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sexta-feira, 21 de outubro de 2016

5 coisas que aprendi desde que comecei a trabalhar


1. É importante dizer que não

Cliché ou não, é a mais pura verdade. Muito se fala da importância de saber dizer "não", mas confesso que só agora lhe dei o devido valor. Passei a maior parte do meu percurso escolar/universitário a trabalhar para os outros e cometi o erro de manter esta atitude semi-passiva quando entrei no mundo laboral. Quando começamos, queremos deixar uma boa impressão e solidificar a ideia de que fizeram a escolha acertada quando nos colocaram ali. O problema é quando percebem que somos profissionais e se aproveitam disso. Não levou uma semana até ser forçado a colocar um travão nas tarefas que queriam impor e que nem sequer correspondiam ao meu cargo/remuneração. O que aconteceu? Nada. Não tive represálias e perceberam que não ia deixar que gozassem com a minha cara. Se foi fácil? Não, fico sempre a arder/tremer quando tenho conversas do género, mas é extremamente importante batermos o pé quando se justifica.

2. Adapto-me melhor do que pensava

Até uma social butterfly se ia sentir um pouco deslocada numa empresa onde os funcionários têm todos de 37 anos para cima, portanto o que dizer de mim. Escusado será dizer que os primeiros dias foram um pouco constrangedores. Sentia-me como um elefante numa loja de louça, observado e com medo de dar um passo em falso. Como costume, aquilo que era um bicho de sete cabeças desapareceu rapidamente. Todas as inseguranças tornaram-se meras memórias distantes. Claro que existem pessoas com as quais não consigo manter diálogo, mas deve-se a não termos absolutamente nada em comum (interesses e feitios), não por má vontade.

3. A mentalidade highschool mantém-se

É mais que sabido que existe sempre um ovo podre em qualquer equipa. O problema é quando começamos a ver um padrão extremamente familiar. Pensava que os meus dias a lidar com raparigas parvas tinha ficado para trás. Faz-me alguma espécie como é que adultos com idade para ter juízo se comportam como autênticas hienas histéricas. Andam pelas sombras a ouvir conversas, fingem-se de simpáticas à nossa frente e cortam na casaca pelas costas. Depois há o teatcher's pet que só falta dar uvas à boca do chefe. Lamento, mas não tenho o mínimo de paciência para isto. Tristeza.

4. Bom ambiente não é o suficiente

Ainda hoje "levo na cabeça" por causa deste assunto. Tanto a minha namorada (que trabalhou no mesmo local antes de mim) como uma colega, avisam-me para não me acomodar. Por muito bom que seja o ambiente entre a maioria dos trabalhadores, não posso deixar que isso me prenda àquele sítio. Num piscar de olhos acabo como alguns deles, parte da mobília, a receber uma miséria e com depressões em cima. Não quero isso para a minha vida. Tenho que aproveitar que sou jovem, e não tenho uma família para sustentar, para arriscar. De que me adianta ser tão ambicioso se a preguiça está ao mesmo nível?

5. Patrões decentes são um pokémon raro

Fazendo uma análise rápida ao leque de indivíduos com que já me relacionei, a esmagadora maioria não tem coisas agradáveis a dizer sobre os seus patrões. É evidente que existem excepções, mas pude comprovar que todas as histórias negativas que ouvi são de facto reais. A não ser que vivam debaixo de uma rocha ou ainda não o tenham experienciado, sabem que a situação laboral em Portugal é uma autêntica vergonha. Existe demasiada procura e pouca oferta. Resultado, as chefias aproveitam-se da necessidade das pessoas para lhes dar uma quantidade desumana de tarefas a troca de umas migalhas. A nossa sanidade não interessa, importante é o lucro deles e mais nada. A mentalidade "eu pago e tu fazes tudo o que eu mandar" existe e é chocante quando somos confrontados com ela. Digamos que tinha material para um tell-all book.


Já trabalham? Passaram por situações semelhantes?

8 comentários:

  1. Bom post - concordo com tudo o que escreveste! Especialmente o ponto 1, porque isso vai definir muito do nosso stress e do nosso sucesso (afinal, ninguém é bom a fazer tudo ao mesmo tempo). E no entanto, acho que é esse aquele que mais dificuldade tenho a cumprir. Tristeza!

    Jiji

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  2. Não podia concordar mais contigo, principalmente na primeira parte. Se nos mostramos demasiado prestáveis, usam e abusam de nós.
    Beijinhos*
    http://confissoespecadora.blogspot.pt/

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  3. Estou ansiosa que chegue a minha vez. Gostei de ler :)

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  4. Muito tristemente posso dizer que num ambiente hospitalar é igual... infelizmente.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  5. Já trabalhei em vários lugares e tudo o que dizes é verdade. Em relação aos patrões não posso falar muito porque de todos os que tive, sempre foram mais ou menos decentes. Lá têm as suas pancas mas acabavam por ser flexíveis.

    Cátia ∫ Meraki

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  6. Eu comecei a dizer que não mal comecei a trabalhar. Aliás, a empresa para a qual trabalho, antes de me chamar para trabalhar, fez-me uma entrevista em que me propôs um estágio. Como não sabia ao que ia (se gostava do tipo de trabalho que se fazia na empresa) e não estava pronta para me comprometer durante 9 meses com um trabalho que não sabia se ia gostar, tive de recusar - com muito jeitinho e nunca dizendo não, mas qualquer pessoa percebia que estava a recusar -, isto tudo em frente ao dono da empresa. Uma semana depois chamaram-me para trabalhar (isto em Março) e desde então que tenho estado com eles, sem estágio. Pouco depois também me pediram que trabalhasse alguns fins-de-semana e, mais uma vez, tive de recusar, porque não estavam dispostos a pagar o que eu considerava justo para os dias de descanso. Fiquei a tremer de todas estas vezes, mas a verdade é que continuo com eles e apreciam o meu trabalho. Estabelecer limites e dizer não é essencial no mundo empresarial actual! E também tenho o problema do bom ambiente: o trabalho que faço, apesar de ser na minha área, não é exactamente o que quero. Mas o ambiente entre a malta da empresa é fantástico e faz-me continuar a trabalhar lá (é uma das grandes razões, pelo menos). E quanto aos patrões, começo a perceber que o problema da maioria é estarem tão afastados do que é a realidade diária de quem trabalha a sério para eles, do que fazem e da dificuldade das situações com que têm de lidar, que mesmo que não sejam super maus estão, no mínimo, completamente alheados da realidade.

    Aonde (não) estou

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  7. Verdade. Já trabalhei em muitos sítios e em todos eles tive problemas exactamente porque não me habituei desde o início a dizer que não. Desde que trabalho em Londres, tenho aprendido muito. Especialmente porque o mercado de trabalho aqui também é bastante diferente do português e, de certa forma, respeita mais o trabalhador.

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  8. Percebo-te perfeitamente, saber dizer que não vale ouro. Caso contrário abusam e depois quem se lixa és só tu mesmo...

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