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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sound the Alarm ⤫ Álbuns a ouvir #23



1. Lady Gaga  Joanne
MUST LISTEN: A MILLION REASONS | DANCIN' IN CIRCLES | JOANNE | ANGEL DOWN | PERFECT ILLUSION | A-YO
Oito anos e quatro álbuns depois, a "Mother Monster" continua a polarizar opiniões. Se a capa não foi indicativo suficiente, Joanne é um capítulo completamente diferente na carreira da cantora. As roupas e penteados extravagantes passaram para segundo plano, deixando a voz potente e a honestidade lírica brilharem por si só. Em Joanne conhecemos uma Lady Gaga mais vulnerável, sem medo de mostrar que por debaixo da aparente loucura criativa, está um ser humano igual a todos nós.

Contrariamente ao que se diz por aí, não é country. Sim, tem alguns elementos do género como na minha favorita "A Million Reasons" ou em "Sinner's Prayer", mas é puro pop, com pitadas de funk, folk e soft rock. A produção é mais recatada, com algumas melodias acústicas e guitarras predominantes, tornando o projecto ainda mais pessoal. É impossível ficar indiferente à tocante faixa-título, dedicada à tia que morreu de lúpus antes de ela nascer. Sem grandes pretensões, é mais crua e emocionante que qualquer outra canção do seu repertório inteiro. 

O álbum é uma homenagem às mulheres, à sua força, importância e sentimentos. O objectivo é dar voz ao sexo que ainda é visto por muito como sendo o inferior. Mas em nenhum momento exclui homens. Aliás, a narrativa criativa acaba por ser um apelo para cuidarmos uns dos outros num mundo cruel, principalmente em "Angel Down", uma canção sobre a morte de Trayvon Martin (jovem de 17 anos morto pela polícia), que alude o lado podre da internet: "I confess I am lost in the age of the social / On our knees, take a test / To be loving and grateful." 

Desde que criei esta rubrica nunca mencionei críticas alheias mas, tendo em conta algumas que li na imprensa nacional, é impossível ficar calado. A falta de coerência, conhecimento e imparcialidade presente em alguns "artigos" é deveras desconcertante. O do Público então, é simplesmente vergonhoso. O desagrado pela cantora é tão evidente que nem são capazes de se distanciar e apresentar argumentos válidos para fundamentar a opinião. Como é uma figura excêntrica e canta pop em vez de rock nem merece uma análise justa, é logo posta de lado. Posso não ser crítico de formação, mas detesto injustiças.

Se cantoras como Beyoncé e Rihanna têm direito a experimentar outros estilos musicais, saírem da sua zona de conforto, e serem aplaudidas por isso, porque deve a Lady Gaga ser crucificada por fazer a mesma coisa? Pode não ser um The Fame Monster, mas Joanne é sem dúvida uma das ofertas mais sólidas do ano.


2. Solange A Seat at the Table
MUST LISTENDON'T TOUCH MY HAIRCRANES IN THE SKY | MAD | DON'T WISH ME WELLF.U.B.U.

Parece que 2016 é o ano da família Knowles. Depois de Beyoncé lançar o brilhante álbum visual Lemonade, chegou a vez da irmã mais nova, Solange, oferecer a sua versão da situação político-racial vivida nos Estados Unidos. Intitulado A Seat at the Table, o terceiro disco de estúdio da cantora norte-americana fala sobre a identidade negra e em especial da luta contra o racismo. Inspirada na história de vida dos pais, Solange ofereceu o seu trabalho mais íntimo e sincero até à data. 

Embora não quisesse comparar os trabalhos das irmãs, existe um claro elo de ligação entre os dois: a temática. Ao contrário de Lemonade, em A Seat at the Table, prevalece uma sonoridade R&B, funk e neo soul, mais calma e sem grande espalhafato. Não significa que este disco seja menos forte, muito pelo contrário. A mensagem é suficientemente importante para se afirmar sozinha, sem precisar lavar roupa suja na praça pública. 

É de salientar a vertente visual da cantora. Os videoclips de "Cranes in the Sky" e da soberba "Don't Touch My Hair", são de longe fortes candidatos ao título de melhores do ano. A estética é de tal forma perfeita que parece que estamos a assistir a poesia em movimento. 

Composto por 21 faixas, A Seat at the Table conta com letras, arranjos e co-produção da própria Solange, juntamente com o marido, o músico Alan Fergunson. 


3. JoJo  Mad Love
MUST LISTEN: FAB | VIBE | FUCK APOLOGIES | GOOD THING | I CAN ONLY | HONEST

Uma década desde o lançamento do último disco, The High Road (2006), a dona da eterna "Leave (Get Out)" está de volta! Mad Love chega-nos como uma crónica do que a cantora passou durante os sete anos em que foi impedida de lançar música devido a uma batalha judicial com a antiga editora. 

De uma forma geral, há um ingrediente essencial em falta neste projecto: identidade. A maturidade nas letras é refrescante, mas em compensação, as transições entre pop genérico como "Vibe" e baladas mais soul como "I Am", parecem ter sido feitas ao acaso, nada coesas. A sonoridade geral do álbum parece um pouco datada. Ainda assim, há vislumbres de genialidade como na pulsante "I Can Only", dueto com a Alessia Cara, e na poderosa "FAB" (significa Fake Ass Bitches).

Mad Love pode não ser o comeback porque os fãs esperavam, mas seria um crime ignorá-lo. O disco apresenta-nos uma narrativa simples de crescimento, tristezas, raiva e por fim, aceitação. Só é pena não ser propriamente inovador.


4. Terror Jr.  Bop City
MUST LISTEN: 3 STRIKES | SUGAR | TRUTH | COME FIRST

Os Terror Jr. são um autêntico mistério. Composto por três elementos, dois deles produtores identificados, pensa-se que a vocalista, "Lisa", não é nada mais nada menos que Kylie Jenner. Além da faixa "3 Strikes" servir como banda sonora para o anúncio do Lip Gloss da jovem, a tonalidade e quantidade de autotune na voz da cantora só ajudam a fomentar os rumores.

O disco de estreia, Bop City é irreverente por combinar sintetizadores e melodias upbeat com temas que passam pela sexualidade ("Pray") à violência actual nos Estados Unidos ("Little White Bars"). Longe estão os dias em que a cultural pop musical servia apenas de refúgio para os problemas do dia-a-dia. O grupo norte-americano junta-se assim à enorme lista de cantores que denunciam problemas sociais, "Someone got shot on the TV / But it don’t feel like a movie / I think this world’s ’bout to leave me…"

Das as limitações vocais da "Lisa", o trio conseguiu reunir um conjunto bastante coeso de faixas efervescentes e francamente viciantes, prontas para combater os dias mais pesados.





OUTROS ÁLBUNS A OUVIR (AQUI)

Já ouviram algum dos quatro álbuns? Qual é o vosso favorito?

4 comentários:

  1. Joanne me pareceu ter mais elementos do folk estadunidense do que o country.

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  2. Ando a ouvir o álbum da lady Gaga e acho que vale a pena, este último trabalho é muito bonito devido à homenagem. De resto, vou espreitar a Jojo, que também gosto.

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  3. Já ouvi o da Gaga e adorei. É o que faz mais o meu género, tendo em conta os álbuns anteriores. A Million Reasons também é a minha preferida. Já ouvi tantas vezes... E é bom não conseguir apontar uma música de que não goste. :)

    Também já ouvi o da Jojo, mas não me marcou tanto. Adorei a música com a Alessia Cara. Quanto às outras, ainda tenho de ouvir mais, para formar opinião. Mas não achei mau.

    Os outros dois ainda não ouvi.

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