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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Don't touch me


A minha mãe conta que em criança era muito afectuoso mas sinceramente não é isso que vejo quando recordo a minha infância. Desde as velhotas do café do meu avô que me beijavam com as beiças cobertas de manteiga das torradas, a amigos em geral, detestava que me tocassem.

Agora que reli o final do primeiro parágrafo, parece que estou a falar daquele tipo de toques em que precisamos apontar para uma boneca. Dear lord! Não é nada disso! Que fique claro, refiro-me a mexerem-me no braço, abraços, beijos, etc. Nada de inapropriado, por favor.

Esclarecimentos de parte, acredito piamente na noção de espaço pessoal. A bolha actimel existe e deve ser respeitada. Infelizmente, são poucas as pessoas que compreendem completamente esta questão. "Ah, és assim com a tua namorada?", perguntam-me sempre que debato este tema. Minhas antas, não tem nada a ver. Como dizia um certo actor brasileiro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Como devem calcular, não me incomoda minimamente que a minha namorada me toque a não ser que seja para me agredir, claro. Ainda assim, nem ela está imune a certos gestos capazes de despoletar a minha fúria. O simples acto de esticar o dedo e tocarem-me no braço é extremamente irritante. Não estou a brincar quando vos digo que a minha vontade é de o arrancar para nunca mais repetirem a brincadeira. 

Não sabem falar sem terem que meter a mão em cima de uma pessoa? Uma coisa é gesticular enquanto discursam outra é mexerem no vosso público enquanto as palavras vos saltam da boca. A minha progenitora é perita nisto. Como estamos sentados lado-a-lado nas refeições, perdi a conta à quantidade de vezes que sou atacado por aquele maldito indicador. A reacção é sempre a mesma "não me toques". Se antes ficava irritada, acho que se conformou e agora faz de propósito para me irritar.

É complicado explicar isto às pessoas sem que se sintam rejeitadas ou como se tivéssemos alguma coisa contra elas. Não acredito que vou recorrer a este cliché mas, "não és tu, sou eu". É mesmo! Não sou nenhum lunático, sei perfeitamente que é um gesto normal mas comigo não funciona. Agora imaginem o suplício que é manter uma conversa com aquelas pessoas overly touchy. Os cenários que crio na minha mente são demasiado obscuros para os descrever.

Aqui entre nós, gostava de ter a capacidade de abraçar/beijar os meus amigos e pais sem que fosse um sacrifício ou simplesmente awkward. É terrível, eu sei. Por muito que tente, nunca parece natural e acaba por ser pior do que me manter no meu canto. Este é um dos motivos porque detesto aniversários ou festividades em que sou forçado a beijar os familiares, mesmo que me sejam extremamente próximos.

Agora que penso nisso, o meu grupo de amigos a sério nunca foi muito touchy portanto isso também não ajudou. Não sei em que momento da minha vida ocorreu esta mudança comportamental mas, ao contrário dos toques no braço, gostava genuinamente de estar à vontade para praticar e apreciar este tipo de afectos sem me sentir constrangido.


Incomoda-vos que vos toquem? Já passaram por situações caricatas?

5 comentários:

  1. A QUEM COMENTOU ESTE POST ANTES DESTE AVISO:

    Enganei-me e ao seleccionar os comments removi-os em vez de os aceitar. Se reparerem na ausência do vosso contributo não estranhem. Sorry!

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  2. Eu odeio, mas odeio mesmo que me toquem! Irrita-me profundamente as pessoas que têm o vício de me tocarem quando querem falar. Querem falar, falem simplesmente, mas sem toque! É horrível, principalmente quando estão ali que tempos a tocar até eu falar! Só me apetece berrar, arrancar o dedo com os dentes e metê-lo na boca da pessoa ou dá-lo aos animais para o comerem! É horrível mesmo!

    Beijinhos
    That Girl

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  3. Ahahah adorei ler isto, podia ter sido eu a escrever! Também uso muito a analogia da bolha actimel, é bom saber que não estou sozinha! Também detesto que me toquem, qual é a necessidades? Não vou ouvir melhor o que têm para dizer por me estarem a pôr a mão no braço! Aliás, vou ouvir pior porque vou estar concentrada a pensar no quanto me estão a irritar =p

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  4. Tenho exatamente o mesmo problema da awkwardness! Nunca fui habituada a esse tipo de manifestações de afecto e agora custa-me sempre imenso.

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  5. Ahh não estás sozinho! Embora seja bastante paradoxal neste aspeto, na maior parte das vezes não gosto que me toquem. Aliás, eu é que decido quando é que tal pode acontecer porque eu é que dou os abraços e beijinhos. Tadinha da minha mãe, nas vezes em que me quer abraçar e assim, eu deixo, mas reteso-me toda porque para além de ser sensível ao toque, há dias em que não dá mesmo! Mas é a minha mãe, o que fazer? Quanto ao meu pai, ele é muito como eu! XP

    A Vida de Lyne

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