Há uns sete anos atrás cometi um dos maiores erros da minha vida. Não, não matei ninguém. Fiz um tratamento ao acne.
A verdade é que enquanto todos os meus colegas choramingavam que tinham a cara feita num oito, nunca tinha tido razões de queixa da minha pele. Aos 15 anos recebi a tão "esperada" visita do acne que veio de malas e bagagens. Dizer que parecia que tinha sido picado por abelhas é pouco para vos explicar como é que eu fiquei. Passei de ser a única pessoa na minha turma sem borbulhas, para ser a queen bee do grupo. E ainda há quem não acredite no mau olhado.
Tentei de tudo, cremes, beber muita água, evitar certas comidas, não tomar banhos muito quentes, mas nada resultou. Acabei por recorrer a um dermatologista que, ao ver o estado da minha cara (eu disse que era mau), recomendou-me um tratamento à base de comprimidos para combater o acne internamente. Já não me lembro do nome, mas durante uns dois ou três meses tomei-os religiosamente com a esperança de voltar a ter um aspecto "normal".
Juntamente com os comprimidos o médico receitou-me um protector solar para aplicar sempre que saísse à rua, um batom do cieiro e um creme para a pele seca. Como o tratamento consistia numa renovação da pele, estava sempre a nevar na minha cara. Realmente resultou, as borbulhas desapareceram mas em compensação alguns dos efeitos secundários permaneceram até hoje.
No segundo ano de Universidade apareceram-me umas manchas vermelhas na zona em baixo dos olhos e sobrancelhas. Sem melhoras, fui a outro dermatologista e segundo ele, não havia nenhuma relação entre as manchas e o tratamento anterior. No entanto não me soube dizer o que eu tinha, "Deve ser stress". Receitou-me Locoid Crelo - emulsão cutânea - para utilizar sempre que me aparecessem as manchas. O creme é líquido e pode arder um bocadinho dependendo do estado da "ferida". O creme ajudou, mas era do género, Segunda-feira estava completamente vermelho e lá por quinta-feira já estava quase normal. Agora imaginem este Carnaval todas as semanas. É de loucos. Passou-se um ano e continuava com o mesmo problema.
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| Dá para perceber que já teve algum uso. |
Terceira ida ao dermatologista. Felizmente a consulta foi a uma Segunda portanto ele pode ver a minha cara em todo o seu esplendor. Não quero ferir susceptibilidades, mas parecia que tinha saído da unidade de queimados. Não estou a exagerar. Mais uma vez não me soube dizer qual a origem das manchas (devo ser mesmo especial), e a palavra "stress" foi novamente lançada para o ar. É certo que apareceram durante a Universidade, mas se assim fosse desapareciam durante as férias, não? Enfim. Receitou-me Tedol, um medicamento utilizado na prevenção e tratamento de infecções da pele causadas por fungos e leveduras. Basicamente é um champô para lavar a cabeça e com a espuma lavar a cara. Devem estar a pensar o que tem um champô a ver com o meu problema, mas faz sentido. Muitas vezes os óleos dos nossos cabelos acabam por descer para a cara e pode causar irritações. Ainda assim continuo sem perceber como é que este podia ser o meu caso se eu lavava o cabelo todos os dias, mas a verdade é que vi resultados imediatos.
Segundo o folheto informativo, Tedol é frequentemente utilizado nas seguintes situações:
- Caspa (películas no couro cabeludo);
- Dermatite seborreica (situação de manchas castanhas e avermelhadas, com descamação branca ou amarelada, geralmente na face ou no peito);
- Dermatite da fralda quando a sua origem é uma infecção por fungos (lesões avermelhadas);
- Pitiríase versicolor (geralmente caracterizada por manchas irregulares no tronco, pequenas, de cor branca ou acastanhada);
- Tinhas: do corpo, do couro cabeludo, virilhas, mãos e pés (a tinha dos pés é frequentemente conhecida por pé de atleta);
- Candidíase cutânea (lesões avermelhadas, com erupção).
A duração habitual do tratamento é:
- Tinha do corpo e das virilhas – 2 semanas;
- Tinha dos pés (pé de atleta) – 6 semanas;
- Candidíases cutâneas – 2 semanas;
- Pitiríase versicolor – 2 semanas;
- Dermatite seborreica – 4 semanas.
O tratamento com Tedol deve ser prolongado por mais alguns dias após o desaparecimento de todos os sintomas. Apesar de fazer efeito, de vez em quando ainda me aparecem as manchas avermelhadas.
Talvez os três dermatologistas que consultei devessem ler o folheto informativo do Tedol. Será que o meu problema é Dermatite? "A dermatite (eczema) é uma inflamação das camadas superficiais da pele que é acompanhada de bolhas, vermelhidão, inflamação, supuração, crostas, escamação e, frequentemente, comichão."
Ainda utilizo o champô e o creme Locoid Crelo quando tenho manchas mais carregadas, e o creme Effaclar H para a pele seca que persiste em existir. É tão frustrante saber que vou estar preso a esta rotina para sempre. Tudo o que eu queria era poder acordar de manhã, tomar banho, lavar os dentes e saír de casa sem ter que me preocupar com este e aquele creme. Uma coisa é utilizar um hidratante à noite por escolha própria, outra é ser obrigado a fazê-lo todos os dias devido a um problema dermatológico bastante visível.
O que resultou para mim pode não resultar para vocês, portanto se estiverem a passar por uma situação, semelhante aconselho-vos a consultarem um dermatologista. A única coisa que vos posso dizer é que se sofrerem de acne, não se preocupem que eventualmente passa. É terrível sim, mas é melhor do que fazerem certos tratamentos e ficarem com outras complicações.
Como é que foi a vossa experiência com o acne? Também sofrem de algum problema de pele?






















