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segunda-feira, 19 de março de 2018

Quando a paranóia nos consome


A paranóia é uma espécie de cancro que se não for apanhado a tempo acaba por se alastrar e consumir-nos. Uma analogia um pouco severa mas penso que a temática assim o permite.

Ao longo dos anos foram algumas as vezes em que me deixei apanhar por esta "particularidade" psicológica. Se por norma tudo se resume à típica mania da perseguição ou um medo irracional de alguma coisa (como já relatei AQUI), ainda existe uma última fase a que chamo de terminal. Sabem quando ficamos com alguém de ponta e cada acção parece ser um ataque directo à nossa pessoa? É exactamente isso.

Graças a algumas conversas com conhecidos sobre o tópico em questão, parece que este é um mal de que todos nós já sofremos a dada altura da nossa vida. Pessoalmente, o meu maior trigger (e da Marta, já agora) resume-se a copy-cats.

Não querendo bater mais no ceguinho, limito-se a reforçar que a minha tolerância nesse departamento é 0 (refiro-me aos copiadores, mas já agora também se aplica à violência contra invisuais). No meu primeiro contacto com o mundo dos blogs, em 2006, tive um gostinho do que implica criar um projecto de sucesso: as réplicas indesejadas e não consentidas. Fast forward alguns anos e, agora na blogosfera portuguesa, não levou muito tempo até surgir alguém que mais parecia ter tirado um PHD em Ciências da Comunicação de Ricardo M. Francisco. De expressões escritas idênticas à edição de imagens, e súbitos interesses culturais, comecei a sentir que não podia dar um passo sem ter um vulto atrás de mim.

É algures entre esta irritação e frustração que, por vezes, escorregamos e deixamos-nos embriagar pela paranóia. Coisas triviais como partilhar uma canção pouco conhecida do público geral e no dia seguinte vê-la escarrapachada nas stories do instagram da outra pessoa  sim, porque acaba por ter ramificações para outras plataformas online  até poderia ser coincidência (como a canção do Piçarra), mas dado o historial de acontecimentos anteriores, torna-se extremamente difícil não criar qualquer tipo de ligação.

Chegamos então ao momento em que começamos a questionar se, de facto, há ali alguma coisa mal cheirosa ou se estamos a ter uma crise egotista. Como até sou um gajo justo costumo dar o benefício da dúvida, mas todos nós temos o nosso limite e quando é atingido, considerem-se automaticamente introduzidos no meu Burn Book. A sério, normalmente apresento os factos a alguém externo, ou seja, exemplos de "coisas minhas" e daquele cujo nome não deve ser pronunciado, para tirar a prova dos nove. Afinal, estou a enlouquecer ou há um fundamento de verdade? Felizmente, "contra factos não há argumentos".


Já se deixaram consumir pela paranóia? Qual é o vosso trigger?

1 comentário:

  1. No que toca ao blogue acho que nunca me aconteceu nada do género (também é "pequeno" e tbh nesse campo não sei bem como me copiariam), mas acredito que seja horrível!!
    O meu maior trigger é provavelmente com bandas (wanna be fans), embora parte de mim admita o quão estúpido e irracional é. Por exemplo, quando foi anunciado que os Arctic vinham ao NOS alive vi um instastory que dizia algo do género "Gosto tanto de Artick que até saio de casa de pijama para ir comprar o bilhete"

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