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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Kesha ✞ "Praying"


Após uma longa batalha judicial travada com um produtor musical e a respectiva editora discográfica que a impediram de lançar conteúdo, a Kesha está oficialmente de volta e melhor que nunca. "Praying" é o primeiro single em quatro anos e a primeira balada a ser lançada na carreira da cantora. O resultado é simplesmente arrepiante. Se ainda não ouviram, por favor, parem de ler, cliquem no vídeo abaixo e voltem daqui a 5 minutos.

Mundialmente conhecida como uma party girl e dona de hits como "Tik Tok" e "We R Who We R", este comeback é agridoce. Não por ser num registo completamente diferente, trocando as pistas de dança por algo que se aproxima ao gospel, mas pelas razões que a levaram a estar ausente durante tanto tempo. A canção, inevitavelmente, fala das dificuldades que a jovem enfrentou nos últimos anos e como isso a transformou numa mulher mais forte e orgulhosa de si mesma. Se não estão familiarizados com a história, aconselho-vos vivamente a uma rápida pesquisa pela internet.

Para o lançamento da faixa a Kesha preparou um videoclip poderoso, repleto de simbolismos e metáforas bíblicas que explicam a sua jornada para a liberdade. Dirigido pelo talentoso Jonas Åkerlund, responsável por obras-primas como "Telephone" e "Paparazzi" da Lady Gaga ou praticamente o catálogo inteiro dos Roxette, somos convidados a assistir de camarote à tortura emocional que a Kesha passou. É simultaneamente poético, arrebatador e bonito. De longe o vídeo do ano e o melhor trabalho vocal dela.


Bastou ouvir a introdução para ficar desfeito em lágrimas. Riam-se, mas é verdade. A dor na voz dela é tão evidente que me custa imenso ouvir tudo sem uma reacção emocional. Sozinha, no meio do oceano, a cantora bateu oficialmente no fundo. Sem esperança, questiona Deus sobre o porquê de lhe ter acontecido aquilo. Se ele realmente existe, porque razão permitiu que passasse por algo tão horrível? Destroçada, pede para morrer, pois estar viva dói demasiado:
Am I dead? Or is this one of those dreams? Those horrible dreams that seem like they last forever? If I am alive, why? Why? If there is a God or whatever, something, somewhere, why have I been abandoned by everyone and everything I've ever known? I've ever loved? Stranded. What is the lesson? What is the point? God, give me a sign, or I have to give up. I can't do this anymore. Please just let me die. Being alive hurts too much.
Seja porque motivo for, é praticamente impossível não se conseguirem relacionar com estes pensamentos. Apesar de nunca ter falado abertamente disso aqui no blog, fui vítima de bullying durante 13 anos e foram muitas as vezes em que questionei se valia a pena continuar. Talvez por isso, tive uma conexão instantânea com esta canção. Tocou-me de uma maneira que nunca pensei ser possível. Uma coisa é associarmos uma letra a uma relação amorosa ou momento nostálgico, outra é reflectir um pedaço de nós, da nossa essência.  

Cada vírgula desta letra é para aquele cujo nome não deve ser pronunciado, mas até nisso ela provou ser superior. Não ataca quem lhe fez mal e a deixou ali, destruída. Não procura vingança ou incentiva violência. Em vez disso, reza por eles e espera que a sua alma encontre paz, face aos actos atrozes que cometeram. 

Conseguem compreender o quão importante é esta mensagem? No clima mundial em que vivemos, é extremamente relevante pois estamos rodeados de negatividade 24/7. Seja nos media ou nas trocas de palavras de uns com os outros, está em todo o lado. Ela tinha todos os motivos para odiar aquelas pessoas, mas isso só nos faz mal é a nós. Acabamos por nos deixar consumir por este sentimento tóxico e para quê? De que nos serve continuar a remoer isso se os outros continuam as suas vidas como se nada fosse? 

Na sua redacção para a Lenny Letter a Kesha explicou o significado de "Praying":
“It’s a song about learning to be proud of the person you are even during low moments when you feel alone. It’s also about hoping everyone, even someone who hurt you, can heal.”

Capa de Rainbow.
Todos nós devíamos aplicar esta máxima no nosso dia-a-dia. Podia dizer-vos para não retaliarem quando alguém vos tratar mal, mas na prática não é assim tão fácil. Resta-nos esperar que um dia se apercebam do que estão a fazer e nunca esquecer que a culpa não é vossa. O problema é deles, não vosso. Nunca se esqueçam disso. 

Rainbow é o primeiro álbum de inéditas da jovem norte-americana desde 2012, e vai estar à venda a 11 de Agosto. O projecto conta com Dolly Parton (num dueto da sua canção "Old Flames Can't Hold a Candle To You"), e os Eagles of Death Metal. Ate lá, resta-me continuar a contribuir para o número de visualizações de "Praying" que além de sensacional, tem tudo para se tornar num hino intemporal.


Gostam do comeback da Kesha? Conseguem relacionar-se com a mensagem?

2 comentários:

  1. Fiquei viciada mal saiu. Não paro de ouvir! Concordo contigo, o melhor trabalho dela sem duvida!

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  2. Concordo com tudo, o video, a música, a letra, são incríveis. De sentir aquele arrepio pela pela quando se ouve pela primeira (e segunda, e terceira,...) vez.

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