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segunda-feira, 13 de março de 2017

O Mundo não é dos inteligentes, é dos espertos


Se há coisa que me dá comichão são cunhas. Portugal pode ser pequeno em território mas no que toca arranjinhos profissionais é gigante. Esta problemática é quase tão velha como a profissão mais antiga do mundo - if you know what I mean - mas só com a entrada na idade adulta é que me começou a irritar a sério.

Quando vocalizo este meu desagrado contra o sistema laboral viciado, chamam-me de "defensor dos fracos e oprimidos", mas não é nada disso. Sim, sou totalmente contra qualquer tipo de injustiças, especialmente quando beneficiam pessoas sem qualquer tipo de qualidades face a outras que realmente mereciam algum reconhecimento. Isto aplica-se tanto ao percurso académico como profissional de qualquer um. Uma coisa é um amigo ou conhecido dar o nosso currículo à sua empresa, e se formos de encontro ao que procuram, chamarem-nos, outra coisa é entrar numa troca de favores para nos aceitarem, sem sequer precisarem de saber a nossa experiência ou aptidões.

Enquanto aluno aplicado e com um sentido de responsabilidade bastante apurado, foram vários os colegas de escola que ao longo dos anos me utilizaram como bengala para obter bons resultados. Não sendo má pessoa, não me importo de ajudar ao outros, mas então que me dêem o devido crédito e que não me passem a perna. Não há nada mais frustrante que ver alguém sem o mínimo de noção sobre o que está a acontecer em seu redor a obter resultados superiores aos nossos, com um trabalho que fomos nós a elaborar de raiz. Arrisco-me a dizer que, a dada altura, muitos de vocês já se encontraram numa posição semelhante e não é nada agradável.

Em tempos tive um colega de curso que tinha o QI de uma porta. Boa pessoa, mas inteligência zero. Filho de pais ricos, completou a licenciatura graças a um irmão que lhe fazia as frequências e trabalhos de pesquisa todos. Sem nunca saber sequer redigir uma notícia, terminou com uma média bastante acima das suas competências e hoje em dia encontra-se no departamento de comunicação de um dos hospitais em que o pai trabalha. Eu que acabei no top 3 da turma e nunca tinha projectos abaixo dos 17, fiquei dois anos sem conseguir um estágio que fosse na minha área e hoje em dia estou em outra totalmente diferente, a ganhar uma vergonha face a quantidade de funções que desempenho. Sim, porque assino mails como Director de Produção, mas recebo menos que um estafeta. Portugal.

Garanto-vos que este não é um discurso ressabiado ou invejoso, longe disso. Mas bolas, não é nada justo! A maioria das pessoas que conheço queixa-se de casos destes, portanto a epidemia está longe de se erradicar. A quantidade de indivíduos esforçados e bons no que fazem que depois são ultrapassados por filhos, sobrinhos ou até genros com connects é uma vergonha. Seja no público ou no privado, acontece em todo o lado. Pudera que o meu pai sempre me tenha dito, "o mundo não é dos inteligentes, é dos espertos".

10 comentários:

  1. O mundo laboral é injusto em quase todo o lado, mas é verdade que em Portugal a situação é mesmo grave. Partilho do teu sentimento, acredita!

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  2. Olha, ainda bem que existe quem te diga que o mundo é dos espertos. Eu cá acho que é mesmo dos burros. As pessoas mais incompetentes e com menos conhecimentos que conheço são as que estão a trabalhar em posições de destaque. Deve realmente escapar-me qualquer coisa nos processos de selecção!

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  3. Isso é tão, mas tão verdade. E custa, eu sei que custa porque também já passei por isso. Mas não é só em Portugal. Cá fora, muitas vezes, acontece o mesmo.

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  4. Percebo perfeitamente o que queres dizer. Por vezes não importa o que fazemos, nem quão bem o fazemos, importa mais quem conhecemos.

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  5. Como eu te compreendo... Quem se sabe orientar no que toca a contactos e vida social é que acaba sempre por ganhar, independentemente de ter ou não outras competências...

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  6. Infelizmente neste país é mesmo assim, só trabalha assim.
    Eu nunca fui para a faculdade e sinceramente nunca quis ir, não gosto de estudar, não gosto de nada disso, nem tenho paciência.
    Mas vejo pessoas com licenciaturas a trabalhar em tudo menos nas suas áreas, e muita vez pergunto "Para quê estudar?"...
    Mas pronto, eu tenho 12º ano e só ando na área das telecomunicações mais nada. xD Mas gosto, portanto também não critico.

    Beijinhooos,
    www.pirilamposemarte.com

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  7. Infelizmente, é a triste realidade do nosso país... andas tantos anos a estudar, a dar o teu melhor e quando chegas ao mercado de trabalho deparas-te com a falta de trabalho.
    E depois temos a tal história das "cunhas"... e atualmente, tal como disseste, isto está para os espertos, não para os inteligentes.

    http://cidadadomundodesconhecido.blogspot.pt/

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  8. "Se há coisa que me dá comichão são cunhas. Portugal pode ser pequeno em território mas no que toca arranjinhos profissionais é gigante."

    Assino por baixo. Se estes "arranjinhos" começam nas Câmaras Municipais, política, nos hospitais, na televisão (já para nem falar do mundo da moda e fotografia) como não hão-de estar por toda a parte? Salve-se quem puder. Eu cá recuso-me a conseguir seja o que for indo para a cama com um estranho qualquer, just saying.

    Beijinho

    thebrunettetofu.blogspot.pt

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  9. É muito disso que eu tenho medo, exatamente. Das pessoas que não se esforçam 1/3 do que eu me esforço, mas vão ficar com o meu emprego de sonhos; dos que deixam 50mil cadeiras por fazer porque estão-se a 'marimbar' para o curso, mas vão conseguir um estágio melhor que eu no final da licenciatura; dos que não têm aptidões profissionais, mas vão receber salários e ter empregos muito melhores. Tudo por causa das cunhas.
    Esse tipo de coisas fazem-nos questionar de vale realmente a pena continuar a trabalhar e a esforçarmo-nos como cães para ascender na vida; mas, como o Não é garantido a menos que lutemos por um Sim, continuamos a tentar. :)
    Ótimo texto, parabéns!

    http://lemaodoce.blogspot.pt/

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