them foi considerado o filme com o "Melhor Guarda-Roupa"  preferia Jackie —, enquanto "Melhor Cabelo & Maquilhagem" para o terrível Suicide Squad. Sim, aquele dejecto cinematográfico venceu um Óscar e o brilhante Lion ou o marcante Jackie saíram de mãos a abanar. Sem palavras.


Como não podia deixar de ser, as referências políticas ao longo da gala foram constantes e bastante inteligentes. O anfitrião Jimmy Kimmel lançou farpas a Trump ao longo das suas intervenções, chegando mesmo a enviar-lhe duas mensagens pelo Twitter, a perguntar se estava acordado e a avisar que a Meryl Streep dizia "Olá"  recordo que o Presidente dos EUA tem um longo historial de criticar a cerimónia e mais recentemente disse que a Streep era uma actriz extremamente sobrevalorizada. #byefelicia.

Os autores de Moonlight recordaram a luta da principal associação de Direitos Civis, a ACLU (representada por aquele lacinho azul que algumas celebridades usavam ao peito), que está a tentar impedir as ordens executivas de Donald Trampa nos tribunais, e o actor Gael Garcia Bernal, enquanto mexicano e latino, afirmou ser contra qualquer tipo de muros.

Ainda assim, quem calou tudo e todos foi a declaração lida por uma cientista iraniana residente nos EUA em nome de Asghar Farhadi. Vencedor do segundo Óscar na categoria de "Melhor Filme Estrangeiro" com The Salesman  anteiormente por A Separation (2012)  o realizador não esteve presente por respeito a todos os cidadãos das seis nações impedidas de entrar nos Estados Unidos devido a "uma lei inumana". Momento que mereceu uma das várias ovações da noite.

Nesta linha de pensamento, aquando da entrega do prémio para a "Melhor Curta-Metragem Documental", The White Helmets, o realizador Orlando von Einsiedel leu uma declaração de mais um ausente, o líder dos capacetes brancos sírios, lembrando os civis salvos pela sua organização e apelando à paz no mundo.

De uma maneira geral, adivinhei mais de metade dos vencedores, concordei com uns, discordei com outros, mas não posso negar que foi das melhores edições dos últimos anos. Reparei foi numa coisa. É o terceiro ano consecutivo que o meu filme favorito perde para o "querido da crítica"  Boyhood perdeu para Birdman em 2014, Mad Max: Fury Road para Spotlight no ano passado, e agora La La Land para MoonlightENOUGH! Só queria era que também chovessem doces, bolachas e donuts em cima de mim. A boy can only dream.

Melhor Filme
Vencedor: La La Moonlight
PREVISÃO: MOONLIGHT
PREFERIDO: LA LA LAND

Melhor Actor
Vencedor: Casey Affleck - Manchester By The Sea
PREVISÃO: CASEY AFFLECK
PREFERIDO: DENZEL WASHINGTON (Fences)

Melhor Actor Secundário
Vencedor: Mahershala Ali - Moonlight
PREVISÃO: MAHERSHALA ALI
PREFERIDO: MAHERSHALA ALI 

Melhor Fotografia
Vencedor: La La Land 
PREVISÃO: MOONLIGHT ou SILENCE
PREFERIDO: MOONLIGHT ou LA LA LAND

Melhor Filme Animação
Vencedor: Zootopia
PREVISÃO: ZOOTOPIA
PREFERIDO: KUBO & THE TWO STRINGS e ZOOTOPIA

Melhor Documentário
Vencedor: O.J. Made in America
PREVISÃO: O.J. MADE IN AMERICA

Melhor Realizador
Vencedor: Damien Chazelle - La La Land
PREVISÃO: DAMIEN CHAZELLE ou BARRY JENKINS
PREFERIDO: DAMIEN CHAZELLE e BARRY JENKINS

Melhor Actriz
Vencedora: Emma Stone - La La Land
PREVISÃO: EMMA STONE ou NATALIE PORTMAN
PREFERIDA: ISABELLE HUPPERT, NATALIE PORTMAN e EMMA STONE

Melhor Actriz Secundária
Vencedora: Viola Davis - Fences
PREVISÃO: VIOLA DAVIS
PREFERIDA: VIOLA DAVIS e NICOLE KIDMAN (Lion)

Melhores Efeitos Especiais
Vencedor: The Jungle Book
PREVISÃO: THE JUNGLE BOOK
PREFERIDO: THE JUNGLE BOOK

Melhor Canção
Vencedor: City os Stars - La La Land
PREVISÃO: CITY OF STARS
PREFERIDA: CITY OF STARS e AUDITION (La La Land)

Melhor Filme Estrangeiro
Vencedor: The Salesman
PREVISÃO: THE SALESMAN
PREFERIDO: TONI ERDMANN

*A lista completa de vencedores e nomeados AQUI.


Viram a gala dos Óscares? Os vossos favoritos venceram?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A minha primeira vez


Lembro-me como se fosse ontem. Num final de tarde extremamente frio de Dezembro, coloquei os meus medos de lado e cedi à tentação. A curiosidade já tinha anos de vida, mas sempre considerava a hipótese de a colocar em prática, o medo falava mais alto. Cheguei mesmo a acreditar que nunca seria capaz de fazer algo que é tão comum e que deveria fazer parte do quotidiano de todas as pessoas. Extremamente nervoso, entrei naquela espécie de quarto escuro gigante, sentei-me e o resto foi história. Pois é, a minha primeira vez a ir ao cinema sozinho foi fantástica.

Depois desta introdução sensualona, não sei porque é que as televisões portuguesas ainda não me contrataram para escrever a próxima novela do horário nobre. São escolhas. Lamento desiludir as mentes mais sórdidas mas esta publicação não é dedicada às paixões da carne mas sim do entretenimento. Sorry!

Não é novidade nenhuma que me considero uma espécie de "cão de família". Não no sentido cabeludo da questão mas da necessidade de companhia. Gosto de conviver com pessoas, de conversar, e para estar sozinho mais vale ficar em casa. Pelo menos era este o meu pensamento até há bem pouco tempo. Embora tenha desenvolvido o hábito de ir a lojas sem qualquer problema  antigamente era fulcral um segundo par de olhos para me ajudar a decidir o que levar  ainda há certas actividades que me deixam angustiado só de me imaginar a fazê-las all by myself. Entre elas está jantar fora e, claro, ir ao cinema. Imperdoável para um cinéfilo como eu.

Com a namorada fora e amigos ocupados, não tive outra opção se não engolir em seco e tentar, de uma vez por todas, perder este "medo social". No final do ano passado, saí do trabalho, e fui ver o Fantastic Beasts and Where to Find Them. Como as coisas comigo têm sempre um certo je ne sais quoi de imprevisibilidade, quando lá cheguei deparei-me com uma fila de polícias, detectores de metal e tudo, a revistarem o público que queria entrar. Parecia que estava dentro de um filme. Uma pessoa já é nervosa e ainda me metem em cenários destes. 

Dito isto, quando terminou a sessão, senti-me o maior idiota do mundo. Já dizia o Diácono Remédios, "não havia necessidade". Aquilo que era um verdadeiro bicho de sete cabeças revelou-se a coisa mais normal de sempre. Pensar que até fiquei ofendido quando a Marta me disse que preferia ir ao cinema sozinha e agora entendo-a perfeitamente. Tornou-se num dos meus hobbies favoritos. Desde então, já vi outros dois (Passengers La La Land) e estou a preparar-me para uma quarta visita, algures nos próximos dias. Agora olha, não quero outra coisa.

Sem a tentação de comentar alguma coisa para o lado, assistir a uma longa-metragem sozinho permite uma imersão total na acção. Durante aquele período de tempo, somos só nós e as personagens em cena, mais nada. Claro que existem as distracções do costume, como o puto irritante que dá pontapés na cadeira, o mercenário das pipocas que mastiga como uma locomotiva ou a velhota que acha que está numa sala de convívio, mas é diferente. É sempre bom vencer um obstáculo, por muito trivial e idiota que pareça. 


Costumam ir ao cinema sozinhos? Preferem companhia ou não?

domingo, 8 de janeiro de 2017

Então e os filmes?


Talvez tenham ficado com a pulga atrás da orelha com a publicação de ontem, talvez não. O certo  é que tenho enfrentado um grande dilema nos últimos dias. Contrariamente ao que aconteceu em 2015, desta vez não me sinto capaz de apresentar uma lista fidedigna com as melhores produções cinematográficas do ano. Embora tenha visto um total que ronda os 100 filmes, ainda não foram disponibilizados 5 que considero, possivelmente, os mais importantes. Aliás, tenho 99,5% de certeza que o #1 seria um desse quinteto. Chegamos então à questão, publicar ou não o TOP 20 Filmes?

De facto, tenho material suficiente para o fazer, mas se não for para ser bem feito, não se faz de todo. Se deixasse as longas-metragens em falta para a lista do próximo ano, estaria a ser hipócrita. Ao fim ao cabo, fico com urticaria cada vez que encontro "Spotlight" ou "The Revenant" (ambos de '15), em listas dos melhores de '16. Houve quem me sugerisse incluir os filmes na mesma, e avaliá-los com base nos trailers e reviews, mas isso seria completamente impensável. Nunca vou publicitar um produto sem o ter visto/comprovado, só porque "os críticos falam bem". Essa conduta é condenável e francamente infantil.

Outra solução seria publicar a lista com base no que assisti, e depois fazer um update, mas isso parece-me ainda mais ridículo. Perfeccionista ou simplesmente doido varrido, não têm noção do quanto esta situação me incomoda. Após muito ponderar, resolvi adiar aquele que considero um dos meus TOP's mais importantes  e populares, diga-se de passagem. Portanto, se em meados de Fevereiro/Março (espero que seja mais cedo) virem um "Ghostly Walker Awards: Top 20 Movies of 2016" aparecer nas vossas listas de leitura, não estranhem e não me julguem, ah!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

I Paid For It | 4 Filmes

(Tentar fotografar num dia de nevoeiro e sem luz natural é obra. I Tried!)
No seguimento da última publicação sobre a minha aquisição de quatro DVD's da sétima arte, pensei "porque não falar deles?". Independentemente de já os conhecerem ou não, aqui fica a minha breve opinião sobre cada um deles.


1. Inception (2010)
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Há filmes que não saem da nossa memória e este é um deles. Estava no meu primeiro ano da Universidade quando estreou e mantém-se até hoje como um dos meus favoritos. O jogo entre ilusão vs. realidade nem sempre resulta, mas aqui, é mágico. Contrariamente a outras produções do género, a narrativa é inteligente e a atenção ao detalhe é algo fora de série. As sequências de acção combinadas com visuais de nos deixar de boca aberta, oferecem ao espectador uma viagem alucinante por este universo subconsciente/alternativo. Chegamos ao final com uma vontade enorme de andar para trás e começar tudo de novo. It is that good.


2. Boyhood (2014)
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Não existem palavras para descrever Boyhood. É tão estranho como alguns filmes nos conseguem tocar tanto. Não é uma história de outro mundo, mas é exactamente essa a sua beleza. É a vida. Só isso. A vida e todos os seus altos e baixos. Desde mudar de casa com a nossa família, discutir constantemente com o irmão que consegue melhores resultados, bullying, a pressão dos grupos, ver pornografia pela primeira vez, os anos awkward da adolescência, a terrível fase do acne, os 1001 cortes de cabelo, o primeiro amor, a primeira namorada, o primeiro desgosto, questionar tudo no mundo, ir para a Universidade, sentirmo-nos perdidos em relação ao futuro e por aí em diante. É assustador o quão rápido o tempo passa.

Uma das minhas partes favoritas, além do facto de ter sido filmado durante 12 anos e com os mesmos actores, é a importância da música. A primeira cena abre com a "Yellow" dos Coldplay e, com o passar do tempo, também a banda sonora evolve. Se pensarem nisso, a música é quase como o narrador tanto da história como das nossas vidas. É mesmo! Algumas canções conseguem transportar-nos no tempo, para um determinado período da nossa existência, e é a sensação mais incrível de sempre. Até quando a irmã da personagem principal canta ao irmão a "Oops... I Did It Again" da Britney, quando eram pequeninos, lembrou-me de quando vi o videoclip pela primeira vez. Não sei, acho que já estou a divagar. A interpretação da Patricia Arquette é sólida e comovente (venceu o Óscar de Melhor Actriz Secundária). O diálogo final matou-me. Enfim, é fantástico. Se ainda não viram, recomendo que o façam.


3. The Babadook (2014)
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Aclamado pela crítica, The Babadook foi considerado um dos favoritos de 2014, e um dos melhores filmes de terror de sempre. Passados dois anos, o filme australiano continua a dividir opiniões. Confesso que inicialmente tive as minhas dúvidas, mas quanto mais pensei sobre a história, apercebi-me do quão boa era. Se estiverem à espera de saltos constantes e mulheres com cabelo preto e vestidas de branco a vaguear por um corredor, não vale a pena verem. A forma inteligente como personificaram a dor física e sentimento de perda da protagonista, para a figura do dito "monstro", é extremamente inteligente. A cinematografia é excelente, não existem aqueles clichés ultrapassados do género e o desempenho da Essie Davis e do pequeno Noah Wiseman é simplesmente genial. 


4. The Theory of Everything (2014)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Provavelmente o mais popular dos quatro mas, neste caso, justifica-se. Tendo em conta que desconhecia o trabalho e vida daquele que é considerado um dos mais importantes astrofísicos de todos os tempos, fiquei fascinado com a história do Stephen Hawking. O Eddie Redmayne representou-o de forma sublime e mereceu com toda a certeza o Óscar de Melhor Actor. A maneira como se entregou à personagem é arrepiante. Apoiado da igualmente talentosa Felicity Jones, o par conseguiu estabelecer uma ligação intensa e rica em conteúdo. Momento da vergonha, chorei de tal forma com o final que até solucei. Não têm de quê por esta imagem tão bonita.


Já viram algum dos filmes? Qual é o vosso favorito?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Não posso ir à FNAC


Uma estranha realidade, de facto. Mas, a esta altura do campeonato, ainda vos surpreende? Duvido. Os vampiros evitam a luz do sol e eu... entrar na FNAC. Não, não tenho nada contra o estabelecimento. O problema reside exactamente no facto de gostar demasiado daquilo que tem para "oferecer".

Após um breve passeio pela baixa lisboeta, resolvi ir aos Armazéns do Chiado e pronto, tudo estragado. Quando dei por mim, estava há uma hora e meia a percorrer os corredores daquele labirinto cultural. Como só leio em inglês e ali é tudo mais caro, nunca perdi muito tempo na secção literária. No que toca a música e cinema, a conversa é outra. 

Estão a imaginar como os gatos ficam quando vêem algo brilhante  algo que por acaso partilhamos  foi assim que fiquei quando cometo o erro de ler "Promoção: 5€". Felizmente tenho o meu lado tio patinhas que me mantém contido, caso contrário, ui. Como sou extremamente poupadinho, estabeleci um valor-limite de 20€ e vim para casa com quatro DVD's. Acreditem que para mim foi uma "loucura" mas, como me costumam dizer, I have to live a little.

As minhas primeiras escolhas cinematográficas não estavam com a promoção  obviamente, ugh  mas enquanto espero que o preço desça, e após várias trocas, trouxe um quarteto de longas-metragens que adoro de morte: Inception, The Babadook, Boyhood e The Theory of Everything. Já vi os quatro e estou ansioso por voltar a fazê-lo, agora que são "meus". 

Não consigo parar de pensar naqueles que quase vieram comigo, e isso assusta-me. A única coisa que me sossega é saber que tão cedo não volto a uma FNAC. Quem me dera ser rico para poder sair de lá com um carrinho recheado de mais filmes e álbuns de música. Para as meninas da maquilhagem que não estejam a compreender como me sinto, é o equivalente a levarem um cabaz com lip kits da Kylie, paletes da Naked e batons da Yves Saint Laurent  I know stuff  já imaginaram? Amazing.


São ávidos consumidores de filmes/música? Têm problemas de controle?

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Horror Movies to watch on Halloween


Com o Halloween aí à porta, resolvi elaborar uma pequena lista com algumas sugestões cinematográficas para o fim-de-semana. Ciente de que, muito provavelmente, vai ocorrer uma enchente de publicações do tipo, tentei fazer uma selecção um pouco diferente. 

Coloquei de lado escolhas mais óbvias como os veteranos Hocus PocusHalloweentown ou The Ring e apostei em longas metragens menos populares. Para ter alguma variedade, fiz uma espécie de viagem pelo tempo, incluindo propostas de décadas diferentes.

Sim, o género em destaque não podia deixar de ser o terror  mas, para os mais assustadiços, não faltam thrillers e muito suspense. Para mais opções, podem consultar o "TOP 10 Classic Horror Movies" do ano passado.


#1. What Ever Happened to Baby Jane? (1962)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

RESUMO: Em criança, Jane Hudson era uma estrela conhecida por "Baby Jane". Com o passar dos anos, caiu no esquecimento do público e vive com a irmã Blanche - uma antiga actriz que ficou paraplégica -, na sua mansão. Face a decadêncie evidente, Jane mantem vivo o sonho de voltar a pisar os palcos e para que isso aconteça, está disposta a cometer as maiores barbaridades contra a própria irmã.

OPINIÃO: Cansado das contínuas referências ao icónico What Ever Happened to Baby Jane? na pop culture actual, resolvi vê-lo de uma vez por todas. Melhor decisão dos últimos tempos. Esquecendo os atritos vividos pela dupla de protagonistas, Bette Davis e Joan Crawford, durante a gravação deste filme, o produto final superou as minhas expectativas. A Davis desempenhou a mimada lunática Jane com tamanha perfeição que até me admira como é que não ganhou o Óscar a que estava indicada. Dada a época em que foi concebido, classificaram-no como terror (além de crime e thriller), mas asseguro-vos que não há nada de assustador. Quer dizer, só se for mesmo a duração de +2h ou a maquilhagem da Jane, ah! É por isto que adoro clássicos, são tão puros. Brilhante!


#2. Fright Night (1985)
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

RESUMO: Charley é um amante de filmes de terror. Quando a casa ao lado ganha novos vizinhos, o jovem fica convencido que o seu comportamento estranho se deve ao facto de serem vampiros. Como se não bastasse esta situação, a sua mãe encanta-se pelo suposto vampiro e convida-o a entrar na casa deles.

OPINIÃO: Foi a colecção de cassetes do meu pai que me apresentou a este tesourinho. Embora seja considerado um filme de terror, Fright Night tem momentos absolutamente hilariantes. O charme dos anos 80 está mais presente que nunca, do guarda-roupa, aos penteados e música. Ainda assim, a melhor parte é mesmo a caracterização tão rudimentar dos ditos "vampiros". A história foi tão bem recebida pela crítica que até deu origem a um remake em 2011. De qualquer forma, se quiserem rir-se, esta versão é a ideal.


#3. Ginger Snaps (2000)
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

RESUMO: Durante um passeio nocturno por um parque, Ginger é atacada por uma espécie de lobo que a deixa gravemente ferida. O que se segue é uma série de mudanças físicas que deixam a jovem quase irreconhecível. Convencida de que o que se passa com a irmã mais nova é algo sobrenatural, Brigitte, a irmã mais nova, tenta encontrar uma cura para a maldição que se apoderou das suas vidas.

OPINIÃO: Aclamado pela crítica, Ginger Snaps é um dos poucos filmes de terror do início dos anos 2000 com qualidade. Contrariamente a outras produções da época, o sub-género teen horror é trocado por um clima à anos 80, com pinceladas de humor e muito gore. A narrativa e interpretações são surpreendentes, especialmente do duo protagonista. Relacionar a puberdade feminina com o mito do lobisomem poderia originar uma manifestação feminista, não tivesse sido escrito de forma inteligente, e por uma mulher. Lembro-me tão bem de ter uns 12 anos e de o ver umas três vezes, no mesmo mês, na MGM. Deu para perceber que fiquei impressionado? Uma pena que tenha passado despercebido pelo público.


#4. The Descent (2005)
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

RESUMO: Numa viagem dedicada ao desporto e aventura, seis mulheres ficam presas numa gruta, depois de uma rocha se soltar e bloquear a saída. Enquanto tentam encontrar uma forma de escapar, descobrem que estão a ser perseguidas por criaturas estranhas que se escondem na escuridão. 

OPINIÃO: À primeira vista o enredo parece ser o maior cliché de todos os tempos. Quase todas as produções cinematográficas apostam no mesmo tipo de raciocínio no que toca a viagens a lugares "estranhos". Dito isto, The Descent consegue quebrar os moldes pré-concebidos ao criar um clima intenso e genuinamente assustador. Quando as criaturas que habitam a caverna surgem em cena, o director descarta a luz e apoia-se nos sons para causar o pânico. O resultado é uma verdadeira viagem inquietante por parte do espectador. Não me considero claustrofóbico, mas este filme deixou-me seriamente na dúvida. Um dos factores positivos é o facto do elenco ser totalmente composto por mulheres, demonstrando que "frágil" é algo que elas não são. Dentro do género, mantem-se até hoje como um dos meus favoritos. 


#5. Don't Breathe (2016)
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

RESUMO: Três criminosos ganham a vida a assaltar casas. Um dia, recebem uma dica de que a habitação de um velho veterano num bairro pobre da cidade está cheia de dinheiro que ele recebeu quando uma senhora rica matou a sua filha num acidente de viação. Durante a vigia, os jovens descobrem que o homem é cego e que por esse motivo a tarefa está muito facilitada. O oposto acontece e corre tudo pior do que esperavam.

OPINIÃO: Vi-o ontem à noite e confirma-se o alarido que causou nos Estados Unidos, está bom! Vá, não vos quero deixar com as expectativas demasiado elevadas. Não é uma obra-prima do cinema actual mas cumpre o objectivo principal, deixar o espectador completamente às escuras em relação à história. Apesar da narrativa um pouco básica, e de não ser necessariamente assustador, confesso que ainda saltei uma ou duas vezes. Se preferirem longas metragens de suspense, esta é a opção indicada para vocês.


Além do "Don't Breathe", conhecem algum dos filmes? Se sim, qual é o vosso favorito?

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

MOVIE LOUNGE ⤫ THE NEON DEMON (2O16)


Estreou há pouco mais de três meses e, The Neon Demon, já se afirmou como um dos mais controversos e polarizantes filmes de 2016. O realizador Nicolas Winding Refn (Drive, Lost RiverOnly God Forgives) concebeu um espectáculo visualmente apelativo, inspirado em lendas, no oculto, no género slasher e cinema europeu. Não sendo fácil de engolir  literalmente  tornou-se numa das produções cinematográficas mais fascinantes dos últimos tempos.


The Neon Demon conta a história de uma jovem de 16 anos, Jesse, que chega a L.A. com o sonho de se tornar modelo. Portadora de uma (suposta) beleza absolutamente arrebatadora, assina contrato com uma grande agência. Admirada por uns e detestada por outros pela sua perfeição, certo é que a sua carreira de modelo cresce a uma velocidade alucinante. Nem tudo é um mar de rosas e no meio do plástico demoníaco, este ser natural e puro acaba por ser comido pelas mulheres que se sentem ameaçadas pela sua simples existência.

À primeira vista o enredo é capaz de originar um bocejo ao ler "jovem aspirante a modelo tenta vencer em L.A.", mas não se deixem enganar. O argumento é polémico, satírico e corajoso, abordando a luta constante pela perfeição estética com unhas e dentes. Não nego a quantidade de clichés, superficialidades e amoralidades aqui presentes, mas é exactamente esse o propósito desta obra.


Seguindo o mesmo modelo apresentado por Refn em trabalhos anteriores, a componente visual é tão ou mais importante que acção propriamente dita. Ver The Neon Demon é o equivalente a desfolhar as páginas de uma Vogue escrita por psicopatas sob ácidos. Cada frame está meticulosamente trabalhada, desde o jogo de luzes e sombras, aos splashes de cores psicadélicas. Digam o que disserem, a criatividade está no seu expoente máximo.

A fotografia de Natasha Braiar, os figurinos de Erin Benach e a música de Cliff Martinez dão o ênfase necessário a esta atmosfera predatória do mundo da moda. Não é por acaso que a cena da passerelle, numa espécie de realidade alternativa, representa o momento em que a nossa protagonista evolui, por assim dizer, de santa a demónio. Um verdadeiro concurso narcisistico que termina com Jesse a beijar o seu próprio reflexo e aceitar que é the hottest shit in town.


A protagonista desta fábula trágica é uma contradição andante. Jesse é simultaneamente uma virgem inocente e um demónio narcisista. É santa e pecadora, pura e objecto de desejo sexual. Neste campo, a Elle Fanning fez um bom trabalho ao projectar a vulnerabilidade e awkwardness necessárias na interacção com outras personagens. Face a dualidade psicológica da jovem modelo, Refn não pretende que a audiência a julgue. Muito pelo contrário, quer que seja celebrada no seu esplendor contraditório.

Arrisco-me a dizer que a Jena Malone oferece uma das, se não mesmo a melhor prestação da sua carreira enquanto Ruby, uma maquilhadora sedenta de afecto e diabolicamente depravada. Não só aceita os clichés do argumento como os celebra, levando-os ao extremo. Sem revelar spoilersAQUELA cena da morgue foi fruto da entrega total de Malone a este projecto.


Há que aplaudir o modo como Refn torna a câmara no verdadeiro monstro do filme e não as modelos. Apesar da sua premissa aparentemente anti-feminista, os homens do filme não passam de adereços descartáveis e irrelevantes. Ainda assim, seria injusto ignorar a prestação de Alessandro Nivola, o designer de moda que encontra em Jesse uma musa, e que apesar de pouco tempo de antena, conseguiu cativar a atenção do público.


É importante perceber que não estamos perante um drama narrativo, mas sim numa viagem estética. Atenção, não significa que falte substância. Está é personificada de modo visual, colocando de lado metáforas e dando prioridade ao sentido literal das coisas. Talvez seja esse o motivo pelo qual o filme está sujeito a várias interpretações. Há quem diga que leva ao exagero e ao chocante a temática da obsessão pela beleza e poderes de uma indústria que busca a todo o custo a perfeição.

Com um passo um tanto ao quanto lento, confesso que as cenas finais me surpreenderam. Desconfiava que algo de muito estranho estava a acontecer nos bastidores ficcionais da história mas nunca me passou pela cabeça que fosse aquilo


Quem estiver disposto a colocar ideias pré-concebidas de lado e aceitar o choque e provocação criadas por Refn neste universo semi-alternativo, pode descobrir momentos absolutamente geniais no seu íntimo. A polaridade opinativa entre o tédio e a devoção que o filme provoca nos espectadores só comprova o quão interessante é esta obra.

The Neon Demon não é mais que uma história simples pintada de forma irreverente, por intermédio de vaidades e sede de poder tão presentes na nosso quotidiano. Não é um conto moral. Aceita que o mundo é pútrido e comemora-o como tal.

Classificação IMDb: 6.5/10
Classificação Ghostly Walker: 7/10


Já viram o Neon Demon? Pertencem ao grupo que gostou ou detestou?

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