A semana pode ter sido marcada por ataques terroristas, consumo canino e tortura de gatos indefesos, mas é bom ver que nem tudo está perdido. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu, na passada sexta-feira (dia 26), que casamento gay é legal em todos os estados norte-americanos. Finalmente a terra do tio Sam está a fazer jus ao slogan "land of the free" (pelo menos no que diz respeito a esta questão).
Numa deliberação histórica, os juízes consideraram que a Constituição garante o direito igualitário de matrimónio a todos os cidadãos e, como tal, a sua proibição a casais do mesmo sexo vai contra a lei. A moção saiu vencedora através de cinco votos favoráveis contra quatro e, consequentemente, os 14 estados que não permitem o casamento gay terão de levantar essa proibição.
A decisão do Supremo Tribunal é "um grande passo para a igualdade" e uma "vitória para a América", afirmou o Presidente Barack Obama, a partir da Casa Branca. A decisão reflecte o ideal norte-americano de que "todos os cidadãos estão igualmente protegidos pela lei, independentemente de quem amam", continuou. Não podia estar mais de acordo. A vitória não é dos homossexuais. Não é dos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. A vitória é do ser humano e dos que acreditam no amor na sua forma mais pura, sem género.
Claro que nem todos estão satisfeitos com esta medida. "Nenhum tribunal pode reverter a lei da natureza", criticou a organização conservadora cristã Family Reserach Council (Conselho de Pesquisa sobre a Família), considerando esta decisão "um abuso do poder", que vai causar "graves danos ao património cultural" dos Estados Unidos.
É por isto que a religião me assusta. Fico feliz por ter sido criado numa família católica não-praticante, em vez de fanáticos cegados pela sua fé. Segundo sei, a mensagem principal de Deus é espalhar amor, logo, não compreendo algumas das barbaridades que os chamados crentes dizem. Podem ver alguns exemplos de reacções negativas à notícia que encontrei online:
Nem sei o que é pior, a escrita vergonhosa do Adilson, o Frederico referir-se aos homossexuais como tendo um "distúrbio de personalidade", ou a Rita a usar a "fome no mundo" para desvalorizar outro tema de carácter humanitário . É caso para dizer, "Valha-me Deus".
Em pleno século XXI ainda temos que lutar pelos direitos humanos. É especialmente chocante se pensarmos que, dos cerca de 196 países existentes no mundo, os Estados Unidos foram o 22º a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o seu território. Tendo em conta que Portugal é um país extremamente retrógrada e conservador, ainda me surpreende termos sido o 8º a legalizar a união homossexual.
Ainda há muita mudança pela frente, mas não deixa de ser uma vitória a favor de uma sociedade inteligente e igualitária. Já chega de tanto preconceito e desrespeito, não só com a comunidade LGBT, mas com todas as pessoas em geral. Que acabem os estereótipos, sejam eles contra orientações sexuais, raciais ou sexistas.




















