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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

TGW Awards: Top 50 Albums of 2O17


Vamos fingir que não passou um absurdo de tempo desde a última publicação do especial "Ghostly Walker Awards", e saltamos directamente para a penúltima lista. Se têm prestado atenção, sabem que partilhei o "TOP 10 EP's", "TOP 20 UNDERRATED SINGLES", "TOP 10 MUSIC VIDEOS" e desta vez até me aventurei por um "TOP 20 SINGLES". Para encerrar a categoria de Música em grande, literalmente, porque não um TOP 50 com os melhores álbuns que ouvi no ano passado? Sim, voltei a cometer esta loucura! Até tinha material suficiente para #100 mas, bye Felicia.

Não me canso de frisar que não passo de um mero crítico amador, como tantos de vocês, portanto não levem a peito alguma das minhas opções. Só porque uma revista da área elege determinados discos como o Santo Graal da indústria, não significa que concorde ou me deixe influenciar por isso. Esta é a principal razão pela qual não coloquei o "DAMN" do Kendrick Lamar. Como não aprecio o estilo, prefiro não considerá-lo do que julgá-lo injustamente. Infelizmente o pensamento em "comboio" é bastante frequente no que toca a este tipo de tarefas. Talvez seja por isso que aprecio tanto esta lista. Por norma é fácil distinguir quais os álbuns que consigo ouvir do início ao fim sem me cansar e aqueles que ao fim de três canções já me deixaram farto. Disto isto, é importante realçar que isso não significa que, por exemplo, um disco que se encontre em #42 seja necessariamente pior ou menos tolerável que outro em #22.

Tenho plena consciência que colocar uma Halsey a cima do Sam Smith seja uma afronta para muitos mas, independentemente de ter em consideração questões técnicas, tudo se resumo a qual disco gostei mais de ouvir. Não é um concurso de popularidade mas de gosto pessoal/qualidade. Cada pessoa tem as suas preferências e como tal, é normal que discordem de algumas classificações ou omissões.

Se o vosso favorito não se encontrar na lista, é possível que não o tenha ouvido. As minhas músicas favoritas de cada álbum estão indicadas como "MUST LISTEN".

Sem mais demoras, let the games begin!

MENÇÕES HONROSAS: SUFJAN STEVENS (...) - "PLANETARIUM" | GOLDFRAPP - "SILVER EYE" | DRAKE - "MORE LIFE" | CHARLI XCX - "POP 2" | ED SHEERAN - "DIVIDE" | SHANIA TWAIN - "NOW" | RACHEL PLATTEN - "WAVES" | SHAKIRA - "EL DORADO" | TERROR JR. "BOP CITY 2: TERRORISING" | FERGIE - "DOUBLE DUTCHESS"


#50. Pabllo Vittar  Vai Passar Mal
#49. Loreen — Ride
#48. Zara Larsson — So Good
#47. Sir Sly — Don't You Worry, Honey
#46. Bleachers — Gone Now
#45. Miley Cyrus — Younger Now
#44. Austra — Future Politics
#43. Paloma Faith — The Architect
#42. Cashmere Cat — 9
#41. Aquilo — Silhouettes

#40. Nelly Furtado — The Ride
#39. HURTS — Desire
#38. Imagine Dragons  Evolve
#37. Mac DeMarco — This Old Dog
#36. Foster The People — Sacred Hearts Club
#35. Tyler, The Creator — Flower Boy
#34. The National — Sleep Well Beast
#33. Mura Masa — Mura Masa
#32. Sam Smith — The Thrill Of It All
#31. Kehlani — SweetSexySavage

#30. Katy Perry — Witness
#29. HAIM — Something To Tell You
#28. Kelly Clarkson — Meaning Of Life
#27. Fifth Harmony — Fifth Harmony
#26. Susanne Sundför — Music For People In Trouble
#25. alt-J — Relaxer
#24. Taylor Swift — Reputation
#23. P!nk — Beautiful Trauma
#22. Sevdaliza — ISON
#21. MUNA — About U

#20. Halsey — Hopeless Fountain Kingdom
#19. Betty Who — The Valley
#18. Tove Lo — Blue Lips (Lady Wood Phase II)
#17. London Grammar — Truth Is A Beautiful Thing
#16. The XX — I See You
#15. Charli XCX — Number 1 Angel
#14. Khalid — American Teen
#13. Arca — Arca
#12. Dua Lipa — Dua Lipa
#11. Perfume Genius  No Shape

.10.. Demi Lovato  Tell Me You Love Me
MUST LISTEN: YOU DON'T DO IT FOR ME ANYMORE | TELL ME YOU LOVE ME | CRY BABY | DADDY ISSUES | RUIN FRIENDSHIP

Após anos a batalhar para conseguir o mínimo de reconhecimento pelo seu talento, chegou finalmente a altura da Demi Lovato brilhar. Tell Me You Love Me é o sexto álbum da jovem norte-americana e o melhor da sua carreira.

Neste novo projecto, ela quebra o molde estereotipado no qual estava inserida há imenso tempo, mostrando um crescimento incrível. Não só fez as pazes consigo mesma como aceitou a sua sexualidade de braços abertos. O resultado é um conjunto impecável de novas sonoridades, arranjos vocais e baladas capazes de nos deixar seriamente pensativos sobre certas escolhas nas nossas vidas.

Embora seja uma oferta mais adulta, especialmente no departamento das letras que receberam um update do caraças, os elementos sassy divertidos continuam presentes em faixas como "Sexy Dirty Love" ou numa das minhas favoritas, "Cry Baby". Seria um crime a Demetria continuar a ser ignorada pelos Grammys, mas aqui pelo blog levou um Golden Ghostly. (REVIEW COMPLETA)

..9.. Allie X  Collxtion II
MUST LISTEN: THAT'S SO US | DOWNTOWN | SIMON SAYS | VINTAGE | CASANOVA | OLD HABITS DIE HARD

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana voltou com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. Não fosse a competição tão forte, ocuparia uma posição no pódio.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.

..8.. Miguel  War & Leisure
MUST LISTEN: BANANA CLIPPINNEAPPLE SKIES | SKY WALKER | CRIMINAL | TOLD YOU SO

O Miguel parece ser um dos poucos artistas com posição cativa no meu top 10 dos melhores do ano. Em 2015 ocupou o #10 com "Wildheart" e, dois anos depois, sobe para #8 com "War & Leisure". Com uma sonoridade mais acessível e na mesma linha do sensacional "Kaleidoscope Dream" (2012), este quarto disco é tudo aquilo que eu não sabia que precisava. Continuando com interpretações carregadinhas de sensualidade, Banana Clip é refrescante e deliciosa, Pineapple Skies é uma balada que poderia muito bem ser a prima direita da Sexual Healing. A voz do cantor neste registo é tão perfeita que torna cada faixa convidativa. O Miguel é sem dúvida um dos melhores cantores R&B da actualidade e é marginal a falta de reconhecimento que ele tem face a outros como Bruno Mars.

..7.. Jessie Ware — Glasshouse
MUST LISTEN: SELFISH LOVE | FIRST TIME | THINKING ABOUT YOUALONE | HEARTS

O amor sempre foi a principal componente dos trabalhos da Jessie Ware. Com uma sensibilidade rara nos dias que correm, a cantora e compositora britânica conseguiu criar um pequeno império de preciosidades com os discos "Devotion" (2012), "Tough Love" (2014), e o mais recente "Glasshouse". Confesso que tenho um soft spot por ela. É das poucas cantoras que me consegue comover com os seus trabalhos que além de relações, também abordam conflitos existenciais. São temas carregados do pesar da saudade, uma angústia permanente ou simples admissão de paixão. O cuidado e forma como conduz a narrativa e arranjos dos versos é algo que merece ser apreciado. Faixas como Selfish Love e First Time são pérolas que guardarei para sempre.

..6.. Lana Del Rey  Lust For Life
MUST LISTEN: 13 BEACHES | LOVE | BEAUTIFUL PEOPLE, BEAUTIFUL PROBLEMS | SUMMER BUMMER | GROUPIE LOVE

Em "Lust For Life", o quarto disco da carreira da Lana Del Rey, vemos a cantora norte-americana a voltar às suas raízes, por assim dizer. Mais próximo da brilhante era Born To Die do que de Ultraviolence ou Honeymoon, é o seu trabalho mais longo até à data. O conjunto de 16 faixas lida com temas bastante familiares para qualquer fã, a queda do glamour Hollywoodesco, a América, e amores terríveis. Mas, desta vez, a Lana consegue atingir uma magnitude ainda maior, ao recorrer a orquestras e melodias simplesmente impressionantes. Começando pela cinemática "Love" e passando pela etérea "13 Beaches"são muitas as concorrentes ao título de melhor canção.

Contrariamente à maioria dos colegas de profissão, a Del Rey acertou em cheio nas colaborações. A parceria com a incomparável Stevie Nicks na "Beautiful People, Beautiful Problems" (uma das minhas favoritas), é possivelmente uma das canções mais bonitas que alguma vez criou. As vozes das duas complementam-se tão bem que chega a ser chocante. O rapper A$AP Rocky aparece em "Summer Bummer" e "Groupie Love" e não desapontou.


..5.. SZA  Ctrl
MUST LISTEN: THE WEEKEND | DREW BARRYMORE | LOVE GALORE | SUPERMODEL | GO GINA 

O ano passado teve várias lufadas de ar fresco em diversos géneros musicais. No campo R&B/Hip-Hop, o nome SZA é provavelmente o que mais se destaca. No disco de estreia, "CTRL", a jovem não mede meias palavras e proporciona um dos trabalhos mais honestos dos últimos tempos. O amor, a falta dele, inseguranças, experiências românticas traumáticas e lições aprendidas são alguns dos tópicos abordados ao longo de um conjunto de 14 faixas.

O título do álbum refere-se à dificuldade em nos mantermos no controlo de certas situações repetitivas e culmina num "já chega". Os temas são tão pessoais que é impossível não nos revermos em pelo menos um deles. Aliás, as letras exemplificam uma espécie de viagem sentimental, atravessando várias fases como o fim inevitável de uma relação (Supermodel), a perda de confiança nos sentimentos de outra pessoa (Garden), até à sua aceitação (Drew Barrymore).


..4.. Sabrina Claudio — About Time
MUST LISTEN: BELONG TO YOU | USED TO | WANNA KNOW | EVERLASTING LOVE | STAND STILL

Não há nada melhor que descobrir um novo talento. Por obra do acaso que é como quem diz, youtube, há uns meses tropecei na soberba Belong To You (um dos 10 "UNDERRATED SINGLES OF 2017") e o resto é história. Não sendo propriamente uma powerhouse, a Sabrina Claudio é uma estrela em ascensão, cuja confiança rivaliza com a de uma Rihanna. Num registo quase angelical, experimental, sedutor e melancólico, a jovem de 21 anos conseguiu criar um disco de estreia perfeito do início ao fim. "About Time", foi exactamente o que senti quando ouvi a colectânea. Embora ainda não tenha quebrado a barreira do mainstream até ao estatuto de super-estrela musical, as qualidades estão todas lá.

..3.. Kelela  Take Me Apart
MUST LISTEN: LMK | BETTER | TAKE ME APART | ONANON | ENOUGH

Aos 34 anos, a Kelela finalmente lançou o seu debut album, "Take Me Apart". Só prova como a idade é apenas um número e nunca devemos desistir dos nossos sonhos. Após alguns EP's, a cantora segue as pisadas da colega Solange Knowles, ao caminhar por uma paisagem de R&B contemporâneo, com traços de POP. A sua voz brilha em primeiro plano, enquanto os refrões viciantes nos atacam com uma potência capaz de nos deixar a dançar ou conquistar uma galáxia distante. Sim, leram bem. Os instrumentais electrónicos evocam diferentes cenários, desde algo alianesco a uma sessão de BDSM. Estranho mas altamente genial. "Take Me Apart" é uma versão mais polida e arrojada dos seus trabalhos anteriores, e não há nada de negativo a apontar. 

..2.. Kesha  Rainbow
MUST LISTEN: PRAYING | BOOTS | LET 'EM TALK | LEARN TO LET GO | BASTARDS | RAINBOW

Raras são as vezes que um projecto musical consegue a proeza de nos arrancar o coração e trazer-nos de volta à vida. Rainbow foi um desses casos. Cinco anos desde o lançamento do último álbum de inéditas, Warriora Kesha renasceu e abençoou-nos a todos com o melhor trabalho da sua carreira. A cantora convidou-nos a entrar no seu íntimo e a assistir de camarote a uma preview de todos os momentos bons e maus que passou na vida. "Bastards" é a escolha perfeita para abrir o disco e forma as bases do que se segue, um conjunto de faixas banhadas a ouro.

Inevitavelmente, são várias as referências à batalha judicial travada com o produtor Dr. Luke, e a respectiva editora, mas o discurso nunca é de vítima. Pelo contrário, ela aceita o passado e segue em frente. Neste contexto, nasceram autênticas pérolas como "Praying", a faixa-título e a de fecho, "Spaceships". Mas nem tudo é melancólico. Sem perder o sentido de humor que nos fez apaixonar por ela, é impossível não sorrir ao som de "Woman" e "Let 'Em Talk" ou derreter com a ternurenta "Godzilla".

Tal como alguns colegas o fizeram mas nem sempre de forma tão eficaz, Kesha apostou em combinações sonoras surpreendentes. Num registo mais indie/rock/country/pop, as colaborações com os Eagles of Death Metal e Dolly Parton são a cereja no topo do bolo multicolor que é este Rainbow. A Glitter Queen continua lá (ouçam a "Boots", uma das minhas favoritas e que me lembra imenso a "Americano" da Gaga), mas transcendeu para algo digno de adoração. Não é por acaso que os seus vocais estão mais fortes do que nunca. Sem dúvida um dos meus álbuns favoritos deste ano.

..1.. Lorde  Melodrama
MUST LISTEN: GREEN LIGHT | SOBER | LIABILITY | WRITER IN THE DARK | HOMEMADE DYNAMITE | PERFECT PLACES | THE LOUVRE

Assim que ouvi a brilhante "Green Light" pela primeira vez tive a certeza de que o álbum seria bombástico. Quando finalmente chegou, foi com enorme satisfação que pude comprovar: Melodrama é O melhor disco de 2017. 

O sucessor de Pure Heroin ficou em gestação durante quatro longos anos, mas valeu a pena cada segundo. Com uma produção inegável do Jack Antonoff, dos Bleachers, a Lorde passou de outsider a observadora. Normalmente existe sempre uma música que podia ter ficado de fora da lista, mas aqui isso não acontece. Do início ao fim, somos convidados a assistir a uma espécie de biopic da vida sentimental da cantora. É mais drama que melo, talvez porque o que o Frank Ocean é para o R&B, a Lorde aspira ser para o pop, isto é, uma poeta lírica. Missão cumprida.

Há muito tempo que não ficava em êxtase com álbum mas este Melodrama marcou pontos em todas as áreas. Vocalmente, o timbre continua igualmente assombroso e angélico, enquanto as letras são absolutamente geniais. As associações que a jovem cantora faz são, literalmente, fruto de uma mente incrível. Tudo isto com uma vibe à la 80's? Parece que foi feito especialmente para mim! A Lorde não é uma liability, mas pode ser um forest fire


Conheciam os álbuns todos? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2017?

2 comentários:

  1. A lorde foi uma grande surpresa para mim no ano de 2017. Não era grande fã das suas músicas do álbum anterior mas graças à Discover Weekly do spotify descobri tanto a Liability como a Writer in the dark, ambas absolutamente geniais!!

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  2. Não conheço uma grande parte dos álbuns que aqui falas (prometo que vou investigar ahah) mas conheço algumas músicas de alguns dos álbuns. Sem dúvida, que o álbum da Miley Cyrus está qualquer coisa, bem como o da Demi. Acho que ambas mostram muito bem a sua maturidade e evolução nos seus álbuns. Depois, para mim, seria impossível não gostar dos Imagine Dragons. Acho que são mesmo espetaculares e, mais uma vez, este álbum demonstra-o muito bem.

    Já que és uma pessoa da cultura e que gosta de música, convido-te a leres o meu mais recente post. :) http://inesmartinsxx.blogspot.pt/2018/01/alo-dreamers-como-foi-esse-fim-de.html

    Beijinhos!

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