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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

TGW Awards: Top 10 EP's of 2O16


A lista de hoje poderia ser facilmente confundida com um top 10 de underdogs, mas não é. À excepção de um nome mais conhecido, os restantes ainda se movem pelas sombras da indústria musical. Não é por acaso que tanto refiro, "popularidade nem sempre é sinónimo de qualidade".

Para os que não estão familiarizados com o termo, um EP (diminutivo de extended play), é uma colecção de faixas com um número superior a um single e inferior a um álbum. Por norma não excede as 4/8 canções.

Se 2015 foi um ano bom, neste campo, 2016 foi 3x superior. Esqueçam as fornadas ocasionais, o que aconteceu foi uma produção em massa de música cativante, variada e altamente viciante. Sim, ocorreu um fenómeno de repetição sonora enorme, mas se procurarem bem, conseguem encontrar autênticos tesouros escondidos.

Saliento, novamente, que o critério principal na selecção de trabalhos para o TOP 10, provém única e exclusivamente do meu gosto pessoal, tendo em conta aquilo que ouvi. Até pode ter sido lançado um EP fenomenal de um cantor qualquer, mas se não o ouvi, é evidente que não o posso colocar na lista.

MENÇÕES HONROSAS: Fletcher - "Finding Fletcher" | Parson James - "The Temple" | Bridgit Mendler - "Nemesis" | Sinead Harnett - "Rather Be With You" | The Japanese House - "Swim Against The Tide" | Hana - "Underwater" | Grace VanderWaal - "Perfectly Imperfect" | Chloe X Halle - "Sugar" | SG Lewis - "Yours" 

.10.. Cruel Youth  +30mg

Se há alguém que compreende os altos e baixos da indústria musical é a Natalia Kills. Com dois álbuns a solo absolutamente geniais (Perfeccionist e Trouble), uma das minhas artistas favoritas emergiu como Teddy Sinclair, no projecto Cruel Youth, em parceria com o marido, Willy Moon. +30mg é o EP de estreia do casal e, felizmente, não decepcionou! Aliás, a habilidade vocal da cantora nunca esteve tão presente como neste trabalho.

Por muitas reencarnações artísticas que a Teddy Sinclair sofra, os géneros e produção até podem mudar, mas a sua essência de bad girl mantém-se intacta. As letras são inteligentes e capazes de evocar emoções fortes  não é por acaso que co-escreveu os hits "Holy Water" e "Kiss it Better" da Madonna e Rihanna, respectivamente. Numa evidente alusão ao consumo de drogas+30mg retrata alguns dos piores momentos da vida pessoal da vocalista. Singles como "Hatefuck" apontam o amor como sendo a pior droga de todas, e aquela a qual menos pessoas estão imunes.


..9.. Leo Kalyan  Outside In
MUST LISTEN: FUCKED UP | TOGETHER | SILHOUETTE

No seguimento do EP Silver Linings (2015), Leo Kalyan voltou mais confiante que nunca em Outside In. No curto espaço de um ano, as qualidades enquanto compositor do jovem britânico estão ainda mais fortes, oferecendo ao ouvinte uma experiência única, crua e emocional. As duas primeiras faixas desta colecção de seis, "Fucked Up"  uma balada bem smooth  e animada "Together" conseguem ser vulneráveis e incrivelmente viciantes ao mesmo tempo. Dizer que ficam no ouvido é pouco para descrever o poder que exercem sobre mim. Resta-me aguardar, impaciente, a chegada de um álbum de estúdio.


..8.. Anoraak  Figure
MUST LISTENWE LOST | FIGURE | ODDS ARE GOOD

Em 2011 não ganhei apenas um filme favorito com Drive, também fui apresentado a uma nova corrente de artistas do mundo electrónico. Anoraak (aka Frédéric Rivière), foi um deles. Mantendo-se fiel ao seu estilo, o músico francês presenteou-nos com a banda sonora ideal para o Verão. Só tem um defeito, serem apenas quatro faixas e um remix. Figure é um EP pequeno em quantidade mas grande em conteúdo. Por entre batidas synthpop e melodias hipnotizantes é impossível ficar indiferente a tamanha originalidade.


..7.. Charlotte Day Wilson  CDW
MUST LISTEN: WORK | FIND YOU | WHERE DO YOU GO

Uma das minhas descobertas favoritas de 2016. Com uma voz a fazer lembrar a britânica Jessie Ware, Charlotte Day Wilson tem um timbre absolutamente delicioso e carregado de emoção. O registo mais grave mergulhado em arranjos suaves, em parte como a icónica Sadé, provam que esta cantora canadiana merece um lugar de destaque entre os melhores do ano. O EP CDW foi gravado e produzido na íntegra pela própria Charlotte. O único contribuidor do projecto foi o músico conterrâneo, River Tiber, presente em "Where Do You Go". Aconselho-vos vivamente a clicarem no play e ouvirem a "Work". Sem palavras.


..6.. Rebecca & Fiona  Party Hard
MUST LISTEN: SHOTGUN | DRUGSTORE LOVIN'| 4 LIFE | PARTY HARD | SAYONARA

Se há algo com que podemos contar quando ouvimos a Rebecca & Fiona, é com boa disposição. Aproveitando o tempo disponível entre tours, o duo sueco lançou uma espécie de festa ambulante com o, apropriadamente denominado EP, Party Hard. Já as tinha debaixo de olho desde que ouvi a fantástica "Sayonara", e foi com uma valente satisfação que recebi esta extended play com salpicos de Icona Pop e Charli XCX. Ainda que as letras não sejam necessariamente inspiradoras, a composição experimental é algo bem diferente em relação a trabalhos anteriores. Sem dúvida um óptimo aperitivo ao terceiro disco de estúdio.


..5.. Terror Jr  Bop City
MUST LISTEN: 3 STRIKES | SUGAR | TRUTH | COME FIRST

Os Terror Jr. são um autêntico mistério. Composto por três elementos, dois deles produtores identificados, pensa-se que a vocalista, "Lisa", não é nada mais nada menos que Kylie Jenner. Além da faixa "3 Strikes" servir como banda sonora para o anúncio do Lip Gloss da jovem, a tonalidade e quantidade de autotune na voz da cantora só ajudam a fomentar os rumores.

O EP de estreia, Bop City é irreverente por combinar sintetizadores e melodias upbeat com temas que passam pela sexualidade ("Pray") à violência actual nos Estados Unidos ("Little White Bars"). Longe estão os dias em que a cultural pop musical servia apenas de refúgio para os problemas do dia-a-dia. O grupo norte-americano junta-se assim à enorme lista de cantores que denunciam problemas sociais, "Someone got shot on the TV / But it don’t feel like a movie / I think this world’s ’bout to leave me…" Independentemente das limitações vocais da "Lisa", o trio conseguiu reunir um conjunto bastante coeso de faixas efervescentes e francamente viciantes, prontas para combater os dias mais pesados.


..4.. Hayley Kiyoko — Citrine

She's done it again! Seguindo as pisadas do brilhante EP The Side of Paradise, lançado em 2015, a Hayley Kiyoko voltou em grande com Citrine. Se estão familiarizados com a canção "Girls Like Girls", vão ficar satisfeitos por saber que a cantora e actriz manteve a mesma temática do projecto anterior. 

Citrine é uma poderosa colecção de canções que oferecem letras sinceras e emotivas ("The Palace"), confiantes e melodias absolutamente viciantes. Dois meses depois, ainda não consegui tirar o fantástico primeiro single, "Gravel to Tempo", da cabeça. Além da parte lírica/sonora, uma das vertentes mais fortes da jovem de 25 anos é a componente visual dos seus vídeos. Poderia explicar o porquê, mas basta verem os vídeos das faixas a cima indicadas para compreenderem.


..3.. Charli XCX  Vroom Vroom

Para celebrar o lançamento da sua nova recording label, Vroom Vroom Recordings, a princesa rebelde do pop britânico ofereceu aos fãs um EP explosivo. Com os álbuns True Romance e Sucker no curriculum, arrisco-me a dizer que esta produção de SOPHIE, é o trabalho mais desafiante da sua carreira. Agora sim, entrámos em território I don't give a f*. Irreverente e por vezes ridículo, Vroom Vroom é surpreendentemente satisfatório. Desde uma sample da Uma Thurman no "Pulp Fiction" ao uso de batidas quase animalescas, garanto-vos que não vão conseguir manter-se quietos ao som destas quatro canções.


..2.. Sofi Tukker  Soft Animals
MUST LISTEN: DRINKEE | MATADORA AWOO | HEY LION

Num ano em que na rádio pareciam ecoar repetições rítmicas de qualquer projecto do Justin Bieber e companhia, os Sofi Tukker foram uma lufada de ar fresco. O duo nova-iorquino composto por Tucker Halpern e Sophie Hawley-Weld apresenta em Soft Animals um conjunto de faixas pop com sabor a selva. Com uma produção impecável e utilização de instrumentos/sonoridades provenientes de um melting pot de culturas, ouvi-la cantar em português causa-nos uma sentimento de familiaridade estranho e extasiante. Além das extremamente viciantes "Matadora" e "Awoo", destaque para a "Drinkee", cuja letra é o poema "Relógio", escrita pelo poeta brasileiro Chacal. Soft Animals é uma obra-prima e, de longe, uma das melhores propostas de 2016.


..1.. Carly Rae Jepsen  E•MO•TION: Side B
MUST LISTEN: CRY | HIGHER | BODY LANGUAGE | STORE

Após conquistar a crítica com o absolutamente genial E•MO•TION  ficou em 2º lugar no meu "Top 50 Albums of 2O15— a Carly Slay Jepsen, como foi apelidada, resolveu presentar os fãs com E•MO•TION: Side B. A compilação de oito faixas serve de continuação ao trabalho anterior, mantendo-se no mesmo registo: canções contagiantes e directas que resultam num POP ao mais alto nível.

Para um amante da década musical dos anos 80 como eu, Side B oferece uma dualidade de texturas melódicas que, embora fora de época, conseguem ser simultânea e genuinamente modernas. A dada altura dá para perceber que a direcção começa a dispersar-se um pouco, mas é compreensível se pensarmos que, aparentemente, a Jepsen escreveu 250 canções para o disco original. Considera-te oficialmente vingada Carly, este #1 ninguém te tira.


Conheciam algum dos EP's? Quais são os vossos favoritos?

2 comentários:

  1. These EPs look great. I've got to check them one. I love finding new music to listen to.
    I just followed your blog. Please follow back. Stay in touch.

    www.fashionradi.com

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  2. Não gostei nada do Vroom Vroom, confesso. O Citrine está um amor! Amei o da Medler!

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