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segunda-feira, 3 de julho de 2017

The Selfie Effect


Não fui um dos primeiros passageiros a apanhar o comboio do instagram mas, assim que lá cheguei, não quis outra coisa. Se tivesse que descrever o meu feed em duas palavras seriam "natureza" e "arquitectura". Embora tente criar um ambiente pacífico entre tonalidades e temáticas, a verdade é que me limito a publicar fotografias que considere visualmente apelativas. Isto é, até cometer o sacrilégio de publicar uma selfie.

Reza a lenda que se em vez de uma paisagem aparecer a nossa cara, qualquer pessoa que a veja terá um de dois destinos: ou fica sedenta por mais ou apanha um susto de morte. Não acreditam, então experimentem e digam-me os resultados. Fora de brincadeiras, o fenómeno é real e se no início me incomodava por pensar "porra, sou assim tão feio?", agora até me diverte. Não é que me sinta bem por ver seguidores a pularem o navio como ratos depois de verem um monstro, mas sempre dá para descobrir quem é que nos seguia por gostar genuinamente do conteúdo.

Antes de mais, e porque este é um tema susceptível a más interpretações, é importante esclarecer que não estou de forma alguma à procura de qualquer tipo de atenção, de todo. Só estou a partilhar algo que é ocorrente e me despertou o interesse por solidificar a ideia de que vivemos num mundo onde uma imagem vale mais que mil palavras ou hashtags.

Como tudo na vida, não se pode agradar a gregos e a troianos. O que para mim é bonito, para vocês pode ser horrível e vice-versa. No entanto, é incrível a dualidade de reacções que existem quando decidimos partilhar a nossa aparência física. Por cada comentário com corações, são dois seguidores que se perdem. Se forem mais sensíveis, pode destruir-vos a auto-estima. Não digo que uma má recepção seja agradável, mas nem é isso que me incomoda. É estranho quando se tratam de pessoas que seguimos mutuamente há anos, e que além de conhecermos as suas caras, tínhamos um relação recíproca de likes and all, a desaparecerem precisamente naquele instante.

Confesso que já fugi de uns quantos perfis devido à quantidade de selfies que rivalizavam com o charme do Quasimodo, mas se o restante conteúdo fosse de meu agrado, isso não seria motivo para não seguir a conta. Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de ver coisas... interessantes, mas isso não é tudo e há com certeza outros sites mais indicados para tal.

No verso da moeda está a atenção que na grande maioria das vezes nem procuramos mas acabamos por receber. Nem é preciso serem deuses gregos para vos choverem mensagens privadas que ignoram por completo o vosso interesse ou relationship status. Se faz bem ao ego? Claro que sim, mas também pode ser extremamente constrangedor dependendo do indivíduo e consequente insistência. Um simples "olá", que interpreto de forma inocente, geralmente acaba por dar uma volta de 180º e levar a conversas que sinceramente dispenso.

A internet é um mundo enorme em que existe tudo para todos os gostos. Literalmente. O importante é sentirem-se bem convosco próprios e serem capazes de se abstrair (ou não) das reacções das pessoas, sejam elas boas ou más.


Já foram vítimas do 'Selfie Effect' seja ele pela positiva ou negativa?

6 comentários:

  1. O meu instagram é tudo que seja baseado em fotografia desde retratos a arquitectura ou natureza mas volta e meia claro que vai uma selfie ou outra... o que os outros pensam? Não quero saber lol o instagram é meu, meto o que eu quiser.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  2. Partilho poucas selfies e, quando o faço, nunca reparei se me deixavam de seguir, mas é o mais provável haha Mas confesso que já não reparo nos seguidores há meses (vou lá agora, já que me lembrei disso). Antigamente ainda tinha uma app que me avisava e tal, hoje já não me interessa. Partilho o que me apetece, sigo quem gosto (tento afastar-me de perfis só com selfies, mas se a pessoa for gira dou o benefício da dúvida haha) e dou like em tudo o que me chama atenção. Mas confesso: acho que, neste momento, dou mais utilidade às Insta-Stories do que aos perfis. Não sei porquê...

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  3. Eu já nem costumo responder a mensagens de pessoas que não conheço, porque 98% tem segundas intenções. Não ligues à malta que deixou de te seguir, como se costuma dizer "só faz falta quem cá está" (;

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  4. Por exemplo, quando publicamos uma foto em que só aparece parte do nosso rosto, pois o objetivo é dar mais "visibilidade" à paisagem em si. O que tenho reparado é que surgem alguns comentários mais direcionados à pessoa, do que propriamente ao que se quer mostrar. Tudo isto, só para dizer que as pessoas só vêm o que querem ver.
    É sem dúvida um post interessante!
    Beijinhos. :)

    https://avidaebelaaa.blogspot.pt/

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  5. Depois deste post já tens mais uma seguidora no instagram :)

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  6. Confesso que nunca tinha pensado nisso desta forma, ou feito essas associações.

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Obrigado pela leitura e comentário!
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