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domingo, 4 de março de 2018

O plágio (ou não) do Piçarra


Nos últimos dias não é a quantidade de mortos na Síria que tem incomodado os portugueses, mas sim o suposto plágio do Diogo Piçarra no Festival da Canção. Prioridades.

Não é segredo que sou um espectador assíduo deste evento anual e, como tal, foi com algum desagrado que recebi a notícia de que o antigo vencedor dos Ídolos ia participar na edição deste ano. Não por desgustar do trabalho dele mas por saber que dada a sua popularidade, inevitavelmente, a batalha nunca seria justa. Dito e feito. As pessoas tendem a esquecer-se que o que está em análise não é a carinha laroca e o amor incondicional que se tem por um cantor, mas sim a qualidade da canção apresentada. Sim, é bonita mas não é a melhor.

Após a vitória inesperada do Salvador Sobral com a intemporal "Amar Pelos Dois", o que aconteceu foi uma tentativa desesperada de tentar replicar o sucesso do ano passado. Juntem a isso um leque de canções de um mau gosto extremo e está o caldo entornado (não entendo como alguns acham que aquilo é merecedor de representar o nosso país e ter sequer uma chance de vitória). Entre um fado sensaborão e um primo afastado do tema do Sobral pelas mãos de um arrogante apreciador de bananas (atenção que gosto da "Sem Título" mas graças ao cantor, zero), a melhor e única opção lógica é "O Jardim" da Isaura e Cláudia Pascoal. Não sendo o maior consumidor de música portuguesa, esta última foi capaz de me emocionar graças à sua letra e interpretação cativante.

Mas voltemos ao que interessa, afinal o Diogo plagiou ou não o tal tema religioso? Não sei. É uma questão bastante complexa. Quantas vezes não pensamos ter tido uma ideia genial e depois descobrimos que já alguém o tinha feito antes? O mesmo acontece ao ler uma crítica ou livro, nunca sabemos que partida o nosso subconsciente nos vai pregar. Agora, uma coisa é uma frase idêntica, outra é uma melodia, tempo e métrica. Trabalho todos os dias com músicos e técnicos de áudio que, devido à sua experiência, têm uma opinião bem fincada sobre este tópico, mas é melhor não entrarmos por aí.

De facto, ouvindo ambas canções ("Canção do Fim" do Piçarra e a "Open Your Eyes" de Bob Cull, ou qualquer versão internacional), é evidente que existe uma semelhança gigante. Só quem tiver problemas auditivos é que não percebe isso. A simplicidade melódica não pode servir de desculpa para esta "coincidência divina"que até a mesma métrica cantada possui. Pior ainda foi o argumento quase infantil que o Diogo utilizou no seu comunicado onde referia que nasceu em '90 e, como tal, não fazia ideia que existia "aquela" versão de '79. I mean, nasci em '92, é suposto não conhecer Led Zepplin?

No meio disto tudo, o que mais me incomoda são os fanáticos que simplesmente não compreendem que, sendo ou não plágio, o facto é que já existia uma canção melódica e metricamente igual à do Piçarra, portanto a única opção lógica foi a desistência do concurso. Sim, no meio musical já tudo foi inventado, mas that's life! Num ano em que a RTP tem utilizado a palavra "originalidade" a cada cinco segundos, seria uma enorme hipocrisia se continuassem a apoiar a "Canção do Fim". Caso contrário, arriscavamo-nos a ser desclassificados da Eurovisão, após termos vencido, sermos os anfitriões da competição e garantido um lugar automático na Final. Custa assim tanto a compreender a valente barraca que isso daria?

Como qualquer "escândalo", daqui a umas semanas já ninguém se lembra disto, portanto não vale a pena massacrar o rapaz. A ter que partilhar a vossa opinião, é possível fazê-lo sem destilar veneno. A sorte dele é que estamos em Portugal e não é isto que vai definir a carreira dele. Até lá, votem n'O Jardim para vencer esta noite.

As canções são parecidas ou precisam de aparelhos auditivos? Plágio ou coincidência?

5 comentários:

  1. Sinceramente, já a algum tempo que deixei de ver o programa. Na minha opinião, chegou a um ponto em que as músicas eram todas iguais, de estilo pop.
    Um beijinho grande*
    Vinte e Muitos

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  2. "O Jardim" também é o meu favorito para ganhar. Saber o contexto em que a música foi escrita e o seu significado, para além da bonita voz e interpretação da Cláudia fizeram-me emocionar.
    Não desgosto do Piçarra (e sinceramente acredito que não se trate de plágio), mas a verdade é que a sua popularidade não daria hipótese a qualquer outra das participações...
    Beijinhos!

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  3. Tenho que admitir que gostava da canção do Diogo Piçarra e achava uma boa concorrente para nos representar (no meio da desgraça que é este ano). Mas, a partir do momento em que ouvi a outra canção - que soa EXATAMENTE igual - não consegui mais apoiar o candidato nem sequer a sua canção e, portanto, achei a decisão dele abandonar o concurso a mais sensata.
    Posto isto, nem sei quem quero que ganhe. Não gosto da voz da Cláudia Pascoal (nunca gostei!) e portanto não consigo gostar da música dela (apesar da magia da letra e do significado da mesma). Vamos lá ver o que sairá daqui!

    My Own Anatomy 💫

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  4. Por ser uma melodia tão básica, não acredito que seja viável acusá-lo de plágio. Desde há séculos que determinadas melodias, simples, foram usadas e abusadas nos mais diversos tipos de música porque simplesmente soam bem ao ouvido e encaixam em tudo.
    O caso do Piçarra foi parecido. Não tem como comprovar o plágio em algo que qualquer pessoa conseguiria compor. Se ele podia ter feito uma música melhor e mais original? Podia, mas também não podemos esperar maravilhas no Festival da Canção e afins.

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  5. Por acaso acho um bocado ridículo acharem que ele iria plagiar tal música, não me acredito nem faz qualquer sentido!! Foi apenas uma triste coincidência!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2018/03/ootd-72-black-pink.html

    Beijinhos ♥

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Eventuais questões serão respondidas aqui, na respectiva publicação.

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