Não foi só a minha alimentação que mudou. Após anos a desejar fazê-lo, finalmente ganhei coragem e inscrevi-me num ginásio. Passaram-se quase três semanas e não podia estar mais satisfeito com a decisão. Dito isto, já tenho muita coisa a comentar.
Logo na primeira ida percebi que estava a entrar numa espécie de zoológico desportista. Há pessoas de todos os tipos e feitios a pavonearem-se pelo auditório que está dividido por diferentes habitats. Temos os búfalos que parecem seguranças de discotecas; as hienas que andam sempre em duplas e só vão lá para tirar fotos para partilhar nas redes sociais que são super activas; as preguiças que se arrastam para lá mas depois ficam a engonhar enquanto estão às mensagens; as avestruzes sénior que não perdem a oportunidade de se fazerem aos jovens instrutores e claro, os porquinhos da índia recém-chegados que, como eu, não percebem nada daquilo e só querem passar despercebidos.
No meio desta selvajaria, existe um elo de ligação entre todas as espécies: os espelhos. Numa espécie de ritual religioso, parece ser impossível levantar um peso sem apreciarem o seu reflexo no processo. Sim, compreendo perfeitamente o quão útil pode ser vermos se estamos a executar correctamente os exercícios, mas aquilo que eu vejo é algo de... surreal.
Enquanto corria pela minha vida na passadeira comecei a pensar mais a fundo sobre esta questão. Muito se fala do "culto do corpo" mas até que ponto não passa isto de pura vaidade? A busca pelo corpo perfeito atinge tanto as mulheres como os homens. Só que o exagero pode desenvolver um distúrbio psicológico conhecido como a vigorexia - insatisfação constante com o corpo, levando à prática exaustiva de exercício físico.
Como referi, isto não é mais que uma reflexão sobre algo que tenho observado diariamente. Não significa que seja o caso ou regra geral. Apenas considerei peculiar a aparente obsessão que certos indivíduos têm com o seu próprio reflexo. Quando já estão em modo armário e são incapazes de executar um único passo sem olharem para eles mesmos, roça o narcisismo. No balneário ainda compreendo porque estão a contemplar os frutos do seu trabalho, faz sentido e provavelmente se algum dia chegar à forma que pretendo, farei o mesmo. Mas tudo depende do contexto e maneira de como se faz.
Frequentam um ginásio? Já se tinham apercebido deste fenómeno? É vaidade?



















