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domingo, 7 de janeiro de 2018

TGW Awards: Top 10 TV Series of 2O17


Compilar uma lista com as melhores séries do ano é sempre uma tarefa ingrata, especialmente para quem acompanha tantas como eu. A televisão conseguiu algo inédito e superou largamente o grau de produtividade e qualidade em relação ao cinema. Não é por acaso que cada vez mais ícones do grande ecrã estão a fazer a transição para o "pequeno".

Contrariamente aos últimos dois, a corrida ao título de "Melhor Série do Ano" foi bastante renhida em 2017. Posso dizer-vos que ao longo do tempo tive três opções diferentes no primeiro lugar do pódio, sendo que as restantes posições também mudaram constantemente. Das 80 que acompanho, parecia-me injusto limitar-me a um top 10. Além das menções honrosas, resolvi aumentar a lista para 20, de modo a poder expor mais produções merecedoras. Se as vossas favoritas não forem referidas ao longo desta publicação, talvez se deva ao facto de não as ter visto.

Numa análise rápida e superficial, fiquei de boca aberta com o upgrade narrativo que as segundas temporadas de várias séries receberam. "The Exorcist", "Channel Zero" e "Better Things" são apenas algumas das produções que parecem ter recebido um elixir de pujança criativa. No departamento das comédias também tivemos grande concorrentes como a recente "Glow", "Unbreakable Kimmy Schmidt", "You're The Worst" e "Younger". Ainda assim, o que realmente mexeu com o meu coração foi o tacto que algumas tiveram em lidar com a morte de personagens principais, nomeadamente "Jane The Virgin" e "Nashville". Em vez de se apoiarem na bengala temporal de "X anos depois", e ignorarem por completo o que aconteceu não. O luto foi feito de maneira prolongada, real e extremamente comovente. Confesso que chorei bastante e isso só comprova o quão convincente foi o trabalho deles. Por falar em coisas tristes, despedimos-nos de demasiadas séries boas para o meu gosto, desde "Orphan Black" e "Girls" a "Broadchurch" e "Bates Motel", nem sei o que vos diga.

Abomino escrever sinopses e pior ainda quando tenho que o fazer para séries com mais do que uma temporada, portanto dêem-me um desconto. Como nunca sei ao certo o que revelar ou não, é preferível deixar o aviso da praxe, atenção aos spoilers.

MENÇÕES HONROSAS: BLACK MIRROR | MR. ROBOT | GIRLS | BATES MOTEL | HOW TO GET AWAY WITH MURDER | NASHVILLE | TABOO | 13 REASONS WHY | FARGO | GRACE & FRANKIE | THE CROWN | 

20. Stranger Things, Season 2
19. The Exorcist, Season 2
18. Oprhan Black, Season 5
17. The Good Fight, Season 1
16. Insecure, Season 2
15. Jane The Virgin, Season 4
14. You're The Worst, Season 4
13. Glow, Season 1
12. Channel Zero, Season 2
11. Transparent, Season 4

.10.. Younger”, Season 4
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Baseada no livro de Pamela Redmond Satran e criada por Darren Star (Sex and the City), Younger tem sido um verdadeiro caso de sucesso. Aclamada pela crítica e atraindo números gigantescos de espectadores norte-americanos quando está no ar, tornou-se num dos meus guilty pleasures. Sabem aquelas séries que nos deixam genuinamente felizes por saber que já saiu um novo episódio? É isso mesmo.

Nesta quarta temporada, continuamos a acompanhar Liza, uma mãe divorciada de 40 anos que se fez passar por uma jovem de 26 para conseguir trabalho na área dela. Com um foco maior nas personagens secundárias, em especial a Kelsey (Hilary Duff) e Diana (Miriam Shor), esta produção conseguiu diversificar o enredo e abordar diferentes relações e problemas profissionais. Não há dúvida que a história tem uma forte carga feminista, repleta de humor crítico e certeiro. Mas homens que estejam a ler isto, não se preocupem que em momento nenhum estão colocados de parte.  

..9.. Broadchurch”, Season 3
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Três anos depois dos acontecimentos das primeiras duas temporadas encontramos Hardy e Miller a investigarem um novo crime: a violação de Trish Winterman. Embora a série pudesse cair nos mesmos clichés que tantos outros dramas-crime já cometeram, Broadchurch inverteu as expectativas ao abordar a agressão sexual com tamanha sensibilidade e consciência que nunca antes tinha visto em televisão.

Desde o início é evidente que a história não é o que estávamos à espera; Trish é uma mulher de meia-idade, recém-separada e mãe de uma filha adolescente. Não é uma vítima jovem e sexualizada, caracterizada como uma coitada que queremos vingar. Do primeiro ao último capítulo, ela é um ser humano comum, com qualidades e defeitos, representando todas as mulheres que raramente contam as suas histórias por não se encaixarem no estereótipo que a sociedade lhes propõe.

Com a progressão da trama, dizem-nos constantemente que a violência sexual nunca é culpa do sobrevivente, que as mulheres quase nunca mentem sobre violação, que é algo relacionado com poder e não necessariamente sexo, que as vítimas não respondem todas da mesma maneira e que geralmente o agressor é alguém próximo. Nenhum destes pontos deveria ser novidade, mas o cuidado e forma com que estão a desmistificar ideias pré-concebidas raramente é abordada no pequeno ecrã, e é precisamente isso que a torna tão impactante. O retrato de cada fase da investigação e a jornada complicada de Trish, assim como de outras mulheres que acabam por partilhar testemunhos semelhantes, é extremamente importante. Quantas séries utilizam as suas narrativas para comunicarem mensagens de tamanha importância, ainda para mais nos tempos em que vivemos?

Nem vos consigo explicar como me senti com a notícia de que esta foi a última temporada de Broadchurch. Além de uma das minhas séries favoritas de sempre, conseguiu a proeza de ter cada uma das suas seasons no meu top 10 das melhores do ano.

..8.. Feud: Bette and Joan, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

É oficial, o Ryan Murphy tornou-se na versão masculina da Shonda Rhimes (Grey's Anatomy, Scandal, How To Get Away With Murder). Na sua última série antológica, Feud, foca-se nas famosas rivalidades da história moderna, começando pela de Bette Davis e Joan Crawford. Uma aposta ousada que tira proveito de uma dupla soberba de actrizes, Susan Sarandon e Jessica Lange. O meu amor pela segunda senhora não é segredo, e foi com a maior alegria que a vi de volta no meu ecrã. A química entre ela a Sarandon é tal que é impossível torcer por apenas uma delas. Mas a maior conquista desta obra é como consegue elevar a sua simples premissa de "história verídica" numa análise sobre o sexismo em Hollywood, o preconceito com a idade e como os homens com poder muitas vezes manipulam as mulheres, voltando-as umas contra as outras, para lutarem pela atenção deles. Além do guarda-roupa e cenários fantásticos, Feud: Bette and Joan ainda conta com um elenco secundário de luxo (Stanley Tucci, Alfred Molina, Jackie Hoffman, Catherine Zeta-Jones e Kathy Bates.

..7.. American Gods, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Inspirada no livro de Neil Gaiman, American Gods acompanha Shadow Moon (Ricky Whistle), na altura em que este é libertado da prisão e vê a sua vida a mudar para sempre após conhecer o misterioso Mr. Wednesday (Ian McShane). Rapidamente ele descobre que está no meio de uma guerra entre deuses antigos e novos. Confusos? É normal. Basicamente com o passar dos anos a fé em certas figuras mitológicas vai perdendo força e abrindo espaço para o nascimento de novos deuses  sendo estes alimentados pela obsessão nacional com os media, celebridades, tecnologia, etc. Os "antigos" revoltam-se e decidem derrubar os mais "recentes".

premissa parece ser um pouco tresloucada mas garanto-vos que é um festim visual. Aliás, só o genérico é algo do outro mundo, literalmente. Está perfeito! Tem uma certa vibe "Constantine" (mas em bom) e até de "True Blood". O facto de ter sido renovada para uma segunda season antes mesmo de estrear revela as elevadas expectativas dos criadores. Não os condeno, tem todos os ingredientes necessários para a longevidade televisiva. O elenco é excepcional, os cenários meticulosamente trabalhados e os efeitos especiais são fantásticos. Se forem apreciadores dos géneros sobrenatural e acção, preparem-se para entrar numa das viagens mais alucinantes das vossas vidas.

..6.. The Sinner, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Em The Sinner, Jessica Biel interpreta uma mãe de família que é subitamente tomada por um acesso de "raiva" numa praia, e comete um terrível acto de violência. O mais estranho é que a jovem não sabe porque motivo cometeu tal crime. Intrigado com o mistério, um detective acaba por ficar obcecado e inicia uma investigação para compreender não o que aconteceu, mas o porquê.

Confesso que não sou o maior fã da esposa do Justin Timberlake, que aqui também é produtora executiva, mas graças ao seu magnífico desempenho enquanto Cora, a minha opinião mudou drasticamente. Adoro um bom mistério e se juntarem elementos de crime à mistura melhor ainda. Literalmente somos constantemente guiados em direcções opostas enquanto, tal como a protagonista, tentamos perceber o que raio se passou. O desfecho é algo de... têm que ver. Não posso alongar-me sem revelar spoilers. A série de 8 episódios é baseada no livro de Petra Hammesfahr e foi adaptada pelo guionista Derek Simonds (The Astronaut Wives Club), que também assina como co-produtor. 

..5.. Legion, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Numa altura em que os cinemas e televisões estão saturados de super-heróis - os novos vampiros do mundo do entretenimento - o factor "novidade" perdeu-se. Com Legion, a FX poderia ter optado pelo caminho fácil e limitar-se a reproduzir a banda-desenhada, mas não. O criador Noah Hawley não só conseguiu a proeza de fazer algo diferente no universo Marvel, como criou uma história consistente e inovadora. Legion apresenta-nos David Heller, um paciente esquizofrénico num instituto psiquiátrico. Mas as vozes que ele ouve talvez não se devam à sua doença. Na realidade, David pode ser um telepata que toda a vida acreditou ser apenas um doente mental. Confuso? É normal, parte da magia desta série é precisamente o facto de nos deixar às escuras durante grande parte do tempo. Nada que uma dose de paciência e concentração durante os primeiros episódios não resolvam.

No desenrolar da acção ficamos a conhecer mais mutantes além de David e é refrescante o facto de cada um deles ter direito ao seu tempo de antena. Não são meros adereços secundários, muito pelo contrário, existem momentos importantes em que o protagonista nem sequer aparece. Por falar nele, a escolha do Dan Stevens foi de mestre. O actor que também deu corpo ao monstro de Beauty and the Beast, consegue transparecer a personalidade de alguém com esquizofrenia sem exagerar ou cair em clichés. Também a Audrey Plaza merece uma ovação de pé pela fantástica interpretação enquanto Lenny.

Uma série sobre sanidade mental, lealdade, fracassos, com um enredo extremamente inteligente e visualmente brilhante.  Do set-design à fotografia, passando pela música, as cores, o guarda-roupa, os efeitos especiais, tudo é genial e tem uma razão de ser. A atenção ao detalhe é incrível e só valoriza ainda mais esta produção que embora bizarra, pode muito bem ser a melhor do género.

..4.. Better Things, Season 2
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

A segunda temporada de Better Things foi a grande surpresa de 2017. Toda a narrativa é incrivelmente humana e natural. É impossível não nos revermos em alguns momentos, seja nas discussões com as suas crias, a relação delicada com a mãe ou a dificuldade em aceitar que alguém goste genuinamente dela. A dramedy melhora a cada episódio, colocando o espectador no lugar de pendura enquanto aborda questões importantes. Pamela Adlon revelou ser uma verdadeira força da natureza ao dirigir, além de protagonizar, a totalidade desta season. Como indicam os créditos finais, a série é dedicada às suas filhas, e esse amor transparece em cada cena. Um dos maiores trunfos desta produção é precisamente a inclusão de três meninas actrizes de diferentes faixas etárias e feitios bem fincados. A escrita é divinal e o equilíbrio entre a carga dramática e cómica é simplesmente genial. Não há nada de negativo a apontar, tudo resultou nesta segunda parte da trama. Tudo. A cena final foi a cereja no topo do bolo.

..3.. Big Little Lies, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Adaptada do livro de Liane Moriarty, Big Little Lies explora a vida de um grupo de mulheres e mães, aparentemente com a vida perfeita,  mas que escondem segredos, medos e angústias. O que ninguém esperava é que elas também tivessem que lidar com assuntos como bullying, abuso sexual, traição e violência doméstica. Inicialmente tudo indica que a história se vai centrar num crime, na vítima e no culpado e apesar de ser esse o foco central, na big picture acaba por ser algo secundário.

Esta é uma narrativa fortíssima no feminino, assim como as actrizes que as interpretam. O grande destaque vai para Nicole Kidman, num dos melhores papéis da sua carreira. A evolução da sua personagem e a forma como lida com a violência de que é algo, é notável. Seja nas sessões com a terapeuta ou com o marido violento, estamos perante um trabalho incrível por parte da actriz australiana. A Reese Witherspoon é outro dos grandes destaques. O modo como a sua Madeleine Mackenzie leva a vida faz-nos apaixonar pela sua personagem e até mesmo perdoar algumas atitudes questionáveis. A Shailene Woodley que muitos ainda vêm como uma teen actress, provou ser muito mais que isso.

A realização de Jean-Marc Vallée é estonteante, como de resto já nos tinha mostrado em filmes como Dallas Buyers Club e WILD. Também vale a pena referir a banda-sonora irrepreensível. De Fleetmac Wood e Neil Young a Elvis Presley, ficamos totalmente submersos nas suas letras e melodias que tanto enriquecem as cenas em que entram.

..2.. Dark, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Ao longo de dez episódios, é-nos contada detalhadamente a história de uma pacata população alemã, onde o desaparecimento de uma ou mais crianças desencadeia uma complexa rede de estranhos acontecimentos. Muitas questões por responder, segredos guardados há décadas são revelados e ninguém escapa impune. Antes de mais, DARK é um monstro visual incrível. O clima sombrio aliado a longos planos de uma densa floresta, a chuva, as personagens carregadas com o pesos dos seus segredos, ajudam a construir uma aura misteriosa genial. Ainda que o ritmo seja lento, a narrativa está tão bem construída que isso não afecta nada a sua visualização.

É complicado falar desta produção com o cunho Netflix sem deixar escapar algum spoiler. Existem momentos tão surreais que a dada altura aceitamos como natural o rumo que a trama está a levar. Tudo até ao mais íntimo detalhe está conectado e tem uma explicação. Quando o fio começa a ser desenrolado e ganhamos respostas, é como se tivéssemos descoberto o significado da vida. O elenco é estupendo, sendo que cada um dos actores encaixa na perfeição no papel que representam. A única coisa que me incomoda é que por ter sido lançada depois de Stranger Things, e insistirem que a temática é a mesma (não é) não tenha recebido o devido mérito.

Devorei a temporada inteira desta série alemã num dia e confesso-vos, o fascínio foi tal que estava em primeiro lugar desta lista. Foi com grande esforço que precisei analisar de forma crítica esta e a produção que se segue, para conseguir chegar a uma decisão. De qualquer forma, se o pódio puder ser partilhado, então DARK também leva medalha de ouro.

..1.. The Handmaid's Tale, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Baseada no romance do mesmo nome, de Margaret Atwood, The Handmaid's Tale é a história da vida na distópica "Gilead", uma sociedade totalitária onde costumavam ser os Estados Unidos. Enfrentando desastres ambientais e um declínio da taxa de natalidade, o governo opera sob um regime fundamentalista que trata o sexo feminino como propriedade do Estado. Enquanto uma das poucas mulheres férteis que restam, Offred é presa numa casa que força as mulheres à escravidão sexual, cujo objectivo é repovoar o planeta.

Com Elizabeth Moss, Joseph Fiennes, Alexis Bledel e Samira Wiley no elenco, a série cumpriu a promessa e mexeu com as minhas emoções a cada episódio. Tenho tolerância zero a este tipo de mentalidade em geral e em especial com as mulheres, portanto houve alturas em que precisei afastar-me do computador e arejar as ideias. É incrível e igualmente assustador com o ambiente em que a série decorre se adequa tão bem à conjuntura actual vivida nos EUA. Conseguiram captar a essência da questão de tal forma que é impossível não afectar o espectador.

Se existiam dúvidas de que o guarda-roupa influencia bastante o resultado final das produção, foram exterminadas com este projecto. O jogo de cores monocromáticas, como se de uma "casta" se tratasse, é simplesmente genial. Por falar em genialidade, a Elizabeth Moss é absolutamente soberba no papel de Offred. Criamos uma empatia tão grande com ela que por momentos custa a perceber que aquilo é apenas ficção. Quantas vezes não quis saltar para a tela e acabar com aquela fantochada. Façam um favor a vocês mesmos e vejam esta série se ainda não o fizeram. 


Acompanham algumas das séries? Quais foram as vossas favoritas de 2017?

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Séries ⤫ Welcome to the Family #4


A televisão voltou, oficialmente, aos seus dias de glória. A lista de actores norte-americanos que trocou os sets cinematográficos pelos televisivos aumenta a olhos vistos. Os motivos prendem-se, essencialmente, ao facto de existirem papéis mais ricos e variados, especialmente para mulheres a cima dos 40 anos, e narrativas inteligentes e criativas.

Longe estão os dias em que as pessoas preferiam ver um filme a uma série. Há distância de um comando ou de um clique no computador, a pessoa nem precisa levantar o rabo do sofá para desfrutar de um catálogo enorme e variado de séries. Não é por acaso que os tv shows com 1h de duração começam a tornar-se cada vez mais comuns.

Anunciados os finais de oito das séries que acompanho (por enquanto) - Penny Dreadful, Orphan Black, GIRLS, Bates Motel, The Strain, Pretty Little Liars, Teen Wolf e The Vampire Diaries -, felizmente o mercado não pára e tenho 10 substitutos. Se ainda não fizeram as contas... sim, vejo um total de 69 séries - isto sem contar com reality shows como "Project Runaway", "The X Factor (UK)" ou "The Biggest Loser (US)", se não já íamos a caminho dos 80.

Apesar de já ter terminado Stranger Things, no último capítulo desta rubrica (AQUI), surge agora com a respectiva crítica. Das restantes aquisições, só uma conta com mais do que uma season. Todas as classificações atribuídas a produções com apenas alguns episódios emitidos estão sujeitas a alterações até ao final oficial da temporada. Ou seja, Westworld, por exemplo, tem 8/10 mas poderá subir ou descer consoante o "apanhado geral".

Como entretanto já tenho outra para acrescentar à colecção, e que ficará para o próximo volume, o melhor é passarmos à apresentação, aleatória, dos novos membros da família.


#1. Stranger Things
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Numa noite aparentemente normal, depois de passar o dia a jogar com os amigos, Will Beyers desaparece a caminho de casa. Na manhã seguinte, os seus companheiros vão procurá-lo na floresta perto de casa deles e encontram Eleven, uma rapariga com habilidades no mínimo peculiares. Enquanto a família e polícia tentam encontrar respostas, todos os intervenientes acabam por mergulhar num extraordinário mistério que envolve experiências secretas do governo e forças sobrenaturais.

OPINIÃO: Não me queria precipitar mas o entusiasmo é mais forte. Stranger Things é a melhor série do ano. Situada no início dos anos 80, os mais nostálgicos vão entrar em coma visual. Como é hábito em produções originais da Netflix, tecnicamente, a série é perfeita. Além de uma boa ambientação e inúmeras referências à pop culture da década em questão (destaque evidente para E.T. e Alien), é impossível não ser transportado de volta ao passado, mesmo que nunca o tenham vivido, como é o meu caso. O espectador é levado numa aventura sci-fi com homenagens aos Stephens, King e Spielberg. Além da componente estética, a banda sonora também funciona bem, ainda que um pouco cliché, mas bem executada ao surgir discretamente em momentos apropriados. O núcleo de actores parece ter sido escolhido a dedo. Tanto os mais novos como os veteranos como a brilhante Winona Ryder, deram a uma narrativa já de si interessante, a densidade necessária às suas personagens tão complexas. Com apenas 8 episódios, não percam mais tempo e devorem a primeira temporada.


#2. Exorcist
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: À primeira vista, a família Rance é igual a tantas outras mas nem tudo é o que parece. A matriarca, Angela, começa a suspeitar que existe algo na casa. Com o passar do tempo, fica convencida que a uma das suas filhas está possuída por um demónio. Desesperada, implora por ajuda ao Padre da paróquia, Thomas.

OPINIÃO: 40 anos após o seu lançamento em 1973, The Exorcist, segue como um clássico do cinema norte-americano e um dos poucos filmes de terror premiados com pela academia (com 10 nomeações, incluindo "Melhor Filme" e "Melhor Director", venceu o Óscar nas categorias de "Argumento Adaptado" e "Som"). Investidos em capitalizar até à exaustão a história de sucesso de William Peter Blatty, a adaptação televisiva não traz propriamente nada de novo ao género, mas mantém-se fiel à atmosfera tensa e assustadora do original. Apesar da série recorrer a alguns jump scares aka sustos fáceis, é inegável o terror puro de algumas cenas. O território que Outcast tentou replicar mas fracassou, aqui foi uma aposta vencedora. As interpretações dos actores são um dos pontos positivos, especialmente da icónica Geena Davis e da jovem Hannah Kasulka.


#3. UnREAL
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: UnREAL retrata os bastidores do programa "Everlasting", onde um solteirão pretende encontrar a sua futura esposa. É aqui que conhecemos Rachel, uma das produtoras que, após sofrer um ataque psicótico volta ao trabalho. Subordinada de Quinn, a directora e braço direito de Chet, o criador do formato, o seu trabalho consiste em manipular os participantes para conseguir as melhores filmagens possíveis custe o que custar.

OPINIÃO: Nunca me vou perdoar por não ter acompanhado a primeira temporada de UnREAL quando começou. É tão, mas tão boa que garanto-vos que ocuparia um lugar no meu top 10 do ano passado. Falem mal dos reality shows mas a verdade é que muitas pessoas os vêem, nem que sejam aqueles que referi no início da publicação. É precisamente esse mundo venenoso e de ilusões que esta série retrata. Não só acabamos investidos nos produtores para que exponham as concorrentes ao máximo, como damos por nós a torcer para que algumas delas se mantenham na competição, exactamente como se estivéssemos a acompanhar uma temporada real de "Everlasting". Esta capacidade de transportar o espectador para dentro da acção, sem sequer se aperceber, é simplesmente genial. Dominado pelo elenco feminino, UnREAL tem várias personagens cativantes. A dinâmica amor-ódio entre a anti-heroína Rachel (Shiri Appleby) e terrivelmente fantástica Quinn (Constance Zimmer) é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da trama.


#4. Westworld
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Westworld conta a história de um parque temático futurista que simula o ambiente do Velho Oeste norte-americano. A diferença é que os habitantes são robôs com inteligência artificial. O desejo de humanizar cada vez mais as suas criações, leva a que uma actualização por parte do Dr. Robert Ford, origine um glitch no sistema de alguns modelos, tornando-os uma ameaça para os visitantes.

OPINIÃO: Baseada no filme homónimo de 1973, Westworld é descrita pela HBO como "uma odisseia obscura sobre a aurora da consciência artificial e evolução do pecado", explorando um mundo onde todos os desejos humanos, até os mais macabros, são tolerados. Apontada como a grande sucessora de Game of Thrones  basta verem o genérico e percebem logo as semelhanças , o episódio-piloto já entrou para a história como um dos mais caros de sempre, superando a terra dos dragões. Com o elenco mais rico da tv americana (Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood, Ed Harris, James Marsden, Thandie Newton, Jeffrey Wright, entre outros), esta espécie de Disneyland para adultos milionários deixa-nos com os ânimos à flor da pele. Com apenas três episódios no ar, o meu veredicto é bastante positivo. A narrativa é provocadora e bastante ambiciosa, não se resume a superficialidades. As interacções pessoais entre humanos e máquinas são tão profundas e complexas que só comprova a ideia de que o futurismo e classicismo podem coexistir de forma natural.


#5. Divorce
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Casada há 17 anos, Frances resolve colocar um ponto final na relação depois de ver uma das suas melhores amigas apontar uma arma ao marido que detesta. Decidida a ficar com o amante, Frances acaba por ser rejeitada, decidindo repensar a separação. O problema é que o marido descobre a traição e toma a decisão por ela.

OPINIÃO: Divorce segue as pisadas de produções como Transparent e Orange is the New Black, ao combinar comédia + drama enquanto acompanhamos os altos e baixos do processo de separação dos protagonistas. Dito isto, temo que o público a considere demasiado "real". Posso estar enganado, mas as pessoas procuram na televisão um escape às suas angústias, portanto é bom que comecem a introduzir momentos de puro riso. Como ainda não vi o segundo capítulo (emitido ontem nos EUA), a minha opinião baseia única e exclusivamente no episódio piloto, sendo por isso, bastante superficial. Confesso que não consigo olhar para a Sarah Jessica Parker sem pensar imediatamente na Carrie Bradshaw, e talvez por isso, ainda não a consigo levar a sério no papel de Frances mas acredito que isso vá mudar.


#6. Better Things
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Better Things retrata a rotina de uma actriz de Hollywood, Sam, enquanto lida com os obstáculos de criar três filhas como mãe solteira e manter-se relevante na profissão. 

OPINIÃO: Não é fácil transcrever ou representar a realidade de forma a que pareça, efectivamente, real. Contudo, quando é feito da maneira correcta, é um autêntico espectáculo merecedor da nossa atenção. Better Things é isso mesmo, uma comédia semi-autobiográfica produzida e assinada por Pamela Adlon e Louis C.K. Adlon afimou em entrevistas que a série é sobre a sua experiência pessoal na criação das suas filhas. Segundo a protagonista, a intenção é revelar o lado mais honesto do meio artístico. Sinceramente não me recordo o que me fez começar a ver este tv show mas ainda bem que o fiz! Os conflitos geracionais recordam-me tantas situações vividas por mim ou amigos que é impossível não nos rirmos da nossa própria estupidez. Os episódios de 20 minutos passam a correr e a abertura é simultaneamente viciante e comovente.


#7. Luke Cage
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Luke Cage foi preso por um crime que não cometeu. Na prisão, é sujeito a uma experiência sabotada que lhe dá super-força e resistência. Após escapar, os seus planos de viver uma vida comum são interrompidos devido à criminalidade e corrupção nas ruas de Harlem.

OPINIÃO: Se há coisa em que a Marvel acertou foi em colaborar com a Netflix. Daredevil e Jessica Jones conseguiram o selo de aprovação da crítica e do público, solidificando-se como duas das melhores séries de super-heróis da actualidade. Agora chegou a vez de Luke Cage. Apesar de não superar as outras duas, é igualmente aterradora. Contrariamente ao Mathew Murdock que foi movido pelo desejo de varrer o mal das ruas e à Jessica que se envolve numa missão pessoal, a única ambição de Luke é ser um homem normal. Não gosta daquilo em que foi transformado e do que já sofreu por isso. O bairro de Harlem é por si só uma espécie de personagem principal. Diferente do que estamos habituados, o clima das ruas parece pertencer a um universo alheio ao cliché do filtro escuro das outras produções do género. Faltando alguns episódios para terminar a temporada, posso dizer que Luke Cage é uma ode à cultura negra. Esta afirmação não se prende ao facto de praticamente a totalidade do elenco ser afro-americano, mas sim pelo uso de inúmeras referências, expressões dialéticas e até mesmo banda sonora (magnífica), que nos envolve. A história central envolve tráfico, corrupção e guerra de gangues com uma vertente policial bastante activa, cujo objectivo não é chocar mas criticar e reflectir.

#8. This Is Us
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: This Is Us segue um grupo de pessoas cujos caminhos se cruzam, fazendo com que as suas histórias se entrelacem de maneiras deveras curiosas. Vários deles partilham a mesma data de nascimento e muito mais do que possamos imaginar...

OPINIÃO: Peço desculpa pela sinopse deplorável mas é impossível descrever o enredo sem desvendar uma grande peça desta puzzle - se já viram sabem do que estou a falar. This Is Us foi provavelmente a produção televisiva mais badalada dos últimos meses. Tanto é que o trailer oficial superou 70 milhões de visualizações só numa semana. Aqui entre nós, não compreendo tanto alarido. Existe uma clara construção da história com o objectivo de comover o público através de situações tanto sérias como triviais. Nesse campo, superaram largamente o plano. Embora não seja uma obra-prima, é daquelas séries que nos faz soltar um "aww" de tão melosa que é. Um dos factores positivos é optarem por uma narrativa simples, sensível e sem exageros à la Grey's Anatomy (que adoro, diga-se de passagem). Aproveitando a polémica do racismo/sexismo em Hollywood, os produtores caíram nas graças do mundo por criarem um elenco bastante diversificado. Tirando dois ou três casos pontuais, não é comum ver uma actriz plus size protagonizar uma série. Aplaudo de pé o facto da "Kate" não ser uma personagem bastante complexa e nada unidimensional.


#9. Casual
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Uma família disfuncional volta a viver debaixo do mesmo tecto. Alex, solteiro, e a sua irmã recém-divorciada, Valerie, mergulham no mundo dos relacionamentos ao mesmo tempo que tentam criar Laura, a filha adolescente e de Valerie.

OPINIÃO: Casual é daquelas séries que precisa ser consumida de seguida. Assisti às duas temporadas, separadamente, de uma assentada e sem dúvida que a história vai melhorando ao longo dos episódios. O início não é fácil, não nos prende necessariamente à acção ou personagens, mas com o avançar da trama, vamos ficando vidrados naquele trio familiar extremamente complexo. Classificada como dramedy, é mais sarcástica que cómica, mas tem observações absolutamente certeiras sobre as expectativas geradas sobre o amor e as suas idealizações. A grande estrela do show é a Michaela Watkins que desempenha uma Valerie inteligente mas extremamente humana, onde acessos de loucura não faltam.


#10. The Good Place
NOTA: 6/10 | TRAILER: AQUI

SINOPSE: Ao chegar ao céu, Eleanor apercebe-se de algo terrível, está no local errado. Graças a um erro no sistema que a trocou com outra pessoa do mesmo nome, a jovem vai ter que fazer tudo por tudo para não ser descoberta e ir parar ao inferno. Para isso, vai contar com o apoio de Michael, a suposta alma-gémea, que a vai ajudar a tornar-se numa pessoa melhor.

OPINIÃO: Pela premissa perceberam que a história é tudo menos séria, mas ao menos prima pela criatividade. Ainda que o tema e algumas das personagens sejam um pouco... ridículas, a decisão de colocar a Kristen Bell como protagonista foi certeira. É impossível não gostarmos da sua Eleanor, mesmo sabendo que ela era uma terrível pessoa. The Good Place é um daqueles casos raros de humor inteligente com momentos mais emotivos que nos fazem derreter o coração. As actuações são dignas mas ainda não consegui levar a narrativa a sério. A boa notícia é que ainda tenho o resto da season para mudar de opinião.


Acompanham alguma das 10 séries? Ficaram curiosos com alguma?

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