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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #33


A quantidade de álbuns que tenho por analisar é tanta que até chega a meter medo! Sem mais demoras, vamos para o quarteto musical de hoje. A categoria do dia é: underrated.

MUST LISTEN:
⤫ 13 BEACHES
LOVE
⤫ BEAUTIFUL PEOPLE
⤫ CHERRY
⤫ SUMMER BUMMER
⤫ GROUPIE LOVE

1. Lana Del Rey Lust For Life

Passaram-se dois meses desde o lançamento do aguardado Lust For Life, da Lana Del Rey, e ainda não consegui assimilar o quão bom ele é. Neste quarto disco de estúdio vemos a cantora norte-americana a voltar às suas raízes, por assim dizer. Mais próximo da brilhante era Born To Die do que de Ultraviolence ou Honeymoon, é o seu trabalho mais longo até à data.

O conjunto de 16 faixas lida com temas bastante familiares para qualquer fã, a queda do glamour Hollywoodesco, a América, e amores terríveis. Mas, desta vez, a Lana consegue atingir uma magnitude ainda maior, ao recorrer a orquestras e melodias simplesmente impressionantes. Começando pela cinemática "Love" e passando pela etérea "13 Beaches", são muitas as concorrentes ao título de melhor canção.

Contrariamente à maioria dos colegas de profissão, a Del Rey acertou em cheio nas colaborações. A parceria com a incomparável Stevie Nicks na "Beautiful People, Beautiful Problems" (uma das minhas favoritas), é possivelmente uma das canções mais bonitas que alguma vez criou. As vozes das duas complementam-se tão bem que chega a ser chocante. O rapper A$AP Rocky aparece em "Summer Bummer" e "Groupie Love" e não desapontou.

Lust For Life não conseguiu superar o irmão mais velho, Born To Die, mas andou lá perto. De qualquer forma, é um dos melhores discos produzidos este ano.

MUST LISTEN:
⤫ I LOVE YOU ALWAYS FOREVER
⤫ YOU CAN TRY TOMORROW
⤫ HUMAN TOUCH

2. Betty Who  The Valley

A extremamente underrated Betty Who, lançou um disco que não só eleva as expectativas dos ouvintes em relação às suas capacidades, como representa uma lufada de ar fresco na indústria musical.

O disco de estreia, Take Me When You Go, ofereceu-nos uma colecção de pop reflexivo, com faixas que não só incluíam a comunidade LGBT, como acabaram por se tornar em autênticos hinos de auto-aceitação. No sucessor, The Valley, vemos a jovem australiana a arriscar novos estilos e géneros sonoros. Podemos ouvir acapella, rap, spoken word, e vocais absolutamente deliciosos em faixas como "Some Kinda Wonderful" e "Human Touch". "You Can Try Tomorrow" é possivelmente uma das melhores canções que ouvi nos últimos meses e tem tudo para ser um hit.

Apesar deste disco ser francamente mais contemporâneo que o anterior, a Betty consegue sempre arranjar uma particularidade que o faça distinguir-se do resto da alcateia. De uma maneira geral, The Valley é uma aposta coesa, e um verdadeiro pop record. É sofisticado, polido e extremamente catchy.

MUST LISTEN:
⤫ DARKEST HOUR
⤫ SHELL
⤫ WHERE IT STAYS

3. Charlotte OC  Careless People

Apaixonei-me pela musicalidade da Charlotte OC no ano passado, graças à genial "Darkest Hour" — que integrou o TOP 10 UNDERRATED SINGLES OF 2016 —, e desde então tenho acompanhado o seu trabalho.

Intitulado Careless People, devido a uma passagem do Great Gatsby — «They were careless people, Tom and Daisy (...)» —, o álbum de estreia não me encheu as medidas. Digamos que após o já referido single, "Darkest Hour", e o fantástico "Shell", esperava mais canções na mesma linha sónica. Felizmente a voz da O'Connor é suficiente para apagar a desilusão.

Verdade seja dita, Careless People não foi ao encontro da explicação dada pela cantora britânica numa entrevista, "There’s all this folklore about the North that’s got a lot to do with witches. Making this album, I wanted to mix the real and surreal in that way, to be as honest as possible but also bring out the mystical side of where I’m from". Pois, não vi onde. Dito isto, não é um álbum mau, nem de perto! Mas espero que o próximo tenha uma força pujante do início ao fim. 

MUST LISTEN:
⤫ SLIP AWAY
⤫ WREATH
⤫ OTHERSIDE

4. 
Perfume Genius  No Shape


Desde as gravações caseiras no disco de estreia, Learning, ao pop cheio de swagger em Too Bright, a música que Mike Hadreas como Perfume Genius é isso mesmo, genial. Cada vez melhor, maior e mais desafiadora. Para este quarto trabalho de inéditas, No Shape, o cantor continua a sua incrível streak com mais um álbum avassalador.

O Perfume Genius sempre explorou o mundo queer, especialmente os traumas que se encontram no caminho da auto-descoberta. Não é por acaso que até no seu expoente máximo de exuberância, a música permanece numa constante batalha interna. Em No Shape, essa espécie de tensão continua presente mas passou para o lugar do pendura, cedendo o volante à incrível força que o amor pode ter. Por muito lamechas que esta explicação soe, é a mais pura verdade.

Talvez por isso, este projecto tenha uma sonoridade mais festiva (não confundir com dance music) do que qualquer um dos seus antecessores. A faixa de abertura, "Otherside", é uma viagem que começa como uma balada a piano e explode de forma eufórica a meio do caminho. É brilhante! E serve de ponte para o triunfante lead single, "Slip Away", a minha canção favorita e possivelmente a melhor da sua carreira.

Muitas das letras são inspiradas em parte pelo seu namorado, Alan Wyffels, que além de colaborar com ele durante os últimos 8 anos, teve direito a uma homenagem intitulada "Alan" que encerra o disco. O amor ocupa assim uma espécie de papel central nesta epopeia lírica que se converteu numa das melhores produções de 2017. 

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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Sound the Alarm ⤫ Album Reviews #32


MUST LISTEN:
⤫ PRAYING
⤫ BOOTS
⤫ LET 'EM TALK
⤫ LEARN TO LET GO
⤫ BASTARDS
⤫ RAINBOW

1. Kesha  Rainbow

Raras são as vezes que um projecto musical consegue a proeza de nos arrancar o coração e trazer-nos de volta à vida. Rainbow foi um desses casos.

Cinco anos desde o lançamento do último álbum de inéditas, Warrior, a Kesha renasceu e abençoou-nos a todos com o melhor trabalho da sua carreira. A cantora convidou-nos a entrar no seu íntimo e a assistir de camarote a uma preview de todos os momentos bons e maus que passou na vida. "Bastards" é a escolha perfeita para abrir o disco e forma as bases do que se segue, um conjunto de faixas banhadas a ouro.

Inevitavelmente, são várias as referências à batalha judicial travada com o produtor Dr. Luke, e a respectiva editora, mas o discurso nunca é de vítima. Pelo contrário, ela aceita o passado e segue em frente, chegando até a sentir empatia por quem lhe fez mal. Neste contexto, nasceram autênticas pérolas como "Praying" - mantém-se intacto como o melhor single do ano -, a faixa-título e a de fecho, "Spaceships". Mas nem tudo é melancólico. Sem perder o sentido de humor que nos fez apaixonar por ela, é impossível não sorrir ao som de "Woman" e "Let 'Em Talk" ou derreter com a ternurenta "Godzilla".

Tal como alguns colegas o fizeram mas nem sempre de forma tão eficaz, Kesha apostou em combinações sonoras surpreendentes. Num registo mais indie/rock/country/pop, as colaborações com os Eagles of Death Metal e Dolly Parton são a cereja no topo do bolo multicolor que é este Rainbow. A Glitter Queen continua lá (ouçam a "Boots", uma das minhas favoritas e que me lembra imenso a "Americano" da Gaga), mas transcendeu para algo digno de adoração. Não é por acaso que os seus vocais estão mais fortes do que nunca. Sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano.


MUST LISTEN:
WHO DAT BOY
BOREDOM
WHERE THIS FLOWER BLOOMS

2. Tyler, The Creator  Flower Boy

Até custa a acreditar que o responsável pelo som claustrofóbico de Goblin (2011) alguma vez iria produzir algo tão acessível como Flower Boy.

À semelhança dos projectos anteriores, Tyler, The Creator, volta a apostar num rap biográfico, falando do seu estado de espírito. A Solidão e necessidade de companhia são abordadas ao longo do álbum com uma sinceridade e maturidade inesperadas pelo artista. A entrega caótica das mensagens deram lugar a uma calma de intensidade que permite que a transição entre canções seja natural e quase majestosa.

Claramente influenciado pelo trabalho do amigo Frank Ocean em Blonde / Endless (2016), o rapper transporta para este projecto um catálogo de ritmos e batidas efervescentes, por vezes poético. A evolução na mentalidade do artista é clara. Houve um crescimento, entendimento e aceitação dos erros do passado. O resultado é uma linha de pensamento coesa do início ao fim do álbum, com a mesma vivacidade e vigor que demonstra desde o início da carreira.


MUST LISTEN:
COMFORTABLE
(NOT) THE ONE

3. Bebe Rexha  All Your Fault Pt. 2

Porque lançar um álbum convencional já não está com nada, a Bebe Rexha decidiu inovar e dividir o disco de estreia em duas partes. Em Fevereiro conhecemos a primeira, intitulada All Your Fault Pt. 1, e se bem se recordam, deixou-me um sabor amargo na boca. Houve uma pequena evolução nesta Pt. 2 mas não o suficiente para fazer deste um projecto vencedor.

Se juntarmos os dois EP's num álbum completo, falta um ingrediente chave, identidade. Sem uma direcção clara, a Bebe parece navegar sem rumo pelo mundo do POP e R&B mainstream, numa tentativa gritante de conseguir um hit. A julgar pelo primeiro single desta segunda colectânea, a medíocre "The Way I Are", com o agoniante Lil' Wayne, estamos mal parados. Quando vejo uma lista de seis canções nas quais quatro são parcerias, algo de errado se passa.

All Your Fault Pt. 2 não vai mudar o cenário musical ou tão pouco influenciar a vossa vida, mas pelo menos ofereceu-nos a surpreendente jam "(Not) The One".


MUST LISTEN:
ISSUES
WORST IN ME
PINK
DON'T WANNA THINK

4. Julia Michaels  Nervous System

Todos os dias agradeço aos céus a decisão da Julia Michaels trocar os bastidores pelos holofotes. Compositora de mão cheia e responsável por vários hits de artistas como Selena Gomez, Britney Spears e Ed Sheeran, a jovem de 23 anos é uma lufada de ar fresco.

Nervous System é o primeiro EP da sua promissora carreira e se o single de estreia, "Issues", não foi indicativo suficiente, permitam-me que esclareça: salvou a música POP. O conteúdo lírico é honesto e serve como uma espécie de diário. As letras são bem elaboradas mas sem nunca perder o carácter "simples" que caracteriza a Julia. É nessa simplicidade que ela brilha e de que maneira. As baladas "Worst In Me" e "Don't Wanna Talk" são sublimes e a sua voz rivaliza com a de um anjo. 

Com temas que abordam relações amorosas e até sexuais, Nervous System é um dos grandes candidatos à minha lista de "Melhores EP's de 2017". A experimentação musical aqui presente é estranha e não podia estar mais satisfeito. Os instrumentais "despidos" de instrumentos e apoiados em sons produzidos por ela própria, são simplesmente geniais. A sério, estão à espera do quê para ouvir este trabalho?


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #32


'1. Lorde Melodrama
MUST LISTEN: SOBER | GREEN LIGHT | LIABILITY | HOMEMADE DYNAMITE | WRITER IN THE DARK | PERFECT PLACES | THE LOUVRE

Assim que ouvi a brilhante "Green Light" pela primeira vez, há alguns meses atrás, tive a certeza de que o álbum seria bombástico. Quando finalmente chegou, foi com enorme satisfação que pude comprovar:
Melodrama é um dos, se não mesmo O melhor disco deste ano. 

O sucessor de Pure Heroin ficou em gestação durante quatro longos anos, mas valeu a pena cada segundo. Com uma produção inegável do Jack Antonoff, dos Bleachers, a Lorde passou de outsider a observadora. Normalmente existe sempre uma música que podia ter ficado de fora da lista, mas aqui isso não acontece. Do início ao fim, somos convidados a assistir a uma espécie de biopic da vida sentimental da cantora. É mais drama que melo, talvez porque o que o Frank Ocean é para o R&B, a Lorde aspira ser para o pop, isto é, uma poeta lírica. Missão cumprida.

Há muito tempo que não ficava em êxtase com álbum mas este Melodrama marcou pontos em todas as áreas. Vocalmente, o timbre continua igualmente assombroso e angélico, enquanto as letras são absolutamente geniais. As associações que a jovem cantora faz são, literalmente, fruto de uma mente incrível. Tudo isto com uma vibe à la 80's? Parece que foi feito especialmente para mim! A Lorde não é uma liability, mas pode ser um forest fire

'2. Imagine Dragons  Evolve
MUST LISTEN: I DON'T KNOW WHY | WHATEVER IT TAKES | BELIEVER | MOUTH OF THE RIVER

O disco de estreia dos Imagine Dragons,
Night Visions (2012), levou o seu tempo mas eventualmente tornou-se num êxito comercial astronómico. O álbum colocou a banda no cimo dos top's da Billboard  valendo-lhes a distinção de "Breakthrough Band of 2013". O sucessor, Smoke + Mirrors (2015), alcançou a primeira posição no U.S., Canadá e U.K., solidificando a sua marca na indústria musical e gerando ainda mais fãs.

Dois anos depois, o grupo de rock está de volta mas, tal como o título indica, sofreu uma evolução sonora. Pois é, Evolve, está mais para "Top 40" do que propriamente "Indie/Alt Rock". Se me incomoda? Nem um pouco. Este projecto abre com a fantástica "I Don't Know Why" que além de ser a minha favorita do catálogo, foge por completo àquilo a que estamos à espera dos Imagine Dragons. 

As críticas não têm sido nada positivas, mas sinceramente não compreendo. Tal como tem vindo a acontecer com inúmeros artistas, parece que as pessoas se recusam a aceitar qualquer tipo de mudança. O álbum chama-se "evolve", por amor de Deus! O que faz este trabalho ser tão interessante é precisamente a maneira como procura redefinir as fronteiras entre o rock e o pop. Extremamente catchy e nada cansativo, não podia pedir mais nada.

'3. Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner & James MCalister  Planetarium
MUST LISTENPLUTOJUPITER | MARS | NEPTUNE | MERCURY | SATURN

Em 2011 Sufjan Stevens foi convidado pelo compositor Nico Muhly a participar num novo projecto numa galeira de arte localizada na cidade de Eindhoven, nos Países Baixos. Juntamente com Bryce Dessner (The National) e o baterista James McAlister, o quarteto produziu uma extensa peça intitulada Planetariuminspirado na composição do sistema solar, planetas e diferentes corpos celestes.

Algures no último ano, cinco após a apresentação do "grupo", Muhly decidiu entrar em estúdio e registar oficialmente a performance. O resultado são 17 faixas que navegam pelo cosmos, com uma ambientação electro-acústica que, de resto, tem vindo a ser incorporada pelo Sufjan Stevens desde o início da sua carreira. Melodias etéreas, arranjos orquestrais, sintetizadores, batidas e inserções minimalistas que se modificam a cada novo planeta conquistado pelo quarteto.

Há que ter em atenção que o projecto original foi concebido para ser uma performance piece, ou seja, pensado como um acto único ao vivo, depois transportado para estúdio. Talvez por isso, Planetarium acaba por se perder um pouco na via láctea. Um exemplo disso são os intervalos entre uma música/corpo celeste e outro. Ficamos com uma constante sensação de que estão a vaguear pelo espaço sem qualquer tipo de direcção. Ainda assim, a leve semelhança ao grandioso Carrie & Lowell (2015) do Sufjan  ocupou a 7ª posição no meu "TOP 50 ALBUMS OF 2015"  impede-me de apontar qualquer tipo de defeitos a esta produção.

'4. Margaret  Monkey Business
MUST LISTEN: WHAT YOU DOBYLE JAK | MONKEY BUSINESS | COLOR OF YOU

O meu guilty pleasure polaco está de volta e mais animado que nunca. Monkey Business é o segundo álbum a solo de inéditas da Margaret e deixou um sabor amargo na boca. Seguindo as pisadas do antecessor, Add the Blonde (2014), continuamos em território dance, com batidas infecciosas, tropicais, e prontas para animar o Verão de qualquer um. No entanto, ficou muito aquém das minhas expectativas. Após o brilhante lead single, "What To Do", foi com alguma desilusão que me deparei com um trabalho que começa bem mas rapidamente perde o gás e se torna saturante. 

Longe de ser o meu estilo de música favorito, são várias as canções electrónicas/dance que aprecio. Dito isto, tudo o que é de mais enjoa. Nos últimos cinco anos temos sido massacrados com uma produção em massa de sons genéricos e sem qualquer tipo de originalidade. Monkey Business tenta prolongar a corrente mas perde-se por completo na sua execução. Nada coeso, alterna entre batidas capazes de nos deixar com vontade de invadir uma pista de dança com baladas completamente opostas. Apesar de destoarem por completo das 10 primeiras, as duas faixas bónus, em especial a "Byle Jak", cantada totalmente em polaco, são fantásticas e mostram o potencial vocal da jovem de 26 anos.

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #31


Não bastava estarmos em plena época de preparação para exames como ainda há celebrações dos Santos Populares. Realmente, não podia ter escolhido pior semana para "voltar", ah. Para não atrasar ainda mais a quantidade enorme de album reviews que tenho programadas, vamos lá então retomar e em grande, com o quarteto responsável por salvar a música pop em 2017 (vá, ainda falta a Lorde, mas ela que lance o Melodrama e depois falamos).

'1. Katy Perry Witness

A temível maldição do quarto disco voltou a atacar e desta vez a vítima é a Katy Perry. Parece que o mau olhado da cobra Swift resultou, irra. Acontece aos melhores, Beyoncé (4), Rihanna (Rated R) e Lady Gaga (Joanne) e nem a rainha da Candyfornia está imune ao nariz torcido da crítica. Curiosamente, Witness, é o seu trabalho mais ambicioso, coeso e interessante até à data. 

Aquando do lançamento do primeiro single, o politicamente recheado "Chained to the Rhtythm", a cantora descreveu o (na altura) futuro trabalho como "pop com um propósito". A antecipação era muita mas, infelizmente, isso não se verificou no produto final. Um exemplo disso é a escolha questionável de "Bon Appétit"  uma canção dance-pop sem qualquer aparente contexto político, em colaboração com um trio de homofóbicos para segundo single  algo que parecia deitar por terra tudo aquilo que "Chained" promovia. A Katy passou de um discurso socialmente consciente para querer ser "spread like a buffet". Entretanto ela descreveu a mensagem da música como uma "liberação sexual", mas mesmo assim, nada a ver com o inicialmente referido.

Colocando de lado descrições erradas, o que interessa é a componente musical e é nisso que temos que nos focar. Batidas electrónicas pulsantes e instrumentais de piano divinais fez desta Witness uma viagem deliciosa por entre melodias à la '80 mas em modo futurista. Digam o que quiserem, mas há autênticos hinos neste álbum. Ao longo de uma década a Perry tem-nos presenteado com verdadeiros hits  basta olhar para a era Teenage Dream inteira  e, a meu ver, a melhor canção deste projecto é, de longe, a "Roulette", seguida da faixa-título, "Witness", "Déjà Vu" e claro, a destruidora "Swish Swish".

Não seria um Katy Perry record sem uma balada capaz de nos despedaçar o coração e é isso mesmo que a "Miss You More" faz. Numa realização brutal em que a cantora se apercebe que as saudades de um antigo companheiro são superiores ao amor que ela sentiu por ele, é impossível ficarmos indiferentes. Tal como aconteceu em "The One That Got Away" ou "Unconditionally", esta é Katy no seu melhor e ai de quem disser o contrário. Também "Save as Draft" e "Into Me You See" apelam para o lado sentimental mas são poluídas pelo calcanhar de Aquiles da compositora, as letras. Não é segredo que a KP gosta do seu ocasional trocadilho azeitieiro, mas aqui esmerou-se. Digamos que proferir um "open sesame" a meio de um testemunho sentido ou fazer um suspiro dramático antes de dizer que vai... "salvar como rascunho" é absolutamente ridículo.

Fazendo um balanço geral, considero Witness um álbum superior ao Prism que, verdade seja dita, não apreciei muito (a não se por cinco faixas). Este mantém uma linha melódica coesa do início ao fim e, apesar de tudo, cumpre o seu objectivo: agradar os meus ouvidos. Pode não ser o bublegum pop que conhecemos e amamos ou até politicamente eficaz, mas não entendo a perseguição que as cantoras sofrem cada vez que tentam inovar e "mijar fora do penico". Evolução e experimentação são importantes e permitem-nos progredir. Da minha parte, Witness, recebe um Golden Ghostly.


'2. Halsey  Hopeless Fountain Kingdom

A Halsey não estava a brincar quando disse que estava heading straight for the castle. O secretamente soberbo disco de estreia, Badlands (2015), falava de "olhos educados entre as coxas dela" e "fazer sexo no lavatório da casa-de-banho". Em Hopeless Fountain Kingdom, o primeiro álbum de uma cantora a estrear em #1 no top da Billboard este ano, estamos perante uma recriação do romance de Romeu e Julieta, sob um olhar moderno e millenial, como é indicado em "The Prologue". Pois é, se pensaram que a referência ao 'Biggie e Nirvana' na "New Americana" foi atrevida, preparem-se.

Com uma produção digna de uma estrela com anos de carreira, o grande destaque é "Strangers", uma colaboração com a Lauren Jauregui das Fifth Harmony. Um hit instantâneo com sabor à anos 80 e que pode muito bem ser o primeiro dueto de peso (as t.A.T.u eram um grupo) sobre duas mulheres bissexuais a usarem o mesmo pronome de género ao longo da canção como, "she doesn’t kiss me on the mouth anymore".

Há que aplaudir a Halsey por ter criado uma visão romantizada desta narrativa quase poética de amores proibidos e más relações. O único senão é o facto de se notar que ela ainda não encontrou a sua voz enquanto artista. Os ingredientes estão todos lá, mas nota-se a milhas que ela se molda aos produtores e influências. Tanto pode saltar entre o The Weeknd e Avril Lavigne, como Florence & The Machine e até Rihanna  ainda não superei o facto da "Now or Never" ser uma cópia descarada da "Needed Me", mas tenho que admitir que estou viciado na maldita canção, algo que não aconteceu com a versão original.

Tive as minhas duvidas durante muito tempo mas consegui, finalmente, aceitar o timbre da Halsey e posso dizer que estou oficialmente rendido. 


'3. Dua Lipa  Dua Lipa

Até que em fim! Inicialmente previsto para ser lançado em Setembro de 2016, depois adiado para Fevereiro deste ano e mais uma vez adiado até 2 de Junho, habemus Dua Lipa, o álbum. Tenho sido um fiel seguidor da jovem inglesa de origem albanesa desde que lançou a impecável "Be The One" há dois anos atrás, e a cada aperitivo musical, as expectativas só aumentaram. Dito isto, não me pareceu nada bom presságio existirem seis singles oficiais antes do álbum de estreia ter chegado — isto para não falar das colaborações com o Sean Paul ("No Lie") e Martin Garrix ("Scared to be Lonely"). É praticamente metade do corpo de trabalho exposto antes do tempo, perdendo por completo o efeito surpresa. Não faz sentido nenhum. Aliás, isso explica o facto de só ter conseguido alcançar a #5 posição no top do UK. Sacrilégio.

Números e calendários à parte, não podia estar mais feliz por ter finalmente o projecto final em mãos, ou devo dizer, ouvidos? Tendo ouvido tudo do início ao fim umas 200x, confirma-se, a galinha dos ovos de ouro é, sem dúvida alguma, a voz da cantora. Dona de um timbre raspy extremamente edgy e cheio de garra, a Dua tem a capacidade de transformar uma faixa genérica e aborrecida numa aposta vencedora. É incrível!

Para um primeiro trabalho, o veredicto é positivo mas nada do outro mundo. Tem bons momentos mas não chega a fugir ao molde pop existente no mercado. As letras pós-adolescência repletas de questões sobre sexo, amor e empoderamento são actuais, asseguram o interesse do público e são todas da autoria da cantora, o que é um ponto positivo. Além de "Be The One" e "Hotter Than Hell", a mais recente, "Lost In Your Light", em parceria com o Miguel, é uma amostra perfeita de fluidez harmónica entre teclados, bateria e um refrão capaz de meter qualquer um a abanar o pé. Outro standout é a faixa de encerramento, "Homesick". Apoiada de piano, a composição resulta de uma colaboração com Chris Matin, dos Coldplay, que participa na gravação e cujos vocais se fazem ouvir ocasionalmente. Simplesmente mágica.


'4. Allie X  CollXtion II

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15" com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana está de volta com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. É tudo o que podia querer e mais um bocadinho. Se ainda não perceberam, deixo bem claro, estamos perante um forte candidato ao título de Álbum do Ano.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.



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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #30


#1. Drake More Life
MUST LISTEN: GET IT TOGETHER | PASSIONFRUIT | MADIBA RIDDIM |  TEENAGE FEVER 

Num intervalo de apenas dois anos, o Drake lançou duas mixtapes If You're Reading This It's Too Late (2015) e What a Time to Be Alive, esta última em parceria com Future, lançou um disco bem recebido comercialmente, Views (2016), e ainda colaborou numa série de faixas, como o hit "Work" da Rihanna.

Com tanto material a sair sem seguir, necessariamente, uma linha conceptual única, o rapper norte-americano encontrou a solução ideal, lançar o novo registo musical como uma playlist. Intitulado More Life: A Playlist by October Firm (2017), o novo "álbum" é excessivamente longo, com uma duração de 80 minutos. A colectânea de 22 faixas e interludes navega pelo dancehall ("Madiba Riddim", "Blem"), o grime ("Get It Together", "Passionfruit"), e R&B ("4422", "Glychester"), sem que se torne numa confusão de géneros.

Sinceramente considero o Drake extremamente sobrevalorizado, e não percebo a hype toda à sua volta. Apesar de não ser nenhum entendido em rap ou sequer adorar o estilo, sei ver que existem muitos outros artistas bem mais eficazes que ele. Dito isto, More Life valeu a pena nem que seja pela genial "Get It Together". 


#2. Nelly Furtado  The Ride
MUST LISTEN: PHOENIXPIPE DREAMS | CARNIVAL GAMES | STICKS AND STONES

Oh Nelly, a falta que me fizeste! Cinco anos após o lançamento do último disco, o injustamente underrated, The Spirit Indestructible (2012), a luso-canadense mais conhecida do mundo está de volta com The Ride. Neste sexto álbum, a cantora volta a explorar um novo universo musical, aproveitando para revisitar uma série de elementos originalmente utilizados nos seus primeiros trabalhos. Estamos no mesmo território indie pop/synthpop de artistas como Sky Ferreira, HAIM ou até Carly Rae Jepsen, ou seja, música de qualidade com pouco ou nenhum sucesso comercial.

Produzido em parceria com John Congleton, o leque de 12 faixas é uma viagem melodicamente incrível, do início ao fim. A cantora provou que o pop não precisa ser necessariamente descartável, pode ter cabeça, tronco e membros. Da batida emocionante de "Magic", dreamy "Pipe Dreams", culminando na etérea "Phoenix", é um crime não embarcarem nesta Ride.

#3. Goldfrapp  Silver Eye
MUST LISTEN: ANYMORE | EVERYTHING IS NEVER ENOUGH | MOON IN YOUR MOUTH | OCEAN

Honesty Time: este é o primeiro projecto que ouço dos Goldfrapp do início ao fim. Veredicto: não me perdoo por não lhes ter dado uma oportunidade antes. Silver Eye é o primeiro registo de inéditas em quatro anos e do pouco que conheço dos trabalhos anteriores, segue o mesmo estilo apoiado em sintetizadores e batidas trip-hop/chillout que os meteu no mapa.

Como não tenho propriamente fonte de comparação, estou bastante satisfeito com o que ouvi. "Anymore" e "Ocean" são sem dúvida as grandes stand-out tracks do álbum. Por entre tantas batidas minimalistas e sintetizadores crescentes, a voz delicada da Alison capta a nossa atenção de uma maneira incrível. Sem dúvida uma das grandes surpresas deste ano.

#4. Mac DeMarco  This Old Dog
MUST LISTEN: THIS OLD DOG | WATCHING HIM FADE AWAY |  MY OLD MAN | A WOLF WHO WEARS SHEEPS CLOTHES

O Mac DeMarco é um verdadeiro achado. Foi-me recomendado por um colega, quando andava na Universidade, e desde então converti-me num fã. Desde 2012 ele já lançou dois álbuns aclamados pela crítica e parece-me que este This Old Dog vai completar o triângulo. Responsável pela composição, produção e gravação de cada um dos instrumentos, o músico canadense (apercebi-me agora que o Canadá está em grande nesta publicação) faz do registo de 13 faixas uma obra pessoal e intimista, através de versos em modo de confissão presentes ao longo do trabalho.

Na faixa de abertura, My Old Man, Demarco apresenta ao ouvinte uma cuidadosa reflexão sobre a necessidade de amadurecer e encarar a vida adulta. Aos poucos, vamos tendo acesso a vislumbres da vida pessoal e infância do compositor. Uma história marcada por abusos e agressões causadas pelo pai alcoólico. Este tipo de vulnerabilidade é desfolhado com o avançar de cada canção, até "Watching Him Fade Away", encerra o ciclo. Sem dúvida a música mais sincera da sua carreira. Aqui vemos o cantor a chegar a um patamar de aceitação sobre deixar algo que nunca teve verdadeiramente. Este é o Mac mais no seu estado mais cru de sempre, numa espécie de carta de amor à família que nunca teve. É simplesmente heartbreaking.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #29


1. Charli XCX Number 1 Angel
MUST LISTEN: BABYGIRLLIPGLOSSROLL WITH ME3AM

Enquanto o aguardado terceiro disco de estúdio não chega, a Charli XCX continua em terreno experimental com a mixtape "Number 1 Angel". Menos pessoal que o primeiro disco "True Romance" e menos agressivo que o EP "Vroom Vroom", este trabalho tem batidas cativantes e esboços de trap comandados por um exército pop feminono.

Composto por 10 faixas, a mixtape conta com a colaboração de diversas artistas emergentes na cena musical como Uffie, ABRA, Starrah, Raye e até a divertida Cupcakke. Também nomes conhecidos dão uma mãozinha como a dinamarquesa mais famosa do momento, MØ, a voz por detrás de hits como "Lean On" e "Cold Water". Estamos perante um verdadeiro caso de "girl power" e o resultado não podia ser melhor.

"Number 1 Angel" pode não ser um êxito comercial e alcançar qualquer tipo de sucesso, mas é, sem dúvida alguma, uma lufada de ar fresco.

2. ANOHNI  Paradise
MUST LISTEN: IN MY DREAMS | RICOCHET | PARADISE

Menos de um ano após o lançamento do álbum Hopelessness, o mais político de sempre da sua carreira, e que ocupou a 6ª posição no meu "TOP 50 de Melhores Álbuns de 2016", Anohni mostrou que ainda tem mais para dizer. Sob o EP Paradise, a cantora mantém a mesma linha criativa do trabalho anterior, com letras que exercitam mensagens dolorosas que expressam diferentes fases de sofrimento, superação e melancolia, embrulhadas numa estética electrónica alucinante. 

Contrariamente ao disco do ano passado, este é um pouco duro de ouvir, mas é suposto. Com as suas distorções, repetições e dissonâncias, a narrativa passa por momentos de lamentação ("Paradise"), amargurados ("Jesus Will Kill You") e furiosos ("Ricochet"), mergulhadas em feminismo e contra o capitalismo que parece terem sido criadas precisamente para não serem êxitos comerciais, algo contrário ao que o POP sempre foi. Um paradigma musical de génio. Numa conferência sobre este EP, Anohni explicou que o objectivo é "apoiar conversas activistas e romper suposições sobre a música popular através da colisão do som electrónico e letras altamente politizadas". Segue-se uma longa mensagem sobre a opressão do sexo feminino por parte do masculino, inclusive dos nossos líderes políticos. Música com consciência é rara e não podia estar mais satisfeito com o resultado final destas seis faixas.

3. Muna  About U

Há algum tempo que vos queria falar de uma das minhas mais "recentes" obsessões, as Muna. Este trio de ex-colegas da University of Southern California, formado por Katie Gavin, Naomi McPherson e Josette Maskin, é uma das grandes promessas musicais deste ano. O amor pelo synthpop e pop dos anos '80 é bastante evidente ao escutarmos cada uma das 12 faixas de "About U", o. álbum de estreia.

Uma coisa é certa, as raparigas têm uma habilidade incrível para criar melodias viciantes, apoiadas de bons refrões e linhas melódicas convincentes. Têm uma veia dramática que aprecio e se revela em algumas letras, como no caso de uma das minhas favoritas, a "Crying on the Bathroom Floor"  o título diz tudo. O facto de serem uma voz activa na comunidade LGBT é importante, nem que seja pelas mensagens que as suas músicas carregam. Enquanto elas não explodem no mundo mainstream vou continuar desfrutar de "About U" e pensar que o trio é só meu. Mas vá, não me importo de o partilhar com vocês.

4. Fenech Soler  Zilla
MUST LISTEN: UNDERCOVER | KALEIDOSCOPE | NIGHT TIME TV

Seguindo a temática 80's que parece ser uma constante na minha biblioteca musical, chegou a altura de vos apresentar o duo Fenech Soler. Com a saída do fundador Daniel Fenech-Soler e Andrew Lindsay do até então grupo, restaram os irmãos Ross e Ben Duffy para continuar a deliciar os fãs com o terceiro álbum de estúdio, Zilla.

Com uma sonoridade semelhante aos Daft Punk, é impossível ficar quieto ao som das batidas com sabor a Verão que o duo nos oferece faixa após faixa. Energético, repleto de refrões infecciosos e diversidade, sem perder a coesão, Zilla só peca por se tornar um pouco repetitivo. Dito isto, é O disco a ouvir antes de qualquer saída à noite, ou se forem lobos solitários como eu, a qualquer altura do dia.


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quarta-feira, 22 de março de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #28


1. Zara Larsson  So Good
MUST LISTEN: ONE MISSISSIPISYMPHONY | LUSH LIFE | NEVER FORGET YOU

Dois anos e cinco singles depois, o primeiro álbum internacional da Zara Larsson foi finalmente lançado. Infelizmente, não faz jus ao nome. So Good é o exemplo perfeito de uma artista cheia de potencial com uma crise de identidade. A cantora sueca é perita em absorver o som de outros colegas, mas ainda não conseguiu encontrar o seu. Perdida entre batidas de discoteca, baladas/midtempos desnecessárias e faixas à la Rihanna ("Sundown"), estamos perante uma grande confusão.

Nem tudo é negativo. Além de uma voz absolutamente fenomenal, especialmente destacada na minha canção favorita, "One Mississipi", a jovem de 19 anos está no seu melhor na eterna summer jam, "Lush Life", uma das melhores faixas pop dos últimos anos. O mesmo se aplica à "Never Forget You", em parceria com o MNEK, e a mais recente colaboração com os Clean Bandit, "Symphony decisão sábia incluir esta, é de longe uma das melhores do álbum. 

Estou bastante decepcionado com o resultado final. Gosto bastante da Zara mas além de pouco coesa, a qualidade das letras é desastrosa. Se é ela a escrever ou alguém por ela, precisam praticar o quanto antes. Permitirem que a frase de abertura da "Only You" seja I don't wanna shower even if I stink, é simplesmente ridículo e só contribui para o desastre que é essa faixa. Espero que depois de ouvir o cd umas 20x o sentimento seja mais positivo.

2. Jessica Sutta  I Say Yes
MUST LISTEN: DISTORTION | FOREVER | REIGN | CAN'T TAKE NO MORE

Provavelmente não conhecem o nome Jessica Sutta, mas se vos disser que ela era uma das Pussycat Dolls, talvez se faça uma luz. Após uma eternidade de singles, incluindo o hit "Show Me" que lhe valeu um #1 no top de Dance Club Songs da Billboard, feito repetido com a genial "Distortion", chega-nos o álbum de estreia I Say Yes. Sob o nome artístico de JSutta, a cantora norte-americana tornou-se numa espécie de rainha da música POP electrónica underground, graças a uma colecção de faixas prontas para as pistas de dança.

Tendo em conta que a Jessica é uma artista independente, há que aplaudir a dedicação e força de vontade em partilhar o seu trabalho. Os vídeos podem não ter o orçamento que outras estrelas do meio possuem, mas o mais importante está lá, música boa. Se é o meu género favorito? Não, mas quando um produto é bom, só me resta admiti-lo. A meio deste projecto de 15 faixas, as coisas descambam um bocado, em parte por causa das colaborações questionáveis, mas de uma maneira geral, estou bastante impressionado. Não só provou que, de facto, canta, como nos brindou com autênticas jams como a "Distortion", "Forever" e "Reign".

3. Khalid  American Teen
MUST LISTEN: AMERICAN TEEN | LOCATION | YOUNG DUMB & BROKE | 8TEEN | LET'S GO

Uma das melhores coisas da indústria musical é o facto de estar constantemente a sair fornadas de novos artistas. Ainda melhor que isso é quando eles são geniais como o Khalid. Com apenas 19 anos de idade, lançou um brilhante álbum de estreia. American Teen é uma ode à juventude, liberdade e lida com temas como a tecnologia, amor e auto-descoberta. Ou seja, se há alguém que compreende e sabe vocalizar o que é ser jovem, é o jovem norte-americano.

O disco é coeso, a narrativa flui bem e os vocais do Khalid são divinais. Ele consegue ter uma voz gentil e simultaneamente poderosa, mantendo uma qualidade melódica a cima da média. Acredito piamente que se o guiarem bem, estamos perante uma estrela in the making. Apesar de sete das 15 canções do álbum terem sido anteriormente lançadas como singles, não perde em momento nenhum o brilho. Num misto de Frank Ocean e Gallant, garanto-vos que não se vão arrepender de ouvir este trabalho.

4. Ed Sheeran  ÷
MUST LISTEN: SHAPE OF YOU | CASTLE ON THE HILL | GALWAY GIRL | HAPPIER

Oh Ed, what have you done? No mês passado assumi publicamente que não apreciava o Ed Sheeran e que este Divide seria o primeiro álbum dele que iria ouvir por estar viciado na "Shape of You". Assim o fiz e... meh. Do pouco que conheço do Multiply, este disco não parece mais que uma tentativa gritante de superar o sucesso do anterior, em especial da canção "Thinking Out Loud".

O meu maior problema com este projecto é a (des)organização das faixas. Incomoda-me imenso que não exista qualquer tipo de cuidado em seguir um raciocínio lógico e melódico. Em vez disso levamos com um vai-vem de "balada vs. animação". Que o Ed Sheeran seja um óptimo escritor musical nós já sabemos, mas desta vez ele abusou nos clichés românticos banhados a azeite. Pior que isso foi a faixa "New Man", onde faz pouco do rapaz com quem a ex-namorada está, por "branquear" o rabo, acompanhar as Kardashians e usar uma mala de homem. Vindo de alguém que já referiu imensas vezes que não era o rapaz mais popular e provavelmente também deve ter sido gozado, conseguiu revelar-se um verdadeiro asshole

Feitas as contas, as duas melhores fatias desta colectânea mantêm-se os singles "Shape of You" (aka. a irmã mais nova da "Cheap Thrills" da Sia) e "Castle on the Hill". Muitos detestam a "Galway Girl", mas adoro a influência irlandesa na produção. 

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #27


1. Kehlani  SweetSexySavage
MUST LISTEN: DISTRACTION | UNDERCOVER | ADVICE | DO U DIRTY | THANK YOU

SweetSexySavage é o título perfeito para descrever o primeiro álbum de estúdio da Kehlani. Produzido durante dois anos, o sucessor da mixtape You Should Be Here (2015), indica um crescimento enorme. Por entre batidas e versos que se dividem entre a sexualidade, romantismo e melancolia, somos convidados a espreitar a mente e conflitos internos da cantora.

Claramente influenciado pelo seu período de recuperação  em 2016 a Kehlani foi internada após uma tentativa de suicídio , o disco abre com uma espécie de pedido de desculpas, "My condolences to anyone who has ever lost me". Sim, são passagens de uma alma atormentada, mas sem nunca cair no erro de se tornar num registo sufocado pelo caos em que a sua vida se tornou. Com um cuidado enorme na produção e entrega dos versos, a honestidade e sensibilidade em cada uma das 17 faixas é refrescante.

Além de uma evidente homenagem ao disco CrazySexyCool das TLC (1994), o som da Kehlani navega por entre o R&B/Soul produzido no final da década de 1990 e início dos anos 2000, inspirando-se em artistas como Aaliyah. O único ponto negativo é a duração do álbum. Com temas tão carregados de sentimento e experiências pessoais, 60 minutos é demasiado tempo para conseguir absorver tudo com atenção.

2. Austra  Future Politics

A Katie Stelmanis e os parceiros Maya Postepski, Dorian Wolf e Ryan Wonsiak são mestres na arte de saber exactamente o tipo de sonoridade que querem alcançar enquanto Austra. Future Politics, terceiro e mais recente álbum do grupo canadiano, mantém a vibe electrónica dos antecessores, Feel It Break (2011) e Olympia (2013), servindo como plataforma para um som mais complexo e refinado.

Inspirado em filmes de ficção científica e manifestos políticos, Future Politics, é uma espécie de mistura entre o passado e o futuro que acaba por ser extremamente relevante tendo em conta acontecimentos políticos desastrosos como a última eleição presidencial norte-americana. Estamos perante um cenário urbano e caótico, fruto da contínua interferência humana e excessos causados pela sociedade de consumo. Chega a ser arrepiante ouvir esta colecção semi-melancólica de canções marcadas pelo isolamento e angústia. Apesar de tudo, a mensagem geral é optimista e apresenta soluções, sendo a mais importante cuidarmos de nós próprios.

Como sempre, além das batidas hipnotizantes, o grande destaque do projecto é a voz angelical da Stelmanis. Num registo pop-ópera a fazer lembrar a Kate Bush ou mais recentemente, Aurora, a cantora canadiana consegue dar uma dimensão e significado incrível às letras. Aconselho-vos vivamente a ouvir as faixas que destaquei como "MUST LISTEN".

3. Bebe Rexha  All Your Fault Pt. 1
MUST LISTENI GOT YOU | ATMOSPHERE | F.F.F.

O campeonato de adiamentos foi finalmente decidido e a Dua Lipa levou a taça. Dois anos desde o EP I Don't Wanna Grow Up (2015), a Bebe Rexha lançou o disco de estreia mas with a twist. Dividido em duas partes, All Your Fault Pt. 1, marca uma nova era para a cantora norte-americana.

Decidida a quebrar o mercado mainstream, a Bebe sofreu uma metamorfose ao estilo das Stepford Wives. É caso para dizer, "quem a viu e quem a vê". De peruca loira e trajes diminutos da praxe, não foi só a imagem dela que mudou. Também o som evoluiu para um R&B com pinceladas de hip-hop e claro, dance music.

Dona de uma voz tão peculiar que deve ser ouvida em pequenas doses (daí a divisão do álbum, já percebi) para não irritar  não é por acaso que lhe dei o nickname de "Bezerra Rexha"  estava à espera de mais. Dito isto, existem rasgos de genialidade como "I Got You" (mantém-se como a melhor faixa do projecto), e "Atmosphere". O próximo single, "F.F.F.", leia-se Fuck Fake Friends  olá JoJo!  é uma clara tentativa de ganhar radioplay e... resulta, fica no ouvido. Agora é esperar pela Pt. 2 em Abril.


4. João Pereira  Echoes
MUST LISTEN: SOMEONE | JUST A BOY | DRUG | RESPIRO 

Sigo o João no Instagram há algum tempo e foi com um enorme prazer que aceitei o convite a ouvir o seu primeiro EP, Echoes, e dar uma opinião sincera. Confesso que estava um pouco reticente por se tratar de um artista português o que, supostamente, fugiria um pouco à minha "zona de conforto". Felizmente estava redondamente enganado. Assim que a faixa-título começou a tocar percebi que estava perante um trabalho extremamente rico e delicado.

Composto por sete faixas, este projecto bilingue é capaz de nos transportar numa viagem sensorial incrível. Por entre sonoridades melancólicas dignas de uma Lana Del Rey ("Someone") ou mais comerciais ("Yours"), há um elo comum que as une: a voz. Único e quase andrógeno, o timbre do vocalista é um dos pontos mais fortes desta produção que aborda temas como relações complexas, desejos internos e claro, amor. Tendo em conta que estamos perante uma estreia, estou bastante impressionado com a qualidade musical.

Aprendam comigo e não alimentem o estigma contra os artistas portugueses. Podem ouvir o EP, Echoes, completo no Spotify (AQUI).

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