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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Já chega, não? ⤫ "E tirares a carta?"


Se há jovens que já não aguentam ouvir "Quando é que te casas?" ou "E filhos?", eu ganhei um ódio à pergunta "Não está na altura de tirares a carta?". Não, não está. Que eu saiba, não possuo nenhuma versão mecânica do relógio biológico que buzina sempre que vejo um carro. Como é que fui capaz de chegar aos 25 anos sem ter a carta de ligeiros? Alguém me leve a um médico que não posso estar bem. Ugh.

Ao que parece é totalmente inconcebível que ainda utilize transportes públicos para me locomover. "Com a tua idade já conduzia há sete anos..." E? Desde quando é que ser proprietário de um veículo se tornou numa necessidade básica de sobrevivência quando atingimos a maioridade? Poupem-me.

As pessoas sentem necessidades distintas e a diferentes alturas da vida. Segundo a lei, a partir dos 18 temos a possibilidade de pegar num carro, mas isso não significa que seja regra. Cabe a cada um de nós tomar esse passo se assim achar necessário ou possível. Um pensamento lógico que mesmo assim é recebido com a ocasional "o teu irmão ainda vai tirar a carta primeiro que tu". Até parece que sou menos homem por isso, que absurdo.

Confesso que quando era mais novo pensei que já estaria ao volante a esta altura do campeonato, mas as coisas nem sempre são como idealizámos. De facto, já o podia ter feito, mas para quê? Para ficar anos sem conduzir porque não tenho dinheiro para comprar um carro? Em termos de acessos, chego muito mais depressa a qualquer lado com os transportes, e não tenho a preocupação de arranjar um sítio para estacionar. Não sou idiota, sei perfeitamente que dá sempre jeito ter a carta na eventualidade de alguma emergência ou problema, mas daí a carregar uma cruz vai uma distância.

Recuso-me a gastar dinheiro a aprender a conduzir para depois ficar anos sem voltar a tocar num volante. Não faz sentido nenhum. Já para não falar que sou um autêntico zero à esquerda no que toca à sinalização. Quando digo que não percebo nada de sinais, é nada mesmo. Vá, sei identificar o sinal de STOP e mais uns dois ou três, mas de resto, nicles. É que nem as marcas e modelos sei distinguir, além dos mais óbvios, claro. "Ah mas é para isso que tens aulas", no shit Sherlock. Esta é uma decisão que só a mim diz respeito e estou farto que me julguem por isso. Também não ando por aí a perguntar "Quando é que fazes esse buço" ou "E começares uma dieta?", portanto deixem-me em paz. Já chega, não?

Já tiraram a carta? Foi logo aos 18? Foram pressionados a tal?

quarta-feira, 10 de maio de 2017

25 Anos e continuo sem nunca...


No ano passado partilhei convosco alguns dissabores (AQUI), digamos assim, de actividades ou experiências que nunca tinha vivido com os meus 24 anos. Na altura, estava longe de esperar que isso fosse desencadear um rol de publicações com a mesma temática mas fico feliz.

Há uns meses atrás, com o meu aniversário em vista, revisitei a dita lista e confesso que fiquei frustrado por verificar que tudo se mantinha na mesma. Em jeito de update, se bem que não seria necessário um, revisitei o post original e (re)apresento-vos cinco tópicos que considero como os mais chocantes, salvo seja, pelo menos aos olhos da sociedade.


'1. Ter aprendido a andar de bicicleta

Um dos meus maiores desgostos na vida é não saber andar de bicicleta. Em criança adorava andar com as rodinhas mas assim que as tiraram o meu cérebro fritou. Farto de tentar e acabar sempre no chão com os joelhos esfolados, desisti. Digamos que por muito paciente que eu seja, há certas áreas e situações que me tiram do sério. Ainda assim, muitas vezes imagino a sensação que deve ser andar livremente por aí, sem precisar depender de combustível ou boleias. Bem, ao menos sei nadar. 

'2. Ter ido a um concerto

Continua presente na minha cabeça o horror que provoquei quando admiti publicamente que nunca tinha ido a um concerto. Meus caros, tenho oficialmente 25 anos e a coisa mantém-se. Criminoso, eu sei. Chega a ser caricato um ávido consumidor de música como eu, nunca ter experienciado uma das formas mais naturais de apreciar esta arte, isto é, ao vivo. Ser um tio patinhas e achar um balúrdio o preço da maioria dos bilhetes já nem é o principal impedimento, mas sim o facto de ou nunca ter companhia. Sim, porque dizer "vamos" é muito giro mas depois chega a altura e chapéu. Os festivais então é para esquecer. Fazem os cartazes propositadamente mal distribuídos para deixar o público dividido e realmente, comigo resulta, mas pela negativa. Enfim, resta-me torcer para que um dos artistas/grupos que sigo vigorosamente resolva parar por Portugal e convencer alguém a ir comigo.

'3. Ter a carta de condução

Quando era mais novo imaginei mil e um cenários para a minha vida. Garanto-vos que chegar a esta idade sem ter a carta de condução não era um deles. Muitas vezes perguntam-me "porquê é que não tiras?" e a resposta é sempre a mesma: "porque é que vou tirar a carta se depois não tenho um carro para conduzir?". Mais simples que isto não podia ser. "Ah usas o dos teus pais". Ui, nem entrem por aí. Conheço pessoas que tiraram a carta mal completaram os 18 anos e nunca mais pegaram num carro. Resultado, já não sabem conduzir. Vale a pena gastar dinheiro para me acontecer o mesmo? Não. Se as pessoas compreendem isto? Não.

'4. Ter ido a uma discoteca

Embora seja um animal noctívago, não é a componente "festiva" que mais me atrai. Não se preocupem, não pertenço a nenhum culto ou ceita religiosa. Claro que já saí à noite, mas sempre me fiquei pelos bares. Para quê pagar para entrar numa discoteca se posso encontrar tudo o que tem para me oferecer de borla em pubs e afins? Os elementos são os mesmos, leia-se, álcool, música aos altos berros e tolos a "dançar", muda o quê, o tamanho do recinto? Se um dia tiver que acontecer, que remédio tenho eu, mas até lá, não me incomodo de continuar na ignorância.

'5. Ter ido a um casamento

Às vezes sinto que amaldiçoei a minha família. A sério, foi preciso nascer para nunca mais ninguém se casar. Tanto no seio familiar como no círculo de amigos, se bem que este último ainda vai a tempo de acontecer, o certo é que nunca soube o que é ter que ir para aquela que é considerada uma das cerimónias mais aborrecidas do mundo. Vendo bem as coisas, realmente dispenso o sermão religioso, e a prenda choruda, mas o que realmente me interessava era a componente gastronómica da questão. Isso e ter um pretexto para finalmente usar um fato - aqui está mais uma coisa que nunca fiz. Durante muito tempo brinquei dizendo que o primeiro casamento a que eu iria ainda seria o meu, mas quando penso no balúrdio que é, a ideia afasta-se cada vez mais.


Pessoas vividas desse lado, são bixos do mato como eu? Temos peculiaridades em comum?

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