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sábado, 7 de janeiro de 2017

TGW Awards: Top 50 Albums of 2O16


Supostamente esta seria a última publicação do especial "Ghostly Walker Awards", mas devido a um imprevisto sobre o qual falarei amanhã, chega um dia mais cedo. Se têm prestado atenção, sabem que partilhei o "TOP 10 EP's", "TOP 10 UNDERRATED SINGLES", "TOP 10 MUSIC VIDEOS", e para encerrar a categoria de Música em grande, porque não um TOP 50 com os melhores álbuns que ouvi no ano passado? No que me fui meter, é o que vos digo! Até tinha material suficiente para #100 mas, no thank you.

Como devem calcular não passo de um mero crítico amador, como tantos de vocês, portanto não levem a peito algumas das minhas opções. Normalmente gosto de fazer esta lista porque é fácil identificar quais os discos que consigo ouvir do início ao fim sem me cansar e aqueles que passado umas três canções já me deixaram a bufar de tédio. Dito isto, quero frisar que isso não significa que, por exemplo, um álbum que se encontre em #40 seja necessariamente pior ou menos tolerável que outro em #21.

Tenho plena consciência que colocar uma Britney Spears ou Little Mix a cima dos Radiohead seja uma afronta para muitos mas, independentemente de ter em consideração questões técnicas (querem maior prova de imparcialidade ao meter a Gaga fora do Top 10?)tudo se resumo a qual disco gostei mais de ouvir. Cada pessoa tem os seus gostos pessoais e como tal, é normal que discordem de algumas classificações ou omissões.

Se o vosso favorito não se encontrar na lista, é possível que não o tenha ouvido. Para ouvirem as minhas músicas favoritas de cada álbum, basta clicarem nos títulos em "MUST LISTEN".

Sem mais demoras, let the games begin!

MENÇÕES HONROSAS: SEAFRET - "TELL ME IT'S REAL" | BIRDY - "BEAUTIFUL LIFES" | AURORA - "ALL MY DEMONS GREETING ME AS A FRIEND" | WARPAINT - "HEADS UP" | OLLY MURS - "24 HRS" | ELLIPHANT - "LIVING LIFE GOLD" | WET - "DON'T YOU" | LION BABE - "BEGIN" | SOPHIE ELLIS-BEXTOR - "FAMILIA" | NICK JONAS - "LAST YEAR WAS COMPLICATED" | JOHN LEGEND - "DARKNESS & LIGHT" (...)


#50. Flume  Skin
#49. DNCE — DNCE
#48. Bastille — Wild World
#47. Grace — FMA
#46. Tom Odell — Wrong Crowd
#45. All Saints — Red Flag
#44. Broods — Concusion
#43. NAO — For All We Know
#42. Lissie — My Wild West
#41. Alicia Keys — Here

#40. Karmin — Leo Rising
#39. Kings of Leon — Walls
#38. The Knocks  55
#37. M.I.A. — AIM
#36. Bruno Mars — 24K Magic
#35. Emili Sandé — Long Live The Angels
#34. TKAY Maidza — TKAY
#33. Drake — Views
#32. AlunaGeorge — I Remember
#31. Banks — The Altar

#30. Gwen Stefani — This Is What The Truth Feels Like
#29. The 1975 — I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware
#28. Tegan & Sara — Love You To Death
#27. Delta Goodrem — Wings of the Wild
#26. Frank Ocean — Blonde
#25. James Blake — The Colour In Anything
#24. Kanye West — The Life of Pablo
#23. Radiohead — A Moon Shaped Pool
#22. Little Mix — Glory Days
#21. Gallant — Ology

#20. JoJo — Mad Love
#19. Fifth Harmony — 7/27
#18. Shura — Nothing's Real
#17. Sia — This is Acting
#16. Britney Spears — Glory
#15. Bon Iver — 22, A Million
#14. The Weeknd — Starboy
#13. Tove Lo — Ladywood
#12. Childish Gambino — Awaken, My Love!
#11. Lady Gaga  Joanne

.10.. Zayn  Mind of Mine
MUST LISTENPILLOWTALK | IT'S YOU | REARVIEW | BEFOUR | TIO | LIKE I WOULD | FLOWER

Nunca fui grande apreciador dos One Direction, mas se há coisa que sempre disse, é que o Zayn era o meu elemento favorito. Ao contrário da maioria das pessoas que, no que toca a grupos, prefere os que não cantam nada Posh Spice? aprecio uma boa voz. Abandonar os outros quatro mosqueteiros foi a melhor decisão que o jovem britânico podia ter tomado. Num registo mais adulto, a recepção não podia ter sido mais positiva. O single de estreia, "Pillowtalk" foi nº1 nos Estados Unidos  algo que os 1D nunca conseguiram , seguindo-se o álbum também no topo da tabela.

Mind of Mine não é perfeito, mas anda lá perto. A sonoridade POP adolescente deu lugar a um R&B mais calmo e sensual. As letras não são propriamente obras poéticas, focando-se quase exclusivamente em sexo e bebidas/drogas, só porque sim, sem qualquer conteúdo. Graças às melodias e vocais igualmente fortes e suaves, está perdoado. Curiosamente, uma das minhas faixas preferidas nem sequer é uma música inteira, mas sim uma interlude. "Flowers" é um momento mágico e etéreo, cantado inteiramente em Urdu. A escolha dos singles foi acertada, mas não de pouca duração. Uma pena.

..9.. Petite Meller  Lil Empire
MUST LISTENBABY LOVE | BARBARIC | MILK BATH | THE FLUTE | POWER | AMERICA 

À primeira vista o blush exagerado e a voz aguda podem sugerir uma caricatura irónica, ridícula até, mas o disco de estreia da Petite Meller é tudo menos isso. Lançado de surpresa, Lil Empire, não é uma obra-prima mas está muito, muito perto. Com refrões altamente viciantes, notas improváveis, percussões africanas e solos de flauta da Mongólia, o disco é estranhamente coeso. No papel, a mistura destes elementos tinha tudo para dar errado, mas graças à genialidade e criatividade da artista francesa, resulta! 

Lil Empire é uma exploração melódica e geográfica fora de série. Tem a capacidade de nos deixar com uma euforia contagiante e vontade de dançar como se ninguém estivesse a ver. Engane-se quem pensa que o material é superficial, nada disso. Por entre as camadas de alegria, a construção inteligente das canções consegue puxar-vos de volta à realidade com uma honestidade brutal. Só tenho pena de não ter conhecido a Petite a tempo, quando lançou os vídeos "Baby Love" e "Barbaric". Garanto-vos que teriam ocupado os lugares cimeiros dos meus tops de Melhores de 2015.

..8.. Ariana Grande  Dangerous Woman
MUST LISTENBE ALRIGHT | INTO YOU | LEAVE ME LONELY | GREEDY | EVERYDAY | TOUCH IT

Dois anos depois da célebre frase You need a bad girl to blow your mind, no smash-hit, "Bang Bang", habemus Dangerous Woman. O sucessor do álbum My Everything, tem uma produção sensacional. Ainda que com alguma timidez, os temas centram-se no desejo, independência e "bad decisions". Embora continue sem compreender como é que a faixa-título foi o primeiro single oficial, não posso negar a potência vocal da Ariana. Destaque para "Be Alright" e "Into You"  as minhas favoritas  são viciantes e absolutamente geniais.

No meio deste projecto de 15 faixas, as colaborações são pouco interessantes e altamente desnecessárias. Enquanto Future só repete "Everyday" vezes sem conta durante o refrão, a Nicki Minaj não inovou e o Lil Wayne... enfim, só Macy Gray conseguiu brilhar. A mistura da voz rouca de uma com os vocais potentes da outra merecia um hipotético Grammy de Melhor Colaboração.

..7.. St. Lucia — Matter
MUST LISTEN: ALWAYSDANCING ON GLASS | PHYSICAL | LOVE SOMEBODY | THE WIND OF CHANGEHOME

Para minha alegria, o músico sul-africano Jean-Philip Grobler e companhia, melhor conhecidos por St. Lucia, lançaram o segundo álbum de inéditas, Matter. Seguindo o mesmo registo musical, o meu grupo predilecto mergulhou de cabeça no POP dos anos 80 apoiado de poderosos sintetizadores e melodias cativantes. É de destacar o primeiro single oficial "Dancing On Glass" com um refrão alegre e pujante, e o sucessor psicadélico "Physical". Num registo mais R&B, "Love Somebody", a típica balada romântica que nos remete ao passado, e a minha favorita, "Always", num namoro bem sucedido com o Rock, é absolutamente brilhante! Ao ouvir o refrão imagino-me em palco com uma cabeleira enorme e uma multidão de bigodes e permanentes a cantarem em uníssono as letras. Definitivamente nasci na década errada.

A colectânea de 11 canções é uma produção envolvente e eficaz, que apesar de não conseguir superar o genial disco de estreia, When The Night (2013), é igualmente perfeita. Quem me dera poder vê-los ao vivo.

..6.. Anohni  Hopelessness
MUST LISTEN4 DEGREES | DRONE BOMB ME | WHY DID YOU SEPARATE ME FROM THE EARTH | WATCH ME

Seis anos depois do último álbum de estúdio do grupo, a vocalista dos Antony and the Johnsons volta a solo e com uma nova identidade. Aclamado pela críticaHopelessness é definido pela cantora como "an electronic record with some sharp teeth", e a descrição não podia ser mais acertada. 

Com uma voz do outro mundo e letras comoventes, Hopelessness exterioriza uma agressividade enorme face o estado da humanidade e a sociedade capitalista. Serve como uma espécie de desabafo para os excluídos, na esperança de encontrar o amor, paz e alguma felicidade. Colocando-a no mesmo patamar de artistas-activistas como M.I.A., Anohni utiliza a sua música para transmitir mensagens ricas em conteúdo  algo extremamente raro hoje em dia.

Hopelessness não é apenas um exame violentamente catártico e inteligente da realidade geopolítica de hoje, é um dos melhores álbuns do ano (até agora).


..5.. Blood Orange  Freetown Sound
MUST LISTEN: HANDS UP | BUT YOU | BETTER THAN MEAUGUSTINE | E.V.P. | HADRON COLLIDER

Sob o nome de Blood Orange, o cantor e compositor Dev Hynes presentou-nos com o seu melhor e mais pessoal trabalho até à dataFreetown Sound. É mais rico em conteúdo, sentimento, tem mais vida e uma sonoridade funk e soul injectada com R&B dos 80's, mas actualizado. Inspirado na injustiça racial vivida à volta do globo, Hynes oferece uma visão ampla da cultura africana, com a utilização de clips de vós e poesia falada para descrever a narrativa daqueles que ainda não têm voz.

"My album is for everyone told they’re not black enough, too black, too queer, not queer the right way … it’s a clapback,", disse o cantor à Entertainment Weekly. Está a tentar descobrir-se, a sua origem, sexualidade e, simultaneamente, lança um olhar reprovador ao estado do mundo. Ainda há esperança para o futuro, mas não vamos chegar a lado nenhum se não unirmos forças e quebrarmos todas e quaisquer barreiras sociais. Sem dúvida um dos melhores discos do ano.


..4.. Rihanna — Anti
MUST LISTEN: KISS IT BETTER | LOVE ON THE BRAIN | WORK | CLOSE TO YOU | CONSIDERATION | DESPERADO

Anti é uma tacada de génio. O título é o mais inteligente que a cantora norte-americana poderia ter arranjado para descrever um projecto rico e simultaneamente conflituoso. Não está repleto de baladas prontas para a rádio ou de batidas para a pista de dança, mas sim de desabafos sobre libertação e retrospecção.

É de longe o trabalho mais idiossincrático da artista e curiosamente, o amor é tema central. Desde a psicadélica "Same Ol' Mistakes" – uma regravação literal da igualmente fantástica "New Person, Same Old Mistakes" dos Tame Impala –, até às faixas de sonoridade mais retro como a impecável "Love On The Brain" (em que a Rihanna atinge um novo patamar vocal em formato doo-woop dos anos 1950) e a intoxicante "Higher". Após o sucesso surpreendente de "Work", foi uma pena que as melhores faixas do álbum ("Kiss It Better" e "Love on the Brain") não tenham recebido a devida atenção.

..3.. Solange  A Seat at the Table
MUST LISTENDON'T TOUCH MY HAIR | CRANES IN THE SKY | MAD | DON'T WISH ME WELL | F.U.B.U.

Parece que 2016 é o ano da família Knowles. Depois de Beyoncé lançar o brilhante álbum visual Lemonade, a irmã mais nova, Solange, também ofereceu a sua versão da situação político-racial vivida nos Estados Unidos. Intitulado A Seat at the Table, o terceiro disco de estúdio da cantora norte-americana fala sobre a identidade negra e em especial da luta contra o racismo. Inspirada na história de vida dos pais, Solange ofereceu o seu trabalho mais íntimo e sincero até à data. 

Embora não quisesse comparar os trabalhos das irmãs, existe um claro elo de ligação entre os dois: a temática. Ao contrário de Lemonade, em A Seat at the Table, prevalece uma sonoridade R&B, funk e neo soul, mais calma e sem grande espalhafato. Não significa que este disco seja menos forte, muito pelo contrário. A mensagem é suficientemente importante para se afirmar sozinha, sem precisar lavar roupa suja na praça pública. 

Composto por 21 faixas, A Seat at the Table conta com letras, arranjos e co-produção da própria Solange, juntamente com o marido, o músico Alan Fergunson. 

..2.. Foxes  All I Need
MUST LISTENBODY TALK | BETTER LOVE | CRUEL DEVIL SIDE | AMAZING | SCAR | MONEY | ON MY WAYIF YOU LEAVE ME NOW 

Só estávamos no segundo mês de 2016 quando All I Need foi lançado e previ logo que ocuparia uma posição "MUITO confortável no meu top de álbuns favoritos do ano." Dito e feito. O sucessor do aclamado disco de estreia Glorious (2014), da britânica Foxes, passou-me por cima como um tractor e deixou-me caído numa valeta. Dizer que adoro é pouco.

Se por acaso deram uma vista de olhos no vídeo "Top 10 Best Underrated Songs of 2015" sabem que o meu amor pelo primeiro e segundo single é estratosférico. "Body Talk" (ficou em 1º na lista) continua a ser o destaque desta produção, seguindo-se do hino "Better Love" (ficou em 8º), mas para meu espanto, a qualidade não acabou por aí. Cada faixa poderia facilmente servir de single (basta ver a quantidade de canções no "Must Listen"), da dançante "Cruel" à indie-pop "Wicked Love", enquanto a "If You Leave Me Now" conseguiu entrar no território popular dos anos 80 sem se tornar num cliché pegajoso.

All I Need é POP numa versão mais pessoal, orgânica e contemporânea, sem invadir territórios de outras jovens cantoras conterrâneas como Charli XCX. Escrito pela própria Foxes, é uma aposta universal, rica em conteúdo e de um requinte inesperado para alguém com apenas 26 anos. Ainda me faz sorrir e lacrimejar com a mesma intensidade com que o ouvi pela primeira vez. Não fosse o álbum surpresa da senhora que se segue, o #1 era teu, Foxes.

..1.. Beyoncé  Lemonade
MUST LISTEN: SORRY | PRAY YOU CATCH ME | HOLD UP | DADDY LESSONS | ALL NIGHT LONG | FORMATION

No seu sexto álbum a solo, Beyoncé Knowles Carter chocou o mundo ao insinuar que tinha sido traída pelo marido. Mais tarde lá disse que era inspirado na história do pai, Mathew. Descrito pela infame Tidal como "um projecto conceptual baseado na viagem de auto-descoberta e cura de cada mulher", Lemonade, é o trabalho mais honesto e pessoal na carreira da artista norte-americana.

Com uma narrativa melhor que muitas produções do cinema contemporâneo, o mini-filme Lemonade está algo do outro mundo. Meticuloso e impecavelmente concebido, merecia um prémio só por existir. Imagens fortes revelam as camadas de dor que as mulheres afro-americanas sentem: dor pelos homens que deveriam protegê-las, a dor de amar as crianças mas desconfiar dos homens, e o amor pelos Estados Unidos, uma terra que não as compreende. Acompanhado pela poesia visceral de Warson Shire, não considero o final feliz. Penso que a Beyoncé reconhece esses níveis de mágoa e fá-los funcionar a seu favor. Ou seja, fez limonada com os limões.

Lemonade, por outro lado, segue uma linha coerente, criado por alguém completamente em controlo e focado na mensagem que quer transmitir: limonada é uma bebida que se serve fria. É um sucesso de raiz. O conceito é algo fora do comum, se pensarmos que foi concebido, inteiramente, como uma ode à infidelidade, mas sem nunca meter um pé no terreno do final de relações, especialidade de cantoras como Adele e Taylor Swift. (REVIEW COMPLETA)


Conheciam os álbuns todos? Qual ou quais foram os vossos favoritos de 2016?

3 comentários:

  1. Concordo com o teu #1! Sem dúvida que a Beyoncé foi a diva de 2016!

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  2. Gostei bastante da forma como abordaste o chamado TOP 10! :)
    A Beyoncé, para mim, nunca desilude

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  3. Temos três artistas iguais no TOP10 e referiste muitos do meu TOP16. Tinhas material para a lista com os 100 melhores? God! Eu ouvi mais de sessenta álbuns no ano passado, apenas trinta e tal de 2016 mesmo, e já considero uma vitória eheh

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