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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Problemas de um Hipocondríaco


Ao fim de quase três anos de blog é seguro dizer que já me conhecem minimamente bem. Ainda assim, como em qualquer relação, existe sempre algo extra por descobrir. Embora já o tenha referido no passado, nunca me debrucei muito sobre uma das particularidades mais fincadas do meu ser, a hipocondria, isto é, o medo excessivo e irrealista de ter uma doença.

Por falta de melhor palavra, ser hipocondríaco é uma valente shit. A pressão psicológica que exercemos sobre nós mesmos é de tal forma pesada que morremos centenas de vezes ao longo da vida. Uma simples dor de cabeça nunca é apenas isso. Aliás, desde criança sofro de enxaquecas (há temporadas em que são diárias) e, como tal, os red flags apontavam todos para um tumor ou aneurisma. Numa dessas alturas de maior incidência de dores, descobri um alto "duro" na nuca e o nível de terror só aumentou. A paranóia foi tanta que acabei por fazer exames. Ainda me lembro do ar do médico quando me diz que aquilo saliente na nuca era um osso, bastante comum nas pessoas da sua etnia, africana.

O mesmo tipo de pensamento acontece com qualquer outro problema físico que possa encontrar. Uma mancha na pele só pode significar cancro, e por aí fora. É esgotante e só quem sofre deste problema consegue perceber que é mais forte do que nós. Não digo que vivo em constante medo de apanhar qualquer coisa, mas lá no fundo, existe uma voz que vai sussurrando, "cuidado, é melhor ires ver isso". A verdade é que me sinto revitalizado quando faço análises. Ter a confirmação de que está tudo bem é algo que não consigo explicar.

É importante perceber que existem três tipos de hipocondríacos. O primeiro é aquele que sofre em silêncio, a imaginar as piores doenças, mas que prefere não ir ao médico com medo de se confirmar que estava certo; depois vem o tipo que sofre em partilha, aborrecendo as pessoas à sua volta com as suas supostas maleitas e que só vai ao médico se o problema não passar num período de tempo que considere adequado; por fim temos aquele que também partilha com o mundo e que está sempre caído no hospital para fazer todos e quaisquer tipo de exames.

Confesso que sou um misto entre o segundo e terceiro. Se bem que geralmente evito a visita ao médico porque tenho rasgos de lucidez, apoiada da repreensão dos meus pais e namorada, que me ajudam a perceber que provavelmente não há de ser nada, e que passa sozinho. É precisamente este ponto que irrita um hipocondríaco, o facto de ninguém nos levar a sério. É compreensível, até porque também reviro os olhos quando ouço outra pessoa com esta condição a falar. Devia ser solidário por saber perfeitamente o que estão a sentir, mas não consigo evitar. Ao fim de tanto tempo a ouvir alguém dizer que vai morrer, mas esse dia parece nunca mais chegar, é inevitável desvalorizar-se os murmúrios de uma alma penada.

Compreendo o teor cómico que esta conversa possa ter, mas garanto-vos que para nós, é tudo menos isso. Tenho noção que muitas vezes exagero, sou ridículo e de tal forma negativo que penso sempre no pior cenário possível, mas prefiro estar preparado para o pior e ser surpreendido com boas notícias. Até agora tem resultado, mas estou sempre à espera do dia em que isso mude.


São hipocondríacos ou conhecem alguém assim?

4 comentários:

  1. A única altura em que me senti "paranóica" foi quando tive a cadeira de Patologia, na faculdade. Foi a primeira cadeira que, do início ao fim, falava de doenças, sintomas, diagnósticos, hábitos ou comportamentos que originassem a doença... Era horrível porque todos nós tínhamos de estudar aquilo e saber tudo, portanto, durante esse semestre, sempre que lia sintomas, começava a tê-los a todos. A "piada" é que não aconteceu só comigo e sim com a turma inteira, de tal forma que alguns colegas meus chegaram a aproximar-se da professora e dizerem que suspeitavam de terem as doenças que tínhamos abordado na aula anterior x)

    Não sei se é por toda a minha vida ter estudado ciências e ter ingressado num curso de saúde mas, normalmente, as minhas suspeitas são certeiras. Eu raramente imagino cenários trágicos e fatais mas conheço o meu corpo suficientemente bem para saber quando há alterações normais ou algo que, se calhar, é melhor confirmar. Uma vez magoei-me a sério no pulso, num jogo de basquetebol, e o médico insistiu que tinha feito uma lesão no tendão. Já eu insistia que estava um osso partido, embora não tivesse qualquer sinal típico de fratura a não ser as dores que sentia (o meu pulso estava absolutamente normal, sem deformações, inchaços... Nem sequer estava negro!). Insisti para fazer um raio-x, meti a fotografia na janela, identifiquei o osso rachado e o médico NÃO O VIU! Mudei de médico que, ao ver o raio-x confirmou que estava de pulso partido. Vale dizer que estive uma semana de pulso partido sem absolutamente nada para corrigir o pulso ou limitar os movimentos. Confio sempre nos meus instintos, desde então! :b

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  2. Nos últimos tempos comecei-me a aperceber que sou um bocado hipocondríaca. É como se sentisse que tenho algum problema mesmo que exames digam o contrário.

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  3. Confesso-me uma aspirante a hipocandríaca! De verdade, existem situações que me deixam realmente a desejar, e uma delas é quando me coloco a fazer um auto-diagnóstico a partir de pesquisas! É tão chato, principalmente quando não nos mexemos para perceber, realmente, o que se passa! Todavia, não considero que seja algo de grave, no meu caso, visto que nunca cheguei ao ponto de alimentar incessantemente as minhas paranóias! Isto tanto pode servir como um alerta, uma preocupação para connosco mesmo, como também o contrário! Nem quero imaginar como seria estar na tua pele, ou na de um outro que sofra tanto com este problema, visto que a ansiedade e eu não nos damos lá muito bem! x)

    novo blogue: IMPERIUM

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  4. Eu identifiquei-me bastante com o comentário da Inês, porque também tive uma cadeira de Patologia na faculdade, e durante esse semestre fiquei mesmo paranóica, achava que tinha as doenças todas xD. Os profs até se riam com a cara de pânico com que alguns de nós ficávamos a meio das aulas xD.

    Eu não diria que sou hipocondríaca, mas estando num curso de saúde é quase inevitável que, por vezes, me dê para achar que tenho doenças que não tenho. Contudo, no início do curso sofria muito com isso, agora já consigo voltar rapidamente à realidade e perceber que são só medos meus.

    Não sei bem o que é sofrer de hipocondria a sério, por isso não consigo imaginar sequer aquilo que estás a passar. Deve ser mesmo terrível viver com essa ansiedade. Espero que consigas encontrar uma forma de lidar melhor com o problema.
    Beijinhos,
    Cherry
    Blog: Life of Cherry

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