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terça-feira, 22 de agosto de 2017

CINEMA ⤫ Blast From the Past


O meu amor pela sétima arte é do mais puro possível. Em criança ouvi o chamamento das sereias e fiquei deslumbrado com o mundo do faz-de-conta. Desde os cenários, ao guarda-roupa, até os filtros que utilizam para filmar, tudo no cinema me enche as medidas.

Contrariamente à maioria dos jovens, sou um grande apreciador dos chamados "filmes antigos". Noto pelo meu irmão mais novo que mal ouve "preto e branco" torce o nariz e recusa-se a assistir ao que quer que seja. Ugh. Alguns dos filmes que considero como os melhores de sempre, são precisamente os chamados "clássicos". Confesso que ainda existem muitos que preciso ver, mas pelo menos não me oponho a tal.

Foi a pensar neste amor pela cinematografia vintage que criei esta rubrica. "Blast from the Past" vai focar-se em duas produções distintas, longe dos holofotes do cinema actual. Para começar, nada melhor que uma dupla de filmes que adoro e já mencionei anteriormente, What Ever Happened to Baby Jane? e Blade Runner.


What Ever Happened to Baby Jane? (1962)

Após anos a fio a ouvir contínuas referências ao icónico WTHTBJ, na pop culture, no ano passado cumpri um desejo antigo e resolvi vê-lo de uma vez por todas. O timming não podia ter sido perfeito, visto que depois foi anunciada a adaptação televisiva pelas mãos do Ryan Murphy.

A história foca-se em Jane Hudson, uma criança famosa conhecida por "Baby Jane". Com o passar dos anos, caiu no esquecimento do público e acabou a viver com a irmã, Blanche - uma antiga actriz que ficou paraplégica -, na sua mansão. Face a decadência evidente, Jane mantém vivo o sonho de voltar a pisar os palcos. Para que isso aconteça, está disposta a cometer as maiores atrocidades contra a própria irmã.

Foram duas horas da minha vida que não trocava por nada. Colocando de parte os atritos, altamente publicitados, vividos pela dupla de protagonistas durante a gravação do filme, o produto final superou as minhas expectativas. A Bette Davis desempenhou a infantil e degenerada "Jane" com tamanha entrega que ainda não consegui digerir o facto de não ter vencido o Óscar de Melhor Actriz a que estava indicada  já sabemos que foi culpa da arqui-inimiga, mas still. A caracterização também está de parabéns e seria um crime terminar este sucinto comentário sem referir a Joan Crawford que, embora mais contida, foi a co-protagonista ideal para a trama.

Classificado como "terror", o género está mais para crime e thriller, portanto se forem medricas, não têm desculpa para embarcarem nesta viagem pelo old Hollywood.




 Blade Runner (1982)

Por esta altura não deverá ser segredo que adoro os trabalhos do Ridley Scott. Além da franchise Alien que é a minha favorita de sempre, existem pérolas como Blade Runner que são absolutamente intemporais. Quem diria que as sessões de cinema nas aulas de Psicologia me iam apresentar a produções de alta qualidade.

Inspirado no livro Do Androids Dream of Electric Sheep (1968) de Philip K. Dick, Blade Runner é considerado pela crítica como o melhor filme de ficção científica de sempre, e um dos pioneiros no estilo neo-noir.

A narrativa passa-se em Los Angeles, num futuro próximo, 2019. Com a deterioração do planeta e a consequente extinção de animais, o uso de "replicantes" (andróides) tornou-se num modo de vida. Produzidos pela corporação Tyrell, estes seres geneticamente modificados, assemelham-se em praticamente todos os aspectos aos seres humanos, excepto na falta de empatia. Os replicantes são exclusivamente utilizados como escravos para o trabalho pesado em colónias fora do planeta, estando proibidos de viajar para a Terra. Aqueles que desafiem a proibição e voltem, são caçados e "aposentados" (mortos), por agentes especiais da polícia conhecidos como "Blade Runners". O enredo centra-se no polícia Rick Deckhard (Harrison Ford), cuja missão é capturar quatro replicantes desesperados por saberem o segredos para prolongar a sua longevidade.

Com a sequela agendada para Outubro deste ano, são vários os receios que me assombram. Por muito que gostemos de saber o que aconteceu a determinadas personagens, quando um produto é bom às vezes é melhor deixá-lo assim, intocável. Felizmente, pelos trailers, o estilo sombrio, as paisagens urbanas nocturnas repletas de luz e a estética futurista continuam presentes. Agora resta saber se as narrativas filosóficas que perpetuamente questionam a ideia do que significa estar vivo e consciente, não foram esquecidas. Toda esta questão existencial típica dos humanos intriga-me tanto que espero ver a ideia desenvolvida no Blade Runner 2049.


Conhecem os filmes? Já viram algum? Qual o vosso favorito?

3 comentários:

  1. Confesso que apaixonei-me pelos clássicos depois de assistir Psycho do grande Hitchcock, tornou-se um dos meus realizadores preferidos, a par do Tarantino. What Ever Happened to Baby Jane? é um grande filme, a Bette Davis está brilhante com uma interpretação inigualável, também gosto muito dela no All About Eve. É um daqueles filmes obrigatórios para quem gosta de cinema. Gostei da nova rubrica :)

    Bitaites de um Madeirense

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  2. adoro o blade runner! estou um bocado de pé atras com o lançamento do recente mas pronto. o antigo ninguem mo tira!

    se gostas de classicos/oldies aconselho te muiitooo a ver (e é se ja nao viste :
    the great escape (comprido mas vale tao a pena!)
    the apartment
    citizen kane
    rear window (well, qualquer um do hitchcock really.)
    12 angry men
    cinema paradiso (este filme, até hoje nao consigo nao chorar no final. tao bonito)
    les quatre cents coups
    black narcissus (visualmente lindissimo !)
    lord of the flies

    e bem acho que ja chega senao nunca mais me calo ahaha paixao pelo cinema fala mais alto :p
    espero que gostes de algum!
    https://rrriotdontdiet.blogspot.pt/

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  3. Ora, dois nomes que já li pelo teu blogue, mas que nunca me calhou explorá-los! :o Ainda bem que surgiste com esta rubrica para nos elucidar, pois a ver se é desta que invisto tempo para tal. É que essas sinopses são bastante interessantes e, confiando na tua palavra, duvido que me desiluda! :P

    Beijinho,
    LYNE

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