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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Ginásio ⤫ Culto do Corpo ou da Vaidade?


Não foi só a minha alimentação que mudou. Após anos a desejar fazê-lo, finalmente ganhei coragem e inscrevi-me num ginásio. Passaram-se quase três semanas e não podia estar mais satisfeito com a decisão. Dito isto, já tenho muita coisa a comentar.

Logo na primeira ida percebi que estava a entrar numa espécie de zoológico desportista. Há pessoas de todos os tipos e feitios a pavonearem-se pelo auditório que está dividido por diferentes habitats. Temos os búfalos que parecem seguranças de discotecas; as hienas que andam sempre em duplas e só vão lá para tirar fotos para partilhar nas redes sociais que são super activas; as preguiças que se arrastam para lá mas depois ficam a engonhar enquanto estão às mensagens; as avestruzes sénior que não perdem a oportunidade de se fazerem aos jovens instrutores e claro, os porquinhos da índia recém-chegados que, como eu, não percebem nada daquilo e só querem passar despercebidos.

No meio desta selvajaria, existe um elo de ligação entre todas as espécies: os espelhos. Numa espécie de ritual religioso, parece ser impossível levantar um peso sem apreciarem o seu reflexo no processo. Sim, compreendo perfeitamente o quão útil pode ser vermos se estamos a executar correctamente os exercícios, mas aquilo que eu vejo é algo de... surreal. 

Enquanto corria pela minha vida na passadeira comecei a pensar mais a fundo sobre esta questão. Muito se fala do "culto do corpo" mas até que ponto não passa isto de pura vaidade? A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres como os homens. Só que o exagero pode desenvolver um distúrbio psicológico conhecido como a vigorexia - insatisfação constante com o corpo, levando à prática exaustiva de exercício físico.

Como referi, isto não é mais que uma reflexão sobre algo que tenho observado diariamente. Não significa que seja o caso ou regra geral. Apenas considerei peculiar a aparente obsessão que certos indivíduos têm com o seu próprio reflexo. Quando já estão em modo armário e são incapazes de executar um único passo sem olharem para eles mesmos, roça o narcisismo. No balneário ainda compreendo porque estão a contemplar os frutos do seu trabalho, faz sentido e provavelmente se algum dia chegar à forma que pretendo, farei o mesmo. Mas tudo depende do contexto e maneira de como se faz.


 Frequentam um ginásio? Já se tinham apercebido deste fenómeno? É vaidade?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O dia em que quase fui assaltado


Por muito que nos custe admitir, está na natureza do ser humano julgar os outros. Não, não consigo acreditar em alguém que me diga que nunca o fez pelo menos uma vez na vida. Até pode não ser com maldade, mas quem é que nunca deu por si a fazer um scan mental a determinado indivíduo? Admito que sofro bastante deste problema. Em contrapartida, raramente me engano.

Consciente de que isto de fazer juízos de valor antecipadamente não é lá muito bonito, há alturas em que tento fazer um exercício interno para contrariar esta componente inata do meu cérebro. Tudo estava a correr bem até à semana passada, altura em que fui recordado que, às vezes, aquilo que parece é e não nos devemos crucificar por isso.

Na manhã de 17 estava a fazer o meu caminho habitual do metro até ao trabalho quando sou abordado por uma senhora que me pergunta se lhe podia tirar uma fotografia e ao marido que, segundo ela, estava "ali" no parque. Apesar de já o ter feito no passado a estrangeiros, por norma sou o tipo que utiliza a máxima "desculpe, estou com pressa". Numa fracção de segundos contrariei os meus instintos e pensei, "vá lá, Ricardo, não sejas um asshole".

Ao caminhar com a mulher os meus alertas psíquicos começaram todos a disparar. Não querendo ferir susceptibilidades de cépticos mas percebi logo o que estava acontecer quando me vem a frase à mente "estás a levar-me para a morte e eu a ver". Sim, dramático até mais não, mas podia ter acontecido!

Ao ver que o dito "parque" estava vazio, paro abruptamente e pergunto-lhe "então onde é que está o marido?" ao qual ela responde "ah... eh... ele já vem aí". Se antes era uma suspeita agora tinha a certeza, tinha que sair dali rapidamente. O meu "Bem, estou atrasado para o trabalho, tenho que me ir embora" foi recebido com um agarrar de braço por parte da mulher que ao ver o meu "puxão" de resposta diz "não tenha medo que não lhe faço mal". Cinco segundos depois parece que lhe deu qualquer coisa e era outra pessoa. A voz e olhar mudam para algo quase assustador e diz-me de dentes cerrados, "é só para saber que o meu marido está ali atrás do arbusto com uma pistola (...)". Nem a deixei acabar. Alto e bom som interrompia com "Pois, logo vi. Já sabia." Isto tudo enquanto viro costas (sempre com o canto do olho a ver se alguém vinha atrás de mim), e ela continuava, agora a gritar, "é melhor não sair daqui!!!" e eu, sem olhar para trás, aceno-lhe um adeus acompanhado de um "'tá beeeem!". Cheguei ao trabalho e a adrenalina foi substituída por tremores nas pernas, tal foi o susto, mas felizmente estava são e salvo.

Tenho noção que o relato, especialmente a minha "despedida" pareçam hilariantes, mas garanto-vos que rir era tudo aquilo que não me apetecia fazer naquele momento. Agora que penso nisso, nem me reconheci com aquele à vontade todo e firmeza com que lidei com a situação, mas fico feliz por saber que that guy's in here, somewhere.

Os red flags estavam todos lá desde o início e eu preferi ignorá-los para "não julgar ninguém". Quando alguém nos pede para os fotografar, é ali, naquele instante. Não precisamos ir ter com este ou aquele em outro sítio. A forma como ela olhava para todo o lado como se estivesse com medo, não era cuidado com os carros que passavam na estrada, mas sim paranóia. A forma como ela estava vestida não era de alguém que tinha "vindo da Alemanha de férias e que tinha casado". Estava tão distraído a ouvir música e surpreso pela interacção que tudo isso me escapou.

Nunca vou saber se o intuito era assaltarem-me, raptarem-me ou algo pior, mas prefiro morrer na ignorância. O certo é que se existiam algumas dúvidas sobre o meu sexto sentido apurado, foram aniquiladas com a certeza de que o devo seguir sem hesitar.

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