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domingo, 7 de janeiro de 2018

TGW Awards: Top 10 TV Series of 2O17


Compilar uma lista com as melhores séries do ano é sempre uma tarefa ingrata, especialmente para quem acompanha tantas como eu. A televisão conseguiu algo inédito e superou largamente o grau de produtividade e qualidade em relação ao cinema. Não é por acaso que cada vez mais ícones do grande ecrã estão a fazer a transição para o "pequeno".

Contrariamente aos últimos dois, a corrida ao título de "Melhor Série do Ano" foi bastante renhida em 2017. Posso dizer-vos que ao longo do tempo tive três opções diferentes no primeiro lugar do pódio, sendo que as restantes posições também mudaram constantemente. Das 80 que acompanho, parecia-me injusto limitar-me a um top 10. Além das menções honrosas, resolvi aumentar a lista para 20, de modo a poder expor mais produções merecedoras. Se as vossas favoritas não forem referidas ao longo desta publicação, talvez se deva ao facto de não as ter visto.

Numa análise rápida e superficial, fiquei de boca aberta com o upgrade narrativo que as segundas temporadas de várias séries receberam. "The Exorcist", "Channel Zero" e "Better Things" são apenas algumas das produções que parecem ter recebido um elixir de pujança criativa. No departamento das comédias também tivemos grande concorrentes como a recente "Glow", "Unbreakable Kimmy Schmidt", "You're The Worst" e "Younger". Ainda assim, o que realmente mexeu com o meu coração foi o tacto que algumas tiveram em lidar com a morte de personagens principais, nomeadamente "Jane The Virgin" e "Nashville". Em vez de se apoiarem na bengala temporal de "X anos depois", e ignorarem por completo o que aconteceu não. O luto foi feito de maneira prolongada, real e extremamente comovente. Confesso que chorei bastante e isso só comprova o quão convincente foi o trabalho deles. Por falar em coisas tristes, despedimos-nos de demasiadas séries boas para o meu gosto, desde "Orphan Black" e "Girls" a "Broadchurch" e "Bates Motel", nem sei o que vos diga.

Abomino escrever sinopses e pior ainda quando tenho que o fazer para séries com mais do que uma temporada, portanto dêem-me um desconto. Como nunca sei ao certo o que revelar ou não, é preferível deixar o aviso da praxe, atenção aos spoilers.

MENÇÕES HONROSAS: BLACK MIRROR | MR. ROBOT | GIRLS | BATES MOTEL | HOW TO GET AWAY WITH MURDER | NASHVILLE | TABOO | 13 REASONS WHY | FARGO | GRACE & FRANKIE | THE CROWN | 

20. Stranger Things, Season 2
19. The Exorcist, Season 2
18. Oprhan Black, Season 5
17. The Good Fight, Season 1
16. Insecure, Season 2
15. Jane The Virgin, Season 4
14. You're The Worst, Season 4
13. Glow, Season 1
12. Channel Zero, Season 2
11. Transparent, Season 4

.10.. Younger”, Season 4
NOTA: 7/10 | TRAILER: AQUI

Baseada no livro de Pamela Redmond Satran e criada por Darren Star (Sex and the City), Younger tem sido um verdadeiro caso de sucesso. Aclamada pela crítica e atraindo números gigantescos de espectadores norte-americanos quando está no ar, tornou-se num dos meus guilty pleasures. Sabem aquelas séries que nos deixam genuinamente felizes por saber que já saiu um novo episódio? É isso mesmo.

Nesta quarta temporada, continuamos a acompanhar Liza, uma mãe divorciada de 40 anos que se fez passar por uma jovem de 26 para conseguir trabalho na área dela. Com um foco maior nas personagens secundárias, em especial a Kelsey (Hilary Duff) e Diana (Miriam Shor), esta produção conseguiu diversificar o enredo e abordar diferentes relações e problemas profissionais. Não há dúvida que a história tem uma forte carga feminista, repleta de humor crítico e certeiro. Mas homens que estejam a ler isto, não se preocupem que em momento nenhum estão colocados de parte.  

..9.. Broadchurch”, Season 3
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Três anos depois dos acontecimentos das primeiras duas temporadas encontramos Hardy e Miller a investigarem um novo crime: a violação de Trish Winterman. Embora a série pudesse cair nos mesmos clichés que tantos outros dramas-crime já cometeram, Broadchurch inverteu as expectativas ao abordar a agressão sexual com tamanha sensibilidade e consciência que nunca antes tinha visto em televisão.

Desde o início é evidente que a história não é o que estávamos à espera; Trish é uma mulher de meia-idade, recém-separada e mãe de uma filha adolescente. Não é uma vítima jovem e sexualizada, caracterizada como uma coitada que queremos vingar. Do primeiro ao último capítulo, ela é um ser humano comum, com qualidades e defeitos, representando todas as mulheres que raramente contam as suas histórias por não se encaixarem no estereótipo que a sociedade lhes propõe.

Com a progressão da trama, dizem-nos constantemente que a violência sexual nunca é culpa do sobrevivente, que as mulheres quase nunca mentem sobre violação, que é algo relacionado com poder e não necessariamente sexo, que as vítimas não respondem todas da mesma maneira e que geralmente o agressor é alguém próximo. Nenhum destes pontos deveria ser novidade, mas o cuidado e forma com que estão a desmistificar ideias pré-concebidas raramente é abordada no pequeno ecrã, e é precisamente isso que a torna tão impactante. O retrato de cada fase da investigação e a jornada complicada de Trish, assim como de outras mulheres que acabam por partilhar testemunhos semelhantes, é extremamente importante. Quantas séries utilizam as suas narrativas para comunicarem mensagens de tamanha importância, ainda para mais nos tempos em que vivemos?

Nem vos consigo explicar como me senti com a notícia de que esta foi a última temporada de Broadchurch. Além de uma das minhas séries favoritas de sempre, conseguiu a proeza de ter cada uma das suas seasons no meu top 10 das melhores do ano.

..8.. Feud: Bette and Joan, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

É oficial, o Ryan Murphy tornou-se na versão masculina da Shonda Rhimes (Grey's Anatomy, Scandal, How To Get Away With Murder). Na sua última série antológica, Feud, foca-se nas famosas rivalidades da história moderna, começando pela de Bette Davis e Joan Crawford. Uma aposta ousada que tira proveito de uma dupla soberba de actrizes, Susan Sarandon e Jessica Lange. O meu amor pela segunda senhora não é segredo, e foi com a maior alegria que a vi de volta no meu ecrã. A química entre ela a Sarandon é tal que é impossível torcer por apenas uma delas. Mas a maior conquista desta obra é como consegue elevar a sua simples premissa de "história verídica" numa análise sobre o sexismo em Hollywood, o preconceito com a idade e como os homens com poder muitas vezes manipulam as mulheres, voltando-as umas contra as outras, para lutarem pela atenção deles. Além do guarda-roupa e cenários fantásticos, Feud: Bette and Joan ainda conta com um elenco secundário de luxo (Stanley Tucci, Alfred Molina, Jackie Hoffman, Catherine Zeta-Jones e Kathy Bates.

..7.. American Gods, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Inspirada no livro de Neil Gaiman, American Gods acompanha Shadow Moon (Ricky Whistle), na altura em que este é libertado da prisão e vê a sua vida a mudar para sempre após conhecer o misterioso Mr. Wednesday (Ian McShane). Rapidamente ele descobre que está no meio de uma guerra entre deuses antigos e novos. Confusos? É normal. Basicamente com o passar dos anos a fé em certas figuras mitológicas vai perdendo força e abrindo espaço para o nascimento de novos deuses  sendo estes alimentados pela obsessão nacional com os media, celebridades, tecnologia, etc. Os "antigos" revoltam-se e decidem derrubar os mais "recentes".

premissa parece ser um pouco tresloucada mas garanto-vos que é um festim visual. Aliás, só o genérico é algo do outro mundo, literalmente. Está perfeito! Tem uma certa vibe "Constantine" (mas em bom) e até de "True Blood". O facto de ter sido renovada para uma segunda season antes mesmo de estrear revela as elevadas expectativas dos criadores. Não os condeno, tem todos os ingredientes necessários para a longevidade televisiva. O elenco é excepcional, os cenários meticulosamente trabalhados e os efeitos especiais são fantásticos. Se forem apreciadores dos géneros sobrenatural e acção, preparem-se para entrar numa das viagens mais alucinantes das vossas vidas.

..6.. The Sinner, Season 1
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

Em The Sinner, Jessica Biel interpreta uma mãe de família que é subitamente tomada por um acesso de "raiva" numa praia, e comete um terrível acto de violência. O mais estranho é que a jovem não sabe porque motivo cometeu tal crime. Intrigado com o mistério, um detective acaba por ficar obcecado e inicia uma investigação para compreender não o que aconteceu, mas o porquê.

Confesso que não sou o maior fã da esposa do Justin Timberlake, que aqui também é produtora executiva, mas graças ao seu magnífico desempenho enquanto Cora, a minha opinião mudou drasticamente. Adoro um bom mistério e se juntarem elementos de crime à mistura melhor ainda. Literalmente somos constantemente guiados em direcções opostas enquanto, tal como a protagonista, tentamos perceber o que raio se passou. O desfecho é algo de... têm que ver. Não posso alongar-me sem revelar spoilers. A série de 8 episódios é baseada no livro de Petra Hammesfahr e foi adaptada pelo guionista Derek Simonds (The Astronaut Wives Club), que também assina como co-produtor. 

..5.. Legion, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Numa altura em que os cinemas e televisões estão saturados de super-heróis - os novos vampiros do mundo do entretenimento - o factor "novidade" perdeu-se. Com Legion, a FX poderia ter optado pelo caminho fácil e limitar-se a reproduzir a banda-desenhada, mas não. O criador Noah Hawley não só conseguiu a proeza de fazer algo diferente no universo Marvel, como criou uma história consistente e inovadora. Legion apresenta-nos David Heller, um paciente esquizofrénico num instituto psiquiátrico. Mas as vozes que ele ouve talvez não se devam à sua doença. Na realidade, David pode ser um telepata que toda a vida acreditou ser apenas um doente mental. Confuso? É normal, parte da magia desta série é precisamente o facto de nos deixar às escuras durante grande parte do tempo. Nada que uma dose de paciência e concentração durante os primeiros episódios não resolvam.

No desenrolar da acção ficamos a conhecer mais mutantes além de David e é refrescante o facto de cada um deles ter direito ao seu tempo de antena. Não são meros adereços secundários, muito pelo contrário, existem momentos importantes em que o protagonista nem sequer aparece. Por falar nele, a escolha do Dan Stevens foi de mestre. O actor que também deu corpo ao monstro de Beauty and the Beast, consegue transparecer a personalidade de alguém com esquizofrenia sem exagerar ou cair em clichés. Também a Audrey Plaza merece uma ovação de pé pela fantástica interpretação enquanto Lenny.

Uma série sobre sanidade mental, lealdade, fracassos, com um enredo extremamente inteligente e visualmente brilhante.  Do set-design à fotografia, passando pela música, as cores, o guarda-roupa, os efeitos especiais, tudo é genial e tem uma razão de ser. A atenção ao detalhe é incrível e só valoriza ainda mais esta produção que embora bizarra, pode muito bem ser a melhor do género.

..4.. Better Things, Season 2
NOTA: 8/10 | TRAILER: AQUI

A segunda temporada de Better Things foi a grande surpresa de 2017. Toda a narrativa é incrivelmente humana e natural. É impossível não nos revermos em alguns momentos, seja nas discussões com as suas crias, a relação delicada com a mãe ou a dificuldade em aceitar que alguém goste genuinamente dela. A dramedy melhora a cada episódio, colocando o espectador no lugar de pendura enquanto aborda questões importantes. Pamela Adlon revelou ser uma verdadeira força da natureza ao dirigir, além de protagonizar, a totalidade desta season. Como indicam os créditos finais, a série é dedicada às suas filhas, e esse amor transparece em cada cena. Um dos maiores trunfos desta produção é precisamente a inclusão de três meninas actrizes de diferentes faixas etárias e feitios bem fincados. A escrita é divinal e o equilíbrio entre a carga dramática e cómica é simplesmente genial. Não há nada de negativo a apontar, tudo resultou nesta segunda parte da trama. Tudo. A cena final foi a cereja no topo do bolo.

..3.. Big Little Lies, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Adaptada do livro de Liane Moriarty, Big Little Lies explora a vida de um grupo de mulheres e mães, aparentemente com a vida perfeita,  mas que escondem segredos, medos e angústias. O que ninguém esperava é que elas também tivessem que lidar com assuntos como bullying, abuso sexual, traição e violência doméstica. Inicialmente tudo indica que a história se vai centrar num crime, na vítima e no culpado e apesar de ser esse o foco central, na big picture acaba por ser algo secundário.

Esta é uma narrativa fortíssima no feminino, assim como as actrizes que as interpretam. O grande destaque vai para Nicole Kidman, num dos melhores papéis da sua carreira. A evolução da sua personagem e a forma como lida com a violência de que é algo, é notável. Seja nas sessões com a terapeuta ou com o marido violento, estamos perante um trabalho incrível por parte da actriz australiana. A Reese Witherspoon é outro dos grandes destaques. O modo como a sua Madeleine Mackenzie leva a vida faz-nos apaixonar pela sua personagem e até mesmo perdoar algumas atitudes questionáveis. A Shailene Woodley que muitos ainda vêm como uma teen actress, provou ser muito mais que isso.

A realização de Jean-Marc Vallée é estonteante, como de resto já nos tinha mostrado em filmes como Dallas Buyers Club e WILD. Também vale a pena referir a banda-sonora irrepreensível. De Fleetmac Wood e Neil Young a Elvis Presley, ficamos totalmente submersos nas suas letras e melodias que tanto enriquecem as cenas em que entram.

..2.. Dark, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Ao longo de dez episódios, é-nos contada detalhadamente a história de uma pacata população alemã, onde o desaparecimento de uma ou mais crianças desencadeia uma complexa rede de estranhos acontecimentos. Muitas questões por responder, segredos guardados há décadas são revelados e ninguém escapa impune. Antes de mais, DARK é um monstro visual incrível. O clima sombrio aliado a longos planos de uma densa floresta, a chuva, as personagens carregadas com o pesos dos seus segredos, ajudam a construir uma aura misteriosa genial. Ainda que o ritmo seja lento, a narrativa está tão bem construída que isso não afecta nada a sua visualização.

É complicado falar desta produção com o cunho Netflix sem deixar escapar algum spoiler. Existem momentos tão surreais que a dada altura aceitamos como natural o rumo que a trama está a levar. Tudo até ao mais íntimo detalhe está conectado e tem uma explicação. Quando o fio começa a ser desenrolado e ganhamos respostas, é como se tivéssemos descoberto o significado da vida. O elenco é estupendo, sendo que cada um dos actores encaixa na perfeição no papel que representam. A única coisa que me incomoda é que por ter sido lançada depois de Stranger Things, e insistirem que a temática é a mesma (não é) não tenha recebido o devido mérito.

Devorei a temporada inteira desta série alemã num dia e confesso-vos, o fascínio foi tal que estava em primeiro lugar desta lista. Foi com grande esforço que precisei analisar de forma crítica esta e a produção que se segue, para conseguir chegar a uma decisão. De qualquer forma, se o pódio puder ser partilhado, então DARK também leva medalha de ouro.

..1.. The Handmaid's Tale, Season 1
NOTA: 9/10 | TRAILER: AQUI

Baseada no romance do mesmo nome, de Margaret Atwood, The Handmaid's Tale é a história da vida na distópica "Gilead", uma sociedade totalitária onde costumavam ser os Estados Unidos. Enfrentando desastres ambientais e um declínio da taxa de natalidade, o governo opera sob um regime fundamentalista que trata o sexo feminino como propriedade do Estado. Enquanto uma das poucas mulheres férteis que restam, Offred é presa numa casa que força as mulheres à escravidão sexual, cujo objectivo é repovoar o planeta.

Com Elizabeth Moss, Joseph Fiennes, Alexis Bledel e Samira Wiley no elenco, a série cumpriu a promessa e mexeu com as minhas emoções a cada episódio. Tenho tolerância zero a este tipo de mentalidade em geral e em especial com as mulheres, portanto houve alturas em que precisei afastar-me do computador e arejar as ideias. É incrível e igualmente assustador com o ambiente em que a série decorre se adequa tão bem à conjuntura actual vivida nos EUA. Conseguiram captar a essência da questão de tal forma que é impossível não afectar o espectador.

Se existiam dúvidas de que o guarda-roupa influencia bastante o resultado final das produção, foram exterminadas com este projecto. O jogo de cores monocromáticas, como se de uma "casta" se tratasse, é simplesmente genial. Por falar em genialidade, a Elizabeth Moss é absolutamente soberba no papel de Offred. Criamos uma empatia tão grande com ela que por momentos custa a perceber que aquilo é apenas ficção. Quantas vezes não quis saltar para a tela e acabar com aquela fantochada. Façam um favor a vocês mesmos e vejam esta série se ainda não o fizeram. 


Acompanham algumas das séries? Quais foram as vossas favoritas de 2017?

2 comentários:

  1. Chorei tanto com Nashville... Não só com a morte em si, desmoronei completamente no concerto de homenagem a Rayna.

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  2. 1ª reacção ao post: OITENTA!?!?! Vida, é assim que eu percebo que devia acompanhar mais séries...
    2ª reacção ao post: Como é que se atreveram a acabar com Orphan Black, fico mesmo triste com estas coisas... quando as séries são mesmo boas, não investem :(
    Quanto ao último ponto que queria referir... achei que conseguiste contar um pouquinho de cada série sem dar spoils ou falar demais, deixando a intriga e o bichinho em cada palavra escrita. Fiquei especialmente alerta à Big Little Lies - já andava de olho nela -, Better Things - atrai-me esta temática -, The Sinner - pelo fascínio com o desconhecido - e Younger!
    Talvez em breve já tenha uma opinião para partilhar contigo :)

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