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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #31


Não bastava estarmos em plena época de preparação para exames como ainda há celebrações dos Santos Populares. Realmente, não podia ter escolhido pior semana para "voltar", ah. Para não atrasar ainda mais a quantidade enorme de album reviews que tenho programadas, vamos lá então retomar e em grande, com o quarteto responsável por salvar a música pop em 2017 (vá, ainda falta a Lorde, mas ela que lance o Melodrama e depois falamos).

'1. Katy Perry Witness

A temível maldição do quarto disco voltou a atacar e desta vez a vítima é a Katy Perry. Parece que o mau olhado da cobra Swift resultou, irra. Acontece aos melhores, Beyoncé (4), Rihanna (Rated R) e Lady Gaga (Joanne) e nem a rainha da Candyfornia está imune ao nariz torcido da crítica. Curiosamente, Witness, é o seu trabalho mais ambicioso, coeso e interessante até à data. 

Aquando do lançamento do primeiro single, o politicamente recheado "Chained to the Rhtythm", a cantora descreveu o (na altura) futuro trabalho como "pop com um propósito". A antecipação era muita mas, infelizmente, isso não se verificou no produto final. Um exemplo disso é a escolha questionável de "Bon Appétit"  uma canção dance-pop sem qualquer aparente contexto político, em colaboração com um trio de homofóbicos para segundo single  algo que parecia deitar por terra tudo aquilo que "Chained" promovia. A Katy passou de um discurso socialmente consciente para querer ser "spread like a buffet". Entretanto ela descreveu a mensagem da música como uma "liberação sexual", mas mesmo assim, nada a ver com o inicialmente referido.

Colocando de lado descrições erradas, o que interessa é a componente musical e é nisso que temos que nos focar. Batidas electrónicas pulsantes e instrumentais de piano divinais fez desta Witness uma viagem deliciosa por entre melodias à la '80 mas em modo futurista. Digam o que quiserem, mas há autênticos hinos neste álbum. Ao longo de uma década a Perry tem-nos presenteado com verdadeiros hits  basta olhar para a era Teenage Dream inteira  e, a meu ver, a melhor canção deste projecto é, de longe, a "Roulette", seguida da faixa-título, "Witness", "Déjà Vu" e claro, a destruidora "Swish Swish".

Não seria um Katy Perry record sem uma balada capaz de nos despedaçar o coração e é isso mesmo que a "Miss You More" faz. Numa realização brutal em que a cantora se apercebe que as saudades de um antigo companheiro são superiores ao amor que ela sentiu por ele, é impossível ficarmos indiferentes. Tal como aconteceu em "The One That Got Away" ou "Unconditionally", esta é Katy no seu melhor e ai de quem disser o contrário. Também "Save as Draft" e "Into Me You See" apelam para o lado sentimental mas são poluídas pelo calcanhar de Aquiles da compositora, as letras. Não é segredo que a KP gosta do seu ocasional trocadilho azeitieiro, mas aqui esmerou-se. Digamos que proferir um "open sesame" a meio de um testemunho sentido ou fazer um suspiro dramático antes de dizer que vai... "salvar como rascunho" é absolutamente ridículo.

Fazendo um balanço geral, considero Witness um álbum superior ao Prism que, verdade seja dita, não apreciei muito (a não se por cinco faixas). Este mantém uma linha melódica coesa do início ao fim e, apesar de tudo, cumpre o seu objectivo: agradar os meus ouvidos. Pode não ser o bublegum pop que conhecemos e amamos ou até politicamente eficaz, mas não entendo a perseguição que as cantoras sofrem cada vez que tentam inovar e "mijar fora do penico". Evolução e experimentação são importantes e permitem-nos progredir. Da minha parte, Witness, recebe um Golden Ghostly.


'2. Halsey  Hopeless Fountain Kingdom

A Halsey não estava a brincar quando disse que estava heading straight for the castle. O secretamente soberbo disco de estreia, Badlands (2015), falava de "olhos educados entre as coxas dela" e "fazer sexo no lavatório da casa-de-banho". Em Hopeless Fountain Kingdom, o primeiro álbum de uma cantora a estrear em #1 no top da Billboard este ano, estamos perante uma recriação do romance de Romeu e Julieta, sob um olhar moderno e millenial, como é indicado em "The Prologue". Pois é, se pensaram que a referência ao 'Biggie e Nirvana' na "New Americana" foi atrevida, preparem-se.

Com uma produção digna de uma estrela com anos de carreira, o grande destaque é "Strangers", uma colaboração com a Lauren Jauregui das Fifth Harmony. Um hit instantâneo com sabor à anos 80 e que pode muito bem ser o primeiro dueto de peso (as t.A.T.u eram um grupo) sobre duas mulheres bissexuais a usarem o mesmo pronome de género ao longo da canção como, "she doesn’t kiss me on the mouth anymore".

Há que aplaudir a Halsey por ter criado uma visão romantizada desta narrativa quase poética de amores proibidos e más relações. O único senão é o facto de se notar que ela ainda não encontrou a sua voz enquanto artista. Os ingredientes estão todos lá, mas nota-se a milhas que ela se molda aos produtores e influências. Tanto pode saltar entre o The Weeknd e Avril Lavigne, como Florence & The Machine e até Rihanna  ainda não superei o facto da "Now or Never" ser uma cópia descarada da "Needed Me", mas tenho que admitir que estou viciado na maldita canção, algo que não aconteceu com a versão original.

Tive as minhas duvidas durante muito tempo mas consegui, finalmente, aceitar o timbre da Halsey e posso dizer que estou oficialmente rendido. 


'3. Dua Lipa  Dua Lipa

Até que em fim! Inicialmente previsto para ser lançado em Setembro de 2016, depois adiado para Fevereiro deste ano e mais uma vez adiado até 2 de Junho, habemus Dua Lipa, o álbum. Tenho sido um fiel seguidor da jovem inglesa de origem albanesa desde que lançou a impecável "Be The One" há dois anos atrás, e a cada aperitivo musical, as expectativas só aumentaram. Dito isto, não me pareceu nada bom presságio existirem seis singles oficiais antes do álbum de estreia ter chegado — isto para não falar das colaborações com o Sean Paul ("No Lie") e Martin Garrix ("Scared to be Lonely"). É praticamente metade do corpo de trabalho exposto antes do tempo, perdendo por completo o efeito surpresa. Não faz sentido nenhum. Aliás, isso explica o facto de só ter conseguido alcançar a #5 posição no top do UK. Sacrilégio.

Números e calendários à parte, não podia estar mais feliz por ter finalmente o projecto final em mãos, ou devo dizer, ouvidos? Tendo ouvido tudo do início ao fim umas 200x, confirma-se, a galinha dos ovos de ouro é, sem dúvida alguma, a voz da cantora. Dona de um timbre raspy extremamente edgy e cheio de garra, a Dua tem a capacidade de transformar uma faixa genérica e aborrecida numa aposta vencedora. É incrível!

Para um primeiro trabalho, o veredicto é positivo mas nada do outro mundo. Tem bons momentos mas não chega a fugir ao molde pop existente no mercado. As letras pós-adolescência repletas de questões sobre sexo, amor e empoderamento são actuais, asseguram o interesse do público e são todas da autoria da cantora, o que é um ponto positivo. Além de "Be The One" e "Hotter Than Hell", a mais recente, "Lost In Your Light", em parceria com o Miguel, é uma amostra perfeita de fluidez harmónica entre teclados, bateria e um refrão capaz de meter qualquer um a abanar o pé. Outro standout é a faixa de encerramento, "Homesick". Apoiada de piano, a composição resulta de uma colaboração com Chris Matin, dos Coldplay, que participa na gravação e cujos vocais se fazem ouvir ocasionalmente. Simplesmente mágica.


'4. Allie X  CollXtion II

Sabem quando gostam tanto de um artista underground que quase preferem nem falar muito dele para se manter "vosso" e longe do mainstream? É assim que me sinto com a Allie X. Após ocupar a 3ª posição no meu "TOP 10 EP's of 2O15" com a sensacional colectânea CollXtion I, a jovem canadiana está de volta com o tão aguardado segundo volume, agora em forma de álbum de estreia. Tal como o trabalho antecessor, encontramos um leque de canções sofisticadas, coesas, provocadoras, etéreas e absolutamente avassaladoras. É tudo o que podia querer e mais um bocadinho. Se ainda não perceberam, deixo bem claro, estamos perante um forte candidato ao título de Álbum do Ano.

Numa mistura sónica e visual entre Lady Gaga e Kate Bush, a Allie X é capaz de captar a nossa atenção de uma maneira brutal, deixando-nos suspensos no tempo e espaço. Além de escrever tudo, a cantora também tem créditos de produtora em praticamente todas as canções do disco. Se há coisa que aprecio é quando os artistas tomam o controlo do seu trabalho e não se deixam influenciar por barulho exterior. O resultado está à vista, uma sequência musical genial do início ("Paper Love") ao fim ("True Love Is Violent"). E tenho dito.



OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

2 comentários:

  1. Ainda não consegui ouvir o álbum da Katy Perry inteiro, porque preciso estar no mood certo para o fazer. Do que ouvi, e apesar de ser tudo muito diferente do que ela tem feito, pareceu-me agradável. O novo da Halsey traz uma boa promessa, mas continuo com mixed feelings em relação ao mesmo (talvez ainda esteja demasiado apegado ao fabuloso Badlands). Já sobre a Dua... foi tudo o que eu pedi! SIMPLESMENTE MARAVILHOOOOOSO! Btw ela escreveu todas as músicas, tirando apenas "Be The One" :)

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