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quarta-feira, 22 de março de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #28


1. Zara Larsson  So Good
MUST LISTEN: ONE MISSISSIPISYMPHONY | LUSH LIFE | NEVER FORGET YOU

Dois anos e cinco singles depois, o primeiro álbum internacional da Zara Larsson foi finalmente lançado. Infelizmente, não faz jus ao nome. So Good é o exemplo perfeito de uma artista cheia de potencial com uma crise de identidade. A cantora sueca é perita em absorver o som de outros colegas, mas ainda não conseguiu encontrar o seu. Perdida entre batidas de discoteca, baladas/midtempos desnecessárias e faixas à la Rihanna ("Sundown"), estamos perante uma grande confusão.

Nem tudo é negativo. Além de uma voz absolutamente fenomenal, especialmente destacada na minha canção favorita, "One Mississipi", a jovem de 19 anos está no seu melhor na eterna summer jam, "Lush Life", uma das melhores faixas pop dos últimos anos. O mesmo se aplica à "Never Forget You", em parceria com o MNEK, e a mais recente colaboração com os Clean Bandit, "Symphony decisão sábia incluir esta, é de longe uma das melhores do álbum. 

Estou bastante decepcionado com o resultado final. Gosto bastante da Zara mas além de pouco coesa, a qualidade das letras é desastrosa. Se é ela a escrever ou alguém por ela, precisam praticar o quanto antes. Permitirem que a frase de abertura da "Only You" seja I don't wanna shower even if I stink, é simplesmente ridículo e só contribui para o desastre que é essa faixa. Espero que depois de ouvir o cd umas 20x o sentimento seja mais positivo.

2. Jessica Sutta  I Say Yes
MUST LISTEN: DISTORTION | FOREVER | REIGN | CAN'T TAKE NO MORE

Provavelmente não conhecem o nome Jessica Sutta, mas se vos disser que ela era uma das Pussycat Dolls, talvez se faça uma luz. Após uma eternidade de singles, incluindo o hit "Show Me" que lhe valeu um #1 no top de Dance Club Songs da Billboard, feito repetido com a genial "Distortion", chega-nos o álbum de estreia I Say Yes. Sob o nome artístico de JSutta, a cantora norte-americana tornou-se numa espécie de rainha da música POP electrónica underground, graças a uma colecção de faixas prontas para as pistas de dança.

Tendo em conta que a Jessica é uma artista independente, há que aplaudir a dedicação e força de vontade em partilhar o seu trabalho. Os vídeos podem não ter o orçamento que outras estrelas do meio possuem, mas o mais importante está lá, música boa. Se é o meu género favorito? Não, mas quando um produto é bom, só me resta admiti-lo. A meio deste projecto de 15 faixas, as coisas descambam um bocado, em parte por causa das colaborações questionáveis, mas de uma maneira geral, estou bastante impressionado. Não só provou que, de facto, canta, como nos brindou com autênticas jams como a "Distortion", "Forever" e "Reign".

3. Khalid  American Teen
MUST LISTEN: AMERICAN TEEN | LOCATION | YOUNG DUMB & BROKE | 8TEEN | LET'S GO

Uma das melhores coisas da indústria musical é o facto de estar constantemente a sair fornadas de novos artistas. Ainda melhor que isso é quando eles são geniais como o Khalid. Com apenas 19 anos de idade, lançou um brilhante álbum de estreia. American Teen é uma ode à juventude, liberdade e lida com temas como a tecnologia, amor e auto-descoberta. Ou seja, se há alguém que compreende e sabe vocalizar o que é ser jovem, é o jovem norte-americano.

O disco é coeso, a narrativa flui bem e os vocais do Khalid são divinais. Ele consegue ter uma voz gentil e simultaneamente poderosa, mantendo uma qualidade melódica a cima da média. Acredito piamente que se o guiarem bem, estamos perante uma estrela in the making. Apesar de sete das 15 canções do álbum terem sido anteriormente lançadas como singles, não perde em momento nenhum o brilho. Num misto de Frank Ocean e Gallant, garanto-vos que não se vão arrepender de ouvir este trabalho.

4. Ed Sheeran  ÷
MUST LISTEN: SHAPE OF YOU | CASTLE ON THE HILL | GALWAY GIRL | HAPPIER

Oh Ed, what have you done? No mês passado assumi publicamente que não apreciava o Ed Sheeran e que este Divide seria o primeiro álbum dele que iria ouvir por estar viciado na "Shape of You". Assim o fiz e... meh. Do pouco que conheço do Multiply, este disco não parece mais que uma tentativa gritante de superar o sucesso do anterior, em especial da canção "Thinking Out Loud".

O meu maior problema com este projecto é a (des)organização das faixas. Incomoda-me imenso que não exista qualquer tipo de cuidado em seguir um raciocínio lógico e melódico. Em vez disso levamos com um vai-vem de "balada vs. animação". Que o Ed Sheeran seja um óptimo escritor musical nós já sabemos, mas desta vez ele abusou nos clichés românticos banhados a azeite. Pior que isso foi a faixa "New Man", onde faz pouco do rapaz com quem a ex-namorada está, por "branquear" o rabo, acompanhar as Kardashians e usar uma mala de homem. Vindo de alguém que já referiu imensas vezes que não era o rapaz mais popular e provavelmente também deve ter sido gozado, conseguiu revelar-se um verdadeiro asshole

Feitas as contas, as duas melhores fatias desta colectânea mantêm-se os singles "Shape of You" (aka. a irmã mais nova da "Cheap Thrills" da Sia) e "Castle on the Hill". Muitos detestam a "Galway Girl", mas adoro a influência irlandesa na produção. 

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

THE XX “I See You” | Album Review


Após cinco longos anos, The XX estão de volta com o disco I See You. Com duas obras-primas no currículo, leia-se XX (2009) e Coexist (2012), o meu trio favorito resolveu sair da sua zona de conforto minimalista e apostar numa sonoridade um tanto diferente mas... extremamente familiar. 

Bastam meros segundos para que a faixa de abertura, "Dangerous", nos atinja com o som de uma corneta banhada numa batida frenética, e transporte o grupo britânico para um território até então desconhecido, a pista de dança. Dito isto, se forem fãs dos projectos a solo do produtor-baterista Jamie Smith, aka Jamie XX, especialmente do sensacional In Colour  que ocupou o #4 lugar na minha lista dos Melhores Álbuns de 2015  não vão sentir uma grande estranheza com as canções mais mexidas.

Capa de I See You.
Sim, I See You parece um álbum do Jamie que por acaso contém vocais dos colegas de banda  as melodias da "On Hold" e "Test Me" encaixavam na perfeição no leque do último projecto a solo do Mr. Smith , mas isso não é um factor negativo. De todo. Embora as músicas mais vibrantes  entre elas as fantásticas "A Violent Noite" e "I Dare You", ou a quase tropical "Lips possam fugir um pouco àquilo a que estamos habituados, a verdade é que raramente as produções do Jamie são demasiado "chocantes".

Se nos dois primeiros discos a ideia era retirar o que há de melhor no indie pop, R&B e dance music sob um filtro quase acústico, criado especialmente a pensar nas actuações ao vivo, neste as samples do Jamie ganham vida própria. A essência de "menos é mais" não se perdeu, apenas recebeu uma injecção de adrenalina. O resultado é um som mais rico e variado.

Não é só do produtor que se faz os XX. Também Romy Croft e Oliver Sim merecem uma vénia. Aliás, é notório um crescimento enquanto vocalistas. Nenhum tem um grande alcance vocal, mas são extremamente inteligentes e capazes de moldar e transmitir sentimentos através de silêncios calculados e mudanças frásicas. Enquanto narradores da acção, a sua entrega nunca deixa de me surpreender.

Dois pontos altos desta colectânea são as faixas "Performer" e "Brave". Na primeira, Croft canta sobre manter as aparências, dar a ilusão que tudo está bem, quando na verdade ela está a morrer pode dentro. É brutal  não no sentido chunga  e uma das faixas mais comoventes. A segunda é um tributo aos seus falecidos pais, mas poderia servir para qualquer pessoa que acredite mais em nós e no nosso potencial, do que nós próprios. Uma mensagem emocionante que retrata o eterno duelo do interior vs. exterior. 

Fui apanhado de surpresa com a ligeira mudança sonora mas fiquei bastante satisfeito com o trabalho apresentado. I See You é um álbum para ouvir do início ao fim com ouvidos bem abertos. Isolem-se do mundo exterior e absorvam cada batida, cada palavra, cada pausa. Impossível ficar desiludido com tamanha genialidade musical. The XX mostraram, mais uma vez, o porquê de ocuparem um lugar cativo na lista dos meus grupos de eleição.


Já ouviram o novo álbum dos XX? Gostam? Quais são as vossas canções favoritas?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #26



1. The Weeknd  Starboy

O novo queridinho do Pop/R&B mainstream, The Weeknd, lançou oficialmente o terceiro disco de estúdio da sua carreira, Starboy. Ainda a colher frutos de hits como "Can't Feel My Face", o artista canadense não só estreou-se em nº1 no top de discos da Billboard, como conseguiu o feito histórico de ter o recheio das 18 canções a marcarem presença no top 100. Não sou fã da voz dele, confesso, mas tenho que lhe tirar o chapéu com esta conquista.

A sequência de abertura, "Starboy", "Party Monter" e "False Alarm" é forte e musicalmente cativante. Infelizmente, o que se segue é uma sucessão de melodias recicladas, sem sal ou identidade, que nos deixam confusos sobre qual a verdadeira intenção do cantor. Não me interpretem mal, o álbum não é mau. A colaboração com os Daft Punk na faixa título e na igualmente brilhante, "I Feel It Coming" –uma espécie de irmã mais lenta da "Get Lucky" – é uma mais-valia. O problema é que quando colocamos todas as músicas numa balança, o resultado podia ser muito melhor.


2. Childish Gambino  Awaken, My Love!

O Donald Glover é o homem dos sete ofícios: actor, guinista, humorista, músico e rapper, se bem que a opinião sobre as habilidades desta última profissão é polarizadora. O alter-ego musical, mais conhecido por Childish Gambino, acaba de lançar o segundo álbum, Awaken, My Love! e o resultado é... surpreendente. Assim que a primeira faixa começa a tocar e ouvimos a sua voz soar na brilhante "Me and Your Mama", torna-se claro que estamos perante um disco muito diferente. Bem-vindos ao retro-funk-futurista. 

A produção do álbum está soberba, conseguindo a proeza de personificar a, igualmente perfeita, fotografia de capa. É tão bizarra que não consigo desviar o olhar. A complexidade e elegância das 11 faixas é de tal modo poderosa que poderia muito bem pertencer à banda sonora de uma longa-metragem de qualidade. O sucesso deste trabalho não é por acaso. A estrela da série Atlanta demonstrou o seu conhecimento da histórico-musical ao inspirar-se em nomes como Prince, Sly & The Family Stone, e claro, os Parliament-Funkadelic. Esta é a prova viva de como não se devem realizar listas dos melhores do ano antes do tempo. Um forte candidato ao top 10.


3. John Legend  Darkness and Light

Foram precisos seis álbuns para o John Legend sair, finalmente, da sua zona de conforto e arriscar algo mais ambicioso. Em Darkness and Light, o cantor norte-americano, fundiu os lados artístico e político e o veredicto é francamente positivo. Prova disso é a letra de "Penthouse Floor", a melhor canção deste trabalho, onde Legend questiona: "All this trouble in this here town/All this shit going down/When will they focus on this?/Streets fired up with the TV crews/Look, Ma, we on the news!/But they didn’t notice before this."

Dono de uma das melhores vozes soul da actualidade, John pode não ter lançado o álbum do ano, mas reuniu uma forte e coesa colecção de músicas com substância. Baladas ou animadas, a mensagem é sempre importante e nunca genérica. Em suma, Darkness and Light é uma carta de amor sobre encontrar felicidade em alturas mais negras.


4. Justice  Woman

Após um hiatus de cinco anos, os Justice estão de volta com o terceiro álbum de estúdio, Woman. É impressão minha ou alguém tentou beber da mesma fonte dos Daft Punk e engasgou-se? Vá, estou a ser mauzinho. Ainda que menos inovadoras – uma vez que seguem a mesma fórmula do hit-single "D.A.N.C.E." que os catapultou para o sucesso em 2007 –, as faixas "Safe and Sound" e "Stop" são claramente a melhor parte desta produção um tanto ao quanto caótica. As melodias não oferecem nada de novo, os solos de guitarra não surtem efeito e até os vocais parecem apagados. Call me old fashioned mas demasiado barulho sem sentido incomoda-me o ouvido. Ena, até rimei.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #25


1. Little Mix  Glory Days
MUST LISTEN: TOUCH | DOWN & DIRTY | POWER | NO MORE SAD SONGS | NOTHING ELSE MATTERS | NOBODY LIKE YOU 

Recordando a trajectória das Little Mix desde a sua criação e vitória no X Factor UK até agora, é que vemos como o tempo passa depressa. Em apenas cinco anos, o grupo conseguiu conquistar um sucesso surpreendente e que se mantém com o lançamento do quarto disco de estúdio, Glory Days. O título não podia ser mais adequado para descrever este trabalho. Funcionando como uma espécie de terapia, o tema central é a perda de um amor e toda a dor que isso acarreta, passando depois para o processo de cura interior. Uma verdadeira colectânea de hinos inspiradores.

Embora seja um grande apreciador da sua 90's vibe característica e exaustivamente trabalhada em projectos anteriores, é absolutamente refrescante vê-las a meterem o pé em ritmos diferentes. Ainda assim, a mudança não é drástica. O Little Mix Sound continua vivo em faixas como "Private Show" ou "Freak" mas, de uma forma geral, está mais sofisticado. Repleto de batidas infecciosas como "Touch", "Down & Dirty" e "No More Sad Songs", que nos fazem, inevitavelmente, mexer a pandeireta (aka o nosso backside) e letras brutalmente sinceras  veja-se pelo primeiro single, "Shout Out to My Ex"  estou verdadeiramente surpreso com a qualidade deste Glory Days.

2. Emeli Sandé  Long Live the Angels
MUST LISTEN: HURTS | BABE | RIGHT NOW | SHAKES | SWEET ARCHITECT | BREATHING UNDERWATER

Em 2012 era impossível não ouvir uma balada da Emeli Sandé a ecoar numa série ou produção britânica. Quatro anos desde o álbum de estreia, Our Version Of Events, a cantora está de volta com o sucessor, Long Live the Angels. Confesso que, excepto os singles mais conhecidos, disco anterior passou-me um pouco ao lado. Assim que me cruzei com o primeiro e brilhante single "Hurts", há coisa de um mês, fiquei de tal modo viciado que me converti oficialmente aos encantos da Miss Sandé.

Descrita no passado como música para avós, é um crime diminuir desta forma a genialidade lírica e musical da Emeli. Sim, as baladas são mais que muitas, mas nota-se que existe um fogo renovado. Com vocais poderosos e utilização inteligente de instrumentos como o piano, a cantora provou novamente que consegue ir mais além do rótulo que lhe foi imposto por algumas pessoas. A mensagem na faixa "Lonely", onde aborda o fim do casamento com o seu teen sweetheart, é absolutamente comovente. Sem dúvida uma das melhores apostas R&B/Soul deste ano.

3. Bruno Mars  24K Magic
MUST LISTEN: VERSACE ON THE FLOOR | CALLING ALL MY LOVELIES | TOO GOOD TO SAY GOODBYE

Honesty time: não sou o maior apreciador do Bruno Mars. Aliás, considero-o extremamente sobrevalorizado. Admito que canta bem mas sinceramente só gosto mesmo da "Locked Out of Heaven", tudo o resto transpira a cheesiness e desespero. Por falar em desespero, parece que ficou com o gosto do sucesso da irritante "Uptown Funk" e resolveu construir um álbum à volta disso. Heis que nos chega, 24K Magic. Apesar de o achar um douchebag, por muito que me custe admitir... o álbum está bastante bom.

24K Magic evoca uma nostalgia gritante da sonoridade das décadas de 80/90, o que como já devem saber, é o meu calcanhar de Aquiles. Damn you Bruno! Digamos que se o objectivo era ressuscitar o soul/funk/R&B dessa época, a missão foi mais que cumprida. Quer esteja apoiado de coros fortes ou batidas familiares, a voz do jovem norte-americano mantém-se como foco principal. Contrariamente a outros artistas que acabam engolidos pela produção geral, o Mars tem a voz e está disposto a testar os seus limites da mesma, como de resto demonstra em canções como "That's What I Like" e a soberba "Too Good To Say Goodbye". Não acredito que vou dizer isto mas, estou viciado na "Versace on the Floor".

4. DNCE  DNCE
MUST LISTEN: CAKE BY THE OCEAN | ALMOST | BODY MOVES | DNCE

Decididos a provar que são muito mais que um one-hit wonder ou produto da vaidade do vocalista Joe Jonas, o grupo DNCE lançou o tão esperado e auto-intitulado disco de estreia. O LP está carregado de canções liricamente sensuais e idioticamente sassy que não couberam na primeira fatia de bolo. Composto por três das quatro músicas presentes no enérgico EP, Swaay, e outras 11 inéditas, o resultado é estranhamente satisfatório.

Embora consiga ser um pouco flat em partes, a galinha dos ovos de ouro dos DNCE é a capacidade de não se levarem demasiado a sério  uma qualidade rara na maioria dos artistas da actualidade. Chegamos ao final do álbum com a clara noção que o pop-funk e R&B banhados em sons pegajosos, metaforicamente falando, é o género musical que dominam e lhes assenta que nem uma luva.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #24


1. Tove Lo  Lady Wood
MUST LISTEN: TRUE DISASTERINFLUENCELADY WOOD | COOL GIRL | VIBES

Se há dois anos atrás não fui afectado pela febre Tove Lo, agora chegou em força. Seguindo o sucesso do álbum de estreia, Queen of Clouds, chega-nos o Lady Wood. Segundo a cantora, o projecto é inspirado na "perseguição, corrida, o pico e a queda da montanha-russa emocional". Consiste em dois capítulos: "Fairy Dust", que detalha a euforia que envolve um encontro importante, e "Fire Fade" que destaca a sensação que se segue, de auto-consciência. Tendo em conta que nunca fumei nada ilícito e a dada altura é essa a sensação com que o ouvinte fica, diria que o objectivo foi cumprido.

Em termos de conteúdo lírico, não existe um crescimento mas sim uma continuação do que foi explorado anteriormente: a liberdade encontrada no mau comportamento; a impulsividade; a obsessão das suas parceiras tentarem reprimir os seus desejos e a inveja dos homens que têm a vida facilitada. O factor "choque" mantém-se como a grande aposta, se bem que seja quase impossível de surtir efeito graças à faixa-título, a obviamente explícita "Under the Influence" ou o vídeo que do primeiro capítulo  aqui entre nós, muito semelhante ao criado pela Florence + the Machine no "How Big, How Beautiful, How Blue". Estão encontrados os ingredientes para o maior melodrama de sempre, mas em vez disso o resultado é uma colecção de canções electrizantes, extremamente sassy e seguras de si.

2. Banks  The Altar
MUST LISTEN: FUCK WITH MYSELF | MIND GAMES | GEMINI FEED | JUDAS | TRAINWRECK | 27 HOURS

Considerada uma das artists mais underrated da actualidade, Banks está de volta com The Altar, o segundo disco da sua carreira. Sim, o prato que nos é servido é bastante semelhante ao anterior, mas está melhor temperado e extremamente saboroso. A cantora norte-americana encontrou o seu nicho ao questionar emoções confusas, expondo dramas românticos e lançando farpas tanto para antigos como futuros amantes. 

Contrariamente à maioria dos seus colegas, a habilidade da Banks em camuflar a parte biográfica das suas canções através de uma forte carga dramática, é simplesmente genial. Consegue a proeza de estimular a emoção mundana de pormenores da sua vida, sem ter que os revelar abertamente. Melodicamente falando, The Altar, não vai revolucionar o género mas, a vertente mais sombria, torna automaticamente este R&B alternativo mais interessante.

3. Rebecca Ferguson  Superwoman
MUST LISTEN: I'LL MEET YOU THERE | OCEANS | DON'T WANT YOU BACK | PAY FOR IT | HOLD ME

Seis anos desde que ficou em 2º lugar no X Factor britânico, a Rebecca Ferguson relevou-se um dos casos de maior sucesso da competição televisiva. Detentora de uma das vozes mais distintas da indústria musical, a cantora apresenta-nos agora Superwoman, o quarto disco de estúdio. 

Além das habilidades vocais, uma das suas maiores qualidades reside na capacidade de colocar o seu coração em todas as letras. Apesar do esforço para mostrar alguma diversidade e reinventar-se musicalmente, a metade inicial do álbum peca por uma certa repetição. Contudo, a partir da canção "Pay For It" até à magnífica "I'll Meet You There", são tacadas de génio umas a seguir às outras. De baladas capazes de nos destruir a hinos dançantes de confiança e amor próprio, preparem-se para embarcar numa viagem emocionalmente desgastante mas altamente gratificante.

4. Kings of Leon  WALLS
MUST LISTENWALLSFIND ME | EYES ON YOU | WASTE A MOMENT

Há quem diga que WALLS (acrónimo para "We Are Like Love Songs"), representa o salto dos Kings of Leon para o mercado mainstream. Como não estou suficientemente familiarizado com os trabalhos anteriores do grupo, deixo a hipótese no ar. Dito isto, fãs de hinos como "Sex on Fire" ou "Use Somebody" vão ficar decepcionados.

Neste sétimo disco de inéditas os problemas líricos da banda mantém-se ao preferirem gritar declarações melodramáticas em vez de uma narrativa capaz de evocar sentimentos. Pode ser impressão minha e perdoem-me se estiver a dizer alguma barbaridade mas, pareceu-me encontrar algumas familiaridades com a sonoridade dos Tame Impala. Ainda que WALLS não seja daqueles álbuns que ouvimos duas vezes de seguida, pelo menos eu, contém verdadeiras preciosidades como a canção-título.

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #23



1. Lady Gaga  Joanne
MUST LISTEN: A MILLION REASONS | DANCIN' IN CIRCLES | JOANNE | ANGEL DOWN | PERFECT ILLUSION | A-YO
Oito anos e quatro álbuns depois, a "Mother Monster" continua a polarizar opiniões. Se a capa não foi indicativo suficiente, Joanne é um capítulo completamente diferente na carreira da cantora. As roupas e penteados extravagantes passaram para segundo plano, deixando a voz potente e a honestidade lírica brilharem por si só. Em Joanne conhecemos uma Lady Gaga mais vulnerável, sem medo de mostrar que por debaixo da aparente loucura criativa, está um ser humano igual a todos nós.

Contrariamente ao que se diz por aí, não é country. Sim, tem alguns elementos do género como na minha favorita "A Million Reasons" ou em "Sinner's Prayer", mas é puro pop, com pitadas de funk, folk e soft rock. A produção é mais recatada, com algumas melodias acústicas e guitarras predominantes, tornando o projecto ainda mais pessoal. É impossível ficar indiferente à tocante faixa-título, dedicada à tia que morreu de lúpus antes de ela nascer. Sem grandes pretensões, é mais crua e emocionante que qualquer outra canção do seu repertório inteiro. 

O álbum é uma homenagem às mulheres, à sua força, importância e sentimentos. O objectivo é dar voz ao sexo que ainda é visto por muito como sendo o inferior. Mas em nenhum momento exclui homens. Aliás, a narrativa criativa acaba por ser um apelo para cuidarmos uns dos outros num mundo cruel, principalmente em "Angel Down", uma canção sobre a morte de Trayvon Martin (jovem de 17 anos morto pela polícia), que alude o lado podre da internet: "I confess I am lost in the age of the social / On our knees, take a test / To be loving and grateful." 

Desde que criei esta rubrica nunca mencionei críticas alheias mas, tendo em conta algumas que li na imprensa nacional, é impossível ficar calado. A falta de coerência, conhecimento e imparcialidade presente em alguns "artigos" é deveras desconcertante. O do Público então, é simplesmente vergonhoso. O desagrado pela cantora é tão evidente que nem são capazes de se distanciar e apresentar argumentos válidos para fundamentar a opinião. Como é uma figura excêntrica e canta pop em vez de rock nem merece uma análise justa, é logo posta de lado. Posso não ser crítico de formação, mas detesto injustiças.

Se cantoras como Beyoncé e Rihanna têm direito a experimentar outros estilos musicais, saírem da sua zona de conforto, e serem aplaudidas por isso, porque deve a Lady Gaga ser crucificada por fazer a mesma coisa? Pode não ser um The Fame Monster, mas Joanne é sem dúvida uma das ofertas mais sólidas do ano.


2. Solange A Seat at the Table
MUST LISTENDON'T TOUCH MY HAIRCRANES IN THE SKY | MAD | DON'T WISH ME WELLF.U.B.U.

Parece que 2016 é o ano da família Knowles. Depois de Beyoncé lançar o brilhante álbum visual Lemonade, chegou a vez da irmã mais nova, Solange, oferecer a sua versão da situação político-racial vivida nos Estados Unidos. Intitulado A Seat at the Table, o terceiro disco de estúdio da cantora norte-americana fala sobre a identidade negra e em especial da luta contra o racismo. Inspirada na história de vida dos pais, Solange ofereceu o seu trabalho mais íntimo e sincero até à data. 

Embora não quisesse comparar os trabalhos das irmãs, existe um claro elo de ligação entre os dois: a temática. Ao contrário de Lemonade, em A Seat at the Table, prevalece uma sonoridade R&B, funk e neo soul, mais calma e sem grande espalhafato. Não significa que este disco seja menos forte, muito pelo contrário. A mensagem é suficientemente importante para se afirmar sozinha, sem precisar lavar roupa suja na praça pública. 

É de salientar a vertente visual da cantora. Os videoclips de "Cranes in the Sky" e da soberba "Don't Touch My Hair", são de longe fortes candidatos ao título de melhores do ano. A estética é de tal forma perfeita que parece que estamos a assistir a poesia em movimento. 

Composto por 21 faixas, A Seat at the Table conta com letras, arranjos e co-produção da própria Solange, juntamente com o marido, o músico Alan Fergunson. 


3. JoJo  Mad Love
MUST LISTEN: FAB | VIBE | FUCK APOLOGIES | GOOD THING | I CAN ONLY | HONEST

Uma década desde o lançamento do último disco, The High Road (2006), a dona da eterna "Leave (Get Out)" está de volta! Mad Love chega-nos como uma crónica do que a cantora passou durante os sete anos em que foi impedida de lançar música devido a uma batalha judicial com a antiga editora. 

De uma forma geral, há um ingrediente essencial em falta neste projecto: identidade. A maturidade nas letras é refrescante, mas em compensação, as transições entre pop genérico como "Vibe" e baladas mais soul como "I Am", parecem ter sido feitas ao acaso, nada coesas. A sonoridade geral do álbum parece um pouco datada. Ainda assim, há vislumbres de genialidade como na pulsante "I Can Only", dueto com a Alessia Cara, e na poderosa "FAB" (significa Fake Ass Bitches).

Mad Love pode não ser o comeback porque os fãs esperavam, mas seria um crime ignorá-lo. O disco apresenta-nos uma narrativa simples de crescimento, tristezas, raiva e por fim, aceitação. Só é pena não ser propriamente inovador.


4. Terror Jr.  Bop City
MUST LISTEN: 3 STRIKES | SUGAR | TRUTH | COME FIRST

Os Terror Jr. são um autêntico mistério. Composto por três elementos, dois deles produtores identificados, pensa-se que a vocalista, "Lisa", não é nada mais nada menos que Kylie Jenner. Além da faixa "3 Strikes" servir como banda sonora para o anúncio do Lip Gloss da jovem, a tonalidade e quantidade de autotune na voz da cantora só ajudam a fomentar os rumores.

O disco de estreia, Bop City é irreverente por combinar sintetizadores e melodias upbeat com temas que passam pela sexualidade ("Pray") à violência actual nos Estados Unidos ("Little White Bars"). Longe estão os dias em que a cultural pop musical servia apenas de refúgio para os problemas do dia-a-dia. O grupo norte-americano junta-se assim à enorme lista de cantores que denunciam problemas sociais, "Someone got shot on the TV / But it don’t feel like a movie / I think this world’s ’bout to leave me…"

Das as limitações vocais da "Lisa", o trio conseguiu reunir um conjunto bastante coeso de faixas efervescentes e francamente viciantes, prontas para combater os dias mais pesados.





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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #22


1. Cruel Youth  +30mg
MUST LISTEN: DIAMOND DAYS | MR. WATSONHATEFUCK | ALEXIS TEXAS | FLORIDA BLUES

Após um ano arrasador devido à enorme controvérsia em volta das suas críticas absurdas enquanto jurada na última edição do X Factor Nova Zelândia, se há alguém que compreende os altos e baixos da indústria musical é a Natalia Kills. Com dois álbuns a solo absolutamente geniais (Perfeccionist e Trouble), uma das minhas artistas favoritas emerge agora como Teddy Sinclair, no projecto Cruel Youth, em parceria com o marido, Willy Moon.

Num contexto completamente diferente, dizer que fiquei desagradado com este casamento artístico é pouco. Sinceramente, continuo convencido de que ele se está a aproveitar do talento dela, visto que a sua carreira a solo era uma anedota e ela tinha algum sucesso, mas é melhor ficarmos por aqui. +30mg é o EP de estreia do casal e, felizmente, não decepcionou! Aliás, a habilidade vocal da cantora nunca esteve tão presente como neste trabalho.

Por muitas reencarnações artísticas que a Teddy Sinclair sofra, os géneros e produção até podem mudar, mas a sua essência de bad girl mantém-se intacta. As letras são inteligentes e capazes de evocar emoções fortes  não é por acaso que co-escreveu os hits "Holy Water" e "Kiss it Better" da Madonna e Rihanna, respectivamente. Numa evidente alusão ao consumo de drogas+30mg retrata alguns dos piores momentos da vida pessoal da vocalista. Singles como "Hatefuck" apontam o amor como sendo a pior droga de todas, e aquela a qual menos pessoas estão imunes. 

2. Bastille  Wild World
MUST LISTEN: THE CURRENTS | TWO EVILS | AN ACT OF KINDNESS | GLORY | OIL ON WATER | BLAME

De uma forma um tanto ao quanto inesperada, os Bastille tornaram-se num dos grupos mais predominantes da music scene com o lançamento do álbum de estreia, Bad Blood, em 2013. Enquanto o trabalho anterior foi inspirado em momentos históricos ("Pompeii"), na mitologia ("Icarus") e até em séries televisivas de culto ("Laura Palmer" - nome de uma personagem do Twin Peaks), o recém-nascido Wild World baseia-se na actualidade.

O tom distinto do Dan Smith continua a ser a galinha dos ovos de ouro do grupo britânico. Com uma habilidade tão natural de navegar entre canções mais pesadas e outras leves como uma pena, os Bastille conseguiram criar um disco pop triunfante. Não faltam as baladas que nos deixam a pensar, melodias dançantes com sabor a anos 90  nem que seja por incluírem snippets de filmes  e uma forte adição de guitarras. A edição especial de 19 faixas talvez seja demasiado para algumas pessoas, mas garanto que não se vão arrepender.

3. AlunaGeorge  I Remember
MUST LISTEN: MEAN WHAT I MEAN | I'M IN CONTROL | HOLD YOUR HEAD HIGH | MY BLOOD

Ao ficarem em segundo lugar na votação da BBC's Sound of 2013, AlunaGeorge foram apontados como uma das novas e mais excitantes promessas da música britânica. Infelizmente, não aconteceu. Embora o disco de estreia, Body Music fosse bom, nenhum dos seus singles conseguiu sucesso além da parceria com os Disclosure na electrizante "White Noise".

Três anos depois chega-nos I Remember. A colectânea mantém as melodias suaves e hipnóticas típicas do duo, mas não têm a força necessária para captar a nossa atenção do início ao fim. "Mean What I Mean" (de longe a minha favorita) e "Hold Your Head High" são ofertas tropicais sólidas e bestiais mas tentativas menos felizes como "In My Head" e "Wanderlust", parecem perder a garra inicial. A produção continua bastante actual e o resultado final é positivo, mas não suficientemente memorável.

4. Hayley Kiyoko  Citrine
MUST LISTEN: GRAVEL TO TEMPO | PRETTY GIRLS | PALACE | ONE BAD NIGHT | EASE MY MIND

She's done it again! Seguindo as pisadas do brilhante EP The Side of Paradise, lançado no ano passado, a Hayley Kiyoko está de volta com Citrine. Se estão familiarizados com a canção "Girls Like Girls", vão ficar satisfeitos por saber que a cantora e actriz manteve a mesma linha temática do projecto anterior. 

Citrine é uma poderosa colecção de canções que oferecem letras sinceras e emotivas ("The Palace"), confiantes e melodias absolutamente viciantes. Dois meses depois, ainda não consegui tirar o fantástico primeiro single, "Gravel to Tempo", da cabeça. Além da parte lírica/sonora, uma das vertentes mais fortes da jovem de 25 anos é a componente visual dos seus vídeos. Poderia explicar o porquê, mas basta verem os vídeos das faixas a cima indicadas para compreenderem.

Se a última extendend play me passou um pouco ao lado, não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Não se admirem se virem Citrine a ocupar um lugar no pódio dos melhores do ano.



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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #21


1. M.I.A.  AIM
MUST LISTEN: GO OFF | THE NEW INTERNATIONAL SOUND | FREEDUN (ft. Zayn) | ALI R U OK? 

Nascida em Londres e criada no Sri Lanka, M.I.A. é uma das artistas mais originais da nossa geração. Ao contrário de outros cantores, a sua música está em constante mudança, representando diferentes locais, estilos e abordando tópicos culturais relevantes. Neste quinto disco de estúdio, AIM, a magia perdeu-se. Politicamente desafiante, os problemas socais continuam a ser o foco central das suas produções. Lançado no final do ano passado, o vídeo "Borders" causou controvérsia ao expor a realidade vivida pela crise dos refugiados, chegando a ocupar o meu TOP 3 de MELHORES VÍDEOS de 2015.

Em termos sonoros, somos deixados com uma sensação de desconforto. Por vezes os instrumentais são tão caóticos que a única solução é tirar os fones para o massacre parar. Ainda assim, nem tudo está perdido. Faixas como a contagiante "Go Off" ou a surpreendente e certeira colaboração com Zayn em "Freedun provavelmente o único hino pop deste álbum , são a luz no meio de uma valente confusão. Indicado como o provável último disco de M.I.A., resta-me desejar que não termine desta maneira.

2. Petite Meller  Lil Empire
MUST LISTEN: BABY LOVE | BARBARIC | MILK BATH | THE FLUTE | POWER | AMERICA 

À primeira vista o blush exagerado e a voz aguda podem sugerir uma caricatura irónica, ridícula até, mas o disco de estreia da Petite Meller é tudo menos isso. Lançado de surpresa, Lil Empire, não é uma obra-prima mas está muito, muito perto. Com refrões altamente viciantes, notas improváveis, percussões africanas e solos de flauta da Mongólia, o disco é estranhamente coeso. No papel, a mistura destes elementos tinha tudo para dar errado, mas graças à genialidade e criatividade da artista francesa, resulta! 

Lil Empire é uma exploração melódica e geográfica fora de série. Tem a capacidade de nos deixar com uma euforia contagiante e vontade de dançar como se ninguém estivesse a ver. Engane-se quem pensa que o material é superficial, nada disso. Por entre as camadas de alegria, a construção inteligente das canções consegue puxar-vos de volta à realidade com uma sinceridade brutal. Só tenho pena de não ter conhecido a Petite no ano passado, quando lançou os vídeos "Baby Love" e "Barbaric". Garanto-vos que teriam ocupado os lugares cimeiros dos meus tops de Melhores de 2015.

3. Bon Iver  22, A Million
MUST LISTEN715 - CRΣΣKS | 10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄ 29 #Strafford APTS00000 Million

Oh Bon Iver, que bom ter-vos de volta. Após o sucesso repentino do segundo disco, Bon Iver, Bon Iver, que em 2011 ganhou os grammys de Melhor Álbum Alternativo e Melhor Artista Novo, 22, a Million marca o regresso do Justin Vernon e companhia. Se estiveram a pensar que foi um virus que alterou o título das faixas recomendadas, estão enganados. Cada canção neste álbum começa com um número que guarda um significado especial com o vocalista. The more you know.

A essência mantém-se mas o crescimento musical é notório. Brincando com a distorção e manipulação de sons, ecos e cortes inesperados, o grupo está cada vez mais longe do indie-pop e a entrar no território da folktronica. A voz do Vernon guia-nos nesta nova aventura mais melódica, excitante e cheia de garra. Na experimentação com a electrónica, conseguiram encontrar uma forma de tornar algo estranho em fascinante.

4. Sophie Ellis-Bextor  Familia
MUST LISTEN: WILD FOREVER | DEATH OF LOVE | DON'T SHY AWAY | HUSH LITTLE VOICES

Considerada uma das mulheres mais belas do Reino Unido e dona da icónica "Murder on the Dancefloor", Sophie Ellis-Bextor, está de volta com Familia, o sexto álbum de estúdio. "Wild Forever" foi a aposta mais acertada para abrir este novo projecto. Forte e com uma batida synth simplesmente infecciosa, é o convite para a disco party que se segue.

A britânica de 37 anos não é só uma carinha bonita. Compositora de mão cheia, é capaz de mudar de estilos sem nunca perder a harmonia instrumental  alternando entre o acústico, electrónico e outros sons mais tradicionais. Se o título não foi indicação suficiente, existe uma evidente influência da América Latina, mas sem nunca se tornar numa caricatura. No decorrer da Familia, Bextor solidifica as suas capacidades vocais e de entrega sincera, com sentido, das suas letras. Sem dúvida um feel good album.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #20


1. Britney Spears  Glory
MUST LISTEN: JUST LUV ME | DO YOU WANNA COME OVER | IF I'M DANCING | BETTER | CLUMSY

Oops!... She's done it again. Considerada a sucessora directa ao trono da música POP, a Britney Spears continua a dividir opiniões. Adorada por uns e crucificada por outros, o certo é que para alguém com tantas restrições vocais, conseguiu construir um autêntico império. Cresci a ouvi-la e é impossível não ficar nostálgico quando me lembro de canções como "Born to Make You Happy" ou a infame "...Baby One More Time".

Glory é o nono e mais recente trabalho da cantora norte-americana e conseguiu o impensável, tornar-se no segundo melhor disco da sua carreira, perdendo apenas para o glorioso "Blackout" (2007). Deixando para trás a tentativa forçada de navegar pelo mundo do EDM — leia-se, o fiasco Britney Jean (2013) , a Miss American Dream apostou numa sonoridade mais adulta e diversificada. Seja por entre batidas tropicais ou R&B, uma coisa é certa, a produção está fantástica e coesa. Ainda que por vezes lhe falte a voz e projecção necessárias para ofertas mais burlesque como "Private Show" e "What You Need", compensa com a electrizante "Do You Wanna Come Over" ou mid-tempo perfeita, "Just Luv Me".

2. Carly Rae Jepsen  E•MO•TION: Side B
MUST LISTEN: CRY | HIGHER | BODY LANGUAGE | STORE

Após conquistar a crítica com o absolutamente genial E•MO•TION  ficou em 2º lugar no meu "Top 50 Albums of 2O15— a Carly Slay Jepsen, como foi apelidada, resolveu presentar os fãs com E•MO•TION: Side B. A compilação de oito faixas serve de continuação ao trabalho anterior, mantendo-se no mesmo registo: canções contagiantes e directas que resultam num POP ao mais alto nível.

Para um amante da década musical dos anos 80 como eu, Side B oferece uma dualidade de texturas melódicas que, embora fora de época, conseguem ser simultânea e genuinamente modernas. A dada altura dá para perceber que a direcção começa a dispersar-se um pouco, mas é compreensível se pensarmos que, aparentemente, a Jepsen escreveu 250 canções para o disco original. Enquanto o próximo álbum completo não chega, ficaria radiante com outros Sides.

3. Frank Ocean  Endless
MUST LISTEN: OUTRO | RUSHES | RUSHES TO | AT YOUR BEST (YOU ARE LOVE)

Após um batalhão de promessas em vão e atrasos em série, Frank Ocean calou os mais impacientes não com um, mas dois álbuns de estúdio. O primeiro sucessor do sublime Channel Orange (2012), Endless, é um projecto visual de 45 minutos. Embora não seja necessariamente memorável e repleto de hits ou letras emotivas, resulta como uma espécie de exorcismo, um acto de mudança se preferirem. 

Li algures uma crítica que resumia este projecto de uma forma bastante simples, "Endless está repleto de beleza, mas é como se fosse um sonho do qual não nos lembramos bem, mesmo que agarremos logo num papel e caneta ao acordar".

4. Frank Ocean  Blonde
MUST LISTEN: NIKES | IVY | PINK + WHITE | SKYLINE TO 

Inicialmente intitulado Boys Don't Cry, Blonde é o álbum mais a sério, no sentido musical e lírico da questão, lançado pelo Frank Ocean. Apesar de não embarcar numa missão política como Beyoncé ou Kendrick Lamar, Ocean não está indiferente à brutalidade policial sofrida pela população afro-americana - referência na canção de abertura, "Nikes".

Rico em influências e pensamentos, Blonde é o tipo de álbum minimalista que só alguém como Frank Ocean conseguia criar. Aos 28 anos, o cantor encontrou o seu eu interior, partindo numa espécie de autobiografia sonora. Aborda tópicos como os desejos homoeróticos ("Self Control"), abuso de estupefacientes ("Skyline To"), amor complexo ("Good Guy") e família ("Futura Free"). Assim como Endless, pode não conter batidas ou faixas necessariamente memoráveis, mas é tão completo e sofisticado que o resto não interessa.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #18


1. Shura | Nothing's Real
MUST LISTEN: 2SHY | TOUCH | WHAT'S IT GONNA BE?
Após conquistar a crítica com o brilhante single "Touch", Shura não se deixou abalar pela pressão e criou um disco de estreia brilhante. Nothing's Real é tudo aquilo que eu precisava neste momento, música à la anos 80, simultaneamente bem-disposta e chilled, com um enorme sentimento nostálgico. Podemos dizer que segue a mesma linha criativa do pop-alternativo do momento  leia-se, Days Are Gone das Haim, E•MO•TION da Carly Rae Jepsen, e até a "Everything is Embarrassing" da Sky Ferreira , mas mais polida. A voz suave da jovem inglesa juntamente com os seus depoimentos genuínos demonstram que não é preciso a mensagem ser demasiado complexa para tocar o coração de uma multidão. 




2. Anoraak | Figure
MUST LISTEN: WE LOST (ft. SLOW SHIVER) | FIGURE | ODDS ARE GOOD
Em 2011 não ganhei apenas um filme favorito com Drive, também fui apresentado a uma nova corrente de artistas do mundo electrónico. Anoraak (aka Frédéric Rivière), foi um deles. Mantendo-se fiel ao seu estilo, o músico francês presenteou-nos com a banda sonora ideal para este Verão. Só tem um defeito, serem apenas quatro faixas e um remix. Figure é um EP pequeno em quantidade mas grande em conteúdo. Por entre batidas synthpop e melodias hipnotizantes é impossível ficar indiferente a tamanha genialidade.


3. Gnash | Us
MUST LISTEN:  I HATE U, I LOVE U (Ft. Olivia Brien) | RUMORS (Ft. Mark Johns) | U JUST CAN'T BE REPLACED (Ft. Rosabeales)
Se vos perguntar quem é o Gnash provavelmente vão pensar que é o nome de uma personagem de um desenho animado, mas aposto que já devem ter ouvido a canção "I Hate U, I Love U". Na sequência dos EP's U e Me lançados no ano passado, chega-nos a última peça do puzzle, Us. Num registo mais radio friendly, o jovem produtor de Los Angeles prova o porquê de ser apontado como um dos nomes promissores da indústria musical. Aos 23 anos, Gnash leva-nos numa viagem pessoal pelos altos e baixos da vida até alcançarmos o amor próprio. Apoiado de um leque de colaborações bem conseguidas  Buddy, Goody Grace, Mark Johns, Liphemra, Wrenn, Quin e Rosabeales  a combinação minimalista de R&B com alternativo, é estranhamente perfeita.


4. Hana | Hana
MUST LISTEN:  UNDERWATER | CLAY | WHITE

Tropecei acidentalmente no EP Hana e foi das melhores coincidências dos últimos tempos. O trabalho homónimo composto por cinco faixas é minimalista mas eficaz. Etérea ou até mesmo mística, o único senão desta colectânea é a pouca variedade sonora. Se não forem fãs da canção de abertura, provavelmente não vão achar piada ao resto. Felizmente, não pertenço a esse grupo. Com uma dualidade vocal fascinante que lhe permite cantar de forma suave e igualmente poderosa, o potencial de Hana é enorme. Agora só nos resta esperar por um álbum de estúdio ou novos EP's.

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