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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Easily Depressed


A palavra depressão é muitas vezes utilizada de forma leviana. Devido ao seu uso excessivo, tornou-se numa espécie de bengala para descrever o mínimo problema emocional que sofremos. Confesso que cometi este erro no passado mas, agora sou muito mais cuidadoso quando a utilizo. Apesar de estar bem, nunca é de mais falar sobre este tema.

Há vários anos que passo pelo mesmo ciclo. Estou perfeitamente normal e, de um momento para o outro, sou consumido por uma nuvem negra que me deixa incapaz de sentir o que quer que seja. É como se um botão se desligasse e fecho-me por completo. Fico sem vontade para fazer nada, de estar ou falar com as pessoas, só quero ficar sozinho no meu canto.

Eventualmente passa como chegou, de forma inesperada. Infelizmente não é tão rápido quanto gostaria. Chego a ficar semanas neste estado emocionalmente vegetativo, o que se revela um grande desafio para aqueles que nos são mais próximos.

Quando andava na escola era capaz de passar um ou dois meses das férias de Verão trancado no meu quarto, sem falar com ninguém fora do núcleo familiar. Limitava-me a responder a alguma mensagem para saberem que estava vivo e that's it. Hoje em dia, com trabalho e outras responsabilidades, não dá para fazer o mesmo.

Quem está de fora não compreende e pensa que nos estamos a vitimizar, mas não é de todo o caso. Calculo que existam indivíduos carentes, desesperados a ponto de simular esta doença mas isso é algo que considero do mais baixo possível. Sabendo que não é fácil para quem tem que lidar connosco no dia-a-dia, com certeza que se o pudéssemos evitar, assim o faríamos.

Nunca procurei ajuda profissional para este problema, em parte por achar que consigo resolver tudo por mim mesmo e por ter noção que há pessoas em piores condições. No entanto, muitas vezes pergunto-me se é a atitude mais correcta. Por muito que tenhamos dias menos positivos, nada justifica ficarmos completamente apagados do mundo, isso não é normal. Não adianta de nada armarem-se em super-heróis e pensarem que não precisam de ajuda. Só estão a alimentar esta condição e a dar-lhe força para criar raízes cada vez mais profundas.


Já tiveram depressão, a sério? Procuraram ajuda médica?

5 comentários:

  1. Tu próprio já respondeste à tua pergunta. É preciso procurar ajuda! Às vezes não é fácil perceber o motivo desses períodos, mas há quase sempre algo por trás. Felizmente não é algo que me aconteça, mas tenho amigos que passam por períodos assim e a diferença quando procurar ajuda profissional é notória. :)

    Jiji

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  2. Infelizmente sei o que isso é, já não experienciava estes sentimentos à muito tempo, mas no inicio do ano tive mil e um acontecimentos menos bons na minha vida e voltou por uns tempos...
    Adiei a ajuda de um profissional em certo modo porque achava que era admitir que era fraca. Mas não é de todo verdade, nós as vezes somos demasiado fortes durante muito tempo que depois acabam por culminar nessas situações. Mas se bem que as depressões propriamente ditas podem ter várias vertentes digamos assim, sendo situacionais ou mesmo tendo começado "sem qualquer motivo aparente ". Ás vezes a nossa vida pode ser tal e qual como desejamos e acabamos por cair.
    Confesso que sem dúvida alguma a pior forma de depressão que experienciei foi este ano, no 1º ano de faculdade a 200km de casa, porque adiei a ida ao psicólogo por as pessoas ainda terem uma mentalidade atrasada de "quem vai ao psicólogo não é bom da cabeça" e não queria ser julgada . Também dizia sempre aos meus pais que estava bem para não os preocupar, porque tinha familiares muito próximos no fim de vida e se havia coisa que eles já tinham era com que se preocupar, não precisavam "de mais um fardo". Só quando ia ao fim de semana a casa é que eles percebiam que eu estava tudo menos bem.
    Apesar de ter ótimas amigas (tanto do secundário que mesmo longe mantemos o contacto como da faculdade) tinha receio que não me compreendessem e sentia-me mesmo mal por mim própria, por estar nesse estado e querer ver o lado bom da vida e não conseguir. Na altura em que elas começaram a perceber que não era a pessoa animada que os punha a todos a rir do costume faziam de tudo para me animar. Mas quando pensava que estava sozinha nisso, soube que uma das minhas melhores amigas de faculdade passava exatamente pelo mesmo. E que quem era mais chegado lá a mim compreendia porque tinham familiares que tinham passado pelo mesmo e que quem não tinha passado por depressão, tinha tido já estados depressivos, de estarem com os sintomas uns 3/4 dias, ou algumas tendo mesmo ataques de pânico. Nestas alturas pensamos que estamos completamente sozinhos no mundo e que toda a gente consegue lidar com tudo menos nós, mas não estamos! São mais pessoas a passar por essas coisas do que imaginamos, e as vezes até a pessoa que parece mais feliz pode estar a passar pelo mesmo e esconder.
    Se há coisa que tenho a dizer é muita força !

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  3. Verdade, eu também tenho um pouco essa tendência e já cheguei a pedir ajuda exactamente por ter consciência de como estava. Apesar de saber que existiam pessoas em situações bem piores que eu, achei por bem pedir ajuda precisamente para não chegar a um ponto pior. A ajuda até pode ser uma conversa com alguém que nem seja profissional, mas mesmo por irmos ao psicólogo não significa que somos malucos!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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  4. Felizmente nunca passei por nada do género, mas penso que neste caso o ínicio é automaticamente o limite para procurares ajuda médica, mais que não seja para compreenderes de onde vem essa nuvem. Mas lá está, não tenho uma experiência que possa partilhar contigo. Tenho obviamente mood swings agressivos, mas penso que isso qualquer pessoa...

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  5. Infelizmente, já passei por isso. Antes de procurar ajuda médica ainda fiz muitas asneiras e as marcas agora estão em mim. Quando fui procurar ajuda médica custou, mas melhorei!

    Beijinhos
    That Girl

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